09 março 2015

Há escravos hoje?

É incrível pensar sobre isso, mas, mesmo com toda a informação disponível hoje em dia, quando se menciona no Brasil a palavra "escravidão", pensa-se somente naquele período da nossa história que se encerrou legalmente em 1888, com a Lei Áurea. Ou então, usa-se o termo em sentido metafórico: escravidão à bebida, às drogas, ao sexo.

Mas a escravidão subsiste, de modo ilegal, em vários países ocidentais. É comum que a ficção nos deixe impressões mais vívidas que o noticiar dos fatos: hoje vi na tv um episódio de Law and Order SUV que tratou da exploração de crianças abandonadas. Um menino de 13 anos e uma menina de 15 foram vendidos - pelo próprio pai desesperado - para uma fazenda, local fachada para uma organização que as prostituía e vendia os bebês que as meninas tinham. Maltratadas e famélicas, as crianças eram mantidas acorrentadas pelos pulsos em um porão quando os donos da "fazenda" tinham que sair. Um horror absoluto - e não temos motivos para crer que a realidade seja melhor que a ficção. De fato, na maioria das vezes, é bem pior. Também não temos motivo nenhum para crer que isso não acontece em nosso país.

A Bíblia enfatiza que mulheres e crianças, por sua maior fragilidade, precisam de cuidados especiais quando deixadas à própria sorte. Quando pensamos nas possibilidades de abuso e tráfico, sobretudo nestes tempos em que a lascívia e a pornografia recebem aprovação pública, esses cuidados precisam ser ainda maiores. Mas por que os cristãos nunca falam sobre isso?, você pode perguntar. Aí é que está: eles falam! Há cristãos abalizados tratando do assunto. E você pode ouvi-los, por exemplo, na Conferência Reformada Mundial, em São Paulo, que começa no dia 23 de março e dura uma semana. São duas palestras que tratam do tema:

Dia 25 de março (quarta-feira)

17h45 - 19h15

O Abuso de Mulheres – Diane Langberg (USA)

19h45 - 20h15

O Tráfico Humano – Jim Gamble (Northern Ireland)

20h15 - 21h00

Perguntas e Respostas com Diane Langberg e Jim Gamble

Estarei lá!

11 fevereiro 2015

VINACC 2015!

Amanhã começa a Consciência Cristã 2015! Eu vou, e você?

Falarei no sábado e no domingo à tarde. Meus temas:

1. Uma tela toda branca: Arte, de Yasmina Reza

2. Arte e moralidade podem andar juntas? A pós-modernidade brasileira.

Até lá!


15 janeiro 2015

Conferência World Reformed Fellowship

Imagine um congresso reformado que, em vez de concentrar-se em doutrina ou cuidado pastoral, trata de temas como pobreza, islamismo, homossexualidade, plantação de igrejas, abuso de mulheres e tráfico sexual?
IMPERDÍVEL, não é?


Se você não for, depois não vá ficar reclamando que os reformados nunca falam desses assuntos! Será em MARÇO, do dia 23 ao dia 27. Estarei lá, com a graça de Deus! 
Inscreva-se aqui! E não deixe de dar uma olhada na programação completa aqui.


30 dezembro 2014

Rossini e Ray Conniff



Desconheço peças instrumentais tão engraçadas quanto as de Rossini ou Ray Conniff. Apesar das muitas características que os distinguem - época, estilo, o primeiro compositor e o segundo arranjador - , ambos são mestres em apresentar aos ouvintes o ridículo inerente à condição humana. (Aqui penso, sobretudo, na abertura de La Gazza Ladra - vídeo acima - e em Brazil.) Mas assinalo uma diferença fundamental: enquanto Rossini me emociona, Ray Conniff apenas me faz rir. E, à parte as qualidades musicais, talvez seja dessa natureza o abismo que os separa - o ridículo de Conniff, provavelmente inadvertido, resulta do contraste que há na abundância sentimentalista executada com perfeição formal; já o ridículo de Rossini é multifacetado como uma cosmovisão, com seus aspectos heroicos, trágicos, líricos, e subjaz às narrativas de todos nós.

Não poderia então deixar de desejar aos leitores um 2015 com menos Conniff e mais Rossini! :-) Feliz ano novo a todos!

24 dezembro 2014

Natal com Bach





Não pretendo afirmar que é errado comemorar o nascimento de Jesus. (...) Sim, dou graças a Deus pela época do Natal; graças a Deus pelo amolecimento que ela traz aos corações duros; graças a Deus pela identificação que proporciona às crianças pequenas a quem Jesus tomou em seus braços; graças a Deus, até mesmo, pela tristeza estranha e doce que nos traz, juntamente com suas alegrias, quando pensamos nos entes queridos que se foram. Sim, é assim que devemos celebrar o Natal, e que Deus nos dê sempre um coração de criança para que possamos celebrá-lo corretamente. Mas, sobretudo, meus amigos, não é o Natal o maior aniversário da igreja cristã. Não é tanto o nascimento de Jesus que a igreja comemora, mas sim, de modo principal, a sua morte.
Essa citação de Gresham Machen exprime perfeitamente bem meus sentimentos sobre o Natal. Faço um jantar especial e troco presentes, sim, mas tenho muito vívidas em meu coração as palavras de Jesus na última ceia (Lc 22.19-20) - mais um dos estranhos e lindos paradoxos da fé cristã, inserido no paradoxo maior que declara: só vivemos porque nos alimentamos de sua morte! Para ajudar você a refletir nisso, ofereço aqui o vídeo legendado de "A Paixão segundo São Mateus", do nosso irmão luterano Johann Sebastian Bach, que em sua música harmoniza como poucos verdade, bondade e beleza.

Feliz Natal!

10 dezembro 2014

Homeschooling: vote sim!

Há uma pesquisa no site do Senado que indaga:

"Você concorda com o projeto que prevê a possibilidade de a educação básica ser feita em casa?"

Se você está alarmado com a má qualidade da educação no Brasil e deseja que os pais brasileiros tenham um direito já garantido em vários outros países, vote SIM!

Na verdade, a proibição ao ensino em casa é ilegal, de acordo com Henrique Cunha de Lima, procurador do Ministério Público de Contas do Estado do Rio de Janeiro: o Brasil assinou tratados internacionais que são superiores ao ECA e à LDB (veja aqui). Mas precisamos de mais facilidade jurídica, pois muitos juízes não estão dispostos a abrir mão da ideia de que o Estado é o mais importante educador das crianças brasileiras - o que é um absurdo e deve ser tratado como tal. O que começou como direito não pode se transformar em obrigatoriedade!

Liberdade para homeschooling já!


02 dezembro 2014

Ódio à verdade

Eu sei que faz tempo, mas não dá para esquecer Jean Wyllys fantasiado de Che Guevara para uma foto. Consta que ele ficou bravo por ser criticado. Eis o que ele disse:

O argumento de que "Che Guevara era homofóbico" além de empobrecer uma rica biografia e de simplificar uma personalidade complexa – e só ignorantes são capazes desse reducionismo constrangedor – não leva em conta que em sociedades capitalistas como a nossa e dos EUA os homossexuais são vítimas não só de discursos de ódio, mas de homicídios numa proporção assustadora...

A coisa já começou mal: "O argumento de que ‘Che Guevara era homofóbico’..." Não se trata de um "argumento", mas sim de um fato, que não escaparia ao conhecimento de Wyllys caso ele fizesse questão de conhecer melhor a pessoa por trás do símbolo. O escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, em Mea Cuba (editado no Brasil pela Companhia das Letras), conta uma história que ilustra o ódio que Guevara nutria por homossexuais. Na década de 1960, em visita ao embaixador cubano na Argélia, Che viu na estante da biblioteca as Obras completas do poeta Virgilio Piñera e esbravejou "Como você pode ter o livro dessa bicha na embaixada?", jogando um volume contra a parede. Temeroso, o pobre embaixador jogou os livros no lixo.

Eu só fico pensando... Os militantes do lobby gay têm os cristãos como grandes inimigos, porque cristãos consideram a Bíblia sua base de fé e acreditam que o homossexualismo é pecado - um dos muitos pecados que fazem parte da natureza humana desde a queda. Trata-se de uma categoria TEOLÓGICA que tem sido objeto de muito malentendido por aí. Dizer que o homossexualismo é pecado não equivale a aprovar qualquer tipo de violência ou repressão contra os gays, pois sabemos muito bem que só Deus pode lidar satisfatoriamente com o pecado humano. Chamar o homossexualismo de "pecado" significa apresentar a possibilidade de perdão a pessoas que não estão felizes com suas pulsões homossexuais.

Dificilmente você vai encontrar um cristão esclarecido que aja como Guevara agiu. Pode perguntar a qualquer cristão que goste de literatura: você deixaria de ler Marcel Proust, Oscar Wilde e Tennessee Williams, por exemplo, só porque esses autores são gays? A resposta será um sonoro NÃO. 

No entanto, Jean Wyllys - sim, o aguerrido lobista LGBT Jean Wyllys - desculpa Che Guevara com as palavras "rica biografia", "personalidade complexa" e "reducionismo constrangedor", mesmo tendo ele feito algo que nenhum cristão digno de seu Mestre sonha em fazer: condenar um poeta gay à lata do lixo.

Dois pesos, duas medidas. Claro, porque o símbolo rende muitos dividendos ideológicos e deve ser preservado a qualquer custo. Sacrifique-se a verdade, por que não?

E ainda querem poder para legislar "crimes de ódio" no Brasil, inocentando um assassino que censura poetas e agride leitores, mas condenando um pastor inofensivo que pregue em Romanos 1 sobre pecado e perdão.