28 março 2007

Três definições e três notas sobre o racismo

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Escolha a melhor definição para racismo e poste sua resposta nos comentários, justificando sua opção:

( )
"Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.
" (Ministra Matilde Ribeiro, Seppir)

( ) "O racismo se caracteriza na medida em que você impede que o outro cresça. Isso só pode ser feito por quem tem o poder. Como nós (negros) não temos o poder, não podemos ser racistas." (Waldemar Pernambuco Moura Lima, presidente do Movimento Quilombista Contemporâneo; Zero Hora, 28/03/2007, p. 31)

( )
"Racismo é a tendência patológica de fazer menções a raça nos assuntos em que isso não é relevante, somente em benefício próprio." (Mike Adams, professor de direito e colunista do Townhall.com)

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Em nome do ressentimento

Como se sabe, a ministra Matilde Ribeiro, titular de um ministério de nome politicamente corretíssimo – Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir) –, afirmou em entrevista que a discriminação dos negros contra os brancos, “muito natural”, não se configurava racismo. Assim, se uma pessoa que se vê negra (não acredito em raças, muito menos no Brasil) se recusar a aceitar a presença de uma pessoa de cor mais clara, poderá manifestar seu desagrado sem medo de sanções penais; mas não o oposto. Chame isso de justiça, mas não conte comigo para chamar também.

E não, o argumento histórico não vale. A escravidão foi praticada tanto pelos brancos europeus que queriam comprar gente para trabalhar aqui quanto pelos africanos que queriam embolsar o dinheiro vendendo povos de tribos inimigas e socialmente inferiores às deles. O pecado veio de ambos os lados e teve uma motivação mais poderosa: cobiça. Na base da escravatura está, portanto, o fator econômico como preponderante, já que o processo dependeu de uma hierarquia entre povos de raça igualmente negra, subordinação típica de sociedades tribais. Se a Sra. Ministra crê como desculpável o desagrado do negro em relação ao branco em função do passado histórico, convém lembrar-lhe portanto que o açoite não foi praticado somente por mãos brancas. O racismo é uma condição secundária desse processo, e há pelo menos um sociólogo brasileiro, Demétrio Magnoli, que confirma o que digo em artigo no Estado de São Paulo: “O que existe é uma exclusão social e econômica dos pobres — entre os quais os de pele escura e também os de pele clara. É falso definir como problema racial o que é na verdade um problema social e econômico.”

Hoje, embora a progressiva miscigenação tenha diminuído bastante a chance de sentimentos racistas por parte do brasileiro – e ser racista no Brasil não é só burrice, mas perda de tempo –, não escapamos ao fato de que todas as épocas contam com um certo número de idiotas segregacionistas, com suas desculpas absurdas para atribuir uma inferioridade intrínseca não só ao negro, mas também ao pobre, ao nordestino, à mulher, ao gay. (NÃO É o que se faz na religião: o gay não é condenado como pessoa, mas a prática homo, sim. Assim como eu posso amar um filho mas deplorar nele o hábito de contar mentiras.) Com raras exceções, o racista brasileiro não costuma encontrar respaldo social para maltratar os outros. Porém, a depender de dona Matilde Ribeiro, a partir de agora encontrará: só o racista negro.

Isso, em nome de quê? Do ressentimento politicamente correto, resposta emocional bastante admirada e estimulada pela esquerda que domina o país. “Vinguem-se com o endosso do Estado”, parecem dizer os adeptos do pensamento PC. “Mas atenção”, frisam eles, “isso só vale se o negro quiser se vingar do branco, o homossexual do heterossexual, a mulher do homem, o pobre do rico.” Como se o pecado escolhesse raça, classe, sexo. Como se negros, homossexuais, mulheres e pobres não pudessem também cometer crimes de preconceito e atentado contra a honra.

Se não houvesse tantas cabeças pensando à moda de Marx, poderíamos deixar que a lei se encarregue de simplesmente punir injúria, calúnia e difamação, não importa de quem venha. Porém, escritas sob o calor do ressentimento, as novas leis – cotas em universidades, projeto de lei contra a homofobia não são leis: são vingança. De que forma? Ora, as cotas punem o branco estudioso e esforçado, enquanto a lei da homofobia ressuscita o famigerado delito de opinião ao criminalizar o religioso que crê na Bíblia. Nos dois casos, negros e gays são tutelados como se fossem intrinsecamente mais frágeis que os demais seres humanos. (O caso de mulheres e crianças é diferente, pois precisam mesmo de proteção especial.) Acho que todos os negros e gays deveriam se insurgir contra esse evidente erro de julgamento. Os que o fazem têm o meu respeito.

Ainda que houvesse justiça nisso, uma sociedade construída sob o signo da vingança não irá muito longe.
Uma história de racismo

Eu já fui discriminada por ser branca. Deixe-me contar como foi.

Eu tinha uns treze anos à época e tinha ido ao Mc Donald's com minha prima. Enquanto ela esperava atendimento na fila para comprar o lanche, eu guardava lugar para nós duas em um sofazinho. O lugar estava lotado e as filas, enormes.

Apareceu então uma senhora negra obesa, muito gorda mesmo, acompanhada de umas duas crianças também gordinhas. Ela me pediu licença para se instalar com a turma no sofazinho. “Deve achar que estou sozinha aqui”, pensei, olhando para aquele volume humano todo e calculando que minha prima, quando voltasse, não caberia no espaço: só a mulher ocuparia quase metade do assento! Na minha inocência, muito sem jeito (como me expressar sem chamar a mulher de gorda?), tentei explicar que logo viria minha prima para se sentar ali, e que nós todos não caberíamos no sofá.

Para meu horror, ela arregalou os olhos e começou a gritar impropérios, dizendo que eu não queria que eles se sentassem ali porque eram negros. Aquilo durou alguns minutos, até que ela se cansou e foi embora. Quando minha prima chegou, encontrou-me chorando desconsoladamente. Aos treze anos, eu tinha sido maltratada em público porque não tinha a mesma cor da pele daquela senhora! O julgamento dela me marcou para sempre.

Fico imaginando a mesma situação hoje: será que aquela senhora me processaria, ou a meus pais? Será que eu seria xingada por mais gente na lanchonete? Quem pode dizer até onde iremos com essas leis esquisitas, cujo único objetivo parece ser dividir e desagregar a sociedade em dicotomias que se odeiam? Pessoas não são mais pessoas, mas brancos contra negros, homens contra mulheres, heterossexuais contra homossexuais, classe dominante contra classe oprimida. É isso que os grupos politicamente corretos não entendem, vítimas daquele a quem a Bíblia atribui o epíteto de “deus deste século” (2Co 4:4), cuja finalidade é “matar e destruir”: a pessoalidade não pode ceder ao rótulo social sem que desçamos alguns degraus de nossa condição humana. Quando a preocupação jurídica com os processos for considerada a única forma de “amor ao próximo”, estaremos bem perto do fim do mundo. A quem acha que estou sendo dura demais, explico: a moralidade do politicamente correto não pode substituir o amor de Deus. Quando tentam fazê-lo, as pessoas que professam essa nova moralidade acabam compactuando com o demônio na destruição do verdadeiro amor. Simples assim.
Fifty-fifty


Meu dentista fez uma radiografia de perfil do meu maxilar. Eu me surpreendi com o resultado: parecia a radiografia do Milton Nascimento! “Esse 'bico' é normal em descendentes de portugueses, por causa da mistura com os mouros”, explicou ele.

Reparei então que, no meu rosto, não dá para ver um “bico” como no rosto do Milton; mas, prestando-se bastante atenção, há uma protuberância na área da boca. Um restinho de bico, digamos. Adorei saber disso! O tipo de africano que eu mais amo é o tipo com “bico” – como a Nina Simone, que eu acho lindíssima.

Pois então: diante dessa mistureba toda, é ainda possível falar-se em “raças”? Com base em quê, a quantidade de melanina na pele? Não faz sentido.

É preciso reconhecer que muitas vezes a “luta pela igualdade racial” assume um teor contraditório: seus militantes alegam que “somos todos iguais”, mas na prática um bom número de ações afirmativas se caracteriza por atribuir à pele negra um valor intrínseco que muitas vezes parece superior ao da pele branca. Duvidam? Pois prestem atenção nos dizeres de uma camiseta já famosa que diz “100% negro” e pensem no seu correlato, “100% branco”. Esse correlato é ofensivo? É, muito. Na mentalidade contemporânea, “100% branco” é ofensivo porque parece significar “não tenho sangue negro no meu sangue”: uma conotação racista. Já “100% negro” não ofende, mas afirma o valor da raça negra, por causa das teorizações da ação afirmativa que formataram as consciências. Porém, o raciocínio que imbui os dois dizeres não é o mesmo? Não para os militantes, que alegam motivos históricos para alguém querer ser 100% negro e não 100% branco no Brasil. Para eles, as pessoas mais claras deveriam se penitenciar até hoje por seus antepassados racistas, enquanto as que têm mais melanina na pele podem se sentir orgulhosas da cor. Que esquisito. E racista, evidentemente: um racismo ao contrário. Se vejo um negro com uma camiseta “100% negro”, fico imediatamente triste porque, por causa da minha cor clara, sei que ele me vê como uma inimiga ou pelo menos uma descendente do inimigo. Entendeu como funciona? É o fator desagregador-demoníaco de que falei aqui.

Odeio a idéia do 100% branco ou 100% negro – a não ser, como falei em outro post, por motivos estéticos, e isto com relação a todas as raças. A maioria dos brasileiros de pele clara ou morena-clara tem negros na família e fica absolutamente transtornada com declarações e decisões de dona Matilde Ribeiro e demais membros do governo petista. “Temos que tomar partido?”, parecem perguntar. “É a cor que vale? A melanina? Mas eu tenho 'bico', minha pele escurece ao sol, meu bisavô era negro. Não posso ser a favor dos dois? Fifty-fifty? Por favor...

58 comentários:

Norma disse...

Minha resposta, claro, é que a melhor definição de racismo é a de Mik Adams, aliás coincidente com os itens do Aurélio:

1. Tendência do pensamento, ou modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas.
2. Qualquer teoria que afirma ou se baseia na hipótese da validade científica do conceito de raça e da pertinência deste para o estudo dos fenômenos humanos. [Cf. raça (1 e 2).]
5. Qualidade ou sentimento de indivíduo racista; esp., atitude preconceituosa ou discriminatória em relação a indivíduo(s) considerado(s) de outra raça.

De onde tiro a conclusão: alguns expoentes da ação afirmativa estão mudando o conceito de racismo, adotando idéias revanchistas e RACISTAS! Advogar a impossibilidade de uma pessoa negra ser racista com base na condição de "poder" é entrelaçar marxismo e racismo para isentar-se de qualquer acusação de "fazer menções a raça nos assuntos em que isso não é relevante, somente em benefício próprio" - o que os defensores das cotas em universidades, por exemplo, fazem o tempo todo.

Além disso, se ser ministro do governo ou ser presidente de um movimento desses, com voz na mídia, não é SER PODEROSO, é preciso redefinir o conceito de poder também! Quem sabe algo assim: "Poder é o que o outro tem." Trata-se da cegueira da classe dominante do país, maciçamente de esquerda: políticos e artistas, riquíssimos e midiatizadíssimos, acusam sempre o outro de ser classe dominante, geralmente alguém com menos poder que eles. Eis aí um belo exemplo da esquizofrenia moderna: o que é dito não se aplica ao próprio autor do discurso.

Que época, a nossa!

Rude disse...

Muito legal seu blog. Excelentes argumentações. No entanto, sua simples experiência de ter passado por discriminação aos treze foi o mais convincente. Sorte! Vítor.

Norma disse...

Obrigada, Vítor!

Tive também outras experiências marcantes para me colocar de sobreaviso quanro à mentalidade de esquerda. Alguém no Orkut disse que conheceu pessoas negras que não eram menos capazes, mas colocou o adendo: "apenas em média menos preparados para a vida, por conhecidas dificuldades históricas".

Respondi então:

Nem com isso eu concordo. O contexto histórico não faz a pessoa, não, não. Influencia, mas não FAZ. Há algo, uma "luzinha", que vem com a personalidade, um interesse nato nas pessoas à volta, no mundo que nos cerca, uma vontade de compreender e agir. Essa "luzinha" é absolutamente democrática e não faz acepção de pessoas, de jeito nenhum. Só não sabe disso quem se limita muito a seu habitat classe média ou não se dá a oportunidade de conhecer pessoas de todo jeito (sorry, é o que penso...).

Pois deixe-me dizer, algumas das pessoas mais inteligentes, capazes e criativas que conheci eram justamente negras e pobres, as duas coisas ao mesmo tempo - duas características que, segundo os esquerdistas, são talvez os maiores fatores de "exclusão social". Duas moravam em favela e uma delas era um menino de rua, o Carlinhos, um amigo antigo de quem sinto falta até hoje. Um dos que moravam em favela vivia reclamando dos buracos por onde a chuva passava em seu barraco. Isso não impediu que eu e outros amigos o tivéssemos em alta conta. Ele era o líder do nosso grupo de teatro e escrevia peças incríveis, além de nos dirigir.

O capitalismo funcionou para essas pessoas. Hoje, o diretor de teatro é da área da pedagogia e está muito bem; outra amiga, mais novinha, está na universidade e quer ser professora; e o Carlinhos conseguiu sair da rua trabalhando honestamente. Tive bons exemplos para não aderir à vitimização esquerdista, graças a Deus.

Luís Afonso disse...

Norma!
Eu ia te perguntar se tu tens descendentes portugueses...
Este post me respondeu.
É que tu tens cara de portuguesa (além do sobrenome).
Descobri que eu tenho o tipo físico de 90% do portugueses..
As mulheres portuguesas parecem minhas irmãs.. E os homens, meu irmão e os sobrinhos..
Incrível esta minha "descoberta".. É como se todos fossem "de casa" por aqui..
Descoberta que me impressionou muito.
Abs,

LA

Paulo Cruz (PC) disse...

Olá Norma, Paz!

É sempre bom levantar a bandeira dessa discussão. Obrigado.

Eu, como cristão (como você), consciente da questão do pecado (como você) e como negro (aqui não), devo discordar de algumas de suas considerações.
Longe de mim escrever mais que você (rsrs), pois você cercou seus argumentos de tal forma, que não seria possível refutá-los, sem empreender um esforço monumental. Não o farei, pelo menos agora.

Só quero ressaltar algumas coisas:

1) Não concordo de todo com nenhuma das definições por você apresentadas. As três têm equívocos aqui e ali.

2) Não há como saber o que significa racismo sem sofrer racismo. O que você sofreu não foi racismo, foi ofensa, injúria, por alguém que, inconscientemente, se sentia inferior a você. Foi uma resposta preconceituosa ao preconceito que ela (a senhora que você chama de “muito gorda mesmo”) achou que você tinha. Alias, como saber que você não era uma “racistinha nojenta”, quando é a coisa mais (anti)natural do mundo, uma criança branca ter esse sentimento de superioridade racial herdado dos pais? E isso você pode perguntar para qualquer criança negra que freqüente uma escola.
Você, com treze anos, não soube se defender e ela, uma senhora negra, que deve ter sofrido a vida inteira com esse tipo de situação, reagiu, “naturalmente”, com um sentimento tão infantil quanto o seu.
Essa mentalidade que o negro tem, de achar que há sempre uma conspiração contra ele, é absolutamente (e infelizmente) natural. Resposta à história de absurdos e absolutos revezes pelos quais passaram os africanos e afrodescendentes escravizados.

3) Não importa quem foi o Capitão do Mato e nem quem foi que entregou os futuros escravos nas mãos dos desgraçados e facínoras europeus (o tom é iracundo mesmo!). O fato é: essa barbárie foi perpetrada por séculos!
Acho que nem os africanos, que entregaram seus irmãos (talvez sob ameaça de armas de fogo), imaginaram que tamanha atrocidade aconteceria!

4) Você me conta esse caso do McDonald’s (que te marcou como marcaria qualquer criança indefesa); eu posso te contar dezenas deles! Muitos deles que me marcaram como uma criança indefesa...e negra. Posso te contar sobre duas agressões policiais que sofri, quando garoto, a troco de nada; sobre a constante recusa por parte das garotas brancas (e negras); sobre discriminação por parte de professores; sobre as constantes brincadeiras racistas no trabalho (até que pus um ponto final); etc. e etc. e etc.. Podemos conversar algumas horas sobre isso.

5) Ah, e não me espanta que você tenha tido excelentes amigos negros; mas a angústia por aceitação que eles provavelmente sentiam, quer eles assumam, quer não, você nunca conhecerá realmente. E isso não muda a história. E nem o fato de você ter um “bico” de negro. Mas que você, num Senso, diria que é branca, isso não tenho dúvida, porque de fato é.

O racismo NÃO É somente uma doença social, é um pecado à parte. Porque mesmo em comunidades menos favorecidas o racismo existe. Mesmo em lugares onde predominam os negros, o racismo existe e predomina. Veja na Bahia, por exemplo, onde reina um dos racismos mais ferrenhos do país; senão o mais.

6) Eu não acho natural um negro não querer conviver com um branco, mas acho compreensível; não acho natural um negro usar uma camisa 100% Negro, mas acho compreensível; não acho natural os brancos serem discriminados nos círculos negros, mas acho compreensível.
Nosso “Orgulho de Ser” nos foi roubado com séculos de doutrinamento. Na escola, nossa história foi trocada por um conto da carochinha, onde a heroína é uma branca. Zumbi dos Palmares, maior expoente na luta pela liberdade dos escravos, é relegado à margem. Até a Igreja, para velar o pecado mortal que cometiam os homens, dizia que os escravos não tinham alma. Padre Antônio Vieira, brilhante pregador católico, em um de seus sermões aos escravos, disse que eles deveriam se sentir felizes naquela condição, pois estavam participando dos sofrimentos do Cristo. Manipulação sórdida. Conversa para boi dormir!
Vocês não precisam de camisas 100% Branco. É só abrir as páginas da história, isso está implícito lá.

A “Negritude”, termo criado por Aimé Césaire (poeta e ativista político da Martinica, nas Antilhas Francesas), é importante para o resgate da dignidade negra, do sentimento de orgulho por ser afrodescendente. Orgulho não no sentido de superioridade, mas no sentido de suplantar o sentimento de inferioridade que nos foi imposto desde sempre.
É uma pena que a maioria dos negros ainda não tenha entendido direito como isso se constrói, sem transformar a coisa em um “racismo às avessas”, em outro pecado. Mas, você há de convir que, com a escravidão teoricamente tendo acabado há pouco mais de 100 anos, ainda não foi possível discernir e disseminar isso corretamente. Há um lampejo aqui e outro ali, mas ainda são muito fracos; afinal de contas, são 100 anos de “liberdade”, contra quase 400 de escravidão. Ainda hoje, nem os brancos, nem os negros, aprenderam a conviver pacificamente, como gênero humano, como criação de Deus.
Há de se despertar uma nova consciência (como disse bem o apóstolo Paulo) em todos!
Infelizmente, vocês brancos não se livrarão do estigma de escravocratas tão cedo, e nem nós negros de sermos considerados inferiores.

Ah, e vale lembrar, já que você gosta tanto de “descer a lenha” nisso (rs), que não tenho afinidade política nem pela Direita, nem pela Esquerda. São dois lados que uma mesma moeda que não me agrada.

Grande abraço,
Paulo Cruz.

Norma disse...

Oi, Luis!

Pois é, tenho quase certeza de que comigo será a mesma coisa, quando for a Portugal!

Querido Paulo Cruz,

Eu também lhe agradeço imensamente por ter postado aqui de modo tão pungente e confessional. Agradeço também a Deus porque podemos colocar Nele nossa filiação comum, descansando nos laços eternos que nos unem como irmãos em Cristo!

Não creio que haja grandes divergências entre nós quanto a tudo que foi dito, mas preciso reler e pensar melhor no que lhe escrever. Aguarde, que prometo um próximo comentário!

Abração pra você!

Klauber Cristofen Pires disse...

Norma, eu venho aqui fazer um comentário sobre políticas de cotas raciais. Disseste no teu artigo que as cotas raciais prejudicam o branco estudioso. Isto é somente uma parte da história. É preciso ressaltar que as cotas raciais prejudicam também o negro estudioso, que não quis, em nome de sua dignidade, participar do sistema de cotas.

É isto,

Um abraço,

Klauber

Anônimo disse...

Paz a todos

Gostaria de propor que a grande oportunidade de mudar a situação econômica dos negros seria uma forte pressão por melhoria da qualidade de educação na escola fundamental e médio (melhoria real, não cartilhas pró PT). Os negros teriam enorme vantagem nesta mudança (que também afetaria positivamente os brancos). Penso que igrejas poderiam ampliar (e melhorar) muito sua rede de ensino, e pressionar os municípios a uma grande melhora (é dos municípios, por determinação constitucional, a principal responsabilidade pelo ensino, tanto fundamental como médio). Isto é, segundo me parece, a principal arma na luta contra o racismo - dar às crianças negras melhor possibilidade de estudo.

Postei mensagens assim até num fórum negro, mas poucos me entenderam. É claro que, se o esforço neste sentido não for grande, não se conseguirá nada. Posso estar errado, mas, em minha opinião, a maioria das outras medidas em favor da melhoria da situação dos negros é apenas paliativa (algumas até contraproducentes).

Paulo Cruz, você é baiano? Eu sou, embora não tenha sido criado lá. Entretanto, me recordo de ouvir minha mão comentar com meu pai (ele baiano, criado na Bahia, ela catarinense criada no interior de São Paulo), que ela considerava os baianos como muito racistas (eles moraram no sul da Bahia por algum tempo). Penso que esta informação, embora de segunda mão, reforça a sua afirmação sobre o racismo na Bahia. Mas não sei se a situação é a mesma daquela época.

Renato U Souza

Norma disse...

Querido PC,

Vamos lá, conforme prometi.

Meu ponto, nesse post, não foi negar a existência do racismo no Brasil - embora todos tenhamos de concordar que é mais um estigma (porque tem a questão econômica junto, indissociável: os negros começaram a ser discriminados por causa da condição de escravos) que um ódio. Poucos brasileiros têm o tipo de ódio aos negros que se verifica - ou verificava - nos EUA, por exemplo. Apesar das experiências negativas que os negros continuam sofrendo individualmente, creio que eu posso dizer que o Brasil, COMPARATIVAMENTE, ainda é um país MUITO POUCO racista se pensamos em termos globais. POR ISSO, creio que a ação afirmativa, importada dos EUA, é uma bomba pesada demais para lidar com isso em nosso país. Além disso, não funciona: como você bem escreveu, "É uma pena que a maioria dos negros ainda não tenha entendido direito como isso se constrói, sem transformar a coisa em um 'racismo às avessas', em outro pecado." A ação afirmativa acaba instaurando o mesmo pecado em sentido oposto.

Você escreveu também: "Infelizmente, vocês brancos não se livrarão do estigma de escravocratas tão cedo, e nem nós negros de sermos considerados inferiores." Fico pensando que, pensando em combater o racismo, os expoentes da ação afirmativa querem estimular um tipo de orgulho que não se baseia no conceito de igualdade (negros e brancos são pessoas igualmente capazes), mas numa espécie de orgulho muito parecida com o orgulho gay: "Vamos mostrar a ELES quem nós somos!" Assim, quer-se livrar de um sentimento de inferioridade REFORÇANDO a pecha de escravocratas (para brancos) e preconceituosos homofóbicos (para heterossexuais que não concordam com a prática gay). Isso jamais dará certo! Pode aliviar o sentimento de inferioridade em um primeiro momento, mas estimulará o ódio ao outro, desagregando a sociedade aos poucos. E isso foi o que eu quis dizer, basicamente, em meu post.

Por isso, dou as mãos às suas quando você diz: "Há de se despertar uma nova consciência (como disse bem o apóstolo Paulo) em todos!" Que consciência é essa? A união em Cristo, com Cristo. Sim, eu creio que a única forma de transpor as barreiras que os homens inventam por causa do pecado é nossa identidade e filiação comuns EM Cristo! Por isso temo pela aproximação entre a igreja e a ação afirmativa. Creio firmemente que só o amor de Deus pode curar os sentimentos de inferioridade e os separatismos sem sentido.

Grande abraço!

Paulo Cruz (PC) disse...

Olá Norma!
Obrigado pela resposta. Entendi perfeitamente.

Agora eu gostaria, se me permite, de fazer uma interpretação das Escrituras com relação às Ações Afirmativas:

"Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam". (Hb 10:1)

As Ações Afirmativas (Lei) existem porque não há, nos nossos governantes, percepção suficiente do Amor de Deus (Graça), para que entendam a necessidade urgentíssima de melhorias consideráveis na educação pública e, sendo a maioria pobre do nosso país composta por afrodescendentes (oriundos desse ensino público lixo, e quando conseguem uma vaga!), foi necessário encontrar uma forma de reparar os anos "perdidos" com o descaso racista (estigma odioso ou ódio estigmatizado?). Se o modelo de Cotas importado dos EUA é o melhor caminho, não há como saber ainda, pois há uma indignação ferrenha por parte dos "desfavorecidos" pelo sistema e um orgulho bobo por parte dos "favorecidos"; e uma incompreensão do cerne do problema por parte dos dois lados. Não é a Ação Afirmativa que é pecado, e sim incompreensão e esse orgulho.

O racismo no Brasil é diferente do que há nos EUA sim, porque além de mais velado e mais ridículo (por causa da grande miscigenação), se confunde com a discriminação social.

"Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça". (Rm 5:20)

Amém!

Abração!

Norma disse...

Oi, Paulo,

Apesar de ter entendido seu raciocínio, eu vejo um pouco diferente de você.

A Lei de Deus é justa e exprime a realidade de que há padrões absolutos a serem seguidos. Se não os seguimos, é porque somos pecadores e precisamos da graça de Deus, expedida a nós pelo sacrifício de Jesus, para satisfazer a justiça de Deus.

Mas o que são as cotas? Certo, são um modo artificial de resolver o problema da maioria branca nas universidades. Se faltam negros na universidades, é porque, como você disse, a maioria dos pobres é afrodescendente, herança da escravidão. Mas pense bem. Qual o benefício, a longo prazo, que as cotas podem trazer, se o real problema não for tocado - a educação básica e pública? As cotas acabam se verificando injustas porque não se concentram na fonte principal da questão: quem é pobre e estuda em escola pública fica prejudicado na hora de competir com os outros. Mas as cotas não beneficiam pobres em geral, elas beneficiam só negros. Um erro de alvo. Mas não seria tão simples se as cotas se dirigissem a pobres em geral? (Mesmo assim, seria uma medida paliativa, apenas.)

Mas isso é problema para político resolver. Meu foco maior é sempre a filosofia que está por trás das idéias que ganham corpo no mundo. E não temos como fugir do seguinte: a filosofia da ação afirmativa É revanchista - assim como, aliás, a filosofia de todos os setores que nascem sob o signo do pensamento politicamente correto. Em suma, buscam-se atribuir privilégios especiais a "grupos desfavorecidos" e a sociedade vai sendo fatiada em setores, dividida. O sistema de cotas não deixa de ser um "tomar à força" de vagas na universidade: à força, porque não é pelo mérito. E favorecer uns em detrimento de outros que teriam o mérito é muito perigoso, pois cria uma cultura de competição injusta, em que alguns são tutelados como se fossem intrinsecamente mais frágeis, enquanto outros ficam realmente desamparados embora se esforcem. Creio que há inúmeras formas de se ajudar os pobres e negros em nosso país, mas nenhuma delas deveria prescindir do desejo e do esforço da pessoa - para seu próprio bem! Se eu quero que alguém consiga chegar a algum lugar, preciso ajudá-lo a chegar com suas próprias pernas, em vez de carregá-lo nos braços. O governo não pode funcionar como um pai coruja que estraga os filhos ao mimá-los demais. Essa é a diferença essencial entre a visão de esquerda (governo é pai que não só mima alguns, mas manda de modo autoritário na vida de todos) e a visão conservadora (governo busca tratar a todos com igualdade mas não quer mandar na vida dos governados, dando-lhes liberdade e deixando que cresçam por suas forças). A competição injusta gera ódio nos outros pobres que são brancos, bem como naqueles que estudaram mas não passaram por pouco. Revanchismo gera ódio. Isso não tem como acabar bem. Deploro a atitude das pessoas que tocaram fogo no departamento de estudos africanos na Universidade de Brasília, mas não deixo de ver nisso um sintoma do que estou dizendo aqui.

Para terminar: quando fazemos leis, precisamos sempre pensar não no sujeito correto que vai segui-las normalmente, mas no sujeito desonesto que vai abusar delas. A cultura de privilégios exagerados - como no projeto de lei da homofobia - vai dar ensejo a que os desonestos tenham mais respaldo jurídico para pisar nos outros (religiosos e conservadores em geral). A noção de que o homem é pecador está por trás dessa idéia. Não podemos, como cristãos, aprovar leis que, por favorecer uns em detrimento de outros, dão prerrogativas para abusos. Quero justiça (equilibrada), não revanchismo (alimentado pelo ódio).

andré azevedo disse...

Norma e Paulo César,

No meu entender o racismo no Brasil dá-se da seguinte maneira: os brancos convivem amistosamente com os negros no pagode, no futebol, no batuque, na musicalidade (seja lá o que isso queira dizer)......muitos brancos de classe média consomem a chamada música negra, etc e tal...mas vai um negro se atrever a ser um médico, um juiz de direito, um economista, um catedrático de ensino, que aí escuta aquele comentário "este negro está querendo se comportar como branco.".....não há o desprezo e o ódio como nos EUA, mas desde que os negros saibam seu lugar, as relações raciais no Brasil ocorrem às mil maravilhas....

Norma disse...

Klauber e Renato, falei nesse último post mais ou menos o que vocês falaram sobre as cotas e o reforço da educação pública.

Klauber, dos que falam na mídia, eu conheço apenas um negro que rejeita tanto a ação afirmativa quanto as cotas. Ele é professor de história. Já já me lembro o nome dele.

Para arredondar o que eu já disse: apesar de achar também paliativa, eu até entenderia se a lei das cotas fosse aplicada a pobres de qualquer raça. Afinal, a pobreza pode prejudicar o estudo: a escola pública é ruim, o jovem precisa trabalhar e fica sem tempo, não há dinheiro para comprar livros. Mas pergunto: em que a cor negra prejudica o estudo? Em nada! Mas por que se fez a lei em cima da raça, e não em cima da condição econômica? Porque a ação afirmativa precisava de ibope. No fim, tudo acaba se revelando uma imensa hipocrisia. Se eu fosse negra, ficaria ainda mais horrorizada com essa história de cotas, porque me sentiria mal com a associação entre cor da pele e incapacidade de estudo. A escravidão não foi o único fator de pobreza no Brasil, onde há muitos pobres brancos, além de mestiços.

Abraços a todos!

Norma disse...

André,

Você tem razão, há essa modalidade imbecil de racismo velado no Brasil sim. Mas também há com o nordestino, por exemplo. E não se dissocia da questão econômica (pobre pode ser pagodeiro, jogador de futebol e porteiro, mas não pode exercer profissões que demandem estudo universitário). Mas, apesar disso, o que eu diria a um negro que quer ser médico? "Ignore esses imbecis preconceituosos, estude bastante, mostre do que é capaz. Um dia você será reconhecido, é só questão de tempo." É muito mais produtivo direcionar a raiva pelo preconceito a atitudes de crescimento e autovalorização real, do que direcioná-la a slogans e a sentimentos igualmente racistas de ódio ao branco, como se todos os brancos fossem racistas. Se há raiva, ela deve nos fazer crescer, em vez de nos destruir.

Anônimo disse...

Paz

Norma, penso que entendi o que o Paulo Cruz quis dizer. Suponho que ele está falando que, apesar de reconhecer que a melhor atitude é a construtiva, sente que nós, os brancos, não percebemos a extensão da ofensa sofrida por eles. Pensando no seu caso, a incompreensão que você sofreu foi aos treze anos, com a personalidade já quase formada. É bastante pior o trauma de uma criança que sofre o racismo desde a tenra idade. Talvez, muitos dos negros vencedores que vemos, sejam pessoas de personalidade peculiarmente forte, capazes de vencer mesmo carregando traumas de infância, ou pessoas que, em virtude do ambiente e local em que foram criadas, tiveram pouco contato com o racismo (que é muito forte em alguns lugares e em alguns ambientes e fraco em outros).

Renato U Souza

Norma disse...

Sim, Renato. É isso mesmo.

Mas há outros traumas, tão destrutivos como o do racismo... Só Deus para curar.

Abraços!

AQ. disse...

Mike Adams pra presidente. E fora com um tal ministério inconstitucional como esse. Ah, e também CPI do apagão, Já!
Amitiés,
Beto.

Cfe disse...

Oi Norma,

Na minha opinião o racismo manifesta-se no Brasil porque não temos coragem de assumir que discriminamos socialmente uma parte da população. Eu não concordo com cotas raciais, pois tenho a certeza que se fossem adotados critérios econômicos, onde o nível de renda contasse, iria beneficiar quase as mesmas pessoas e evitar essa fratura na sociedade.

No entanto discordo de você, Norma, porque apesar de achar que o empenho é um critério fundamental, tem de haver mecanismos na sociedade que protejam os mais fracos (mas que não inibam o mérito, claro).

A parcela da população que tem traços negros é identificada como a menos preparada, que ocupa os lugares mais baixos da hierarquia social. Ora, num país onde o respeito pelo próximo é diminuto, o que podemos esperar do tratamento conferido aqueles que tem as características físicas representativas de classes baixas?

Tempos atrás fiquei pensando uma frase que ouvi: "...sabe o cara era negro mas tava de terno e gravata, como é que ia imaginar que ele ia roubar meu carro?" O indivíduo de classe alta faz uma associação de pobreza com negritude mas não é a raça que está em jogo mas sua condição social.

É claro que da classe média pra cima as pessoas não estão habituadas a lidar com negros de igual para igual daí o conceito que tem da ligação negro/pobre/inferior.

Houve um secretário de Estado em São Paulo, negro, que disse em entrevista que sempre confundiam-no com seu motorista, branco. Pensavam que ele era o motorista...

Pra terminar, vou dar outro exemplo indireto: estava hospedado em Lisboa com minha família e no café da manhã havia pessoas de quase todos os cantos do mundo, a maior parte eram brancos, uns poucos negros e asiáticos que vestiam o mesmo tipo de roupa e tinham os mesmos habitos que da maioria branca (crianças correndo, rindo, etc) mas havia um elemento "pertubador" na mesa ao lado da minha da qual NINGUEM tirava os olhos: havia uma família em que a mulher usava um véu cobrindo a cabeça e a face, só deixando os olhos à vista. Seria preconceito? Curiosidade? É só pra ver que sempre vamos nos aproximar dos que nos parecidos com nós mesmos.

O Luís Afonso tem razão: você tem cara duma rapariga trigueira :)

Um abraço,
Caro Paulo,

Aceito perfeitamente quase todas suas afirmações e motivos de "revolta", embora não concorde na totalidade com as explicações que faz.

Houve duas afirmações que me deixou impressionado:
1ª) "Acho que nem os africanos, que entregaram seus irmãos (talvez sob ameaça de armas de fogo), imaginaram que tamanha atrocidade aconteceria!"
Explicação:Os africanos VENDIAM outros africanos aos europeus e não vejo porque só ressaltar a maldade européia.

2ª) exaltação do Zumbi: ele tinha escravos em seu quilombo.

É preciso esclarecer que houve negros filhos de traficantes africanos que vieram estudar em Salvador, que muitos escravos alforriados tornavam-se proprietários de outros escravos negros. Portanto não era uma confronto branco/negro.

Um abraço,

Edu disse...

Hmm, bem que eu levantei a bola, como português-branquinho-que-fica-moreno-quando-toma-sol-mas-não-toma tem alguma coisa árabe nessa história.

Até o Habbibs vende kibe crú e pastelzinho de Belém.

Um beijo,

Du.

Norma disse...

Oi, Cfe,

Você escreveu: "No entanto discordo de você, Norma, porque apesar de achar que o empenho é um critério fundamental, tem de haver mecanismos na sociedade que protejam os mais fracos (mas que não inibam o mérito, claro)."

Não discorda não! Eu disse que esses mecanismos deveriam existir. Só acho, como você, que os mais fracos não podem se associar a aspectos de raça, senão diremos que um negro é intrinsecamente mais frágil que um branco - e cometeremos, infalivelmente, racismo. Aí é que mora o perigo. Os benefícios, se estendidos a pobres em geral, alcançariam os negros igualmente, sem injustiça para com os brancos desfavorecidos.

Mas, como boa conservadora, creio que a melhor forma de ajudar é sempre promovendo o crescimento, em lugar de dar o peixe.

Du, eu não pego sol de jeito nenhum... me coço toda, é horrível. :-)

Acho que o Habib's faliu, não faliu não? :-)

Abraços!

pappires disse...

Prezada Norma,

Peço licença para entrar no debate entre o Paulo Cruz e você.

Para começar, conto alguns "causos" de preconceito racial do qual fui vítima, mesmo estando mais para claro do que para escuro (voltando apenas três gerações, tenho pelo menos 1/8 de sangue "negro" -- talvez já miscigenado -- e 1/4 de sangue árabe, com os outros 5/8 podendo ser português "puro", mas provavelmente com alguma miscigenação, incluindo algum cristão-novo). Uma vez fui parado pela polícia quando voltava de táxi com três colegas de auto-escola do exame de direção. Nada me tira da cabeça que o motivo de termos sido parados foi o fato de a pessoa que estava no banco da frente, ao lado do motorista, ser um mulato de "cabelo ruim". Interrogados fomos todos, por policiais extremamente grosseiros. No meu caso, o policial perguntou o que eu fazia. Na época, era estudante de Engenharia na UFRJ, de modo que respondi tranqüilamente "Estudo." Mas o policial refez a pergunta umas três vezes, como se não tivesse compreendido o que eu falara com a melhor dicção que podia. Não sei se ele precisava de uma lavagem auricular ou se queria me provocar para me armar alguma cilada, mas acredito mais nesta última hipótese, pois quando, para tentar ser finalmente entendido, aumentei minimamente o volume da voz, ouvi-lhe o brado rude de que eu não gritasse com ele. Se o efeito pretendido era realmente acabar com minha tranqüilidade, o "guerreiro" teve pleno êxito. Dessa experiência concluí que não é necessário ser "negro" para ser vítima de preconceito racial: basta estar acompanhado de um[1].

Episódios semelhantes ocorreram outras vezes. Freqüentemente passava por blitzes na saída da Ilha do Fundão (lugar realmente perigoso, por causa das favelas que a circundam), quase sempre nos mesmos horários. Nunca era parado, exceto quando dava carona a um estagiário do laboratório em que trabalhava, que -- como vocês já devem imaginar --, era negro, morador de uma dessas favelas.

Também já aconteceu o contrário. Na vez em que, por problemas familiares sérios desse estagiário, entrei com ele de carro (que já era consideravelmente velho) na favela, algumas pessoas na rua bateram ou jogaram coisas contra o carro, mesmo havendo um morador do local comigo, bem visivelmente sentado no banco ao lado do motorista. Não posso garantir que era por eu ser "branco", mas não sei por que outro motivo poderiam pessoas aparentemente comuns (não acho que eram traficantes) agredir-me apenas por eu estar lá, já que outros carros havia ali, já que eu estava tão devagar quanto manda a cautela para um lugar como aquele, e já que a rua era sobejamente larga, e não um beco qualquer.

Por outro lado, naqueles mesmos dias de faculdade, quando ganhavam força os "movimentos" de "consciência negra", uma estória com tom de denúncia que muito se escutava era a de uma pretensa transmissão de rádio feita pela polícia, na qual se dizia algo como "elemento suspeito da 'cor padrão' fez isso ou aquilo".

A tal "cor padrão" é um preconceito ou, ao contrário (e sem considerar, por enquanto, possíveis causas históricas), um conceito embasado numa constatação da realidade de quem comete crimes, estatisticamente verificável? Se for uma realidade verificável, passa a ter algum sentido a escolha de carros com passageiros ou condutores negros para abordagem pelas blitzes?

O Paulo Cruz a mim parece olhar a questão a partir do referencial de negro e das violações ao direito que sofreu, ainda (e por isso mesmo) com uma apreciável dose de afetação da propaganda de "compensação pelos danos anteriores", que aparece como regra da maioria dos chamados "movimentos negros". Tal afetação é a única explicação que encontro para erros crassos como a depreciação da Princesa Isabel, que deu liberdade de direito a *todos* os negros do Brasil, e, em contraponto, para a exaltação (infelizmente ressonante com o que há de pior na política nacional) de Zumbi, que não foi mais do que um lider local de um dos muitos quilombos que houve no país durante o período escravagista, e justamente de um quilombo que tinha seu tipo próprio de sociedade escravagista.

Mas não o tomo por vilão. Nós outros, "brancos" (que no fundo sentimos alívio, freqüentemente falso, de assim nos chamarmos), também costumamos ver as coisas por nosso próprio referencial de não-negros e de como nós somos afetados pela situação presente e pelas mudanças que vem sendo propostas ou enfiadas goela-a-baixo em nosso país. Temos também nossa afetação, nossa culpa e a culpa de nossa omissão. Não queremos (e nisto estamos corretos) ser responsabilizados pelos erros (que reconhecemos) das gerações passadas, mas às vezes contamos piadinhas de pretos, de judeus ou de japoneses (piadas de português talvez não seja propriamente "racismo" num país onde os "brancos" são de origem predominantemente portuguesa), e fingimos que tais atos não contribuem com a radicalização de idéias segregacionistas em nós mesmos e naqueles que nos cercam (especialmente filhos).

Os dois referenciais estão errados. São egoistas, auto-indulgentes e cheios de auto-comiseração, e com freqüência empurram a responsabilidade da solução do problema para aquele que, além de incapaz de solucioná-lo, se beneficia da sua não-solução. Exemplos patentes são a tal "ministra" (de uma secretaria -- mas no governo do Sapo Barbudo, até servidor de cafezinho vai acabar ganhando status de ministro) e o tal presidente do anacrônico (mas provavelmente fartamente beneficiado pelo erário) "movimento quilombista contemporâneo" (sic).

Creio que, para o povo de Deus, o único possível referencial é a própria pessoa de Deus, que não faz acepção de pessoas, que ama a todos incondicionalmente, que conhece o coração e pouco liga para aspectos exteriores, ainda que tais aspectos queiram se passar por piedosos.

Se queremos fazer diferença real, melhorando verdadeiramente o modo como as gerações futuras futuras viverão as relações entre pessoas de cores de pele diferentes, temos que parar de perder tempo com cosméticos ou compensações tolas. Se sabemos o remédio correto, não podemos mesmo permitir que falsos médicos apliquem falsos remédios nas pessoas. Por mais tentadora que soe uma medida compensatória, ela não deve ser aceita. Não deve simplesmente porque o preço de exaltar a condição de negro é degradar a condição de pessoa (na medida em que cria diferenças sabidamente artificiais entre pessoas que são essencialmente semelhantes); um ganha de um lado, mas ele mesmo e todos os demais perdem de outro.

Pode ser que haja dores durante a realização daquilo que é correto, tais como os episódios de discriminação citados até aqui por vários de nós. Mas Jesus, além de nos ter advertido de que teríamos aflições neste mundo, nos deu ordem de que déssemos a outra face a quem nos esbofeteasse, andássemos duas milhas com quem nos quisesse fazer andar uma e déssemos nossa capa a quem nos tirasse a túnica. Somos ovelhas no meio dos lobos, consideradas ovelhas para o matadouro por amor de Deus, mas somos mais do que vencedores (inclusive sobre nossos próprios traumas) por Ele mesmo, que nos amou (igualmente) desde o princípio, e quer de nós misericórdia, e não sacrifícios prescritos em lei.

Um abraço a todos.
Paulo Alexandre

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[1] Até onde me lembro, nenhum dos policiais nesse episódio era muito "clarinho". Ao contrário, na imagem que tenho na memória, o mais "branco" deles era tão "negro" ou mais do que o mulato que estava sentado no banco da frente do táxi.

Norma disse...

Eu ainda acho que, no Brasil, a questão é muito mais social que racial. Vejam o que Reinaldo Azevedo escreve em seu último post; é raríssimo eu não concordar com ele!

"Aquela palavra de ordem dos esquerdopatas da UnB — “Brasil, África, América Central/ a luta do negro é internacional” — é uma bobagem que só faz sentido no Brasil. A luta no negro é “internacional” em Angola ou Moçambique, onde negros são ditadores de negros? É internacional no Sudão, onde negros islâmicos massacram negros cristãos? É “internacional” para tutsis e hutus, que se matam, se esfolam e se mutilam aos milhares, chegando a milhão? Calma lá: hoje em dia, os maiores algozes dos negros têm pele negra. Um amigo foi fazer uma reportagem em Angola. Quase morre na mão dos comunistas que estão no poder. O país consegue ser uma dos mais ricos e mais corruptos do continente. Corrupção centralizada pelos comunas. O Brasil se formou de outro jeito. A escravidão ainda não tinha sido oficialmente extinta, e nosso maior escritor já era um mulato. Ou entendemos os nossos paradoxos, ou vamos começar a brincar de nos meter fogo uns aos outros em nome da “verdade” — a verdade de uma causa importada pela militância.

Os nossos “mestiços” são “mestiços”, não são negros coisa nenhuma. E eles são 41% da população. Negros são 6%. E 52% são brancos. Essa é a realidade do Brasil. E os pais dos mestiços os quiseram mestiços. Não fosse para se misturar, teriam escolhido alguém com a cor de sua pele para fazer filhos. Porque em nossa história há aqueles elementos de que fala Gilberto Freyre acima. A militância pela “discriminação positiva” passou a ser um meio de vida, uma profissão, que só prospera porque não se cumpre o estado de direito à risca. Ou todos são iguais perante a lei, ou se está fraudando o regime democrático. A aplicação de cotas raciais só existe porque o mundo jurídico brasileiro se acovardou, com medo da militância estridente."

Norma disse...

Quando você tem um movimento disposto a exaltar o "orgulho negro", você já está de alguma forma contribuindo para um separatismo. As culturas devem ser consideradas antes de tudo um patrimônio da humanidade, e não vinculadas a setores.

Vejam esse texto abaixo. Esse deveria ser o verdadeiro espírito do combate ao racismo:

"Outra característica notável do genoma humano vem da compração entre membros diferentes da nossa espécie. No nível do DNA, somos todos 99,9% idênticos. Essa semelhança se aplica independentemente de quaisquer dois indivíduos no mundo todo que você escolher para fazer comparações. Assim, pela análise do DNA, nós, humanos, fazemos realmente parte de uma família . Essa extraordinária baixa diversidade genética nos diferencia da maior parte das outras espécies do planeta, nas quais a diversidade da quantidade de DNA é dez ou até cinqüenta vezes maior que a nossa. Se um visitante alienígena fosse enviado até aqui para examinar as formas de vida terrestres, poderia ter várias coisas interessantes para dizer a respeito da humanidade, mas sem dúvida comentaria o surpreendente baixo grau de diversidade genética em nossas espécies.

Os geneticistas de populações, cuja disciplina envolve o uso de instrumentos matemáticos para reconstruir a história das populações de animais, plantas ou bactérias, observam esses fatos acerca do genoma humano e concluem que todos os membros da nossa espécie descendem de um grupo comum, de aproximadamente 10 mil iniciantes, que viveu há cerca de 100 mil a 150 mil anos. Essas informações combinam com os registros fósseis que, por sua vez, estipulam a localização desses ancestrais fundadores com mais probabilidade na África Oriental."

Retirado do livro "A linguagem de Deus", de Francis S. Colins (líder do projeto Genoma humano), p. 131.

Anônimo disse...

Olá, Norma! Saudações. Eu pensei em uma camisa com as frases:
33,3% Branco
33,3% Negro
33,3% Índio
99,9% Miscigenado! Sou Brasileiro!
Não sei se seria agredido pelos nossos integrantes de "movimentos sociais", defensores dos "direitos iguais". Mas estou seriamente pensando.
Um Abraço, Norma.
PS: Se alguém fizer a camisa assim, lembrem-se de zelar pela propriedade intelectual...Ohhhh!!!!

GdS

Hazel disse...

Concordo com a pessoa que diz que não dá pra definir exatamente a palavra racismo, sem ter sofrido racismo. Eu graças a Deus nunca sofri nenhum tipo, mas imagino como deve ser.

Eu acho que todas as definições tem um pouco de correto, é muito complexo para se definir com certeza.

Cfe disse...

Norma,

Então tá. A gente concorda...


Aproveitando sua chamada de atenção para África: a minha mulher é sul-africana. Quando havia o regime segregacionista lá a separação não era só entre brancos e negros mas entre os próprios integrantes de cada lado: descendentes de portugueses, italianos e espanhóis para um lado, afrikaners para outro, etc. No grupo negro: xhosas para uma lado, zulus para o outro, etc.

Uma das melhores amigas dela é Angolana, mulata. Sabia que o MPLA, partido do poder era quase todo formado por uma etnia e Unita seu principal oponente por outro? Sabia que desde a independência angolana o governo brasileiro apoiou o MPLA por ser formado pela etnia que históricamente era responsável pela administração do país durante a época colonial?

Esse coisa de vermos o mundo a preto e branco...

Paulo Cruz (PC) disse...

Amigos,

O "debate" está quente, mas creio que não tenha mais (quase) nada a dizer. Só observar que: uns podem concordar, outros discordar, mas poucos sabem efetivamente o que significa, NA PRÁTICA, essa celeuma toda.

Insisto que há uma profunda incompreensão de todos os lados, que só o Cristo poderá resolver.

E mais: as possíveis incongruências no meu "discurso" não mudam a minha opinião em absoluto, mesmo porque estão (bem) à margem dele.


Abraços!

Norma disse...

Querido PC,

Deixe-me apenas frisar algumas coisas. Apesar de reconhecer que a luta contra o racismo é legítima e necessária, não concordo especificamente com o modo raivoso e separatista de que as ações afirmativas costumam se utilizar para seus objetivos, e acho mesmo que esse modo causa mais divisão que conciliação.

Mas veja, na história, há modos lindos que Deus usou para romper as barreiras do racismo. Nunca me esqueço de um documentário que vi na tv sobre um tema fascinante: o princípio da não-violência aplicado a objetivos sociais-políticos. Um dos episódios contados como exemplo foi o de um pastor batista negro que organizou uma resistência pacífica contra o "apartheid" que reinava nos EUA, onde nos anos 50 ainda havia proibições à freqüentação de negros em restaurantes, bares etc. Não conto tudo para não estragar a surpresa - quero escrever sobre isso - , mas eles foram muito bem-sucedidos, e sem agressão alguma: nem física, nem verbal. Creio que Deus nos inspira a agir assim e eu mesma preciso crescer nesse entendimento e nessa prática. Mas é fácil perceber que alguns setores da ação afirmativa usam de palavras e propostas que dividem e ferem - veja a reação geral às palavras de dona Matilde e veja se não tenho razão. O ressentimento e o perdão devem ser pregados em todas as situações, jamais sendo justificada sua falta, seja por que motivos. Os negros que tomaram parte da ação não-violenta proposta pelo pastor batista certamente tiveram de suplantar muitos de seus sentimentos de rancor e desejos de vingança para conseguir a grande vitória de romper o apartheid social nos EUA. Que possamos aqui, no Brasil, por meio do amor de Deus, bolar meios tão inteligentes e graciosos quanto esse.

Paulo Cruz (PC) disse...

Olá Norma!

Disse que não tinha mais o que dizer, mas...(rs) vamos lá:

O tipo de racismo que se configurava (e se configura) nos EUA é muito diferente do que acontece aqui.

Concordo com você que um tipo de racismo “às avessas” emerge das Ações Afirmativas e já disse isso no meu primeiro comentário. Mas alguém disse acima (e concordo) que, para que o essas ações sejam aceitas por vocês (brancos) é preciso um “mea culpa” que vocês não estão nem um pouco a fim de fazer. É como ser responsabilizado pelo pecado de Adão. Por outro lado, nós (negros), erroneamente, fazemos disso uma arma a favor de nosso orgulho ferido. Repito e enfatizo: Há incompreensão dos dois lados!

Agora veja, não posso concordar com você quando diz: “não concordo especificamente com o modo raivoso e separatista de que as ações afirmativas costumam se utilizar para seus objetivos, e acho mesmo que esse modo causa mais divisão que conciliação”, simplesmente porque essa me parece uma maneira de não assumir a necessidade de amparo aos descendentes de escravos, tão massacrados ao longo da história do Brasil.
Que alternativa temos? Melhorar o ensino público? Como? De quantos anos precisaríamos? Não se esqueça que são praticamente 500 anos à margem! O problema é urgente e as medidas devem ser urgentes. Você oferece uma opção, mesmo que tenha que sacrificar um pouquinho dos seus “privilégios”?

Agora, querer que sejamos esfolados nas ruas como foram os partidários de King no episódio chamado Domingo Sangrento é mais fácil, não é? Morrem alguns milhares e quem sabe o governo reconhece a injustiça. Porque não houve violência da parte dos manifestantes, claro, mas da polícia...
Eu não “verticalizaria” minha perspectiva, dizendo que o “modo lindo de Deus” rompeu as barreiras do racismo. Será que não foi a morte do Bode Expiatório que (aparentemente) o fez? Afinal de contas, a crise continua...

Abraço!

Norma disse...

Querido Paulo,

Sua mensagem me deixou profundamente triste. Veja, não posso concordar com o que está por trás de suas alegações, de modo algum. Em seu texto, repare que você subitamente deixou de me tratar como irmã para me ver como uma "branca detentora de privilégios". Percebe que esse é o tipo de separatismo ao qual eu me referia?

Por isso não gosto do marxismo nem do politicamente correto. Sou uma pessoa única, não um "membro de classe" ou uma "representante da minha raça"; essa história de classes é com Marx, não comigo. Eu procuro ver as pessoas como Deus as fez, únicas.

Vejo o marxismo como uma potência fragmentadora, portanto destrutiva. Setores mais radicais do feminismo e da ação afirmativa se encaixam nisso. Deve o cristão apoiar sem restrições esses clamores políticos? Deve o cristão aderir a esse discurso? Creio que não: política, economia, cultura e raça, nada disso pode fragmentar a irmandade de Deus. "Porque ele é nossa paz" (Efésios 2:14) e em Cristo não há "judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28). Nossa identidade não está nem na raça, nem nos acontecimentos históricos, nem na cultura; está em Cristo. Medite nisso, querido irmão. Abraços.

Nagel disse...

Paulo Cruz,

Ninguém ignora que existam problemas dessa natureza no Brasil. Ninguém. Os mais sensatos, entretanto, concordam que o problema é mais social que racial. Um negro com dinheiro acaba sendo um branco, meu amigo; um branco pobre acaba valendo menos que um negro pobre, porque não tem amparo de ninguém; tem a "cor de opressor", mas é ele mesmo um oprimido, sem ter a quem recorrer.

As ações afirmativas, se quisessem de fato reparar os erros da nossa sociedade, não deveriam atentar, portanto, para outro critério que não a questão social. O que se precisa, no fundo, é de um povo menos miserável e mais educado. Miséria e falta de educação não são “privilégio” dos negros, até porque a maioria de nossa população é mestiça. Quem mais sofre com isso tudo são os mestiços, não os negros, apenas 6% de nossa população – se bem que eu não tenho a mínima idéia de como se define um negro, um mestiço, um branco.

A propósito, penso que não existe, para esse problema, solução imediata. Ou o problema é resolvido na base -- no caso da questão das cotas, por exemplo, seria a solução da péssima educação pública --, o que certamente demorará, ou o que veremos é, no máximo, a queda do nível intelectual brasileiro, que já é ridículo.

Duas últimas coisas. Eu não sei até que ponto é válido culpar os atuais brasileiros brancos pelo crime dos antigos portugueses e/ou brasileiros brancos. Até porque, geralmente, brasileiro branco, para ser branco, tem que ter chegado branco do norte do planeta há pouco tempo, não tendo ligação direta, por ascendência, aos episódios aqui ocorridos. E, por favor, não me responda como você respondeu à Norma, porque eu não sou branco, muito menos detentor de qualquer privilégio.

Abraços.

PS: Se não me engano, acho que já nos esbarramos em alguma discussão no Orkut. Procuro seu perfil por lá.

Paulo Cruz (PC) disse...

Norma, querida, perdoe-me, não foi minha intenção. Não foi mesmo!

O problema é (espero não parecer ofensivo de novo, é que o assunto é delicado): mesmo que não queira, você é representante do seu discurso (de uma branca, que tem lá seus “privilégios” – note as aspas – , ainda que cristã), assim como sou do meu (um negro, descendente de escravos, ainda que cristão). A nossa irmandade em Cristo está acima disso, creio. Mas nisso, com os pés no chão, há uma grande diferença entre nós.
Se for para falar de cristianismo, o tópico é absolutamente desnecessário, não acha? Não estamos discutindo cristianismo e nem política, estamos discutindo racismo. Mesmo porque, em seu primeiro comentário, você sequer mencionou que o racismo é um pecado grosseiro; quem disse isso fui eu!
Em Cristo não há “judeu nem grego” (nem branco e negro), mas no Brasil há, no mundo há.
O racismo é uma realidade terrena e você, como cristã, deveria estar do lado do oprimido, não do opressor. Porque será que Cristo chamou os fariseus de raça de víboras? Havia um opressor social (e racial) e esses foram duramente criticados pelo Mestre.

O fato de eu ter curso superior, gostar Richard Wagner e Mallarmé, não muda a cor da minha pele. O fato de você ter sofrido uma "ofensa racial" quando criança e ter tido amigos negros não muda a cor da sua. O que muda (e converge nossa perspectiva) é nossa consciência transformada em nome do Evangelho. Mas para que isso seja uma verdade verdadeira (como diria Schaeffer), é preciso saber de que lado estamos, aqui, nessa vida.

Ou seja: em seus passos, o que faria Jesus?

Beijo e não fica chateada comigo, não, por favor!

Paulo Cruz (PC) disse...

"Os mais sensatos, entretanto, concordam que o problema é mais social que racial".

Nagel, devo incluí-lo entre os "mais sensatos"?

Faça-me um favor, né?
Esse discurso é o mais leviano de todos!

Nos esbarramos no Orkut sim, em uma discussão sobre C.S. Lewis ser calvinista ou não. Que, inclusive, pulei fora rapidinho, pois acho essa discussão enfadonha até!

Abraço!

Norma disse...

Paulo, você quer um debate de idéias, vamos lá. De forma bem isenta, ok?

"mesmo que não queira, você é representante do seu discurso (de uma branca, que tem lá seus “privilégios” – note as aspas – , ainda que cristã), assim como sou do meu (um negro, descendente de escravos, ainda que cristão)"

- Isso é marxismo. Não me sinto privilegiada. Tive que lutar por tudo que tenho (com a graça de Deus). Privilégio, para mim, é transcendente, não social. :-) Trabalho demais e em fins de semana também, e não ganho muito. O que você está dizendo, em termos "gentis", é que por trás do meu horror ao discurso da ação afirmativa está um interesse econômico-social. Isso me ofende. Eu compreendo e perdôo, mas isso não torna a acusação menos ofensiva, ainda que você não tenha querido ofender e tenha pensado em termos de "classe". Mas eu não penso em termos de classe; eu me julgo responsável pelas minhas idéias e pelas intenções que estão por trás delas. E lhe garanto que não há interesse nenhum meu por trás desse blog. (Aliás, pelo contrário, se eu tivesse algum interesse nisso eu jamais defenderia as idéias que defendo aqui, porque elas são muito impopulares hoje; o que mais tem é esquerdista ganhando dinheiro com suas idéias, e todos os direitistas que conheço são classe média-média.) Assim, não pense nas suas intenções (que não julgo), mas pense no discurso em si: julgar uma pessoa pela "classe" pode ser muito ferino.

"A nossa irmandade em Cristo está acima disso, creio. Mas nisso, com os pés no chão, há uma grande diferença entre nós.
Se for para falar de cristianismo, o tópico é absolutamente desnecessário, não acha? Não estamos discutindo cristianismo e nem política, estamos discutindo racismo."

- O que você está dizendo, em outras palavras, é que "a Palavra é maravilhosa, mas infelizmente o cristianismo não dá conta do racismo". Paulo, preste atenção! Você acabou de colocar fora do debate a nossa fé, a nossa visão de mundo, a mente de Cristo! Além disso, se a fé em Cristo não serve nem para aplainar nossas diferenças, essa fé não nos serve para "dar paz", pois os homens brigam por causa das diferenças! E você mesmo fala em nome de Cristo mais adiante, portanto, esse argumento não procede.

"Mesmo porque, em seu primeiro comentário, você sequer mencionou que o racismo é um pecado grosseiro; quem disse isso fui eu!"

- Você leu tudo o que escrevi no post? Falei que o racismo era "burrice e perda de tempo". Se isso não é chamar de "pecado grosseiro", não sei o que seria. É óbvio demais, ainda por cima. Eu não perco tempo com obviedades. Prefiro falar do que ninguém está falando. Acho também que ficou claro para todo mundo que eu não sou racista nem defendo ou justifico o racismo. Quem fez isso foi a dona Matilde (o racismo "às avessas")!

"Em Cristo não há “judeu nem grego” (nem branco e negro), mas no Brasil há, no mundo há."

- Mas nós fomos chamados para viver segundo Cristo ou segundo o mundo?

"O racismo é uma realidade terrena e você, como cristã, deveria estar do lado do oprimido, não do opressor."

- Essa dicotomia não é fixa. Estou do lado do oprimido que sofrer de racismo (você duvida disso? em que bases? me conhece pessoalmente para dizer?). Estou do lado do oprimido que, em nome do racismo às avessas, for maltratado em público. Opressor e oprimido são papéis que variam. Ou você acha que os brancos nunca são oprimidos de nenhum jeito? Ninguém pode se considerar sempre a vítima. Todo mundo oprime ou é oprimido por alguém segundo as circunstâncias. Em suma: estou do lado do oprimido PESSOA, e não do oprimido CLASSE. Melhor do que ninguém, por ser cristão, você sabe que por causa do pecado o pobre, a mulher, o negro e o gay também oprimem, cada um do seu jeito. Negar isso é negar ou minimizar o pecado que há em todos nós. Isso também estava implícito nas palavras de d. Matilde.

"Porque será que Cristo chamou os fariseus de raça de víboras? Havia um opressor social (e racial) e esses foram duramente criticados pelo Mestre."

- Acima de tudo, eles representavam a verdadeira fé mas não a seguiam e não tinham misericórdia com ninguém. Ele os censurou sobretudo pela hipocrisia: por usarem a religião para posar de "santos" quando secretamente abusavam das pessoas. Não era apenas uma questão de opressão de homens, mas de desobediência e desprezo à lei de Deus.

"(...) O que muda (e converge nossa perspectiva) é nossa consciência transformada em nome do Evangelho. Mas para que isso seja uma verdade verdadeira (como diria Schaeffer), é preciso saber de que lado estamos, aqui, nessa vida. Ou seja: em seus passos, o que faria Jesus?"

- Segundo minha modestíssima opinião, Jesus denunciaria a opressão sob todas as suas formas e não deixaria que a onda de reivindicações vingativas invadisse a igreja. Mas, principalmente, Jesus veria o coração das pessoas em primeiro lugar, antes da "cor da pele", e trataria do coração. Assim, ele não sairia julgando ou sancionando teorias que julgam as pessoas pela classe, pelo gênero ou pela raça - porque são brancos, homens, ricos. Falaria de todos os perigos e problemas do racismo, do machismo e da riqueza sem necessariamente oprimir, em nome desses problemas, o branco, o macho e o rico. É no que acredito.

Também acredito ser perfeitamente possível que uma pessoa de esquerda entenda que aquele que não é de esquerda possa deplorar os mecanismos da esquerda sem validar o que a esquerda combate. Em outras palavras: odeio o racismo mas acho que a ação afirmativa piora o problema; odeio o machismo, mas acho que o feminismo (em geral) faz as mulheres odiarem os homens, não o machismo; odeio a verdadeira homofobia (gente batendo em gays ou destratando-os porque são gays), mas também não aprovo o pecado do homossexualismo. Se você sabe nuançar o raciocínio, sabe compreender isto; infelizmente, tenho tido poucas experiências positivas nesse sentido.

Em suma: Paulo, tem muito marxismo no sua visão de mundo! :-)

Abraços!

Norma disse...

Paulo, outra coisa: vá ao Townhall.com (para ler em inglês) ou ao www.midiasemmascara.com.br (em português) e procure um autor chamado Thomas Sowell. Ele trata a ação afirmativa com mais rigor que eu, e mais: ele é negro, nascido em um país onde o racismo é muito pior. Nos EUA, as cotas raciais foram tentadas e agora estão sendo abandonadas por não funcionarem. Dê uma olhada. Abraços.

Norma disse...

Gus, eu tenho certeza de que tenho antepassados escravos. É uma certeza que nem sei como tenho, mas tenho. E há negros na minha família. Essa coisa genética é muito mais doida que imaginamos. A "cor da pele" não é raça, muito menos no Brasil.

Anyway, acho que estamos tentando dar uma de profetas para fazer o seguinte: tentar evitar que, em nome do pecado, cometam-se pecados piores ou mais camuflados. Se o racismo, o machismo e a homofobia (de verdade) justificarem a agressão verbal, os tapas e os privilégios por parte de negros, mulheres e gays, estamos perdidos. A roda da violência não pára jamais desse jeito.

Paulo Cruz (PC) disse...

O mais risível disso tudo é que por trás do meu discurso há uma ideologia, mas do seu não. E o mais engraçado ainda, é que o perigo dessa ideologia (e de todas as outras que não concordam com você) é o “pecado contra o Espírito Santo” chamado Marxismo (rs). O leviatã chamado Esquerda.
Você consegue afirmar seu cristianismo depreciando o meu.

Sendo assim, Norma, sua intransigência a coloca em um patamar que meu raciocínio não consegue alcançar. Desculpe. Talvez por pura ignorância de minha parte mesmo.
Já temia por isso desde o meu primeiro comentário.

Pretendo não postar mais.

Abraço e Paz!

Edu disse...

Habib's até onde sei é a maior rede de fast food árabe do mundo... De um português brasileiro!

Eu também não gosto de tomar sol, mas eu gosto de trabalhar sob o céu, faça chuva ou faça sol. O teto me deprime, o céu me lembra que acima de mim só as estrelas e Deus. Hehehe!

Cfe disse...

Caro Paulo,

Desculpe-me a franqueza mas lá por ter mais conhecimento do que é sofrer racismo, e não coloco sua compreensão do assunto em dúvida, não quer dizer que tenha melhores soluções do que os demais. Isso é um preconceito políticamente correto.

Essa política de segmentação de classe foi amplamente abraçada por marxistas. Quando os "espoliados" eram os operários e os servos: eis a foice e o martelo! Agora que são as "minorias reprimidas" há que defende-los tambem, não é?

Mulher! tu tens direito ao teu corpo! Negro! Tens direito ao teu quinhão! Gay! Casa-te! Índio! Terras!

Tudo sonante, fácil. É só impor ao outro aquilo que ele impõe a mim... E digo "outro" porque este personifica a classe a que pertence. No limite: os bebês judeus tambem eram culpados da usura de seus progênitores!

Não ofereça a outra face, dá-lhe forte para aprender como é!

Marxismo é uma ideologia (como outras tantas) que tem a premissa do Homem como centro de tudo. Deus é negado até o limite. Tem algumas características boas? Claro, a embalagem tem de ser atrativa, mas o conteúdo que amargo que é.

Não vi nenhuma defesa doutra qualquer ideologia, em qualquer comentário. Tampouco não cola a idéia de que ser contrário a certos tipo de políticas, ditas "inclusivas", é ser a favor da exclusão.

A dignidade humana tem de ser preservada, mas é impossível manter e exalta-la sem ser em sua totalidade.

Segmentando, cortando em fatias, o que teremos? Uma pra mim, duas pra você, 1/2 pra ele. O marido vai amar a mulher a 5o% que o vai compreender a 35%...

respeitosamente,

Lucas disse...

Como escreveu um amigo:


“Eu não aceito a pecha de ter a minha imagem associada ao que açoitou.
Eu cresci e sofri, e cresço e sofro na mesma sociedade racista que outros tantos negros e brancos rejeitam... como eu também rejeito. E achei bastante infeliz a resposta da ministra; infeliz na forma de responder e em seu conteúdo e ordem de resposta - ela prefere achar natural antes de lamentar a existência do racismo, de qualquer que seja a 'cor'.”


Que culpa tenho eu se brancos de outros tempos escravizaram e maltrataram escravos?

E se meus antepassados estavam entre os que protestavam e lutavam contra isto?

Muitos fizeram errado, não tenho dúvida.


Mas eles, não eu.

Igualdade, sim.
Injustiça, não.

Lucas.

PS: Se alguém me ACUSAR dizendo que sou o que sou te tenho o que tenho hoje não por Deus e causa do meu esforço, mas porque sou um 'branco que exerce poder', sua visão teológica e cristã precisa ser urgentemente revista.

André Tavares disse...

Não vou falar sobre a polêmica da origem do problema de raça no Brasil. Ao contrário de meus amigos, Norma e Gustavo, eu não creio que o problema seja fundamentalmente econômico (ok, pode ser que eles não tenham dito isso e eu tenha entendido errado), e também não me parece tão claro assim que não se possa falar de raça no Brasil. Pelo contrário, toda a discussão sobre a identidade nacional foi erguida sobre a polêmica racialista, seja na aplicação das "ciências da raça" estrangeiras (Nina Rodrigues, sobretudo, e Mattos), seja na tentativa de inversão valorativa com os culturalistas (Ramos, Freyre, Holanda, etc).

Se por um lado concordo com o Gustavo a respeito do "branqueamento" na medida em que o indivíduo ascende economicamente, por outro lado reconheço que isso acontece porque o branqueamento é um fato. Divida os índices econômicos, sociais, educacionias e etc. do país pelas categorias de cor e isso fica MUITO claro (dá pra fazer isso na página do IBGE).

Quanto ao problema da miscigenação geral no país que a Norma levantou, há um problema que as pesquisas sobre raça na sociologia e antropologia usando metodologia QUALITATIVA demonstram bem, em minha opinião: que os agentes sociais sabem distinguir muito bem quem é branco de quem não é - e isso se manifesta mesmo entre atores no mercado.

Sobre o problema histórico, dizer que brancos (ainda que brancos por atribuição social, não estritamente racial) de hoje não têm privilégios advindos da estrutura escravagista de um século atrás é o mesmo que dizer, guardadas as devidas proporções, que os brancos da África do Sul não têm qualquer privilégio resultante do apartheid...

Dizer que os sucessos obtidos por alguém são fruto única e exclusivamente de seus esforços, descartando os esquemas estrutural, ou de campo, ou de habitus é uma ficção do mercado que os liberais compram e engolem sem água nem nada. Eu não compro e não engulo.

Mas a questão são as cotas. Eu sou contra.

Sou contra porque têm aparência de solução. E está na mesma moeda do liberalismo. Enquanto uns apostam na meritocracia sustentada na auto regulação do mercado como solução - que é uma bobagem completa - as cotas são uma resposta dentro do espectro unidimensional liberalismo/estatismo. O mercado não dá conta: chama o Estado. Isso tb não funciona.

Exemplo: a primeira universidade pública a aplicar a política de cotas foi a UERJ, lá por 2001 ou 2002. Todo mundo fez matéria, reportagem, celebração, etc., etc.. Apenas a TV Cultura fez uma reportagem no final daquele semestre de entrada de muitos cotistas. Como muitos eram muito pobres, moradores de periferias distantes e favelas, não tinham condições de se manter nas públicas. Como não há tempo para estudar e trabalhar, não tinham dinheiro pra se manter nos estudos. A reportagem mostrava moças que ou comiam, ou tiravam xerox da bibliografia dos cursos, ou pagavam passagem... uma coisa ou outra... Muitos achavam que teriam de deixar os estudos.

As cotas sem amparo econômico não funcionam; sem boa educação de base não funcionam. Educação não é uma atribuição exclusiva do Estado nem um produto a ser oferecido pelo Mercado. Não é nem estatal nem privado: é PÚBLICO. E isso não quer dizer ingerência ou violação dos direitos do indivíduo: é a expressão de quando direitos individuais se encontram com as realizações coletivas (no sentido de civilizacionais).

Gosto do exemplo sul-coreano. Mas não falar disso agora. Bom... isso tá ficando grande...

Vou parar por aqui... qualquer coisa, se render alguma coisa, a gente continua conversando...

Abraço Norma (e pra todos os leitores).

Andréa disse...

Norma, a cada postagem, você se supera! O que discuto com minha amiga sobre o tema, você argumenta com propriedade! O que defendemos encontra eco firme em suas palavras. Sobre sua conversa com o Paulo Cruz, entendo o que diz, mas acho que ele não, infelizmente.
Sou de pele branca, mas com bisavô negro, como também, bisavô alemão... ah! tenho o pezinho lá em Portugal!... Ou seja, sou a típica brasileira resultante de uma mistura de raças. Nada depreciativo, nem um pouco privilegiada, sou o que sou e ponto. Me amo assim, essa mistura... Ralei e ralo muito na vida,não tive nada de mão beijada por ter pele branca.
Por volta dos anos 78/79, fui a primeira branca a entrar na casa de uma família negra... a princípio, os pais olharam desconfiados para a amiga de sua filha, mas foram gentis... se havia qualquer receio por parte deles, caiu por terra diante da sinceridade de nossa amizade.
Não quero posar de boazinha por este relato e sim mostrar que quando a cor da pele não é razão para uma amizade ou inimizade, não é usada para discursos políticos ou ideológicos, não é vitimizada ou elevada a um posto de poder, nos aproximamos pelo que somos por dentro e não pela aparência.
Como disse no início, sou de pele branca, também minhas irmãs, meus pais! Mas temos em nosso sangue a raça negra, um exemplo de bisavô materno, justo, honesto e amoroso!
Agora, devemos sofrer pelos antepassados brancos - que injustamente escravizaram os negros - porque somos de pele branca? Devemos nos culpar e pedir perdão a toda pessoa negra pelo passado triste da sua/nossa história?!
Então minha irmã mais nova (cara de alemã ainda!), casada com um rapaz negro, grávida, deve todo dia se penitenciar diante dele pelas injustiças sofridas pelos negros na escravidão? Deverá criar seu filho pensando: "ai, sou branca, devo fazê-lo se sentir aceito por mim, pela minha família, por ser negro"... Ou nós, vó, tias, devemos privilegiar/mimar a criança para que ela não se sinta "menor" que sua família materna de pele branca?
Esta criança será educada com os princípios cristãos, aprenderá a respeitar o próximo, seja ele branco, negro, asiático, pobre, rico, gay, católico, protestante, espírita, ateu, como eu e minhas irmãs fomos criadas! Não aprenderá a ver cor ou raça, mas a enxergar pessoas, como meus pais e minha avó nos criaram.
Aliás, meu cunhado não se coloca nem um pouco na condição de vítima por ser negro. Ele é um rapaz honesto, bom, trabalhador, sensível, alegre (características de uma pessoa, não de uma raça), transita entre os colegas ricos, pobres, negros, brancos, sem qualquer discurso raivoso, preconceituoso, vitimizado ou de esquerda!

Desculpa por ter escrito muito. Espero ter colocado minhas palavras de maneira fiel ao que quis dizer.
Um abraço fraterno em Jesus Cristo!

Anônimo disse...

Paz a todos

Tenho notado que todo o debate sobre racismo no Brasil está muito enviesado, Simplesmente horrivel.
Um ponto que eu gostaria de comentar inicialmente é sobre os ganho inferiores dos negros em relação aos brancos. Vamos usar as estatísticas não para mentir, e sim para ver os fatos.
Brancos tem uma renda média superior à dos negros. Entretanto, estados brasileiros com maior renda per capta são justamente os que tem maior percentagem de brancos. Portanto, para estimar corretamente o desnível entre a renda de brancos e negros, é essencial fazer o cálculo por estado, e não do Brasil todo, Se o cálculo for feito para o país, estes dois efeitos vão interagir, aparentando um desnível maior, e o resultado será vendido como se fosse uma estimativa correta do desnível de renda.

Renato U Souza

Anônimo disse...

Outra estatística que tem sido erroneamente apresentada é a medida da renda por função e por escolaridade. É fato que os negros, em média, ganham menos que brancos na mesma função ou com a mesma escolaridade.
Entretanto eu nunca ví em uma empresa, dois trabalhadores especializados, dois técnicos ou dois engenheiros, com o mesmo tempo de formados, exercendo a mesmo função, um branco e outro negro, com desnível de salário. A conclusão é que o desnível de salários entre negros e brancos de mesma função e mesma escolaridade se deve ao fato de que brancos são mais contratados em empresas que pagam mais. Um dos principais critérios de contratação das empresas que melhor memuneram é a escola de origem dos candidatos.
Ora, as melhores escolas, tem relativamente poucos alunos de negros (e uma representação relativamente alta de orientais).
Portanto, muito do desnível de renda entre brancos e negros (e poderia acrescentar, desnível entre orientais e os outros dois grupos) se deve simplesmente ao critério das melhores empresas em contratar alunos oriundos das melhores escolas. Os movimentos negros distorcem este fato, e atribuem todo desnível de renda a um suposto complô das empresas, que teriam um critério "oculto" de não contratar negros, por racismo.
A discriminação por raça na contratação, quando acontece, ocorre em pequenas empresas familiares, principalmente em funções de atendimento público, por causa do recismo do dono e fundador da empresa, jamais em grandes empresas, que são os melhores empregadores (que pagam mais salários e benefícios).

Renato U Souza

Anderson disse...

Todo esse questionamento matemático destinado a mitigar os efeitos do transparente racismo que assola nossas relações é benvindo desde que não se negue ou amenize o monstruoso mal que este alimenta.

Também me parece estranho que alguém possa acusar outros de lançar discurso permeado de ideologias. O discurso contrário às medidas afirmativas (com as quais não me conformo integralmente), via de regra também se encontra embasado em uma ideologia, desta vez a liberal: eis a meritocracia individualista a tratar todos como se tivessem nascidos em condições efetivamente iguais.

Por fim, se os "brancos" de hoje não desejam penitenciar-se pelos erros de seus antepassados, que dizer de Adão e seu Pecado Original, que, segundo a Bíblia, lança os seus efeitos sobre mim até hoje? Temo dizer que essa culpabilidade individualista está mais protegida pela ideologia liberal do que pela Fé Cristã, tal como vem sendo entendida em termos da culpabilidade universal de todos os homens.

Agradeço a todos pelo belo debate suscitado.

Norma disse...

Querida Andréa, obrigada pelo seu texto, primoroso.

Anderson,

1- Ninguém negou nada, quem negou foi a ministra, dizendo que do negro para o branco não podia existir racismo;
2- Ideologia é uma palavra marxista criada no habitat marxista para anular de vez a concepção de verdade ("tudo é ideologia"). Eu uso o raciocínio para mitigar essas idéias e não tenho NADA com ideologias;
3- Essa foi a PIOR! Filho, o que um conteúdo teológico-existencial, que diz respeito à humanidade, tem a ver com RAÇAS??? Sou culpada do pecado de Adão não porque ele é meu antepassado (pois em certa medida todos os homens são parentes!), mas porque a partir dele o pecado entrou no mundo e toda a humanidade se viu tomada pelo mal. Você está atribuindo à teologia bíblica um teor de CONSANGÜINIDADE que é absurdamente diverso do sentido da Palavra. Além do mais, Jesus diante dos fariseus negou o ditado "os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotaram". Além disso, dizer que eu, por ser branca, sou culpada dos erros dos escravistas europeus é RACISMO. E, como racismo, burrice: desafio você a encontrar no Brasil uma só pessoa descendente UNICAMENTE de europeus.

Não adianta: vocês NÃO VÃO ajudar a mitigar o racismo com o racismo às avessas. Vocês estão embarcando nessa onda de revanchismo e isso vai acabar mal, muito mal mesmo. Admiro-me o Paulo Cruz, que parecia ter entendido isso mas mesmo assim saiu daqui batendo a porta. É isso que o marxismo quer: desagregar a sociedade, causar "rachas". Quanto mais referências a raças fizermos, menos reforçaremos nossa HUMANIDADE em comum.

Outra coisinha que me deixa chateada: se todos os negros crentes inteligentes e esclarecidos entrarem nessa onda de ação afirmativa, jamais poderei namorar um... :-(

Anderson disse...

Ô Norma, estou muito envergonhado. Logo em meu primeiro comentário em seu blogue já parece certo não ser bem recebido aqui. Tomara eu esteja enganado, mas as suas respostas, de tão ríspidas, parecem destinar-se a fazer com que os visitantes não mais voltem.

Mas vamos lá:

1. A ministra falou sim uma baita duma bobagem. Essa proposta de desmiscigenação do Brasil é preocupante, pois não quero viver como se vive nos EUA, onde os bairros negros são território proibido para os brancos. O próprio Rev. King se envergonharia disso.

2. Ideologia:

"do Gr. idéa + lógos, tratado

s. f.,
ciência que trata da formação das ideias e da sua origem;
conjunto de ideias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de uma classe, e que são produto de uma situação histórica e das aspirações dos grupos que as apresentam como imperativos da razão;
sistema organizado e fechado de ideias que serve de base a uma luta política."

Um termo inculcado pelo marxismo, de certo, mas que a partir de seu conceito pode ser aplicado sobre qualquer outra concepção de idéias que expresse uma certa corrente histórica de pensamento, como o liberalismo ou, quem sabe, o iluminismo ou a confusa pós-modernidade.

3. Não fiz nenhuma referência a raças aqui, mas sim à culpabilidade de todos os homens sobre as mazelas completas da humanidade. Não me vejo na condição de irrogar-me isento dos erros de meus antepassados, sejam europeus, africanos ou indígenas, vez que todos tem seus pecados igualmente contados por Deus. Não atribuo ao pecado original um teor de consangüinidade, mas sim algo que, entre outras coisas, traduz o entendimento de que, a partir do engano de um, todos foram afetados, como garante Paulo em Romanos 5:12.
Nós estamos assentados sobre o que nossos pais construíram de ruim, num sistema que beneficia poucos e prejudica muitos. Não posso, com honestidade, garantir a você que certa condição a mim inata e de minha escolha independente não me possibilitou certas conquistas a frente de outros que a mesma condição não tiveram. Creio que, QUER DESEJEMOS OU NÃO, nos beneficiamos de prerrogativas ilegitimamente construidas pelos nossos antepassados.
Assim, por ora vou entendendo que todos os homens são igualmente culpáveis pelos erros de seus pares no passado e no presente, não cumprindo a mim afastar-me a responsabilidade por tanto, mas, agora sim individualmente, cuidar para mitigar as más conseqüências. Deus me dê ousadia para tanto, pois ainda acho que não a tenho...

Por fim, apesar de você ter tomado por insulto, observe que registrei branca entre aspas, exatamente pela dificuldade de apontar, no Brasil, alguém como tal. Também por isso vejo com sérias ressalvas as ações afirmativas. Ademais, por favor não me inclua entre aquele "vocês" que foi escrito ao final do seu texto: eu, assim como você, não proponho um contra-racismo.

Um grande abraço e boa sorte com o futuro namorado! : )

Norma disse...

Mas, Anderson, do ponto de vista bíblico a humanidade inteira pecou, mas cada um deve ser culpabilizado e responder por seus próprios pecados.

Se o seu pecado é também o da comunidade, então você se arrepende e pede perdão de modo coletivo, clamando pela misericórdia de Deus sobre a comunidade.

Mas não posso atribuir a escravatura à "raça branca", pois isso é vago demais, além de historicamente incorreto: os negros africanos escravizaram povos socialmente submetidos a eles. Essa informação foi exaustivamente veiculada aqui nesses comentários.

Não vejo onde fui agressiva com você, só incisiva. É porque o texto não veicula tons de voz. :-)

A alusão ao namorado serve para dizer o seguinte: se a ação afirmativa impede que um negro queira namorar uma branca dentro da igreja, então o diabo já conseguiu colher seus frutos malignos com essa ideologia. Mas eu ainda espero que não impeça.

Abraços igualmente!

Anônimo disse...

Norma
Você às vezes pega um pouco pesado. Não prá mim, mas há pessoas mais sensíveis. O Paulo Cruz é gente boa, só entendeu errado os textos dos outros participantes. Deixe a mensagem dormindo antes de manda-la. Funciona.

Anderson
1. Veja a discussão desde o começo, e repare que eu não nego o racismo, eu afirmo. Você não respondeu a nenhuma das minhas opiniões, apenas demonstrou certa desconfiança a meu respeito.
2. O que a Bíblia fala é a respeito das conseqüências comuns, não da culpa comum. Esta doutrina de culpa comum coloca um peso injusto e pesadíssimo sobre gente que busca fazer o bem, e alivia prá caramba as costas de quem é egoísta e cruel.
3. Os julgamentos temporais do Eterno afetam pessoas por associação mas, se estes fossem perfeitos, não haveria necessidade de um julgamento final (no qual cada um dará contas de si mesmo ao Eterno). Posso citar toneladas de textos Bíblicos que mostram que a culpa (não necessariamente as conseqüências) é individual.

Renato U Souza

Norma disse...

Oi, Renato,

Eu não "pego pesado" de modo pessoal, mas na argumentação, sim. Se você ler desde o começo o que escrevi para o Paulo, verá que eu fui super gentil com ele, como uma irmã deve ser com o irmão, e mesmo isso não evitou que ele saísse daqui batendo a porta. Não duvido de que ele é gente boa, mas ele não foi gente boa comigo, infelizmente.

Além disso, se eu critico a hiper-sensibilidade de nossa cultura e de nossa época, nada seria menos coerente que submeter meu texto a uma pré-condição relacional com a qual não concordo.

Anônimo disse...

Norma

Isto não funciona, você não pode assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Você diz aos brasileiros, AO MESMO TEMPO:
1. Que o marxismo não é o supra sumo da civilização.
2. Que os brasileiros deveriam ser menos sensiveis.

Todos os que forem socialistas vão sair daqui dizendo:
"Eu já sabia, todo opositor do socialismo é um violento".

Eu penso que até alguns petistas fanáticos podem ser libertados, se as suas contradições forem mostradas aos poucos, com todo cuidado.

Renato U Souza

Norma disse...

Renato,

Três coisinhas:

1 - Preciso falar de tudo que percebo e elaboro. Sim, a susceptibilidade do brasileiro me incomoda. As pessoas estão sempre mais concentradas nos sentimentos que na realidade. Estou muito atenta aos sentimentos dos outros, mas me irrito quando alguém usa isso para impedir o reconhecimento da razão ou da verdade, inventando uma ofensa onde houve apenas incisividade.

2 - As contradições só podem ser mostradas devagar a quem mantém um contato pessoal com o petista. Em blog não dá para ter essa gradação.

3 - Há controvérsias sobre meu jeitinho de ser. :-) Há quem diga que eu tenho uma doçura e uma paciência infinitas; há quem conheça meu lado menos doce (muito infreqüente em relações pessoais) e continue a gostar de mim. Minha abertura pessoal e minha capacidade de deixar o outro à vontade já me renderam tanto amizades fantásticas quanto situações problemáticas - como professora, por exemplo, estou sofrendo este ano pela primeira vez com uma turma indisciplinada que faz o que quer em sala. Nelson Rodrigues era a delicadeza em pessoa mas sabia ser forte em seus textos. Acho que sou um pouco assim, doce e selvagem ao mesmo tempo. Isso me equilibra, e os excessos - tanto da doçura quanto da firmeza - , preciso deixá-los nas mãos de Deus. Portanto, só quem vê a pessoa tal como é, é Deus, nosso Pai.

Paulo Cruz (PC) disse...

Como um espírito errante, invocaram-me e eu retornei, em defesa de mim mesmo (rs).

Norma, não me queira como seu inimigo, jamais serei. Nosso inimigo é comum.
Não saí batendo a porta. Somente achei desnecessário continuar debatendo esse assunto aqui, principalmente no rumo que ele tomou: Norma “et caterva” contra o Marxismo; caminho que, infelizmente, todo debate por aqui acaba seguindo. Como disse, isso para mim é cômico.

Não te parece estranho que eu, que pareço ser o único afrodescendente por aqui, talvez o único que realmente sentiu na alma e na pele tudo o que foi teorizado por todos os inteligentíssimos confrades, sou a única voz que não se alinha a nenhuma? A única voz completamente discordante. O único que “não compreendeu ninguém”. O único que radicaliza o discurso a favor de si mesmo. O único marxista (ri de novo!).
Não te parece estranho que minha “ideologia” seja tão minha vida?
Não te parece estranho que meu cristianismo seja tão minha necessidade de redenção?

Mas isso não mais vem ao caso. Como eu disse, o debate se tornou inútil e infrutífero para mim.

No mais, se não fui gente boa contigo, peço que me perdoe, no Amor do Cristo. E crendo que, lá no fundo, debaixo dessa mente carregada de argúcia, dessa aparente insensibilidade (tão artificial em uma mulher), há um coração que perdoa, espero poder contar com suas orações e sua (por ora virtual) amizade.

Abraço,
PC

Norma disse...

Paulo,

Sua mensagem me pareceu muito confusa; não tenho mais o que argumentar, tudo o que eu tinha para dizer está dito. Encerro essa discussão com a sensação estranha de que você não compreendeu quase nada do que eu escrevi. Mas não se preocupe com nada, fique bem e que Deus o abençoe.

Nagel disse...

Paulo, eu também sou afrodescendente, ainda que discorde de você.

Abraços.

Paulo Cruz (PC) disse...

Nagel, se você é afrodescendente mesmo não posso dizer, mas se for, que você agradece a Deus por ter nascido algumas gerações depois de seus antepassados africanos - criando a possibilidade de se camuflar quando conveniente, dizer-se multiétnico, etc. -, isso não podemos negar.

Sendo assim, amigo, concordar comigo ou não, torna-se absolutamente irrelevante.

E mais: não esperaria nunca que você, um "coligado" deste ambiente, concordasse comigo. Seria uma afronta aos demais!

Abraço.

Norma disse...

Paulo,

Uma coisa é discordar polidamente, ainda que o assunto da discordância lhe seja caro. Outra muito diferente é insultar, de forma velada, a autora desse blog e seus leitores. Meu desejo de diálogo com você tem sido inversamente proporcional à sua boa vontade e à sua abertura - e esta mensagem mostrou isso muito claramente. Apesar disso, tenho publicado sistematicamente todos os seus comentários na esperança de que você percebesse os erros do seu julgamento e a sua reação desmesurada (e também errada) ao que lê aqui. Enganei-me. Não pretendo mais publicar seus comentários. Se quiser se desculpar com Nagel (acho que deveria), procure-o no Orkut.

Não guardo rancor nem deixo de perdoar, mas tente entender isso como a declaração do fim da minha paciência nessa discussão.

Norma disse...

No final das contas, todo esse embate resultou algo bem didático. Eis, em resumo, o discurso dos defensores do politicamente correto formato "ação afirmativa": "Se você não concorda com nossos métodos, você é racista." Ou: "Se você não adota nossos pressupostos, é porque não se importa com a causa do racismo." Falso, falso. Mas, se depois de ler tudo o que escrevi aqui, ainda há quem creia que eu e os leitores formamos parte de uma espécie de corja pró-racismo no blog, pouco tenho a fazer além de lamentar a incapacidade cognitiva de alguns e a minha insistência em continuar conversando, desde a abertura deste espaço, com um certo tipo de leitor que sempre age do mesmo modo: no começo, parece procurar aqui a conciliação na discordância, mas enfim revela a motivação de suas freqüentes postagens - simplesmente registrar sua indignação porque o blog não reflete suas posições (como se elas devessem ser unanimidade onipresente! "Como ousam, neste blog, pensar diferente de mim!"), em geral acompanhada de julgamentos e atribuições pouco lisonjeiras que aos poucos se tornam mais evidentes.

E finalmente, quando esse tipo de leitor se sente tão à vontade em sua linguagem discretamente ofensiva a ponto de atingir não só a mim, mas aos leitores - ah, é quando se chega ao limite. Afinal, não preciso publicar todos os comentários para agradar a "todos" em uma falsa idéia de democracia. O blog é como minha casa, deixo entrar quem eu quiser. E creio que a maioria dos leitores julga agora uma boa decisão interromper o encaminhamento dessa prosa e acompanhar a visita até a porta.