14 novembro 2013

A antítese no coração (2)

Em Roots of Western Culture [Raízes da cultura ocidental], Herman Dooyeweerd declara a necessidade de uma consciência aguçada da antítese.

Avalie os custos devidos à seriedade com que se deve levar o cristianismo radicalmente [no sentido de "raiz"] escriturístico. Questione-se sobre que lado você deve assumir nessa tensa batalha espiritual de nossos dias. Um "acordo de cavalheiros" não é uma opção válida. Ficar "em cima do muro" não é possível. Ou o motivo básico da religião cristã [criação-queda-redenção] trabalha em nossas vidas, ou servimos a outros deuses. Se a antítese lhe parece radical demais, reflita se um cristianismo menos radical não seria como o sal que perdeu o sabor. Eu afirmo a antítese de um modo tão radical para que experimentemos de novo o poder e os afiados dois gumes da Palavra de Deus. Você deve experimentar a antítese como uma tempestade espiritual que se abate sobre você, iluminando tudo, e em seguida purifica o ar abafado. Se você não experimenta esse fato como um poder espiritual que requer o render-se de todo o seu coração, não haverá frutos na sua vida. E então você ficará à parte de toda a grande batalha que a antítese sempre instiga. Por si só, você não pode empreender essa batalha, mas sim a dinâmica espiritual da Palavra de Deus, que se lança à batalha em nós, e nos impele, embora sejamos "carne e sangue".

Que Deus nos ajude a viver essa consciência, porque muitas vezes preferimos estar "em paz" (paz forjada) com nosso pecado e com o mal no mundo. Ou então, tomamos armas carnais para lidar com ambos. Que, sobretudo, possamos depor as armas carnais e assumir armas verdadeiramente espirituais - algo que só é possível quando nosso coração é depositado todos os dias aos pés de Cristo.

5 comentários:

Simone disse...

Faça isso em minha vida, Senhor! O meu "eu" está desesperado por isso - Redenção total a Ti. Viver sem máscaras, nem fingimentos. Sim, aí sim, serei capaz de ser um instrumento de paz para Ti e ao meu redor.

Rauni disse...

Norma,

Vc poderia exemplificar "armas carnais"??

Obrigado

Norma disse...

É isso, Simone!

Rauni, você pode meditar nesses trechos bíblicos:

2 Coríntios 10:3-5: "Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo…"

Efésios 6:10-18: "… a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis."

Junto também a esse texto:

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade (amor), gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” Gl 5.19-23

Por exemplo, responder a um acusador ou mentiroso com ira pecaminosa (que nos faz "matar" o outro em nosso coração) é usar uma arma carnal.

Se ainda houver dúvidas específicas, escreva novamente, ok? Abraço!

Rauni disse...

Mais uma vez obrigado

Geison Lucio dos Santos disse...

Há poucos dias, ouvi uma pregação de um pastor da igreja O Brasil para Cristo (pr. Paulo Lutero de Melo) na qual ele parabenizava, por exemplo, testemunhas de jeová que permitem que seus filhos morram mas não se submetem a transfusões de sangue, afirmando que há religiosos mais firmes em suas convicções e com atos mais coerentes com elas do que a maioria dos cristãos, que, sob a justificativa de estarem contextualizados, ou de não serem chatos, acabam por fazer concessões e incorrer em contradições. Falta-nos a radicalidade tratada no texto. Falta-nos a disposição ao isolamento e à rejeição, caso seja esse o preço a ser pago por um comprometimento. Que a graça de Deus quebre as barreiras em nós e nos livre de temores e do anseio de sermos "bacanas".