06 novembro 2005

Violência em Paris (I)

Corbeil-Essonnes, França
Fonte: Le Figaro

O boneco do McDonald parece apontar pateticamente para o que restou da lanchonete, primeiro arrasada pela passagem de um buldôzer (sim, buldôzer!), depois incendiada. Ah, se os jovens daqui fossem como os de lá, já imaginaram? Mas vejam o teor das manfestações anti-Bush de hoje em todo o Brasil: lançamento de ovos, queima de "judas", janelas de embaixada quebradas, prisões... Estamos chegando perto: daí para o buldôzer, é só uma questão de ousadia.

Aparentemente, tudo começou porque dois adolescentes de origem islâmica, Bouna e Zied, crendo-se perseguidos pela polícia, esconderam-se dentro de um transformador e, por acidente, foram eletrocutados. Esse foi o estopim para as depredações em massa que têm abalado os arredores de Paris por dias a fio, contabilizando hoje mais de mil veículos destruídos, além de um sem-número de prédios municipais, escolas e estabelecimentos incendiados.

Assusta a média de idade dos manifestantes, dezoito anos, mas não surpreende sua origem comum: há vinte anos os bairros pobres na periferia de Paris são as barricadas onde tem se desenvolvido sem freios o ódio separatista, oriundo de uma cultura de imigrantes que já chegam ao país estrangeiro recusando a integração. Os professores das escolas públicas têm lidado por muito tempo com um problema que parece sem solução, a extrema agressividade dos jovens das periferias. O especialista em Islã Robert Spencer (ver artigo em inglês) acertou na mosca ao declarar que "os revoltosos são parte de uma população que nunca se considerou verdadeiramente francesa", demonstrando o que a essa altura é impossível ignorar: longe de uma simples insatisfação juvenil contra a pobreza e a ausência de perspectivas, tamanha onda de violência tem associações estreitas com o mesmo sentimento que leva radicais islâmicos a se engajarem em uma "guerra santa", para a qual até crianças são convocadas. Porém, isso parece não ser compreendido pelas teimosas autoridades francesas, que insistem em justificar toda essa violência com as condições econômicas precárias da população das periferias. Não admira: mergulhado na atmosfera politicamente correta que cozinha a Europa há pelo menos quarenta anos, o povo francês está impedido, por escrúpulos socialistas, de perceber o outro lado das diferenças culturais, deixando de abrir os olhos para o poder crescente do terrorismo em todo o mundo - que não se faz sentir por persuasão apenas, mas pela força da espada. Casos como o de Theo Van Gogh não me deixam mentir.

2 comentários:

Lata Mágica disse...

Primeiro, queremos agradecer sua visita. Segundo, dizer que seu blog é muito lindo e profundo.Terceiro, que ficamos feliz, mas um pouco aflitos, pois somos visitados por pessoas - profissionais na maioria professores, jornalistas, advodgados, escritores e nós apenas estudantes com pouca experiência nos assuntos abordados pelos blogs.Quarto,fizemos o nosso Lata Mágica, pensamos que só entrariam a "pirralhada" :)).

Mesmo assim, estamos aí , muito gratificados pela força recebida por todos vocês. As dificuldades sõa muitas. Aos poucos a gente conta lá no blog. Aos poucos para ninguém chorar :)))

Um beijo da Lata Mágica.

Norma disse...

Obrigada! Vocês são uma gracinha. Mas não se esqueçam: talento é talento, não importa a idade de quem o possui. Estamos apenas rendendo homenagem à surpreendente beleza que encontramos cada vez que visitamos o blog de vocês. Continuem assim e contem sempre com a força dos amigos blogueiros!

Grande beijo!
Norma