15 agosto 2013

Fala, Schlossberg!

"As pessoas desejam os falsos ensinos porque estes as capacitam a absolutizar os sistemas contingentes aos quais elas prestaram lealdade. Elas buscam líderes religiosos que abençoarão a idolatria da nação, ou do estado, ou da busca irrestrita de riqueza e poder, ou sua ira e seu resentiment* transformados em políticas humanitárias. As teologias 'relevantes' da esquerda e da direita conferem borrifos batismais em suas porções respectivas do espectro cultural e político. Um conservadorismo religioso estéril idolatra a cultura do século XIX em todas as suas expressões: hinos, educação, inimigos, vocabulário, e é por isso que soa como uma peça de museu. Um esquerdismo estéril idolatra o presente, brandindo triunfante suas credenciais progressivas, enquanto sua destrutividade e sua vacuidade se tornam evidentes até mesmo para quem os levava a sério. [...] Todas essas associações ilegítimas servem para 'civilizar' o cristianismo e fazê-lo caber em esquemas que os apóstolos jamais reconheceriam."

Idols for Destruction, p. 255-6, tradução minha. Fiquem de olho: a editora Monergismo planeja publicar esse título no Brasil!

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*Resentiment é um termo francês que o autor usa para significar "um sentir-se ofendido que pode até ter base em fatos concretos, mas que em geral decorre da inveja das posses ou das qualidades de outra pessoa. Se o sentimento não é sublimado nem aliviado por algum ato que atinja aquele que é a fonte do sentimento, o resultado é uma condição mental persistente que decorre da repressão de emoções que não são aceitáveis quando expressas abertamente. O resultado é ódio e impulso de vingar-se e dizer coisas que diminuam o outro. [...] O resentiment se origina da tendência de fazer comparações entre si e os demais: posses, riqueza, aparência, inteligência, personalidade, amigos, filhos. Qualquer diferença é suficiente para ativar a patologia" (p. 51-2). Isto tem um papel central, como o leitor já deve ter percebido, no pensamento politicamente correto, cujas políticas humanitárias só trazem destruição para a sociedade (Schlossberg trata abundantemente delas no capítulo sobre Ídolos da Humanidade, logo após essa definição, diferenciando o altruísmo humanista do amor cristão).

4 comentários:

Leonardo Bruno Galdino disse...

Norma,

se eu já estava muito a fim de ler esse livro, agora estou ainda mais! Tomara mesmo que o Sabino o publique, e que esteja entre as suas prioridades da fila de espera.

Obrigado por compartilhar isso!

Abraços.

Marco Carvalho disse...

Olá Norma! Estou na expectativa do livro ser traduzido. Escrevi no www.cafeegraca.blogspot.com um texto sobre os perigos do "Estado laico". Se você puder, dê uma lida e deixe suas considerações que serão muito bem vindas.

Marco Antônio

Leandro Guimarães Faria Corcete DUTRA disse...

Não é nosso bom e velho ressentimento?

Norma disse...

Leo e Marco, também espero que o livro não demore para sair!

Leandro, creio que "ressentimento" não expressa tudo a que o autor se refere. Acho que usamos essa palavra mais no sentido de "rancor", ou seja, uma dor constante contra outra pessoa, mas que não necessariamente é acompanhada do desejo de rebaixá-la. Inclusive, pessoas que cultivam o resentiment podem ser, exteriormente, bastante alegres. Os processos idolátricos se caracterizam sempre por ambiguidade (amor/ódio).