22 março 2006

Homofobia???

Leio no Globo de hoje essa notícia:

RIO - Representantes da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneres estiveram nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados, em Brasília, pedindo apoio aos líderes dos partidos para o projeto de lei de autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT/SP), que propõe a punição por discriminação ou preconceito de gênero e orientação sexual, além da criminalização deste tipo de atitude no Código Penal. Segundo Cláudio Nascimento, secretário de direitos humanos da associação, nove líderes de partidos assinaram requerimento para que o projeto entre na pauta de votação do Congresso ainda neste primeiro semestre.

Resta perguntar o que exatamente será considerado "discriminação ou preconceito de gênero e orientação sexual", e em que esse crime será diferente dos crimes já previstos no Código Penal: difamação, atentado à honra etc. Afinal, se alguém é xingado de "v..." ou "p..." na rua, a difamação não cobriria esse caso? Creio que sim. Mas então, para quê o projeto? Chequei-o na internet e não encontrei nada de específico ali.

Porém, posso dizer que espero o pior com relação a essa lei, apenas por um motivo: a agressividade do lobby gay - que, felizmente, não seduz os gays em geral, mas os partidários do politicamente correto. Afinal, o pensamento politicamente correto tem uma característica muito bem descrita e exemplificada por John M. Ellis em Literature Lost: a incapacidade de nuançar o raciocínio. Politicamente corretos, fiéis à cartilha dicotômica marxista, costumam ver o mundo em preto ou branco, esquecendo todos os tons de cinza que vão de um a outro. É por isso que, segundo Ellis, professores e estudantes da área de humanas que simpatizam com o marxismo dirão, quase obrigatoriamente, que "tudo é subjetivo" com base no argumento de que "é impossível obter-se uma análise puramente objetiva". Ora, desenganados pela impossibilidade de uma objetividade pura, optam por uma dificilmente possível subjetividade pura.

Esse erro lógico é encontrado em muitas outras obsessivas afirmações dos expoentes do marxismo cultural: "a verdade não existe", "não há real, só representações do real", "não há pesquisas desinteressadas, só com fins políticos". Todas elas deixam de considerar o caminho do meio: não conhecemos a verdade toda, mas ela existe; não temos acesso completo ao real, mas aproximações válidas que nos dão uma dimensão verdadeira do real; há pesquisas mais desinteressadas que outras. O que nos dá uma idéia da doença do pensamento que se perpetua: a dicotomia da realidade e a adoção incondicional de uma das pontas, com o correlato apagamento do outro lado, como se nunca houvesse sido objeto de consideração. Assim, quem fala em "verdade", "real" ou "pesquisa desinteressada" é imediatamente tachado de ingênuo, pouco culto, dogmático ou burro.

O que isso tem a ver com a lei ou com o título desse post? Bom. Como todos sabem, sou cristã e creio na Bíblia, e apenas por um giro muito perigoso de interpretação textual eu deixaria de atribuir às afirmações de Paulo sobre o homossexualismo a expressão de que a prática homossexual desagrada a Deus. Preciso me curvar a essa evidência, goste ou não dela. A Bíblia chega a dizer que homossexualismo é idolatria e, diante disso, quem sou eu para negá-lo? No máximo, preciso correr atrás de filósofos cristãos - como René Girard, por exemplo - para compreender por que é assim. Por mais que tenha amigos homossexuais, por mais que entenda a dor deles, por mais que eu me doa quando me imagino na pele deles, não posso baratear minha fé com base em uma impressão pessoal ou na vontade de que Deus sempre sancione os desejos humanos.

No entanto, o lobby gay, submisso à correção política, não verá as coisas dessa maneira. Para os gays politicamente corretos, alguém como eu pertence a uma só categoria: a dos homófobos. Mesmo que eu não tenha sequer dirigido um olhar, que dirá uma palavra, de espanto ou desprezo a um gay, mesmo que tenha amigos gays, mesmo que não me sinta pessoalmente atingida por nada que pertença ao mundo gay, serei tachada assim: "homófoba". E essa etiqueta de "homófoba" será colada à minha testa apenas porque eu tenho as verdades bíblicas como um norte para a minha vida.

Se essa lei passar, imagino, prevendo o pior, eu poderei ser presa apenas por afirmar publicamente, de acordo com minha fé, que o homossexualismo não agrada a Deus. Posso nunca ter feito nada de concreto contra um gay na minha vida, como nunca fiz mesmo. Nunca tive preconceito. Nunca sequer achei feio. Estou falando a mais absoluta verdade: não há nada no homossexualismo que me afete negativamente de modo pessoal, nem nunca houve. Porém, não posso, objetivamente, igualá-lo ao amor heterossexual (não faz sentido para mim), e a Bíblia me diz que se trata de um erro. Com base em questões lógicas, portanto, pelo simples fato de não concordar com a idéia do homossexualismo, serei imediatamente, sem apelação e sem nuances, equiparada a perversos odiadores e espancadores de gays.

Se isso não é injusto, não sei o que mais pode ser.

Tudo porque os seguidores do politicamente correto, ao deixarem de nuançar o raciocínio, não conseguem mais fazer diferença entre odiar o pecado e amar o pecador: não concordar com o homossexualismo e odiar homossexuais passa a ser, para eles, uma só e mesmíssima coisa. Ambas passíveis da mesma punição jurídica, se a lei vingar.

Assim, apesar de lançar mão de raciocínios emburrecedores como o descrito por Ellis, o lobby politicamente correto nada tem de burro: sutil polícia do pensamento, conseguirá, aos poucos, diminuir a possibilidade de discordâncias. Estamos caminhando céleres rumo ao Pensamento Único. E o mais irônico é que quem o advoga utiliza a bandeira da tolerância. Toda tolerância para eles, nenhuma para quem pensa diferente deles. Mesmo que só pense, sem ofender nem ferir ninguém. Por isso temo o que farão da lei proposta: sob esse pensamento desprovido de critérios e de bom-senso, um pastor que pregue sobre o que Paulo diz em Romanos 1:26 passa a ser considerado tão perigoso, tão desrespeitador e tão homófobo quanto uma gangue de Skinheads que cuspa em um travesti. Não posso aceitar isso!

Por que os gays não conseguiriam entender que alguém pode não concordar com o homossexualismo (o que fazem) mas continuar gostando deles como pessoas (o que são)? Creio que conseguem, no entanto; quem não consegue, quem não quer conseguir, é o rico, poderoso e orgulhoso lobby gay politicamente correto - inventor de leis sem sentido e da perversa generalização da homofobia.

Para variar, é o cristianismo que corre o maior risco com mais essa ofensiva politicamente correta. O cristianismo e a liberdade de expressão. Quem não é cristão só pensará no que os cristãos perderam quando for perdedor, por sua vez. Mas então será tarde demais.

32 comentários:

Anônimo disse...

Vamos orar para saber qual a melhor maneira de nos dirigirmos aos integrantes dessa Associação, para expressar nosso descontentamento?
Seria possível usar de uma linguagem PC contra eles mesmos (até pela via judicial)?

Oswaldo

Eliot D. Chambers disse...

Fala, Normitcha!

Uma sociedade sem homossexualismo poderia existir normalmente por séculos... Uma sociedade sem heterossexualismo, acabaria em no máximo, um. Qual é mais importante para a humanidade?

Por aí vemos qual é a legitimidade do lobby gay em tentar igualar juridicamente as coisas: nenhuma.

Como se não bastasse, ainda querem enfiar goela abaixo de crianças imaturas física e psicologicamente a falácia das "opções sexuais" nas escolas. Por isso os cristãos brasileiros precisam da aprovação do homeschooling urgentemente.

Claire disse...

Dizer o quê mais, Norma? Excelente.

Adelice disse...

Norma,

Compartilho da mesma opinião que você: o fato de não concordar com o homossexualimo não faz com que odeie os gays.

Mas é muito difícil para os intolerantes, entenderam a tolerância.

Você tem toda a razão: basta ver do que nós os cristãos somos chamados todos os dias: burros, obtusos, portadores de fé cega, intolerantes, e por aí vai... E não só os cristãos, diga-se de passagem. Qualquer um que tente se opor ao politicamente correto.

A liberdade de expressão para este pessoal é confortavelmente relativa.

Eu = bonzinho = tenho direito a falar
Você = mau = não tem direito a falar

Antônio Fernando disse...

Oi Norma,
Também sou cristão. Mas, gostaria de entender melhor a Bíblia, pois tem horas que, lendo do Antigo para o Novo Testamento, fica-se com a impressão de ser uma mensagem histórica ou que seus próprios autores não conseguiram se expressar sem alguma subjetividade. Se assim for, você não enxerga algum relativismo no Livro Sagrado? Como entender a Boa Nova do Evangelho, se não buscarmos contextualizar as mensagens do AT e do NT???

Fernando

Cláudio Peixoto disse...

Oi, Norma:

O que eles tentarão fazer certamente será extender a atual lei contra o racismo (Lei 7.716/1989) à discriminações contra homossexuais.

"Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional."

O problema é que um eventual "discriminado" terá de se assumir como uma bichona para requerer as providências legais... :-)

um beijão,
Cláudio

Nagel disse...

Oi, Norma.

Não bastasse os de fora olharem para nós, cristãos, com esse desprezo pelas nossas posições quanto ao assunto, temos de lidar com "cristãos" e "igrejas" modernas que reinterpretam o texto bíblico; "cristãos" e "igrejas" que admitem e justificam essas práticas homossexuais e que também nos desprezam por isso.

Você foi muito precisa no texto: aborrecer o pecado, e amar o pecador. Esse é o dever da igreja.

Beijos.

Nagel disse...

Antonio Fernando, eu não entendi seu ponto.

Você entende que a atualidade do texto sagrado já é, em si, uma relativização? Seria isso?

Delance disse...

Homofóbico é quem não concorda com a cartilha do lobby gay, isso é ridículo.

A lei é de uma imbecilidade absurda. A rigor, os proprios gays deveriam ser presos porque são anti-cristãos, etc. Todo mundo devia ser preso por esta lei.

Solano Portela disse...

Cara Norma:

Parabéns pelo excelente post e pela forma analítica e lógica de tratar a questão, com toda propriedade e justiça, apontando os devaneios de uma sociedade que vem perdendo exponencialmente a sua lucidez.

Solano

Marcelo Hagah disse...

Cara Norma,

Há uma questão muito séria nisto tudo: é a introdução da palavra "gênero" na legislação brasileira. Não há nenhuma lei com este termo, pelo simples fato de que "gênero" é palavra restrita à gramática, em particular a latina, que traz os gêneros masculino, feminino e neutro (nec ultrum, "nem um, nem outro"). Bom, não há neutros, portanto o cidadão é homem ou mulher. O assunto é atinente à linguagem da Biologia, que diz existirem o sexo masculino e o feminino. Nossa legislação traz, no Código Civil, a palavra sexo. A mudança para gênero - parece que - surgiu com o Governo FHC, e agora toma corpo. Se alguém se sente "discriminado" que o seja por ser um homem que se veste de mulher ou tem hábitos femininos, mas até isso é absurdo. Ora, o homossexual (pederastas inclusive) masculino não tem hábitos femininos, mas hábitos contra a natureza. Até Ovídio, na sua Arte de Amar, um livro nada dogmático, ao falar com homens diz que não se deve exagerar no asseio, nos perfumes e nas roupas, pois isto é coisa de prostituta e homens que, contra a regra (natureza) buscam outros homens.

Desculpe se fui extenso.

Um abraço,

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

Marcelo Hagah disse...

Um jornalista aqui de João Pessoa escreveu, um dia desses, algo como:

"Antigamente, era vergonha ser gay; depois passou a ser tolerado. Hoje em dia é incentivado. Vou-me embora do país antes que seja obrigatório".

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

Marcelo Hagah disse...

Queria corrigir o meu post em que falei do gênero neutro. Neutro é do latim nec = não + utrum = outro. Lá escrevi nec ultrum, com "l" (éli). Que meu antigo professor de latim não saiba disto, Jesus.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

João Emiliano disse...

Prezada Norma,

Parabéns pelo post. O mestre Olavo de Carvalho diz que há o direito de ser gay e o Estado não tem nada que se meter com as preferências amorosas de ninguém, pois se nós defensores do Liberalismo Clássico queremos então ver um Estado enxuto não vamos querê-lo inchado o suficiente para se envolver entre dois homens ou duas mulheres que queiram ficar juntos.
Agora, essa lei, igualará a direita com a extrema direita (ou extrema burrice como a chama Olavo de Carvalho). Num mesmo balaio colocará um Partido Federalista com um PRONA, religiosos com gangues de mauricinhos "skinheads", os devotos de Nossa Senhora de Nazaré (padroeira de meu Estado Pará) com os partidário da ditadura católica da Tradição, Família e Propriedade (TFP).
Essa é enfim a estratégia da desinformação esquerdista. Uma loucura minha irmã...


Abraços fraternais do,

JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

João Emiliano disse...

Prezada Norma,

Isso de confundir direita com extrema-direita é com certeza um caso de analfabetismo funcional e uma dificuldade muito grande dos esquerdistas em aceitarem a divergência, a democracia.
Sua Santidade o Papa Bento XVI diz que a Babilônia era a uniformidade, portanto nada de uniformidades nem a direita (fascismo), nem a esquerda (comunismo).

Antônio Fernando disse...

Nagel,
Eu enxergo no próprio texto sagrado uma relativização, senão como explicar valores contraditórios que se revelaram do antigo para o Novo Testamento? A Boa Nova não é uma mensagem diferente da lei antiga?? Isso não é uma relativização, uma mensagem que vai se alterando conforme os valores de cada época?? Não quero dar nova interpretação aos textos sagrados. Além disso, não consigo imaginar alguém ter uma religião ou ter uma relação com alguns valores religiosos se não for com uma boa dose de subjetividade. Assim, alguma relatividade existe, acho que o vício está no relativismo.

Antônio Fernando
Brasília

Conde Loppeux disse...

Nagel,
Eu enxergo no próprio texto sagrado uma relativização, senão como explicar valores contraditórios que se revelaram do antigo para o Novo Testamento? A Boa Nova não é uma mensagem diferente da lei antiga??

COnde- Vejamos. O termo "relativismo" já é uma expressão errônea por si mesma. "Relativizar" não é negar a verdade, mas relacionar a outras questões antes não observadas, que podem ser reformuladas. Muito antes de negar a verdade, relacionar alguma coisa é apenas complementar mais ainda uma verdade que está sendo estudada ou observada. A negação completa da verdade tem por nome "niilismo". E já se prova uma lógica incoerente por si mesma, pois quem relativiza a verdade, está, de certa forma, afirmando algo que se crê verdadeira, como mesmo a negação da verdade, é uma expressão falsa da verdade. Mas voltando a Biblla, o que é relativizável ou não é?

A biblia é um livro complexo, que abrange não somente questões históricas e particulares de cada época, porém, de princípios atemporais, eternos e imutáveis, dentro de sua lógica e moral. A aparente distinção entre Velho e Novo Testemento que vc debateu é apenas aparente. Pois os princípios são os mesmos, as regras são as mesmas e o próprio Jesus disse que não veio mudar a Lei, mas fazer cumprir a Lei. O que muda são as maneiras como essas regras são aplicáveis ou cumpridas. É como o conceito de justiça, no mundo ocidental.

Justiça tem dois binômios absolutos em sua valoração: a comutatividade e a distributividade. Justiça comutativa é simplesmente o reconhecimento de um status legal ou de regras comuns a todos os individuos. A distributiva, é aquela velha máxima dar a quem é devido, ou seja, a justiça distribuindo, de acord com a proporcionalidade dos atos de cada um. Esses principios são milenares tanto no mundo antigo como no mundo biblico. Mas a aplicação destes principios em cada caso concreto é que mudam. Os textos biblicos sempre serão os mesmos e sempre serão motivos de controvérsias. Mas o simples fato de que um texto de 4 mil anos ainda tenha força para mexer em nossas mentes, já mostra que seu legado é praticamente eterno, enquanto o homem existir.

Não quero dar nova interpretação aos textos sagrados. Além disso, não consigo imaginar alguém ter uma religião ou ter uma relação com alguns valores religiosos se não for com uma boa dose de subjetividade.

Conde- É claro que a religião implica uma certa dose de subjetividade. Cada um tem uma maneira própria de ligação com Deus, já que estamos só diante Dele. TOdavia, isso não relativiza a idéia essencial mesma de verdade. A relação entre verdade e erro, é absoluta.

Ps. Norma, vc poderia colocar o nosso site entre seus favoritos. ... abraços.

http://infoliberdade.blogspot.com/

João Emiliano disse...

Prezada Norma,

Desculpe, eu errei em alguns conceitos sobre direita e esquerda. É que o império obsessivo dos comunas é tão forte aqui no Brasil que as vezes me confundo.
Veja: a extrema-direita jamais poderia ser fascista pois não há poder fascista que não seja hiper-estatizante (vide o governo Getúlio Vargas aqui em nosso azarado país)e a direita é sempre liberal-democrata. Em verdade um governo de extrema-direita não é extremamente burro como eu disse, não foi isso que o mestre Olavo de Carvalho quis dizer, um governo de extrema-direita é simplesmente aquele que não faz concessão nenhuma para se imiscuir na economia e em outros setores da sociedade que não são de sua competência, é em verdade a extrema-sabedoria posto que é a crítica radical aos socialistas.
O fascismo são os centristas ou abre-alas para o socialismo (eu acho que qualquer semelhança deles com o PSDB não é pura coincidência)
Isso é tudo.

Abraços do irmão,

JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Anônimo disse...

Norma, fico novamente encucado com uma coisa. Quase todos os seus posts vc liga o assunto ao marxismo. vc critica ele como sendo dualista, só ve preto ou branco, mas assim tb percebo seus comentarios. Ou é "influencia do marxismo" ou "nao influenciado do marxismo". Por que tanto dualismo? N estaria vc tb influenciada pelo q tanto condena?

na paz, irmao da direita.

Anônimo disse...

Não vou entrar na questão religiosa nem sexual do seu texto. A única coisa q não me agrada é seu ponto de vista sobre o marxismo... Acho q vc anda lendo Olavo de Carvalho em demasia... Me parece q vc não conhece o marxismo, além do q críticos e marxistas de meia tigela escrevem sobre ele. Assim como vc vê sua verdade na Bíblia, outras pessoas podem ter o marxismo como norte. Não há problema nessas escolhas. Melhor seria conhecer antes de falar ou, se preferir não conhecer, então não falar. Vc está equivocada qto ao marxismo.

leonardo

Norma disse...

Desculpem aos que se abalam com as críticas ao marxismo, mas hoje só um cego não vê que as diretrizes politicamente corretas se tornaram em religião laica, perfazendo o que chamo de "nova moralidade". Eu critico o marxismo cultural, que é a luta de classes sociais transposta para a luta de grupos como mulheres X homens, negros X brancos, gays X heterossexuais. O primeiro elemento de cada uma dessas duplas crê-se oprimido pelo segundo. O marxismo começou polarizando a sociedade em classe oprimida e classe opressora (dominante), e o PC faz o resto. Isso polariza a sociedade, dá justificativas para o ódio, é demoníaco. Não tenho dúvidas disso e tudo que tenho lido só o confirma.

Leonardo, há problemas em escolhas erradas, que é dever de todo estudioso sério denunciar.

Hernan disse...

Olá a todos. Cheguei até aqui por acaso e fiquei interessado por este assunto. Antes de qualquer coisa quero esclarecer que sou cristão e não sou gay.
Acredito que não deveria haver receio por parte de discípulos de Jesus de uma possível "lei dos direitos GLBT". Penso que o preconceito que esse grupo sofre não somente dos cristãos declarados, mas de toda a sociedade brasileira (que tem alma católica apesar de considerar o catolicismo ultrapassado), é mais que suficiente para explicar o anseio do grupo que foi chamado de "lobby gay" pela aprovação de tais leis. Vejo isso como nada mais que uma reação causada pelo proconceito injustificável. Não deixa de ser preconceituosa a retórica do homossexualismo como contrário à "vontade de Deus". Entendo que a vontade de Deus é manifesta plena e claramente somente através da pessoa de Jesus, que é a encarnação da Palavra. Não consigo vislumbrar-Lo dirigindo a um gay palavras como: "O que você faz não está de acordo com a vontade de meu Pai...". Por outro lado me é absolutamente razoável acreditar que Jesus, se perguntado sobre a pecaminosidade do homossexualismo, diria "Quem estiver sem pecado seja o primeiro a condenar a atitude deste gay".
Pior que qualquer dita "imoralidade" da conduta homossexual é a desgraça do preconceito. Cristo nunca disse que as prostitutas e os publicanos eram melhores que os fariseus e mestres da lei, mas aqueles precederam os últimos no Reino. A razão é que, embora igualmente pecadores, os "santos" mestres consideravam-se mais dignos diante de Deus. Alguns talvez nem admitissem dessa forma, mas ao ponderarem sobre o cisco no olho alheio imediatamente testemunhavam da viga que ocluía o próprio olhar. Quero apenas dizer que o homossexualismo é uma pecado como qualquer outro, mas a homossexualidade é uma condição que não foi simplesmente escolhida. Nós, cristãos, precisamos encarnar o Espírito do Evangelho e usar de misericórdia para com estas pessoas sofridas a quem a sociedade impôs o estigma humilhante da lepra moral. Assim como nos tempos de Jesus um leproso não escolhia ser leproso, o gay também não escolhe ser gay. É uma imposição, seja da natureza, seja de alguma circunstância de determinou um arranjamento psicológico propício ou qualquer outro motivo.
Se o etíope puder mudar a cor de sua pele, então o gay poderá decidir ser hetero.
Talvez perguntem como é que eu, não sendo gay, pretendo compreender a subjetividade gay? É que sou pecador também e compreendo que ninguém peca porque quer, mas porque o pecado é nossa comum condição de filhos de Adão.
Quanto ao marxismo, também é uma reação e acredito que suas aspirações são legítimas, embora sua prática infeliz tenha sido marcada pelo ódio. Mas, nada pior que a prática capitalista.
O marxismo bem poderia ter a dignidade injustificada de dizer: "Vocês começaram primeiro".

Norma disse...

Hernan,

Ouço e respeito suas opiniões, mas infelizmente não posso considerá-las como dignas de um cristão de fato. Para mim, cristão que relativiza a Bíblia e a retalha, dizendo que "a vontade de Deus é manifesta plena e claramente somente através da pessoa de Jesus", está precisando se questionar, sacudir a poeira do pensamento secular moderno e voltar ao bê-á-bá da evangelização. A fé cristã tem subsistido e dado frutos há mais de 2.000 anos sem fragmentação bíblica alguma, e não é você nem teólogos modernos de araque que vão mudar isso.

Desculpe pela linguagem forte, mas quem se diz cristão e se acha na autoridade de selecionar para si somente o que acha bom na Bíblia precisa escolher outro nome para sua fé... ou então, reler aqueles trechos que dizem que "TODA a Escritura é inspirada".

Norma disse...

Continuando...

Quanto à "dignidade injustificada do marxismo", acredito que sua análise é igualmente falha quando diz que o marxismo "poderia" ter essa dignidade de dizer que os outros começaram primeiro. Os marxistas efetivamente DIZEM isso, fundamentando todos os atos politicamente corretos nessa ótica revanchista e com isso perpetuando um ódio vingativo sem fim em suas políticas lobistas. Achar que esse Projeto de Lei brasileiro não vai estourar na cara dos cristãos mesmo com toda a nova perseguição que vimos sofrendo na Alemanha, na Holanda e em outros países europeus por medidas semelhantes não só é mostrar ingenuidade ou desinformação - mas, em certa medida, colaborar com o mundo. Realmente, não espero outra coisa de quem retalha a Bíblia para não ficar de fora das causas modernas.

Para terminar, já que seus comentários aqui sempre primam pela delicadeza e pela boa educação: não leve para o lado pessoal isso tudo que lhe digo, Hernan. Mas acho que ler essas coisas faria muito bem à sua espiritualidade. Creio profundamente nisso, senão eu não lhe diria, correndo o risco de passar por antipática em meu próprio blog. Considere isto: se eu não levasse em conta o potencial FIDECIDA - morte à fé - dessas idéias, não lhe escreveria de modo tão pesado. Mas a linguagem precisa refletir nossa firmeza, principalmente em uma época e em uma cultura em que as pessoas colocam as boas relações ("boas" de mentira, já que superficiais) acima da verdade.

Méltsia Mendonça disse...

Cara irmã Norma, Graça e Paz!
Sou Méltsia Mendonça, editora da Revista Cristã, e nossa matéria de capa da edição de dezembro/2007 será sobre homofobia. Em minha pesquisa, achei seu blog e além de pedir autorização para usar seu comentário sobre o assunto em minha matéria, gostaria de perguntar se você não quer escrever um artigo mais amplo sobre o assunto para fazer parte da mesma. Aguardo retorno.
Em Cristo
Méltsia Mendonça
Revista Cristã

Norma disse...

Olá, Méltsia!

Obrigada pelo convite! Para responder a você, preciso de um mail de contato. Procurei no site da revista e não encontrei.

Abraços!

Adelair disse...

Norma

Achei seu post muito interessante. Será que deveremos ser presos por expressarmos opinião contrária à de alguém? Vai sobrar alguém fora da cadeia? SOCORRO!!!

Deus abençoe a sua vida e lhe dê sabedoria sempre.

Helio Teixeira disse...

Olá, Norma!
Tenho uma pergunta a respeito de sua análise do marxismo: por que você não citou, em seu texto, os referenciais bibliográficos que comprovem sua versão epistemológica? Fiquei curioso em saber qual texto de karl Marx em que está desenvolvida a idéia de um subjetivismo assim como você e tantos outros comentaristas fazem entender. Pergunto isso porque eu sou um cristão e admirador da análise de Marx, e como tenho lido sobre a questão envolta ao Projeto de Lei 122 acabei chegando a seu texto. Ele é muito pertinente, mas confesso que atribuir ao marxismo a noção de subjetividade como princípio desconstrutivista me parece estranho, pois a obra madura de Marx, O Capital, beira ao positivismo; bem longe de um subjetivismo assim delineado por você. Um abraço. Helio Teixeira.

Norma disse...

Olá, Helio,

Não posso lhe dar referências detalhadas demais (páginas e tal), pois minhas leituras se fazem de forma bastante anárquica ao longo de muitos anos, entrecortadas por teses sobre literatura e trabalhos infindáveis de tradução e revisão. Também não sou uma especialista em Marx, mas tenho um certo cabedal de leituras com relação aos desdobramentos de suas teorias.

Creio que o Marx de O Capital é bastante diferente do Marx do Manifesto Comunista. O primeiro diz que o socialismo é uma conseqüência natural ("razão da história") do capitalismo em seu clímax, enquanto o segundo conclama as massas para a revolução, sem esperar por desenvolvimento natural nenhum. Essas contradições estão presentes não só na obra de Marx, mas em sua vida, já que se recusava a trabalhar e vivia pedindo dinheiro a todos, sobretudo a Engels. (Sugiro a leitura de Os intelectuais, Paul Johnson.)

As teorias do século XIX tinham forçosamente de ser apresentadas contra um fundo científico para ser aceitas. Não foi diferente com Marx. Mas não acredito no fundo científico do marxismo: para concordar com Marx, eu teria de endossar sua idéia de que "a história dos homens é a história da luta de classes". Você é cristão e sabe, portanto, que na Bíblia a questão do abuso de poder está longe de ser uma questão de classes, mas sim do coração pecador do homem. O antídoto para esse coração pecador é a revelação de Cristo, que promove o novo nascimento - algo operado individualmente, fruto do encontro da consciência pessoal de cada homem com a presença transformadora de Deus. Já em Marx, a escatologia aponta para o fim de uma classe em benefício de outra. Como eu sempre digo, marxismo e cristianismo não combinam.

Marx deu a teoria: tudo se resolve na luta de classes, com a eliminação de uma (burguesia) e vitória de outra (proletariado). Lênin pôs isso em prática e o resultado é que, na Rússia, a Cheka (comissão para combater contra-revolução e espionagem), só em 1918-19, já tinha chegado ao número de mil execuções por mês, todas por motivos políticos. "Estamos exterminando a burguesia como uma classe", explicitou um dos oficiais da Cheka. Isso é marxismo em prática.

Das leituras que tenho, sugiro Tempos modernos, também do Johnson; todas as obras do historiador francês especialista em bolchevismo Alain Besançon (Infelicidade do Século, Anatomia de um espectro, entre outros); o historiador François Furet (O Passado de uma Ilusão). Esses dois últimos são ex-comunistas e dedicaram toda uma vida ao estudo do que de fato é o comunismo.

Quanto ao subjetivismo, creio que você precisaria ler o post de novo. O marxismo é o pai não do subjetivismo, mas da dicotomização da realidade. Seus frutos foram não somente o bolchevismo e demais regimes comunistas com seus tantos assassinatos, mas também a criação de outras dicotomias, todas baseadas na lógica opressor(mal)-oprimido(bem): homem/mulher, branco/negro, hetero/homossexual etc. - ou seja, o pensamento politicamente correto. O maior objetivo do marxismo é a desestabilização da sociedade, algo que facilita a implantação de totalitarismos. Lênin o disse expressamente: "Acirrar todas as contradições e, onde não existirem, criá-las”. Pregar e ensinar a lógica do opressor-oprimido, em vez dos fundamentos bíblicos - somos TODOS pecadores, TODOS NÓS oprimimos e somos oprimidos - , gera conflitos insustentáveis que promovem a desunião sob diversas formas.

Há autores que dão claros indícios de que Marx era satanista, como o pastor Wumbrand. Escrevi sobre isso no blog. Acho bastante plausível, dados os terriveis frutos que essa teoria gerou.

Recomendo que você coloque o Marx cientista um pouco em banho-maria e dê uma olhada nos historiadores que recomendei.

Abraços.

Helio Teixeira disse...

Olá, Norma!
Vejo que você não conseguiu responder minha pergunta. Você elencou somente literatura secundária. Suas opiniões a respeito de Marx são todas embasadas em autores que não os originais e em sua própria leitura. Isso é uma pena, pois vejo que você consegue refletir bem certas coisas. Você como cristã não deveria caluniar uma pessoa ou uma instituição sem ver por você mesma. Você não conseguiu citar uma obra sequer de Karl Marx ou Friedrich Engels que comprove que eles criaram o subjetivismo como princípio epistemológico de deconstrução crítica. Você diz, literalmente: "O marxismo é o pai não do subjetivismo, mas da dicotomização da realidade". Isso é difamação com base numa leitura superficial e vulgar do marxismo. Leia: Que fazer, de Lênin; O Capital, Vol. 1, de Marx; A Dialética da natureza, de Engels; ou mesmo Socialismo ou Barbárie de Rosa Luxemburgo. Eu estou me referindo somente ao exercício de interpretação. Se é o marxismo certo ou errado, não é isso que me chamou a atenção na discussão em seu blog, mas o fato de discussões feitas sobre leituras de outros autores e não dos quais se discute. E isso gera acusações e difamações das mais crassas e ridículas. Jesus não disse para não fazermos às pessoas aquilo que não desejamos que façam conosco?! Então, sejamos filhos da luz e não das trevas. Um grande abraço. Helio Teixeira.

Norma disse...

Helio,

Vou citar você e depois lhe fazer uma pedido:

"Você diz, literalmente: 'O marxismo é o pai não do subjetivismo, mas da dicotomização da realidade'. Isso é difamação com base numa leitura superficial e vulgar do marxismo."

Prove, então, que a visão marxista da luta de classes (oprimido-proletariado X opressor-burguesia) não é uma dicotomização da realidade. Quando você me provar isto com base em Marx, eu me retrato e me arrependo publicamente do pecado de difamação. Não precisa nem postar aqui; mande um mail, pois o espaço dos comentários não é apropriado para discussões copiosas.

Abraços.

Norma disse...

P.S. Gostaria também que você me explicasse a relação exata entre as idéias de Marx e a prática de Lênin, incluindo aí as mortes praticadas desde o começo pela agência Cheka - não mortes individuais, como explicou um de seus agentes, mas "morte de uma classe".