19 novembro 2013

Apostasia

Texto iniciado com a leitura de Van Til e terminado com a leitura de Dooyeweerd

Ao perder a paz e a segurança que tinha com Deus no Éden (Gn 3), o ser humano se viu diante da necessidade de buscá-las em outros locais. Em um primeiro momento, cheio de medo e mais ciente daquilo que não podia controlar, o homem primitivo deificou as forças da natureza, buscando dominá-las misticamente, com rituais e sacrifícios. Em seguida, ao perceber que, com sua razão, conseguia gradativamente impor-se ao que lhe parecia antes um mundo caótico, sua confiança voltou-se de fora para dentro, para a própria mente, capaz de modificar a realidade visível, exterior e interior. A primeira tendência é o paganismo, a segunda, o racionalismo. Sem Deus no horizonte, foi o que restou ao homem: lidar com as pulsões exteriores e interiores; deificando-as, tratou então de buscar controlar essas forças em uma relação idólatra, pois a natureza e a razão passam a ocupar o lugar de Deus. Paganismo e racionalismo são aspectos da mesma reação: apostar e confiar na aptidão humana de controlar o mundo exterior e o mundo interior para viver bem, mesmo fora da relação com Deus. E talvez sejam o emblema das únicas tendências apóstatas possíveis - isto saberei (espero!) à medida que avançar em minhas leituras.

4 comentários:

Príncipe disse...

Magnífico!

Fernando Pasquini disse...

Interessantíssimo, Norma! Por duas razões:
1) Não é isso que o positivismo constatou? Várias "fases" no desenvolvimento da humanidade, a primeira pagã, a segunda, racionalista...
2) O homem moderno define "religião" de duas formas: a) um conjunto de regras de moral, e b) algo para se atribuir aquilo que não se entende. A primeira definição segue no rumo da objetividade e do racionalismo, a segunda, da subjetividade e paganismo. Mas o que se tira das duas definições é o enfoque no "eu autônomo": na *minha* ação, e na *minha* reflexão.

Continue explorando!

Rauni disse...

Um assunto puxa outro...
Hoje em dia há uma ênfase muito grande em olhar para dentro de si mesmo. Porém, uma coisa que me trouxe muito consolo foi a doutrina da justificação. Pois na justificação sou estimulado a olhar não para dentro de mim, mas para fora de mim, isto é, para a Cruz de Cristo e sua justiça perfeita que me são dados de graça quando creio.
E como o Jonas Madureira falou na Conferência Fiel sobre a Alegoria da Caverna de Platão, não somos nós que saímos com nossas próprias forças(racionalismo, auto-conhecimento)da caverna, somente Cristo, o Leão da Tribo de Judá, pode nos libertar da "Caverna" e nos tornar verdadeiramente livres.

Diogo disse...

Bem legal, norma. =)