14 fevereiro 2006

Marxismo, islamismo e os progressistas brasileiros


Texto do balão da charge: "Você tem idéia do quanto isso aí é ofensivo?" Dizeres no chapéu do desenho maior: "O judeu." Legenda no desenho menor: "Maomé." Repare que o personagem louro tem na camisa a bandeira da Dinamarca, enquanto o outro traz na sua o símbolo islâmico.

Recomendo dois textos para reconhecer e ajudar a entender o aparentemente estranho fenômeno de associação entre marxismo e islamismo. O primeiro, de Reinaldo Azevedo, trata da incoerência de um Carlos Heitor Cony, autor esquerdista e beneficiário de uma pensão-monstro por ter sido vítima da censura militar, sair de caneta em punho relativizando a liberdade de expressão no episódio das charges dinamarquesas. É até engraçado testemunhar gente de prestígio na mídia - invariavelmente esquerdista - defendendo a ofendida truculência islâmica; logo eles, que são os primeiros a fazer troça do judaísmo e do cristianismo, a usar termos pejorativos com relação às igrejas católica e evangélica (lembrem-se da reação indignada à nomeação do novo papa conservador) e a ignorar solenemente insultos anti-semitas e anticristãos muito piores que as gracinhas veiculadas no jornal dinamarquês. No Brasil, quem é evangélico sequer precisa pensar muito para enumerar as referências hostis e as piadinhas de mau-gosto que tem de agüentar estoicamente na tv, nos jornais, na rádio, em salas de aula. Eu mesma posso citar umas dez assim que me perguntarem. Não, senhores bem-pensantes, não venham posar agora de guardiães da sensibilidade religiosa. Temos todos os dias o testemunho de uma fila gigantesca de religiosos sinceros prestes a desmentir sua repentina boa-vontade.


A opinião maciça da mídia esquerdista mundial a favor da ira islâmica (e de seus arroubos de depredação) e contra a liberdade de expressão na imprensa não é mera coincidência. Leiam o segundo texto, uma análise acurada que Olavo de Carvalho faz da articulação mundial entre marxismo e islamismo ao explicar o marxismo não como um simples "sistema econômico" (que fracassou no mundo todo), mas essencialmente como uma cultura, mutante e parasitária. O mil vezes mais poderoso marxismo cultural é autor e propagador milionário da agenda politicamente correta em todo o globo, ganhando profissionais midiáticos do mundo inteiro. Ele se associa mais estreitamente não só com o islamismo, mas, dentro das igrejas, com o liberalismo teológico, pois afinal ambos os grupos, marxistas e liberais, são antigos companheiros na aversão ao cristianismo, acusado por eles de precário, estreito, inimigo da liberdade. Os progressistas no Brasil têm se deixado seduzir cada vez mais por esse marxismo, assimilando o discurso "libertário" da modernidade que o alimenta e insurgindo-se, tal como zumbis hipnotizados, contra a teologia clássica cristã, engrossando as fileiras dos mortos-vivos liberais. É precisamente aí que a igreja brasileira corre o risco de esfriar, passando por processo semelhante ao das igrejas européias; não seria por acaso que, aproveitando o vazio deixado pelo cristianismo, o islamismo vale-se do estímulo que os governos de esquerda lhe proporcionam para se expandir assustadoramente rápido na Europa "secular".

Que os progressistas brasileiros saibam, portanto, que adotar o marxismo como um "ideal" é assinar embaixo de uma cultura anticristã, satanista, destrutiva, relativista, mentirosa e totalitária - além de impulsionadora da intolerância islâmica em todo o mundo.

11 comentários:

Eliot D. Chambers disse...

Olá, Norminha!
Com a palavra, Maomé:

“Eu recebi a ordem de lutar contra os povos até que eles testemunhem o fato de que não há outro Deus senão Allah e acreditem que eu sou o mensageiro (do Senhor), e em tudo o que eu disser. Quando eles afinal se submeterem [ao islam], seu sangue e sua riqueza serão protegidos”.

Belezinha, hein...

Atualmente só se apela para a “tolerância” em favor dos que jamais a defenderão? Tolerância hoje é sempre o argumento usado para calar a boca das vítimas. Basta ver os grupinhos de direitos humanos visitando o estuprador na cadeia e esquecendo a estuprada e sua famíla. A esquerda-NikeShox que domina a mídia mundial faz exatamente a mesma coisa com o Ocidente.

E os progressistas, anticristãos e anti-semitas desde a origem, com o maior cinismo, ainda posam de arautos da moralidade... Tudo em nome do "novo" e da "igualdade"...

E por falar em "novo", essa "nova igreja possível" do sr. Gondim continua bem capitalista, pelo visto... Pasta, caneta, bloquinho e crachá, sem o rango, por 50 mangos, convenhamos, é de amargar! Eles devem ter um sistema de cotas para os irmãozinhos durangos...

Conservative kisses do Eliot.
"Melhor zero na nota do que prejuízo 'na' bolso".

Juan de Paula disse...

Os progressistas evangélicos brasileiros deixam-se levar por pensamentos que negam o próprio cristianismo.

Uma pena que estão cegos numa ideologia, acho que não sabendo aonde querem ir e aonde vão chegar, ou mesmo aonde estão, porque eu não abraçaria uma ideologia que esvazia minha fé.

Bjão

O Palpiteiro disse...

Fala Norma,
Minha resposta a essa onda toda, como nao podia deixar de ser, foi na piada. E' ridiculo demais todo esse relativismo moral e o pacifismo idiota. Depois me diz o que achou.
Beijao,
Davi

Solano Portela disse...

Norma:

Ótimo post. Impressionante a cegueira interpretativa da mídia, nesses incidentes. Admiro o Charles Colson em sua análise do Islamismo. Enquantos a esmagadora maioria teima em exaltar o caráter pacífico e benevolente do "verdadeiro islamismo" (uma realidade virtual e utópica, sem contrapartida concreta), Colson já identificava violência gritante em sua raiz e na irracionalidade da cosmovisão islâmica. Se tiver tempo, dê uma olhada em post análogo no blog - http://danielportela.blogspot.com/ - do mais novo recruta nessa linha de frente contra as sequelas marxistas retardadas. As fileiras estão engrossando...

Abs

Solano

Norma disse...

Hehehe, que barato, Solano: você escrevendo aqui e eu comentando lá no seu post do Tempora-Mores ao mesmo tempo. Pelo visto, as fileiras estão não apenas engrossando, mas coordenando até intuitivamente os movimentos... :-))
Abração!

Wilson Bento disse...

Quando voce diz que a igreja corre o risco, voce poderia estar dizendo que ainda nao tem acontecido com uma forte expressao? os tais dos "formadores de opiniao" sao somente Gondim e Kivitz? ou pelo menos os que mais proclamam o pseudo-evangelho-marxista-liberal? Sera que vamos precisar de confrontos na midia, ou nas igrejas para que se possa combater esse movimento?
Desculpe tantas questoes, mas estou tao longe e com planos de voltar para o Brasil...soh mais uma pergunta, como estao os estados das outras regioes do Brasil? (ja que esses dois ai sao do Sudeste)

Caio Kaiel disse...

Olá Norma.
Resposta a Wilson Bento - Região sul com previsão de fortes pancadas e baixas temperaturas baixas em toda a região.

Bjos

Marcelo Hagah disse...

Norma,

entendo que o número de evangélicos liberais está aumentando. Eles se deixam seduzir fácil por qualquer baboseira dita por alguém maior que eles. Certa vez eu conversava com um e citei o apóstolo Paulo. Ele me disse: Paulo? Ora bolas, se fosse pelo menos o Paul Tillich! Bem, o Paulo dele é outro, né, Norma?
Fico com o "de Tarso".
Amém.

Anônimo disse...

Oi, Norma,
Uma pequena contribuição:

Não é de hoje que países árabes buscam apoio em regimes totalitários. Já na segunda guerra mundial, lideres como El Marsi Pacha, Anwar El Sadat e Abas Halim entabularam conversações com os nazistas, para um possível levante egípcio. E os alemães destacaram uma missão militar da Luftwaffe para apoiar os insurgentes iraquianos. Ambos os episódios ocorreram entre 1941-1942.

Para continuar a provocação: os esquerdistas, volta e meia, rotulam o nazismo de extrema-direita, como se o nazismo fosse o outro extremo em relação ao comunismo. Só que, além da dificuldade em classificá-lo, o nome do partido do bigode maluquinho era "Partido Nacional Socialista Alemão do Trabalho".

Indo mais além, é provocador notar que Stalin cumpriu totalmente as clausulas do pacto de não-agressão firmado em 1939. E tanto a Alemanha como a finada União Soviética dividiram a Polônia.

Me parece que este link entre nazismo e comunismo deveria ser mais estudado, não é mesmo? Assim como a associação entre países islâmicos e regimes totalitários.

Abs,
Franklin

Norma disse...

Oi, Marcelo!

Eu lembro que James Houston, em uma série de conferências no Brasil, falou bastante sobre o fato de Paul Tillich ter deixado, ao morrer, muito material pornográfico em uma gaveta de seu escritório, o que deixou sua mulher chocada. Houston costuma enfatizar os laços entre a vida pessoal e a vida teorética, e no cristão, mais que em qualquer outro talvez (já nossa fé conjuga o pessoal e o universal de modo único), esses laços devem ser estreitos. Infelizmente, Tillich demonstrou seu liberalismo nos dois aspectos, mas parece que muita gente ainda bebe de suas fontes. É uma pena.

Abraços!

Norma disse...

Oi, Franklin!

Obrigada pelas informações!

Existe um livro maravilhoso precisamente sobre isso, de um autor chamado Alain Besançon: A Infelicidade do Século. (Só não confie na "orelha" do Emir Sader! Sobre isso: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0098.htm) Esse estreito parentesco entre nazismo e comunismo é enfatizado pelo autor não só pelo lado histórico, mas sobretudo pelo filosófico, o que torna o livro indispensável.
Abração!