Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
30 abril 2012
26 abril 2012
20 abril 2012
11 abril 2012
Leia um trecho do meu livro!
Surpresa! A editora Vida Nova disponibilizou em seu site um trecho grande de meu livro, A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, a sair no final de abril (tá pertinho!). A capa está bonita, não está? Assim que eu tiver a confirmação das datas e dos locais do lançamento, aviso aqui!
Boa leitura!
31 março 2012
48 anos depois: notas sobre a ditadura militar
Neste blog, e em meu livro a sair no final de abril pela editora Vida Nova - A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã -, discuto a impossibilidade de enxergar nuances, típica do pensamento de esquerda. Ora, muitas vezes os próprios conservadores não se isentam desse mal. No Brasil, o espírito da cordialidade convive paradoxalmente com uma adesão festiva ou raivosa (ou ambos!) a extremos. Análises comedidas, não; endossos apaixonados a qualquer tema, não importa sua complexidade. A politização do pensamento, a que espero, contraculturalmente, aderir cada vez menos, pede que a humanidade se divida em dois partidos opostos sobre tudo, sempre.
Tendo dito isto, vamos ao que penso. A ditadura militar foi um mal menor? Sim. O país estava prestes a se tornar uma sucursal da antiga União Soviética. Terroristas treinados agiram para implantar o comunismo no Brasil. Plantaram bombas, assaltaram bancos, mataram gente. Diante dessa situação, os militares usaram técnicas de guerra, com o apoio popular. Seria possível reagir de outra maneira? Creio que não, infelizmente.
Agora, devemos "comemorar" o acontecimento? Sim e não. O golpe, que impediu o mal maior, sim. O regime, com todos os seus desmandos e excessos, certamente não. Um mal menor deve ser encarado como o que é: um mal. Sim, o totalitarismo de esquerda é o inferno na terra em grau elevado. Mas uma ditadura deixa marcas difíceis de serem curadas e esquecidas. Por todos os que sofreram de verdade naquele contexto (não incluo nisto quem se exilou em Paris e hoje vive de indecorosas indenizações), prefiro não comemorar.
O que fica mais patente, porém, é que aqueles jovenzinhos vociferantes - com seus mestres e tutores partidarizados - que se levantaram contra o evento sobre a ditadura no centro do Rio, desprezando e cuspindo nos militares que dali saíram, precisam urgentemente se despir da sua capa de falso moralismo, de inocência fingida, e compreender que, no mesmo instante em que condenam a ditadura, defendem e promovem um sistema maldito que, em nome do amorrrrrr, matou cem milhões de pessoas em todo o mundo. Os militares cometeram erros, mas buscavam coibir terroristas, assassinos e assaltantes de bancos; os comunistas são muito mais democráticos em seus alvos e exterminam "classes" inteiras, levas e levas de pessoas, sem olhar a quem. Vamos deixar de hipocrisia e acabar de uma vez por todas com esse mimimi em relação a 1964: esquerdista, o que você quis para o Brasil naquele tempo (e ainda quer hoje!) é pior, muito pior, do que qualquer coisa que os militares possam ter feito. Quantitativa e qualitativamente.
Termino assim este texto: com todo o respeito pela dor das vítimas involuntárias da ditadura e com a mais profunda compaixão por aqueles que de fato confundiram o comunismo com o sonho por um mundo melhor; mas muito pouco respeito, muito pouco mesmo, pelos novos totalitários, comunistas de ontem e de hoje, que acusam os militares ao mesmo tempo em que ainda exaltam, depois de toda aquela matança comprovada, os demônios Lênin, Stálin, Pol Pot, Mao e Fidel Castro.
25 março 2012
Bate-papo com Allen no Facebook
Também vale conferir o trabalho da fotógrafa Micheli Lopes, que me clicou no Congresso Vida Nova (mais fotos aqui) e transformou uma postura minha toda torta (que é como fico quando estou esperando alguma coisa) em algo belo:
09 março 2012
8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova
No congresso, darei uma palavrinha rápida sobre meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, junto com Augustus Nicodemus, que me honrou muito ao assinar a apresentação. Mas calma: não é o lançamento, ainda, apenas um hors d'oeuvre. :-) O livro vai sair no final de abril e eu prometo que posto todas as datas e locais!
29 fevereiro 2012
Um seminário para não perder!
27 fevereiro 2012
26 fevereiro 2012
Da série "O que Deus fez por você através da cultura" I
É claro que Schmidt não ignora o mal que, em nome do cristianismo, muitos perpetraram ao longo da história. Afirma ele em entrevista: "Alguns aprovaram a escravidão; alguns diminuíram o valor da mulher; outros, os cruzados, tentaram converter à espada; outros, ainda, praticaram corrupção, dentro e fora da igreja." O que é importante notar é a estreita correspondência entre os ensinamentos de Cristo e os inúmeros bens de que gozamos na civilização judaico-cristã, além de seu corolário: o quanto perdemos quando nos afastamos bruscamente desses valores! Por exemplo, a cultura "andou para trás" em todos os países em que governantes totalitários buscaram destruir à força o substrato cristão, remodelando o homem e o mundo à própria imagem. Hitler, que odiava o cristianismo e subjugou a igreja, adotou o infanticídio na Alemanha durante seu governo.
É do infanticídio que vou tratar no primeiro post dessa série, comentando as riquíssimas informações que tenho encontrado no livro de Schmidt.
O fim do infanticídio: uma conquista cristã
Você, leitor, deplora o assassinato de crianças, não? Espero que você não seja um seguidor de Peter Singer, nem de certas antropologias modernas que negam à criança indígena o status de pessoa... Bom, para a sensibilidade contemporânea, em todo o Ocidente o infanticídio é um crime abominável. Trememos de horror e ira apenas quando alguém encontra um bebê vivo dentro de uma lata de lixo - quanto mais se pai ou mãe matam os próprios filhos, como ainda ocorre no mundo muçulmano. Prática comum e incontestada em várias civilizações antigas - não só a greco-romana, mas também a de países como China, Japão, Índia, entre os índios do Brasil e entre os esquimós - , o infanticídio só começou a ser afrontado consistentemente a partir do século I, pelos adeptos daquela seita judaica do Nazareno. Nem mesmo os melhores homens do mundo antigo ocidental, como Cícero e Sêneca, se opunham a esse costume maldito. De fato, compreende-se por quê: somente o cristianismo bíblico podia, como cultura, conferir ao neonato ou à criança o status de um ser digno da vida. A idolatria romana à "cidade" apenas deixava os mais frágeis à mercê de um sistema cruel que dispunha como queria das pessoas consideradas improdutivas ou indesejáveis. Foi somente por influência do bispo Basílio de Cesareia que o infanticídio foi abolido no Império Romano pelo imperador Valentiniano, em 374d.C. Da mesma forma, os pais da igreja Clemente de Alexandria, Tertuliano e Lactâncio denunciaram com vigor tanto o infanticídio quanto o abandono de crianças, e muitos outros cristãos se tornaram conhecidos por adotarem as crianças rejeitadas.
O homem ocidental comum não mata nem abandona mais os filhos? E os que o fazem são acertadamente condenados e punidos? Agradeça ao cristianismo!
23 fevereiro 2012
Ore em nome de Jesus
Pois bem, mas o que seria "orar em nome de Jesus"? Pois o próprio Jesus nos estimula a orar em nome Dele. Encontrei um texto maravilhoso que fala sobre isso no blog de meu amigo Alan Rennê, aqui, e nos faz pensar muito no quanto nossas orações são feitas na perspectiva correta. Espero que goste. Boa leitura!
14 fevereiro 2012
Aos defensores da vida – urgente!
Citei em meu livro (a sair em março pela editora Vida Nova) a matéria do Estado de São Paulo que noticiava o compromisso assumido pela presidente Dilma conosco, evangélicos, no dia 15 de outubro de 2010, nos seguintes termos:
“Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.”
Acrescentei que preferia não entrar no mérito da eficácia desse tipo de documento, já que “os líderes politicamente corretos são hábeis o suficiente para modificar as leis de um modo mais sutil”. Pois bem: mal começou o ano, já estamos às voltas com a quebra desse compromisso por parte do governo (não vale o argumento lulista “eu não sabia”: Dilma é o governo). E também estamos às voltas com pesadíssimas manifestações de perseguição religiosa anticristã em vários níveis. Não se trata somente da nomeação da ministra Eleonora Menicucci, abortista (e até aborteira, conforme ela mesma conta em entrevista!) com muito orgulho. O secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, que segundo o jornalista Reinaldo Azevedo é “o homem mais importante do PT depois de Lula”, declarou no Fórum Social de Porto Alegre deste ano que o governo pretende criar uma mídia estatal para disputar ideologicamente com os líderes evangélicos pelos setores emergentes. É uma verdadeira declaração de guerra pela mente do povo evangélico – e quem está do outro lado é o governo de Dilma, o governo petista! Vejam o que escreve Azevedo sobre o ideal petista:
“[Eles querem a] completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de ‘educação’ o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. […] Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.”
Essa é a perfeita descrição do totalitarismo: poder total, pensamento único, tudo debaixo do Estado. No nazismo e no comunismo, em toda parte e todas as épocas, o cristianismo sempre foi o maior inimigo de um Estado opressor e tirano, pois tal Estado exige idolatria e nós nos opomos a isso por adorarmos o Deus único e todo-poderoso, o Deus da Bíblia, Pai de Jesus Cristo, criador do universo e redentor de nossas almas.
Outro caso escabroso contra cristãos é o da psicóloga Marisa Lobo, perseguida por “fiscais” de sua área por afirmar sua crença no Deus da Bíblia. Ela foi intimada a tirar de toda a sua mídia social (Facebook, Orkut etc.) as menções a Deus, sob pena de perder o registro no Conselho. Vejam como estamos caminhando: antes, não podíamos ser crentes no espaço profissional para não perder a credibilidade; agora, não podemos ser crentes em lugar nenhum caso quisermos manter nossa profissão. O “agente secreto da fé” está se tornando um objetivo estatal para a igreja! É o imenso armário que estão preparando para nós.
A última é gravíssima e precisa de nossa atenção máxima: querem legalizar o aborto eugênico a qualquer tempo e o aborto por motivos “psicológicos” até 12 semanas. Marcaram uma audiência pública às portas do Carnaval, quando está todo mundo distraído, planejando viagens e lazeres. É como sempre fazem quando querem realizar mudanças impopulares nas leis. Posto na íntegra o conteúdo do post de um blog excelente sobre aborto, escrito por Eleonora Chaya (pseudônimo), com muita informação importante. Se você estiver em São Paulo e houver tempo, não deixe de comparecer!
Defensores da vida, ATENÇÃO!
No dia 24/02/2012 haverá uma audiência pública para que se façam alterações no capítulo “Crimes contra a vida”, do anteprojeto do novo Código Penal.
Entre as alterações, que abarcam também a eutánasia e o suicídio assistido, querem nos fazer engolir a contra-gosto as seguintes mudanças com relação ao ABORTO:
Como é:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.Alteração:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 125. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque.
Pena – Detenção, de seis meses a dois anos.Como é:
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.Alteração:
Exclusão do crime
Art. 128. Não há crime se:
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II – a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV – por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.Aqui vocês podem baixar o texto com todas as alterações propostas.
Clamo a todos que, quem puder, compareça à audiência!
Façamos número, sejamos ouvidos! Não podemos nos calar diante da legalização de um assassinato!
É PRECISO SE INSCREVER: clique aqui para acessar o formulário de inscrição.
Audiência pública discussão das propostas do capítulo “Crimes Contra a Vida” do anteprojeto do novo Código Penal
Quando: 24 de fevereiro às 14h Local: Palácio da Justiça, “Salão dos Passos Perdidos”. Endereço: Praça da Sé, s/nº. Mais informações: www.prr3.mpf.gov.br, crimescontraavida@prr3.mpf.gov.br ou (11) 2192-8873.
11 fevereiro 2012
Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira
Peço sua atenção a essa Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira, escrita por Euder Faber, presidente da Vinacc. Precisamos do apoio de todos os irmãos que apoiam as realizações da Vinacc!
E continuem orando pelo fim da minha tendinite. ;-)
Abraços!
Norma Braga
02 fevereiro 2012
Novidades editoriais!
O pessoal da VINACC é ninja mesmo e merece nossa admiração: não é fácil organizar um evento daquelas proporções (60 mil participantes!) e ao mesmo tempo abrir uma editora e lançar livros! A Visão Cristocêntrica Publicações é inaugurada com quatro obras inéditas, dentre as quais Apostasia, Nova Ordem Mundial e Governança Global. O título pode assustar alguns, mas o tratamento do assunto é bastante sóbrio biblicamente e envolve muita informação imprescindível para a compreensão de nossos dias atribulados. O livro é organizado pelo fera em direito Uziel Santana e seus autores são Norman Geisler, Augustus Nicodemus, Russell Shedd, Robson Fernandes e esta escriba que vos fala. Será lançado durante o evento da VINACC, no carnaval, mas já pode ser reservado pelo site.
E você, vai à VINACC? Estarei lá!
Outra novidade de peso é a editora de meu amigo Sandro Wagner, Interferência, que já conta até com loja virtual. Está com um monte de livros de Charles Spurgeon à venda, oba!
Essas novidades vêm em boa hora, pois meu bloguinho anda tristemente parado. Estou morrendo de saudade de escrever aqui – e tem tanta coisa acontecendo! Queria comentar a obsessão banheirística (e autoritária) do Laerte, o vídeo promocional da Planned Parenthood, o livro da Nancy Pearcey que estou lendo e muito mais. Na verdade, tenho comentado, mas muito esparsamente (e concisamente) no meu Facebook. Não posso escrever muito: a tendinite ainda está me rondando (continuem orando por mim!). Mas logo sairá meu livro pela Vida Nova, em março, e eu prometo postar as datas de todos os lançamentos e eventos em que estarei presente!
02 janeiro 2012
2011, uma retrospectiva
Logo no início de 2011, vivemos uma tragédia pessoal, em janeiro: a morte de nosso primeiro filho antes de nascer, com quase cinco meses. Deus sabe o quanto isso pode ser especialmente doloroso para quem, como nós, não acredita na balela de que, no ventre, os bebês são apenas um punhado de células. Nós nos relacionávamos com ele, do lado de fora, considerando-o de fato o que ele era: um bebezinho em formação. Eu especialmente me divertia quando, à noite, meio de bruços, eu mudava de posição e sentia o corpinho ainda minúsculo se deslocando para o lado inverso. Achava a coisa mais linda que aquela coisica já tivesse seus desconfortos e vontades. Nosso bebê agora está com Deus, e ainda pensamos nele com tristeza e saudade. Depois do parto (pois seria perigoso e muito pior tirá-lo por cesariana), enquanto voltávamos calados para casa, ouvi no rádio uma música muito triste de Caetano Veloso, cujo refrão era: “Que é que eu vou fazer pra te esquecer?” E respondia interiormente: nunca farei nada pra te esquecer. Não quero evitar essa dor (que será permanente, até a morte), não só porque é a evidência do amor que tivemos por ele, mas principalmente porque Deus estabeleceu seus limites, aqui e na eternidade: aqui, temos um consolo que neste mundo não se encontra; lá, teremos o reencontro tão ansiado. Até esse dia, sustentada pela maravilhosa graça, nossa lembrança continuará a ser “mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus vai apagar”.
Em fevereiro, durante os dias do Carnaval, tivemos o Encontro da VINACC (Visão Nacional da Consciência Cristã), um evento inesquecível em Campina Grande, Paraíba. Falei a uma plateia bastante entusiasmada (mérito das pessoas que ali estavam, pois não sou uma grande oradora) sobre os perigos de uma cosmovisão que confunde o amor cristão com o amor marxista politicamente correto. No mesmo dia, ouvimos Don Richardson, autor de um dos livros mais importantes em minha formação cristã, O fator melquisedeque. Não perdi a oportunidade de dizer-lhe que aquele livro, lido por mim poucos meses depois da conversão, ampliou incrivelmente minha percepção de quão grande Deus é, pois, embora tenha escolhido fazer-se conhecido através de um Livro, Ele não se furtou a deixar pequenas marcas de Si mesmo em outras culturas desprovidas do texto bíblico. Com uma cativante modéstia, Richardson respondeu como se a obra não fosse dele, mas como quem, esquecido dos próprios esforços, ainda se maravilha com a descoberta: “Não é mesmo incrível?” Desnecessário contar que eu e André fizemos um rombo imenso em nossos bolsos, comprando muitos livros e alguns vídeos e cds. Ao longo do evento, todas as palestras a que assistimos, sem exceção, trouxeram ideias edificantes. Agradeço a Deus pelos irmãos que conheci (Tiago, Uziel, Ana, Euder, Paulo, Ricardo, Adauto, Ciro, Zé Mário) e que reencontrei (Augustus, Minka, Franklin, Marilene, Renato, Edson, Rozângela, Antônio). Tivemos a oportunidade de bater papos divertidos e instrutivos. Estaremos lá novamente este ano!
[Continua, na medida em que a tendinite deixar] ;-)
20 dezembro 2011
Comunismo coreano: idolatria e opressão
Há alguns anos, quando eu ainda trabalhava como professora de francês, caiu-me nas mãos uma revista feminina francesa que veiculava fotos de multidões de crianças chorando, rostos em desespero, com a simples visão pública do ditador coreano. A reportagem mostrava de que forma elas tinham sido treinadas para reagir assim, em uma calculada histeria coletiva. Aquelas imagens nunca mais saíram de minha mente, como um retrato emblemático da deformação da alma infantil. Não tenho mais a revista, mas qualquer pessoa pode pesquisar e, o inglês ajudando, compreender a crueldade de um regime que obriga as pessoas a adorarem seus líderes e as pune severamente quando se recusam a isso.
Pois morreu o ditador da Coreia do Norte, Kim-Jong il, deixando o mesmo legado comunista que conhecemos: fome generalizada, opressão, tirania, campos de concentração, idolatria (nesse caso, rasgada) e perda da liberdade, além de um punhado de armas nucleares que preocupam o mundo. No Brasil, que é governado por um partido comprometido ideologicamente, a mídia raramente ousa tratar das sistemáticas violações aos Direitos Humanos naquele país. Em uma rápida olhada pela internet, é impossível deixar de reconhecer que as notícias sobre essa morte são pouco informativas e, em geral, vergonhosas, enfatizando as lamentações (em grande número, forçadas!) e usando eufemismos como “mão de ferro” para o ditador cruel que queria a adoração como um deus. O comunismo brasileiro também mostrou de que lado está: a Folha de São Paulo veiculou a rasgada exaltação do PC do B ao regime. Não há desculpas para a falta de informação: até no You Tube há documentários que mostram a real face do totalitarismo comunista coreano.
A Coreia do Norte, hoje, é o primeiro país no ranking da perseguição religiosa, de acordo com o site Portas Abertas. Você, cristão, vai continuar a defender o comunismo? Busque informação e se posicione: você não pode ficar calado diante da perseguição, seja religiosa, seja política. Salgar o mundo, nesse caso, é abrir a boca pelos verdadeiros oprimidos dos sistemas comunistas em vigor, bem como denunciar a opressão em marcha nos países que ainda se consideram “democráticos” – uma opressão que tem sido praticada em nome do amorrrr politicamente correto, e que se revela na aprovação de leis mesquinhas que dão ao Estado o controle da consciência (lei contra a homofobia, lei da palmada, leis que buscam coibir a imprensa etc.), e isto em todo o mundo ocidental.
08 dezembro 2011
Maquiagem e teologia
Ainda não estou com o braço cem por cento, mas já me arrisco a escrever um pouquinho, aqui e ali. Uma amiga virtual, Renata, tem um excelente blog sobre maquiagem, do qual sou leitora assídua, chamado Conversa de beleza. No post de hoje, ela propôs que as leitoras escrevessem livremente suas opiniões sobre a seguinte citação, que ela retirou de um programa de tv e traduziu:
Mary (narração): Sempre me espantei com os objetivos da maquiagem: anti-sinais, firmadora, regeneradora, micro-escultora; pagar um absurdo em garrafinhas de 100mL. Fico estupefata. Honestamente, parece um safári. Quero dizer, até entendo. Em um nível, você quer mudar, se esconder, sentir-se como qualquer outro que não você – nem que seja por uma noite. Mas no final do dia, é o que seu reflexo exaurido lhe dirá todas as vezes, a maquiagem sai e tudo o que lhe resta é exatamente quem você é.
Eis meu comentário, que partilho com vocês:
Querida Renata,
Eu não resisto a filosofar e teologizar aqui um pouquinho, comunicando uma cosmovisão que está enraizada na minha escolha religiosa: o cristianismo bíblico. Eu não deixo a religião no “armário” das opiniões pessoais e subjetivas, sabe; para mim, a cosmovisão cristã é minha verdade. E fico feliz por você ter pedido a opinião das leitoras. :-)
Então, quando leio uma declaração dessas, a primeira coisa em que penso é: “Mas quem somos exatamente?” Acredito no pecado original, ou seja, acredito que os homens se separaram de Deus por escolha própria. Isso significa que nada no mundo é “normal”, nada é o que deveria ser. Assim, não somos perfeitos, ninguém é perfeito, e a perfeição só será alcançada no céu. Então, “ser o que você é” é “ser pecador”, com todos os efeitos do pecado, efeitos que não são somente morais, mas também têm a ver com a mortalidade – ou seja, com o fato de que nossos corpos são vulneráveis e tendem à destruição. Nesse contexto, “ser o que sou” não deve ser um lema, uma bandeira (a não ser que signifique “ser espontâneo e autêntico”, no sentido da sinceridade), porque meu “ser natural” inclui todas as minhas imperfeições, e todo mundo quer se aperfeiçoar, ser melhor do que é. No âmbito moral, não há “maquiagem” que resolva: nossos “podres” precisam ser identificados, perdoados e depositados aos pés da cruz de Cristo; no âmbito estético, a maquiagem é muito bem-vinda e devemos lançar mão dela incondicionalmente. Mas, mesmo no âmbito estético, em Cristo nós temos a promessa de um céu onde, certamente, ninguém precisará de maquiagem. ;-)
A segunda coisa em que penso é menos teológica e mais estética mesmo. De novo, pergunto: “Mas quem somos exatamente?” Tudo modifica nossa aparência: a luz, as cores do ambiente, o clima, as emoções, os adornos, as roupas que vestimos. Ninguém tem controle total sobre a própria aparência, seria impossível. Mas temos algum controle, e é justamente isso que a maquiagem, os cosméticos e a moda nos possibilitam: usar a luz, as cores, as texturas, os formatos, os adereços a nosso favor. A autora da citação, para ser coerente, teria que andar pelada e deixar de usar até desodorante. O que ela afirma contradiz a própria civilização.
Para resumir, o texto dela é uma amostra da filosofia do “bom selvagem” aplicada ao mundo do make up. Não posso concordar com o naturalismo que ela advoga. E também é uma confusão entre esferas: ela está expressando uma preocupação existencial através de algo que é estético. Isso é exigir demais da maquiagem ou da não-maquiagem. No final do dia, quando olho no espelho, o que resta é simplesmente uma Norma com o rosto lavado! :-D
Grande beijo e obrigada por pedir respostas espontâneas!
29 novembro 2011
Se você ainda não viu, veja!
01 novembro 2011
Poeminha Filosófico I: Sujeito e objeto
De volta da pós do Jumper, inspirada em Descartes e Schaeffer
Sujeito moderno, não conheci devidamente.
Pós-moderno, desisti de conhecer.
Era sujeito e objeto ao mesmo tempo,
Sujeito de meu mal, objeto da ira de Deus,
Quando, ainda objeto, fui chamado
A tornar-me sujeito com Deus
E objeto da graça de Deus.
É só em Deus que posso ser sujeito de fato,
Somente Nele me alegro em ser objeto.
09 outubro 2011
Um balanço da Conferência Fiel 2011
Como trabalho em casa, em uma tradução e, agora, em meu livro para a Vida Nova, pude assistir por internet a quase todas as pregações e os workshops da Conferência Fiel sobre Evangelização & Missões deste ano. Vou tentar descrever em poucas linhas o quanto esses dias foram abençoadores para mim.
No dia 4 de outubro, o pr. Mauro Meister trouxe uma palavra primordial para quem se interessa pelo tema, apontando com vigor um erro corrente entre nós: as missões não são a razão principal da igreja; a glória de Deus, sim, vem em primeiro posto. Por que precisamos sempre repetir essas coisas? Por termos a tendência de considerar as missões (campanhas de evangelização, pregações em estádios, implantação de igrejas em terras distantes, o próprio pastorado etc.) como A missão. É como se o pai de família, que nunca saiu nem de sua cidade, que cuida bem de sua casa, da esposa, dos filhos - principalmente no aspecto espiritual, pastoreando com amor seus corações -, não estivesse glorificando tanto a Deus quanto um megaevangelista em cruzadas internacionais. Somos criaturas com tendência para valorizar o exterior mais que o interior; há um fariseu à espreita em cada um de nós (e se você pensou agora, “em mim não”, cuidado, hein!). Na verdade, no momento em que o ladrão na cruz dirigiu aquele pedido a Cristo, ele glorificou a Deus, tanto que Cristo o levou consigo para o céu. E o que ele fez? Nada, e, ao mesmo tempo, tudo: creu em Cristo e acolheu a vida eterna no coração. Precisamos lembrar sempre nossa verdadeira finalidade, que é glorificar a Deus, seja silenciosamente, seja sob os holofotes. Além disso, se as missões fossem a razão principal da igreja, seríamos pobres legalistas pragmáticos, só pensando em fazer-fazer-fazer, imprestáveis para a adoração e o amor – sequer teríamos tempo para a quietude com Deus e o pastorear íntimo dos nossos queridos (e muitas vezes não temos mesmo: por isso é tão importante rever nossas prioridades!).
Essa ênfase na glória de Deus, algo fantástico e tremendamente necessário em uma conferência sobre missões, foi confirmada novamente na pregação de Piper sobre o primeiro pedido de Jesus no Pai Nosso: “santificado seja o Teu nome”. Tudo ocorre primeiro no coração. A interioridade deve ser o primeiro local da santificação do nome de Deus; depois, levamos isto para fora, para as "missões". Por isso, um trabalho imenso de sondagem de ídolos deve ser feito, todos os dias. Se nosso propósito último não for glorificar Seu nome, precisamos pedir para que seja. Oh Deus, sonda e destrói os ídolos do nosso coração!
A pregação do pr. R. W. Glenn também buscou guardar-nos do farisaísmo, descrevendo a sutileza das armadilhas demoníacas que podem transformar nosso amor pela Palavra em um indicador de autojustiça. Anotei quase palavra por palavra de alguns trechos: “Nossa tendência é ver a correção doutrinária como algo que nos dá uns ‘pontinhos’ diante de Deus. Somos tão facilmente afastados da graça, confiando na autojustiça! Nós nos sentimos culpados quando as coisas vão bem em um dia em que pecamos; sentimos a necessidade de compensações pelo pecado; tentamos muitas vezes apaziguar nossa consciência culpada com nossos próprios recursos. Tudo isso é um substituto para Cristo. Temos que nos arrepender dessa autojustiça. Temos que nos arrepender por ficarmos desanimados com nossos pecados, pois esse desânimo é um sinal de nossa recusa ao que Deus fez por nós na cruz.”
Muito ainda haveria por dizer das demais pregações de Augustus Nicodemus, Franklin Ferreira e Stuart Olyott. Mas, para não me estender muito, passo a dizer de forma geral como essas palavras maravilhosas me impactaram. Chorei com várias pregações, vibrei com outras, fui inspirada por outras a escrever trechos de meu livro para a Vida Nova. Descobri dentro de mim um certo culto ao conforto emocional, que me faz sentir paralisada e temerosa quando penso em perseguições e martírios, e com muita tristeza pedi a Deus para me livrar desse ídolo. Ontem, confessei pra mim mesma que estou com saudade de ler mais a Bíblia (a gente faz culto doméstico, eu estudo em casa, mas faz tempo que não me entrego a uma leitura por horas, e tive saudade disso). Esses foram alguns dos frutos da Conferência - fora os que não sei, e só Deus sabe. Que Ele seja louvado!
*
Uma bronca: li em redes sociais por aí algumas reclamações sobre a Conferência. A pior delas foi: "não teve novidade". De fato, a ênfase na glória de Deus em primeiro lugar não é novidade alguma. A Bíblia, então, está por aí há uns dois mil anos… Novidade, de fato, não tem. Mas tem a “novidade de vida” que o apóstolo Paulo nos recomenda: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Romanos 6.4). Ora, o que é andar em novidade de vida? É matar todo dia o velho homem dentro de nós, lançando mão dos meios de graça que Deus nos proporciona: a oração, a comunhão, o contato com a Palavra. É cuidar para que permaneçamos firmes na graça de Deus, sabendo que essa graça nunca é totalmente experimentada e nossa tendência natural é fugir dela. Morrer para a morte do pecado, morrer com Cristo e ser ressuscitado por Ele, espiritualmente e, no final dos tempos, fisicamente – essa é toda a novidade de que precisamos! Se não vibramos mais com a única e maior novidade para nossas almas, devemos não apontar acusadoramente para o pregador, mas para a possível frieza de nosso coração. Já passei por uma fase assim, de “tédio espiritual”, e acabei concluindo que no fim o problema era meu mesmo. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que as redes sociais precisam ser utilizadas para algo mais edificante. Não acho nem bom, nem justo, nem proveitoso esse tipo de crítica em público. Fica a dica para quem esquece que as redes sociais são palcos diante das multidões, e fala como se estivesse na sala de casa, de pijama e chinelos.
P.S. Não deixe de ler o empolgante relato de Augustus Nicodemus sobre as pregações de Piper no Brasil!




