05 setembro 2014

Contra-revolução

Nancy Pearcey postou hoje em seu Facebook um texto impressionante. Trata-se do testemunho de Mallory Millet, irmã da ativista Kate Millett, que escreveu Sexual Politics e lançou as bases do movimento feminista. Vejam o que ela conta:
"Estávamos em 1969. Kate me chamou para a casa de Lila Karp, sua amiga, para uma reunião que elas chamavam de 'consciousness-raising-group' (conscientização em grupo), um típico exercício comunista, algo praticado na China maoísta. A gente se sentava a uma mesa enorme e a líder começava uma recitação, como uma litania, tipo de oração feita na Igreja Católica. Mas aquilo era marxismo, a igreja da esquerda, imitando práticas religiosas: 
'Por que estamos aqui hoje?', ela perguntava.
'Para fazer a revolução',  o grupo respondia.
'Que revolução?'
'A revolução cultural!'
'E como nós fazemos a revolução cultural?'
'Destruindo a família americana!'
'E como destruímos a família americana?'
'Destruindo o patriarcado americano!'
'E como destruímos o patriarcado americano?'
'Tirando o poder dele!'
'E fazemos isso como?'
'Destruindo a monogamia!'
'E como destruímos a monogamia?'
A resposta do grupo me deixou pasma, sem fôlego, com dificuldade de acreditar no que eu estava ouvindo. Que planeta era aquele? Elas bradaram: 
'Promovendo a promiscuidade, o erotismo, a prostituição e a homossexualidade!'
Então, iniciaram uma longa discussão sobre como implantar esses objetivos com o estabelecimento de uma Organização Nacional da Mulher. Ficou claro que elas desejavam nada menos que a completa desconstrução da sociedade ocidental. Concluíram que a única maneira de realizar essa ambição era 'invadir e permear cada uma das instituições americanas com a revolução: mídia, educação em todos os níveis, conselhos escolares; e em seguida, o judiciário, os legisladores, os poderes executivos e até mesmo as bibliotecas."
Texto completo (em inglês) aqui.

A descrição assusta: mais de 40 anos depois, parece que a "revolução" foi bem-sucedida. Estamos de fato em uma época que exalta a promiscuidade, o erotismo, a prostituição e a homossexualidade. Mas, nessa cultura cada vez mais mórbida de desvalorização do casamento, supervalorização da carreira profissional, divórcios, adultérios, filhos abortados ou abandonados, só há UM MODO de fazer a diferença: ser discípulo de Jesus Cristo e ser cada vez mais conforme à Sua imagem. Note que eu escrevi ser: de nada adiantará focar todas as suas energias em crítica cultural e ativismo político, se você mal luta contra as tendências pecaminosas que herdamos de Adão e Eva e que nos fazem, no íntimo, desejar corresponder aos padrões deste mundo. Coloque seu conservadorismo sob a santidade que Deus requer de Seus filhos e efetua em nós segundo a Sua graça. É essa santidade que vai resplandecer neste panorama sombrio e possibilitar a eficácia de todas as suas ações externas abençoadoras, inclusive a crítica cultural. Se você sente que está vivendo uma vida cristã muito exteriorizada, ou seja, que está mais preocupado com os pecados dos outros do que com os seus, confesse isso ao Pai e peça para tornar-se mais sensível à voz do Espírito Santo. Essa é a verdadeira revolução; as demais vão passar, mas essa tem peso de eternidade.

Às minhas leitoras: desconformar-se com o mundo e adotar os padrões de Deus (Rm 12.1-2) significa conhecer muito bem a Palavra para saber o que Deus pensa sobre o que é ser mulher e o que é o casamento, aplicando-a ao seu coração. Desconfie da obsessão moderna com o currículo, os cursos acadêmicos, o salário de todo mês - essas coisas são importantes e têm seu lugar, mas não devem ocupar o coração mais do que o cuidado (exterior e interior, paciente e amoroso) com as pessoas mais importantes da sua vida.

8 comentários:

Veridiane Filippin disse...

Obrigada por essa explicação, estava perdendo o foco, muitas vezes nos revoltamos com tudo que está aí, achando que a solução é na política, na revolta, mas não é. A nossa paz e alegria só está em Deus, como vc disse nos conformar à imagem de Jesus Cristo. Deus abençoe.

Marcio Pereira Gonçalves disse...

"O cristão precisa resistir ao espírito do mundo. Mas, quando afirmamos tal coisa, precisamos entender que o espírito do mundo não toma sempre a mesma forma. Então, o cristão precisa resistir ao espírito do mundo na forma que ele toma em sua geração. Se ele não o fizer, não estará resistindo de modo algum ao espírito do mundo." Excelente reflexão a sua Norma!

Geison Lucio dos Santos disse...

Cara Norma,

Este post veio da parte de Deus para minha vida, para me fazer entender o que está por trás da promiscuidade que permeia o dia a dia, contra a qual, nós homens, temos de lutar contra diariamente. Mais que a sanidade individual de cada homem, está em jogo a sanidade de toda uma família. O sucesso ou o fracasso na luta pela pureza traz implicações muito sérias, para o bem e para o mal. Hoje, você foi instrumento da graça de Deus para me abençoar e glorifico ao Senhor por isso. E não é a primeira vez, já que vc teve participação fundamental no meu afastamento do ideário à esquerda. Graças a Deus por sua vida.

Norma disse...

Olá, Geison!

Muito obrigada por ter escrito isso. Comentários assim me fazem sentir de um modo muito presente que todo o trabalho não é vão!

Grande abraço e que Deus continue abençoando você e sua família!

Leandro Henrique Dessart disse...

Excelente reflexão! É muito fácil tornarmos nossa fé algo exteriorizado, ainda mais com este "engajamento" contra-cultural cristão, sob o qual muitos temos nos escondido, com a desculpa de estarmos lutando pelo Reino de Deus, sendo que em nós mesmos o Reino está perdendo a batalha.

Abraço!!!

Reginaldo Costa disse...

muito bom Norma. Confesso, faz algum tempo que não lei tuas publicações, todavia, quando o tempo permite lê-las cresço espiritualmente. parabéns, por mais um excelente artigo.

paulozifum disse...

Muito relevante. Se a familia americana caisse, as ondas seriam terriveis para o cristianismo tupiniquim que é aluno teologico da escola americana.

Yolanda SILVA... disse...

Já diz a Bíblia que a mulher sábia edifica a casa e, podemos perceber, pelos fatos na sociedade, que muitas mulheres tolas podem destruir uma nação. Mas, nós mulheres cristãs, podemos lutar de forma amável e silenciosa contra esta praga que vem corroendo nossos lares.