14 março 2014

O que as escolas estão fazendo com nossas crianças

Pais reclamam que livros didáticos fazem apologia ao diabo. E não são pais evangélicos necessariamente! Essa reportagem informa que livros adotados em uma escola municipal de Taubaté (SP) trazem conteúdos muito esquisitos. Um deles diz (errando vergonhosamente a colocação da vírgula): "A letra T é de um tridente, - cruz não!!!" E outro ensina a ver o futuro nas tripas de animais mortos, recomendando a compra de um coelho escondido para a mãe não ver!

Como chegamos tão baixo na educação pública? Além de contrariar diretamente símbolos e valores cristãos, esses livros parecem nada ensinar que preste. (Mais sobre isso no Brasil: não deixe de ler a obra de Solano Portela, O que estão ensinando os nossos filhos, com a capa mais criativa e engraçada do mundo.)

Um amigo me mandou uma outra matéria, citada em um blog francês. O ministro da educação Vincent Peillon defende um projeto de lei literalmente revolucionário. Ele declara abertamente que é necessário "matar o catolicismo" para que a França seja um "país de liberdade". (A Reforma não colou muito bem por lá, apesar de Calvino ser francês, como sabem.) E essa destruição se dá na mente das crianças matriculadas na escola pública. A idolatria da educação se revela na ideia de que a escola deve libertar os estudantes "de todos os determinismos: familiar, étnico, social, intelectual", para "permitir a cada aluno emancipar-se", pois "o objetivo da escola republicana sempre foi o de produzir um indivíduo livre". Os inimigos são a família, o passado, as tradições. Já sabemos que os franceses não aprenderam nada com a Revolução Francesa. E agora, seu governo não esconde que deseja uma escola que seja um veículo para uma nova religião anticristã.

Levantando-se contra o cristianismo, está a velha (sim, desde o século XVIII pelo menos) religião da liberdade, descrita por Herman Dooyeweerd na lista dos ground motives, ainda em vigor hoje. Está inserida no dualismo Natureza versus Liberdade, e como tal, precisa se insurgir contra o cientificismo embutido no outro lado. E de fato esse dado aparece nas palavras do ministro (adoro quando isso acontece: momentos de verdade!). Segundo a matéria, diz Peillon em um livro chamado A revolução francesa não terminou (mais emblemático, impossível):

Se seu alvo é eliminar tanto o determinismo religioso quanto o determinismo científico, a síntese republicana se vê obrigada a inventar uma metafísica nova e uma religião nova, em que o próprio homem [...] surge como um infinito que sem cessar 'escapa a si mesmo', nas palavras de J. Lagneau. Essa religião não é a religião do Deus que se faz homem, nem a religião do homem que se faz Deus. Mas é uma religião do homem a ser feito, em um movimento sem repouso. [...] O que falta no socialismo, para firmar-se como o pensamento dos novos tempos, é uma nova religião [....]. A laicidade pode então surgir como a religião da República, que tem sido buscada desde a Revolução. [...] Cabe ao socialismo encarnar a revolução religiosa de que a humanidade necessita, sendo ao mesmo tempo uma revolução moral e uma revolução material, colocando-se a segunda a serviço da primeira.

Algumas notas:

- Ainda que o leitor disponha de citações somente, já dá para perceber que o texto do ministro da educação francês é tão chinfrim quanto o texto de muitos dos nossos intelectuais socialistas.
- Como essas mudanças vão ocorrer na prática? Um novo calendário, uma nova moralidade e muitas cabeças rolando, como nos tempos de Robespierre?
- Claro, a matéria revela que a "identidade de gênero" também é um dos "determinismos" a serem destruídos na cabeça dos alunos. A começar da escola primária!
- Sim, socialismo é isso: uma reedição dos ideais da Revolução Francesa. O Estado se encarrega de criar o Novo Homem desde os anos da infância, dispondo sem freios de todo o poder necessário para tal. Inclui-se nisso a eliminação (termo do ministro; releia a citação grande anterior) de todo pensamento discordante (e quiçá dos próprios pensadores, se não fisicamente, pelo menos simbolicamente). Está tudo ali, claro como água. Sinto muito, intelectuais brasileiros, mas pelo menos na França existe gente que tem coragem para dizer as coisas mais abertamente. O que, é claro, não torna as coisas melhores, mas pelo menos mostra ao povo cristão o que haverá a ser enfrentado.
- Sabem aquela música do Pink Floyd, Another Brick in the Wall part 2? Essas gerações superideologizadas nas escolas vão acabar cantando isto para esses socialistas carolas - assim como os filhos dos hippies tenderam para valores mais sólidos. Afinal, quem gosta de ser considerado uma caixa vazia e inerte onde vão se jogando coisas? Ninguém.
- O pêndulo nunca pára. Isso tem tudo para dar errado, como sempre dão, um dia, todas as idolatrias, graças a Deus.

4 comentários:

Magda Nascher disse...

Sim, estão massacrando nossas crianças, não podemos permitir.
Por favor peço que votem essa petição contra a ideologia do gênero. "Vários deputados afirmaram que são favoráveis à obrigatoriedade da insersação da Ideologia de Gênero. Além disso, o relator da comissão, o deputado Álvaro Vanhoni, do PT do Paraná, adotou a mesma posição defendida pelo presidente da ABGLT, ou seja, a defesa da inclusão da Ideologia de Gênero no sistema educacional brasileiro. " PAra votar e mais infs. nesse link: http://www.citizengo.org/pt-pt/5312-ideologia-genero-na-educacao-nao-obrigado

Obrigada ;)

Lazzarus disse...

Às vezes penso que temos muito de "1984", cerceamento da privacidade, uma pretensa liberdade de pensamento... Isso acontece quando o Estado tenta banir Deus, seu criador. Tá tudo errado.

Marcio Estanqueiro disse...

Olá Norma, excelente artigo!
Na verdade o que acredito é que tentam negar de qualquer forma o Conservadorismo. Se eliminarem todo e qualquer determinismo onde é que eles vão se agarrar, em qual verdade? Isso por si só já cria um sentimento de causa e efeito. Esse pessoal está perdido, e a sua megalomania insiste em querer usar nossos filhos como cobaia. Abs.

Norma disse...

É isso mesmo, Marcio...