13 fevereiro 2007

Artigo no MSM - O pequeno Judas às avessas

Sem dúvida um dos piores acontecimentos dos últimos anos no longo currículo de violência do Rio de Janeiro, o assassinato do menino João Hélio mortificou a todos nós que temos um mínimo apreço pela vida.

Lemos estarrecidos que um grupo de homens, entre eles um menor, rendeu a mãe e a irmã de João Hélio e as tirou do carro sem se importar com o fato de que o menininho, de seis anos, continuara preso à cadeira de trás pelo cinto de segurança. O carro arrancou com o corpinho pendurado do lado de fora e continuou rodando por alguns quilômetros, uma versão urbana e macabra da morte arrastada por mula. Houve quem testemunhasse que, ao gritar para o grupo na rua sobre o que acontecia, a resposta foi acompanhada de risos: “É o nosso Judas.”

É o nosso Judas.” Essa é a fala da turba ensandecida, da voz sem rosto das massas, do espírito coletivo assassino que faz encarnar o bode expiatório até mesmo em crianças inocentes. É a fala de quem decide arbitrariamente, como um deus, quem representa o mal e como purgar esse mal, passando ao ato sem remorso porque não duvida de seu próprio julgamento.

O artigo continua no site Mídia sem Máscara

13 comentários:

Eliot D. Chambers disse...

Olá, Flor,

A multidão grita "jump!", "crucifica-o!", e elege ditadores. O espírito da horda se traveste de mídia "esclarecida" (e o melhor reduto dos bárbaros hoje são as redações dos grandes jornais) e sempre encontrará mil e um bodes expiatórios, mas jamais reconhecerá que o mal está na nossa natureza humana decaída.

O cristão que pensar que das massas, das revoluções, dos rumores da "opinião pública" ou da "comunidade internacional" pode surgir algo que valorize os princípios da fé cristã e encare o homem sob o ponto de vista em que ele deve ser analisado, está cometendo um erro grotesco. Mas a subserviência ideológica e intelectual às ideologias de massa, infelizmente, têm prevalecido mesmo entre os cristãos.

E sempre reconfortante saber que ainda há focos de resistência contra os consensos que relativizam o valor da vida em nome de uma "justiça social" incerta, utópica e torpe, baseada no irracionalismo humanista gerador do caos ético, epistemológico, social e espiritual vigente.

Parabéns, pelo artigo, Normitcha!
Amo você!
Beijão!

Anônimo disse...

Prezada Norma.

Ninguém pode assumir a culpa de outrem, cada um deve ser responsável pelos seus atos. Você mostrou isso muito bem, enquanto tentarem encobrir a culpa desses assassinos a violencia só aumentará.

Abraço
Estanqueiro.

bnovas@gmail.com disse...

Professora Norma:

Seu texto está simplesmente magnífico! Claro, profundo, elucidativo, pedagógico, analítico, filosófico, enfim, um monumento de excelência na qualidade da crítica inteligente.

Parabéns!

Wagner Antonio de Araújo

Paulo Cruz (PC) disse...

Norma, Paz.

Minhas entranhas se reviraram só de lembrar e, diante disso, só tenho uma palavra:

MARANATA!!!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Abraço,
PC

Roberio disse...

Excelente o seu artigo. Obrigado por mostrar as coisas de modo tão claro.
Robério Dias

O Direitista disse...

Norma, eu comecei a ler Um longo argumento do começo ao fim, mas como nunca li nada do Girard antes, ainda não entendi muito bem as principais idéias. Eu estava pensando: faz sentido falar em bode expiatório se o escolhido para ser o bode expiatório for culpado? É o mecanismo do bode expiatório que se manifesta quando as pessoas pedem a pena de morte aos assassinos de João?

Rose disse...

Sem palavras. Você já disse tudo. Parabéns pelo texto!

Anônimo disse...

Há duas coisas que muito me espanta neste crie. O primeiro é justamente este discurso idiota que o liga a pobreza, criação e escolas. Há uma clara degradação do homem, já caido e afastado da glória de Deus, andando pela carne e agindo pela carne, promovendo seus frutos, estando agora a cada dia mais longe de Deus. Porém o certo é que há, além disso, a formação de uma sociedade mediocre, onde, como bem dizia Nelson Rodrigues, vivemos a tirania dos idiotas. Uma educação chamada libertaria, que nada educa. Uma escola que parece com tudo, menos escola. Uma sociedade sem Deus, entregue as coisas do demonio, sendo guiada pela ideologia de escritores de novelassem escrupolos, que quer nos impor uma ideologia burguesa sem moral, abraçando as ideologias mais baixas possiveis. Vivemos o modelo do que valemos o que compramos, somos o que temos. Como não esperamos monstros. No sábado o pseudo espiritual-bruxo coelho, em sua retorica vazia e sem profundidade assinalou que "somos todos culpados", acho que ele tava falando de sua confraria, essa sociedade da metamorfose ambulante, que criou esse submundo do trafico, consumindo as drogas e sustentando-o. Essa confraria que tenta a cada dia destruir a familia com sua ideologia de que ninguém é de ninguém... Tenta negar a fé cristã, com seu misticismo oco... Tenta destruir a moral com um relativismo destrutor, que atingue a educação institucional, e a convivencia com o outro... Vcs são culpados, sim, senhor Coelho, senhores Globais, Ideologicos e intelectuais, essa imbecilidade coletiva, como bem nos ensinou Olavo. Agoras tantos pobre que pegam o metro ou o onibus a 5 e voltam as 18, que só tem o buteco da esquina como lazer, ou a radiola do funk... Que encontra na arte o fazer fumaça ou que em que fugir dessa arte de forma desesperada. Que não encontram uma escola que eduque, que não possui mais força para educar, dar uma devida palmada quando preciso, os seus filhos poiscorrem o risco de serem presos pela DPCA. Esses são vitimas, vitimas que afastadas de Deus não conseguem dicernir o direito do esquerdo e se entragam a esse lobos, sendo assim devorados por eles... As ovelhas agora aprenderam a serem lobos... Eles são culpados, nós omissos, sim nós cristão que a cda dia nos impolgamos com o fato de templos montruosos e dinheiro facil, com um discurso de um cristo morto, em detrimento de um cristo que ressuscitou... e nós busca com discipluado... Há esperança para culpados, omissos e vitimas... Por Alexsandro Benjamim

Paulo Cruz (PC) disse...

Direitista,

Vou tentar responder rapidamente. Norma, me corrija, por favor, se eu estiver errado.

O problema é o seguinte: o Bode Expiatório só desnuda a sujeira do sangue das nossas mãos (Is 1:15); é, de certa forma, nossa confissão de culpa.
Somos todos culpados. Apaziguamo-nos diante do sacrifício do Bode, porque, na realidade, transferimos a ele nossa própria culpa, que não é menor ou maior que a dele.

Cristo é o único que erige como Bode inocente!

De resto...

Abraços e Paz,
PC

Cfe disse...

Cara Norma,

Lembra quando falei do "peixe morrer pela boca", em relãção ao referendo do aborto em Portugal?

Pois é: eu vi várias vezes fazerem promessas, por parte dos responáveis do PS (Partido Socialista, uma espécie de PSDB) de que as mulheres que quisessem fazer un aborto teriam que se consultar com uma comissão onde ela seria aconselhada para outras alternativas e esclarecida do que aconteceria. Essa promessa foi um dos motivos para desequilibrar o referendo a favor do aborto, porque afinal de contas muitas mulheres que iriam recorrer a clínicas piratas poderiam ser aconselhadas a não tomar esse caminho. Findo tudo, mudaram de idéia, dizem que os procedimentos serão unicamente administrativos, com uma única consulta médica para ver se a mulher tem condições físicas de suportar a interveção. Caras-de-pau!

Nessa questão o PCP, partido Comunista, pelo menos foi coerente já que não prometeu nada disso.

E sabe porque o PS caiu na campanha da liberalização? Por motivos políticos já que há um partidinho nanico, o BE- Bloco de Esquerda, que rouba votos ao seu eleitorado e tem um dos seus principais temas a liberalização do aborto.

Como se vê político é igual em todo lugar

Anônimo disse...

Paz a todos

Penso que o Direitista e o PC não entenderam o texto da Norma. Ela na verdade fala que o Menino foi tomado como um bode expiatório. A multidão enfurecida são aqueles que por culpa, não protegem as crianças dos bandidos. Sentem que a culpa é da sociedade (que inclui todas as crianças inocentes, os pobres, os fracos) e entregam esta sociedade (composta na maior parte de trabalhadores pobres, crianças, fracos) nas mãos dos bandidos, para expiação das culpas das "classes tagarelas". Por isto "Judas às avessas". Aquele contra quem se volta o ódio é o inocente. É este mecanismo que Girard denuncia.

Corrija-me se não fui preciso, Norma.

Renato Ulisses de Souza

rafael disse...

Essa é a verdade sobre os orgulhosos da nossa época: dispostos a sacrificar uma criança de modo horrível porque não admitem que estão errados. O que mais eles vão sacrificar?

Cfe disse...

Peraí, pessoal quem falou que era o "nosso Judas" foram os bandidos: eles é que personificaram todo o mal naquela criatura inocente. Seu sangue foi imolado como cordeiro. Seu martírio era a vingança que eles faziam a sociedade.

PS: eu não consigo abir o MSM, por isso não li o texto todo de novo para aprofundar melhor.