11 outubro 2007

Diálogo Filosófico I: Teoria e vida, um falso dualismo

Dois personagens intergalácticos de C.S. Lewis, nascidos em um planeta já redimido por Deus, resolvem visitar escondido no meio da noite, sem fazer alarde, a maior biblioteca do planeta Terra. Depois de uma rápida olhada pelos livros ali presentes - afinal, sua velocidade de leitura e compreensão é muito maior que a nossa - , o mais novo, indignado, comenta com o mais velho:

- Quem foi que inventou neste planeta o texto teórico sem conexão com a vida?

- Hummmm... Boa pergunta. Só pode ter sido o próprio diabo. Com o reforço dos seres humanos que têm especial dificuldade com suas emoções.

- E quem foi que inventou que não existe teoria pessoal? Isso parece ser dominante a partir do século XX...

- O mesmo diabo. Para confundir as mentes. Agindo assim, força o ser humano a escolher entre teoria e vida, um falso dualismo. No primeiro caso, o homem se torna um racionalista, refugiando-se na exposição lógica sem conexão com a experiência. Não consegue revelar sentimentos nem se relacionar profundamente com ninguém. Tem medo de viver e se encastela nas tautologias da linguagem, nas complexidades fúteis da filosofia ou nos meandros de um idealismo missionário, como se fosse alguém puro demais para se misturar com os demais homens. No segundo caso, é um cínico, um destruidor em série de toda possibilidade de argumentação objetiva. Não vê quase nada em comum entre os homens. Perde-se nas diversidades da vida e se recusa a elaborar explicações para a variedade de fenômenos a que assiste, tornando-se um experimentador que nada consegue aprender, alheio às incoerências de sua própria cosmovisão...

- Parece-me que os dois extremos se encontram na esterilidade...

- Sim, todo dualismo produz efeitos semelhantes, ainda que pareçam opostos.

- Mas o racionalista não pode ser, ao mesmo tempo, um cínico?

- Sim, principalmente nesses tempos bicudos que o planeta Terra vive! Hoje, o ser humano se acostumou a tal ponto com a setorização mental que consegue, por exemplo, ser um racionalista em seu emprego e um cínico em sua vida pessoal. Ou vice-versa. As combinações são incontáveis... Em todas elas, está presente o mesmo muro que impede a conexão profunda entre ser, crer, pensar, agir.

- E o diabo se aproveita para pulverizar ainda mais a mente dos habitantes do planeta!

- É. A cultura dominante reforça tanto a fragmentação quanto a inconsciência e consegue até confundir os próprios crentes...

- [Arregala os olhos.] Os próprios crentes?!

- Sim, infelizmente. Há muitos crentes que lêem a Bíblia e “sabem” a história da salvação, mas não conhecem Cristo, não são transformados para a santidade. E há muitos crentes que escolhem só o aspecto relacional da fé, o amor cristão, mas negam-lhe o caráter universal, moral e transcendente, justificando a si mesmos para não ser transformados. Nesses casos, só o poder revelador e unificador do Espírito Santo pode intervir para a verdadeira comunhão com Deus.

- [Revoltado] Que cruel estratégia a do diabo!

- Sim. Mas Deus é poderoso para desfazer esse emaranhado e mitigar suas conseqüências.

- Amém!

- Amém!

Os dois seres deixam então a biblioteca e o planeta, concordando silenciosamente em oração sobre o desfecho da conversa.

25 comentários:

jybob disse...

O rei Davi cometeu muitos erros durante a sua vida, mas ele tinha algo muito especial no seu coração. Ele era capaz de reconhecer o seu erro, rasgar o seu coração e pedir perdão a DEUS. Talvez alguns que vivem entre Teoria e o Dualismo não consigam fazer o mesmo.

Você diz “se fosse alguém puro demais para se misturar com os demais homens”. Essa é a doutrina praticada pelos nicolaítas. Dos quais o Senhor Jesus chama para o arrependimento.

Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. (Apocalipse 2 : 6)

No falso dualismo você diz “. Perde-se nas diversidades da vida”. Perder-se na diversidade, também é viver sobre as preocupações que a riqueza material trás. Essa mesma riqueza o senhor Jesus exorta ao arrependimento:
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; (Apocalipse 3 : 17)

Entre os dois extremos está o arrependimento. Aquele que ouvir a voz do arrependimento uma porta se abrirá e o Espírito Santo o guiará pelo caminho eterno da verdade.
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. (Apocalipse 3 : 20)

E outras portas se abrirão quando todos os cristãos descobrirem que fazemos partes de um só corpo. Isso é como o oposto da Divina comédia humana; no cristianismo tudo é eterno. Desde agora para sempre. - Amem!

Norma disse...

Gostei dos prolongamentos! :-)

João Lemos dos Santos disse...

Maleldil nos ajude!

Não sei se você já leu o que o Gustavo escreveu sobre essa segmentação interna da cabeça dessa gente, mas é boa coisa.

Thiago Amaral disse...

Cara Norma Braga,

Vou comentar um outro assunto: estava pesquisando na internet sobre o Evangelho de Judas, e cheguei ao seu artigo. Devo dizer que concordo em gênero, número e grau, trata-se de uma tentativa de usar uma filosofia ou crença nascente para preservar ensinamentos gnósticos antigos.

O Consílio fez muito bem em tê-lo deixado de fora.

Mas se já não fez, aconselho ler o evangelho de Maria Madalena, e, principalmente, o evangelho de Tomé. Para quem já leu e releu os canônicos, o de Tomé é um colírio aos olhos, contém as mesmas passagens mas com uma interpretação mais abrengente, menos literal, mais simbólica, mais filosófica, mais...budista??!

É simples, puro, espetacular.

Foi uma lástima ter sido banido.

Alguém com sua sensibilidade se não o fez, deveria ler.

Um abraço.
Seu admirador,

Thiago.

Thiago disse...

Norma,

Desculpe introduzir um assunto nada a ver, se preferir não publique, mas lá vai:


Ando lendo o seu blog de cabo a rabo. Mas você é uma incógnita para mim: oscila o tempo todo entre o conhecimento libertador (das mentes) e o discurso limitador das convicções taxativas e rotulantes (classificatórias sobre tudo, segmentárias). Mas o mais impressionante de tudo é que eu tenho uma certa sensibilidade com as pessoas, e não sinto muita convicção no seu lado convictamente taxativo. : )

Parece-me que tenta ser algo que não é em seu íntimo.

Em outras palavras: como é que uma garota tão bonita, inteligente e realizadora como você (desculpe a liberdade, mas na foto está uma gatinha) pode estar tão brava com o mundo? Na verdade sinto que nem está, está emprestando um discurso de alguém que admira.

Mas continuo te lendo sempre.

abraços.

Norma disse...

Oi, Thiago,

Pra começar, você é uma figura. :-)

Vou dar uma olhada nos evangelhos apócrifos que você citou, mas tenho certeza de que, ao lê-los, entenderei melhor por que ficaram de fora - se o de Tomé, principalmente, é mais budista, é óbvio que se torna automaticamente menos cristão. A verdade é que o cristianismo, para os gostos atuais, é muitas vezes politicamente incorreto e até antipático, mas quem disse que Cristo veio para agradar aos homens?

Quanto a sua última mensagem, acredite, eu sempre penso bastante sobre esses meus dois lados. É verdade que tenho uma sensibilidade que chega a ser boba de tão aberta, e é igualmente verdade que tenho um lado meio calvino (hehehehe!). Da mesma forma, sou emotiva ao extremo e racional ao extremo. Não sei como pode ser isso, mas pode. E não penso nessa dualidade em termos de dualismo, como você fez: atribuindo necessariamente a um dos lados um caráter artificial, enquanto o outro seria verdadeiro. Os dois são verdadeiros. Quem me conhece de fato sabe. E sabe também que comigo tem sido assim: firmeza de idéias, abertura de alma no trato pessoal. Algo que nem sempre é feito com o equilíbrio devido, mas tenho aprendido, com a graça de Deus.

Abraços!

tô com vergonha de me apresentar disse...

Oi Norma!

Incriiiiiiiiivel o seu artigo!

Ele está crítico, filosófico, lúdico, espiritual e ao mesmo tempo dá passagem para reflexões infinitas.
Através do seu senso crítico desenvolvi o meu trabalho (alias do Senhor Jesus) de uma forma mais ampla. Como se diz “nada acontece por acaso”. E não foi a toa que conheci o seu blog. Você me ajudou muito. Obrigado por sua ajuda e me perdoe por parecer um pouco louco. Afinal, as coisas que escrevo são muito fortes e as vezes até eu fico perplexo diante dos fatos (assim como o profeta Daniel). Acho que precisaria de uma eternidade para debater assuntos com tantas possibilidades de reflexão.

Parabéns flor!
Qualquer dia desses visite o meu assustador e realista blog.
Acho que eu e o Steve Jackson vamos ser decaptados pela ONU hehehe

Abraços!

Norma disse...

EI, adorei seu comment! Não tenha vergonha de se apresentar não... Quero o link do seu blog!

Ser decapitado pela ONU seria uma honra e tanto! ;-)

Abração pra você!

P.S. Who is Steve Jackson?

Agora que tô com vergonha mesmo disse...

Oi norma :=)

Vou pegar um frase de seu post como inspiração “O mesmo diabo. Para confundir as mentes”. Steve Jacksom é o criador do Jogo RPG Illuminati. Nesse jogo ele tenta mostrar como o diabo está confundindo a mente das pessoas para estabelecer a Nova Ordem Mundial.

http://www.sjgames.com/illuminati/

Mais inspiração do seu artigo:

“A cultura dominante reforça tanto a fragmentação quanto a inconsciência e consegue até confundir os próprios crentes...” (vc é muito inteligente mesmo!!! E eu que te achava irritante.Agora que estou envergonhado, me perdoe!!!)

Abaixo deixo um link para você conhecer a “cultura dominante” que está confundindo os próprios crentes (antes de ler leia esse versículo):
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. (II Coríntios 11 : 14)

http://www.rcgg.ufrgs.br/

(acesse o link A prova cientifica da existência do “DEUS” da ONU)

Eu paro por aqui minha amigona. O resto quem vai revelar nesse coração maravilhoso (que agora realmente conheci) é o Senhor Jesus e não eu.

Sempre vou visitar o seu blog para me alimentar espiritualmente

Abraços

Pedro disse...

"Quanto a sua última mensagem, acredite, eu sempre penso bastante sobre esses meus dois lados. É verdade que tenho uma sensibilidade que chega a ser boba de tão aberta, e é igualmente verdade que tenho um lado meio calvino (hehehehe!). Da mesma forma, sou emotiva ao extremo e racional ao extremo. Não sei como pode ser isso, mas pode. E não penso nessa dualidade em termos de dualismo, como você fez: atribuindo necessariamente a um dos lados um caráter artificial, enquanto o outro seria verdadeiro. Os dois são verdadeiros. Quem me conhece de fato sabe. E sabe também que comigo tem sido assim: firmeza de idéias, abertura de alma no trato pessoal. Algo que nem sempre é feito com o equilíbrio devido, mas tenho aprendido, com a graça de Deus.
"

E você está muito certa. Cito o Mário Ferreira dos Santos:

"Entretanto, não se pense que aconselhamos uma posição intermédia. Tal não seria aproveitável, como raramente é aproveitável qualquer meio termo. É preciso saber viver os extremos para pô-los um em face do outro , e tornarem-se assim produtivos de algo superior pela constatação das diferenças."

Anônimo disse...

Oi Norma !
Espero que tenha conseguido visitar o rcgg. Essa t�cnica descrita na aula levou muitos crist�os para bem pr�ximo do abismo. Como voc� mesmo diz: �...est� confundindo os pr�prios crentes...�. Alguns exemplos de pessoas que est�o sendo iludidas: Edir Macedo (fechando neg�cios com as ag�ncias da ONU), RR Soares (com seus filhos na pol�tica), Silas Malafaia (sendo condecorado na ONU, ele tirou a foto do seu site depois que eu falei, mas eu peguei na ONU e coloquei no blog he he, ) e por ai vai...

Vou deixar o endere�o do blog (mas confesso que estou morrendo de vergonha vc � muito inteligente)

http://www.apocalipsetotal.blogspot.com/

Vcs cariocas tem que pararrr de ficarrr arrrastando os ssss e os rrrr. Venham para S�o Paulo tomar um caf� com leiti, a tarde tomar um soverti, como n�o bebemos chopi aceite uma pizza paulistana.

Um super abra�o para vc.


Obs. prometo n�o ficar parasitando aqui.

Eduardo Araújo disse...

Cara Norma,

O Thiago cita evangelhos não canônicos com uma empolgação que merece uma reflexão.

O evangelho dito de "Maria Madalena" traz no título apenas "de Maria". Isso não afeta o problema básico da autoria dos escritos dos gnósticos, que tinham por hábito atribuí-los a discípulos ou apóstolos com o fim de granjear-lhes crédito e colocá-los em pé de igualdade com os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, já bastante lidos àquela altura.

A questão essencial é por que tais escritos, gnósticos, são reverenciados hoje como se fossem o supra-sumo da revelação cristã - para alguns, o "verdadeiro cristianismo". Penso ser um mal de época, por antigo que seja esse favor aos textos não canônicos, como forma de se contrapor ao Cristianismo pregado pelas religiões organizadas.

Isso gera, nos tempos atuais, a onda editorialista de baixa literatura abordando temas como o "relacionamento amoroso" de Jesus e Maria Madalena, fartamente explorado por Dan Brown e companhia. Um imenso lixo neognóstico.

Quanto ao evangelho dito de Tomé, o Dídimo, vou discordar com veemência do que disse o Thiago. Mais abrangente que os canônicos? Muitíssimo pelo contrário. Mesmo nas passagens que têm paralelismo com estes, o enfoque é pobre, sucinto, sem aprofundamento e numa direção clara aos conceitos gnósticos, pelo quê se divisa uma tentativa leve de deturpação dos textos canônicos.

Em outros pontos, o escrito suscita estranheza como nos versículos finais em que se apresenta Cristo respondendo à interrogação de Pedro sobre o destino de Maria Madalena. Queria ver os neognósticos explicarem a resposta de Jesus: Maria Madalena será transformada em homem para ascender ao Paraíso. Vale lembrar que os escritos gnósticos são admirados por muitas feministas, por conta de uma suposta importância à discípula.

Tais questões passam ao largo dos admiradores do evangelho, como os criadores do filme Stigmata. Mas há uma explicação: desde sua descoberta em Nag Hamadi no século passado, muitos oportunistas e teóricos da conspiração forjaram a afirmação de que o texto continha as palavras diretamente ditadas pelo próprio Cristo ao seu discípulo preferido. Nunca se leva em conta que esse também foi um expediente dos gnósticos. O discípulo preferido varia com o "autor" do evangelho - Judas, Filipe, Maria (Madalena?), Pedro, Tomé, e assim por diante.

Fácil de entender - nesse caso - as razões para a Igreja não admitir esses escritos no Cânon. Graças a Deus, foi assim. Prefiro me empolgar e me fartar da abrangência, da simplicidade e da pureza da Boa Nova segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Melhores, sumamente melhores.

Um abraço!

Anônimo disse...

Boas palavras, Eduardo.

O evangelho de Tomé é medíocre. Só alguem que não tenha lido e estudado o Evangelho de João ou os Evangelhos Sinóticos pode achá-lo... "simples, puro, espetacular".

Como escreveu Ireneu de Lion, trocam a face do Rei pela face da raposa.

Falta de parâmetros de comparação, só pode.

Goel

Thiago disse...

Meu amigo Eduardo,

Não se trata de abandonar um para "acreditar" em outro. Se trata de somar, de usar a leitura do evangelho de tomé para termos a chance de RELER os canônicos, à luz de uma interpretação mais abrangente.

me estranha entre os protestantes em geral tamanho fanatismo por decisões da Igreja Católica. INstituição, alías, formada apenas 3 seculos depois da morte de Cristo, com um caráter politico e de controle social. Foi tudo o que Cristo não queria: a institucionalização da espiritualidade, a intermediação da relação do humano com Deus, a criação e determinação de doutrinas e dogmas artificiais, e, claro, a escolha arbitrária dos textos que eram inspirados e dos que eram heréticos.

Meu caro Eduardo, você sabe como os canônicos foram escolhidos? Foram disputas politicas dos bispos de então, que queriam ver os textos de seus territorios aprovados. Reza a lenda que também rezavam para Deus apontar os textos corretos fazendo com que os falsos caíssem do altar.

Não se trata de colocar apócrifos no lugar dos canônicos: leio os canônicos o tempo todo. Mas tenho uma mente aberta e critica.

Da mesma forma que concordo com a Norma sobre o evangelho de Judas, extremamente mistico e claro que se trata de uma apropriação da figura de cristo para doutrinas do gnostismo, vejo no Evangelho de Tomé todas as mensagens dos canônicos só que com uma abordagem menos institucionalizada pela Igreja McDonald´s, a romana.

Um texto de passagens inspiradas.

Lembre-se que a Igreja nos seus primordios tentava ter uma "cara". É uma organização humana, política, feita à luz de Constatntino, que tentava unificar a religião de seu império. Inúmeros textos foram perdidos quando declarados hereges, assim como os livros de Alexandria, assim como os queimados por Hitler.

Jesus nunca quis fundar uma nova religião, nunca quis culto à sua pessoa. Quis ouvidos e corações.
Ele veio para CUMPRIR e religião judaica e estudiosos dizem que CUMPRIR as religiões de todo o mundo em geral. Ele reprovaria a instituição da Igreja, da mesma forma que reprovou qualquer um que tomou para si as chaves do conhecimento e de Deus.

LEIA O EVANGELHO DE TOME COM O CORAÇÃO ABERTO. Assim como os canônicos. E verá que lá também está Cristo, numa oportunidade de entende-lo de forma mais profunda e menos dogmatica.

um abraço.

Thiago disse...

Quanto á questão da frase "tranformar Maria em macho para subir ao Reino", acho que está faltando sensibilidade e compreensão maior quando se leva a questão ao feminismo:

Todos os textos são de uma época e de uma região extremamente resguardada quanto á figura da mulher. A linguagem dos textos, inclusive dos canônicos e das próprias alegorias feitas pelo próprio Jesus, é de acordo com a cultura da época.
´
Era Jesus falando a pescadores humildes da época, á mentalidade da épca, conforem a língua da época, que Deus não faz diferença entre homem ou mulher no seu Reino, da mesma forma quando questionado sobre mais de um casamento na vida terrena, quando lhe perguntado sobre quem seria a mulher do falecido no Reino.

Repito, interpretar a Bíblia de maneira literal só leva à confusão e intolerância.

De fato, o texto de Tomé começa assim: "Quem descobrir o significado INTERIOR destes ensinamentos não provará a morte".

Meus amigos, todo aquele que se desprender de coisas materiais, todo aquele que deixar os preconceitos e birras terrenas, todo aquele se fizer criança e não tiver mais vergonha de sua nudez, que não acusar diferenças e separações, que abraçar a propria humanidade e a carne como a maior dádiva dos céus: esse entrará no reino. Esse já vive o Reino".

Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.

: )

Norma disse...

Errado, Thiago. Jesus foi revolucionário quando falou diretamente à mulher que tirava água do poço, que ainda por cima era samaritana - os samaritanos eram inimigos históricos dos judeus e não partilhavam os mesmos marcos de fé.

Jesus inclusive corrige esse erro histórico nessa pequena conversa, dizendo a ela que "a salvação vem dos judeus". Veja como Jesus dá importância à história! É claro que sempre há aqueles que acham que tudo é válido, que a visão "interior" é a única que importa - mas não com relação ao cristianismo, uma fé cheia de marcos históricos e dogmas (sim, dogmas). Uma fé que não prescinde da objetividade para acolher a subjetividade.

Além disso, é pura bobagem você interpretar a escolha racional dos primeiros cristãos com relação aos livros da Bíblia como uma ação política, de tomada de poder. Bobagem politicamente correta em uma época em que a fé bíblica não tinha relevância social alguma! Eles procederam muito acertadamente quando levaram em conta vários critérios, sempre tomando o maior cuidado para não ferir o princípio da coerência lógico-histórica, deixando de admitir contradições e mitos fantasiosos próprios ao gnosticismo. O problema é o seguinte: a mente moderna não trabalha com categorias universais como verdade e erro, preferindo substituir o escrutínio lógico-factual-histórico pela imaginação e pelo maravilhamento estético. Imaginação e estética são importantíssimas, mas em cooperação com a verdade, não em oposição a ela.

Cuidado com isso. Você pode achar que sua mente funciona de modo maravilhosamente criativo e "novo", mas está totalmente dentro do espírito deste século, que é o de subordinação da verdade à estética, de perda de referências históricas e de rebaixamento da razão lógica. Isso até enlouquece. Peça a Deus que o ajude a ler a Bíblia da forma Dele, não da sua.

É com amor que lhe digo isto, porque já pensei exatamente como você.

Abraços!

Thiago disse...

Norma,

Se você acredita que a religião naquela epoca de desfalecimento do imperio romano não tinha importancia alguma, me desculpe, mas perdemos o diálogo. Não há como discutirmos o a + b = c se o que é historicamente comprovado como "a" não é "a" para você.

Eu já disse, respeito todas as opiniões. Apenas tento esclarecer as minhas, e corrigir o que entendo seja uma maneira limitada - e perigosa - de interpretar a Biblia.

Quanto á outra questão, sim, a salvação vem dos judeus. O povo escolhido para salvar a humanidade. De uma pessoa - Cristo - que pregava justamente a nova aliança, a renovação da doutrina, a comunhão. A quem amou a humanidade, que disse que o pecado não existe senão na mente dos homens, que corrompem a carne, e não que são corrompidos por ela. Que nos avisou quanto ao aproveitamento de Seu nome.

E, Norma, lembrêmo-nos: "Ninguém vai ao pai senão por Mim".

Sim!! Mas isso não quer dizer que alguém tem que ser Cristão para ir ap Pai. Ele é o meio: suas palavras e ensinamentos nos levam a compartilhar do seu Reino, não sua religião, até porque Jesus ERA UM JUDEU!!!

Ou você acha que uma pessoa iluminada como o Dalai Lama que vive em Cristo muito mais que a maioria dos cristão que eu conheço pode ser acusado de não "aceitar" Jesus?? Aliás eu ODEIO a expressão "aceitar a Jesus".

Mas respeito a sua opinião, de verdade.

Um abraço.

Norma disse...

Thiago,

Sua cabeça é confusa, rapá. Confusa à beça! Eu estive muito longe dessa interpretação sua aqui: "Se você acredita que a religião naquela epoca de desfalecimento do imperio romano não tinha importancia alguma..." E, sinceramente, perdi a vontade de explicar. Acho que você não vai ler nada direito depois dessa.

Se você acha "perigoso" interpretar a Bíblia como eu interpreto, o que é "perigo" para você? Esse blog representa um "perigo" para alguém? Diga, você passa pelas igrejas evangélicas com medo de quê? Ora bolas!

Certos discursos enjoam... e em contrapartida só as respostas meio enigmáticas podem ser de alguma eficiência. Assim, digo o seguinte: o cristianismo verdadeiro é perigoso, sim, muito perigoso - para quem não gosta da luz, pois a luz revela as obras más, aquelas obras que você não quer que Deus veja nem quer reconhecer em si, obras em pensamento, palavras e ações. Simple as that.

Anônimo disse...

O Thiago é gnóstico!

Não adianta debater Bíblia com um cara desse, Norma.

Tem que fazer como Ireneu e Tertuliano: se ele não guarda a regra de fé, não é dos nossos.

Tudo o mais, à partir disso, é jogar pérolas aos porcos.

Goel

Anônimo disse...

Fora que o esqueminha histórico mencionado pelo Thiago, sobre a igreja primitiva, é simplório de dar dó.

Goel

Thiago disse...

Norma, eu gostei do seu blog e por isso estou me manifestando. Não quero discutir. mas é que fica difícilc conversar quando algumas coisas são ditas: "Além disso, é pura bobagem você interpretar a escolha racional dos primeiros cristãos com relação aos livros da Bíblia como uma ação política, de tomada de poder. Bobagem politicamente correta em uma época em que a fé bíblica não tinha relevância social alguma!"

O que você está chamando de uma escolha racional dos primeiros Cristãos, foi uma escolha politica 350 anos depois de Cristo no Conselho de Nicéia quando muitos textos já eram lidos. Invlusive do te Tomé e de Felipe, e de Marcos e de João, e de Maria, e outros que infelizmente nunca vamos conhecer, porque depois do concilio foram declarados hereges e sairam matando tanto textos quanto pessoas. Até então não era tido como certo entre os cristão nem mesmo a divindade de cristo, pois nos 2 concilios anteriores essa questão não "tinha passado". Embora para mim não faça a menor diferença, Jesus venceu o mundo como homem e não como Deus, foi Deus que se fez homem e se não tivesse vencido como homem não teria o menor significado para nós. Mas enfim, isso não é importante, importante é ver que uma serie de coisas que se diz como VERDADE não passa de decisões contextuais de uma epoca em que formava-se uma instituição, em que buscava-se uma cara, em que um imperio decadente se desfalecendo procurava se apropriar de uma religião crescente. A mesma instituição que virou as costas para os protestantes, que queimou hereges e mulheres na Inquisição, que decidiu queimar livros com medo do conhecimento (que era perigoso pois acabava com seu poder), que se associou com a classe dona da terra, que aliás NASCEU da classe dona da terra. Então não ache você que foram os "cristãos" que escolheram 4 textos apenas com sua razão. Foram muito tempo depois escolhidos pelos burocratas da alma, que edificavam conceitos do que era proibido e do que era permitido etc.

Mudando de assunto, Norma, eu não quero brigar e não estou brigando. Não acho seu site perigoso, acho a interpretação literal da Biblia perigosa. Eu não vi aqui campanha nehuma inspirando odio, como em outros lugares "cristãos". Senão estava bem longe.

Apenas gosto do assunto e de debate-lo.

um abraço

Norma disse...

Eu acho o gnosticismo muito mais perigoso que qualquer interpretação "literal" genuinamente cristã da Bíblia... :-)

E, como Goel, não reconheço essa história da igreja mencionada pelo Thiago. É simplista mesmo!

Norma disse...

Agora, Thiago, prefiro encerrar essa discussão - não tenho como, aqui, "convencer" você de assuntos tão fundamentais como a divindade de Cristo e a inspiração divina das Escrituras - e voltar à conversa sobre o post, pode ser?

Aliás, o dualismo mencionado pelos dois seres como uma profunda doença humana é o que caracteriza o gnosticismo em todas as suas manifestações. Por isso eu afirmei que o gnosticismo é perigoso.

Abraços!

Anônimo disse...

Norma

A leitura histórica do Thiago é mediocre. Falta conteúdo, domínio das fontes. Ele repete o que o que o pessoal da revista "super-interesssante" escreve sobre o cristianismo todo o Natal e Páscoa.

E não se iluda: por trás de tanta gentileza, 'razoabilidade', educação, tem-se uma raposa voraz; atente para as várias negações da fé cristã presentes nos coments do Thiago - nada diferente dos velhos mestres gnósticos. Ele simplesmente está usando seu blog como 'escada' para destilar seu veneno.

Voltando a questão da regra de fé; como Ireneu bem ensinou, não vale a pena perder tempo com um gnóstico como ele. Os 'óculos' que ele usa para 'ler' as Escrituras (e ter uma visão apreciativa dos textos medíocres escritos pelos gnósticos) é um 'óculos' pagão. Se não houver uma conversão dos pressupostos do Thiago, recebendo os 'óculos' da regra de fé, ele vai encontrar na Bíblia (e na história da cristandade) exatamente o que ele quer encontrar ali: o dualismo ético gnóstico, a arrogância epistemológica, o docetismo ou ebionismo, a suposta conspiração da igreja institucional, reencarnação, salvação por obras e por ai vai.

É o mesmo que debater com um kardecista. Releia os posts do Thiago e troque "evangelho de tomé" (êta coisa medíocre!) por "evangelho segundo alan kardec" e vc vai ver que vai dar tudo na mesma; justamente por ambos os sistemas serem gnósticos.

Como escrevi acima, debater com gente assim é jogar pérolas aos porcos - e eles pisarão as pérolas.

Goel

Anônimo disse...

Thiago

Vejo que o evangelho segundo Tomé parece mais claro e correto para você que os evangelhos canônicos. Há três pontos que eu gostaria de comentar:

1. Parecerá mais correto, entre dois textos igualmente claros, o que mais concordar com a cosmovisão do leitor. Sendo este um critério íntimo, nada diz a respeito da história do texto. Você não sabe quando o evangelho segundo Tomé foi escrito, nem as circunstâncias, nem o motivo, nem o autor. Simplesmente calhou de ser alguém que tinha uma percepção que encontrou eco em você. Isto não pode servir de critério para você dizer que a Igreja tal deveria reconhece-lo.

2. Se você ler os diálogos de Sócrates, escritos por Platão, bastante anterior a Cristo, o texto parecerá, em geral, mais claro, moderno e legível que grande parte dos evangelhos canônicos (e muitíssimo mais claro, moderno e legível que qualquer texto da Tanach). Nós somos gregos e romanos no nosso pensamento, não orientais. Tudo que é grego ou romano tende a nos parecer mais claro que o que é oriental. Ocorre que Yeshua (Jesus) era JUDEU, não grego. Igualmente os seus apóstolos. Então, se quiser chegar ao pensamento original de Yeshua, esqueça o critério de melhor legibilidade e mergulhe de cabeça no pensamento judaico da época (os textos mais antigos do Talmud podem ajudar bastante, bem como a leitura de targuns). Pelo contrário, se algo parece extremamente bem legível e grego, deve ser um texto de alguma corrente de pensamento grega tentando pegar carona no cristianismo.

3. Você alguma vez estudou a história e pesquisa dos textos? Tente abstrair o mais possível a sua opinião e estude a origem dos textos não canônicos. Não sai por aí dizendo “deveriam aceitar os textos tal e tal, eles são muito bons”. Tente descobrir o que é verdadeiro e o que é falso. E pergunte-se: Se o texto tal é verdadeiro, por que motivo o seu autor se escondeu por trás do nome de um personagem famoso?

Renato