26 fevereiro 2012

Da série "O que Deus fez por você através da cultura" I

Estou lendo um livro fantástico chamado Como o cristianismo mudou o mundo (How christianity changed the world), escrito por Alvin J. Schmidt, autor luterano, PhD da Universidade de Nebraska e professor de sociologia, hoje aposentado. Minha versão é eletrônica, em inglês, para Kindle. Esse livro busca corrigir os muitos desvios históricos e as incrivelmente enviesadas criminalizações de que é vítima o cristianismo, em uma sociedade que não reconhece o quanto é devedora dos ensinamentos de Cristo que se incorporaram à cultura.

É claro que Schmidt não ignora o mal que, em nome do cristianismo, muitos perpetraram ao longo da história. Afirma ele em entrevista: "Alguns aprovaram a escravidão; alguns diminuíram o valor da mulher; outros, os cruzados, tentaram converter à espada; outros, ainda, praticaram corrupção, dentro e fora da igreja." O que é importante notar é a estreita correspondência entre os ensinamentos de Cristo e os inúmeros bens de que gozamos na civilização judaico-cristã, além de seu corolário: o quanto perdemos quando nos afastamos bruscamente desses valores! Por exemplo, a cultura "andou para trás" em todos os países em que governantes totalitários buscaram destruir à força o substrato cristão, remodelando o homem e o mundo à própria imagem. Hitler, que odiava o cristianismo e subjugou a igreja, adotou o infanticídio na Alemanha durante seu governo.

É do infanticídio que vou tratar no primeiro post dessa série, comentando as riquíssimas informações que tenho encontrado no livro de Schmidt.

O fim do infanticídio: uma conquista cristã

Você, leitor, deplora o assassinato de crianças, não? Espero que você não seja um seguidor de Peter Singer, nem de certas antropologias modernas que negam à criança indígena o status de pessoa... Bom, para a sensibilidade contemporânea, em todo o Ocidente o infanticídio é um crime abominável. Trememos de horror e ira apenas quando alguém encontra um bebê vivo dentro de uma lata de lixo - quanto mais se pai ou mãe matam os próprios filhos, como ainda ocorre no mundo muçulmano. Prática comum e incontestada em várias civilizações antigas - não só a greco-romana, mas também a de países como China, Japão, Índia, entre os índios do Brasil e entre os esquimós - , o infanticídio só começou a ser afrontado consistentemente a partir do século I, pelos adeptos daquela seita judaica do Nazareno. Nem mesmo os melhores homens do mundo antigo ocidental, como Cícero e Sêneca, se opunham a esse costume maldito. De fato, compreende-se por quê: somente o cristianismo bíblico podia, como cultura, conferir ao neonato ou à criança o status de um ser digno da vida. A idolatria romana à "cidade" apenas deixava os mais frágeis à mercê de um sistema cruel que dispunha como queria das pessoas consideradas improdutivas ou indesejáveis. Foi somente por influência do bispo Basílio de Cesareia que o infanticídio foi abolido no Império Romano pelo imperador Valentiniano, em 374d.C. Da mesma forma, os pais da igreja Clemente de Alexandria, Tertuliano e Lactâncio denunciaram com vigor tanto o infanticídio quanto o abandono de crianças, e muitos outros cristãos se tornaram conhecidos por adotarem as crianças rejeitadas.

O homem ocidental comum não mata nem abandona mais os filhos? E os que o fazem são acertadamente condenados e punidos? Agradeça ao cristianismo!

7 comentários:

Leonardo Bruno Galdino disse...

Excelente, Norma! Por favor, continue compartilhando dessa leitura conosco.

Cleófas Júnior disse...

Oi Norma!

O Reinaldo Azevedo produziu alguns textos em seu blog sobre esse livro, as questões são muito interessantes e importantes sobre a história do cristianismo.

Meu nome é Cleófas Júnior, sou pastor congregacional em Campina Grande, Paraíba, trabalho com os jovens na Igreja Congregacional Dinamérica, aquela que organizou o Consciência Cristã Teen, vi a sua participação nos debates sobre Poder Fama e Dinheiro, mas não nos conhecemos.

Também sou professor de história, ensino no Seminário da Igreja Batista e já fui da Universidade Estadual da Paraíba. Fiz mestrado em história pela Universidade Federal da Paraíba com pesquisa sobre a história do protestantismo em Campina Grande a partir da igreja congregacional e a questão das mulheres, já fiz aquelas leituras sobre gênero que você discute em seu blog sobre o politicamente correto.

Mas tenho encontrado outras leituras para as minhas pesquisas, pois essas buscam destruir a fé cristão em nossa civilização ocidental. Tentei o doutorado em 2010 na PUC/SP e não fui aprovado na entrevista, em 2011 na UFMG não fui aprovado nem no projeto e na UFF não passei na prova escrita.

Quero saber se podemos manter o contato sobre as nossas pesquisas, estou preocupado e desamimado em tentar o doutorado porque o meu projeto em suas perspectivas teóricas está muito pós-moderno, relativa e anti-igreja. E os professores orientadores só leem isso, você pode me indicar outras leituras e lugares em que posso fazer um doutorado interessante.

Você é professora de que e em que lugar? Sua tese foi sobre qual tema e a instituição?

Me desculpe pelo comentário tão longo, mas não tenho seu e-mail e foi o espaço que encontrei.

Meu e-mail é cleofashistoria@yahoo.com.br.

Um abraço,
Cleófas Júnior

Hugo disse...

Prezada Norma,

Obrigado por compartilhar essa leitura e essa referência importante que mostra as bases da civilização Ocidental tal qual a conhecemos.

Tenho apenas uma pequena estranheza com relação ao seu texto: acho que há um adjetivo um pouco impreciso, que não bate com a realidade histórica. Você fala sobre um tal de "cristianismo bíblico" ao mesmo tempo em que se refere à luta contra o infanticídio sendo consistente a partir do século I e menciona a abolição do infanticídio por Valentiniano no século IV. Bem, minha estrenheza se dá porque o cânon bíblico não era definido nessas épocas, ficando um pouco impreciso tratar o cristianismo de então como um "cristianismo bíblico" na forma como olhamos para o cristianismo bíblico de hoje. O uso de tal termo me parece impreciso para descrever a realidade dos primeiros cristãos e pode levar a erro.

Atenciosamente,
Hugo

Norma disse...

Hugo, quando temos a Bíblia hoje e conhecemos seus valores, podemos olhar para trás e afirmar que determinado valor é bíblico ou não, ainda que tenha sido aplicado em uma época em que a Bíblia estava incompleta. Mas obrigada pela observação, realmente pode causar estranheza. Abraços!

Casal 20 disse...

Norma! Que legal! Não sabia disso. Estou curiosíssimo pelo restante do que virá. Deus a abençõe!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Noemi disse...

Olá, querida Norma! Sou sua fã! Amo seus textos...A gente que não é tão estudada...às vezes fica sem resposta em certos questionamentos sobre a Bíblia e Deus, fica só com a fé mesmo...Mas você com toda a sua capacidade nos leva "mais ao fundo"...Que Deus continue te abençoando e usando. Abraços!
Sua fã de Campinas-SP.

Preletora Jurema disse...

A Paz do Senhor, Norma!
Conheci o seu blog hoje e gostei muito.
Vou retornar e prestigiar o seu trabalho.
Abraços em Cristo,
Jurema de Souza Martins
http://preletorajurema.blogspot.com