19 fevereiro 2006

"Antes mortos que escravos!"

Apresento aqui a tradução da maior parte do artigo Una luz en la oscuridad, por 20 años más, de Oswaldo Payá Sardiñas. Sua publicação neste blog se dirige, como advertência, a todos os cristãos brasileiros que, por falta de informação suficiente, ainda crêem no socialismo como solução para as mazelas da humanidade. Digo a quem pensa assim: uma palavra a favor da Cuba de Fidel Castro, ou da Venezuela que Chávez está tentando construir, e vocês estão sancionando a trágica situação que esse homem corajoso denuncia em seu texto.

Este post é dedicado à Igreja perseguida em todo o mundo. As frases entre colchetes são comentários meus ao texto de Sardiñas.

"O totalitarismo é um assunto religioso. Com certeza não está inspirado na fé, mas no ópio da mentira e na dominação do ser humano. Para que tenha sucesso, tal dominação precisa esvaziar espiritualmente o ser humano, matar a fé. Por isso, o processo intensivo e mesmo cruento com que se quis descristianizar a sociedade e a cultura cubanas desde que esse regime se instalou até nossos dias. Um regime que conta com estruturas, mecanismos de repressão e propaganda que tratam a Igreja, a religião e o crente como um alvo, assim como a um inimigo. É por esse motivo que o totalitarismo é um assunto religioso, pois trata de dominar todos os aspectos da vida da pessoa, e a pessoa mesma. Também porque impõe ao cidadão, desde criança, um culto ao setor de poder político, com vistas a anular a liberdade interior, a liberdade dos filhos de Deus, impondo a todos a adoração, ainda que simulada, ao ídolo do medo. [Sempre digo neste blog: o comunismo desvia o impulso espiritual do homem para líderes e símbolos do regime. Só isso já bastaria como argumento para que nenhum cristão se dignasse a aderir a ele.] O comunismo, como todos os totalitarismos, é uma agressão, uma invasão maligna contra a pessoa, contra sua vida por inteiro, sua liberdade e sua identidade. Não estou exagerando: todos os cubanos sabem disso, nós que sentimos isso em cada passo e em cada aspecto de nossas vidas. (...)

A Igreja em Cuba pode dizer como o apóstolo Paulo: Que perseguições suportei! E também: Somos um espetáculo para o mundo! Um mundo que nos julga, dizendo que o totalitarismo caiu na Europa e em Cuba não. E o que o mundo sabe sobre a perseguição, as chantagens, os ardis, as armadilhas, as ameaças, as ofensas, as repressões e limitações a que nossa Igreja tem sido submetida? O que sabem da solidão da Igreja em Cuba, devido aos muitos que diziam, na Europa, na América Latina e em outros lugares, que esta era a ilha da liberdade [infelizmente, no Brasil, ainda dizem isso - e mesmo quem partilha desta fé; que vergonha para os brasileiros...], enquanto milhares de religiosos, em sua maioria cristãos, estávamos em campos de trabalhos forçados? Essa Igreja em Cuba, de que somos parte inseparável, é imperdoável para o poder político totalitário e para o reino deste mundo, porque nunca se vendeu, nunca foi nem instrumento nem cúmplice da opressão. O povo sabe que esta é sua casa, o último refúgio para aqueles que perderam tudo e não têm a quem recorrer. (...)

Vinte anos depois, o povo cubano está mais oprimido, mas ainda querem lhes fechar mais ainda as portas do futuro. Impõem a ele a sentença Socialismo ou morte. Isso é muito grave, pois sabemos o que quer dizer a todos os cubanos. Tal como se fossem escravos, recebem a ameaça tremenda: antes mortos que livres. E nós, desde o mais profundo, radical e libertador espírito do Evangelho de Jesus Cristo, respondemos: antes mortos que escravos! Nossa mensagem não aceita o poder de escravidão e de morte. Nossa mensagem é liberdade e vida. Sem ódios, sem violência, e sem medo, cultivando o diálogo e a reconciliação, devemos anunciar que somos, todos os cubanos, sem exceção,a família do povo bendito de Deus para viver em fraternidade e liberdade."

7 comentários:

Rodrigo R. Pedroso disse...

Norma: muito obrigado por divulgar os sofrimentos dos cristãos de Cuba!

Norma disse...

Querido amigo Rodrigo, é um dever de todos os cristãos fazer alguma coisa, nem que seja só a divulgação, pela igreja perseguida no mundo todo.
Grande abraço!

João Emiliano disse...

Prezada Norma,

Muito bom este seu post. Os religiosos são sempre perseguidos em qualquer tirania, já que o Estado monstro quer dominar corações e mentes, é uma lástima. Devemos orar pelos cristãos cubanos, orar com fervor.
Também em Cuba, em 1963, o sombrio "El Comandante" Fidel Castro proibiu o Espiritsmo dissolvendo a Confederação Nacional Espírita de Cuba. O Espiritismo começara lá ainda antes de Allan Kardec haver publicado qualquer obra, em 1856, nas cidades de Havana, Sagua La Grande, Sancti Spiritus, Manzanillo, Caibarien e Santiago. Os cristãos-espíritas sofrem também em Cuba.

P.S.: Desculpe se em meu último comentário eu exagerei nas críticas. Não foi proposital.


Abraços fraternos,

JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Norma disse...

Com certeza, João! Por isso, todo religioso faria muito bem em ser anti-esquerdista.

Quanto ao comentário, não se preocupe. Eu realmente estou evitando, neste blog, debates como espiritismo versus cristianismo. Creio que as diferenças religiosas são importantes, mas não têm, por enquanto, tomado parte de meus objetivos principais aqui, que, além da inserção do cristianismo nos debates intelectuais, incluem a crítica ao relativismo e ao marxismo cultural - estes, "pedras no sapato" de todos que buscam a verdade.

Abraços!

Wilson Bento disse...

Oi Norma
Eu tenho tido o privilegio de poder "participar diretamente" da luta de nossos irmaos...e cada vez tem sido de um valor muito grande para muitos pastores, que vivem debaixo de um apavorante sistema, que a maioria dos brasileiros que apoiam, nem imaginam.
Alias, nunca foram e nem pretendem ir la, sao a favor do Castro somente para serem contra o cristianismo verdadeiro, sao os eteroteologos (como diz o Augustus).
Abraco

Marcelo Hagah - João Pessoa-PB disse...

Dona Norma,

Ao ler o título "Antes mortos do que escravos" me lembrei do caso de Moisés e o seu povo. Entre as dez reclamações (murmurações) do povo, (havia) esquerdistas no meio que diziam "Melhor voltar para o Egito do que morrer no deserto". Não, não e não. Prefiramos a morte honrada, a morto em busca da verdade, da liberdade, do amor... do que as cebolas egípcias.

Marcelo Hagah disse...

Ao ler o título "Antes mortos do que escravos" me lembrei do caso de Moisés e o seu povo. Entre as dez reclamações (murmurações) do povo, (havia) esquerdistas no meio que diziam "Melhor voltar para o Egito do que morrer no deserto". Não, não e não. Prefiramos a morte honrada, a morto em busca da verdade, da liberdade, do amor... do que as cebolas egípcias.