12 fevereiro 2007

Da série Soco no Estômago I

A nova série chamada "Soco no Estômago" é composta de textos curtos e diretos como um soco. Não para socar os leitores, claro, mas as idéias que arrastam este mundo para mais longe de Deus.

Não por acaso, o primeiro Soco trata também da questão do aborto, em um dia triste para os cristãos pró-vida: este domingo, o povo português votou pelo sim em referendo para legalização do aborto. Se a decisão se confirmar, Portugal será mais um daqueles países em que o número de abortos é incrivelmente alto. Que os cristãos de todo o mundo possam prantear os filhos que não nascerão, o decréscimo da sensibilidade humana e a desvalorização da vida em mais um canto da Europa.


O primeiro Soco

Com freqüência, quem adota uma atitude cínica com relação à virtude requerida por Deus – compaixão, sinceridade, castidade, firmeza na ortodoxia cristã, postura anti-aborto – é quem desistiu do aprendizado da santidade e agora busca ou justificar racionalmente essa desistência, ou argumentar para tornar em bem o mal que não pôde rejeitar.

15 comentários:

Cfe disse...

Cara Norma,

Você conhece minha posição contrária ao aborto, por isso vou dizer que discordp em parte.

Muita gente não foi agraciada com a fé mas procuram-na noutros caminhos, eles não desistem de procurar, só que em lugar errado.

Conheço muita gente que que tem retas intenções e combatem a religião. Esses pelo menos se interessam, pior são os adormecidos que não querem saber de nada.

Apocalipse 3,15-16 "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente..."

Eu já refleti muito sobre isso e cheguei a essa conclusão, claro que sempre sujeita a argumentações.

Sobre o referendo do aborto, posso te dizer que o peixe morre pela boca. O "sim" não é unânime em sua defesa, os motivos apresentados são diversos, e agora o parlamento tem uma dura batalha pela frente na aprovação das condições para realização.

Anônimo disse...

Sabe o que pude ver foi que a omissão dos que poderiam dizer não venceu isso sim. Num mundo onde a tirania de pequenas grupos ideologicos tem vencido com o apoiado dado pela midia, resta lamentar. Não podemos mais ficar parados frente a tal processo, como cristãos devemos agir, ser, deixar nosso dicurso inflamado e ser inflamado por uma graça que deve vencer o mal.
Gostaria que vc visitassem meu blog; se chama liturgia... www.benjamim-liturgia.blogspot.com

Wander Morínigo Teixeira disse...

outro soco no estomago, é o caso de João Hélio...esse é de ficar sem ar, quase morto ao chão...

Norma disse...

Oi, Cfe!
Eu estava falando daquelas pessoas cuja maior motivação para não permanecer na fé cristã é mesmo a indolência para com o que precisam mudar e não querem. Creio que as pessoas sinceras não padecem desse mal, porque costumam colocar a verdade acima dessas coisas.

É verdade, Benjamin, os números indicam que a omissão foi o maior problema.

Oi, Walter!
Escrevi um artigo sobre o caso do menino. Deve sair amanhã no Mídia sem Máscara.
Abraços!

O Direitista disse...

Até hoje eu não entendo os abortistas. A questão é tão simples:

1. Um feto ou embrião é um ser humano.
2. Abortar é matar um feto.
3. Matar um ser humano só é justificável em legítima defesa (ou de terceiros).

Conclusão inescapável: abortar é errado, é equivalente ao assassinato, cuja proibição é uma das razões de ser do Estado.

Para escapar desta conclusão é preciso defender ao menos uma de duas idéias: (i) um feto ou embrião não é um ser humano, o que é uma afirmação bizarra porque um não ser não se faz ser, a condição de ser humano não é magicamente obtida com o nascimento, ou estaríamos a dizer que dois seres de mesma idade (um bebê prematuro e um feto) tem condições diferentes (um é um ser humano e o outro não) apenas pelo local em que estão (um no ventre e o outro fora).

Ou é preciso defender a idéia de que (ii) é justificável matar um ser humano em outras circunstâncias além da legítima defesa. Para defender isto é preciso argumentar que não é a humanidade que confere a condição de sujeito de direito a um indivíduo, mas alguma outra coisa. Eu pergunto: que coisa? Se disserem "consciência", então podemos matar bebês recém-nascidos e pessoas em coma, se disserem o nascimento, então caímos no mesmo problema de reconhecer dois seres de mesma idade de forma diferente, concedendo direito à vida a um e não a outro apenas pelo local em que estão.

Talvez o problema seja que as pessoas não estão dispostas a viver conforme a moral cristã, não estão dispostas a nenhum sacrifício ou mesmo pequeno inconveniente por qualquer motivo moral. Em alguns casos pode parecer tão mais simples matar quem ainda não nasceu que a pessoa nem cogita ter o filho, como se matar um ser humano pudesse ser justificado por um motivo banal de conveniência. Que mundo!

Quanto aos que não se contentam com isso e passam a defender o aborto em termos morais, só posso dizer que defender o mal em nome do bem é a prática mais detestável que uma pessoa pode adotar.

Anônimo disse...

Meu nome é Matheus Cajaíba, sou professor de história, moro em Belo Horizonte, e estou muito feliz em conhecer seu blog. Vou visitá-lo mais vezes, com toda a certeza.

Que a Paz de Cristo esteja sempre com você, é meu sincero desejo.

Eduardo Giuseppe disse...

Matheus, a descoberta do blog da Norma também foi um grande achado para mim.
E embore não ensine história, adoro ler e tenho notado, com tristeza, que mesmo nessa área, por vezes plena de documentação comprobatória, insere-se, cada vez mais, o relativismo destes dias. Quase se poderia falar hoje não em história, mas em histórias.
Sobre o assunto do post, diria ao Direitista que não é tão difícil entender os defensores intransigentes da legalização do aborto com relação à argumentação que lhes contraria. Por mais sólida que seja, eles simplesmente a ignorarão em favor das falácias e dos gritos de guerra de suas manifestações.
Cito o exemplo do Cícero Harada e o seu texto - formidável - sobre a incoerência de uma sociedade que tem a defesa do aborto irrestrito como uma de suas bandeiras, sendo outra a proteção dos ovos de tartarugas como faz o Projeto Tamar.
É o que mais traduz a verve abortista: incoerência, muito cinismo, uma dose cavalar de hipocrisia e a agressividade para impor o aborto a qualquer custo e à revelia de qualquer posição crítica por fundamentada que seja.

Grande abraço em todos

Eduardo Giuseppe disse...

Esqueci de mencionar o link para o texto do Cicero Harada e a discussão que o envolveu (a iradíssima resposta de uma militante pró-aborto, montada em títulos acadêmicos e na velha metralhadora anticlerical, chega a ser hilária).
Bom, esse link está aqui na página principal do blog da Norma, bem aí na coluna ao lado com o título Tamar-Matar.

Maria S. disse...

Boa noite a todos.

Quem defende o aborto defende que a vida não começa com o embrião. O que via depender do que cada um defende como sendo o início do que chamamos vida, ou mesmo do que consideramos vida.

Assusta-me a intransigência de ambos: dos defensores do aborto e dos que o condenam. Mas entendo que proibir a liberdade de quem quer realizar um aborto é cercear um direito de um ser humano, indubitavelmente vivo e que deve ter seus direitos individuais respeitados em favor da proteção de um organismo que se discute, sob direferentes prismas, se deve ser considerado ou não como humano. Por outro lado, liberar o aborto seria apenas permitir a livre escolha e não incentivar que abortos sejam realizados.

O aumento o número de abortos considero ilusório. O número parece aumentar por ficar oficializado o que antes acontecia na cladestinidade, portanto, sem estimativas, sem contagem.

Preocupa-me quando esquecemos da mulher que recorre a um aborto. Parece que são todas umas levianas ou assassinas frias ou cruéis quando o cotidiano nos mostra com exatidão outras criaturas: cada qual com sua dor, sua história, sua decisão individual. Naturalmente, aqui não falo das abortivas compulsivas, mulheres que não têm a menor responsabilidade ou amor ao que quer que seja, pois passam uma dezena de vezes pelo ciclo engravidar-abortar como se um nada fosse. Estas são sociopatas que deveriam ser tratadas e aqui não é consultório psiquiátrico.

Fico aqui pensando: tantos pontos de vista, tantos sentimentos, tantas diferenças, nós todos tão humanos... não consigo não tentar entender o lugar do outro.

Abraço pensativo,
M.S.

O Direitista disse...

M.S., eu muito me engano ou vc acabou de dizer que um embrião não é um ser vivo? Ou que talvez não seja humano?

PS: eu também me assusto com a intransigência que certas pessoas têm contra o assassinato. Permití-lo não seria incentivar o assassinato, apenas deixar que os potenciais assassinos decidissem livremente, certo?

M.S. disse...

Boa noite, direitista

sim, foi o que eu disse: que de acordo com certas correntes um embrião não é considerado ainda um ser humano.

O assassinato envolveria o mesmo: só é considerado assassinato se for o de um ser humano, partindo do pressuposto do embrião não ser ainda um ser humano não se incorreria em assassinato (do ponto de vista destas correntes).

Naturalmente, há outras correntes que, considerando o embrião um ser humano, condenam o aborto, como é o caso de algumas doutrinas religiosas. E aqui não posso afirmar que sejam todas por não ter a pretensão de conhecer todas as doutrinas religiosas de nosso tão vasto e diversificado planeta.

Quanto à intransigência contra o assassinato, não sei se posso considerar intransigência que algumas pessoas defendam aquilo no que acreditam: lutam contra o aborto por considerarem pecado ou um atentado grave contra a vida e dentro de suas crenças sejam religiosas ou não.

Também não posso julgar intransigência a defesa do aborto por quem acredita ser melhor a escolha individual e não julga ser este ato ofensivo em qualquer sentido, seja religioso ou não.

Considero intransigentes somente os que assim são de fato: intolerantes. E isto encontro de ambos os lados. Eu, de cá, prefiro sempre o diálogo que enriqueça de alguma forma a mim e a meu interlocutor, ou ao menos quem nos leia/ouça.

Até,
M.S.

PS: Com o propósito de esclarecimento: vc quis dizer intransigência a favor do assassinato, não?

O Direitista disse...

"Assusta-me a intransigência de ambos: dos defensores do aborto e dos que o condenam."

"Considero intransigentes somente os que assim são de fato: intolerantes."

Melhorou um pouquinho...

PS: obrigado por me ensinar que um embrião pode ou não ser humano, dependendo do ponto de vista (ou corrente). Eu devo ser muito intolerante para achar que um embrião é um ser humano independentemente de correntes e pontos de vista.

PS 2: não, eu estava falando de assassinato mesmo, qualquer tipo de assassinato. Foi só uma ironiazinha, sorry...

Norma disse...

Cara Maria,

Obrigada por ter postado sua discordância com delicadeza.

Quanto a mim, considero-me intransigente sobre o seguinte: tanto faz pensar se o embrião é "gente" ou não, o resultado do aborto é o mesmo - uma pessoa a menos no mundo. E para mim é impossível indistinguir isso - uma pessoa a menos no mundo - de um assassinato, tal como falou o Direitista. Nesse ponto, trata-se de convicção, e toda convicção é, por natureza, intransigente. Não vejo problemas nisso.

Porém, não me considero intransigente quando se trata de amparar emocionalmente a pessoa que decidiu abortar. Amigas minhas sabem que condeno o ato, mas sei partilhar de sua tristeza e sei compreendê-las, embora não aprove o que fizeram. Uma coisa é condenar o ato, outra é rejeitar a pessoa. Creio que hoje costuma-se confundir as duas coisas e, para melhor acolher a pessoa, acaba-se aprovando seu ato. Não gosto dessa indistinção. O mal é o mal, e nenhuma "boa intenção" pode servir para raciocínios relativistas. É preciso compreender e amparar o pecador - isso inclui convencê-lo de que pecou - , mas jamais positivar o pecado para que ele se sinta melhor.

Abraços, a você e a todos que postaram!

Maria S. disse...

Olá, direitista

Minha intenção não foi ensinar, pelo que vejo aqui, todos (ou a maioria)sabem destes pontos de vista discordantes.

Não considero você intransigente, não ainda pelo menos (rsrsrs), vejo apenas alguém que tem certeza sobre algo em que acredita de fato e, por isso mesmo, defende.

Intolerância não notei de sua parte, tanto que aqui estamos dialogando.

Um abraço,
M.S

Maria S. disse...

Olá, Norma

Veja só a que ponto chegamos: agradecer a delicadeza, quando todos deveriam se tratar assim quando estão apenas debatendo idéias. E sei que neste ponto você concorda comigo.

Dependendo da pessoa que nasceria. :o) (desculpe, não resisti) Mas é que estas criaturas que arrastaram o menino Hélio, por exemplo, sei não. Mas este é outro papo.

Concordo que toda convicção seja intransigente, mas não concordo que o o convicto seja intransigente. Explico: eu disse acima que meus problemas são com os intransigentes no sentido de intolerante. Você, por exemplo, vejo inflexível na defesa do não-aborto, mas, por outro lado, vejo você permitindo que quem pensa diferente se expresse. Assim, vejo que você é intransigente em sua convicção, mas não é intransigente com as convicções alheias. Ao menos é o que tenho visto neste tópico.

Hum, acabei de reler o que vc disse e acredito que concordamos sobre a intransigência. De qualquer forma, acho que agora deixei bem claro o que penso sobre isso.

Concordo plenamente sobre distinguir entre o ato e a pessoa. Não fosse assim, eu seria totalmente intransigente. ;o) Não temos mesmo que aceitar o ato quando aceitamos o indivíduo e nem temos que aceitar o ato para somente então aceitar o outro. Pessoas diferentes, crenças e escolhas diferentes.

Por outro lado, o mal também varia de conceituação para uns e para outros. Voltamos ao ponto de que não é para todos que o aborto é um mal. Assim, não seria questão de "positivar o pecado" nem de ter "raciocínios relativistas", apenas não haveria pecado.

Por fim, saiba que fico muito feliz de dialogar com você e o direitista sem que haja deboches ou agressões. Eu acredito que este mesmo é o caminho do entendimento, ainda que para pessoas que pensam de maneira diferente e têm crenças e convicções diferentes. Ou mesmo com aquelas que não têm coisa alguma. ;o) O ponto de vista de vocês é claro, quis expressar o meu, ter tido esta oportunidade em um diálogo tranqüilo é gratificante.

Também fico feliz com a delicadeza. Algo de que sinto tanta falta de maior abundância no mundo.

Um abraço de discordância pacífica e dialógica,
Maria S.