25 novembro 2005

Considerações pessoais sobre o aborto


Quando eu era adolescente, ainda antes de me converter ao cristianismo, fui com uma amiga, de pura curiosidade, a uma reunião do PT em um anfiteatro no centro do Rio de Janeiro. Nós saímos no meio, muito impressionadas: o clima geral era de um culto religioso bastante inflamado, que atingiu seu paroxismo quando, ao ser enunciada a palavra de ordem "legalização do aborto", as pessoas presentes entraram em uma espécie de delírio coletivo. Vociferavam nos microfones e rompiam em palmas diante da visão de um mundo que encarasse com absoluta tranqüilidade o destroçamento intra-uterino de bebês ainda vivos.

Eu devia ter uns 20 anos na época, estou com 34 hoje. Vê-se que essa diretriz é antiga, entranhada mesmo na mentalidade petista, como macabra missão. Em vez de zelar para que as mulheres só tenham filhos em momento propício, obstinam-se em que não haja culpa nem impedimento para a permissão de um assassinato no interior do corpo feminino - assassinato de seu próprio filho, sua própria filha.

Há mulheres que jamais se recuperam da decisão, mesmo quando têm outros filhos depois. Uma tristeza profunda as abate quando pensam "ele (ou ela) teria tantos anos esse mês". Para mim, a idéia sempre foi bastante estranha, bem antes de me tornar cristã, aos 24 anos. Eu jamais investiria contra uma outra vida dentro de mim. Mas fui uma criança especial nesse sentido, do tipo que pensa em educação dos filhos desde pequenininha. Meus pais enfrentaram dificuldades financeiras quando nasci. Talvez eu tivesse sido uma candidata ao procedimento. Talvez eu não estivesse aqui se minha avó não tivesse se proposto a ajudá-los na época. Quem sabe?

Não posso então deixar de me perguntar por que, afinal, um militante do aborto não consegue se colocar no lugar dos fetos que pretende ajudar a destruir. Um princípio elementar do tipo "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você" seria suficiente para romper com todas as pretensões de legalidade com relação a um ato tão obviamente infame.

Como cristã, só me resta dizer: que se calem todos esses que, tal como deuses, pretendem assinar decisões sobre a vida e a morte; que Deus os cale. Em nome da saúde coletiva desta nação - se ainda existe alguma - , peço a Deus que cale essas vozes da destruição, que derrame seu Espírito para que percebam o que estão fazendo e se arrependam. Nilcéa Freire, Jandira Feghali e tantas mulheres que cauterizaram seus corações quanto a essa prática de abominação - peço aqui por elas, todas elas, que enxergam nisso alguma "liberdade" para a mulher, para que percebam que não é possível que Deus conceda a nós, que Ele criou e sustenta mesmo quando não O reconhecemos como criador e senhor da vida, a liberdade de matar.

E que, se for mesmo lançado o plebiscito "A interrupção da gravidez até a 12a semana de gestação deve ser permitida?", conforme enunciado no site da
Câmara dos Deputados, que esse mesmo Espírito que sustenta a vida possa estar presente no momento em que cada brasileiro sair de sua casa para votar - e que o bom senso, o amor, o temor a Deus prevaleçam. Essa é minha oração.

Obs. Não sou votante do Prona, mas há excelente
texto do Dr. Enéas sobre isso. Para ser lido com carinho.

11 comentários:

César Miranda disse...

Ah, não, mais um plebiscito não. Não para uma questão dessa. Seria adequado neste caso a pergunta para "Deve-se revogar o 5° mandamento"? Ótimo post. O discurso do Dr. Enéas também é ótimo. O nome dele realmente é Enéééééas.

Toscoman disse...

Seguinte, li alguns posts do teu blog e fiquei bastante contente de saber (segundo o que escrevestes no dia 23 de nov) que não sou o único a ser criticado por criticar (adoro um trocadalho) o pensamento esquerdista. A diferença é que pelo menos o pessoal que comenta no teu blog não faz ataques violentos contra a tua pessoa, como vem acontecendo comigo.. =o]

Bueno, cativastes um novo leitor. Vou aparecer mais seguido por aqui e espero continuar lendo textos tão bons quanto os que eu li agora. =oD

Claudio Tellez disse...

Norma,

A frase-chave é: "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você".

O Liberalismo tem a sua base nessa ética negativa - por isso é tão natural para nós. Já os seguidores ou admiradores de ideologias coletivistas baseiam-se em uma ética positiva: "faça com os outros o que você gostaria que fizessem com você".

Enquanto a ética negativa liberal protege os direitos individuais (inclusive o direito à vida), a ética positiva tem um caráter normativo e impositivo que coloca a abstração coletiva acima dos indivíduos.

Abraços,
Claudio Téllez

Santa disse...

Norma, pessoalmente não acredito que o povo na sua totalidade votaria a favor, por todos os motivos que envolve a questão:direitos individuais, ética e religiosidade.

Um grande abraço.

Nino disse...

Todas as pessoas que apoiavam a escravatura eram livres.

Todas as pessoas que defendem o aborto nasceram.

Lata Mágica disse...

Obrigada pelas visitas e pela força. Estamos com uma foto nova, espero que goste.
Odilene do Lata Mágica.

Norma disse...

César, Claudinho e Ninno: ótimas observações. O aborto é mesmo indefensável do ponto de vista moral, e seus defensores só conseguem se afirmar hoje porque a (pós-)modernidade se caracteriza pela confusão mental a serviço dos desejos mais mesquinhos. Só nos resta orar para que, como Santa falou, essa não se torne a mentalidade dominante - se bem que o esquerdismo dominante na educação brasileira está se esforçando muito para isso.

Norma disse...

Toscoman, junte-se a nós! :-) Se você der uma olhada na coluna direita do meu blog, vai ver que não somos tão poucos assim. Por aqui ainda não deu xingamento, mas isso não é de todo ruim, pois, entre aqueles que se sentem tão incomodados a ponto de se darem ao trabalho de xingar, alguma parcela irá se lembrar das palavras do blog em algum momento, quando o castelo dourado da utopia de esquerda começar a mostrar suas rachaduras; aí terá valido a pena.

Povo da Lata, vocês são umas gracinhas. Obrigada por avisar, Odilene. Já vi a foto e a achei, como sempre, um primor. Parabéns!!!

JOINCANTO disse...

Pelo direito à Vida. Pela Vida.

Rodrigo de Vasconcelos disse...

O texto de Enéas é lindo...
à sua oração: amém

Norma disse...

Obrigada, Joincanto e Rodrigo. Os cristãos precisam se unir mais contra essas medidas absurdas. Vejam o tal Projeto de Lei (no post depois desse): que tristeza, uma artimanha tão baixa daquelas para empurrar goela abaixo do povo a anestésica medida. Quantas mulheres irão abrigar seu erro sob a máscara da legalidade estatal? É sobretudo por elas que precisamos orar, para que não julguem correto aquilo que o Estado corrupto sanciona, mas o que Deus corrobora (a vida) e seus próprios corações intuem como a verdade. Creio que as mulheres que perderam de vista a abominação que é o aborto estão em desacordo com as suas próprias almas e precisam muito da misericórdia divina.