Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
02 setembro 2013
Em guerra contra o temor de homens
30 agosto 2013
O controle da linguagem no totalitarismo (2)
No Brasil, isso também já ocorre. O jornalista da Veja Reinaldo Azevedo escreveu em seu blog que um tal “Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)” fez um ato na Câmara dos Deputados na quinta-feira passada para exigir uma Lei da Mídia Democrática, para que “conselhos” ligados ao governo passem a controlar a programação da rádio e tv. Eles não estão contentes com a uniformização que JÁ existe na mídia: querem um controle mais ostensivo. A ideia de “democracia” passa a significar censura e controle governamental, com o pretexto de beneficiar classes desfavorecidas (já que são eles que decidem que valores e que moralidade serão veiculados). Novilíngua a serviço do totalitarismo.
Não deixe de ler o artigo todo!
28 agosto 2013
O controle da linguagem no totalitarismo (I)
No caso de George Orwell, porém, a "novilíngua" já era real quando ele publicou 1984 (em 1948). O poeta polonês Czeslaw Milosz escreveu Mente cativa entre 1951 e 1952, exilado em Paris, sobre fatos que já ocorriam há algum tempo na Polônia, tomada pelos comunistas em 1945. Confira:
"Comunistas reconhecem que o regime sobre as mentes dos homens é a chave para dominar todo um país, logo, o poder da palavra é a pedra fundamental desse sistema." Czeslaw Milosz, Mente cativa, p. 163
"(...) As massas nas democracias populares [regimes comunistas] se comportam como um homem que quer gritar durante o sonho mas não consegue encontrar sua voz. Elas não somente não ousam falar, mas também sequer sabem o que falar. Logicamente, é tudo como deveria ser. Das premissas filosóficas à coletivização das fazendas, tudo se transforma em um produto fechado, uma pirâmide sólida e majestosa. O indivíduo que estiver sozinho inevitavelmente se perguntará se seu antagonismo não é errado; tudo o que ele conseguir opor a todo o aparato propagandista serão apenas desejos irracionais." Idem, p. 212
"Não vê que o verdadeiro alvo da novilíngua é de restringir os limites do pensamento? No fim, nós tornaremos literalmente impossível o crime pelo pensamento, pois não haverá mais palavras para expressar. A cada ano, menos e menos palavras, e o campo da consciência mais e mais restrito." George Orwell, 1984
26 agosto 2013
Estão acabando com o Brasil
O que estão fazendo com o Brasil quando os governos federais, estaduais e municipais não cumprem a função expressa em Romanos 13.4 (cuidar da segurança)? A resposta é: inviabilizam os espaços públicos. Em um país fracamente civilizado, sem muitas opções com personalidade definida - e digo isso arquiteturalmente, comercialmente, culturalmente enfim - , isso significa a morte por abandonou. Além dos costumeiros maus tratos dispensados a ruas, praias, jardins, praças e calçadões, nós estamos perdendo a vontade e a coragem de aproveitar o sol lá fora por causa dos ladrões, estupradores e assassinos que, escorados no "dimenor" e na ausência de espaço das prisões, são rapidamente soltos para retornar ao crime.
Em geral desprovido da antiguidade e da suntuosidade das instituições diversas que poderiam acolher nossos corpos e almas cansados, o Brasil sempre se orgulhou de sua beleza natural. Mas beleza natural só existe "lá fora". Se ninguém sai por causa da violência, o Brasil está acabando. Estamos vivendo em um não-país, em um aglomerado de cidades abandonadas, condenados à artificialidade dos shopping centers para passear um pouquinho e ver gente. Mas shopping center tem em tudo quanto é lugar, e não varia muito. Por isso digo que, como país singular, o Brasil está acabando. Morrendo-se o espaço, morre tudo o que está contido nele.
Alguns tristes exemplos aqui e aqui.
23 agosto 2013
Lista de livros - Marxismo cultural
Para quem não está em São Paulo, há links para assistir ao vivo:
Canal Ustream: http://ustre.am/Y6BH
Twitter: https://twitter.com/umpipsa
Youtube: http://www.youtube.com/user/umpipsa
A infelicidade do século, Alain Besançon
Tempos modernos, Paul Johnson
Cuba, a tragédia da utopia, Percival Puggina
Mente cativa, Czeslaw Milosz
Verdade absoluta, Nancy Pearcey
O grande desastre evangélico, Como viveremos? e outros, Francis Schaeffer
1984, George Orwell
Admirável mundo novo, Aldous Huxley
Arquipélago Gulag, Alexander Soljenítsin
A rebelião da massas, José Ortega y Gasset
As duas culturas, C.P. Snow
Vinte cartas a um amigo, Svetlana Alliluyeva
O Estado babá, David Harsanyi
O eixo do mal latino-americano, Heitor de Paola
Gulag, Anne Applebaum
Passado imperfeito, Tony Judt
Cisnes selvagens, Jung Chang
O óbvio ululante, Nelson Rodrigues
Jardim das aflições, O imbecil coletivo I e II e outros, Olavo de Carvalho
Lágrimas na chuva, Sérgio Faraco
Onde é que Cristo está ainda a ser perseguido?, Richard Wumbrandt
O homem do céu, Irmão Yun
Torturado por sua fé, Haralan Popov
Mentira romântica, verdade romanesca, Quando começarem a acontecer essas coisas, O bode expiatório, René Girard
Em inglês
The Quest for Cosmic Justice, Thomas Sowell
Literature Lost, John M. Ellis
How Christianity Changed the World, Alvin Schmidt
Main Currents of Marxism, Leszek Kolakovski
Gentle Regrets, Roger Scruton
22 agosto 2013
Autores para o estudo do comunismo
Trago uma lista para quem deseja estudar o comunismo. Estou longe de tê-la completado, mas fico feliz (não satisfeita, mas feliz) com o que alcancei, visto que me converti aos 24, virei conservadora aos 34 e ainda estou lutando com problemas de saúde que me atrapalham bastante (enxaqueca, síndrome de Hashimoto), como vocês bem sabem. Além disso tudo, tenho priorizado o estudo da teologia (reformada, calvinista) e creio firmemente que todo estudante cristão deve fazer o mesmo, pois não há como entender uma religião secular (ver a postagem anterior) sem compreender e viver a religião verdadeira. A boa teologia fornece o quadro maior em que precisa ser examinado o simulacro de teologia.
Aqui vai a lista, elaborada por Olavo de Carvalho:
(1) Os clássicos do marxismo: Marx, Engels, Lênin, Stálin, Mao Dzedong.Amanhã trarei uma lista mais heterogênea, feita por mim.
(2) Os filósofos marxistas mais importantes: Lukács, Korsch, Gramsci, Adorno, Horkheimer, Marcuse, Lefebvre, Althusser.
(3) “Main Currents of Marxism”, de Leszek Kolakowski.
(4) Alguns bons livros de história e sociologia do movimento revolucionário em geral, como “Fire in the Minds of Men”, de James H. Billington, “The Pursuit of the Millenium”, de Norman Cohn, “The New Science of Politics”, de Eric Voegelin.
(5) Bons livros sobre a história dos regimes comunistas, escritos desde um ponto de vista não-apologético.
(6) Livros dos críticos mais célebres do marxismo, como Eugen von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Raymond Aron, Roger Scruton, Nicolai Berdiaev e tantos outros.
(7) Livros sobre estratégia e tática da tomada do poder pelos comunistas, sobre a atividade subterrânea do movimento comunista no Ocidente e principalmente sobre as “medidas ativas” (desinformação, agentes de influência), como os de Anatolyi Golitsyn, Christopher Andrew, John Earl Haynes, Ladislaw Bittman, Diana West.
(8) Depoimentos, no maior número possível, de ex-agentes ou militantes comunistas que contam a sua experiência a serviço do movimento ou de governos comunistas, como Arthur Koestler, Ian Valtin, Ion Mihai Pacepa, Whittaker Chambers, David Horowitz.
(9) Depoimentos de alto valor sobre a condição humana nas sociedades socialistas, como os de Guillermo Cabrera Infante, Vladimir Bukovski, Nadiejda Mandelstam, Alexander Soljenítsin, Richard Wurmbrand
E não esqueça: sábado, dia 24 de agosto, às 19h30, estarei na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro para uma palestra sobre Marxismo Cultural. Os links para assistir ao vivo:
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Youtube: http://www.youtube.com/user/umpipsa
Kolakovski e o marxismo como religião
O marxismo é uma doutrina de confiança cega de que um paraíso de satisfação universal espera por nós na próxima esquina. Quase todas as profecias de Marx e seus seguidores já se provaram falsas, mas isso não perturba a certeza espiritual dos fiéis [...], pois trata-se de uma certeza não baseada em premissas empíricas ou supostas "leis históricas", mas sim em uma simples necessidade psicológica de certeza. Nesse sentido, o marxismo cumpre a função de religião e sua eficácia reside em seu caráter religioso. Mas é uma caricatura, uma forma falsa de religião, já que apresenta sua escatologia secular como um sistema científico, algo que as mitologias religiosas não pretendem ser.
O prof. Davi Charles Gomes, que foi diretor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (onde eu estudo) e hoje é chanceler do Mackenzie, costuma dizer que o marxismo realiza uma presdigitação: com uma das mãos, mostra sua face "científica" (materialismo); se a plateia torcer o nariz, ele esconde essa mão e, com a outra, mostra sua face "humanitária", para comover as pessoas com a causa do pobre (e hoje, com o marxismo cultural, das demais "eternas vítimas": mulheres, negros, homossexuais). Ambas são falsas, evidentemente: o materialismo não é científico e o humanitarismo não é caridoso. Apresentando-se como obra de mágico, o marxismo se assenta na FÉ de que a realidade é do jeito mostrado e de que o futuro será como dizem que será. Enquanto isso, destrói os valores da sociedade e produz vítimas bem reais pelo caminho.
20 agosto 2013
Amebas que amam (2)
Assistimos, de fato, a uma modificação substancial de sentido do conceito de "tolerância". Ele já não designa aceitação do "outro", da opinião diferente, mas pura e simplesmente ignorância (amável) da opinião diferente, a suspensão da diferença como diferença. Disso resulta que: 1) não tenho necessidade de te entender para te aceitar; 2) não tenho necessidade de discutir contigo para te dar razão. Dito de outro modo, estou de acordo com as coisas que não entendo e estou, em princípio, de acordo com os coisas com que não estou de acordo. O senhor tem direito à opinião do senhor. Respeito-a. Eu tenho direito a minha opinião e espero que ela seja respeitada. É inútil a dialética. A tolerância recíproca termina numa mudez universal, sorridente, pacífica, uma mudez porque o diálogo é uma interferência radiofônica indesejável. Nessas condições, a tolerância tem efeitos mais do que discutíveis: ela amputa o apetite de conhecimento, de compreensão real da alteridade, e dinamita a necessidade de debater. Para que negociarmos mais, se o resultado é, de qualquer modo, o consentimento mútuo ao direito do outro? Num mundo governado por tais regras, Sócrates ficaria desempregado. Não se encontra nenhuma verdade, não se faz nenhum raciocínio. Não se exige senão que respeitemos, educados, as convicções do interlocutor.Andrei Pleșu, Da alegria no Leste Europeu e na Europa Ocidental. Trad. Elpídio Mário Dantas Fonseca. São Paulo, É Realizações, p. 72.
19 agosto 2013
Meditações matutinas - Romanos 2
"Deus, sonda meu coração, vê se há em mim algum caminho mau e me guia pelo caminho eterno." (Sl 139)
16 agosto 2013
Um aconselhamento de John Piper
Senhor, que ao aconselhar alguém possamos sempre, em primeiro lugar, pedir-te de modo humilde por ajuda, já que é o Espírito Santo que convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), e não nós. Aumenta nossa relação de afeto e confiança fundamentais com a tua Palavra, para que ela não nos falte. Que possamos sempre comunicar as tuas verdades de um modo visceral, meigo e vivido: visceral, porque por elas nós vivemos; meigo, porque elas te pertencem, e não a nós; e vivido, porque, deixando para trás o sabor de morte que acompanha todo pecado, já as teremos experimentado em nossas vidas. Ensina-nos a ensinar tuas verdades sem moralismo, sem farisaísmo, mas cientes de que elas vêm do Autor da Vida e foram impressas em nosso coração por meio do preço caríssimo do sacrifício de Cristo. Que o teu amor, a tua pessoalidade e a tua força possam infundir nossas palavras na hora difícil do aconselhamento, alcançando do modo necessário a quem precisa. Muito obrigada! Amém.
15 agosto 2013
Fala, Schlossberg!
Idols for Destruction, p. 255-6, tradução minha. Fiquem de olho: a editora Monergismo planeja publicar esse título no Brasil!
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*Resentiment é um termo francês que o autor usa para significar "um sentir-se ofendido que pode até ter base em fatos concretos, mas que em geral decorre da inveja das posses ou das qualidades de outra pessoa. Se o sentimento não é sublimado nem aliviado por algum ato que atinja aquele que é a fonte do sentimento, o resultado é uma condição mental persistente que decorre da repressão de emoções que não são aceitáveis quando expressas abertamente. O resultado é ódio e impulso de vingar-se e dizer coisas que diminuam o outro. [...] O resentiment se origina da tendência de fazer comparações entre si e os demais: posses, riqueza, aparência, inteligência, personalidade, amigos, filhos. Qualquer diferença é suficiente para ativar a patologia" (p. 51-2). Isto tem um papel central, como o leitor já deve ter percebido, no pensamento politicamente correto, cujas políticas humanitárias só trazem destruição para a sociedade (Schlossberg trata abundantemente delas no capítulo sobre Ídolos da Humanidade, logo após essa definição, diferenciando o altruísmo humanista do amor cristão).
14 agosto 2013
Escassez na Venezuela
13 agosto 2013
VINACC: Inscrições abertas!
12 agosto 2013
O falso meio
Percival Puggina conta nesse artigo que o apresentador de tv Pedro Bial, depois de resumir todas as situações de perversão sexual que haviam passado por aquele episódio de seu programa, convidou os telespectadores a também quebrarem os limites do casamento com uma frase:
- Que tal ser fiel ao desejo?
Tratei do que ocorre quando o prazer é alçado à categoria de valor preponderante numa sociedade em meu livro A mente de Cristo. Não é disso que quero falar, mas imaginar aqui três reações possíveis ao convite.
Na primeira reação, o telespectador concorda com Bial e pensa, satisfeito: "Eu já sou fiel ao desejo." Ainda que ele esteja em uma relação monogâmica, em um casamento estável, caso pense que está ali só por ser "fiel a seu desejo", acabou de glorificar o prazer em seu coração, confirmando mais uma vez uma das maiores idolatrias socialmente partilhadas de nossa época.
Em oposição frontal a ele, na segunda reação que imagino, outro telespectador pensa: "Eu sou fiel a Deus em primeiro lugar. Meu desejo é pecaminoso e me levará para onde nem eu vou querer ir. Deus me transformou para que eu pudesse colocar a vontade Dele, revelada em Sua Palavra, em primeiro lugar na minha vida. É por isso que não traio minha esposa." Esse, pelo menos nesse aspecto específico, confirma a adoração ao único Deus.
Mas haverá aquele que parecerá "entre" ambas as reações, ao exclamar mentalmente: "Esse negócio de ser fiel ao desejo é bobagem. Puro subjetivismo. Para tudo há limites. A pessoa precisa manter o casamento, ter autocontrole e não trair."
É a este que me dirijo agora: amigo conservador, não existe "autocontrole". Assim como não existe essa posição mediana em que você pensa se situar. Se você não está agora mesmo se esbaldando em uma relação fora do casamento e fora de todo padrão, não é porque conseguiu se controlar, mas porque, de alguma forma, Deus não permitiu que você participasse do culto ao prazer acima de tudo. Reconheça isto, seja humilde e grato, pois Ele pode nos livrar das loucuras coletivas, mesmo quando não O vislumbramos em nosso horizonte. Fazendo assim, quem sabe também não se libertará das inúmeras outras idolatrias que você tem acalentado, ocultas ou não, ao conhecer o único Deus verdadeiro, o único que pode debelar, em nós, todo tipo de mal.
09 agosto 2013
Castelo forte é nosso Deus
Castelo forte é nosso Deus,Que também lhe seja inspiradora para este fim de semana e a nova semana que se iniciará!
Espada e bom escudo!
Com seu poder defende os seus
Em todo transe agudo.
Com fúria pertinaz
Persegue Satanás
Com ânimo cruel!
Mui forte é o Deus fiel,
Igual não há na terra.
A força do homem nada faz,
Sozinho está perdido!
Mas nosso Deus socorro traz
Em seu Filho escolhido.
Sabeis quem é? Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus,
E sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.
Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos iriam derrotar
Nem ver-nos assustados.
O príncipe do mal,
Com seu plano infernal,
Já condenado está!
Vencido cairá
Por uma só palavra.
De Deus o verbo ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa!
Se temos de perder
Família, bens, prazer
Se tudo se acabar
E a morte enfim chegar,
Com ele reinaremos!
08 agosto 2013
Marxismo Cultural na IP de Santo Amaro
Update: será transmitido ao vivo! Confira:
Canal Ustream: http://ustre.am/Y6BH
Twitter: https://twitter.com/umpipsa
Youtube: http://www.youtube.com/user/umpipsa
07 agosto 2013
Recheando a teologia (2)
Como seria se, em nossas salas de aula, na igreja mesmo, "recheássemos" nossa teologia com boa literatura? Por exemplo, usando um poema tão pungente de Fernando Pessoa como este, abaixo, para iniciar uma discussão (com a Bíblia em primeiro lugar, sempre) sobre o pecado original e a hipocrisia? Sem vergonha nem medo de colocar a arte a serviço da verdade naquilo que a arte sabe melhor fazer: através da beleza, instigar uma resposta pessoal, do coração. Que tal?
Será que posso sonhar com aulas assim na igreja?
06 agosto 2013
D. A. Carson sobre 1Coríntios 12-14
Um dia, todos os carismáticos que conhecem o Senhor e todos os não carismáticos que conhecem o Senhor não terão motivo algum para contender, pois os assim chamados dons carismáticos passarão para sempre. Naquele momento, esses dois grupos de crentes olharão para trás e contemplarão conscientemente o fato de que o que os liga ao mundo passado não é o dom de línguas, nem a animosidade para com o dom de línguas, mas o amor que eles conseguiram demonstrar um para com o outro, apesar do dom de línguas.”Tive que trazer essa citação para cá, pois é sumamente importante. A primeira epístola aos Coríntios é um dos livros bíblicos mais conhecidos e lidos; o capítulo 13, então, serviu até de inspiração para uma música do Renato Russo (não há desculpa para "nunca ter ouvido falar", pelo menos no Brasil). Nem sempre, porém, os irmãos brasileiros aplicam as verdades contidas ali: há pentecostais que desqualificam todo crente que não fala em línguas e há reformados que desprezam o crente que crê que ainda existe dom de línguas hoje. Ambas as posturas subordinam o essencial (logo, eterno) ao periférico (logo, provisório). A dica do apóstolo é: o AMOR é eterno! Que Deus nos ajude a identificar corretamente o essencial e ater-se a isso acima de tudo.
05 agosto 2013
Mais sobre arte moderna
Pois é, além de um quadro de Frida Kahlo (que nem era tão bom assim) e outro muito impressionante (uma atmosfera sombria e um Jesus crucificado em uma árvore - eu queria encontrar o nome da autora para postar aqui, mas na internet só achei referências à festa de abertura da exposição), todo o evento nos decepcionou, e mais, enfureceu esta que vos fala. Os quadros eram relativamente poucos em comparação aos vídeos, que exibiam o pior do espaço. Como uma mulher cristã se sentiria quando, acreditando proporcionar um momento cultural agradável a seu marido que não conhece bem o Rio, acaba o expondo não só a um monte de nulidades com nome de "arte", mas a incontáveis cenas de nudez feminina? Por aí você pode imaginar em que estado eu fui embora de lá.
Já no hall, um vídeo todo desfocado e com defeitos na imagem - irritante de se ver - mostrava uma mulher descabelada se jogando de lá para cá e cantando sem parar, na primeira pessoa, a linha inicial de Happiness is a Warm Gun, dos Beatles: "I'm not a girl who misses much." Tive que discordar: she missed a lot, principalmente equilíbrio corporal, bom gosto e bom senso. Mais interessante teria sido assistir ao vivo a um bêbado chato cantando; pelo menos a imagem estaria boa.
Outros vídeos também torturavam pela via do enfado: imagens ao ar livre onde nada ou quase nada acontecia, acompanhadas de textos que muito dificilmente poderiam ser classificados como literatura. Em outra sala, André me chamou para ver cenas de um gato - "Olha, querida, esse não tem mulher pelada" - , mas, quando olhei, para a consternação dele, uma mulher pelada estava abraçando o gato.
Já contei aqui uma vez que uma professora minha da Letras havia comentado com uma colega: "O estudo da literatura e o cristianismo são incompatíveis." (Para fazer justiça com a faculdade, meu orientador discordaria dessa apreciação.) Eu me pergunto se a própria arte dos séculos XX e XXI também não estaria se tornando incompatível, não com o cristianismo, mas com a noção de arte que produziu tantas maravilhas nos séculos anteriores e nos fez pensar e sonhar, em vez de responder com tédio, irritação ou vergonha. Desprovida de forma e conteúdo feitos para dizer, boa parte da arte e da cultura modernas (pinturas, filmes, peças de teatro) se viciaram na apresentação de uma nudez muito diferente da grega e da renascentista, uma nudez que, em vez de graciosa e arquetípica como suas predecessoras, é puro atentado ao pudor. O problema, o leitor já adivinhou qual é: atentados ao pudor dificilmente podem ser considerados arte. A arte até pode chocar, mas precisa ser bela antes de tudo. Faltam não só beleza, criatividade e sentido, mas sobretudo amor pelos espectadores, e aqui entram as costumeiras considerações deste blog sobre a cultura pautada pelo politicamente correto: nessa exposição, acredito que o ódio feminista enganou a maioria daquelas mulheres a tal ponto que foram convencidas de que qualquer coisa de suas mãos, só por serem mãos de mulheres, mereceria destaque como obra de arte. Em resultado, parece que só às feministas - e aos masoquistas - foi permitido sentir-se bem ali (e quem não reclamou certamente não o fez por pura culpa, a reação obrigatória exigida pelo feminismo).
E quando o masoquista é a própria arte? O vídeo que trago abaixo não foi retirado da exposição - claro! - , mas é uma sátira muito inteligente da arte moderna. Imagino que o roteiro foi inspirado em uma história terrível sobre a qual escrevi aqui. Também falo de arte moderna aqui. Modifiquei e ampliei esses dois textos para integrar meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã.
02 agosto 2013
Você está pronto?
* * *
Em Romanos 13.3-4 (uso aqui a versão NVI), a função retributiva da justiça é sancionada pela Bíblia. Para isso, Deus proíbe a vingança pessoal e incumbe as autoridades constituídas:
"os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal."
Igualmente, 1 Pedro 2.13-14:
"Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem."
O problema é que, hoje, os governantes têm deixado de punir o mal e recompensar o bem. Pelo contrário: deixam de condenar os maus (impunidade! banditismo! violência!), praticam e aprovam publicamente o mal (corrupção financeira e moral! aborto no SUS! bolsa-família eterna e indiscriminadamente!) e ainda buscam punir o bem (impostos abusivos! controle da educação! lei da palmada! proibição do homeschooling! lei da homofobia! tentativa de controle da internet!). Caem assim na condenação de Isaías 5.20:
"Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo. Ai [...] dos que por suborno absolvem o culpado, mas negam justiça ao inocente. Por isso, assim como a palha é consumida pelo fogo e o restolho é devorado pelas chamas, assim também as suas raízes apodrecerão e as suas flores, como pó, serão levadas pelo vento; pois rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitos, desprezaram a palavra do Santo de Israel."
Diante disso, a regra é clara: não podemos ser levados pelas autoridades a deixar de fazer o bem ou a fazer o mal. Como está em Atos 5.59:
"É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!"
Você está pronto para a perseguição?
01 agosto 2013
31 julho 2013
Empobrecendo o Ocidente
Herbert Schlossberg, em Idols for Destruction (sobretudo nas páginas 282-3), retraça em linhas gerais o processo de empobrecimento e crise dos países do Ocidente cuja economia se vale da ideia da "soma zero": ganha-se apenas com a perda de outros. Com base na progressão que ele oferece, esbocei o seguinte esquema:
1- Imbuído da ideologia marxista, que prega uma ideia equivocada de “igualdade”, o Estado se incumbe do que chama “redistribuição de renda”, com impostos abusivos e políticas humanitárias que transformam pobres, imigrantes e desempregados em eternos dependentes.
2- A redistribuição afeta negativamente a produção: há menos trabalho, menos investimentos, menos poupança e cada vez mais consumo, pois quem não trabalha não produz (e vive do dinheiro alheio) e quem trabalha se sente desestimulado a produzir, investir e poupar para ter que entregar grande parte dos frutos de seu esforço nas mãos do Estado.
3- Cria-se assim um ambiente psicológico de “carpe diem”, com toda uma população sendo estimulada à irresponsabilidade e ao imediatismo. (E ainda culpa-se o "capetalismo" pelo consumo desenfreado!)
4- Os ideólogos, sempre a serviço do Estado, contemplam esse estado de coisas e culpam automaticamente outros fatores: o planeta tem gente demais, não há recursos para todos, produzir gera poluição, desmatamento e destruição...
5- Logo, o que é necessário? Sem alternativa à vista, a resposta deles é: mais controle estatal. As “soluções”, sendo erradas, só pioram o problema e empurram as nações – financeira e moralmente – mais para baixo. (Políticas estatais de estímulo ao aborto e ao homossexualismo talvez sejam propostas como medidas de controle populacional...)
6- O Estado reforça as políticas de redistribuição. Tudo recomeça, e a máquina estatal se torna cada vez mais poderosa, angariando mais dependentes, inibindo as iniciativas privadas e emperrando a produção.
Tudo isso poderia ser evitado se nossa sociedade tivesse adotado como base alguns princípios bíblicos: limitação do poder do Estado, redenção somente através de Cristo (e não pela economia, como ocorre no marxismo), responsabilidade individual, caridade com discernimento etc.
O livro de Schlossberg é imperdível! Devo publicar citações dele aqui esta semana.
30 julho 2013
De evento em evento
26 julho 2013
Ei você, que defende o "Estado laico"...
25 julho 2013
Recheando a teologia
04 julho 2013
Manifestar-se como Jeremias
Eu estava experimentando um mix de sentimentos durante as manifestações do mês de junho: alegria (porque o que nasceu de modo calculado, com o Passe Livre, tornou-se uma explosão de indignação espontânea), tristeza (por causa da violência de alguns), apreensão (ao pensar no que o governo poderia fazer para se apropriar dos acontecimentos ou retaliá-los), perplexidade (porque é muito difícil analisar os fatos e suas múltiplas correlações). Nesse ambiente emocional, tive um sonho em que participava de um almoço com os membros muitos simpáticos de um coral evangélico. Depois de comer, fomos cantar juntos e eles iniciaram aquele cântico que usa a letra do Salmo 108: "Firme está, firme está meu coração, oh Deus". Quando elevei a voz para a frase seguinte, "Cantarei e entoarei louvores", vi que eles foram em uma direção totalmente oposta. Ri comigo e parei, só ouvindo. O que se seguiu foi uma paródia do cântico, que usava a ironia de um modo inteligente para denunciar as práticas idolátricas da igreja. O coração não pode estar "firme" quando tantos cristãos adotam costumes animistas (como a crença no poder de objetos ungidos) ou se alienam diante de novelas de televisão - só para citar algumas das críticas levantadas ali. Depois que a apresentação acabou, eu tive muita dificuldade para segurar as lágrimas - e acordei inevitavelmente chorando, como me acontece em alguns sonhos. Em seguida, lembrei-me do blog de meu amigo Renato Vargens, que tem denunciado sem cessar essas práticas absurdas, e ponderei sobre o quanto podemos estar tão satisfeitos com nossa igreja local, ou nossa denominação, que passamos a dar de ombros para esses desvios em outras igrejas, como se não nos dissessem respeito... Trata-se de um pecado, ou vários - conformismo, individualismo, sectarismo - , de que precisamos nos arrepender.
E, enquanto escrevo esta postagem, dois textos bíblicos me vêm à mente: Lucas 6.41-42 (em que é necessário reconhecer os próprios pecados antes de identificar e tratar os alheios) e 1 Pedro 4.17 (em que seremos julgados primeiro). Será que temos chorado o suficiente pela igreja antes de fornecer soluções para o mundo? Será que temos condenado o mundo sem perceber o quanto compartilhamos das mesmas idolatrias? Será que entendemos o quanto a purificação da igreja é fundamental para salgar e iluminar o mundo? Evidentemente, não condeno quem escreveu análises sobre as manifestações, de modo algum, e li algumas delas; o trabalho de crítica cultural à luz da cosmovisão bíblica é muito importante. Mas o sonho, de alguma forma, colocou as coisas em perspectiva, não necessariamente quanto à ordem das tarefas, mas quanto ao espírito com que as cumprimos: implicando-nos na crítica, como alvos da Palavra, jamais juízes. Se tantos cristãos têm energia suficiente para sair às ruas e clamar contra a corrupção reinante, imagino que podemos fazer como Jeremias e começar a nos lamentar coletivamente, em nossas igrejas, pelo estado da doutrina e da mentalidade evangélicas no Brasil. Ao contrário das manifestações, cujo resultado é incerto e talvez até negativo, a lamentação dos filhos de Deus, com verdadeiro arrependimento, nunca é vã.
28 maio 2013
O patético resultado do assistencialismo (II): o caso sueco
Você certamente já ouviu aquele amigo que se diz social-democrata citar o exemplo da Suécia como de um socialismo bem-sucedido. Bom, faça-lhe dois favores: dê a ele de presente o livro do Janer Cristaldo (já desatualizado, pois é de 1973: procure em sebos) O paraíso sexual democrata, e mostre-lhe o artigo de Gary North (teólogo e economista presbiteriano) do dia de hoje, O estado assistencialista sueco está em chamas. Isso vai funcionar como um panorama bastante amplo da situação daquele país, que de paraíso não tem nada. As “chamas” do título são literais: faz seis dias que a Suécia vem sofrendo na mão de incendiários.
Nós somos o país que mais se esforçou para integrar essas pessoas, muito mais do que qualquer outro país europeu; gastamos bilhões em um sistema de bem-estar que foi criado para ajudar imigrantes desempregados e garantir a eles uma boa qualidade de vida. Ainda assim, temos áreas em que existem grupos étnicos que simplesmente não se identificam com a sociedade sueca. Eles veem a polícia e até mesmo as brigadas de incêndio como parte do aparato repressor, e os atacam. Já tentamos de tudo, de tudo mesmo, para melhorar as coisas, mas nada funcionou. Não se trata de racismo; a questão é simplesmente que o multiculturalismo não reconhece como os humanos realmente funcionam.
21 maio 2013
O patético resultado do assistencialismo
Continue assim, Governo Brasileiro, solapando com suas decisões toda noção de responsabilidade individual e incentivando os imaturos e folgados deste país. É assim que o Brasil vai pra frente!
P.S.1 Leitor(a), aproveite e dê uma olhada nesse artigo oportuno do economista Rodrigo Constantino, que compara a postura da brasileira com outra, bem diferente, de um jovem de Portugal, e também nesse outro de Reinaldo Azevedo sobre os "excluídos não tão excluídos" que recebem o Bolsa Família.
P.S.2 Para quem está chocado com esta postagem, vale aqui a advertência do apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 3.10: "quem não quer trabalhar, que também não coma". Há quem cite a igreja primitiva como um exemplo de comunismo, infelizmente. Mas quem lê a Bíblia toda sabe que ali, entre os primeiros cristãos que se inspirassem em Paulo, o folgado irresponsável não tinha vez. Nada de se aproveitar do amor dos irmãos para parasitagem, nada de deixar de trabalhar para viver do governo! Essa é a ética bíblica aplicada ao mundo atual: é nossa responsabilidade divulgá-la e vivê-la!
16 maio 2013
A mesma face
Já convertida, entendi que eu era rebelde e que somente Cristo podia transformar essa condição. Sabia, agora, que estávamos reconciliados, eu e Deus. Mas o questionamento, adaptado, prosseguiu. Estava claro que Ele me amava em Cristo, mas será que aprovava minhas escolhas?
Quando consigo enxergar melhor, desdobrada do anseio pelo amor total e sem máculas entre mim e Deus, percebo que a face do Deus irado contra meus pecados (que ainda existem) e a face do Deus feliz comigo (por causa de Cristo) são a mesma e única Face. O "já/ainda não" da Bíblia se manifesta também na relação que Ele estabelece conosco, de modo que não nos livramos da incômoda sensação de que Ele se ira contra nós - felizmente, pois é essa sensação que nos impulsiona na luta com o pecado.
Mas essa ira é acomodada no sacrifício de Cristo, e, contida, em vez de nos destruir, é como um sussurro doce em nossos ouvidos, um sussurro que diz "continue, continue". Senhor, caso seja necessário, dá-me uma resposta emocional mais adequada aos teus sussurros.
25 março 2013
Pela liberdade de brasileiros inocentes
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Eu não os conheci, mas eles são da Igreja Presbiteriana Betânia, em Niterói, onde fui batizada.
08 março 2013
Ester
Não ligo para o "Dia da Mulher" e acho complicadas as circunstâncias que o originaram... Mas não há momento melhor para compartilhar o texto de um belíssimo sermão que muito me edificou, na Igreja Presbiteriana do Cambeba, em Fortaleza, pelo pr. Francisco Macena da Costa. Sim, é sobre o Livro de Ester. É por causa desse sermão que, nesses tempos de totalitarismo montante, sempre que temo desagradar pessoas com o que escrevo, penso na frase dela: "Se morrer, morri." Que grande confiança em Deus!
Nos momentos de perigo, perseguição, tristeza, insultos e dedos apontados, Deus quer que nos lembremos que Ele é o único a ser louvado e temido, pois é soberano e nada nos acontece que não esteja sob Suas mãos. "Reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas" (Pv 3.6). Que a frase de Ester também possa ser seu lema, junto com a exortação de Jesus em Mateus 10.28: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
28 fevereiro 2013
Pausa para cuidar da saúde
Agradeço infinitamente aos que têm orado por mim e torcido para que eu me recupere da enxaqueca persistente. É especialmente para vocês que eu escrevo aqui. Há alguns dias, descobri que tenho Síndrome de Hashimoto, uma doença autoimune que ataca as células da tireóide e provoca cansaço, lentidão, dor de cabeça e dor muscular, pele seca, queda de cabelo. Tenho todos esses sintomas. Não há nódulos, mas a glândula já demonstra inchaço (ao ponto de um ligeiro bócio difuso, perceptível ao especialista) e desgaste. Já estou tomando a medicação correta e comecei uma dieta bastante rígida, com nutricionista, para ajudar a reequilibrar hormonalmente meu organismo. Não me foi dada nenhuma promessa de prazo quanto à melhora da dor de cabeça especificamente, mas estou confiante de que não deve demorar. Por enquanto, estou em uma fase ruim, com crises todos os dias e graus variáveis de dor. Por isso, o blog vai ficar em banho-maria até que eu comece a demonstrar uma reversão significativa de todos os sintomas de Hashimoto. Por isso também, junto com meu marido, tomei a decisão de recusar convites para palestras e viagens até pelo menos o meio do ano, pois estou recuperando as forças e privilegiando meu tratamento. Isso inclui a viagem para São Luís, anunciada na postagem anterior, pois não estou em condições agora.
Continuo pedindo suas orações! Estamos no caminho certo, graças a Deus.
Muito obrigada,
Norma
15 fevereiro 2013
08 fevereiro 2013
VINACC 2013
Para não romper as atualizações do blog, deixei programada uma postagem para segunda-feira sobre Romanos 12.1 e 2, versículos que certamente serão lembrados muitas vezes ao longo do evento! Esse texto que postarei é um pequeno trecho de meu capítulo do livro a ser lançado no sábado durante o Enblogue, com a participação de vários blogueiros cristãos. Com o livro em mãos, contarei mais novidades!
Que este Carnaval seja ocasião para crescimento diante do Senhor para você! A maior folia estará no céu, e já experimentamos um pouquinho dele aqui. :-) Que Deus o abençoe!
04 fevereiro 2013
Anteparo contra a verdade
Assim, um dos maiores problemas de nossa época é que as pessoas se acostumaram a um afrouxar de laços entre o crer e o agir. Não sabem mais no que creem e por quê, e não sabem o que as motiva em suas decisões práticas. A proliferação de analistas parece ter coincidido com o abandono de um autoexame informado culturalmente: buscam soluções tão individualizadas, tão personalistas, que perdem de vista o todo que poderia fornecer-lhes explicações para esse estado de divisão interior. Embriagadas da ilusão romântica (Girard), esquecem-se de que são seres de imitação.
Um dado que me parece óbvio nesse quadro é que as crenças partilhadas, hoje, são de fato desconectadas da realidade, tão incapazes de escorar ações efetivas no mundo que passam a compor apenas uma atmosfera indiscernível, uma bruma difusa, que só obscurece o caminho em vez de apontar direção. Acreditar que a moralidade é relativa mas continuar vivendo de modo compatível com a existência do bem e do mal (porque não se pode viver de outro modo, a não ser como sociopata) é um dos exemplos mais recorrentes dessa dissociação. A frequência com que o discurso nega a vida é tão grande que o pensar não só deixa de acompanhar a experiência, mas a atomiza ainda mais.
E há outro exemplo que nos diz respeito diretamente. Você fala a alguém de sua fé em Cristo e narra algum fato miraculoso ou extraordinário relacionado a sua fé, e imediatamente seu interlocutor proclama com seus botões, ou até em alta voz, que você só pode ter um parafuso a menos. Porém, ao mesmo tempo, nada em seu comportamento ou suas atitudes mudarão em relação a você. Em 99% das vezes, você continuará sendo, aos olhos dele, uma pessoa amiga e confiável. A presumida "loucura" que ele lhe imputa, nesse caso, é operacional e só funciona para que se mantenha a salvo da ameaça da crença.
Eis a marca de nossos dias: antes, as cosmovisões davam identidade, ainda que uma identidade idólatra e inconsistente; hoje, foi dado um passo para trás: o relativismo engole toda possibilidade de um posicionamento público que esteja de acordo com a cosmovisão, persistindo, como forte anteparo, contra qualquer tentativa de organizar mentalmente o real. Lamentamos essa situação, mas ao mesmo tempo podemos nos indagar se um mecanismo que se afigura claramente como proteção contra a verdade não seria mais fácil de desmascarar, já que resulta (ou deveria resultar) em maior desconforto existencial. Por outro lado, assusta que nossos contemporâneos se mostrem tão voluntários em preferir a ilusão e permanecer nela, ainda que em tudo se assemelhe de fato ao que é: uma ilusão.
Só Deus poderá nos comunicar com eficácia as reações adequadas aos desafios que a igreja está prestes a enfrentar nesse novo século. Estejamos atentos.


