01 outubro 2006

A lógica torcida do aborto

Precisa debater com um defensor do aborto? Deixa eu dar umas dicas aqui.

Dentre os argumentos existentes para mascarar a crueldade do procedimento, o mais utilizado é aquele que afirma a impossibilidade de se saber a partir de quando o feto pode ser considerado “gente”.

É um disparate em toda a linha. Ponha de lado as elucubrações sem fim sobre óvulos e as novas descobertas da ciência, e argumente assim:

- Mas vem cá, mesmo se não podemos determinar quando o feto pode ser considerado “gente”, vamos supor que a mulher não faça o aborto.

- Certo.

- Se correr tudo bem durante a gestação – e hoje em dia geralmente corre tudo bem – , o que acontece?

- ...

- Nasce gente depois de nove meses, não nasce?

- (Contrariado) Nasce...

- Então, se você fizer o aborto (não importa quando), gente deixa de nascer, não deixa?

- (Contrariadíssimo) Deixa.

- Qual a diferença então, se fizer agora ou depois? O resultado é o mesmo: alguém deixa de nascer. Se alguém deixa de nascer, quem comete aborto necessariamente suprime um ser do mundo.

Palavras fortes chamam a atenção para decisões fortes. Insista que abortar é o mesmo que suprimir um ser do mundo, e que isso é assassinato. E que ninguém deveria ter tamanho poder sobre a vida de outra pessoa, nem mesmo um genitor.

Foi por isso que um dia desses eu escrevi uma frase assim:

“Argumentar contra o aborto é colocar-se na estranha situação de tentar proteger um filho contra o impulso homicida dos próprios pais.”

Que Deus chame à responsabilidade os pais deste país, ainda que a lei brasileira um dia se posicione a favor dessa loucura assassina do aborto.

12 comentários:

Cfe disse...

Até hoje não consegui entender como alguem pode defender algo tão monstruoso, só pode ser fruto de ignorância ou maldade. Como podem defender o direito da mulher sobre o próprio corpo e não defender o direito à vida do bebê?

Sou contra toda e qualquer forma de aborto, pessoalmente e após muita reflexão só defendo a omissão (não direito..) na lei no caso de perigo de vida para a mulher. Porque? Porque não se pode ter uma lei que obrigue um ser a dar a vida por outro.

Não sendo mulher, digo facilmente que daria a vida por um filho meu, mas diante de tal decisão será que teria coragem? Se minha esposa fizesse isso, sentiria uma alegria pelo amor que estaria demonstrando pelo filho(e tristeza por ela é claro).

Mas acho que a sociedade não pode obrigar alguem a dar a vida por outro, tem de ser uma decisão pessoal, fruto do amor e altruísmo.

Respeitosamente,

Cfe

Hereticus disse...

A Liga Americana pela Vida nesta segunda-feira 2 de outubro vai observar um dia chamado "Pro-Life Memorial Day". Esta data foi escolhida porque ela marca o primeiro dia das sessoes da Suprema Corte americana. Foi a Suprema Corte que por suas decisoes Roe v. Wade, e Doe v. Bolton descriminalizou o aborto e iniciou o holocausto ha' 33 anos. O calculo da Liga Americana pela Vida e' de 47 milhoes de vidas humanas sacrificadas nesta tragedia do aborto. "E' tragico que tenhamos que separar um dia para lembrar os milhoes de bebes mortos a cada ano neste pais pelo aborto," disse Erik Whittinton, um dos diretores da Liga."Entretanto, vamos continuar a lutar atravez das oracoes e do ativismo pacifico, ate' que bebes deixem de morrer por abortos cirurgicos."

Christian disse...

Muito bom. Caiu como uma luva para uma discussão que eu levava com um sujeito que defende o aborto com base no argumento de que "é direito da mãe decidir o que fazer, é dever do Estado garantir essa liberdade". Esqueceu-se ele de que leis também expressam ideologias, são um meio através do qual o Estado transmite sua mensagem à sociedade.

*
Seu blog é fundamental.

Obrigado, Norma.

Cícero - Porto Alegre disse...

Cara Norma,

Outro argumento que as pessoas pró-aborto usam é de que o cérebro nas primeiras semanas de gestação não está formado. Portanto, o feto não sofrerá, ao passo que, caso venha a nascer indesejado pela mãe, seu sofrimento em vida será maior.
O encéfalo (cérebro mais medula) participa ativamente do pensamento e dos sentidos. No entanto, não há uma única indicação até hoje de que sozinho seja o responsável pelo pensamento e sensações. Há casos relatados cientificamente de pessoas que sobreviveram à anencefalia, relatados inclusive pelo seu blog.
Isso tudo sem falar em outras faculdades da mente como alguns dons considerados sobrenaturais, que aí sim a Ciência não sabe dizer nada com seus tomógrafos e eletros.
Assim, as pessoas devem entender que a mente conta com a contribuição do encéfalo, isto é certo. No entanto, não há comprovação de que, por exemplo, toda a memória esteja toda ela contida nele. Por que não poderia também estar fora dele?

Hereticus disse...

Caro Cicero:
e' irrelevante se o feto sofre ou deixa de sofrer, para ter direito `a vida. Fosse o sofrimento o argumento determinante, bastaria anestesiar uma pessoa e a seguir argumentar que se pode agora mata'-la, pois ela nao sofreria nada durante o ato criminoso de tirar-lhe a vida. Como disse em outro post neste blog, os abortistas primeiro retiram ao feto o status de pessoa humana, e o consideram um mero aglomerado de celulas sobre o qual a mae tem poder absoluto. E a lista das nao-pessoas continua a crescer: bebes anencefalicos, doentes terminais, e ate' mesmo os infantes que, de acordo com a etica utilitarista de Paul Singer, sejam indesejados pelos pais. De inicio, Singer dizia que os pais deveriam gozar de um periodo de 15 dias apos o nascimento para decidir se desejavam mesmo o bebe.Confrontado com a pergunta "porque 15 dias, e nao 14 ou 16 dias?" ele retirou o prazo especifico de 15 dias, mas manteve a opiniao de que os pais podem cometer infanticidio, deixando aos tribunais determinar quando esse privilegio cessaria.Em seu livro de 1979, "Practical Ethics", Singer sem nenhum escrupulo defende o infanticidio e a eutanasia. Ate' hoje ele nao renegou nenhuma de suas teses, pelo contrario radicalizou mais ainda algumas delas. Apesar disso, e' o principal bio-eticista da Universidade de Princeton!

Norma disse...

A permanência de um ser tão "iluminado" (pela luz fria das trevas, I mean) como Peter Singer no meio universitário só pode depor contra a sanidade e a ética da academia moderna. Esse homem é um nojo, e se eu passasse um dia perto dele não conseguiria me conter: perguntaria o que ele acharia se, na época em que era pequeno, sua idéia do infanticídio estivesse já socialmente aceita e ele fosse uma das crianças a serem sacrificadas.

Se ele respondesse com ironia, eu diria que ninguém moralmente são pode assumir idéias que podem ser aplicadas a outros, mas não a si mesmo. Isso é desonestidade intelectual, além de idolatria, já que só um deus poderia se colocar fora do mundo e permanecer isento das conseqüências práticas de suas idéias.

E o mesmo pode ser dito do aborto: quem não considera o aborto moralmente errado e gostaria de ter sido tirado à força do ventre da mãe antes de nascer, que levante a mão! Ninguém? Ah. Foi o que pensei.

Isso nada mais é que a aplicação do princípio supremo de Jesus: uma das interpretações para "ame ao próximo como a ti mesmo" pode ser "não queira para o outro algo que você não quereria para si".

Cícero - Porto Alegre disse...

Gostaria apenas de agradecer, por intermédio desta discussão, o posicionamento do Hereticus a respeito do meu comentário anterior. De fato, para quem é a favor do aborto o sofrimento do feto é questão irrelevante, no máximo secundária.
Eu não sabia deste posicionamento do bio-eticista de Princeton, é de se estarrecer que tenham ouvidos que o ouçam e mãos que o apóiem.
Detalhe: o nome dele é Peter ou Paul Singer?

Hereticus disse...

Cara Norma:

Noutro mundo e em outros tempos, as ideias de Peter Singer (no post anterior erradamente escrevi Paul Singer), fariam dele um pa'ria intelectual. De fato, na Alemanha e na Austria, ele nao consegue falar sem gerar protestos veementes, pois suas ideias sao vistas, e com razao, como Nazistas. Mas muitos da Academia e do assim chamado movimento bio-eticista, encampam e promovem suas ideias. Muito longe de ser considerado um elemento marginal, como suas posicoes deveriam faze-lo ser, Singer e' convidado a apresentar "papers" em simposios, seminarios e convencoes de associacoes filosoficas. Assim, nao sera' muito dificil para voce cruzar com ele, Norma. Pior ainda, o seu livro "Practical Ethics" tornou-se um livro texto standard em muitos Departamentos de Filosofia, espalhando seu veneno nas mentes despreparadas de muitos estudantes. Nao advogo que seu livro seja censurado, mas como sou integrante do meio academico, sei o quanto e' perniciosa a ma' escolha de um livro texto: a maior parte dos estudantes se limita ao livro-texto adotado, e nao sao expostos a nenhuma critica a esse texto. Mas a influencia perversa de Singer nao acaba ahi: para avaliar o seu prestigio, basta lembrar que e' de sua autoria o ensaio sobre etica na prestigiosa Encyclopedia Britannica. Desde 1999 ele e' professor permanente (full Professor) da Princeton University: e' o "Ira W. DeCamp Professor of Bioethics" no Center for Human Values (=Centro para Valores Humanos). Nao e' uma suprema ironia, o nome desse centro?
Norma, vejamos o que acontece na Inglaterra. O academico britanico John Harris, nada menos que "Sir David Alliance Professor of Bioethics", e diretor do Instituto de Medicina, Direito e Bio-etica da Universidade de Manchester define assim o que e' uma pessoa: "uma criatura capaz de avaliar a sua propria existencia", o que de acordo com Harris, nao inclui os infantes "durante o periodo neo-natal". Observe que o periodo neo-natal inclui certo tempo antes e certo tempo apos o nascimento.(Aborto e infanticidio ficam assim justificados!) Segundo Harris nao e' errado matar ou deixar de salvar a vida das nao-pessoas.Em suas proprias palavras: "Nao-pessoas, e pessoas so' em potencial, nao sao prejudicadas (ao serem mortas contra as suas vontades) visto que a morte nao as defrauda em nada que elas mesmas deem valor."
Eu poderia continuar fornecendo exemplos de quao desumano e sem nenhum respeito pela dignidade humana sao os pronunciamentos de outros muitos bio-eticistas. Mas nao so' tomaria demasiado lugar do seu blog, como me falta animo para continuar a transcrever tantas indignidades. Mas o castigo de Deus nao falha, e os crimes contra a humanidade, sendo crimes sociais, serao punidos ainda antes do Juizo Final (exemplo o Diluvio). As sociedades humanas, nao possuindo vida eterna, devem satisfacao `a Justica Divina ainda antes do Fim dos Tempos.

Norma disse...

Peter Singer. Se você procurar no Google "Singer infanticide" vai achar 179 mil referências a ele em inglês. Não é nojento um desgraçado ser conhecido por aprovar o assassinato de crianças? Esse vai ter lugar de honra no inferno, se não se arrepender.

Norma disse...

Querido Hereticus (que de "hereticus" não tem nada), você pode escrever à vontade no meu blog, não se preocupe. Tudo o que você diz é mais que relevante. Abraços!

Hereticus disse...

Norma:

antes que me acusem de condenar em bloco todos os praticantes da bio-etica, deixe-me dar 2 referencias de bio-eticistas que sustentam o bom combate na arena das ideias.

1)Leon R. Kass, M. D.
Treinado como medico e bioquimico, Dr. Kass vem desafiando o status-quo academico. Ele nos obriga a pensar no que significa tratar uma vida humana nascente como materia prima a ser explorada (argumentos para quem se ve^ obrigado a justificar porque e' contra o uso das celulas-tronco embrionarias). O que significa acabar com a linha divisoria entre procreacao humana e simples manufatura (debate sobre clinicas de fertilidade, e o lanzamento no lixo de embrioes humanos excedentes). Dr. Kass acredita que a moderna tecnologia nos deu, e continua a dar maravilhas para a nossa saude e longevidade, e devemos ser gratos a ela por isso. Mas, como ja' nos alertava Gustavo Corcao, nao podemos cruzar as "fronteiras da tecnica" quando estas se encontram com as Leis Divinas. Por isso, Dr. Kass nos adverte que devemos lutar para proteger as ideias e praticas que nos dao dignidade e nos mantem humanos.
Leon R. Kass e' professor na Universidade de Chicago (Committeee on Social Thought); pertence ao American Enterprise Institute (Hertog Fellow in Social Thought). Entre seus livros estao;
-Toward a More Natural Science: Biology and Human Affairs;
-The Hungry Soul: the Ethics of Human Cloning (junto com James Q. Wilson);
-Life, Liberty and the Defense of Dignity: the Challenge for Bioethics. Encounter Books, San Francisco, 2002.
Considero esta obra tao importante que dou aqui seu ISBN para facilidade de quem quiser comprar:ISBN 1-893554-55-4
o site da editora Encounter e':
www.encounterbooks.com
Em 2001, o Presidente Bush nomeou o Dr. Kass como chairman do entao recem-criado "President's Council on Bioethics".

2)Wesley J. Smith
Nao e' um academico. E' um advogado. Trabalha para a "International Anti-Euthanasia Task Force". Entre seus livros:
- Forced Exit: the Slippery Slope from Assisted Suicide to Legalized Murder (que podemos traduzir como "Saida Forzada: a Descida Escorregadia do Suicidio Assistido para o Assassinato Legalizado);
-Culture of Death (ou seja, Cultura da MOrte). Livro extraordinariamente importante. Mostra como a nova e auto-proclamada elite de bio-eticistas ameaza a vida dos pacientes:
a) a morte e' redefinida para incluir o chamado coma irreversivel;
b)colheita de orgaos e' defendida no caso dos doentes terminais; etc.

Wesley J. Smith alerta para o perigo que a medicina corre com a "transformazao de um sistema baseado na santidade da vida para um modelo fortemente utilitario no qual quem esta' medicamente indefeso e' visto como alguem que nao so' tem o 'direito', mas tem o 'dever' de morrer."
"Culture of Death" e' um livro que todos devem comprar, ler e discutir com a familia, com amigos e com vizinhos.(Opiniao do Dr. N. Gregory Hamilton, presidente da organizacao "Physicians for Compassionate Care", e que fazo minha tambem).
Tambem este e' um livro editado por Encounter Books, 2000.
ISBN 1-893554-06-6

Edson Dognaldo Gil disse...

Norma, o seu argumento é falacioso. Quem aborta, suprime um ser do mundo, isto é, do seu ventre, mas esse ser pode vir ou não a nascer e desenvolver-se. O aborto suprime, portanto, uma possibilidade.