12 dezembro 2005

O caso Roe vs. Wade


Para quem não acompanhou na época, o caso Roe vs. Wade foi uma acirrada batalha jurídica nos Estados Unidos, que se iniciou no Texas e culminou na descriminalização do aborto em todo o país. O desfecho do caso escancarou portas para que as mulheres pudessem facilmente se desembaraçar de seus filhos indesejáveis, anestesiando de uma só vez a consciência de muitos americanos.

Mas nem todo mundo sabe que, recentemente, descobriu-se que o caso é uma farsa do começo ao fim. Henry Wade era um fiscal de Dallas, e Jane Roe, cujo nome verdadeiro é Norma McCorvey, foi estimulada por advogadas inescrupulosas a lutar pelo direito de abortar no Texas. Ela chegou a inventar que havia sido estuprada, o que finalmente funcionara para lhe dar a vitória na Justiça, em janeiro de 1973, mas já era tarde demais para realizar o aborto. Hoje ela se regozija com o aborto não praticado, 25 anos depois: convertida ao catolicismo, Jane abandonou sua militância de abortista e confessou corajosamente que havia mentido para acelerar o processo na Justiça. Mais corajosamente ainda, em janeiro deste ano, ela entrou com uma petição no Supremo Tribunal para pedir a reversão da sentença do caso, apresentando o testemunho legítimo de mais de mil mulheres abaladas psicologicamente pelo aborto e 5.300 páginas de evidências médicas. Ela conta isso tudo em seu livro Won by Love ("Vencida pelo Amor").

A história do caso Roe vs. Wade começa assim, de forma triste e desonesta, para terminar de um modo maravilhoso: com o arrependimento da moça, sua confissão pública e atos concretos para reverter o que tinha feito. Esse é o legítimo arrependimento, que gera frutos de justiça. Como diz a Bíblia, é o Espírito que nos convence do pecado, da justiça e do juízo - de fato, só mesmo Deus pode levar alguém ao arrependimento de forma tão extraordinária quanto levou Jane, a ponto de fazê-la voltar atrás em mentiras tão antigas. Ele a fortaleceu para que ela colocasse a verdade acima de tudo: acima das conquistas no plano social, da fama, do próprio nome.

A parte triste é o quanto as pessoas comprometidas com a agenda politicamente correta (e demoníaca) podem usar de golpes tão baixos para conseguir seus intentos. É preciso que fiquemos de olhos abertos. Essa votação do aborto no Brasil pode estar sendo tão adiada, imagino, por alguma razão espúria. Precisamos pedir a Deus sem cessar para que isso não vingue e continuar alertando as pessoas para que pressionem os políticos que ainda se dizem indecisos.

Embora eu nunca tenha sido a favor do aborto, uma coisa tenho em comum com minha xará: a conversão ao cristianismo também significou uma grande virada na minha vida. Sem Deus, hoje eu estaria destruída, simplesmente.

Veja um trecho de sua entrevista:

- Por que motivo abandonou a causa que vinha defendendo durante vinte anos?
- Simplesmente compreendi que não podemos pegar e tirar a vida de uma criança, e isso não apenas para nós, que cremos em Deus. Na primeira vez em que fui à igreja, num sábado à noite, estava acompanhada de duas garotas pequenas, e senti que devia pertencer àquela comunidade e renegar tudo.
- Você se arrepende de tudo o que fez?
- Por sorte, não cheguei a abortar. Hoje aconselho mulheres desesperadas. A minha missão na vida é ajudá-las e evitar que abortem.
- Você não admite o direito ao aborto em nenhuma hipótese, nem em casos de estupro ou perigo para a vida da mulher?
- Não, não há nenhuma diferença. Continua a ser um assassinato, de um jeito ou de outro.


Leia uma entrevista de Norma McCorvey à Priests for Life (em inglês)
Leia mais sobre o caso Roe vs. Wade (em espanhol/em inglês)
Acompanhe o processo no Brasil

8 comentários:

César Miranda disse...

Uma das coisas incríveis da história do aborto é alguém se sentir vitorioso por ter conquistado o direito de matar os próprios filhos. É algo como liberarem o consumo alimentício de soda cáustica e o povo fazer uma passeata em agradecimento ao autor da idéia. Lutar pelo direito de abortar é algo que chega a ser inacreditável. Sinais dos tempos, sinais dos tempos. O argumento dos abortistas pode, com uma mudança de perspectiva, ser usado contra eles mesmos, pois só se fala no “conforto da mulher”, no “direito da mulher”, afinal se trata do “corpo da mulher”. Por exemplo, no caso dos anencéfalos, dizem que a mulher vai sofrer demais por nove meses levando no ventre uma criança que vai morrer em pouco tempo. No caso de estupro, falam que a mulher vai levar no ventre um fruto indesejado, filho da infâmia etc. Então se trata, na verdade, de escolher que tipo de cruz você quer carregar. É uma questão que a vida lhe coloca para que você escolha: quer passar nove meses de triste espera seguida do parto que permitirá o seu filho ver a luz da vida seguida de uma vida de cabeça erguida feliz por ter agido corretamente perante Deus ou abortar e passar a vida arrependida e sendo torturada pelo fantasma do filho assassinado? Parece-me tão óbvio qual é a escolha mais inteligente a ser feita. O sofrimento decorrido do aborto é maior do que meros nove meses de gravidez, ele dura pela eternidade e só Deus restituir a dor de uma mulher que fez aborto (caso ela se arrependa e tente corrigir a caca que fez). A história de Norma é um lindo exemplo de alguém que reconheceu o erro e recusou a mentira. Great post, fleur.

Elise disse...

tocante, este seu post. abraço.

Anônimo disse...

Cara Norma, importantíssimo este post pois demonstra a base falsa e desonesta com que induziram a Suprema Corte Americana a tomar uma decisão equivocada. O pior é que o assunto já está esclarecido nos EUA há muito e mesmo assim, nos debates para novos membros da Corte o assunto sempre volta e há protestos generalizados de parte dos Democratas - e até alguns Republicanos - se um dos apontados diz que vai rever o processo Rox x Wade que passou a ser considerado intocável, uma espécie de cláusula pétrea dos "direitos da mulher".
Heitor De Paola

Norma disse...

Pois é, César, Elise e Heitor, essa história ensina sobretudo que a mentira não é eterna, que os estratagemas da agenda PC não são infalíveis e que Deus, através de nós, pode mudar até mesmo aquilo que dávamos como irremediavelmente pronto e acabado. Essa história nos traz esperança.

Elise disse...

na BBC online foi publicado um estudo que revela como o aborto afecta as mulheres psicologicamente, durante cinco anos.

Pregador disse...

Parabéns pela coragem de publicar essa matéria.

Que DEUS continue te dando GRAÇA para que essa luta contra o aborto continue ... Em nome de JESUS CRISTO !

Beto disse...

a chave perdida:
"[...]25 anos depois: convertida ao catolicismo[...]"
em suma, ela teve sua opinião dobrada, catequizada, sua mente sofreu uma verdadeira lavagem cerebral até ela aceitar os dogmas da Igreja.
lamentável que se use isso para impor esses dogmas a toda a sociedade.

Patrícia Geiger disse...

Oi Norma!!
Ah, você não precisa aceitar esse coment. Achei seu blog "por acaso", porque estou lendo "quando Deus não faz sentido" e no livro ele fala sobre Roe v. Wade, ai joguei no google pra ler mais e achei seu blog. Também sou cristã e tbm sou formada em Letras, mas fiz Inglês e ainda não tenho doutorado, como vc! ha ha quero fazer mestrado ano que vem! Bom, era isso, ameiii seu blog! To seguindo! Gostei da postagem sobre erros de tradução! Parabéns mesmo =)