09 março 2015

Há escravos hoje?

É incrível pensar sobre isso, mas, mesmo com toda a informação disponível hoje em dia, quando se menciona no Brasil a palavra "escravidão", pensa-se somente naquele período da nossa história que se encerrou legalmente em 1888, com a Lei Áurea. Ou então, usa-se o termo em sentido metafórico: escravidão à bebida, às drogas, ao sexo.

Mas a escravidão subsiste, de modo ilegal, em vários países ocidentais. É comum que a ficção nos deixe impressões mais vívidas que o noticiar dos fatos: hoje vi na tv um episódio de Law and Order SUV que tratou da exploração de crianças abandonadas. Um menino de 13 anos e uma menina de 15 foram vendidos - pelo próprio pai desesperado - para uma fazenda, local fachada para uma organização que as prostituía e vendia os bebês que as meninas tinham. Maltratadas e famélicas, as crianças eram mantidas acorrentadas pelos pulsos em um porão quando os donos da "fazenda" tinham que sair. Um horror absoluto - e não temos motivos para crer que a realidade seja melhor que a ficção. De fato, na maioria das vezes, é bem pior. Também não temos motivo nenhum para crer que isso não acontece em nosso país.

A Bíblia enfatiza que mulheres e crianças, por sua maior fragilidade, precisam de cuidados especiais quando deixadas à própria sorte. Quando pensamos nas possibilidades de abuso e tráfico, sobretudo nestes tempos em que a lascívia e a pornografia recebem aprovação pública, esses cuidados precisam ser ainda maiores. Mas por que os cristãos nunca falam sobre isso?, você pode perguntar. Aí é que está: eles falam! Há cristãos abalizados tratando do assunto. E você pode ouvi-los, por exemplo, na Conferência Reformada Mundial, em São Paulo, que começa no dia 23 de março e dura uma semana. São duas palestras que tratam do tema:

Dia 25 de março (quarta-feira)

17h45 - 19h15

O Abuso de Mulheres – Diane Langberg (USA)

19h45 - 20h15

O Tráfico Humano – Jim Gamble (Northern Ireland)

20h15 - 21h00

Perguntas e Respostas com Diane Langberg e Jim Gamble

Estarei lá!

11 fevereiro 2015

VINACC 2015!

Amanhã começa a Consciência Cristã 2015! Eu vou, e você?

Falarei no sábado e no domingo à tarde. Meus temas:

1. Uma tela toda branca: Arte, de Yasmina Reza

2. Arte e moralidade podem andar juntas? A pós-modernidade brasileira.

Até lá!


15 janeiro 2015

Conferência World Reformed Fellowship

Imagine um congresso reformado que, em vez de concentrar-se em doutrina ou cuidado pastoral, trata de temas como pobreza, islamismo, homossexualidade, plantação de igrejas, abuso de mulheres e tráfico sexual?
IMPERDÍVEL, não é?


Se você não for, depois não vá ficar reclamando que os reformados nunca falam desses assuntos! Será em MARÇO, do dia 23 ao dia 27. Estarei lá, com a graça de Deus! 
Inscreva-se aqui! E não deixe de dar uma olhada na programação completa aqui.


30 dezembro 2014

Rossini e Ray Conniff



Desconheço peças instrumentais tão engraçadas quanto as de Rossini ou Ray Conniff. Apesar das muitas características que os distinguem - época, estilo, o primeiro compositor e o segundo arranjador - , ambos são mestres em apresentar aos ouvintes o ridículo inerente à condição humana. (Aqui penso, sobretudo, na abertura de La Gazza Ladra - vídeo acima - e em Brazil.) Mas assinalo uma diferença fundamental: enquanto Rossini me emociona, Ray Conniff apenas me faz rir. E, à parte as qualidades musicais, talvez seja dessa natureza o abismo que os separa - o ridículo de Conniff, provavelmente inadvertido, resulta do contraste que há na abundância sentimentalista executada com perfeição formal; já o ridículo de Rossini é multifacetado como uma cosmovisão, com seus aspectos heroicos, trágicos, líricos, e subjaz às narrativas de todos nós.

24 dezembro 2014

Natal com Bach





Não pretendo afirmar que é errado comemorar o nascimento de Jesus. (...) Sim, dou graças a Deus pela época do Natal; graças a Deus pelo amolecimento que ela traz aos corações duros; graças a Deus pela identificação que proporciona às crianças pequenas a quem Jesus tomou em seus braços; graças a Deus, até mesmo, pela tristeza estranha e doce que nos traz, juntamente com suas alegrias, quando pensamos nos entes queridos que se foram. Sim, é assim que devemos celebrar o Natal, e que Deus nos dê sempre um coração de criança para que possamos celebrá-lo corretamente. Mas, sobretudo, meus amigos, não é o Natal o maior aniversário da igreja cristã. Não é tanto o nascimento de Jesus que a igreja comemora, mas sim, de modo principal, a sua morte.
Essa citação de Gresham Machen exprime perfeitamente bem meus sentimentos sobre o Natal. Faço um jantar especial e troco presentes, sim, mas tenho muito vívidas em meu coração as palavras de Jesus na última ceia (Lc 22.19-20) - mais um dos estranhos e lindos paradoxos da fé cristã, inserido no paradoxo maior que declara: só vivemos porque nos alimentamos de sua morte! Para ajudar você a refletir nisso, ofereço aqui o vídeo legendado de "A Paixão segundo São Mateus", do nosso irmão luterano Johann Sebastian Bach, que em sua música harmoniza como poucos verdade, bondade e beleza.

Feliz Natal!

10 dezembro 2014

Homeschooling: vote sim!

Há uma pesquisa no site do Senado que indaga:

"Você concorda com o projeto que prevê a possibilidade de a educação básica ser feita em casa?"

Se você está alarmado com a má qualidade da educação no Brasil e deseja que os pais brasileiros tenham um direito já garantido em vários outros países, vote SIM!

Na verdade, a proibição ao ensino em casa é ilegal, de acordo com Henrique Cunha de Lima, procurador do Ministério Público de Contas do Estado do Rio de Janeiro: o Brasil assinou tratados internacionais que são superiores ao ECA e à LDB (veja aqui). Mas precisamos de mais facilidade jurídica, pois muitos juízes não estão dispostos a abrir mão da ideia de que o Estado é o mais importante educador das crianças brasileiras - o que é um absurdo e deve ser tratado como tal. O que começou como direito não pode se transformar em obrigatoriedade!

Liberdade para homeschooling já!


02 dezembro 2014

Ódio à verdade

Eu sei que faz tempo, mas não dá para esquecer Jean Wyllys fantasiado de Che Guevara para uma foto. Consta que ele ficou bravo por ser criticado. Eis o que ele disse:

O argumento de que "Che Guevara era homofóbico" além de empobrecer uma rica biografia e de simplificar uma personalidade complexa – e só ignorantes são capazes desse reducionismo constrangedor – não leva em conta que em sociedades capitalistas como a nossa e dos EUA os homossexuais são vítimas não só de discursos de ódio, mas de homicídios numa proporção assustadora...

A coisa já começou mal: "O argumento de que ‘Che Guevara era homofóbico’..." Não se trata de um "argumento", mas sim de um fato, que não escaparia ao conhecimento de Wyllys caso ele fizesse questão de conhecer melhor a pessoa por trás do símbolo. O escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, em Mea Cuba (editado no Brasil pela Companhia das Letras), conta uma história que ilustra o ódio que Guevara nutria por homossexuais. Na década de 1960, em visita ao embaixador cubano na Argélia, Che viu na estante da biblioteca as Obras completas do poeta Virgilio Piñera e esbravejou "Como você pode ter o livro dessa bicha na embaixada?", jogando um volume contra a parede. Temeroso, o pobre embaixador jogou os livros no lixo.

Eu só fico pensando... Os militantes do lobby gay têm os cristãos como grandes inimigos, porque cristãos consideram a Bíblia sua base de fé e acreditam que o homossexualismo é pecado - um dos muitos pecados que fazem parte da natureza humana desde a queda. Trata-se de uma categoria TEOLÓGICA que tem sido objeto de muito malentendido por aí. Dizer que o homossexualismo é pecado não equivale a aprovar qualquer tipo de violência ou repressão contra os gays, pois sabemos muito bem que só Deus pode lidar satisfatoriamente com o pecado humano. Chamar o homossexualismo de "pecado" significa apresentar a possibilidade de perdão a pessoas que não estão felizes com suas pulsões homossexuais.

Dificilmente você vai encontrar um cristão esclarecido que aja como Guevara agiu. Pode perguntar a qualquer cristão que goste de literatura: você deixaria de ler Marcel Proust, Oscar Wilde e Tennessee Williams, por exemplo, só porque esses autores são gays? A resposta será um sonoro NÃO. 

No entanto, Jean Wyllys - sim, o aguerrido lobista LGBT Jean Wyllys - desculpa Che Guevara com as palavras "rica biografia", "personalidade complexa" e "reducionismo constrangedor", mesmo tendo ele feito algo que nenhum cristão digno de seu Mestre sonha em fazer: condenar um poeta gay à lata do lixo.

Dois pesos, duas medidas. Claro, porque o símbolo rende muitos dividendos ideológicos e deve ser preservado a qualquer custo. Sacrifique-se a verdade, por que não?

E ainda querem poder para legislar "crimes de ódio" no Brasil, inocentando um assassino que censura poetas e agride leitores, mas condenando um pastor inofensivo que pregue em Romanos 1 sobre pecado e perdão.


26 novembro 2014

Da telinha aos livros

 
Em meados dos anos 1970, por causa da tv, eu já estava familiarizada com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo quando, na casa da minha avó, encontrei pelos cantos os livros antigos de Monteiro Lobato que haviam sido do meu pai. Claro, comecei a ler imediatamente: eram histórias do Sítio! Estavam amarelados, com alguns buraquinhos de traça, e tinham um cheiro característico que passei a amar. Continham apenas duas ou três ilustrações em preto e branco: eram os singelos desenhos de André Le Blanc, que eu admirava não apenas pelos traços (mais realistas, se comparados a outros desenhos infantis), mas porque sua Emília, ao contrário da figura coloridíssima que aparecia na televisão, era fiel à descrição do autor em Reinações de Narizinho: morena de cabelos curtos espetados e vestido simples, feinha até. O texto vinha em uma ortografia antiga que me fazia sempre tropeçar na pronúncia das palavras desconhecidas, pois não havia acento em nenhuma proparoxítona. (Foi com espanto que, anos depois, soube como se diziam algumas delas!)

Faz anos que não vejo televisão, mas desconfio de que não há hoje programas para crianças com essa finalidade tão nobre e desinteressada: levá-las da telinha aos livros, inclusive dotando-as de capacidade crítica pela inevitável comparação.

E, apesar das diferenças ortográficas, nunca me cansarei de dizer que o autor a quem mais devo meu português continua sendo Monteiro Lobato.

 

 

20 novembro 2014

Rosa e as pirâmides

Guimarães Rosa aconselhava jovens escritores: "Façam pirâmides, não biscoitos." Ainda era vivo quando Nelson Rodrigues colocou na boca de um personagem o seguinte comentário: "O que é a obra de Guimarães Rosa, senão uma pirâmide de confeitaria?" Tremendamente injusto, mas muito engraçado.

Lembrei-me disso agora, ao comprar para Kindle dois livros do Rosa: Tutameia e Estas estórias. Estão por um preço ótimo na Amazon! "Meu tio o Iauaretê", em Estas estórias, é um dos melhores textos literários que já li na vida. Mas fiz essa avaliação aos vinte e poucos anos. Quero ver o que vou achar agora (algo me diz que continuará sendo um dos melhores textos literários que já li na vida).




11 novembro 2014

Reminiscência

Organizando meu iTunes, fui criar uma lista com músicas de Paul McCartney, quando me deparei com um leve mal estar: não combinava misturar as músicas que eu ouvia quando menor (Another Day, Pipes of Peace, Coming Up) com as músicas que passei a conhecer mais recentemente (Ram On, The Back Seat of my Car), mesmo que fossem da mesma época.
Por quê? Pensei melhor e construí rapidamente uma pequena teoria - que, na pior das hipóteses, só se aplica a mim mesma. Quando somos menores (infância e parte da adolescência), o contato com a cultura é também uma busca identitária. Nós nos projetamos para nos encontrar no outro. No caso específico de Paul ou dos Beatles, quando ouço aquelas músicas marcadas pelo tempo, sinto bastante prazer ainda, mas preciso estar em uma certa "onda" nostálgica. Ou narcísica: é como se a música estivesse se entranhado tão profundamente em mim que eu a ouço vinda do meu próprio corpo, não das caixas de som. Como quem revisita antigos cadernos e lembra de certos sentimentos, certos cheiros, detalhes esquecidos de certos ambientes.
É um processo totalmente diferente da escuta atual, que não me parece tanto uma projeção, mas o movimento inverso: de acolhimento de um outro que se agrega em mim, mas permanece outro. E esse processo coincidiu, no meu caso, com a entrada na fase adulta. Por exemplo, ouço Dave Brubeck desde os meus dezoito anos, e ainda ouço do mesmo jeito. Mas a maioria das músicas dos Beatles, que comecei a ouvir aos nove anos (e era beatlemaníaca aos quatorze), talvez sejam para sempre reminiscência.

03 novembro 2014

Reeleição e lições de Downton Abbey

Fiquei em silêncio durante a maior parte da fase de propaganda eleitoral. Não acompanhei debates, nem dos candidatos, nem dos formadores de opinião. Considerei que já havia falado tudo o que se havia para falar, em todos esses anos de blog. Munidos dos princípios expostos ali, meus leitores saberiam o que fazer; eu não precisaria ser explícita. E assim procedi. Cuidando das necessidades mais concretas de minha casa, permaneci calada, aguardando qual seria a vontade de Deus para o país.

E, nos momentos de descanso, comecei a assistir à série britânica Downton Abbey. Justo no dia das eleições, terminei a primeira temporada e vi o primeiro episódio da segunda, em que se inicia a Primeira Guerra Mundial. Emblemático. [Atenção: segue SPOILER do final da primeira temporada] Na casa de Lady Grantham, um dos personagens que se mostram mais vis, o volante Thomas, alegra-se porque vê no caos uma oportunidade de mudança. Sua visão pragmática e egoísta combina com seu comportamento até ali: valia tudo para conseguir alguma ascensão social. Tentara chantagear o amante aristocrata e derrubar com mentiras o colega que o vira roubando vinho. Sem sucesso, sente-se atraído pelo trabalho no corpo médico do exército. Não dá mostras de patriotismo nem solidariedade: sua esperança é deixar de ser criado. O sofrimento que advém do conflito não parece comovê-lo - assim como não o comovem minimamente as mortes da criança que nasceria na casa, nem da mãe de outro dos criados.

Mais matizadas são as personagens Mary e Edith, filhas do casal Grantham. São moças com seus caprichos, mas capazes de atos desinteressados. Porém, a rivalidade que nutrem entre si é tão grande (Mary é a preferida e provoca a desdenhada Edith) que as leva a decisões odiosas. Antes de deflagrada a guerra, Edith havia conseguido estragar a reputação de Mary espalhando um segredo; em retaliação, Mary conta uma mentira ao pretendente da irmã que o faz desistir da proposta. Quando vem a grande guerra, ambas estão sozinhas e sem perspectivas - a guerra menor entre elas havia promovido destruição. 

Nesses tempos de coletivismo e acirramento de conflitos, eu queria que não esquecêssemos que, para Deus, todas as guerras têm a mesma importância. Ou melhor: que todas as guerras derivam daquela fundamental, inaugurada na Queda e travada no coração contra o próprio Deus. Sim, precisamos nos engajar, de modo honesto e sem pecado, na "guerra" da oposição a este mundo, e isto inclui lutar contra as cosmovisões que mentem sobre Deus e os homens - a mais poderosa delas, hoje, insiste que o Estado deve ter o poder sobre tudo, inclusive a consciência, ideia encarnada, infelizmente, pelo partido que venceu esta eleição. Por outro lado, nada nos fará mais infelizes e nos deixará mais longe da vontade de Deus que enxergar somente as guerras exteriores, fantasiando-nos de soldados enquanto permanecemos alheios à inimizade que faz cama dentro de nós, solapando crescimento espiritual, relacionamentos e atos de bondade.

Um dos primeiros atos da presidente reeleita foi retirar símbolos cristãos de seu gabinete - um sinal inequívoco de que a cordialidade forçada com católicos e protestantes logo cederia a declarações de guerra. Visto que boa parte dos evangélicos se opôs ao partido governista, podemos esperar vislumbres da face irada de Leviatã. Na série, Matthew diz a Thomas: "A guerra tem um jeito de separar as coisas que importam daquelas que não importam." Grande pensamento para nós, cristãos, diante da perspectiva de mais quatro anos de PT no governo.

Acima de tudo, lembrar-se disso a partir deste fatídico outubro de 2014 - "aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" (1Jo) - será um antídoto poderoso contra o esfacelamento social e moral promovido pelas convicções socialistas do governo reeleito. Nada de ecoar as inimizades entre ricos e pobres, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, paulistas e nordestinos, mas sim repudiar com todo conhecimento de causa o "politicamente correto", produtor de bodes expiatórios e violência. Se não queremos sucumbir em uma atmosfera de perpetuação de conflitos e fortalecimento estatal, devemos orar e buscar que toda ação, toda palavra, todo desejo e todo pensamento brotem de um interior renovado por Deus. Só assim nossa oposição terá chances de êxito.


* * *

Em um blog petista, as coisas são ditas às claras: o Estado se apresenta como o deus mais poderoso, que deve controlar as instituições religiões de um país. Isso você não vai ouvir tão cedo da presidente, nem do líder do partido, mas quem estuda de fato o socialismo sabe que é assim. Veja:
Precisamos salvar o Brasil do atraso, e fazer a defesa enfática de um Estado laico, que só será possível com a eleição de Dilma Rousseff. A Igreja é que deve se submeter ao Estado, e não o contrário. Este caminho já foi traçado pelo companheiro Hugo Chávez na Venezuela: depois de sofrer uma campanha sórdida como a que estamos sofrendo agora, decretou a laicidade do Estado, e agora é o governo venezuelano que controla sua própria Igreja.
Tempos difíceis se delineiam à frente. É hora de apegar-se à Rocha com todas as nossas forças.

02 outubro 2014

"Olhos coloridos", Sandra de Sá





Lutar contra o racismo pregando o orgulho racial é um tiro no pé: só aprofunda a dicotomia. Essa música é de uma época em que os manifestos antirracistas não passavam obrigatoriamente pelo ódio desagregador do politicamente correto. Afirma a nossa humanidade em comum. E é linda!



A verdade é que você
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo

15 setembro 2014

Facebook fast food

Quando você lê - Coisa boa, coisa ruim, coisa engraçada: há uma absurdamente veloz alternância de assuntos na Timeline. Você fica no máximo 10 segundos lendo cada publicação e suas emoções seguem o fluxo. Resultado: você nunca pensa nem reage profundamente. Perceba qual o seu estado mental descendo o mouse: em menos de um minuto você lê "Ufa, cheguei cedo hoje!", "Olha que lindo esse vídeo do gatinho!" e "Comunico a todos que nossa irmã faleceu de madrugada". Por estarem sempre na montanha russa, as emoções suscitadas pelo FB acabam buscando um modo mais estável, e esse modo é a insensibilidade.

Quando você escreve - No Facebook, tudo o que passa pela sua cabeça durante o dia é passível de publicação: desde torcer para o seu time até reflexões filosóficas sobre um tema preferido. Escrever pensando em publicar no Face significa que você vai ajustar o que pensa para o modo "fast food" - não só pelo pouco espaço disponível, mas porque tem todo tipo de gente na sua Timeline e você quer que todos leiam e reajam imediatamente, se não, escreveria em outro lugar. Percebe o automatismo? Preparar "comida" para todo mundo, a todo momento, gera banalização. E, quanto mais você passa seu tempo no Facebook, mais você desenvolve a mania de exteriorizar para esse faceless public tudo o que você pensa. Logo você começa a pensar exclusivamente no "modo Facebook", e todos os seus pensamentos viram fast food. Sua vida interior, em vez de Estação Gourmet, vira barraquinha de hambúrguer. 

E o lado positivo? - Por sua própria estrutura, o Facebook acaba treinando você para a insensibilidade e a banalização das relações. Isso é o contrário do que ele se propõe a fazer. Mas, é claro, há aspectos positivos na rede social: encontrar gente que não se vê há muito tempo, manter contato com leitores (no meu caso), centralizar conversas em torno de temas de interesse etc. O problema é que é muito fácil cair na armadilha da compulsão, quando todos os aspectos negativos superam os positivos.

Então eu tenho que sair do Face? - Não acho que necessariamente você deva sair do Face. Mas, se você já consegue identificar insensibilidade e superficialidade nas suas interações facebookianas, é urgente o movimento inverso: o Facebook precisa sair de dentro de você.

Mas o que eu faço? - Dedique menos tempo ao Facebook. Não esqueça da vida rolando o mouse para baixo, nem pense em publicar toda hora. Perca a compulsão pelas reações imediatas dos leitores: os melhores pratos precisam de tempo para ser preparados e degustados. Se você gosta de escrever, mantenha um caderno só para você e busque registrar reflexões mais longas e pausadas. Preserve sua vida interior e dedique-se mais a quem você pode encontrar pessoalmente. Se está em casa com a família ou amigos, evite o Facebook e dê-lhes a máxima atenção. Ao sair com alguém, não fique consultando o celular a cada minuto; de preferência, coloque no silencioso e esqueça-o. Sempre que sobrar um tempinho de lazer, não corra para o Facebook, mas leia um livro. E, se der vontade de compartilhar tudo o que você está lendo no Facebook, anote no próprio livro seus pensamentos e depois, se achar pertinente, publique - mas depois de já ter lido um bom pedaço. Assim como ir ao McDonald's, o Facebook deve ser exceção na sua vida, não regra.

Para ler mais (em inglês): até o Steve Jobs controlava o uso da internet em casa. Ele conhecia de perto os danos do vício em computadores. Artigo inspirador!

05 setembro 2014

Contra-revolução

Nancy Pearcey postou hoje em seu Facebook um texto impressionante. Trata-se do testemunho de Mallory Millet, irmã da ativista Kate Millett, que escreveu Sexual Politics e lançou as bases do movimento feminista. Vejam o que ela conta:
"Estávamos em 1969. Kate me chamou para a casa de Lila Karp, sua amiga, para uma reunião que elas chamavam de 'consciousness-raising-group' (conscientização em grupo), um típico exercício comunista, algo praticado na China maoísta. A gente se sentava a uma mesa enorme e a líder começava uma recitação, como uma litania, tipo de oração feita na Igreja Católica. Mas aquilo era marxismo, a igreja da esquerda, imitando práticas religiosas: 
'Por que estamos aqui hoje?', ela perguntava.
'Para fazer a revolução',  o grupo respondia.
'Que revolução?'
'A revolução cultural!'
'E como nós fazemos a revolução cultural?'
'Destruindo a família americana!'
'E como destruímos a família americana?'
'Destruindo o patriarcado americano!'
'E como destruímos o patriarcado americano?'
'Tirando o poder dele!'
'E fazemos isso como?'
'Destruindo a monogamia!'
'E como destruímos a monogamia?'
A resposta do grupo me deixou pasma, sem fôlego, com dificuldade de acreditar no que eu estava ouvindo. Que planeta era aquele? Elas bradaram: 
'Promovendo a promiscuidade, o erotismo, a prostituição e a homossexualidade!'
Então, iniciaram uma longa discussão sobre como implantar esses objetivos com o estabelecimento de uma Organização Nacional da Mulher. Ficou claro que elas desejavam nada menos que a completa desconstrução da sociedade ocidental. Concluíram que a única maneira de realizar essa ambição era 'invadir e permear cada uma das instituições americanas com a revolução: mídia, educação em todos os níveis, conselhos escolares; e em seguida, o judiciário, os legisladores, os poderes executivos e até mesmo as bibliotecas."
Texto completo (em inglês) aqui.

A descrição assusta: mais de 40 anos depois, parece que a "revolução" foi bem-sucedida. Estamos de fato em uma época que exalta a promiscuidade, o erotismo, a prostituição e a homossexualidade. Mas, nessa cultura cada vez mais mórbida de desvalorização do casamento, supervalorização da carreira profissional, divórcios, adultérios, filhos abortados ou abandonados, só há UM MODO de fazer a diferença: ser discípulo de Jesus Cristo e ser cada vez mais conforme à Sua imagem. Note que eu escrevi ser: de nada adiantará focar todas as suas energias em crítica cultural e ativismo político, se você mal luta contra as tendências pecaminosas que herdamos de Adão e Eva e que nos fazem, no íntimo, desejar corresponder aos padrões deste mundo. Coloque seu conservadorismo sob a santidade que Deus requer de Seus filhos e efetua em nós segundo a Sua graça. É essa santidade que vai resplandecer neste panorama sombrio e possibilitar a eficácia de todas as suas ações externas abençoadoras, inclusive a crítica cultural. Se você sente que está vivendo uma vida cristã muito exteriorizada, ou seja, que está mais preocupado com os pecados dos outros do que com os seus, confesse isso ao Pai e peça para tornar-se mais sensível à voz do Espírito Santo. Essa é a verdadeira revolução; as demais vão passar, mas essa tem peso de eternidade.

Às minhas leitoras: desconformar-se com o mundo e adotar os padrões de Deus (Rm 12.1-2) significa conhecer muito bem a Palavra para saber o que Deus pensa sobre o que é ser mulher e o que é o casamento, aplicando-a ao seu coração. Desconfie da obsessão moderna com o currículo, os cursos acadêmicos, o salário de todo mês - essas coisas são importantes e têm seu lugar, mas não devem ocupar o coração mais do que o cuidado (exterior e interior, paciente e amoroso) com as pessoas mais importantes da sua vida.

01 setembro 2014

Caricatura

Quer a sua? Fale com Armando Marcos! (Obs. Essa postagem não é patrocinada, mas sim uma expressão de agradecimento pelo desenho tão bonito e expressivo!)

14 agosto 2014

Palestra sobre apologética

No próximo sábado, André Venâncio e eu estaremos na Igreja Presbiteriana de Pirangi, em Natal, para falar sobre apologética. Se você mora na cidade, não perca!


07 agosto 2014

"Você se torna aquilo que adora": painel com G.K. Beale





Estou completamente apaixonada pelo livro Você se torna aquilo que adora, de G. K. Beale. Para uma "criatura literária" como eu, uma abordagem global da Bíblia, com comparações minuciosas entre textos, é uma festa! Nesse painel do Congresso Vida Nova, Beale explica a ideia central do livro, contida no título e defendida a partir das relações entre Isaías 6.8-10 e outros textos, sempre sob o tema da idolatria. Em seguida, Mauro Meister e Franklin Ferreira discorrem sobre, respectivamente, a origem da idolatria em Gênesis 3 (que eu sempre abordo ao falar para mulheres) e decisões simples para reduzir a possibilidade da idolatria no culto público (pois é, porque mesmo os crentes ainda caem em situações idólatras!). Para finalizar, Beale trata da importância do tema da idolatria para nós, cristãos de hoje. Tanto o vídeo como o livro são simplesmente IMPERDÍVEIS. Estou quase chegando à metade da obra de Beale e, assim que terminar, escrevo uma resenha para o blog. Posso dizer que está me abençoando muitíssimo, e certamente terá sido um dos melhores livros de teologia que já li na vida. Aguarde (e não deixe de ler)!

04 agosto 2014

Animais, crianças e adultos

O pai se distraiu com o filho pequeno no zoo e o menino mais velho pulou para dentro da área proibida que dá para a jaula do leão e do tigre.

- Vi que a situação estava sob controle, o leão estava muito tranquilo - contou o pai.

O pai DEIXOU o menino ficar dentro da área PROIBIDA do leão e do tigre. O menino atiçou os animais, enfiou o braço pela grade e o tigre o atacou.

- Acidentes acontecem. Podia ter sido com o filho de qualquer pessoa -, comentou a mãe.

O pai DEIXOU o menino ficar DENTRO DA ÁREA PROIBIDA do leão e do tigre. O menino perdeu o braço. A opinião pública culpa o zoo.

- Eles têm a obrigação de proteger os consumidores de eventuais acidentes -, sentenciou o advogado.

O PAI DEIXOU o menino ficar DENTRO DA ÁREA PROIBIDA DO LEÃO E DO TIGRE. A opinião pública não só culpa o zoo, mas responsabiliza o animal, exigindo:

- Sacrifiquem o tigre!

O PAI DEIXOU O MENINO FICAR DENTRO DA ÁREA PROIBIDA DO LEÃO E DO TIGRE. O menino, de braço amputado, pede:

- Não matem o tigre!

Moral da história: O animal agiu conforme a natureza e a criança compreendeu isso. Já os adultos abdicaram de qualidades humanas basilares: respeito aos pais e às leis; imposição de limites na educação dos filhos; relação entre causa e efeito na infração das regras; capacidade de avaliação diante do erro; correta atribuição da responsabilidade; compaixão pelo mais fraco. E coroaram o processo de desumanização elegendo justamente o ser mais fraco - sem raciocínio e sem liberdade - como bode expiatório. Como se o tigre devesse saber que não podia atacar o menino, mas o pai não devesse saber que ensinar o filho a obedecer é um ato de proteção.

Em uma sociedade que não sabe mais como educar suas crianças, um pai dificilmente se responsabiliza quando o filho, não obedecendo, precisa arcar com as consequências de seus atos. Mas esse pai é responsável. E provavelmente será responsabilizado diante da lei.

Da próxima vez em que você pensar em enaltecer a cultura brasileira contemporânea, lembre-se dessa história e se envergonhe como eu me envergonhei...

29 julho 2014

"Armadilhas do vocabulário político" no Teologia Brasileira

Direita e esquerda, capitalismo e socialismo... Em uma época um tanto acéfala, esses termos parecem hoje mais confundir que esclarecer. Compartilho aqui o artigo de estreia do meu marido, André Venâncio, para o site Teologia Brasileira, que lança uma luz mais que bem-vinda sobre a questão.

Boa leitura!

24 julho 2014

Por que NÃO VOTAR no PT

Atenção: o texto abaixo NÃO É MEU, mas de MARCUS VINICIUS MOTTA, publicado no Facebook hoje. Resume por que nenhum cristão deveria votar no PT - nem em nenhum outro partido da esquerda brasileira que defenda as mesmas ideias: comunismo, socialismo, terrorismo.


* * *

O Brasil emitiu uma nota grosseira e ridícula contra Israel e a favor do Hamas. Chegou ao cúmulo de convocar o embaixador em Tel Aviv para esclarecimentos, o que em linguagem diplomática significa um passo antes do rompimento de relações.

Enquanto isso os embaixadores em Cuba, Venezuela, Síria, Irã, Sudão e, pasme, até CORÉIA DO NORTE, continuam com suas bundas sentadas nas cadeiras, porque, na visão do PT, nestes países tudo está perfeitamente normal.

Em resposta Israel disse que o Brasil é "irrelevante" na política externa mundial. Eu achei sensacional eles terem colocado essa política externa de fanfarra no seu devido lugar. Mas você ficou chateado com isso?

Direito seu, só não culpe Israel, reclame com o Sr. Lula e sua política externa praticada de quatro para qualquer aiatolá ou bolivariano que aparecesse, e com a "doutora" Dilma e sua leniência (pra não dizer paixão) por ditadores, genocidas e terroristas islâmicos.

Temos uma ditadura em formação (e quase completa) aqui do lado. Opositores são presos naquele país por fazerem discursos, deputados cassados sem que nada exista contra eles, uma suprema corte dominada, a justiça eleitoral corrupta. Parece até o enredo da trama que o PT engendra para o futuro do Brasil, mas já acontece hoje na Venezuela.

Os terroristas do ISIS crucificam cristãos, ordenam a mutilação genital de mulheres. O ditador Assad, na Síria, usa armas químicas contra o seu povo. O Irã tortura e estupra opositores nas suas masmorras. A Arábia Saudita trata mulheres pior do que trata cães. A China censura a internet. A Rússia patrocina terroristas ucranianos que derrubaram um avião civil com centenas de pessoas. Evo Morales ROUBA uma refinaria da Petrobrás. Rafael Correa persegue jornalistas independentes. Cuba deixa dissidentes apodrecendo em prisões. Fora o resto.

Sabe o que o governo brasileiro tem a dizer sobre isso? Nada, zero, nothing, zilch. Apenas o silêncio e a concordância covarde, pusilânime, cúmplice, que envergonha todos os brasileiros porque essa diplomacia de galinheiro fala também em seus nomes.

O Hamas joga diariamente centenas de foguetes no território israelense. Não querem saber se vão acertar escolas, sinagogas, hospitais, casas de civis. Se lixam para a vida dos outros porque se lixam para as próprias vidas, já que utilizam escolas, mesquitas, hospitais e casas de civis como escudos para esconder seus foguetes.

O que o governo brasileiro disse sobre isso? Novamente, NADA. A política externa do Partido do Mensalão alinhou o Brasil a Kadafi, Omar Bashir, Manuel Zelaya, Hugo Chávez, os irmãos necrófilos Fidel e Raul Castro, Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Ahmadinejad e agora ao Hamas.

Tudo o que não presta, o que signifique fome, ódio, morte, supressão de liberdades, confisco, intolerância religiosa, perseguição, luta de classes, guerra, vergonha, violação de direitos, etc., etc. tem o apoio automático do lulopetismo. O problema é que o lulopetismo hoje tomou o Itamaraty de assalto, se infiltrou ali como um parasita que tudo destrói. E é o nome do Brasil que vai para o mesmo ralo, o mesmo esgoto, a mesma lata do lixo histórica em que o PT merece estar.

Vamos ser bem claros nesse momento: ignorando o que ocorre na Síria, Iraque, Sudão, etc. e hostilizando abertamente Israel, o PT deixa claro: cristãos e judeus que se danem, estamos ao lado da JIHAD. É isso. Não existe outra interpretação que não seja mera distorção e mentira.

Se fosse preocupação com os "direitos humanos", esta seria demonstrada de forma ampla e irrestrita e não seletiva e canalha como é. Sorte do PT que a maioria no Brasil é muçulmana. Se fosse cristã e judaica eles poderiam levar uma merecida surra na eleição. Não? Temos maioria cristã? Então o PT merece uma boa resposta e logo.

Porque um cristão que apóia terrorista muçulmano deveria ter vergonha na cara e se auto-excomungar, se é que isso existe, se não existe que inventem.

O PT passa quatro anos tentando liberar o aborto indiscriminadamente por baixo dos panos, a maconha, enfiando o tal kit gay pela goela dos outros abaixo, criando crackódromos em São Paulo, afrontando os pagadores de impostos, aí chega a eleição e vão tomar a bênção do padre. Mas agora passou dos limites.

Essa gente que o PT corre em socorro usando o nome do Brasil é a mesma gente que persegue, realiza conversões forçadas e assassina pessoas em nome de uma tal "religião da paz".

Vergonha tem limite e o país já foi humilhado o bastante por este Exército de Brancaleone que sequestrou o Itamaraty.

A política externa do Brasil sob comando do PT é tão bonita, saudável e elegante quanto o sorriso do Marco Aurélio Garcia, o chanceler paralelo. Não vou agredir sua visão colocando a imagem aqui, mas procure no Google, é inesquecível.

Chegou a hora de uma limpeza geral.