30 dezembro 2014

Rossini e Ray Conniff



Desconheço peças instrumentais tão engraçadas quanto as de Rossini ou Ray Conniff. Apesar das muitas características que os distinguem - época, estilo, o primeiro compositor e o segundo arranjador - , ambos são mestres em apresentar aos ouvintes o ridículo inerente à condição humana. (Aqui penso, sobretudo, na abertura de La Gazza Ladra - vídeo acima - e em Brazil.) Mas assinalo uma diferença fundamental: enquanto Rossini me emociona, Ray Conniff apenas me faz rir. E, à parte as qualidades musicais, talvez seja dessa natureza o abismo que os separa - o ridículo de Conniff, provavelmente inadvertido, resulta do contraste que há na abundância sentimentalista executada com perfeição formal; já o ridículo de Rossini é multifacetado como uma cosmovisão, com seus aspectos heroicos, trágicos, líricos, e subjaz às narrativas de todos nós.

Não poderia então deixar de desejar aos leitores um 2015 com menos Conniff e mais Rossini! :-) Feliz ano novo a todos!

2 comentários:

Débora Oliveira disse...

O Ray fez parte da minha infância, rs. Muito engraçado ele, a partir domvisual. Eu sempre achei que quando o Heman envelhecesse ficaria igualzinho a ele, haha!

Allan Ribeiro disse...

Começando o ano aqui com Rossini, graças a você!