15 agosto 2013

Fala, Schlossberg!

"As pessoas desejam os falsos ensinos porque estes as capacitam a absolutizar os sistemas contingentes aos quais elas prestaram lealdade. Elas buscam líderes religiosos que abençoarão a idolatria da nação, ou do estado, ou da busca irrestrita de riqueza e poder, ou sua ira e seu resentiment* transformados em políticas humanitárias. As teologias 'relevantes' da esquerda e da direita conferem borrifos batismais em suas porções respectivas do espectro cultural e político. Um conservadorismo religioso estéril idolatra a cultura do século XIX em todas as suas expressões: hinos, educação, inimigos, vocabulário, e é por isso que soa como uma peça de museu. Um esquerdismo estéril idolatra o presente, brandindo triunfante suas credenciais progressivas, enquanto sua destrutividade e sua vacuidade se tornam evidentes até mesmo para quem os levava a sério. [...] Todas essas associações ilegítimas servem para 'civilizar' o cristianismo e fazê-lo caber em esquemas que os apóstolos jamais reconheceriam."

Idols for Destruction, p. 255-6, tradução minha. Fiquem de olho: a editora Monergismo planeja publicar esse título no Brasil!

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*Resentiment é um termo francês que o autor usa para significar "um sentir-se ofendido que pode até ter base em fatos concretos, mas que em geral decorre da inveja das posses ou das qualidades de outra pessoa. Se o sentimento não é sublimado nem aliviado por algum ato que atinja aquele que é a fonte do sentimento, o resultado é uma condição mental persistente que decorre da repressão de emoções que não são aceitáveis quando expressas abertamente. O resultado é ódio e impulso de vingar-se e dizer coisas que diminuam o outro. [...] O resentiment se origina da tendência de fazer comparações entre si e os demais: posses, riqueza, aparência, inteligência, personalidade, amigos, filhos. Qualquer diferença é suficiente para ativar a patologia" (p. 51-2). Isto tem um papel central, como o leitor já deve ter percebido, no pensamento politicamente correto, cujas políticas humanitárias só trazem destruição para a sociedade (Schlossberg trata abundantemente delas no capítulo sobre Ídolos da Humanidade, logo após essa definição, diferenciando o altruísmo humanista do amor cristão).

14 agosto 2013

Escassez na Venezuela

Já há escassez de alimentos na Venezuela. Ao lado, no You Tube, há vários outros vídeos semelhantes: brigas e filas imensas, com pessoas reclamando que não há mais alimentos básicos à venda. Não se iludam: socialismo é isso. Aconteceu igual na Rússia, na China, em Cuba etc. Por que não aconteceria de novo?

13 agosto 2013

VINACC: Inscrições abertas!

Você vai à VINACC do ano que vem? Estarei lá, falando novamente sobre literatura! Aproveite e faça logo sua inscrição para as palestras!

12 agosto 2013

O falso meio


Percival Puggina conta nesse artigo que o apresentador de tv Pedro Bial, depois de resumir todas as situações de perversão sexual que haviam passado por aquele episódio de seu programa, convidou os telespectadores a também quebrarem os limites do casamento com uma frase:

- Que tal ser fiel ao desejo?

Tratei do que ocorre quando o prazer é alçado à categoria de valor preponderante numa sociedade em meu livro A mente de Cristo. Não é disso que quero falar, mas imaginar aqui três reações possíveis ao convite.

Na primeira reação, o telespectador concorda com Bial e pensa, satisfeito: "Eu já sou fiel ao desejo." Ainda que ele esteja em uma relação monogâmica, em um casamento estável, caso pense que está ali só por ser "fiel a seu desejo", acabou de glorificar o prazer em seu coração, confirmando mais uma vez uma das maiores idolatrias socialmente partilhadas de nossa época.

Em oposição frontal a ele, na segunda reação que imagino, outro telespectador pensa: "Eu sou fiel a Deus em primeiro lugar. Meu desejo é pecaminoso e me levará para onde nem eu vou querer ir. Deus me transformou para que eu pudesse colocar a vontade Dele, revelada em Sua Palavra, em primeiro lugar na minha vida. É por isso que não traio minha esposa." Esse, pelo menos nesse aspecto específico, confirma a adoração ao único Deus.

Mas haverá aquele que parecerá "entre" ambas as reações, ao exclamar mentalmente: "Esse negócio de ser fiel ao desejo é bobagem. Puro subjetivismo. Para tudo há limites. A pessoa precisa manter o casamento, ter autocontrole e não trair."

É a este que me dirijo agora: amigo conservador, não existe "autocontrole". Assim como não existe essa posição mediana em que você pensa se situar. Se você não está agora mesmo se esbaldando em uma relação fora do casamento e fora de todo padrão, não é porque conseguiu se controlar, mas porque, de alguma forma, Deus não permitiu que você participasse do culto ao prazer acima de tudo. Reconheça isto, seja humilde e grato, pois Ele pode nos livrar das loucuras coletivas, mesmo quando não O vislumbramos em nosso horizonte. Fazendo assim, quem sabe também não se libertará das inúmeras outras idolatrias que você tem acalentado, ocultas ou não, ao conhecer o único Deus verdadeiro, o único que pode debelar, em nós, todo tipo de mal.

09 agosto 2013

Castelo forte é nosso Deus

Hoje, fui inspirada por Ein feste Burg ist unser Gott ("Castelo forte é nosso Deus", cantata BWV 80), de Johann Sebastian Bach, composta com base no coral de Martinho Lutero. Bem ao estilo de Bach, a música é diferente do hino, não dá para cantar junto. Mas sua beleza complementa a beleza da letra, que sempre me faz chorar nos últimos versos:

Castelo forte é nosso Deus,
Espada e bom escudo!
Com seu poder defende os seus
Em todo transe agudo.

Com fúria pertinaz
Persegue Satanás
Com ânimo cruel!
Mui forte é o Deus fiel,
Igual não há na terra.

A força do homem nada faz,
Sozinho está perdido!
Mas nosso Deus socorro traz
Em seu Filho escolhido.

Sabeis quem é? Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus,
E sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.

Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos iriam derrotar
Nem ver-nos assustados.

O príncipe do mal,
Com seu plano infernal,
Já condenado está!
Vencido cairá
Por uma só palavra.

De Deus o verbo ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa!

Se temos de perder
Família, bens, prazer
Se tudo se acabar
E a morte enfim chegar,
Com ele reinaremos!
Que também lhe seja inspiradora para este fim de semana e a nova semana que se iniciará!

08 agosto 2013

Marxismo Cultural na IP de Santo Amaro

Leitor de São Paulo, o que você vai fazer no dia 23 de agosto, sábado, às 19h30? Estarei na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro - a igreja de meus queridos amigos Betty e Solano Portela - palestrando sobre Marxismo Cultural. Não perca! E não deixe de conferir, aqui no blog, a bibliografia que vou listar sobre o assunto alguns dias antes da palestra.

Update: será transmitido ao vivo! Confira:
Canal Ustream: http://ustre.am/Y6BH
Twitter: https://twitter.com/umpipsa
Youtube: http://www.youtube.com/user/umpipsa

07 agosto 2013

Recheando a teologia (2)


Como seria se, em nossas salas de aula, na igreja mesmo, "recheássemos" nossa teologia com boa literatura? Por exemplo, usando um poema tão pungente de Fernando Pessoa como este, abaixo, para iniciar uma discussão (com a Bíblia em primeiro lugar, sempre) sobre o pecado original e a hipocrisia? Sem vergonha nem medo de colocar a arte a serviço da verdade naquilo que a arte sabe melhor fazer: através da beleza, instigar uma resposta pessoal, do coração. Que tal?

Será que posso sonhar com aulas assim na igreja?



06 agosto 2013

D. A. Carson sobre 1Coríntios 12-14

Coisa boa a gente precisa divulgar. Hoje o Jonas Madureira anunciou no Facebook um futuro lançamento da editora Vida Nova - o livro Showing the Spirit: a Theological Exposition of 1 Corinthians, 12-14 - , com direito a tradução de um trechinho:
Um dia, todos os carismáticos que conhecem o Senhor e todos os não carismáticos que conhecem o Senhor não terão motivo algum para contender, pois os assim chamados dons carismáticos passarão para sempre. Naquele momento, esses dois grupos de crentes olharão para trás e contemplarão conscientemente o fato de que o que os liga ao mundo passado não é o dom de línguas, nem a animosidade para com o dom de línguas, mas o amor que eles conseguiram demonstrar um para com o outro, apesar do dom de línguas.”
Tive que trazer essa citação para cá, pois é sumamente importante. A primeira epístola aos Coríntios é um dos livros bíblicos mais conhecidos e lidos; o capítulo 13, então, serviu até de inspiração para uma música do Renato Russo (não há desculpa para "nunca ter ouvido falar", pelo menos no Brasil). Nem sempre, porém, os irmãos brasileiros aplicam as verdades contidas ali: há pentecostais que desqualificam todo crente que não fala em línguas e há reformados que desprezam o crente que crê que ainda existe dom de línguas hoje. Ambas as posturas subordinam o essencial (logo, eterno) ao periférico (logo, provisório). A dica do apóstolo é: o AMOR é eterno! Que Deus nos ajude a identificar corretamente o essencial e ater-se a isso acima de tudo.

05 agosto 2013

Mais sobre arte moderna

Da última vez em que estivemos no Rio de Janeiro, eu e André fomos a uma exposição de mulheres artistas no CCBB, vinda do Centre Georges Pompidou, na França. Vi o cartaz enquanto voltava do aeroporto e propus a visita a meu marido. Fiquei animada sobretudo com a presença de obras de Frida Kahlo, que eu nunca tinha visto pessoalmente. Mas eu deveria ter desconfiado que do Pompidou não viria muita coisa boa, pois o museu é conhecido por sua modernidade - essa palavrinha tão abusada.

Pois é, além de um quadro de Frida Kahlo (que nem era tão bom assim) e outro muito impressionante (uma atmosfera sombria e um Jesus crucificado em uma árvore - eu queria encontrar o nome da autora para postar aqui, mas na internet só achei referências à festa de abertura da exposição), todo o evento nos decepcionou, e mais, enfureceu esta que vos fala. Os quadros eram relativamente poucos em comparação aos vídeos, que exibiam o pior do espaço. Como uma mulher cristã se sentiria quando, acreditando proporcionar um momento cultural agradável a seu marido que não conhece bem o Rio, acaba o expondo não só a um monte de nulidades com nome de "arte", mas a incontáveis cenas de nudez feminina? Por aí você pode imaginar em que estado eu fui embora de lá.

Já no hall, um vídeo todo desfocado e com defeitos na imagem - irritante de se ver - mostrava uma mulher descabelada se jogando de lá para cá e cantando sem parar, na primeira pessoa, a linha inicial de Happiness is a Warm Gun, dos Beatles: "I'm not a girl who misses much." Tive que discordar: she missed a lot, principalmente equilíbrio corporal, bom gosto e bom senso. Mais interessante teria sido assistir ao vivo a um bêbado chato cantando; pelo menos a imagem estaria boa.

Outros vídeos também torturavam pela via do enfado: imagens ao ar livre onde nada ou quase nada acontecia, acompanhadas de textos que muito dificilmente poderiam ser classificados como literatura. Em outra sala, André me chamou para ver cenas de um gato - "Olha, querida, esse não tem mulher pelada" - , mas, quando olhei, para a consternação dele, uma mulher pelada estava abraçando o gato.

Já contei aqui uma vez que uma professora minha da Letras havia comentado com uma colega: "O estudo da literatura e o cristianismo são incompatíveis." (Para fazer justiça com a faculdade, meu orientador discordaria dessa apreciação.) Eu me pergunto se a própria arte dos séculos XX e XXI também não estaria se tornando incompatível, não com o cristianismo, mas com a noção de arte que produziu tantas maravilhas nos séculos anteriores e nos fez pensar e sonhar, em vez de responder com tédio, irritação ou vergonha. Desprovida de forma e conteúdo feitos para dizer, boa parte da arte e da cultura modernas (pinturas, filmes, peças de teatro) se viciaram na apresentação de uma nudez muito diferente da grega e da renascentista, uma nudez que, em vez de graciosa e arquetípica como suas predecessoras, é puro atentado ao pudor. O problema, o leitor já adivinhou qual é: atentados ao pudor dificilmente podem ser considerados arte. A arte até pode chocar, mas precisa ser bela antes de tudo. Faltam não só beleza, criatividade e sentido, mas sobretudo amor pelos espectadores, e aqui entram as costumeiras considerações deste blog sobre a cultura pautada pelo politicamente correto: nessa exposição, acredito que o ódio feminista enganou a maioria daquelas mulheres a tal ponto que foram convencidas de que qualquer coisa de suas mãos, só por serem mãos de mulheres, mereceria destaque como obra de arte. Em resultado, parece que só às feministas - e aos masoquistas - foi permitido sentir-se bem ali (e quem não reclamou certamente não o fez por pura culpa, a reação obrigatória exigida pelo feminismo).

E quando o masoquista é a própria arte? O vídeo que trago abaixo não foi retirado da exposição - claro! - , mas é uma sátira muito inteligente da arte moderna. Imagino que o roteiro foi inspirado em uma história terrível sobre a qual escrevi aqui. Também falo de arte moderna aqui. Modifiquei e ampliei esses dois textos para integrar meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã.

02 agosto 2013

Você está pronto?

Ontem eu estava distraída, ouvindo uma entrevista com o José Dirceu no computador, quando percebi que a voz dele é bem bonita. Foi inevitável pensar no quanto o Brasil teria ganho - e deixado de perder! - se, em vez de guerrilheiro e político, o Dirceu resolvesse ter seguido a carreira de cantor...

                                                                         * * *

Em Romanos 13.3-4 (uso aqui a versão NVI), a função retributiva da justiça é sancionada pela Bíblia. Para isso, Deus proíbe a vingança pessoal e incumbe as autoridades constituídas:

"os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal."

Igualmente, 1 Pedro 2.13-14:

"Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem."

O problema é que, hoje, os governantes têm deixado de punir o mal e recompensar o bem. Pelo contrário: deixam de condenar os maus (impunidade! banditismo! violência!), praticam e aprovam publicamente o mal (corrupção financeira e moral! aborto no SUS! bolsa-família eterna e indiscriminadamente!) e ainda buscam punir o bem (impostos abusivos! controle da educação! lei da palmada! proibição do homeschooling! lei da homofobia! tentativa de controle da internet!). Caem assim na condenação de Isaías 5.20:

"Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo. Ai [...] dos que por suborno absolvem o culpado, mas negam justiça ao inocente. Por isso, assim como a palha é consumida pelo fogo e o restolho é devorado pelas chamas, assim também as suas raízes apodrecerão e as suas flores, como pó, serão levadas pelo vento; pois rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitos, desprezaram a palavra do Santo de Israel."

Diante disso, a regra é clara: não podemos ser levados pelas autoridades a deixar de fazer o bem ou a fazer o mal. Como está em Atos 5.59:

"É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!"

Você está pronto para a perseguição?

31 julho 2013

Empobrecendo o Ocidente

Herbert Schlossberg, em Idols for Destruction (sobretudo nas páginas 282-3), retraça em linhas gerais o processo de empobrecimento e crise dos países do Ocidente cuja economia se vale da ideia da "soma zero": ganha-se apenas com a perda de outros. Com base na progressão que ele oferece, esbocei o seguinte esquema:

1- Imbuído da ideologia marxista, que prega uma ideia equivocada de “igualdade”, o Estado se incumbe do que chama “redistribuição de renda”, com impostos abusivos e políticas humanitárias que transformam pobres, imigrantes e desempregados em eternos dependentes.

2- A redistribuição afeta negativamente a produção: há menos trabalho, menos investimentos, menos poupança e cada vez mais consumo, pois quem não trabalha não produz (e vive do dinheiro alheio) e quem trabalha se sente desestimulado a produzir, investir e poupar para ter que entregar grande parte dos frutos de seu esforço nas mãos do Estado.

3- Cria-se assim um ambiente psicológico de “carpe diem”, com toda uma população sendo estimulada à irresponsabilidade e ao imediatismo. (E ainda culpa-se o "capetalismo" pelo consumo desenfreado!)

4- Os ideólogos, sempre a serviço do Estado, contemplam esse estado de coisas e culpam automaticamente outros fatores: o planeta tem gente demais, não há recursos para todos, produzir gera poluição, desmatamento e destruição...

5- Logo, o que é necessário? Sem alternativa à vista, a resposta deles é: mais controle estatal. As “soluções”, sendo erradas, só pioram o problema e empurram as nações – financeira e moralmente – mais para baixo. (Políticas estatais de estímulo ao aborto e ao homossexualismo talvez sejam propostas como medidas de controle populacional...)

6- O Estado reforça as políticas de redistribuição. Tudo recomeça, e a máquina estatal se torna cada vez mais poderosa, angariando mais dependentes, inibindo as iniciativas privadas e emperrando a produção.

Tudo isso poderia ser evitado se nossa sociedade tivesse adotado como base alguns princípios bíblicos: limitação do poder do Estado, redenção somente através de Cristo (e não pela economia, como ocorre no marxismo), responsabilidade individual, caridade com discernimento etc.

O livro de Schlossberg é imperdível! Devo publicar citações dele aqui esta semana.

30 julho 2013

De evento em evento

A Escritura se refere ao relacionamento entre Cristo e a igreja como um noivado. Imagine agora que você só se encontre com seu noivo em festas com muita gente e nunca, jamais, consiga conversar direito com ele. Desesperador, não é? Pois é, muita gente acha que esse é o jeito certo, ou o único, de relacionar-se com Cristo: cantar louvores, ouvir pregações e palestras, orar - tudo isso em grupos, em eventos especiais. No dia-a-dia, é como se Cristo estivesse muito longe para ser alcançado...

Quando eu era nova convertida, acredito que me sentia um pouco assim. Ia toda empolgada para esses eventos - retiros, acampamentos, conferências - esperando que Deus fizesse grandes coisas. De fato, raramente Ele me decepcionava. Mas, à medida que fui crescendo na fé, entendi que há muitas outras "grandes coisas" que Deus faz na mente e no coração de Seus filhos, que se manifestam, como na história de Elias, no "cicio do vento". E as grandes coisas, muitas vezes, não são as que causam maior impacto em determinado local, deixando-nos boquiabertos, mas são aquelas que vão se desenvolvendo ao longo da caminhada com Deus, de pouquinho em pouquinho, e vão constituindo essa nova pessoa que Deus está levantando na gente, arraigada em Cristo. 

O mesmo Cristo que está nos ajuntamentos da igreja é o Cristo com quem você fala de portas fechadas em casa, que está com você no trabalho, nas aulas da escola e da faculdade, ao seu lado enquanto você assiste à tv, lê um livro ou conversa com incrédulos. É Ele que dará o tom a tudo o que entra por seus olhos e ouvidos, para sua edificação. Por isso, para crescer na fé, você precisa depender de Cristo em primeiro lugar, momento a momento, como diria Francis Schaeffer. Essa consciência se aprofunda com a maturidade cristã e é essencial para que os eventos especiais, junto com seus pregadores, não sejam idolatrados.

26 julho 2013

Ei você, que defende o "Estado laico"...

Entenda bem isso agora: quando você defende o "Estado laico" como se quisesse tirar a religião da esfera de influência pública - em vez de simplesmente afirmar a separação entre Estado e religião - , você está contribuindo para que o Estado se torne cada vez mais autônomo e poderoso em todas as áreas da vida humana: leis, educação, cultura, até os recônditos privados do lar e da consciência. O cristianismo dava limites ao Estado de um modo que nada mais poderá dar, porque o colocava sujeito à autoridade do Deus cristão, com suas leis eternas, que atribuem uma dignidade ao ser humano que está ausente na política. Sem isso, nós nos tornamos peças de tabuleiro sob o monstruoso deus estatal e ficamos sujeitos ao consenso dos poderosos da vez. Depois você não poderá reclamar se for vítima de abuso estatal: não haverá quem o ouça.

25 julho 2013

Recheando a teologia

Um amigo querido que tem a vocação, como a minha e do André, de relacionar cristianismo e cultura - visite o blog recém-aberto dele, que promete! - escreveu para Andrew Basden, professor cristão, sobre tecnologia. Basden respondeu com algo poderosamente motivador: que Deus está movendo seus filhos de um jeito novo, hoje, para quebrar a divisão entre o sagrado e o secular. Creio nisso! E hoje, dia do escritor, trago até vocês uma reflexão que faço a partir dessas palavras e do que entendo ser uma vocação imprescindível em qualquer época, mas sobretudo nos dias de hoje.

A correlação entre cristianismo e cultura é algo que está engatinhando entre nós. Nossa teologia, mesmo que correta, em grande parte ainda se relaciona mal com a realidade, com o que existe; ainda contempla demais o próprio umbigo. Precisamos com urgência nos lançar seriamente à dupla tarefa que consiste em, sempre sob a luz do Evangelho, enxergar o mal e o erro como realmente são, descrevendo suas variedades e profundidades (psicológica, sociológica, política, cognitiva, tecnológica, existencial), para assim enxergar e descrever aspectos verdadeiros da redenção, por contraste. Isso é primordial para fugirmos das expressões da fé que, mesmo sendo bíblicas, se repetidas muitas vezes sem o "recheio" da vida real, acabam se tornando palavras vazias: Jesus salva do quê? Não é de um pecado conceitual, abstrato, mas bem real, com efeitos reais, destrutivos e dolorosos! E em quê especificamente nos redime? Para algo que podemos começar a provar, saborear, ainda aqui neste mundo! Isso significa que a mente de Cristo de fato orienta a aplicação da teologia no reconhecimento e na solução do mal, em todas as áreas do saber.

Schaeffer chama muito a atenção da gente para isso: a falta de realidade na pregação e no ensino da Palavra, gerando igrejas cheias de crentes que vivem e pensam como zumbis. Boa parte da angústia que podemos sentir quando vemos o quanto estamos longe de uma cosmovisão genuinamente cristã em ação, nas nossas igrejas e nos meios seculares, talvez esteja relacionada com o fato de sentirmos que estamos diante de um caminho quase fechado no mato. Ainda bem que é quase: há décadas Deus tem impulsionado cristãos de gerações seguidas nessa vocação de rechear a teologia e fazê-la colocar os pés no chão; Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd, Cornelius Van Til, Francis Schaeffer, só para citar alguns. Aqui no Brasil, também não estamos órfãos: Wadislau Gomes, Davi Charles Gomes e Fabiano Almeida têm feito um trabalho excelente nesse sentido. Ainda há muito o que fazer. Se você me entende e sente que essa também é sua vocação, mãos à obra! Estamos juntos nisso!

04 julho 2013

Manifestar-se como Jeremias

Faz tempo que não posto, seja por causa da enxaqueca (e outras indisposições: tontura, dores de estômago, fraqueza), seja porque quero me guardar do impulso de repetir o que já afirmei tantas vezes. Dedico-me agora mais a aprender, processar, ampliar percepções e a postar no Facebook. Mas queria contar ao leitor hoje um sonho que tive há alguns dias, e que me pareceu significativo.

Eu estava experimentando um mix de sentimentos durante as manifestações do mês de junho: alegria (porque o que nasceu de modo calculado, com o Passe Livre, tornou-se uma explosão de indignação espontânea), tristeza (por causa da violência de alguns), apreensão (ao pensar no que o governo poderia fazer para se apropriar dos acontecimentos ou retaliá-los), perplexidade (porque é muito difícil analisar os fatos e suas múltiplas correlações). Nesse ambiente emocional, tive um sonho em que participava de um almoço com os membros muitos simpáticos de um coral evangélico. Depois de comer, fomos cantar juntos e eles iniciaram aquele cântico que usa a letra do Salmo 108: "Firme está, firme está meu coração, oh Deus". Quando elevei a voz para a frase seguinte, "Cantarei e entoarei louvores", vi que eles foram em uma direção totalmente oposta. Ri comigo e parei, só ouvindo. O que se seguiu foi uma paródia do cântico, que usava a ironia de um modo inteligente para denunciar as práticas idolátricas da igreja. O coração não pode estar "firme" quando tantos cristãos adotam costumes animistas (como a crença no poder de objetos ungidos) ou se alienam diante de novelas de televisão - só para citar algumas das críticas levantadas ali. Depois que a apresentação acabou, eu tive muita dificuldade para segurar as lágrimas - e acordei inevitavelmente chorando, como me acontece em alguns sonhos. Em seguida, lembrei-me do blog de meu amigo Renato Vargens, que tem denunciado sem cessar essas práticas absurdas, e ponderei sobre o quanto podemos estar tão satisfeitos com nossa igreja local, ou nossa denominação, que passamos a dar de ombros para esses desvios em outras igrejas, como se não nos dissessem respeito... Trata-se de um pecado, ou vários - conformismo, individualismo, sectarismo - , de que precisamos nos arrepender.

E, enquanto escrevo esta postagem, dois textos bíblicos me vêm à mente: Lucas 6.41-42 (em que é necessário reconhecer os próprios pecados antes de identificar e tratar os alheios) e 1 Pedro 4.17 (em que seremos julgados primeiro). Será que temos chorado o suficiente pela igreja antes de fornecer soluções para o mundo? Será que temos condenado o mundo sem perceber o quanto compartilhamos das mesmas idolatrias? Será que entendemos o quanto a purificação da igreja é fundamental para salgar e iluminar o mundo? Evidentemente, não condeno quem escreveu análises sobre as manifestações, de modo algum, e li algumas delas; o trabalho de crítica cultural à luz da cosmovisão bíblica é muito importante. Mas o sonho, de alguma forma, colocou as coisas em perspectiva, não necessariamente quanto à ordem das tarefas, mas quanto ao espírito com que as cumprimos: implicando-nos na crítica, como alvos da Palavra, jamais juízes. Se tantos cristãos têm energia suficiente para sair às ruas e clamar contra a corrupção reinante, imagino que podemos fazer como Jeremias e começar a nos lamentar coletivamente, em nossas igrejas, pelo estado da doutrina e da mentalidade evangélicas no Brasil. Ao contrário das manifestações, cujo resultado é incerto e talvez até negativo, a lamentação dos filhos de Deus, com verdadeiro arrependimento, nunca é vã.

28 maio 2013

O patético resultado do assistencialismo (II): o caso sueco

Foto: Carro incendiado no subúrbio de Estocolmo, Suécia, dia 21 de maio de 2013 (JONATHAN NACKSTRAND / AFP). Tirada desse site.


Você certamente já ouviu aquele amigo que se diz social-democrata citar o exemplo da Suécia como de um socialismo bem-sucedido. Bom, faça-lhe dois favores: dê a ele de presente o livro do Janer Cristaldo (já desatualizado, pois é de 1973: procure em sebos) O paraíso sexual democrata, e mostre-lhe o artigo de Gary North (teólogo e economista presbiteriano) do dia de hoje, O estado assistencialista sueco está em chamas. Isso vai funcionar como um panorama bastante amplo da situação daquele país, que de paraíso não tem nada. As “chamas” do título são literais: faz seis dias que a Suécia vem sofrendo na mão de incendiários.

Dois fatores contribuíram para essa situação de guerra civil: uma grave crise econômica desde os anos 1990 (obrigatória em países com governos que se encarregam pesadamente da “justiça social”) e a imigração em massa de gente do Iraque, do Afeganistão, da ex-Iugoslávia, da Somália, da Síria, para o que é considerado um país preferencial em toda a Europa. Alocados em guetos no subúrbio, sem perspectivas e sem desejo de integração (o governo fornece até cursos gratuitos de sueco), esses imigrantes fomentam um enorme ressentimento contra o Estado Papai – ressentimento que um dia explode. Perfazem 15% da população e são os mais atingidos pelo desemprego. (Mais sobre isso, em francês, aqui e aqui.) Gary North sentencia: "Um arranjo que combina imigração livre com Estado provedor está propenso ao desastre."

Deveria ser o contrário? Não! O Estado é um mau criador de empregos e oportunidades. Ele é como um pai que mima os filhos ao ponto de assumir todas as rédeas da vida deles. Não sabe dar o “empurrãozinho” de que precisam desde crianças para crescerem por si. Depois, o pai se lamenta quando precisa sustentar adultos dependentes pelo resto da vida. A metáfora dá conta somente das boas intenções, que podem até existir (muitas vezes duvido), mas nunca vêm sozinhas: governos socialistas assumem tarefas demais, via de regra, para embriagar os governantes de poder e dinheiro público. Desestimulando ou até inibindo a iniciativa privada com assistencialismo, leis abusivas e impostos altos, o Estado socialista diminui drasticamente o número de empregadores e, logicamente, o de empregos. Resultado: a desigualdade social aumentou muito na Suécia desde 1995. E toda a culpa recai agora sobre o costumeiro bode expiatório das esquerdas, claro, na figura do primeiro-ministro Frederik Reinfeldt, eleito em 2006 e decidido a fazer alguns cortes no benefício da galera. Uma reportagem desinformativa, certamente desejando salvaguardar a (ainda) boa fama da social-democracia sueca no Brasil, afirma que os próprios incendiários são de “extrema-direita” (direita contra direita?) e completa: “Os subúrbios afetados pela onda de violência têm em comum uma alta concentração de imigrante e problemas sociais, que se viram agravados pela política de cortes implementada há sete anos pelo governo de direita liderado pelo primeiro-ministro conservador Fredrik Reinfeldt.” Pois é. Se a mamata diminuiu e o povo resolveu tacar fogo nas ruas, a culpa é de quem reduziu a mamata, não é? Lógica perversa!

Trazida por North, achei tocante a fala de Marc Abramsson, líder do Partido Nacional Democrata:

Nós somos o país que mais se esforçou para integrar essas pessoas, muito mais do que qualquer outro país europeu; gastamos bilhões em um sistema de bem-estar que foi criado para ajudar imigrantes desempregados e garantir a eles uma boa qualidade de vida. Ainda assim, temos áreas em que existem grupos étnicos que simplesmente não se identificam com a sociedade sueca.  Eles veem a polícia e até mesmo as brigadas de incêndio como parte do aparato repressor, e os atacam.  Já tentamos de tudo, de tudo mesmo, para melhorar as coisas, mas nada funcionou.  Não se trata de racismo; a questão é simplesmente que o multiculturalismo não reconhece como os humanos realmente funcionam.

Ele chegou ao ponto: como os humanos realmente funcionam? Eis a resposta bíblica: eles são pecadores, naturalmente inclinados ao mal. Um sistema de governo que não considere essa verdade revelada (e provada no dia-a-dia), buscando continuamente fazer surgir a bondade interior do povo por meio de privilégios de todo tipo, como se a gratidão pudesse ser acionada automaticamente, está fadado ao esgotamento. Não existe a associação – tão cantada entre os poetas românticos do século XIX – entre pobreza e bondade. Dentre os imigrantes pobres que recebem assistência especial do governo sueco, alguns serão gratos e procurarão andar com as próprias pernas depois de algum tempo; mas outros, muitos outros, serão cruéis, nunca dispostos a ganhar o pão com o suor do rosto, mas, humilhados, sempre prontos a morder a mão que os ajuda. São esses que contribuindo para a destruição do país, de dois jeitos: inércia e, agora, fogo. Inutilizam a própria vida e a dos outros. O sistema não funciona, e mais: produz espertalhões, como aquela mulher que queria o Bolsa Família para dar à filha uma calça de trezentos reais.

Volto à frase do apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 3.10: “Quem não quer trabalhar, que também não coma.” A aplicação da Bíblia ultrapassa nosso egoísmo comezinho: o amor de Deus não se deixa confundir com sentimentalismos destrutivos. O princípio enunciado por Paulo não se esgota no indivíduo que queria viver às custas da igreja congregada dos primeiros séculos da era cristã, mas tem profundidade e amplitude na sociologia, na psicologia, na política. Quem deseja se empenhar na formação da cosmovisão cristã falhará estrondosamente se continuar lendo a Palavra e mirando somente seu próprio umbigo – ou o umbigo dos pobres idealizados pela cultura socialista.

21 maio 2013

O patético resultado do assistencialismo

Tenho alguns textos para postar, mas estou chocada com esse vídeo desde o primeiro momento em que o vi. Esse é o patético resultado do assistencialismo: as pessoas passam de fato a crer que o dinheiro que recebem do governo é um direito, assim como os filhos acham natural (e realmente é) que os pais os sustentem até certa idade. São adultos infantilizados e sem limites que obtiveram o status mitificado, heroico, sublime de "pobre" (o "pobre" dos românticos socialistas, não o pobre real) e querem que a sociedade pague caro por esse status, que ostentam quando convém (e escondem quando não convém).

Continue assim, Governo Brasileiro, solapando com suas decisões toda noção de responsabilidade individual e incentivando os imaturos e folgados deste país. É assim que o Brasil vai pra frente!

P.S.1 Leitor(a), aproveite e dê uma olhada nesse artigo oportuno do economista Rodrigo Constantino, que compara a postura da brasileira com outra, bem diferente, de um jovem de Portugal, e também nesse outro de Reinaldo Azevedo sobre os "excluídos não tão excluídos" que recebem o Bolsa Família.

P.S.2 Para quem está chocado com esta postagem, vale aqui a advertência do apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 3.10: "quem não quer trabalhar, que também não coma". Há quem cite a igreja primitiva como um exemplo de comunismo, infelizmente. Mas quem lê a Bíblia toda sabe que ali, entre os primeiros cristãos que se inspirassem em Paulo, o folgado irresponsável não tinha vez. Nada de se aproveitar do amor dos irmãos para parasitagem, nada de deixar de trabalhar para viver do governo! Essa é a ética bíblica aplicada ao mundo atual: é nossa responsabilidade divulgá-la e vivê-la!

16 maio 2013

A mesma face

Quando pequena, eu costumava me inquietar com a opinião de Deus sobre mim. Estaria Ele feliz comigo? Será que me amava ou me odiava? Aprovava minhas escolhas?

Já convertida, entendi que eu era rebelde e que somente Cristo podia transformar essa condição. Sabia, agora, que estávamos reconciliados, eu e Deus. Mas o questionamento, adaptado, prosseguiu. Estava claro que Ele me amava em Cristo, mas será que aprovava minhas escolhas?

Quando consigo enxergar melhor, desdobrada do anseio pelo amor total e sem máculas entre mim e Deus, percebo que a face do Deus irado contra meus pecados (que ainda existem) e a face do Deus feliz comigo (por causa de Cristo) são a mesma e única Face. O "já/ainda não" da Bíblia se manifesta também na relação que Ele estabelece conosco, de modo que não nos livramos da incômoda sensação de que Ele se ira contra nós - felizmente, pois é essa sensação que nos impulsiona na luta com o pecado.

Mas essa ira é acomodada no sacrifício de Cristo, e, contida, em vez de nos destruir, é como um sussurro doce em nossos ouvidos, um sussurro que diz "continue, continue". Senhor, caso seja necessário, dá-me uma resposta emocional mais adequada aos teus sussurros.

25 março 2013

Pela liberdade de brasileiros inocentes

A ONG Rio de Paz está promovendo um abaixo-assinado em favor da libertação de um casal de missionários presos injustamente no Senegal. Vamos participar?

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Eu não os conheci, mas eles são da Igreja Presbiteriana Betânia, em Niterói, onde fui batizada.