24 outubro 2013

Audácia da Pilombeta!

Por muito tempo, resisti à leitura que André me indicava: Ira, arrancando o mal pela raiz, de Robert D. Jones. Quando enfim cedi - pois é, no fundo eu não queria tratar da minha ira -, fiquei maravilhada, tanto com a definição (resposta ativa, pessoal e integral contra uma injustiça percebida) quanto com a distinção fundamental que nos ajuda a qualificá-la de pecaminosa ou justa. Na verdade, são três critérios que caracterizam a ira justa (p. 35-6):

1- Ela reage contra pecados reais
2- Ela focaliza Deus e seus interesses (e não os nossos)
3- Ela coexiste com outras qualidades piedosas e se expressa de maneira piedosa

O primeiro critério me pareceu evidente, mas foi humilhante perceber que mesmo essa evidência nunca bastou para que eu deixasse de me irar contra pecados inventados. (Pergunta para depois: será que as mulheres são mais propensas a inventar males que os homens?) Já o 2 e o 3 foram de fato revolucionários para mim, pois eu tendia a considerar a maior parte de minha ira como justa, e essas observações inverteram radicalmente a proporção. A partir disso, passei a incorporá-las no meu pensamento frequente sobre a ira - o que aliás provocou grande tristeza no início, pois me vi quase sempre pecaminosamente irada. Foi quando comecei a usar a expressão "audácia da Pilombeta".




Quem via Os Trapalhões quando criança deve se lembrar. Quando alguém avançava furioso contra Didi Mocó (personagem do Renato Aragão), ele colocava as mãos na cintura e exclamava com a voz fina: "Audácia da Pilombeta!" Era muito comum que o ator que contracenava com ele não conseguisse segurar o riso!

Então, agora eu também chamo a ira pecaminosa de "audácia da Pilombeta". Quando você se sente pessoalmente atingido por algo - como se o pecado do outro dissesse respeito a você, sentado todo pomposo na sala do trono, e não Deus - e reage daquela forma ridícula com que todos reagimos, vociferante e nada piedosa, pense no Didi respondendo: "Audácia da Pilombeta!" Acho que isso deve ajudar a colocar as coisas em perspectiva. :-)

5 comentários:

Leonardo Bruno Galdino disse...

Norma,

neste post como no de ontem, uma palavra: muito obrigado! Se tem uma coisa contra a qual eu tenho lutado diariamente (perdendo muitas batalhas, reconheço) é a ira. Os pontos levantados por Jones aí foram na mosca! Já me interessei pelo livro, e vou ver se compro. Aliás, em matéria de aconselhamento a editora Nutra tem abençoado demais a igreja brasileira. Só publicações feras!

Forte abraço, e escreva mais sobre isso.

Enézio E. de Almeida Filho disse...

Filipenses 2.5-10

Simone disse...

Realmente, quando o pecado do outro nos atinge diretamente, é muito difícil não se irar com sentimento de revide. Porém, independentemente o que tenha sido o tal pecado, é muito importante ter em mente que Deus é justo e a Ele pertence à vingança. Sim, pois Ele mesmo diz nas Escrituras: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (segundo o que acabamos de aprender com a Norma), porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor”. (Romanos 12:19 ).

O capítulo 12 da carta aos romanos já começa exortando-nos a oferecer a Deus o nosso culto racional. Porém, isso só é possível se observarmos todas as demais recomendações do apóstolo: verificar que cada um de nós, em processo de santificação, somos membros do mesmo Corpo, Cristo; a amar sem fingimento; que não sejamos sábios em nós mesmo (lindo!); se possível, ter paz com todos os homens (cristãos ao não!); e por fim, que não nos deixemos vencer do mal, mas que vençamos o mal com o bem. (Romanos 12:21).

Formidável, Norma, não li Roberto D. Jones ainda, mas já estou animada com esta próxima aquisição.

O interessante é que tenho meditado muito neste tema.
Amei seu post! Obrigada pela maravilhosíssima contribuição, querida Norma! Bjs, saudades!

Mauricio Abreu de Carvalho disse...

Sem querer ser inconveniente e já confessando minha total ignorância sobre o significado da expressão, o correto seria "filombeta".

Norma disse...

Discordo, Mauricio! :-) olha o que achei na internet:

"O termo "Audácia da Filombeta"® foi criado por Maurício de Sousa, inspirado na expressão "audácia da pilombeta", muitas vezes proferida por Didi Mocó (personagem de Renato Aragão), no finado programa humorístico "Os Trapalhões", de 1966. Era usado quando Didi queria tirar onda com alguém."

A do Didi era Pilombeta mesmo. ;-)