03 setembro 2006

Por uma escola sem partido

Hoje cedo a voz a Miguel Nagib, advogado que decidiu denunciar e combater na Web a manipulação ideológica de estudantes com o EscolaSemPartido.org, página única no gênero em nosso país. O site é excelente e conta histórias tenebrosas - é quando ficamos sabendo que um professor de História Antiga, por exemplo, sob a complacência total da instituição, pode ocupar a maior parte tempo só exaltando o PT, conseguindo obter a simpatia e a aprovação de bom número de alunos. Graças ao site, podemos chegar ao conhecimento de tal aberração e nos mobilizar para fazer algo.

texto de Miguel Nagib
advogado e coordenador do EscolaSemPartido.org

Há dois anos, um pequeno grupo de pais e estudantes preocupados com a contaminação ideológica de nossas salas de aula decidiu fazer algo para combater essa grave ameaça ao ensino. Criaram, para isso, uma organização informal que, a exemplo de tantas iniciativas nos dias de hoje, se materializou numa página da internet: o www.escolasempartido.org.

O EscolaSemPartido.org, que tem por modelo bem-sucedidas experiências realizadas nos EUA – especialmente o http://www.studentsforacademicfreedom.org/ e o http://www.noindoctrination.org/ –, baseia-se na premissa de que, numa sociedade livre e pluralista (como diz ser a nossa), as instituições de ensino deveriam funcionar como centros de produção e irradiação do conhecimento, firmemente comprometidos com a busca da verdade, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com a máxima fidelidade possível, os infinitos aspectos e matizes da realidade. É o que estabelece, com outras palavras, a própria Constituição Federal, ao dispor que “o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”.

Continua aqui.

2 comentários:

Paulo Silas disse...

Interessante a criação do EscolaSemPartido.org. Penso que poderíamos aproveitar essa idéia de modo reverso no campo do pensamento teológico, permitindo que fóruns de discussões, como esse blog, estejam "firmemente comprometidos com a busca da verdade, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com a máxima fidelidade possível, os infinitos aspectos e matizes" da teologia apresentada na Bíblia Sagrada, respeitando o "pluralismo de idéias e de concepções" teológicas.
Partidarismo não é produto apenas das mentes progressistas, se manifesta de forma muito mais resistente na cabeça dos conservadores, não somente da escola, mas de qualquer instituição humana, que sabem o preço pago para estabelecer-se como “status quo”. Só é possível implementar ou resistir quaisquer mudanças partidarizando.
Quando Lutero, Calvino e outros reformadores expuseram a sua hermenêutica da Bíblia, foram policiados, refutados e perseguidos ideologicamente pelos partidários do conservadorismo religioso e suas vítimas da síndrome de Estocolmo.
Parece que hoje a história se repete como farsa, pois, da mesma forma, teólogos do nosso tempo, inclusive no Brasil, são vituperados por se esforçarem na proposição de uma hermenêutica bíblica, que não fique o tempo todo jogando os gargalos teológicos no colo dos mistérios de Deus.
Necessário se faz que os doutrinadores da teologia "politicamente correta" que relativiza a Bíblia, contemporizando determinismo com responsabilidade humana, tentando manter em pé uma teologia forjada na bigorna do ambiente medieval, permitam que o lema “Semper Reformanda”, dos pioneiros da reforma, seja verdade.

Norma disse...

Seria uma idéia bárbara, Paulo! O site se proporia a mostrar a incoerência teórica daqueles professores-pastores que, no púlpito, são cristãos tradicionais e piedosíssimos, enquanto em sala de aula se tornam fervorosos paladinos da modernidade relativista politicamente correta. Mas ia ter tanta confusão que me pergunto: será que dava certo? :-)