18 setembro 2006

Ciência e Religião: Congresso no Mackenzie

Estive esses últimos dias em São Paulo para o II Congresso Internacional de Ética e Cidadania, um evento de peso promovido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, que reuniu pesquisadores da Escola Superior de Teologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, além de acadêmicos de todas as áreas, cristãos e não-cristãos, para debates em torno do controvertido tema “Religião e Ciência”. Como convidada palestrante, falei sobre René Girard e a questão do mal: o deslocamento da ânsia pelo transcendente como perpetrador de violências, na mesma mesa que Hermisten Maia (que tratou de Calvino e suas considerações sobre ética do trabalho) e Davi Charles Gomes (que abordou principalmente a teoria do conhecimento em Michael Polanyi, tema empolgante para mim). Comentei depois com Davi em um almoço com todo o pessoal do O Tempora, O Mores, para risos gerais, que nossa mesa tinha um perfil bastante conservador: de um lado, ele e Hermisten dando uma cotovelada no marxismo; de outro, eu aplicando um pontapé discreto no terrorismo e no pensamento PC. Foi divertido.

No entanto, em que pese o perfil conservador de nossa mesa, as palestras e comunicações do congresso assumiram um caráter bastante plural, como deve ser todo evento desse porte. Havia temas muito diversos do meu, em torno de assuntos tão díspares quanto “produção de eucalipto” e “tatuagem”, e orientações muito diferentes das minhas, sobre autores como Emmanuel Levinas, Antonio Gramsci (ui!) e Paul Tillich – sobre este, tive de brincar com Guilherme Carvalho, em quem tive o prazer de dar um grande abraço no final de uma das conferências, dizendo que não iria assistir uma comunicação sobre um autor liberal. (Acabei não assistindo mesmo, mas por motivos contingenciais e alheios a minha vontade – pois é certo que temos muito a conversar! E, para todos os efeitos, Gulherme gosta de Tillich mas está muito, muito longe de ser um liberal.)


Nancy Pearcey

A grande estrela do evento foi Nancy Pearcey, autora requisitada nos EUA, considerada por muitos a sucessora de Francis Schaeffer, que foi seu mentor em L’Abri. Há livros seus publicados hoje no Brasil: A alma da ciência (Editora Cultura Cristã), E agora, como viveremos? (com Charles Colson, CPAD) e Verdade absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural (CPAD) – este último, lançado no evento.
Prometo postar alguns trechos dele aqui no blog: já estão devidamente sublinhados.

A separação entre ciência e fé

Nancy Pearcey tratou fundamentalmente da herança iluminista na cultura ocidental, que separa até hoje ciência e fé, colocando-as em estágios estanques sem comunicação possível. Em sua primeira palestra, tratou das duas reações das artes plásticas a essa configuração: a romântica, que aceita a oposição entre razão e espiritualidade e se engaja contra a primeira, originando movimentos como o expressionismo (Van Gogh, Gauguin), o simbolismo (Dalí), o surrealismo (Chirico), a pintura de “ação” (Pollock), o desconstrucionismo (Rauschenberg); e a naturalista, que se confessa empirista e promove uma arte que se propõe “colada” à realidade ou àquilo que o olho pode perceber, como o impressionismo (Monet), o cubismo (Cézanne), a arquitetura Bauhaus.

Foi impressionante a convergência entre essa primeira conferência e a minha palestra, na qual também parti de uma crítica ao romantismo para explicar o que Girard quis dizer com “mentira romântica” – que é a convicção na autonomia, na originalidade e na independência do homem como agente sobre o mundo. Creio que, na literatura, é a tendência romântica – oposição sistemática à razão e às convenções, confiança no “novo” – que se faz mais presente, ainda que aqueles que tratam da “modernidade” no sentido francês gostem de falar da fragmentação e da fraqueza humanas. No entanto, fazem-no, segundo o que posso perceber, no mesmo viés romântico: autores e teóricos literários “modernos” acabam transformando a “fragmentação” e a “fraqueza” em verdadeiras forças de resistência contra o que chamam de tentativa unificadora, ou totalizante, espécie de poder cristalizador que é o vilão da literatura na modernidade. É claro, a religião, via de regra, e especialmente o cristianismo, entra nisso como um dos poderes moralizantes que se deve aniquilar. E quem chega para substituí-la na ânsia humana pelo transcendente? Exato: a arte. Assim como declarei em minha palestra sobre Girard, Nancy Pearcey apontou para o viés romântico na arte como um substituto moderno – amoral, irracional, sem conteúdos objetivos visíveis – para a religião.

Foi uma convergência tão feliz de idéias que acabamos conversando um longo tempo em uma das diversas confraternizações que se seguiram às conferências (eu com meu inglês macarrônico e “with an accent”), além de trocarmos alegremente sugestões de livros e autores. Dei-lhe os nomes de James Houston e John M. Ellis, além de recomendar a leitura de A condição humana (Hannah Arendt, sobre a cisão cartesiana entre razão e fé) e O movimento psicanalítico (Ernest Gellner, sobre o conceito freudiano de inconsciente como um substituto para Deus). Ela me retribuiu com uma extensa lista de autores sobre a arte, gente de quem eu nunca havia ouvido falar, como Jacques Barzun, Donald Kuspit, Gene Edward Veith e Roger Lundin – este, sobre teoria literária e hermenêutica. Foi um encontro muito estimulante e produtivo!

O darwinismo I: aleatoriedade estéril e assassina

Nas palestras que se seguiram, Pearcey explicou como a rivalidade entre ciência e cristianismo é fundamentalmente um mito, evidenciando o impulso que o cristianismo deu ao pensamento crientífico com seus pressupostos - do qual o mais importante é a crença em uma inteligência divina por trás dos mecanismos e das estruturas existentes no mundo, o que deu a certeza ao pesquisador de que há inteligibilidade sistêmica por trás dos fenômenos. Ficamos sabendo, por exemplo, que a hostilidade da Igreja Católica à pesquisa científica foi, em grande parte, forjada por historiadores materialistas comprometidos em derrubar o cristianismo, e que a distorção que praticaram tem sido amplamente reconhecida por pesquisadores sérios. Pearcey recomendou o filósofo Alvin Plantinga, que, além de confirmar a matriz cristã para a ciência, adverte que o evolucionismo não garante as crenças mais verdadeiras e/ou verossímeis (Warrant and Proper Function) e condena o que chama de "liberal duplipensar" (Darwin, Mind and Meaning). A autora mostrou ainda na tela uma impressionante lista dos grandes cientistas de todos os tempos: ao contrário do que poderíamos imaginar, a esmagadora maioria se confessa cristã ou simpatizante ao cristianismo, com um ou dois ateus ou agnósticos.

Pearcey ressaltou sobretudo as conseqüências nefastas do darwinismo para as ciências humanas, doutrina que trata o homem como produto aleatório da evolução e exalta, por isso, o pragmatismo das decisões da natureza, que elege “aquilo que funciona”. Foi especialmente chocante e triste ter conferido até onde esse pensamento pode nos levar: John Gray, filósofo britânico, fala com desdém na “idéia de dignidade humana que vem com o cristianismo”, e o infanticídio é defendido por Peter Singer como uma extensão lógica do aborto (viram no que dá apoiar esse negócio?!). Ainda há um livro importante que correlaciona darwinismo e fascismo: Modern Fascism: the Liquidation of the Judeo-Christian Worldview, por Gene Edward Veith, autor cristão.

Aliás, um apelo às editoras cristãs brasileiras: por que não deixar de lado um pouquinho a vertente “psicologia espiritual”, às vezes intimista demais e por isso em consonância com o pensamento moderno, e publicar esse tipo de literatura, que nos ajuda a melhor ser luz e sal no mundo?

O darwinismo II: uma fraude em toda a linha

Por fim, acompanhamos com Pearcey a fraude do darwinismo, cujas principais “provas” - como o aumento do bico do tentilhão, as mariposas de Manchester ou os embriões de Haeckel - foram evidentes manipulações desonestas, já conhecidas em sua época, porém até hoje divulgadas e utilizadas em livros didáticos. De fato, tal tipo de coisa não difere muito daquilo que os conservadores já vêm observado há um bom tempo: a existência de uma ampla tentativa de substituir as bases judaico-cristãs da cultura ocidental por bases seculares, tal como exposto na obra The Secular Revolution, por Christian Smith, citada por ela.

Observei em meu caderno que o evolucionismo parece ter se valido do mesmo impulso de Freud com relação à psicanálise: conquistar ampla aceitação por meio do carimbo da "cientificidade". No entanto, Pearcey destaca que felizmente não se pode fugir da honestidade de alguns autores: um filósofo evolucionista, Michael Ruse, chocou a comunidade científica ao declarar que o Darwinismo precisa de pressupostos autofundantes - dogmas - para se afirmar, e que nesse sentido a doutrina evolucionista seria tal e qual uma religião. Conclui desta forma sua série de palestras, afirmando ousadamente que tudo aponta para o fato de que o evolucionismo não é uma “teoria científica”, mas apenas uma filosofia, uma explicação dos fundamentos da existência para a qual não há evidência propriamente factual ou científica. Nesse sentido, o cristianismo e o evolucionismo competiriam, segundo ela, nas mesmas bases – sendo o evolucionismo também pertencente à esfera da crença religiosa.

No entanto, devo acrescentar que nessa competição nós obviamente estamos na frente: a nosso favor, conta o testemunho ocular dos contemporâneos de Jesus que presenciaram a história em torno de sua ressurreição, que até hoje não pôde ser contradita formalmente por nenhum pesquisador que se dignou a desacreditar a principal base de nossa fé. Nesse sentido, o evolucionismo ainda contém um aspecto irracional que não está presente no que cremos: não há um só fato fundador das crenças darwinistas, apenas especulações. É quando podemos não só lamentar o estado de ignorância em que se encontram as instituições de ensino em todo o mundo, mas regozijar, porque Deus nos deu meios de provar que nossa fé não é inimiga da razão nem da ciência. Deus seja louvado!

Realmente promete essa série de congressos - que, conforme as palavras do chanceler da universidade, Augustus Nicodemus, unem compromisso com a confessionalidade do Mackenzie e estímulo ao debate. É com expectativas que aguardo o próximo!

19 comentários:

João Emiliano disse...
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Norma disse...

JE, você parece até aquela música do Raul Seixas: Metamorfose Ambulante!

Você era espírita, depois se tornou católico, depois andou trocando umas figurinhas com meu amigo protestante e adotou um discurso protestante. Agora, diz ser liberal nos moldes do Janer! Tudo isso EM MENOS DE UM ANO! Que fiasco!

Perdoe-me, mas não é dessa maneira que se adota coerentemente um conjunto de valores. Você está precisando de leituras sérias, compenetradas e longas; está precisando se retirar na solidão e descobrir o que realmente pensa; está precisando parar de adotar essa postura camaleônica-frenética de tomar a cor das pessoas com quem conversa. Você parece aquele personagem do Woody Allen, Zelig!

Está precisando, em suma, de Jesus, Aquele de quem podemos ser Zelig à vontade, sem corrermos o risco de perder nossa personalidade.

Abraços!

Norma disse...

(Isso, na melhor das hipóteses; pois começo a pensar, sinceramente, que você é um bogus tirando uma com nossa cara...)

Eliot D. Chambers disse...

JE, você vai me desculpar, mas a Norminha está coberta de razão.

Suas decisões existenciais mais sérias são tomadas ao sabor de seu humor e suas paixões. A cada semana você é uma coisa. Lê dois ou três artigos e já muda de posição. Não há meios-termos, ressalvas, reflexões demoradas (porque sim, essas coisas requerem MUITA reflexão), não há profundidade. Só repetição mecânica de clichês.

Penso que nem o ateísmo sério, mesmo com sua miséria intelectual notória e seu legado pífio, mereça uma adesão baseada em tanta superficialidade intelectual.

Fica difícil dar crédito a tanta instabilidade. Semana que vem, você será o quê? Um neopornocrata social-islâmico pós-Keynes? Não duvido.

Nada pessoal, viu?
Abraço!

Hereticus disse...

Em 1996, um livro com o sugestivo titulo "Darwin's Black Box", ou seja "A caixa-preta de Darwin", inaugurava o movimento designio inteligente (DI): o argumento que a natureza exibe evidencias de planejamento, onde Darwin so' via aleatoriedade. Seu autor, Michael J. Behe, e' um bioquimico, e de fato o seu livro tem como sub-titulo "O desafio bioquimico `a evolucao".
Agora em 2006 Behe publicou uma edicao comemorativa dos 10 anos desse desafio. Para provar o que Ann Coulter afirma a respeito da igreja do liberalismo em seu mais recente livro "Godless",o New York Times Book Review em sua resenha do livro de Behe afirma:
-"Quando examinado com os poderosos instrumentos da biologia moderna,mas sem os seus preconceitos, a vida do ponto de vista bioquimico e' um produto, diz Behe, que so' pode ser explicado por um designio inteligente.Vindo de um biologista praticante ... esta proposicao e' quase uma heresia".
De fato, se o darwinismo fosse uma ciencia, a proposicao de Behe seria dita falsa, sendo o darwinismo uma religiao, a proposicao de Behe e' classificada como heretica.
Ja' nos anos 20 do seculo XX, o notavel pensador Hilaire Belloc denunciava o darwinismo como uma falsa filosofia posando de ciencia e baseada em muitas charlatanices.
Essencialmente os mesmos argumentos de Belloc foram utilizados por Gustavo Corcao em suas criticas ao darwinismo.
Uma excelente analise do debate entre darwinismo e designio inteligente (DI), escrita do ponto de vista do movimento DI, acaba de ser publicada por Jonathan Wells, com o titulo "The Politically Incorrect Guide to Darwinism and Intelligent Design".

Guilherme Carvalho disse...

Olá Norma!

Eu gosto mesmo de Tillich, assumo. Mas gosto meio como de um bife que, no fundo, quero devorar - uma coisa que é saborosa, mas só depois de morta e temperada. Quero dizer com isso que só consigo gostar de Tillich na medida exata em que o recorto com dentadas teóricas.

Mas um dia desses vou ter que me explicar. Tenho vários colegas mais reformados do que eu, e que estranham minhas associações com pecadores notórios, como Tillich...

A propósito, a finalidade da minha comunicação era apresentar uma refutação à proposta de Tillich sobre a relação entre fé e ciência. Se eu publicar, aviso.

abr,

Guilherme

Cláudio Marra disse...

Cara Norma
Excelente a sua resenha do evento. Agora entendi tudo... Mas a nossa editora é Cultura Cristã. E se vc me mandar seu endereço eu te mando o Tempos Pós-modernos do Gene Edward Veith, Jr.
Beijos
Cláudio

Solano Portela disse...

Norma:
Parabéns pelo resumo. Foi muito bom revê-la e volte sempre.

Guilherme:

Eu também estranho esse "gosto" pelo Tillich, com sua teologia amorfa e niilista. Não combina com você...

Abs

Solano

Norma disse...

Oi, Cláudio!
Puxa, é mesmo! Que vergonha! Hehehe. E vou aceitar o presente sim! Muito obrigada!

Solano, o Guilherme deve ter excelentes razões para estudar Tillich. Pena que não encontramos nenhuma, rá rá rá! :-)
Eu estou tão doida para me livrar desses modernosos e pós-modernosos que, de preferência, depois do doutorado quero me meter apenas com cristãos de verdade. Mas vou parar por aqui, porque senão a provocaçãozinha ao Guilherme acaba virando provocaçãozona. :-))

Norma disse...

Só para constar: não vou publicar nenhum comentário anônimo que contiver apenas citações. Às vezes publico anônimos, desde que venham com conteúdo inteligente da própria lavra do comentador.

Juan de Paula disse...

Norminha,

obrigado por postar um resumo muito bem feito do evento! Estamos babando por aqui (risos)!!!!!!

A Paulus publicou o Bode Expiatório do Rene Girard. Vc já leu esse texto? Seria re-edição?

Quanto o gosto do Guilherme por Tillich, eu entendo bem, risos! Franklin gosta de Barth (claro que discordando) e eu de Bonhoeffer (claro que discordando também de alguns pressupostos).

Beijão e meu sumiço se da por causa das atividades pastorais na igreja, mas estou com saudades!!!!!!!!!!!!!

Guilherme Carvalho disse...

(Ao Solano e à Norma):

Ora, vocês dois! :-D

Tillich foi considerado por ninguém menos que Alister McGrath como o maior dos liberais no século XX (os Tillichianos, é claro, já sabiam disso...). Haveria melhor forma de penetrar no coração do liberalismo?

Ainda mais se atentarmos para o trânsito intelectual de Tillich. Ele foi educado no romantismo alemão, lutou na 1 Guerra, viveu as lutas socialistas na europa, e viu o existencialismo nascer - foi colega de Heidegger. Duelou com Barth! Foi interlocutor da escola de Frankfurt (inclusive orientador de Adorno) e viveu situações novas enfrentando o empirismo teórico na america.

Considerando a abrangência de sua teologia da cultura (que envolve política, arte, ciência e tecnologia, psicanálise, filosofia e história), trata-se de um gigante intelectual (um golias, admito). Na minha opinião, sem paralelo, sobrepujando em genialidade e compreensividade a maior parte dos calvinistas, exceto, talvez, Herman Dooyeweerd.

Diagmos que Tillich consegue concentrar e articular em si uma tal quantidade de tendências e tradições intelectuais, que sua obra se torna uma janela privilegiada para a modernidade, em sua relação com o cristianismo. É como se pudéssemos olhar através de muitos olhos ao mesmo tempo.

Quanto a mim, tenho uma gana pessoal pela subversão de produtos culturais não-cristãos (e isso inclui Tillich), a partir de sua necessária e infalível obediência-na-desobediência, aos limites criacionais divinamente estabelecidos. Por isso queria matá-los, para que eles ressurgissem...

Sei que minhas mãos provavelmente ficarão sujas de sangue, como as de Davi e, talvez, eu não seja digno de construir um templo de ortodoxia. Mas, que posso fazer a respeito? - é a minha vocação, meus amigos.

Além do mais, os crentes já sabem ler o livros dos crentes. O que eles não sabem é ler os livros dos incrédulos, hehehe!

Há ainda uma razão contextual para o engajamento com Tillich: suas idéias continuam vivas e ativas no planeta terra - e no planeta Brasil! Precisamos dar uma resposta evangélica a isto.

Acho que vou ter que escrever algo sobre o ponto mesmo... :-)

abr,

Gui

Juan de Paula disse...

Guilherme,

não só Tillich, mas o biblista Bultmann por exemplo precisa estar ultrapassado no Brasil. Sei que em inglês tem obras que refutam o pensamento dele, mas no Brasil, só oscar Culmann tem coisa traduzida refutando Bultmann.

Antes ficava chateado de ter que ler liberais por causa do seminário, mas hoje percebo que para destruí-los (a nível de idéias) preciso entender o que essa gente pensa.

É meu caso com Bonhoeffer de amor e ódio. Franklin com Barth e vc com Tillich (risos)!!!!!!!!

Mas continuemos detestando idéias liberais!!!!!!!!!!!!

Abração,
Juan

Hereticus disse...

Desculpem eu voltar ao Darwinismo, mas considero de suma importancia para que os pais possam combater os absurdos que seus filhos sao submetidos nas escolas, que eles pais se mantenham atualizados com os argumentos do lado que Chesterton chamava do bom senso, ou seja do uso da razao.Alias, ja' Mark Twain advertia: "Nao deixe que a escola interfira com a sua educacao". Quero recomendar a leitura de "Darwinian Fairytales: Selfish Genes, Errors of Heredity, and Other Fables of Evolution", por David Stove.(Editora Encounter,2006, 345 pp.) Traducao do titulo: "Contos darwinianos da Carochinha: Genes Egoistas, Erros de Hereditariedade e outras Fabulas da Evolucao". Duvido que alguma editora brasileira venha a verter essa obra para a lingua que Eca de Queiroz chamava "tumulo do pensamento humano", pois ele considerava que aquilo que e' publicado na lingua portuguesa esta' enterrado para o resto da humanidade.David Stove (1927-1994) foi um filosofo australiano,e nesta obra ele inicia atacando a ideia Malthusiana sobre a qual Darwin edificou sua teoria da selecao natural. A seguir ataca o conceito de Hobbes (do qual a teoria de Darwin tambem depende) de que a vida humana e' uma guerra pela sobrevivencia, de cada um contra todos os demais. Descartadas essas ideias, ou se abandona o evolucionismo darwiniano, ou se aplicam os "remendos" que os darwinistas dos ultimos tempos propoem. Mas estes remendos estao ainda mais divorciados da realidade que os argumentos originais de Darwin... Estes remendos sao as Fabulas do titulo: genes egoistas,etc. Se alguem acredita nessas fabulas, entao pode acreditar no evolucionismo darwiniano e dormir tranquilamente.
PS: Continuo no anonimato porque sou professor de universidade publica e tenho familia para sustentar, e criticar o darwinismo em publico e' suicidio academico.

Norma disse...

Hereticus,

Nem sei o que dizer. Seu anonimato é mais uma prova do que temos dito insistentemente: estamos vivendo hoje no Brasil uma sutil ditadura. Quem não adere aos pressupostos desse regime sofre uma imediata morte social e corre sérios riscos de sanções maiores, como a perda do emprego. Conheço vários direitistas e/ou conservadores que permanecem no anonimato por essa razão. O problema é que aqueles que representam o establishment vivem reclamando que o establishment não são eles - vivem num espécie de mundo de ficção onde são os oprimidos. E, em nome dessa opressão imaginária, seguem confortavelmente com a bandeira da "diferença", oprimindo de verdade os diferentes de fato. É o "totalitarismo da vítima" segundo Girard. Há quem minta conscientemente, há quem acredite na própria ficção.

Já uma das vítimas verdadeiras é, sem dúvida, o cristão na universidade: ele sabe que, se abrir a boca para dizer o que realmente pensa, sofrerá de várias formas, mas nem sempre está consciente da sua contenção, de tão acostumado. Digo isso por experiência própria: passei por todo o processo de me dar conta do meu silêncio e da minha subserviência, além da dor de romper com esse padrão vicioso. O blog é resultado disso. Perdi algumas coisas com ele, mas o que ganhei foi infinitamente maior, graças a Deus. Só Ele para nos fazer nadar contra a maré e sairmos vitoriosos, assim como Jesus.

Francisco Mário disse...

Norma, sempre tenho visto seu nome no blog tempora-mores e tive a curiosidade de entrar nele. Fiquei fascinado pela sua postura, erudiçao e sabedoria... mais um p ver. Parabéns

hereticus disse...

Norma, que ouso chamar de amiga:

obrigado pelas palavras de compreensao. Quando uma quadrilha se instalou no governo, e dela faz parte um Ministro que afasta da investigacao policial um delegado que procurava mostrar a verdade, a ditadura ja' nao e' tao sutil...
Sei que nossa acao deve suportar nossas palavras, mas de momento tudo que posso fazer e' contribuir para aqueles blogs que como o seu lutam o bom combate.
Ontem a noite cheguei a escrever um e-mail para a ONG "Appeal of Conscience" do rabino Arthur Schneier. Essa ONG entregou ao Lula o premio de Estadista Mundial do Ano(isso mesmo),em jantar de gala quando da recente visita de Lula `a ONU. Mas na hora H de enviar o e-mail, cliquei "cancelar". Dei-me conta que essa ONG nao pode ser honesta: com tanta corrupcao sendo objeto de denuncias diarias na imprensa, o sr. Schneier manter esse premio e' porque estamos em pleno 1984 orwelliano, onde a mentira passa por verdade. Diga-se de passagem, que o site Appeal for Conscience informa que o rabino Schneier ja'estava de viagem marcada para Pequim para as festas de reabertura de uma sinagoga,a dita ONG tendo pago as despesas das obras de restauracao.E'que a China quer patrocinar uma olimpiada, e os atletas de religiao judaica precisam de uma sinagoga. Nada mais justo, e a gente esquece que a tal sinagoga estava desativada e profanada pelo mesmo regime que agora se passa por bonzinho.Haja estomago para digerir tanta hipocrisia.

Que o Senhor Jesus te guarde, e abencoe a tua obra.

Norma disse...

Obrigada, Francisco!

É mesmo estarrecedor, Hereticus, assistir a todos esses movimentos da política mundial, sabendo que pouco podemos fazer para denunciá-los ou detê-los. Que Deus nos ajude a fazer aquilo que realmente dará frutos, sem nos cansar ou perder tempo com o que é "palha a ser consumida pelo fogo". Abraços!

Paulo Alexandre disse...

Minha igreja está com uma classe especial de EBD com o tema "Levando a Sério o Criacionismo". Além do aprendizado, os debates têm sido meio quentes, mas eu espero que a Verdade encontre terreno fértil em alguns corações.

É assustador ver quanta gente há na igreja que nem ao menos cogita relativizar a Bíblia para enquadrá-la no pensamento dominante do nosso tempo.

Se houver algum carioca interessado -- Norma, posso fazer um pequena propaganda? -- essa classe é às 11:00 de domingo, na Igreja Batista Itacuruçá, na Tijuca.