Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
08 março 2013
28 fevereiro 2013
Pausa para cuidar da saúde
Amigos leitores,
Agradeço infinitamente aos que têm orado por mim e torcido para que eu me recupere da enxaqueca persistente. É especialmente para vocês que eu escrevo aqui. Há alguns dias, descobri que tenho Síndrome de Hashimoto, uma doença autoimune que ataca as células da tireóide e provoca cansaço, lentidão, dor de cabeça e dor muscular, pele seca, queda de cabelo. Tenho todos esses sintomas. Não há nódulos, mas a glândula já demonstra inchaço (ao ponto de um ligeiro bócio difuso, perceptível ao especialista) e desgaste. Já estou tomando a medicação correta e comecei uma dieta bastante rígida, com nutricionista, para ajudar a reequilibrar hormonalmente meu organismo. Não me foi dada nenhuma promessa de prazo quanto à melhora da dor de cabeça especificamente, mas estou confiante de que não deve demorar. Por enquanto, estou em uma fase ruim, com crises todos os dias e graus variáveis de dor. Por isso, o blog vai ficar em banho-maria até que eu comece a demonstrar uma reversão significativa de todos os sintomas de Hashimoto. Por isso também, junto com meu marido, tomei a decisão de recusar convites para palestras e viagens até pelo menos o meio do ano, pois estou recuperando as forças e privilegiando meu tratamento. Isso inclui a viagem para São Luís, anunciada na postagem anterior, pois não estou em condições agora.
Continuo pedindo suas orações! Estamos no caminho certo, graças a Deus.
Muito obrigada,
Norma
Agradeço infinitamente aos que têm orado por mim e torcido para que eu me recupere da enxaqueca persistente. É especialmente para vocês que eu escrevo aqui. Há alguns dias, descobri que tenho Síndrome de Hashimoto, uma doença autoimune que ataca as células da tireóide e provoca cansaço, lentidão, dor de cabeça e dor muscular, pele seca, queda de cabelo. Tenho todos esses sintomas. Não há nódulos, mas a glândula já demonstra inchaço (ao ponto de um ligeiro bócio difuso, perceptível ao especialista) e desgaste. Já estou tomando a medicação correta e comecei uma dieta bastante rígida, com nutricionista, para ajudar a reequilibrar hormonalmente meu organismo. Não me foi dada nenhuma promessa de prazo quanto à melhora da dor de cabeça especificamente, mas estou confiante de que não deve demorar. Por enquanto, estou em uma fase ruim, com crises todos os dias e graus variáveis de dor. Por isso, o blog vai ficar em banho-maria até que eu comece a demonstrar uma reversão significativa de todos os sintomas de Hashimoto. Por isso também, junto com meu marido, tomei a decisão de recusar convites para palestras e viagens até pelo menos o meio do ano, pois estou recuperando as forças e privilegiando meu tratamento. Isso inclui a viagem para São Luís, anunciada na postagem anterior, pois não estou em condições agora.
Continuo pedindo suas orações! Estamos no caminho certo, graças a Deus.
Muito obrigada,
Norma
15 fevereiro 2013
08 fevereiro 2013
VINACC 2013
E não vos conformeis com este mundo - esse é o lema da Visão Nacional para a Consciência Cristã deste ano, parte de um dos versículos que mais amo na Bíblia (Rm 12.2) e que está presente na abertura de meu blog, aí do seu lado direito. E, é claro, estarei lá, participando do I Seminário sobre Literatura, Bíblia e Cristianismo e do I Enblogue (Encontro de Blogueiros Evangélicos). Minha programação total pode ser acessada aqui, bem como a de todos os palestrantes.
Para não romper as atualizações do blog, deixei programada uma postagem para segunda-feira sobre Romanos 12.1 e 2, versículos que certamente serão lembrados muitas vezes ao longo do evento! Esse texto que postarei é um pequeno trecho de meu capítulo do livro a ser lançado no sábado durante o Enblogue, com a participação de vários blogueiros cristãos. Com o livro em mãos, contarei mais novidades!
Que este Carnaval seja ocasião para crescimento diante do Senhor para você! A maior folia estará no céu, e já experimentamos um pouquinho dele aqui. :-) Que Deus o abençoe!
Para não romper as atualizações do blog, deixei programada uma postagem para segunda-feira sobre Romanos 12.1 e 2, versículos que certamente serão lembrados muitas vezes ao longo do evento! Esse texto que postarei é um pequeno trecho de meu capítulo do livro a ser lançado no sábado durante o Enblogue, com a participação de vários blogueiros cristãos. Com o livro em mãos, contarei mais novidades!
Que este Carnaval seja ocasião para crescimento diante do Senhor para você! A maior folia estará no céu, e já experimentamos um pouquinho dele aqui. :-) Que Deus o abençoe!
04 fevereiro 2013
Anteparo contra a verdade
Todo comportamento está escorado por um conjunto de crenças; todo modo
de agir se reporta a uma cosmovisão específica, seja declarada, seja
inconsciente. E as cosmovisões não surgem no vácuo, mas são parte do
tecido de ideias que sustenta determinada sociedade. Ninguém é um núcleo
absolutamente original e imprevisível de pensamentos; sempre
reproduzimos em alguma medida as ênfases de nosso tempo. Essas
percepções me parecem estar desaparecendo das mentes contemporâneas, à
medida que a descontinuidade ganha terreno sobre a continuidade e
oferece a sensação de que é impossível um desenho nítido do que vivemos.
Assim, um dos maiores problemas de nossa época é que as pessoas se acostumaram a um afrouxar de laços entre o crer e o agir. Não sabem mais no que creem e por quê, e não sabem o que as motiva em suas decisões práticas. A proliferação de analistas parece ter coincidido com o abandono de um autoexame informado culturalmente: buscam soluções tão individualizadas, tão personalistas, que perdem de vista o todo que poderia fornecer-lhes explicações para esse estado de divisão interior. Embriagadas da ilusão romântica (Girard), esquecem-se de que são seres de imitação.
Um dado que me parece óbvio nesse quadro é que as crenças partilhadas, hoje, são de fato desconectadas da realidade, tão incapazes de escorar ações efetivas no mundo que passam a compor apenas uma atmosfera indiscernível, uma bruma difusa, que só obscurece o caminho em vez de apontar direção. Acreditar que a moralidade é relativa mas continuar vivendo de modo compatível com a existência do bem e do mal (porque não se pode viver de outro modo, a não ser como sociopata) é um dos exemplos mais recorrentes dessa dissociação. A frequência com que o discurso nega a vida é tão grande que o pensar não só deixa de acompanhar a experiência, mas a atomiza ainda mais.
E há outro exemplo que nos diz respeito diretamente. Você fala a alguém de sua fé em Cristo e narra algum fato miraculoso ou extraordinário relacionado a sua fé, e imediatamente seu interlocutor proclama com seus botões, ou até em alta voz, que você só pode ter um parafuso a menos. Porém, ao mesmo tempo, nada em seu comportamento ou suas atitudes mudarão em relação a você. Em 99% das vezes, você continuará sendo, aos olhos dele, uma pessoa amiga e confiável. A presumida "loucura" que ele lhe imputa, nesse caso, é operacional e só funciona para que se mantenha a salvo da ameaça da crença.
Eis a marca de nossos dias: antes, as cosmovisões davam identidade, ainda que uma identidade idólatra e inconsistente; hoje, foi dado um passo para trás: o relativismo engole toda possibilidade de um posicionamento público que esteja de acordo com a cosmovisão, persistindo, como forte anteparo, contra qualquer tentativa de organizar mentalmente o real. Lamentamos essa situação, mas ao mesmo tempo podemos nos indagar se um mecanismo que se afigura claramente como proteção contra a verdade não seria mais fácil de desmascarar, já que resulta (ou deveria resultar) em maior desconforto existencial. Por outro lado, assusta que nossos contemporâneos se mostrem tão voluntários em preferir a ilusão e permanecer nela, ainda que em tudo se assemelhe de fato ao que é: uma ilusão.
Só Deus poderá nos comunicar com eficácia as reações adequadas aos desafios que a igreja está prestes a enfrentar nesse novo século. Estejamos atentos.
Assim, um dos maiores problemas de nossa época é que as pessoas se acostumaram a um afrouxar de laços entre o crer e o agir. Não sabem mais no que creem e por quê, e não sabem o que as motiva em suas decisões práticas. A proliferação de analistas parece ter coincidido com o abandono de um autoexame informado culturalmente: buscam soluções tão individualizadas, tão personalistas, que perdem de vista o todo que poderia fornecer-lhes explicações para esse estado de divisão interior. Embriagadas da ilusão romântica (Girard), esquecem-se de que são seres de imitação.
Um dado que me parece óbvio nesse quadro é que as crenças partilhadas, hoje, são de fato desconectadas da realidade, tão incapazes de escorar ações efetivas no mundo que passam a compor apenas uma atmosfera indiscernível, uma bruma difusa, que só obscurece o caminho em vez de apontar direção. Acreditar que a moralidade é relativa mas continuar vivendo de modo compatível com a existência do bem e do mal (porque não se pode viver de outro modo, a não ser como sociopata) é um dos exemplos mais recorrentes dessa dissociação. A frequência com que o discurso nega a vida é tão grande que o pensar não só deixa de acompanhar a experiência, mas a atomiza ainda mais.
E há outro exemplo que nos diz respeito diretamente. Você fala a alguém de sua fé em Cristo e narra algum fato miraculoso ou extraordinário relacionado a sua fé, e imediatamente seu interlocutor proclama com seus botões, ou até em alta voz, que você só pode ter um parafuso a menos. Porém, ao mesmo tempo, nada em seu comportamento ou suas atitudes mudarão em relação a você. Em 99% das vezes, você continuará sendo, aos olhos dele, uma pessoa amiga e confiável. A presumida "loucura" que ele lhe imputa, nesse caso, é operacional e só funciona para que se mantenha a salvo da ameaça da crença.
Eis a marca de nossos dias: antes, as cosmovisões davam identidade, ainda que uma identidade idólatra e inconsistente; hoje, foi dado um passo para trás: o relativismo engole toda possibilidade de um posicionamento público que esteja de acordo com a cosmovisão, persistindo, como forte anteparo, contra qualquer tentativa de organizar mentalmente o real. Lamentamos essa situação, mas ao mesmo tempo podemos nos indagar se um mecanismo que se afigura claramente como proteção contra a verdade não seria mais fácil de desmascarar, já que resulta (ou deveria resultar) em maior desconforto existencial. Por outro lado, assusta que nossos contemporâneos se mostrem tão voluntários em preferir a ilusão e permanecer nela, ainda que em tudo se assemelhe de fato ao que é: uma ilusão.
Só Deus poderá nos comunicar com eficácia as reações adequadas aos desafios que a igreja está prestes a enfrentar nesse novo século. Estejamos atentos.
28 janeiro 2013
Enquanto não venho
Estou com crises diárias de enxaqueca há alguns dias, o que me impediu de escrever a postagem desta semana. Peço suas orações e, enquanto não venho, para não romper com a atualização semanal do blog, deixo com vocês o artigo de Solano Portela sobre a tragédia de Santa Maria, postado hoje, que espelha exatamente o que penso sobre o assunto. Boa leitura!
21 janeiro 2013
Quero trazer à memória
Há muito do velho paganismo em nós. Mesmo o mais racionalista dos seres pode manifestar uma ponta de irracionalismo quando, por exemplo, adia ad infinitum a visita ao dentista esperando inconfessadamente que o problema se resolva por si.
Mas, ao contrário do racionalista que às vezes se comporta de modo irracional, tenho uma personalidade naturalmente inclinada para o irracionalismo. Foi o que me levou a buscar Deus nos meios esotéricos, por exemplo, antes de me converter. Uma das manifestações mais dolorosas dessa inclinação é a presença de medos obscuros e inconfessáveis cuja irrealidade só é percebida com muito custo.
Cito alguns. Um pavor antigo, desde criança, era a possibilidade de ficar louca do nada, ou de bater a cabeça no chão em algum acidente e perder as faculdades mentais mais básicas. Derivava de uma pregação comum no esoterismo: a mente podia transformar os pensamentos em realidade. Uma vez convencido disso, tente dormir à noite enquanto seu cérebro fabrica os acontecimentos mais indesejados de sua vida.
Boa parte disso foi debelada com o trabalho do Espírito Santo em mim. Com poucos anos de conversão, pude identificar de imediato um inacreditável twist argumentativo em uma irmã que citou Jó para confirmar o ensinamento esotérico: “Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece” (Jó 3.25) – um desabafo evidentemente descritivo. Se Deus não tivesse me transformado, sabe-se lá que tipo de síntese mística eu teria feito com o cristianismo.
Deus continua debelando em mim os medos mais tenazes. O processo de cura, como descobri, é exemplificado em Lamentações 3: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). Assim como o versículo de Jó, essa frase tem sido retirada de seu contexto para justificar uma esperança mundana, baseada na lembrança de “tempos melhores”. Mas relembrar o passado feliz em um contexto infeliz, além de nada garantir para o futuro, é uma verdadeira tortura autoinfligida. E pior: às vezes não há o que lembrar. Uma infância infeliz, uma cadeia de insucessos amorosos, o cotidiano de pobreza que atravessa gerações... Nesses casos, como o versículo se aplicaria? Percebe-se então que a ênfase do texto não pode estar nos fatos da vida. Mas onde estará?
Vejamos. Jeremias relembra o passado, mas um passado nada glorioso: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus” (Lm 3.1), resume ele seus infortúnios. Todo o livro é uma grande lista de infortúnios, resultantes dos contínuos pecados do povo de Israel. Até que o versículo 21 do capítulo 3 inaugura a mudança de foco:
Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a a cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.Onde Jeremias foi buscar esperança? Nenhum acontecimento pessoal é evocado, mas sim essa característica divina: o Deus de Israel é misericordioso. Caso haja arrependimento, Sua ira não dura para sempre. Jeremias sabia disso a partir do registro de tudo o que havia sido feito a seu povo até então. Hoje, também sabemos disso, primordialmente, pelo registro bíblico de tudo o que Deus fez nas vidas de Abraão, Moisés, Josué, Isaías, Paulo e de todos aqueles que, tendo sido alvo da grande misericórdia do Senhor, andaram com Ele. Assim como somos “enxertados” na família da fé (Rm 11), também ocorre conosco essa apropriação da vivência de outros: todo novo cristão, inicialmente sem referenciais para pensar e enxergar Deus, apropria-se das maravilhas do passado e as integra a seu horizonte. Quando não há lembrança pessoal dos feitos de Deus, a fé inaugura o processo e a Palavra entra como experiência adquirida.
Nova convertida, eu não tinha acesso à experiência direta com a cura divina de meus temores. Foi trazendo à memória o caráter de Deus, com o poder do Espírito Santo, que meu coração foi orientado para a segurança da onipotência do Pai sempre que pseudoverdades, tais como a do pensamento mágico e do poder da mente, ameaçavam me submergir. Em um processo longo, que durou anos (e ainda continua em alguma medida), grandes medos foram vencidos com a lembrança – em meio a grande choro e oração – de que toda a realidade está nas mãos dele. Diante de pecados recém-descobertos, é a partir da experiência adquirida biblicamente que precisamos clamar: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Não algum ponto de nosso passado, que no caso sequer existe, mas o foco no contínuo educar da mente para pensar toda a realidade – inclusive a realidade mais apavorante dos medos obscuros – segundo os conteúdos expressos em Sua Palavra: o que pode – é capaz – de nos dar esperança é o maravilhoso caráter de nosso Deus, atestado nos relatos de nossa fé e posteriormente, se o provamos (Sl 34.8), na nossa vida.
Racionalista ou irracionalista, sejam quais forem os males que o assediam, você deve se apropriar conscientemente dessa Palavra que agora, por causa do nosso enxerto na família de Deus, pertence-nos por completo, como parte da própria seiva que nos alimenta como galhos enxertados. Se não o fizer, sua esperança será puro saudosismo, sem apoio consistente algum.
Oro para que você faça isso, aplicando-a contra todos os seus pecados e em todas as suas aflições.
14 janeiro 2013
Resultado do Concurso Apologético!
Eis o resultado, enfim! Pedi a meu marido que me ajudasse na escolha. Selecionei as seis melhores e lhe mostrei, sem os devidos autores, para que ele não fosse influenciado por algum nome conhecido. Fiquei feliz ao ver que, das seis, a escolha dele foi a mesma que a minha.
Repito e expando aqui os critérios para a escolha, sobretudo por um propósito didático: quem sabe um dia você não será convidado para falar na televisão?
- Brevidade. Todos nós sabemos o quanto o Jô gosta de interromper os entrevistados e fazer piada. Aproveitar a "deixa" teológica da pergunta dele e falar o mínimo possível era fundamental. Li as melhores respostas em voz alta e percebi que alguns textos bons e coerentes não funcionariam ao vivo, na língua oral, por serem extensos demais.
- Linguagem acessível. Crente não resiste a um "teologuês". Precisamos tomar cuidado com isso: diante de uma plateia não-evangélica, o uso do nosso "jargão" só contribui para afastar o público do interlocutor.
- Foco na teologia. As perguntas do Jô foram eminentemente teológicas. Era o momento para colocar a preocupação com a alma dele (e dos espectadores) em primeiro lugar, deixando de lado as questões sobre a política, a liberdade de expressão religiosa ou as explicações científicas para o comportamento homossexual, por exemplo.
- Conteúdo essencial. Como as perguntas do Jô versavam sobre o que é o pecado, era necessário que a resposta mostrasse o esquema essencial do Evangelho (criação, queda e redenção) por dois motivos: mostrar que o pecado original se deu depois que Deus disse que "tudo era bom" (a criação) e apresentar a redenção como o único antídoto possível para o pecado.
Por isso, anuncio aqui que a resposta breve, acessível, isenta de digressões e fiel ao essencial do Evangelho (criação, queda e redenção) foi a do...
Thiago McHertt!
Parabéns, Thiago! Por favor, poste um comentário com seu endereço para envio do livro (não o publicarei).
Quero agradecer muito a todos os participantes! Foi uma honra receber tantas entradas em apenas uma semana. Também foi gratificante ler respostas que manifestaram a criatividade de alguns (Roberto Vargas Jr., Yago Martins, Hugo, Jônatas, Antônio Brito), a firmeza de outros (João, Luiz Renato, Cristiano), o carinho de outros (Pr. Samuel, Pr. Macena, Ivonete). Nenhuma resposta foi rejeitada para publicação.
Daqui a algum tempo, aparecerei com um novo Concurso Apologético. Não percam!
Republico aqui a resposta do Thiago:
Update importante: Um dos pontos mais fortes da resposta do Thiago ao Jô foi o fato de implicá-lo diretamente ("Deus ordena a você"), e isso é bacana porque gera uma reação pessoal. Creio que a apologética jamais deve esquecer que lida primariamente com pessoas, não com conceitos, ideias ou argumentos. Essa pessoalidade está presente em obras imprescindíveis dos maiores apologistas com quem podemos contar: Francis Schaeffer, C. S. Lewis, Cornelius Van Til e muitos outros.
Repito e expando aqui os critérios para a escolha, sobretudo por um propósito didático: quem sabe um dia você não será convidado para falar na televisão?
- Brevidade. Todos nós sabemos o quanto o Jô gosta de interromper os entrevistados e fazer piada. Aproveitar a "deixa" teológica da pergunta dele e falar o mínimo possível era fundamental. Li as melhores respostas em voz alta e percebi que alguns textos bons e coerentes não funcionariam ao vivo, na língua oral, por serem extensos demais.
- Linguagem acessível. Crente não resiste a um "teologuês". Precisamos tomar cuidado com isso: diante de uma plateia não-evangélica, o uso do nosso "jargão" só contribui para afastar o público do interlocutor.
- Foco na teologia. As perguntas do Jô foram eminentemente teológicas. Era o momento para colocar a preocupação com a alma dele (e dos espectadores) em primeiro lugar, deixando de lado as questões sobre a política, a liberdade de expressão religiosa ou as explicações científicas para o comportamento homossexual, por exemplo.
- Conteúdo essencial. Como as perguntas do Jô versavam sobre o que é o pecado, era necessário que a resposta mostrasse o esquema essencial do Evangelho (criação, queda e redenção) por dois motivos: mostrar que o pecado original se deu depois que Deus disse que "tudo era bom" (a criação) e apresentar a redenção como o único antídoto possível para o pecado.
Por isso, anuncio aqui que a resposta breve, acessível, isenta de digressões e fiel ao essencial do Evangelho (criação, queda e redenção) foi a do...
Thiago McHertt!
Parabéns, Thiago! Por favor, poste um comentário com seu endereço para envio do livro (não o publicarei).
Quero agradecer muito a todos os participantes! Foi uma honra receber tantas entradas em apenas uma semana. Também foi gratificante ler respostas que manifestaram a criatividade de alguns (Roberto Vargas Jr., Yago Martins, Hugo, Jônatas, Antônio Brito), a firmeza de outros (João, Luiz Renato, Cristiano), o carinho de outros (Pr. Samuel, Pr. Macena, Ivonete). Nenhuma resposta foi rejeitada para publicação.
Daqui a algum tempo, aparecerei com um novo Concurso Apologético. Não percam!
Republico aqui a resposta do Thiago:
Jô, tudo o que Deus faz é bom por definição. Logo, a criação é boa. Mas desobedecemos a Deus, e isso é pecado - e mau. Todos os homens nascem em pecado, ou seja, nascem da natureza caída de Adão. O pecado é o fruto da natureza caída do homem. Nesse sentido, se é verdade que alguém nasce homossexual, isso não o isenta do pecado, mas o confirma. E é nessa condição humana caída e pecaminosa que Deus ordena a mim, a você - Jô -, aos homossexuais e a todos os outros seres humanos "que se arrependam e creiam no evangelho".
Update importante: Um dos pontos mais fortes da resposta do Thiago ao Jô foi o fato de implicá-lo diretamente ("Deus ordena a você"), e isso é bacana porque gera uma reação pessoal. Creio que a apologética jamais deve esquecer que lida primariamente com pessoas, não com conceitos, ideias ou argumentos. Essa pessoalidade está presente em obras imprescindíveis dos maiores apologistas com quem podemos contar: Francis Schaeffer, C. S. Lewis, Cornelius Van Til e muitos outros.
07 janeiro 2013
Concurso: evangelize o Jô e ganhe um livro!
Nesse trecho da conversa, Jô Soares questiona a "veemência" e a "postura quase medieval" da igreja de Crivella em relação ao homossexualismo. O entrevistado tenta permanecer no âmbito político, referindo-se à lei da homofobia e ao direito de expressão, mas Jô insiste no aspecto teológico do tema: "Se o homossexual já nasceu assim, como pode isso ser contra a natureza, se tudo o que Deus fez é bom?"
Agora é com você, leitor! Está lançado o Primeiro Concurso Apologético do blog! Coloque-se no lugar do entrevistado a partir do final do vídeo. Esqueça a política e transforme a entrevista em um encontro apologético. O que você diria ao Jô? Responda nos comentários - mas não esqueça, seja breve, pois você está na televisão! O autor da melhor resposta ganhará um livro meu autografado, A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã. Ou, se já tiver meu livro, ganhará outro, que é surpresa!
Espero suas respostas!
Atualização: Postei nos comentários os critérios para desclassificar uma resposta. Se alguém tiver dúvidas, poste ali e eu responderei. Amigos também podem participar, mas prometo que tentarei ser imparcial na escolha da melhor resposta!
Atualização 2: NÃO DEIXE de ver o vídeo! Em um encontro apologético, você precisa prestar muita atenção ao que a outra pessoa diz para responder com sensibilidade e conhecimento de causa. Não elabore uma resposta somente com base na frase que eu transcrevi acima.
Agora é com você, leitor! Está lançado o Primeiro Concurso Apologético do blog! Coloque-se no lugar do entrevistado a partir do final do vídeo. Esqueça a política e transforme a entrevista em um encontro apologético. O que você diria ao Jô? Responda nos comentários - mas não esqueça, seja breve, pois você está na televisão! O autor da melhor resposta ganhará um livro meu autografado, A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã. Ou, se já tiver meu livro, ganhará outro, que é surpresa!
Espero suas respostas!
Atualização: Postei nos comentários os critérios para desclassificar uma resposta. Se alguém tiver dúvidas, poste ali e eu responderei. Amigos também podem participar, mas prometo que tentarei ser imparcial na escolha da melhor resposta!
Atualização 2: NÃO DEIXE de ver o vídeo! Em um encontro apologético, você precisa prestar muita atenção ao que a outra pessoa diz para responder com sensibilidade e conhecimento de causa. Não elabore uma resposta somente com base na frase que eu transcrevi acima.
31 dezembro 2012
Vantilianas (I)
Junto com um Feliz Ano-Novo, revelo no blog uma das melhores descobertas livrescas de 2012: Cornelius Van Til, responsável não só pelo aprofundamento de algumas de minhas intuições mais caras, mas também, e sobretudo, por respostas preciosas a questões muito antigas e cruciais. "Vantilianas" é o título que inaugura aqui, às portas do novo ano, uma série de pequenos textos
inspirados na leitura deste filósofo reformado. Um 2013 recheado de autores crentes sensacionais para você! E não deixe de ler a recente postagem de meu marido André Venâncio, também bastante vantiliana.
Com Van Til, percebemos o quanto o racionalismo e o irracionalismo, esses dois extremos tão presentes no pensamento de nosso século, são faces da mesma moeda. Quando pensamos ter escapado de uma dogmática crença no poder da razão lógica para formular universais, logo caímos em uma não menos dogmática crença de que a existência de particulares é o único absoluto possível. Em ambas as pontas, ainda ocupamos indevidamente a poltrona de legisladores do que existe. A única solução para esse dilema é transferir para Deus a prerrogativa de criar e prescrever absolutos, permanecendo na posição relativa que é a nossa, mas sempre referente a Ele.
Claro, esse Deus precisa ser o Deus da Bíblia, o único que não participa de nenhum dos extremos, pois é transcendente e imanente ao mesmo tempo: o único que mantém sua onipotência enquanto invade nosso mundo e se torna um de nós, em Cristo, e que, por ser quem é, fornece ao homem um modelo correto para a correlação entre universais e particulares.
Com Van Til, percebemos o quanto o racionalismo e o irracionalismo, esses dois extremos tão presentes no pensamento de nosso século, são faces da mesma moeda. Quando pensamos ter escapado de uma dogmática crença no poder da razão lógica para formular universais, logo caímos em uma não menos dogmática crença de que a existência de particulares é o único absoluto possível. Em ambas as pontas, ainda ocupamos indevidamente a poltrona de legisladores do que existe. A única solução para esse dilema é transferir para Deus a prerrogativa de criar e prescrever absolutos, permanecendo na posição relativa que é a nossa, mas sempre referente a Ele.
Claro, esse Deus precisa ser o Deus da Bíblia, o único que não participa de nenhum dos extremos, pois é transcendente e imanente ao mesmo tempo: o único que mantém sua onipotência enquanto invade nosso mundo e se torna um de nós, em Cristo, e que, por ser quem é, fornece ao homem um modelo correto para a correlação entre universais e particulares.
24 dezembro 2012
É Natal!
Enquanto andou entre nós, Cristo foi um habitante da eternidade que veio ao tempo; através dele e com ele, por sua morte e ressurreição, somos libertos do pecado e seremos, por fim, criaturas do tempo habitando na eternidade. Essa é a extraordinária boa nova que comemoramos a cada ceia, quando nos alimentamos de seu corpo e seu sangue, e que podemos também comemorar no Natal, suposto dia de sua vinda.
Natal de 2011. André e eu ainda sem amigos mais chegados em Fortaleza, sozinhos em casa, encomendamos uma ceia da confeitaria Fiorella (éramos fregueses assíduos do sushi – nem sempre tinha leite em saquinho ou em caixa, mas se podia contar sem falta com um sushi excelente e barato de segunda a sábado). Foi um arranjo simples, com peru fatiado e alguns breguetinhos para enfeitar (cereja, passas, essas coisas), junto com uma bandeja de queijos que durou mais de uma semana (eu ainda não tinha descoberto a intolerância absoluta a lactose). E uma sobremesa sob medida, sem glúten: um pudim de claras. Tudo isso porque minha enxaqueca estava diária (teria sido a reação à lactose?) e não queríamos arriscar o dia de Natal com todas as tarefas da cozinha em minhas mãos. Fiz apenas o arroz. Coloquei um cd do Josué Rodrigues no som e fomos cear quando sentimos fome. Orações de gratidão e letras de hinos antigos emolduraram aquele momento. Preciso fazer um esforço para lembrar os presentes que ganhei, mas até hoje não esvaneceu minha memória emocional da alegria e da paz que preencheram nosso jantar a dois. Que seu 25 de dezembro de 2012 seja assim, leitor, leitora: simples, belo e focado em Jesus.
Quero pedir mais por vocês neste dia. Que Deus, através de seu Espírito, possa convencê-los de uma só vez (conversão) e um pouco a cada dia (santificação) do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), até que, transformados de glória em glória (2 Co 3.18), vocês cheguem à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus (Ef 4.13).Esse é o lindo desejo de nosso Pai para cada um de nós. Feliz Natal!
* * *
Natal de 2011. André e eu ainda sem amigos mais chegados em Fortaleza, sozinhos em casa, encomendamos uma ceia da confeitaria Fiorella (éramos fregueses assíduos do sushi – nem sempre tinha leite em saquinho ou em caixa, mas se podia contar sem falta com um sushi excelente e barato de segunda a sábado). Foi um arranjo simples, com peru fatiado e alguns breguetinhos para enfeitar (cereja, passas, essas coisas), junto com uma bandeja de queijos que durou mais de uma semana (eu ainda não tinha descoberto a intolerância absoluta a lactose). E uma sobremesa sob medida, sem glúten: um pudim de claras. Tudo isso porque minha enxaqueca estava diária (teria sido a reação à lactose?) e não queríamos arriscar o dia de Natal com todas as tarefas da cozinha em minhas mãos. Fiz apenas o arroz. Coloquei um cd do Josué Rodrigues no som e fomos cear quando sentimos fome. Orações de gratidão e letras de hinos antigos emolduraram aquele momento. Preciso fazer um esforço para lembrar os presentes que ganhei, mas até hoje não esvaneceu minha memória emocional da alegria e da paz que preencheram nosso jantar a dois. Que seu 25 de dezembro de 2012 seja assim, leitor, leitora: simples, belo e focado em Jesus.
* * *
Quero pedir mais por vocês neste dia. Que Deus, através de seu Espírito, possa convencê-los de uma só vez (conversão) e um pouco a cada dia (santificação) do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), até que, transformados de glória em glória (2 Co 3.18), vocês cheguem à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus (Ef 4.13).Esse é o lindo desejo de nosso Pai para cada um de nós. Feliz Natal!
17 dezembro 2012
Revolucionários e conservadores
"Precisamos viver uma vida mais revolucionária que a dos revolucionários." Irmão André
Vamos pensar nesses termos em seu sentido mais básico e universal. O que são as tradições em si? Apenas o saber humano acumulado ao longo do tempo e cristalizado em linguagens, costumes, valores morais, comportamentos, leis. Nada são, se Deus não as sanciona, ou seja, se não procedem da sabedoria divina. E o que são as revoluções? Apenas as mudanças radicais e corajosas.
Nessa apreciação mais ampla da palavra, Jesus foi, sim, um grande revolucionário em sua época. Ele desafiou e aboliu as tradições vazias do judaísmo que vigorava então, oferecendo a quem desejasse um relacionamento profundo e verdadeiro com Ele, a fonte de vida. Da mesma forma, podemos dizer que nossa fé é revolucionária: enquanto todas as demais religiões enaltecem o mérito humano, pois procedem do coração enganoso, viver na graça de Deus será sempre novidade de vida enquanto estivermos neste mundo. Por outro lado, Jesus deixou muito claro que não vinha para abolir a Lei judaica, mas para a cumprir. Reportava-se sempre ao Antigo Testamento como fonte de verdade, assim como fazemos hoje em relação à Bíblia inteira. Ele não jogou tudo fora, muito pelo contrário: seus embates com os fariseus objetivavam restabelecer o espírito original e legítimo da Lei. Assim, Jesus também foi um conservador, afirmando o sentido correto de uma tradição que não vinha de mãos humanas, mas havia sido entregue aos homens pelo próprio Deus.
A questão central, como o leitor já deve ter percebido, não é a postura conservadora ou a postura revolucionária em si, mas a boa triagem do que se deve conservar e do que se deve abolir - um equilíbrio que deve ser mantido tanto no nível individual quanto no da sociedade, já que tal equilíbrio é responsável pelo progresso. Não se consegue muito na vida apegando-se demais ao passado, sem critério algum; muito menos projetando tudo para o futuro, sem o devido apreço por aquilo que funciona adequadamente há gerações.
Tendo dito isso, passo a considerar o sentido moderno e contextualizado no mundo ocidental dos termos "conservador" e "revolucionário". Afinal, palavras e conceitos não são unívocos, mas ganham sentidos específicos de acordo com cada tempo e cultura. Assim, há certo consenso em torno dos termos "conservador" e "revolucionário" hoje quando usados como "termos técnicos", ou seja, por gente que entende minimamente de política.
Esse sentido, moderno e contextualizado, obviamente tem história, e sua história se confunde com a do próprio cristianismo ocidental. Através da graça comum de Deus, o Ocidente passou a moldar-se pela ampla influência da igreja cristã, desde os tempos do primeiro imperador cristão, Constantino (272-337), dando um fim aos aspectos mais cruéis dos costumes romanos. Esse processo gerou aos poucos um consenso cultural em torno de valores legitimamente bíblicos, tais como: a apreciação incondicional pela vida humana independentemente de status social; o amor como mais alto ideal; o amor pelos inimigos; a importância da interioridade; a inviolabilidade da consciência; o cuidado com os mais fragilizados da sociedade (pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas); a valorização da mulher e da criança, e muitos outros. Se você abre sua Bíblia, encontra nela esses valores e concorda com eles de imediato, como se respondesse "é óbvio" à Palavra de Deus, não se engane: foram necessários séculos para que você chegasse a esse estado. A graça comum de Deus gerou consensos na cultura e você, leitor, como ser social, também é fruto desses consensos.
No século XIX, Karl Marx (1818-1883) definiu toda a realidade em torno do conceito de luta de classes. Para ele, uma sociedade igualitária seria desprovida de classes sociais, diferenças econômicas e divisão do trabalho. Ora, tal nivelamento não-natural dos indivíduos só pode ser conseguido através de um poder gigantesco que atue em duas frentes: coerção violenta (prisões arbitrárias, execuções sumárias, instituição do crime de consciência) e pressão ideológica onipresente (controle estatal da mídia e da educação). Assumido como tarefa do Estado, tamanho ideal aniquilava as vocações pessoais, as benesses merecidas por esforço, o livre pensar, a individualidade. O povo precisava deixar seus princípios mais básicos de lado e consentir com assassinato, roubo, mentira, manipulação, tudo em nome da idolatria ao Estado. Quem não se adaptasse seria suprimido - por isso os regimes comunistas e socialistas mataram tanto na antiga União Soviética, na China, e ainda matam em Cuba e na Coreia do Norte.
Nos países mais democráticos, imaginava-se que, expandindo-se o marxismo pelo mundo, o proletariado se levantaria naturalmente para lutar pela causa socialista. Tal não ocorreu, e os ideólogos da Escola de Frankfurt culparam os valores cristãos pela ausência de um espírito revolucionário espontâneo. O Deus cristão, zeloso e exclusivista, passou a ser novamente o alvo maior por parte de poderosos e aspirantes ao poder, tal como havia sido na época do Império Romano. A diferença é que, enquanto a ambição dos ditadores romanos não era totalitária, a nova ideologia coletivista demandava que essa idolatria fosse prestada de coração, substituindo por completo tanto a consciência individual inviolável perante Deus quanto os limites morais em conformidade com os dez mandamentos e os ensinamentos de Jesus. Para isso, em prol da revolução por vir, conforme concluíram esses ideólogos, a "cultura judaico-cristã" teria de ser combatida. Sob as bandeiras da modernidade, do progressismo, da juventude e do amor, as mentes revolucionárias de nosso tempo buscam solapar toda ideia do Deus cristão, negando o certo e o errado, a moral sexual, os laços familiares, a noção dos deveres. Intentam criar uma geração de pessoas vazias, mesquinhas e devassas, mais facilmente corruptíveis ou manipuláveis.
Esses são os "revolucionários" de hoje, que, além da revolução socialista propriamente dita, geralmente defendem causas relacionadas ao marxismo cultural, ou pensamento politicamente correto, aferrando-se ao feminismo, ao movimento gay, às ações afirmativas, à negação de qualquer autoridade (divina ou constituída por Deus), a projetos de descriminalização do aborto, do infanticídio (cf. Peter Singer) etc. Em contraste, os conservadores ocidentais (sempre nessa segunda acepção, mais específica) são os não-socialistas que se importam com a manutenção do substrato cristão na cultura, cujos ideais são frontalmente opostos aos anteriores. Esses sabem que a preservação dos valores cristãos que compõem a civilização judaico-cristã é fundamental para impedir a morte e a destruição de pessoas e sociedades - em um sentido literal. Sabem que, quando abençoa a cultura, o cristianismo:
- protege o indivíduo, impedindo a injustiça e a opressão máxima, inclusive a estatal (pois estamos todos igualmente debaixo de autoridade divina e a ela respondemos);
- protege os laços familiares (pois milita contra o divórcio e o adultério);
- protege a mulher do abandono e da maternidade enquanto solteira (pois a ajuda a guardar-se para um homem que realmente se comprometa com ela);
- protege a criança no ventre e fora do ventre (pois abomina o aborto, o infanticídio e os abusos sexuais).
Esses são aspectos concernentes à graça comum. Mas sabemos que o cristianismo ultrapassa em muito os benefícios para esta vida, iniciando-se com a morte do velho homem e o renascimento espiritual em Cristo. Assim, caso sejam cristãos verdadeiramente convertidos, os conservadores conseguirão escapar ao moralismo raivoso e infrutífero que por vezes os caracteriza, salgando e iluminando a terra, ao mesmo tempo em que apontarão para a necessidade de conservar, sem tradicionalismos vãos, mas de modo vívido e atento, todas as bênçãos advindas da graça comum de Deus para a sociedade, através da infusão da Bíblia na cultura. E é por amor que o farão.
É claro que, na prática, o espectro de variações é enorme. Há os conservadores naturais, pouco afeitos a mudanças, e os revolucionários naturais, muitas vezes "rebeldes sem causa". No âmbito político, além de conservadores e revolucionários, há os liberais, que defendem o Estado mínimo mas, presas de um economicismo que é quase a outra face da moeda marxista, não se importam com o fim dos valores cristãos na cultura; nos EUA, há os "neocons", menos apegados ao cristianismo. Mas atenção: no Brasil, "direita" é coronelismo e militarismo; nunca houve um verdadeiro conservadorismo histórico em nosso país. Existem esquerdistas moderados, não totalitários, mas são bichos raros na América Latina, continente rico de vitimizações e antigos complexos de colônia, onde se espera que tudo venha do governo. O Brasil, infelizmente, tende à esquerda "deixe que o governo faça por você". Entre os cristãos, além dos conservadores convictos, há muitos conservadores inconscientes que simpatizam de longe com a esquerda somente pela "causa social". Conheço alguns deles e, quando encontro abertura, procuro ajudá-los a compreenderem melhor sua posição. E há muitos esquerdistas cristãos que tentam, sem sucesso, preservar a ideologia, rejeitando o relativismo moral que lhe é inerente e adotando apenas o amor aos pobres e o sonho de uma sociedade igualitária. O problema é que, ao sancionarem regimes como o de Cuba ou demonstrarem indiferença diante das matanças comunistas, aderem ao relativismo moral inescapavelmente (em outras questões também, via de regra - e quanto mais socialistas, mais tenderão a confundir revolução com Reino de Deus).
Ainda uma nota sobre Francis Schaeffer. Quando o grande apologista escreveu isto,
espero que tenha ficado claro agora, com meu artigo, que ele se referia ao sentido universal de "conservador", e não ao sentido moderno, político. Na política, Schaeffer era indiscutivelmente conservador, ou seja, não comungava de modo algum com os ideais esquerdistas. Se você não leu o suficiente de sua obra para constatar isso, fique atento, pois pretendo escrever mais sobre o tema "Schaeffer conservador" no futuro. Se tiver pressa, porém, leia O grande desastre evangélico e Como viveremos, e depois venha falar comigo nos comentários.
Por fim, uma observação pessoal. É no sentido político que me considero conservadora, e não no sentido amplo. Nunca deixei de ter coragem para mudar, e quem me conhece há muitos anos sabe disso. Aliás, minhas inclinações naturais sempre foram progressistas em vários aspectos, mas foi Deus que me ensinou a abandonar os deslimites tão daninhos incentivados hoje pela cultura e a abraçar Seus limites protetores. Glória a Ele por isto!
Vamos pensar nesses termos em seu sentido mais básico e universal. O que são as tradições em si? Apenas o saber humano acumulado ao longo do tempo e cristalizado em linguagens, costumes, valores morais, comportamentos, leis. Nada são, se Deus não as sanciona, ou seja, se não procedem da sabedoria divina. E o que são as revoluções? Apenas as mudanças radicais e corajosas.
Nessa apreciação mais ampla da palavra, Jesus foi, sim, um grande revolucionário em sua época. Ele desafiou e aboliu as tradições vazias do judaísmo que vigorava então, oferecendo a quem desejasse um relacionamento profundo e verdadeiro com Ele, a fonte de vida. Da mesma forma, podemos dizer que nossa fé é revolucionária: enquanto todas as demais religiões enaltecem o mérito humano, pois procedem do coração enganoso, viver na graça de Deus será sempre novidade de vida enquanto estivermos neste mundo. Por outro lado, Jesus deixou muito claro que não vinha para abolir a Lei judaica, mas para a cumprir. Reportava-se sempre ao Antigo Testamento como fonte de verdade, assim como fazemos hoje em relação à Bíblia inteira. Ele não jogou tudo fora, muito pelo contrário: seus embates com os fariseus objetivavam restabelecer o espírito original e legítimo da Lei. Assim, Jesus também foi um conservador, afirmando o sentido correto de uma tradição que não vinha de mãos humanas, mas havia sido entregue aos homens pelo próprio Deus.
A questão central, como o leitor já deve ter percebido, não é a postura conservadora ou a postura revolucionária em si, mas a boa triagem do que se deve conservar e do que se deve abolir - um equilíbrio que deve ser mantido tanto no nível individual quanto no da sociedade, já que tal equilíbrio é responsável pelo progresso. Não se consegue muito na vida apegando-se demais ao passado, sem critério algum; muito menos projetando tudo para o futuro, sem o devido apreço por aquilo que funciona adequadamente há gerações.
Tendo dito isso, passo a considerar o sentido moderno e contextualizado no mundo ocidental dos termos "conservador" e "revolucionário". Afinal, palavras e conceitos não são unívocos, mas ganham sentidos específicos de acordo com cada tempo e cultura. Assim, há certo consenso em torno dos termos "conservador" e "revolucionário" hoje quando usados como "termos técnicos", ou seja, por gente que entende minimamente de política.
Esse sentido, moderno e contextualizado, obviamente tem história, e sua história se confunde com a do próprio cristianismo ocidental. Através da graça comum de Deus, o Ocidente passou a moldar-se pela ampla influência da igreja cristã, desde os tempos do primeiro imperador cristão, Constantino (272-337), dando um fim aos aspectos mais cruéis dos costumes romanos. Esse processo gerou aos poucos um consenso cultural em torno de valores legitimamente bíblicos, tais como: a apreciação incondicional pela vida humana independentemente de status social; o amor como mais alto ideal; o amor pelos inimigos; a importância da interioridade; a inviolabilidade da consciência; o cuidado com os mais fragilizados da sociedade (pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas); a valorização da mulher e da criança, e muitos outros. Se você abre sua Bíblia, encontra nela esses valores e concorda com eles de imediato, como se respondesse "é óbvio" à Palavra de Deus, não se engane: foram necessários séculos para que você chegasse a esse estado. A graça comum de Deus gerou consensos na cultura e você, leitor, como ser social, também é fruto desses consensos.
No século XIX, Karl Marx (1818-1883) definiu toda a realidade em torno do conceito de luta de classes. Para ele, uma sociedade igualitária seria desprovida de classes sociais, diferenças econômicas e divisão do trabalho. Ora, tal nivelamento não-natural dos indivíduos só pode ser conseguido através de um poder gigantesco que atue em duas frentes: coerção violenta (prisões arbitrárias, execuções sumárias, instituição do crime de consciência) e pressão ideológica onipresente (controle estatal da mídia e da educação). Assumido como tarefa do Estado, tamanho ideal aniquilava as vocações pessoais, as benesses merecidas por esforço, o livre pensar, a individualidade. O povo precisava deixar seus princípios mais básicos de lado e consentir com assassinato, roubo, mentira, manipulação, tudo em nome da idolatria ao Estado. Quem não se adaptasse seria suprimido - por isso os regimes comunistas e socialistas mataram tanto na antiga União Soviética, na China, e ainda matam em Cuba e na Coreia do Norte.
Nos países mais democráticos, imaginava-se que, expandindo-se o marxismo pelo mundo, o proletariado se levantaria naturalmente para lutar pela causa socialista. Tal não ocorreu, e os ideólogos da Escola de Frankfurt culparam os valores cristãos pela ausência de um espírito revolucionário espontâneo. O Deus cristão, zeloso e exclusivista, passou a ser novamente o alvo maior por parte de poderosos e aspirantes ao poder, tal como havia sido na época do Império Romano. A diferença é que, enquanto a ambição dos ditadores romanos não era totalitária, a nova ideologia coletivista demandava que essa idolatria fosse prestada de coração, substituindo por completo tanto a consciência individual inviolável perante Deus quanto os limites morais em conformidade com os dez mandamentos e os ensinamentos de Jesus. Para isso, em prol da revolução por vir, conforme concluíram esses ideólogos, a "cultura judaico-cristã" teria de ser combatida. Sob as bandeiras da modernidade, do progressismo, da juventude e do amor, as mentes revolucionárias de nosso tempo buscam solapar toda ideia do Deus cristão, negando o certo e o errado, a moral sexual, os laços familiares, a noção dos deveres. Intentam criar uma geração de pessoas vazias, mesquinhas e devassas, mais facilmente corruptíveis ou manipuláveis.
Esses são os "revolucionários" de hoje, que, além da revolução socialista propriamente dita, geralmente defendem causas relacionadas ao marxismo cultural, ou pensamento politicamente correto, aferrando-se ao feminismo, ao movimento gay, às ações afirmativas, à negação de qualquer autoridade (divina ou constituída por Deus), a projetos de descriminalização do aborto, do infanticídio (cf. Peter Singer) etc. Em contraste, os conservadores ocidentais (sempre nessa segunda acepção, mais específica) são os não-socialistas que se importam com a manutenção do substrato cristão na cultura, cujos ideais são frontalmente opostos aos anteriores. Esses sabem que a preservação dos valores cristãos que compõem a civilização judaico-cristã é fundamental para impedir a morte e a destruição de pessoas e sociedades - em um sentido literal. Sabem que, quando abençoa a cultura, o cristianismo:
- protege o indivíduo, impedindo a injustiça e a opressão máxima, inclusive a estatal (pois estamos todos igualmente debaixo de autoridade divina e a ela respondemos);
- protege os laços familiares (pois milita contra o divórcio e o adultério);
- protege a mulher do abandono e da maternidade enquanto solteira (pois a ajuda a guardar-se para um homem que realmente se comprometa com ela);
- protege a criança no ventre e fora do ventre (pois abomina o aborto, o infanticídio e os abusos sexuais).
Esses são aspectos concernentes à graça comum. Mas sabemos que o cristianismo ultrapassa em muito os benefícios para esta vida, iniciando-se com a morte do velho homem e o renascimento espiritual em Cristo. Assim, caso sejam cristãos verdadeiramente convertidos, os conservadores conseguirão escapar ao moralismo raivoso e infrutífero que por vezes os caracteriza, salgando e iluminando a terra, ao mesmo tempo em que apontarão para a necessidade de conservar, sem tradicionalismos vãos, mas de modo vívido e atento, todas as bênçãos advindas da graça comum de Deus para a sociedade, através da infusão da Bíblia na cultura. E é por amor que o farão.
É claro que, na prática, o espectro de variações é enorme. Há os conservadores naturais, pouco afeitos a mudanças, e os revolucionários naturais, muitas vezes "rebeldes sem causa". No âmbito político, além de conservadores e revolucionários, há os liberais, que defendem o Estado mínimo mas, presas de um economicismo que é quase a outra face da moeda marxista, não se importam com o fim dos valores cristãos na cultura; nos EUA, há os "neocons", menos apegados ao cristianismo. Mas atenção: no Brasil, "direita" é coronelismo e militarismo; nunca houve um verdadeiro conservadorismo histórico em nosso país. Existem esquerdistas moderados, não totalitários, mas são bichos raros na América Latina, continente rico de vitimizações e antigos complexos de colônia, onde se espera que tudo venha do governo. O Brasil, infelizmente, tende à esquerda "deixe que o governo faça por você". Entre os cristãos, além dos conservadores convictos, há muitos conservadores inconscientes que simpatizam de longe com a esquerda somente pela "causa social". Conheço alguns deles e, quando encontro abertura, procuro ajudá-los a compreenderem melhor sua posição. E há muitos esquerdistas cristãos que tentam, sem sucesso, preservar a ideologia, rejeitando o relativismo moral que lhe é inerente e adotando apenas o amor aos pobres e o sonho de uma sociedade igualitária. O problema é que, ao sancionarem regimes como o de Cuba ou demonstrarem indiferença diante das matanças comunistas, aderem ao relativismo moral inescapavelmente (em outras questões também, via de regra - e quanto mais socialistas, mais tenderão a confundir revolução com Reino de Deus).
Ainda uma nota sobre Francis Schaeffer. Quando o grande apologista escreveu isto,
A maior injustiça que se pode pedir a um jovem é pedir que ele seja conservador. O cristianismo não é conservador, mas revolucionário. Ser conservador é não entender o principal, pois o conservadorismo significa permanecer na corrente do status quo, e isso não mais nos pertence
espero que tenha ficado claro agora, com meu artigo, que ele se referia ao sentido universal de "conservador", e não ao sentido moderno, político. Na política, Schaeffer era indiscutivelmente conservador, ou seja, não comungava de modo algum com os ideais esquerdistas. Se você não leu o suficiente de sua obra para constatar isso, fique atento, pois pretendo escrever mais sobre o tema "Schaeffer conservador" no futuro. Se tiver pressa, porém, leia O grande desastre evangélico e Como viveremos, e depois venha falar comigo nos comentários.
Por fim, uma observação pessoal. É no sentido político que me considero conservadora, e não no sentido amplo. Nunca deixei de ter coragem para mudar, e quem me conhece há muitos anos sabe disso. Aliás, minhas inclinações naturais sempre foram progressistas em vários aspectos, mas foi Deus que me ensinou a abandonar os deslimites tão daninhos incentivados hoje pela cultura e a abraçar Seus limites protetores. Glória a Ele por isto!
09 dezembro 2012
Onde está a contracultura?
Estamos no mundo mas não somos do mundo. Somos o sal da terra, a luz do mundo. São palavras de Jesus sobre nós. Os cristãos são chamados por Ele para ser contracultura. “Eles não são do mundo, como eu também não sou” (Jo 17.14). Isto significa que lutamos pela pureza: dentro de nós, no caminho tão pessoal e bonito da santificação, pela graça de Deus; e também fora de nós, denunciando a crueldade do pecado e convidando a outros para que sigam o mesmo caminho, escorados de igual modo na graça de Deus. Quando o fazemos fora de nós, confrontamos não só os incrédulos, para que se convertam, mas também os próprios crentes, para que deixem determinados pecados e se santifiquem, desatando os laços com outros (falsos) doadores de identidade – bens materiais, aparência, ideologias, saberes, profissões, condição social etc. Nossa identidade realmente última deve ser Cristo em todas as esferas da vida.
Quando o cristão adere inadvertidamente ao culto a um ídolo
mundano, incorporando ao cristianismo elementos espúrios, esse chamado de
Cristo tende a se tornar inócuo. Afinal, se nossa identidade é partilhada entre
Cristo e ídolos, não nos diferenciamos do mundo o suficiente para salgá-lo. E o
sal que não salga “só presta para ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). Esse
culto ambíguo e informe recebe um nome na filosofia reformada: “síntese”. E há
muito mais sínteses do que conseguimos identificar, certamente: como dizia
Calvino, o coração é uma incansável fábrica de ídolos.
No blog, e também no livro, uma das sínteses mais presentes
em minha denúncia do pecado é a que mistura cristianismo com esquerdismo.
Dediquei longo tempo ao estudo do esquerdismo em suas variadas formas –
soviético, chinês, cubano, politicamente correto – e ainda pretendo fazê-lo
muito mais. Porém, sabendo que o pecado nos empurra para extremos que apenas
parecem opostos, mas são análogos, tenho ocupado minha mente hoje com a síntese
que indiferencia cristianismo e conservadorismo – ou, de modo mais específico,
cristianismo e luta contra o esquerdismo (ou luta cultural). Encerro a ambas as
sínteses – com esquerdismo e com conservadorismo – sob a expressão “politização
da fé”.
O que ocorre quando o cristianismo se dilui na politização
da fé? A luta contra o pecado se torna predominantemente exterior, quando na
verdade é primordialmente interior – ou seja, sempre se inicia com a
identificação dos pecados íntimos, seguindo-se com arrependimento, perdão e
cura diante de Deus. De fato, esse autoexame é uma condição sine qua non para o exame adequado dos
pecados exteriores, conforme enfatizou Jesus em Lucas 6.41-42. Se não
conhecemos nem nossos próprios pecados, como enxergaremos o pecado alheio?
Em Letters of Francis
A. Schaeffer [Cartas de Francis A. Schaeffer], o grande apologista apresenta
um referencial para que a importância da interioridade na vida cristã seja
preservada, representado por um esquema onde aparecem três círculos
concêntricos:
O círculo da apologética se correlaciona com “a aplicação da
teologia à incredulidade” (John Frame), ou seja, com a luta da verdade contra a
mentira que reside no coração humano (a começar pelo coração do próprio
apologista: não esquecer Lucas 6.41-42). O das doutrinas diz respeito à
afirmação positiva da fé cristã. E o interior é de onde fluem “os rios de água
viva”, onde ocorre a conversão, onde se dá o relacionamento pessoal da alma
individual com Deus . Sem o interior, nenhum dos outros dois pode constituir um
cristianismo legitimamente bíblico. Sem o interior, de fato, não pode haver um
salgar efetivo, pois somente nos diferenciamos do mundo à medida que nos
deixamos transformar por Cristo.
Para Schaeffer, e também para mim, não há alternativa a não
ser pedir a graça de Deus para que cada um desses círculos esteja em seu devido
lugar na nossa vida. Porque somos pecadores, nossa tendência sempre será nos
afastar de Deus para manter nossos pecados intactos (Jo 3.19). Então, para
disfarçar esse afastamento, tenderemos a substituir a vida interior com Deus
pela luta exterior com as pessoas, as ideologias, os pais, os professores, o
“sistema”, achando que servimos a Deus com isso, sem perceber o quanto estamos
secos por dentro. É quando o empunhar das armas toma o lugar da novidade de vida em Cristo. Se você
acredita ter caído nessa armadilha, talvez ajude lembrar que estamos
soldados neste mundo, mas nossa verdadeira natureza é de adoradores: amar a
Deus e aos irmãos é o que faremos por toda a eternidade.
É precisamente nessa inversão – que suprime a primazia da
vida interior e a substitui pela luta cultural – que eu identifico o cruzamento
entre esquerdismo e conservadorismo como sínteses com o cristianismo. A única
diferença é que não creio ser possível, para o cristão, aderir ao esquerdismo
sem realizar sínteses, enquanto o conservadorismo, por ser a posição mais
natural biblicamente, pode ser adotado sem corromper o cerne da fé. Porém, isto
não significa que o cristão conservador deva se sentir imune ao mecanismo da
inversão – e de fato, nesses tempos em que (finalmente!) as posições
conservadoras “saem do armário” e se mostram à luz do dia, vários exemplos
desse mecanismo já podem ser percebidos. Ainda tratarei mais disso aqui.
13 novembro 2012
05 novembro 2012
22 outubro 2012
21 setembro 2012
Fala, Schaeffer!
Essa declaração de Francis Schaeffer, em uma de suas cartas pessoais, é tão importante que decidi traduzi-la e postá-la aqui, enquanto estou às voltas com minha mudança para Natal. Boa leitura e boas reflexões!
"Acredito que, quando a Bíblia diz que Deus é o Deus da verdade, essa afirmação é muito mais profunda do que geralmente alcançamos. Está dito ali que Deus é a verdade no sentido de que é o Deus da realidade - que há apenas um Deus e uma realidade. E quem não conhece Deus nem a realidade que advém desse conhecimento (inclusive o mundo tal como Ele fez e tal como é agora debaixo do pecado) não tem Deus e vive em um universo que de fato não existe, um universo não verdadeiro no sentido profundo de não real. Creio que foi isso o que levou a filosofias como o existencialismo e o positivismo lógico. E mais, acredito que esse universo de 'não Deus' e de irrealidade é um produto da 'grande mentira' do pai da mentira, o Diabo: uma completa perversão."
Letters of Francis A. Schaeffer
18 setembro 2012
Atenção leitores de Curitiba!
Estarei em Curitiba no dia 3 de outubro, na companhia honrada de Luiz Sayão, para a Conferência de Teologia Vida Nova, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Ministrarei uma palestra sobre a formação da cosmovisão cristã. Compareçam! Será muito bom abraçar leitores curitibanos e, de quebra, curtir um friozinho! :-)
Mais informações aqui.
Mais informações aqui.
05 setembro 2012
Trinta conselhos
Encontrei no blog de Daniel Santos Jr. a tradução (feita por ele mesmo) de uma entrevista de John Frame sobre "conselhos para seminaristas e teólogos iniciantes". Como já era de se esperar - toda boa teologia é abrangente -, os conselhos são valiosíssimos para qualquer cristão. Selecionei aqui, entre os trinta conselhos, os que me deixaram impressões mais profundas.
Um conselho fundamental para nossa cultura:
Um conselho ao qual preciso especialmente prestar atenção, sobretudo nos debates por escrito:
Um conselho sempre presente em meus textos:
Um conselho que tenho verbalizado com frequência quando converso com amigos de outras denominações, e com o qual ainda tenho a aprender:
Um conselho que me divertiu:
Uma frase que me fará pensar para o resto da vida:
Um conselho fundamental para nossa cultura:
2. Valorize seu relacionamento com Cristo, com sua família e com a igreja mais do que a sua carreira. Você influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As deficiências em sua vida acabarão negando a influência de suas ideias, mesmo as ideias que são verdadeiras.
Um conselho ao qual preciso especialmente prestar atenção, sobretudo nos debates por escrito:
11. Numa controvérsia, nunca se posicione, precipitadamente, de um lado do debate. Faça um trabalho analítico de ambas as partes. Considere estas possibilidades: a) os dois lados podem estar olhando para o mesmo assunto de perspectivas diferentes, mas não pensando de maneira diferente; b) ambos os labos podem estar despercebidamente desprezando um ponto que poderia fazê-los pensar em harmonia; c) eles estão tendo dificuldade de se comunicar um com o outro porque estão usando termos que têm sentidos múltiplos; d) pode haver uma terceira alternativa melhor do que as duas posições que estão sendo defendidas; e) ambas as opiniões na controvérsia, mesmo que genuínas, devem ser toleradas na igreja, assim como as diferenças entre vegetarianos e não vegetarianos em Rm 14.
Um conselho sempre presente em meus textos:
23. Tenha sempre um pé atrás com todas as “tendências” em teologia. Quando você vir todo mundo entrando no mesmo vagão, seja feminismo, liturgia, pós-modernismo, ou qualquer outro “ismo”, este é o momento para você abrir os olhos e usar sua capacidade crítica. Não embarque em qualquer uma destas tendências antes de fazer a sua sondagem.
Um conselho que tenho verbalizado com frequência quando converso com amigos de outras denominações, e com o qual ainda tenho a aprender:
14. Esteja preparado para avaliar criticamente a sua própria tradição. É uma ilusão pensar que uma tradição religiosa tem todas as verdades ou está sempre certa. Não seja um daqueles teólogos conhecidos por tentar fazer arminianos se transformarem em calvinistas (ou vice-versa).
Um conselho que me divertiu:
28. Teólogos iniciantes geralmente se veem como o próximo Lutero. Olhe, é muito provável que Deus não o tenha escolhido para ser o líder de uma nova reforma, como nos dias de Lutero. Mesmo se este for o caso, nunca se intitule como "o reformador"; deixe que os outros decidam se isso é realmente o que você é.
Uma frase que me fará pensar para o resto da vida:
Nada é mais importante em teologia do que o senso de proporção.
30 agosto 2012
Five Hundred Miles, The Brothers Four
Em meio ao milhão de tarefas - e com mais uma mudança interestadual à frente - , tem sido difícil escrever regularmente para o blog. Mas há outro fator importante em jogo: esta blogueira que virou escritora precisa
Five Hundred Miles (Quinhentas milhas) é um clássico do folk americano. É a primeira música em inglês que aprendi na vida, quando criança, e nunca mais esqueci dela. E eu estava na classe de alfabetização! Apaixonei-me por folk e ainda sou apaixonada. Se eu tivesse nascido nos EUA, o apelo para virar cantora folk teria sido grande!
Ouvindo hoje os Brothers Four, não pude deixar de exclamar: COMO eu queria que eles fossem crentes! Imagino Deus sendo louvado com essas vozes e tenho vontade de chorar.
A letra é o lamento de alguém que saiu de casa, perdeu tudo o que tinha e está muito envergonhado para voltar:
Sim, é ele mesmo: se o Filho Pródigo tivesse um violão e talento musical, talvez tivesse composto algo bem parecido. No vídeo, as pessoas ouvem emocionadas e cantam junto, como se participassem dos sentimentos desamparados do rapaz. E a gente, pensando em Lucas 15.11, tem vontade de responder: pode voltar sim, não importa como você está, sempre pode voltar para os braços do Pai.Not a shirt on my back, not a penny to my name Lord, I can't go back home this a way
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