18 setembro 2013

Quando pessoas viram engrenagem

No dia 15 deste mês, duas adolescentes se beijaram ostensivamente durante um culto público do pr. Feliciano em São Sebastião, litoral de São Paulo. Feliciano, como todos sabem, é alvo preferencial do movimento gay. (Um rapaz as segurou perto do palco para que o pastor as visse. Elas mesmas confessaram que o objetivo era chocar.) Já disse em algum lugar que Feliciano não é exatamente o melhor exemplo de pastor que o mundo protestante brasileiro tem a oferecer. Não mesmo. Mas evito dizê-lo, pois não quero de modo algum participar do linchamento moral de que ele tem sido objeto nos últimos tempos. 

A história suscita várias reflexões, todas lamentosas. Triste época a nossa, em que um beijo se torna uma afronta pública, um insulto vindo de corações irados contra a moralidade sexual tradicional. O amor é invertido e transformado em soco na cara nessa exibição maliciosa de beijos, corpos nus e atos de atentado ao pudor nas paradas gays da vida. Tenho certeza de que muitos homossexuais estão tão tristes com esse estado de coisas como eu - e envergonhados também, pois o movimento gay insiste em representar a todos.

Triste época a nossa, em que tanto o atentado ao pudor quanto a perturbação de culto religioso são leis que estão perdendo a validade na boca de "especialistas". No Facebook, uma página chamada "Brasil contra Igreja Universal" até aproveitou a notícia do beijo para fazer apologia ao crime:
A BCIU gostaria de ver muitos, muitos beijos lésbicos nos cultos de Marco Feliciano e de todos os líderes religiosos homofóbicos e fundamentalistas, que simplesmente reservam aos homossexuais o seu ódio interior.
Ódio interior? E o ódio exterior de um beijo ativista durante os cultos? É um "ódio amoroso"? Vale? O totalitarismo da vítima nessa fala é evidente: os ativistas inventam males, sentam-se perpetuamente na cadeira da vítima e, com base nisso, assumem uma função moralizante tão ou mais violenta que os males inventados que pretendem criticar.

Triste época a nossa, em que o pensamento politicamente correto, bandeira entusiástica dos governos ocidentais e de organizações supranacionais como a ONU, tem sido bem-sucedido em fragmentar o povo em grupos contra grupos, estimulando a identidade tribal e forçando a "dialética" para que a pressão uniformizadora seja maior: a identidade individual é pisoteada, as consciências são violadas, as opiniões discordantes são reprimidas duramente e o povo vira massa. Para que o Estado tenha maior ingerência sobre a vida das pessoas e continue criando leis abusivas - como os projetos anti-homofobia - , ninguém pode deixar de dizer amém para a nova moralidade. Cuidado, homossexual ativista: você está sendo usado. As duas meninas não tinham nem vinte anos; talvez um dia elas compreendam a máquina da qual acabaram se tornando engrenagem.

P.S. No julgamento do mensalão, hoje, o último voto deu vitória aos tais embargos infringentes. Reinaldo Azevedo fala por mim: "O 'não' abriria o caminho para que, finalmente, se pusesse fim a esse processo, que se arrasta no tribunal há seis anos — oito desde a que o escândalo do mensalão veio à luz. O 'sim' de Celso de Mello, o sexto, coloca o país na vereda da incerteza, que, vejam só!, nos conduz àquilo que já somos: uma país notório por uma Justiça que é falha porque tardia e tardia porque falha." Nosso consolo é que um dia eles saberão que a justiça de Deus, essa sim, nunca falha.

6 comentários:

Phylippe Gomes de Lima Santos disse...

Muito bom, Norma.
Considero que existe algo extremamente ilógico nesses 'atos heroicos de luta pela liberdade' de alguns ativistas: a reivindicação de direitos em detrimento dos direitos alheios. Existe uma confusão enorme em muitos movimentos.
'Tudo é verdadeiro e lícito, menos ser tradicional' é um pensamento que impera.

Norma disse...

Exato, Phylippe! Estou lendo agora um livro que mapeia a virada na atmosfera cultural, de um respeito à tradição ao antitradicionalismo militante. Tudo começa nos anos 1960, com os Beats... É de Os Guinness e se chama Dust of Death.

Abraço!

Rod Lima disse...

Para todos aqueles que estavam esperando a perseguicao, ela chegou. A nossa fibra vai ser testada. Se quiser provar o que estou dizendo, vista uma camisa com os dizeres eu apoio o pastor marco feliciano e vá ao shopping.

Ivonete Silva disse...

O que eu acho mais engraçado nessa história é que todo mundo reclama que não se deve levar religião pro debate da esfera pública, (como se isso fosse possível, coff.) criticaram o Feliciano por isso, mas na hora de ir "protestar" contra algo que se refere a ele na esfera pública, vão até ao culto dele...

Marco Carvalho disse...

Bom dia Norma! Ainda que não compartilhe da teologia de Feliciano, ele está sendo usado como bode expiatório para se justificar qualquer comportamento libidinoso. Os "especialistas" de plantão estão juntos neste processo de ridicularização da moral e dos valores judaico-cristãos.

cafeegraca.blogspot.com

Marcio Estanqueiro disse...

Oi Norma!
" O amor é invertido e transformado em soco na cara nessa exibição maliciosa de beijos". Exatamente isto Norma! Inverteram tudo, e passaram a achar normal o que antes era errado. Já ouviu falar da "Janela de Overton"? de Glenn Beck. Estamos vivendo esse momento, e como engrenagens estamos fazendo o que o Sistema quer!
Abraço.