14 junho 2010

Transferência de poder (II)

Por trás das palavras do artigo de Gondim eu consigo entrever um processo parecido com o descrito por Lytta Basset (parte 1), algo que certamente ocorre com todo aquele que se deixa mergulhar na cosmovisão esquerdista para explicar (reinventar) a teologia cristã. Todos nós já tivemos ou alimentamos uma culpa difusa; no entanto, parece-me que o esquerdismo é essencialmente manipulador desse sentimento. Assim, os esquerdistas cristãos embarcariam nesse mecanismo de controle da seguinte maneira: diante da angústia por essa culpa difusa à qual não conseguem associar uma razão específica, aplicam uma “capa”, uma falsa concretização, sob a forma do problema da pobreza: tenho culpa por não participar da miséria do mundo. (Não é por acaso que o esquerdismo alcança sobretudo os mais abastados da sociedade. Escaparam da miséria por motivos desconhecidos, que logo assumem como metafisicamente aleatórios; precisam ter deixado de repousar na sabedoria divina para valerem-se dessa compensação autopunitiva.) O mecanismo cobra seu preço: iniciando-se em uma “gambiarra afetiva” (preciso conhecer minha culpa) e na ausência de convicção quanto à soberania divina (eu não devia gozar de privilégio algum), essa precária solução toma o lugar do próprio núcleo da fé cristã, moldando o restante, irradiando suas conclusões para toda a teologia. Tudo porque se prefere controlar os sentidos da fé com falsas afirmações a render-se ao Deus soberano, que tanto faz chover sobre bons e maus quanto atinge com tragédias até os seus queridos. Desse Deus, que é o Deus da Bíblia, nem sempre saberemos os motivos, mas podemos contar com sua bondade para que todo mal resulte em bem certeza que somente a cruz pode dar, já que Cristo foi o homem mais amado por Deus que já passou por esta terra, mas também foi Seu maior afligido (Mc 10.45), não tendo culpa alguma, nem real, nem imaginária (Hb 7.26). Deus não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou — em meio a grande sofrimento — para que tivéssemos vida. Eis a resposta suprema para o problema do mal no mundo, a única (e suficiente!) que o cristão tem a dar.

Mas voltemos ao artigo. Essa frase de Gondim é reveladora:

Não consigo imaginar-me falando: “Deus é soberano e decidiu que eles viveriam assim; e os porquês da Providência, só saberemos na eternidade”.

Imagino que não consiga porque prefere uma fé que possa controlar, uma culpa à qual possa atribuir um sentido unicamente humano, abordável imediatamente pela razão (e nisso Gondim seria talvez um “neorracionalista”), cujas causas possam ser minadas com as próprias obras, ainda que apenas no plano mental. Em reação às manifestações mais terríveis das desordens da natureza e da maldade humana, é claro que o cristão sofre, mas não se inquieta com causas transcendentes à parte do próprio pecado original, nem com falsos méritos atribuídos ao homem: em primeiro lugar, aprendeu a confiar nas palavras de Jesus quanto a pensar no para quê do mal, e não no porquê (Jo 9.1-3); em segundo, vai a Jesus para “alívio” de todo mal (Mt 11.28); em terceiro, sabendo que a resposta definitiva para o mal já está dada (Hb 9.26, 1Pe 1.20) no sacrifício de Cristo, faz tudo o que estiver a seu alcance para minorar o sofrimento alheio, com a graça de Deus, esperando pacientemente pela redenção final de toda a criação (Rm 8.18-25), quando o mal já não existirá em nenhuma de suas formas (Ap 21.4). Já quem se vale do mecanismo de apaziguamento de culpas prefere voltar as costas para o desconhecido (abrigado em Deus) quanto às razões específicas para determinado mal, carregando o peso de suas mazelas, concentrando-se em si somente. Quando um esquerdista vocifera contra a teologia tradicional com todo aquele ódio e aquela indignação que o caracterizam, como quem brada “Como vocês podem ficar aí, tranquilos, enquanto há tanta pobreza no mundo?” (não que de fato fiquemos tranquilos, mas, não esqueçamos, ele colocou todo o peso sobre si mesmo, logo nos vê como os “descansados” — e de fato o somos, não em nossas ações, pois há muitos cristãos conservadores que evangelizam o perdido e agem pelo pobre, mas interiormente), acredito que o faz sobretudo do alto de sua cátedra de culpa irresolvida: a culpa fundamental, ampla, do pecado original, que, inconfessada, não foi depositada aos pés de Cristo para o perdão, mas sim reduzida a uma culpa pelos “males sociais” para que esteja ao alcance da utopia socialista, que promete “um dia” acabar com ela de modos bem concretos. Claro, isso não significa que o cristão esteja isento dessa culpa difusa, mas fará muitíssimo bem se não utilizar a ideologia para lhe atribuir um nome. Deus nos livra pouco a pouco, em nossa caminhada cristã, de nossas falsas culpas, ajudando-nos a nos conhecer mais acuradamente, se depositamos nele toda confiança quanto a esses processos.

Porém, se o cristão não abre mão do controle sobre seus abismos, não há descanso possível em Cristo. O que resulta disso é um pseudocristianismo, quando aquele que se sente culpado (sem confessá-lo) precisa militar incessantemente para convencer-se de que o ser humano tem em mãos o sentido da história, acreditando ter transferido o poder de Deus para si — como se isso fosse algo bom, quando não passa de um retorno às eras pré-cristãs, um paganismo revisitado. E não há nada mais triste que valer-se de um deus inventado para confirmar logros interiores.

24 comentários:

Josiel Dias disse...

Olá meus irmãos Graça e Paz.

Estou muito feliz em conhecer mais um espaço que propaga a palavra
de Deus.
Se desejares em conhecer o nosso blog, será um prazer
tê-lo como visitante e se desejares nos seguir, ficaremos felizes.
Mensagem Edificante para Alma
http://josiel-dias.blogspot.com/

Aprendendo uns com os outros crescemos em graça
e conhecimento.

Josiel Dias
Cons Missionário
Congregacional
Rio de Janeiro

Charles Fernando disse...

Judas foi o primeiro esquerdista distributivista do evangelho, veja em Mt 26, 6:

“Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro cheio de ungüento perfumado e de grande preço e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava à mesa.

À vista disso, os discípulos indignaram-se e disseram: “Para que este desperdício? Podia-se vender aquilo a alto preço e dar-se aos pobres”.

Mas Jesus percebeu e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Foi por certo uma boa obra que ela praticou comigo. Com efeito, pobres sempre os tereis convosco, a mim, porém, não me tereis para sempre.”

Esse é o mesmo Jesus que a pouco tempo mandou o rico vender tudo o que tinha e dar aos pobres. Infelizmente só lêem essa passagem, mas a passagem acima que diz "pobres sempre os tereis" não lêem... pq será?

Eis a dificuldade de transformar Jesus em um proto-comunista.

numen disse...

Não sei o que é pior. Se é tentar estabelecer diálogo com argumentações fundamentalistas - se me permite o rótulo já que também gosta desse expediente - herméticas e unilaterias e correr o risco de ser escorraçado numa replica sem direito a tréplica, e deixar a impressão tipo "eis uma legítima defensora da reta doutrina" e "ei vejam em nome de Deus calamos mais um herege".

Ou se depois de gastar um precioso tempo, deixando de lado o T.S.Eliot para ler este post, ficar com a impressão de que dei crédito demais gastando meu tempo com a mesma arenga de sempre.

alex carrari

Norma disse...

É simples, Alex! Basta não vir mais aqui. (Mas, se vem, é talvez porque precisa ler algumas coisas... desejo inconsciente?)

Eu já fico com ambos: T.S. Eliot (porque amo literatura) e a sã doutrina (porque amo, acima de tudo, a Palavra).

André disse...

Também não sei o que é pior, mas não acho que isso seja relevante. Inclusive porque o Alex não tentou estabelecer diálogo algum.

De qualquer forma, sabemos que os hereges não se calam quando seus erros são denunciados e refutados. Quando muito, vão reclamar em outro lugar. A internet é para todos.

"Mesma arenga de sempre" é uma boa descrição para a maior parte dos comentários anti"fundamentalistas" que aparecem por aqui.

alex carrari disse...

Caro André,

O que você não sabe, talvez por pura inocência, ou pelo convívio em ambientes cujos horizontes são fechados sob uma pretensa manutenção da "confissão correta", é que tentar estabelecer diálogo, seja aqui ou em outros espaços semelhantes, é algo enfadonho e fadado ao fracasso.

E olha que tem gente que tenta, mas não consegue, esta capsula é impenetrável. Agora, essa de estigmatizar de "herege" qualquer discurso que distoe da leitura por vocês proposta é de uma infantilidade que beira a pieguice.

André faça um teste, tente postar um comentário com outro nome, anônimo por exemplo, e coloque algumas questões que conflitem o que está aqui exposto, ainda mais tente "puxar brasa pra outra sardinha" tipo falar bem desse dasafeto combatido no texto e veja no que dá. Depois me diga se é possível estabelecer qualquer linha de diálogo.

Claro, aguardo retorno no mesmo tom.

alex carrari

Marcos Paulo disse...

Norma,

Eu não sei qual é o efeito da doutrina esquerdista cristã. Mas uma coisa é certa, essa cosmovisão que a atinge o mundo é uma receita para a autodestruição, fazendo com que o homem se sinta culpado por ter sido abençoado (seja com uma boa família, com uma casa, com um carro, por popular que seja) e se volte contra si mesmo, em nome da infelicidade dos outros, trazendo para si a infelicidade alheia. Passando a achar que qualquer mal ou ataque que (desculpe o cacófono) lhe sobrevenha, desde que praticado por alguém menos favorecido (em qualquer aspecto) tem uma razão de ser, e que é errado ser "melhor" que os outros. Resumindo, o esquerdismo é como uma síndrome de estocolmo em larga escala. Desconsidere o comentário se achar sem sentido.

Norma disse...

Caro Alex,

Felizmente tenho muita gente que me dá um retorno diverso do seu em relação ao diálogo. É claro que há diálogo nos comentários do meu blog. Quanto à impenetrabilidade do meu espaço (gostei, hehe), não vejo problemas em usar o termo "herege" sempre que alguém chega subvertendo conceitos e termos bíblicos. Os apóstolos fizeram o mesmo, ora. "Herege" não é uma acusação, é uma constatação.

Assim, não entendo exatamente do que você está reclamando e, principalmente, não entendo o porquê de sua irritação. Quando eu não gosto da posição de determinado autor (como Gondim, Kivitz e quetais), eu simplesmente não visito o espaço deles, a não ser quando alguém me manda um texto ou outro, por pura curiosidade. E, se me dá "ganas" de escrever algo naquele espaço, jamais escrevo reclamando, como se aquele blogueiro fosse obrigado a endossar posições parecidas com as minhas ou estabelecer em seu espaço um "debate público", como se ali fosse a televisão ou o rádio... A última vez em que escrevi em um blog cristão mais "modernoso" foi há uns cinco anos ou mais, justamente para tentar estabelecer um diálogo (que não houve, hehe).

E tem outra coisa. De fato, eu não acredito muito em diálogo entre cristãos sobre teologia quando um deles relativiza a Palavra de Deus (ou diz que Deus é uma "construção", ampliando demais o papel do homem em relação ao transcendente). Para um diálogo produtivo, é preciso que haja alguma base em comum, e a Bíblia é a primeira delas. Sem essa base, não há como abordar cristianismo algum. E se eu não aproveitar o momento em que o "herege" (sorry) comparece aqui para tentar pôr algum juízo bíblico na cachola dele, estarei pecando, a meu ver, porque pude ajudar e não ajudei.

Sacou? :-) Talvez isso diminua um pouco sua irritação.

Abraços!

Norma disse...

Marcos Paulo,

Perfeito seu comentário! É isso mesmo. A culpa hoje é o sentimento mais difundido e mais recalcado que existe. Por isso é fácil manipular as pessoas com ela. Ninguém admite que a tem, todos se sentem "livres", e assim se tornam mais vulneráveis...

É triste, mas a submissão total a Deus e à Sua Palavra é capaz de dar conta desse problema. Porém, fica difícil - impossível, na verdade - quando as pessoas brincam de cristianismo e preferem acreditar em invenções.

Grande abraço!

Jether disse...

"Quando eu não gosto da posição de determinado autor (como Gondim, Kivitz e quetais), eu simplesmente não visito o espaço deles, a não ser quando alguém me manda um texto ou outro, por pura curiosidade."
Bem, vc tá sempre "comentando", então vc tb tá sempre visitando, tá sempre lendo. O que acontece é q vc simplesmente não precisa ir lá pra ser avisada das novidades, nem programou um robô (como o Google Reader) pra te pôr a par das novidades de lá, porque recebe constantemente emails de gente de carne e osso dando esses avisos, pessoas essas fazendo o que o robozinho faz. Não venha dar uma de superiora. O que acontece é que vc tem meninos de recado (desculpa aí, gente, mas naõ é isso mesmo?) que trazem pra vc e eu e o Alex não (acho). E o trabalho é praticamente o mesmo, pois está tudo a distância de um clique. Faz o seguinte, então: não abra mais emails dos teus "amigos" quando o assunto for os quetais aí ou não vá visitá-los mesmo assim... Aí eu quero ver sua pose superiora de verdade!

E, se me dá "ganas" de escrever algo naquele espaço, jamais escrevo reclamando, como se aquele blogueiro fosse obrigado a endossar posições parecidas com as minhas ou estabelecer em seu espaço um "debate público", como se ali fosse a televisão ou o rádio...
Não vejo diferença entre web, televisão e rádio nesse aspecto. Esclareça, por favor. Por que o blogueiro não está obrigado a estabelecer em seu espaço um "debate público"? Não era o que Santo Tomás de Aquino fazia, por exemplo?

Norma disse...

Olá, Jether, tudo bom?

Você é outro que, como o Alex, vive voltando aqui, sempre com uma raivinha sufocada.

Pois justamente por ter sido alvo da minha explicação é que você não a entendeu. Eu não fico de tocaia nos blogs de que não gosto. Essa é a diferença. Os textos que chegam a mim são comentados por mim em meu espaço, quando me dá vontade, quando acho que poderiam render reflexões interessantes. Na verdade, a maioria que eu recebo é deixada pra lá. Eu não faço questão alguma de ir ao espaço do Gondim, do Kivitz e tutti quanti para destilar raivinha, porque não há raivinha alguma. Entendeu agora?

E, se você não sabe diferenciar um blog de um canal de tv, vou ser boazinha e explicar mais uma vez. O blog da Norma Braga é o blog da Norma Braga, um espaço em que a Norma Braga escreve sem compromisso nenhum com alguém além de si mesma e Deus; uma tv ou uma rádio precisa de massa - público e anunciantes - e para isso necessita de representatividade, o que só vai ocorrer com uma programação que agrade a todos e tenha diversidade de opiniões. No blog da Norma Braga, se a Norma Braga quiser, só entram as opiniões compatíveis com as opiniões da Norma Braga e ninguém pode reclamar por isso. Capicce?

Ai, ai, viu.

Norma disse...

P.S. A frase de Jether, "Por que o blogueiro não está OBRIGADO a estabelecer em seu espaço um 'debate público'?", é de dar arrepios no conservador, no liberal, no libertário...

Aprendiz disse...

Norma

Noto uma coisa que me causaria espanto, se eu não conhecesse bem essa gente. Eles não suportam é a existência de alguém que não trabalhe em favor do totalitarismo que eles querem implantar. É simples assim. Desde que Lenin ordenou que fizessem patrulha ideológica, eles nunca mais pararam.

Norma disse...

Sim, Aprendiz. Querem patrulhar até blog, um negócio que começou como um simples diário on line... Para eles, toda expressão individual fora dos padrões totalitários, fora do gosto "moderno", "plural" e "aberta" (leia-se: sem compromisso algum com a verdade), deve ser vigiada e inibida. Por isso, quanto menos Bíblia na teologia, melhor. Já reparou que eles nunca usam Bíblia para refutar a gente?

O que só confirma meu ponto: o esquerdismo é a religião parasitária mais eficaz do cristianismo. Alguns creem piamente no primeiro acreditando ser ele o segundo, outros tentam disfarçar as dessemelhanças, outros ainda fazem a coisa de má-fé; mas todos contribuem para destruir a sã doutrina.

André disse...

Caro Alex,

Você disse que "tem gente que tenta, mas não consegue" estabelecer um diálogo em blogs como este. Peço que me dê um exemplo concreto de alguém que tentou isso aqui mesmo neste blog. Se quiser, eu posso citar exemplos contrários, isto é, de vozes discordantes que chegaram aqui para dialogar e foram bem recebidas. Dado que a dona da casa era a mesma em ambos os casos, sou levado a supor que a diferença pode ser encontrada nos visitantes. Talvez só tenham sido bem recebidos os que realmente queriam dialogar. A generalização feita por você é injusta. O fato de você (e, quem sabe, algum amigo seu) não ser capaz de dialogar com quem discorda não prova que ninguém é capaz disso.

Agradeço pela sugestão do comentário anônimo, mas não a seguirei. Eu só entro em discussões quando tenho argumentos, e sei que teria dificuldade em arrumar algum para defender o Gondim. Consequentemente, eu seria obrigado a apelar para a choradeira e a raivinha para poder travar uma discussão fake com meus irmãos conservadores. (Aliás, é isso mesmo que vocês geralmente fazem.) E, ao agir assim, eu estaria fechando as portas ao diálogo. A diferença é que, por ser mera encenação minha, eu seria capaz de perceber isso.

De qualquer forma, essa descrição que você faz da intolerância conservadora se enquadra muito bem em muito do que já vi em blogs mais liberais. Lembre-se do que disse Jesus sobre mosquitos e camelos.

Finalmente, a palavra "herege" não é de baixo calão e tem um significado muito bem definido, de modo que não vejo problema em usá-la sempre que me parecer que ela descreve bem a pessoa de quem estiver falando. E, ao contrário do que você parece sugerir, não são todas as discordâncias que merecem esse nome; só as heréticas.

Abraços, e espero que tenha gostado do tom.

Ricardo Henrique disse...

Corrijam-me se estiver enganado, mas Jether usa a expressão "meninos de recado" num sentido completamente errado.

Que eu saiba, "menino de recado" não é o sujeito que vem me trazer as novidades que eu mesmo poderia recolher diretamente. Antes, quando eu me refiro a alguém como "menino de recado", eu falo de alguém por mim enviado a dar uma notícia a outro, tarefa essa que eu mesmo deveria fazer.

Nesse sentido que alguns dizem: "Eu não preciso de menino de recado, o que eu tenho pra dizer digo na cara." ou "Eu não sou seu menino de recado. Vá você mesmo e diga o que tem pra dizer."

Norma disse...

Oi, Ricardo!

Tem toda razão. Nisso, o Jether usou um estratagema bem batido das esquerdas e dos argumentadores desonestos: o que vale é a força da expressão, não o que ela significa. Se a expressão tiver "cara de insulto", vai assim mesmo, ainda que não caiba no contexto.

Mas é preciso ser mais espertinho para não deixar transparecer o estratagema. ;-)

Norma disse...

Jether,

Vou ajudar você a abandonar esse terrível vício de me ler e criticar, deixando de publicar seu comentário. :-)

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

PRezada Norma, vi em um dos seus comentários que você ama a Palavra. Barukh Ha Shem! Então, quero lhe convidar a ler um artigo que escrevi:

Uma preciosidade da língua hebraica.

Leia com atenção. Seus comentários serão bem vindos!

Abraços, Pr Marcello

http://davarelohim.blogspot.com/

Ednei disse...

Dr. Norma, nunca comentei aqui, mas tenho de fazer agora, depois de ver estes comentarios dos pretendentes a onicientes. Na mentalidade destas pessoas e do seu "guru" DEUS nao pode ser soberano, porque eles nao sao onicientes para entender a soberania do criador. Assim sendo, o "guru" e seus seguidores frustrados por "apenas" serem sabedores do bem e do mal, comecam a achar que sao soberanos do bem e do mal, consciente ou inconscientemente vao se "endeusando" como homens, e humanizando Deus. O proximo passo e remover Deus fora como um todo. Ja que somos senhores de nos mesmos. Alias, estes senhores, se dizem "progressistas", modernos, futuristas mas caem numa cilada que e tao antiga quando Jardim do Eden. A astucia da serpente foi dizer meia-verdade ..."sabendo o bem e o mal". Gen 3.5. Deus confirma isso no v.v. 22. A mentira foi ..." e sereis como Deus,...". Gen 3.5; e ai que os progressistas caem do cavalo e provam que o progresso deles e quase seis mil anos velho. Nao somos como Deus, nao somos oniciente, nem onipotente, nem onipresente, nem soberano.

numen disse...

Cara Norma,

Legal a sua posição: "Quando eu não gosto da posição de determinado autor (como Gondim, Kivitz e quetais), eu simplesmente não visito o espaço deles, a não ser quando alguém me manda um texto ou outro, por pura curiosidade".

Permita-me apenas uma observação: Penso que quem não gosta da posição de determinado autor (como o Gondim e o Ed Kivitz) e simplesmente não visita o ESPAÇO deles, a não ser quando alguém manda um texto ou outro, e por pura curiosidade, não deveria postar textos emitindo juízo de valor.
Discordo majoritáriamente da sua contundência (e para isso visito com assiduidade e atenção o seu espaço), mas creio que és responsável quando faz referências diretas e indiretas aos "ditos cujos" padecentes da culpa dos esquerdistas, que, diga-se de passagem, fornecem farto combustível, de boa qualidade, para fazer movimentar as turbinas da maioria dos espaços de perfil apologético conservador.
Prefiro crer que para produzir postagens refutantes como essas é necessário frequentar com assiduidade e atenção(duvido que você não o faça) os espaços e o conjunto do pensamento daqueles que ousam "olhar por cima das nossas cercas para ver se há alguma vida fora do nosso estreito corredor dogmático".
Suspeito que podemos facilmente cometer pecado ao nos posicionarmos contra aqueles que fazem uma "haíresis" diferente da nossa quando nos manifestamos "simplesmente" sem "visitar o espaço deles".

Paulo Silvano

Norma disse...

Paulo,

Acho que você me leu com certa má-vontade. É claro que só vou comentar as ideias de outros quando já li um bom número de vezes seus textos. O que quis dizer é que essa não é uma prática minha: visitar com certa frequência espaços de que discordo para "buscar" coisa para refutar, em um mode "cientista maluco": "Vejamos o que temos aqui, nham nham nham." Até porque minha reação, depois de um certo tempo, é de tristeza. Na época em que escrevi sobre o blog Outro Deus (e de fato mergulhei naquele espaço), ficava pensando e repensando antes de dormir, as ideias iam e vinham na minha mente, com suas consequências, e aquilo me deixava muito deprimida. Então, sim, posso dizer que evito entrar em contato com autores de teor liberal ou que trocam a teologia saudável pelo esquerdismo, A NÃO SER quando algo chega até mim e me chama muito a atenção, algo que me faz estabelecer um padrão comparativo com tudo o que já conheço - as leituras que fiz na faculdade, sobretudo.

Sobre a hairesis, quando você diz "diferente", está excluindo o certo e o errado? Hummm... Quanto à sua sugestão, nada posso comentar sobre ela, a não ser que você me diga exatamente onde há pecado em minha leitura do post de Gondim. Senão, isso parece sugestão de acusação vazia, isso sim. Assim como a tal "ausência de vida no corredor dogmático", acusação tão ampla que só serve mesmo para validar a sua posição de "heterodoxo corajoso que ousa desbravar os moinhos da teologia tradicional" e toda essa bobagem marxista (o puder, o puder!). Quem lança mão desses artifícios já começa a conversar achando que ganhou a parada simplesmente por ser "minoria" e ir contra o "mainstream", mas não percebe que trocou um mainstream por outro: o de uma igreja saudável e bíblica pelo "pluralista" do mundo.

Tuco Egg disse...

E lá vem, nos comentários dessa postagem, a pérola da direita: "os pobres sempre os tereis...".

Charles Fernando do céu, vc sabia que Jesus está citando um texto da Deuteronômio? E sabe o que mais esse mesmo texto diz?

"Assim, não deverá haver pobre algum no meio de vocês, pois na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes está dando como herança para que dela tomem posse, ele os abençoará ricamente,
contanto que obedeçam em tudo ao Senhor, ao seu Deus, e colocarem em prática toda esta lei que hoje lhes estou dando." Deuteronômio 15:4-5

Portanto, meu amigo, sempre haverá pobre porque a crentaiada não obedece. Porque é conservadora e avessa àquilo que Deus queria desde o VT.

Abraço.

Norma disse...

Eu também acho esse uso do versículo super furado, Tuco Egg. Por outro lado, a crentaiada não só não obedece, mas assume a crença no Santo Marx achando que está obedecendo. Se obedecesse, não haveria gente passando necessidade no banco ao lado da igreja.

Então, discordo tanto da interpretação "sempre vai ser assim" quanto da interpretação coletivista "não é para ser assim em escala mundial e é Papai Estado que cuidar dos pobres".