22 fevereiro 2007

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Vi nesses dias de carnaval o filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças. A música-tema, Everybody's got to learn sometime, uma regravação de Beck ainda mais arrasante que a original, toca inteira no fim e fica na cabeça durante muito tempo. A vontade é repetir, repetir, repetir. E fazer voltar alguns dos sentimentos vividos durante a história de Joel e Clementine.

Nesse filme, o personagem de Jim Carrey é o oposto de todos os anteriores: tímido, calado, fechado, contido até nos movimentos. Não há comicidade alguma nele, o que só o faz contrastar mais ainda com a garota de cabelos azuis/verdes/vermelhos/cor-de-rosa vivida por Kate Winslet. Um casal que tem tudo para dar certo não pelas identificações, mas pela complementaridade – algo que ainda não decidi se existe, se é bom, se quero para mim. Mas deve haver algum engano no desejo por alguém tão igual, é minha desconfiança. Fico no meio: Deus pode prover a medida certa.

O relacionamento, no entanto, não corre bem, e logo a impulsiva moça do casal – e isso está na sinopse, não corro o risco de estragar o filme para quem não viu – decide lançar mão dos serviços de uma empresa que “apaga memórias”. Até aqui, nada de tão criativo: já fomos apresentados à idéia da manipulação de conteúdos do cérebro em outros filmes. O que comove neste é que o amor supera a tecnologia, a ciência, as predições e mesmo a relutância humana em enfrentar as más lembranças. Prevalece um violento desejo de recomeçar não do zero, mas dos fracassos. Everybody's got to learn sometime.

Da história, ficaram-me dois sentimentos bem marcados: um, mais evidente, a ausência de alguém em quem depositar as esperanças de uma cumplicidade e uma intimidade totais; outro, aliviador, a alegria de saber que minhas memórias jamais serão tiradas de mim – e que em Deus, o Pai de todo sentido, as dores não foram em vão.

4 comentários:

Ronilso Pacheco disse...

Foi um prazer conhecer o seu blog. estou lendo aos poucos e me identificando com muita coisa.Gostaria de ter a oportunidade de compartilhar mais com vc. Sou cristão, há treze anos,trabalho com jovens lideranças e tenho um blog tb. www.ronilso.blogspot.com Visite se puder. Acredito poder aprender coisas interessantes com vc. Deus abençoe sua vida.

Anônimo disse...

Oi Norma
Já assisti ao filme tb. Não é um blockbuster, mas nos faz refletir um pouco. Queria deixar uma sugestão para o blog. Que tal fazer algumas sugestões de filmes para assistirmos e depois de um post seu, fazermos alguns comentários para analisarmos o filme, na perspectiva cristã.


Abs.

filipe disse...

Este filme é grande.
Há um tempo, quando recente ele me era (e igualmente a todos nos arredores), cheguei a considerá-lo a obra máxima de Kaufman. Porém o Charlie surpreende... :)

Ligian disse...

Olá!!
Fazia algum tempo que não passava por aqui. Fiquei feliz ao ler este post porque esse filme é um dos meus preferidos! Me obriguei a comprá-lo!!
Agora, me impressiona no seu post um sentimento que também é meu: a certeza de que não existe necessidade de apagar minhas dores e frustrações agora porque, estou certa, elas serão apagadas e delas jamais me lembrarei! Graças ao nosso Grande Senhor!!
Um abraço!
Ligian.