24 agosto 2005

O marxismo e a teoria girardiana do bode expiatório (3)

Esse é o mesmo Lênin que as esquerdas moderninhas gostam de citar, um excelente exemplo de uma mente estragada pela belicosidade do bode expiatório:

"Lênin odiava a essência da democracia e encarava seus contornos apenas como um meio de legitimar a violência e a opressão. Em 1917, ano em que tomou o poder, definiu o Estado democrático como 'uma organização para o uso sistemático da violência de uma classe contra a outra, de uma parte da população contra a outra' (O Estado e a revolução, 1917). Quem para quem? era o seu critério supremo. Quem estava fazendo o que a quem? Quem estava oprimindo quem; explorando ou matando quem? Um homem que pensava assim e que não imaginava que se pudesse pensar de outra forma, como conseguiria vislumbrar um conjunto de medidas políticas que não fosse o despotismo, conduzido por uma autocracia e governado pela violência?"

Fonte: Tempos modernos, Paul Johnson

3 comentários:

Cláudio Peixoto disse...

A dificuldade maior é que a 'mais-valia' não possui qualquer base na realidade, apresentando-se como mera hipótese de trabalho alçada à condição de dogma.

Assim, Lênin apenas se valeu de pretextos para prosseguir com o mecanismo sacrificial.

Norma disse...

É mesmo uma tristeza que tantos frutos ruins continuem sendo gerados no marxismo. Na fúria de "denunciar opressão", a máquina de fabricar oposições não teve trégua em todos esses anos, determinando com os olhinhos brilhando de ódio quem é o opressor e quem é o oprimido. Assim, no mundo marxista, são ricos contra pobres, trabalhadores contra empresários, burguesia contra proletariado, cristãos contra ateus, homens contra mulheres, brancos contra negros, heterossexuais contra gays... Não vai sobrar pra ninguém: todos estarão, no futuro, engajados em alguma guerra dessas, e só uns poucos entenderão o mecanismo a ponto de se livrarem dele. Então, o mundo se tornará um lugar insuportável - se é que já não estamos nesse estágio, pelo menos no Brasil.

simao disse...

Que bom encontrar uma apreciadora de Paul Jonhson.Muito esquecido nos ultimos tempos, o seu ultimo livro »criadores» foi uma bela surpresa e duvido que algum historiador consiga alguma vez dissertar tao claramente acerca do espiríto criativo. Como voce estou esperando ansiosamente o livro que termina a triologia «Heróis».

Passse no meu blog e troque pontos de vista minha cara.