29 abril 2011

O oportunismo dos que mandam no país

Pouco tempo depois da tragédia na escola de Realengo, quando aquele rapaz desequilibrado matou doze crianças com uma arma de fogo, fiquei estarrecida quando li que os oportunistas de plantão começaram a usar a notícia para ressuscitar a questão do desarmamento.

Não se conformam com a decisão do povo, não é? E nem se importam com o péssimo gosto do procedimento, nem com o raciossímio por trás da lógica: “Se tem gente que mata, vamos sumir com os instrumentos que essa gente usa.” Teriam então que sumir com facas, pedras, cordas, automóveis… assim como faz a mãe que tem filho pequeno dentro de casa. Até quando seremos tratamos como imbecis enquanto os criminosos não são nem pegos, nem coibidos, nem punidos adequadamente?

Renato Pacca, colunista do Globo, tratou brilhantemente a questão aqui. Não deixe de dar uma olhada. Os comentários também estão brilhantes, inclusive o de um advogado que menciona uma repassagem de algumas armas (daquelas que foram entregues às autoridades por cidadãos de bem na campanha do desarmamento, lembra?) para criminosos. Sim, você leu direito! A campanha do desarmamento contribuiu para passar armas de cidadãos para bandidos. Isso diz alguma coisa sobre o que está por trás dessa obsessão com o desarmamento, não diz?

Tudo isso só mostra, mais uma vez, o que eu venho sempre dizendo aqui no blog: hoje, quem não superar os raciocínios rasos e ideológicos do Politicamente Correto vai ser devorado com batatinhas fritas por essas cobras que mandam no país e no mundo.

Não deixe de ler a esclarecedora entrevista no Mídia sem Máscara com Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil.

20 comentários:

Felipe(soldado de cristo) disse...

Concordo.desarmamento é o mesmo de desarma o cidadão e armar o bandido

Marcos Sampaio disse...

Nani,

Infelizmente o povo tem colocado o cérebro na fila do INSS com uma enorme preguiça mental e não conseguem discernir as tolices pérfidas que se mascaram de preocupação popular. Gostei do texto recomendado!

Um forte abraço,
http://marcoszine.blogspot.com

Edson Camargo disse...

Reacionária! Medievalesca! Escravocrata!

Norma disse...

Marcos, você errou a autora. :-) Mas postei mesmo assim, caso não tenha errado de post. ;-)

Edinho, "medievalesca" e "escravocrata" são insultos novos pra mim. Hahahahaha!

José Roberto disse...

Aliás, quem conhece história sabe: Criar um problema e, em ato seguinte, apresentar a solução, não é uma estratégia política inovadora.

Dom Bertrand de Orleans, (Príncipe Imperial do Brasil), numa entrevista esclarecedora, menciona Hitler e a importante campanha de desarmamento que antecedeu a morte de milhões de pessoas inocentes.

Segue abaixo link da entrevista com as impressionantes declarações de Dom Bertrand de Orleans:

http: // youtu.be/Ut1198tVd-Q

Esli Soares disse...

Como eu disse lá no FB, eu sou plenamente a favor do desarmamento, a começar com o desarmamento dos corações e então o desarmamento das mãos será automático. Sobre tudo quando ele é oportunista e eleitoreira, como claramente se vê na fala do Wadih Damous e do sábio e letrado imortal (acho que de fato) José Sarney.

Tenho pensado muito nessa temática (confesso que falei para minha mulher de comprar uma espingarda - pura tentação infantil, coisas do GI Joe), mas quando se junta artistas, intelectuais, políticos, ONG's propondo uma ideia, em geral me coloco contra quase que no automático!

Que a violência precisa ser combatida é óbvio, mas isso não é uma temática simples, que apenas um referendo vai resolver (de novo), é preciso fazer algo sério e eficaz no contexto brasileiro atual. De certo acabar com o comércio legal de armar não é algo válido; boa parte das armas usadas em ações criminosas são contrabandeadas. Dar um brinquedo ou dinheiro por uma arma parece não surtir efeito desejado, afinal o “rapaz” que atirou na escola em Realengo, comprou os revolveres da mão de pessoas que as tiveram a oportunidade de se desfazer delas nas campanhas de desarmamento.

A maior presença do Estado, e da Governança, mais policiamento na rua, policia mais preparada, conjuntamente com mais educação, mais oportunidades, mais empregos, podem oferecer um melhor resultado, como bem mostra a idéia das ações no Rio de Janeiro como policiamento pacificador.

O mal vai continuar a existir (nessa nossa realidade) e por mais que se façam campanhas e ações, seja quais forem, nenhuma delas vai acabar definitivamente com a criminalidade. Por isso, debaixo desse Sol, nos cabe escolher entre o ruim e o menos pior, sabendo que só Deus é capaz de desarmar os corações dos homens e acabar por completo com a violência, por isso não aprovo o desarmamento das mãos por esse arremedo de legalidade.

Confiando que a Paz só Deus nos dará, abraços.

Esli Soares

Gustavo Gama disse...

Olá Norma,

Post interessante e discussão mais interessante ainda. Acho que você tem razão quanto ao oportunismo para se fazer um novo referendo sobre o desarmamento, há quase 6
anos atrás a população brasileira decidiu por maioria que não quer se desarmar, não me parece razoável fazer hoje um outro referendo, as condições não mudaram tanto
assim para que se suponha que o resultado seja diferente.

Sempre que vejo um cristão querendo se armar automaticamente vem a minha mente dois ensinamentos de Jesus de Nazaré. Na minha opnião são os mandamentos mais difíceis
que ele ensinou para seus discípulos e portanto têm sido os mais negligenciados por nós ao longo da história.

"Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe
também a outra; e ao que quiser levar-te ao tribunal, e tirar-te a túnica deixa que leve também a capa; e se alguém te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele
dois mil"

"Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem; para que
vos torneis filhos do vosso Pai que estás no céu; porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz chover sobre justos e injustos".

Essas duas falas de Jesus foram ditas no seu famoso sermão do monte e o que está transcrito acima foi registrado no evangelho segundo Mateus.

Tentando contextualizar o primeiro mandamento para a questão das armas acho que o Nazareno quis dizer mais ou menos o seguinte:

"Se alguém atirar na sua perna esquerda oferece-lhe também a direita" ao invés de "Se algém atirar na sua perna esquerda, atire você também na perna esquerda dele".

Portanto se vou obedecer o Senhor não vou precisar de nenhuma arma pois não vou precisar atirar, vou precisar "simplesmente" oferecer a outra perna.

Sei que uma situação de violência real (e não hipotética como a situação acima) é mais complexa podendo envolver pessoas que amamos, pessoas "inocentes" e o tiro pode ser num lugar mais importante do que a perna. Admito que
numa situação real de violência existe uma complexidade maior mas não me parece bom que um cristão fale de armamento/desarmamento sem sequer citar esses fundamentos da sua fé. Por isso gostaria de lhe pedir que inclua esses fundamentos da fé cristã em sua análise.

Talvez seja isso que o Esli Soares quis dizer com o "desarmamento dos corações", e se ele tem que começar que seja com os cristãos :)

Um abraço !!

André disse...

Olá, Gustavo!

Saudades de você, velho amigo. Prometo que vou te escrever nos próximos dias.

Agora, sobre o assunto em pauta, quero dizer apenas duas coisinhas.

1. Ao contrário do Esli, não acho que o desarmamento dos corações deve conduzir necessariamente ao desarmamento das mãos. Uma das razões é que, como você apontou, as situações concretas são mais complexas, e muitas vezes envolvem mais gente. Os textos que você citou talvez nos deem a opção de não lutar por nossa própria vida, mas não autorizam que nos abstenhamos de proteger a integridade dos outros. Só para exemplificar, "a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe
também a outra" é bem diferente de "a qualquer que estuprar tua mulher, oferece também tua filha". Essa diferença, por si só, me convence de que um pai de família cristão pode ter uma arma em casa. E talvez até deva, dependendo das circunstâncias.

2. Supondo que os versículos citados por você tornem impossível a um cristão ter armas em casa, resta saber se é da vontade de Deus que a ordem de amar o inimigo a ponto de não lutar pela própria vida é o tipo de coisa que Deus deseja ver imposto a todo um país, inclusive aos descrentes, por força de lei. Eu sustento que nem todos os preceitos morais do cristianismo estão sujeitos à jurisdição do Estado. Com isso, surge a possibilidade (que considero concreta, no caso) de o Estado estar interferindo em uma área sobre a qual Deus não lhe deu autoridade.

Bom, por enquanto é isso. É muito bom ver você por aqui. Um grande abraço, e até logo!

Norma disse...

Olá, Gustavo!

Sim, penso como o André. E só para acrescentar: gostei muito do comentário do Esli, com a ressalva de que só creio que poderemos andar de mãos e corações totalmente desarmados para todo mundo no céu. Enquanto estamos aqui, devemos ser simples como a pomba e prudentes como a serpente, sabendo que o Maligno usa também de pessoas para nos destruir, física, psicológica e espiritualmente.

Quanto à espada, precisamos de um estudo sério sobre Lucas 22.36-38 (em que Jesus diz aos discípulos que comprem espadas) e Mateus 26.52 (em que Jesus diz "porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão"). Acredito que, no primeiro caso, havia a necessidade de portar um instrumento de autodefesa (coisa mais que comum no passado e hoje ainda comum em muitos países, e que anda desacreditada no Brasil), enquanto no segundo houve a necessidade de mostrar aos discípulos que não se poderia lutar contra a injustiça por meio da espada. No primeiro caso, um alerta a quem poderia transformar Mateus 5.39 em um descaso total com a autodefesa e a sobrevivência de si mesmo e dos seus (como André bem mostrou); no segundo, um alerta a quem - como os revolucionários de esquerda, por exemplo - está pronto a usar de violência para mudar uma situação de opressão. Obviamente, essa é apenas minha intuição primeira sobre a Palavra, que precisa ser confirmada por meio de um estudo de comentários que tratem do assunto. Quando eu fizer esse estudo, escrevo outro post. ;-)

Abraços!

Tiago Cesar disse...

Boas discussões nesse blog que há algum tempo venho seguindo. Desse post, o que mais me agradou foi ver a discussão nos comentários a partir do Esli, que, de certo modo, incluiram mais Deus e o que ele pensa sobre a questão. O fechamento com a resposta de Norma a Gustavo certamente foi bastante pontual.

É sempre bom podermos pensar as questões do mundo com "nossa visão a mais". Com isso quero dizer que além de meras opiniões (geralmente repetições da mídia tagarela), ou além de argumentos supostamente validados pelas ciências (essa história de ciência como prova de qualquer coisa ninguém merece, né?...), temos a "nossa visão a mais", que nos permite enxergar o mundo, ainda que imperfeitamente, sob a ótica de Deus. Daí sim nossa discussão também terá em seus efeitos algo a mais pra dar ao mundo...

Em suma, quis dizer que gosto de ver quando vocês tratam nossos problemas atuais, relacionando-os diretamente com as Escrituras. Isso mostra o quão viva e útil ela permanece e é.

Abraços! Deus seja convosco!

Mulher na Polícia disse...

Oi amiga linda!!!

Vc voltou!!!

Olha... eu acho chocante saber que os apóstolos, ou discípulos, enfim, os followers de Jesus Cristo andavam armados. Acho isso muito estranho. Mas então vou te contar uma piada.

Conta-se que Jesus chamou os seus discípulos para uma reunião de emergência, devido à questão do desarmamento no Brasil. Depois de muito pensar, chegam à conclusão de que a melhor maneira de combater a situação e resolvê-la definitivamente era analisar as armas eles mesmos e depois tomar as medidas adequadas. Decide-se que uma comissão de followers desça ao mundo e recolha diferentes armas. Efetua-se a operação secreta, para não chamar a atenção dos religiosos e alguns dias depois começam a regressar os comissários. Jesus espera à porta do céu, quando chega o primeiro servo:

Quem é? Sou Paulo Escobar. Jesus abre a porta. E o que trazes, Paulo? Trago uma espada que comprei no Museu das Cruzadas. Muito bem, filho. Entra.

Quem é? É você Pedro??? Pedro coisa nenhuma, Meu nome é Zé Pequena Fé. Jesus abre a porta. E o que trazes, Pedro? Trago um fuzil AR 15 apreendido numa igreja do morro do Alemão, e como tu sabes todas as coisas, sabes que nenhum cristão mora no morro, por mais mané que seja, sem ter um fuzil para se defender. Muito bem, filho. Entra.

Quem é? Sou Tiaguinho Beira Mar da Galiléia. E o que trazes? Trago uma Tauros 9 milímetros do Paraguai que é bem pequenininha e cabe direitinho na bolsa da minha mulher. Entra.

Quem é? É o Marcola. E o que trazes, Marcos? Trago uma Bazuca que comprei das FARC na Colômbia, onde aprendi que “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Muito bem, filho. Entra.

Quem é? Sou Mateus Maluco. E o que trazes, Mateus? Trago uma bombinha atômica do Irã porque lá essa arma já está liberada é só dar o número da identidade. Muito bem, filho. Entra.

Quem é? É o João e eu já disse pro senhor que meu nome não é Jonhy. Jesus abre a porta e pergunta de novo: E tu, o que trazes, Jonhy? Trago um carregamento de Glock de Nova York, que estava em promoção “compre uma e leve três carregadores com 18 tiros cada!”. Muito bem, servo bom e fiel. Entra.

Quem é? Sou Lucas the Kid. E o que trazes, Lucas? Trago uma submetralhadora HK MP5 de dois gumes da Alemanha. 800 tiros por minuto!!! Muito bem, filho. Entra.

Quem é? Sou Judas Skywalker. Jesus abre a porta. E tu Judas??? Ainda estudando pra concurso, não sai mais com a galera... Mas entra aí... O que trazes? POLICIA FEDERAL!!! TODO MUNDO NA PAREDE, MÃO NA CABEÇA! ENCOSTA AÍ CABELUDO! A CASA CAIU!"

Tipo, a piada é velha, só o contexto que mudou... né não?
kkk

Beijo p 6.

Esli Soares disse...

Amigos:

Só para esclarecer: eu não quis dizer que os cristãos é que devem começar o desarmamento (das mãos), eu disse que mãos desarmadas serão um resultado de corações desarmados, isso também dizer que enquanto houver violência precisaremos de armas (sejam balas, espadas ou punhos). E mais, acrescentei que só Deus é capaz de realmente desarmar os corações (acabar definitivamente com a violência), acho que deixei isso muito claro quando disse:

O mal vai continuar a existir (nessa nossa realidade) e por mais que se façam campanhas e ações, seja quais forem, nenhuma delas vai acabar definitivamente com a criminalidade. Por isso, debaixo desse Sol, nos cabe escolher entre o ruim {ficar a mercê da violência} e o menos pior {ter o direito de se defender mesmo que com uma arma de fogo e com todos os risco que isso envolve}... por isso não aprovo o desarmamento das mãos por esse arremedo de legalidade.

Creio plenamente que só quando Senhor reinar em definitivo é que poderemos andar sem armas nas mãos, pois só assim não haverá corações armados (Ap 21). Antes disso, não, já mais! Com isso não estou dizendo que devemos voltar ao “faroeste”, e decidirmos todas as questões na bala, a Lei, o Direito e a Restrição e Normatização também são armas e eu não estou disposta a abrir mão (de nenhuma) delas...

Armas de fogo são perigosas, é uma verdade. Há risco de acidentes fatais; elas induzem a fazermos “justiça com a s próprias mãos”, basta lembrar do policial atirando a queima roupa num garoto de 14 em Manaus (independente dos motivos), elas também trazem consigo a sensação de segurança que pode ser bem falsa (dependendo do caso), por ex. numa invasão noturna, vc será alvo fácil de um bandido - estará dormindo – seja vc dono de uma Bereta legalizada ou não; um cachorro bem treinado ou um alarme de invasão podem te ajudar muito mais. Armas não são brinquedos, e matar, mesmo um bandido, não é algo simples, converse com que já teve essa experiência (militares são treinados para isso exaustivamente!).

Mas nada disso é argumento suficiente para se tomar um direito (o da autodefesa) de alguém; ora desarme os bandidos primeiro, depois eu penso em me livrar das minhas armas! Vejam só o contra-senso (dos oportunistas): cigarros e bebidas alcoólicas podem matar, e, com efeito, matam muito mais que armas (legalizadas) de fogo; cadê então o plebiscito para proibirmos a comercialização desses itens em todo o território nacional? Vamos fazer uma campanha nacional da desembriaguez! E o que dizer das mortes no trânsito? Quase meio milhões de jovens morrem todo ano em acidentes automobilísticos, porque não proibir o comércio de veículos então? Outro exemplo bem esdrúxulo, mas que bem mostra a falta de critério, olhem as campanhas contra a AIDS, distribuí-se camisinhas e seringas descartáveis (milhões são gasto nisso), porque não tornam crime (lembrando que isso já foi considerado crime) o sexo fora do casamento (a promiscuidade e o adultério) e o uso de drogas?

Volto a dizer: de baixo desse sol temos que pensar em custo x benefícios, não teremos nada realmente (e totalmente) bom aqui (afinal, nem todos são chamados para serem santos – quem lê entenda!), mas podemos – e devemos optar por ações mais eficientes. Sejamos inteligentes, desarmar o cidadão de bem, é no máximo de bom, impedir apenas um pequeno número de mortes eventuais, e, talvez, acabar com uma pequena fonte de armas para o crime na Brasil, nada mais! Fazer algo assim não é combater a criminalidade e a violência efetivamente. Não é minimamente inteligente começar por aí, basta pensar um pouco... me diga vc tem armas? Então pense em que o desarmamento civil vai melhorar a segurança da sua vida.

Em Cristo, portando sempre (somente) a arma do Espírito!

Esli Soares

Norma disse...

Mulher na Polícia: muito boa a piada! :-D Você acha estranho os discípulos andarem armados? Eu acho que o porte de armas de autodefesa sempre foi uma necessidade em todas as épocas, só em nossa cultura que achamos estranho. Na Idade Média, o sujeito que viajava e voltava são e salvo, sem ser morto nem estropiado por ninguém, era considerado um sortudo, por exemplo. Nesses casos, a autodefesa era imperiosa. Penso se não estamos voltando lentamente à barbárie...

Esli: sim, sim. Sou contra o desarmamento, ponto. Por todos os motivos que vivo listando em meu blog. Agora, será que os cristãos deveriam andar armados? Essa é outra questão. Nos Evangelhos, ficamos sabendo que os apóstolos andavam com espadas, sim, por ordem direta do próprio Jesus. Mas será que é uma regra para todo cristão? Esse estudo precisa ser feito com muito cuidado. Não foi minha intenção tocar nesse ponto no post. Do ponto de vista da soberania das esferas (cf. Kuyper, Calvinismo), é errado que o Estado queira desarmar os cidadãos. Se a Palavra dissesse que não devemos andar armados, seria Deus exercendo sua autoridade sobre seus filhos; se o Estado diz que não podemos andar armados, é o Estado que usurpa esse direito (que é de Deus) e cerceia a liberdade onde não deve, invadindo a esfera pessoal e familiar.

Quanto a mim, não pretendo andar armada, nem eu nem meu marido, mas creio que esse direito não deva ser negado ao cidadão de bem, tal como não é negado em muitos países com criminalidade bem mais baixa que a nossa. Penso sobretudo nos fazendeiros que não contam com proteção adequada e sofrem invasões do MST com a conivência das autoridades. Acho muito injusto que eles sequer possam se defender.

Mas estamos em uma época em que os bandidos têm mais direitos que os cidadãos de bem. Assim fica muito complicado levantar a voz contra pensamentos verdadeiramente criminosos que circulam por aí, promovidos pelo governo.

Abraços!

Esli Soares disse...

Norma

Penso que em não havendo restrição bíblica direta e, constando inúmeras passagens exemplificativas e descritivas a favor, não vejo pq considerar que o cristão não tenha o direito (falo em relação a sua vida cristã, santidade, espiritualidade, que é o que importa mesmo, nossa posição diante de Deus) ao porte (e uso, se necessário) de armas de fogo.

Em Cristo, aquele que porta a Espada (Ap 2;12)!

Esli Soares

Gustavo Gama disse...

Salve Andrezão meu amigo, saudade de você também seu Negolee, vamos trocar uns e-mails para botarmos a conversa em dia. Olá Norma, ó eu de novo xeretando por aqui....

Em primeiro lugar, estou feliz que essas difícies palavras de Jesus estejam participando dessa discussão.

Andrézão, entendi seu primeiro ponto, de que a integridade das pessoas que amamos justifica termos alguns mecanismos de proteção (uma arma em casa por exemplo).
Como você bem colocou o mandamento que Jesus transmite é pessoal e até onde me lembro Ele não falou nada específico sobre a proteção ou não de entes queridos.
Só não estou muito certo se mesmo me sendo lícito defender minha família com uma arma de fogo eu seguiria esse caminho. A interpretação pessoal que faço do novo testamento me estimula a ir noutra direção. Lá eu vejo Jesus e seus discípulos se tornando vulneráveis ao invés de se protegerem. Paulo disse que mesmo Jesus sendo Deus se esvaziou e adquiriu uma frágil forma humana. A tradição conta que todos os discípulos, exceto João, sofreram mortes violentas, além deles provavelmente muitos outros discípulos e suas famílias foram mortos pelas perseguições. Não me lembro de relatos mostrando os discípulos portando armas ou matando para se defender. Na única
vez que tentaram fazer isso, num dos textos citados pela Norma, Jesus os repreendeu com uma advertência.

Quanto ao segundo ponto concordo plenamente contigo. Os mandamentos de Deus e as leis no estado laico devem ser coisas bem diferentes. Esses ensinos que citei
foram transimitidos aos discípulos e eles tem a missão de vivê-los e quem sabe conquistar o coração de outras pessoas com seu exemplo. Conquistar e não impôr
na forma de uma lei. Citei esse dois ensinos de Jesus apenas como pontos importantes que os cristãos devem levar em consideração na hora de se decidirem se devem se armar ou não. Não tenho nada a acrescentar à questão do referendo, inclusive, como disse, acho injusto quererem fazer um outro referendo em espaço tão curto de tempo. Soa como um desrespeito a maioria que venceu em 2005.

Norma, eu não me lembrava desse texto em que Jesus manda seus discípulos comprarem uma espada cada um, bem lembrado. É preciso fazer um confrontamento entre eles pois ambos parecem defender principios contrários. Corrija-me se eu estiver errado mas se nas condições normais (sem portar arma) já é extremamente difícil oferecer a outra face, portando uma espada ou revólver isso me parece praticamente impossível. Na verdade quando alguém porta uma arma está passando um recado claro do tipo "não ouse tocar em mim ou nos meus pois estou pronto a aplicar a lei do olho por olho e dente por dente e prejudicá-lo com a mesma intensidade que você me prejudicar". Jesus ensinou no sermão do monte que seus discipulos não devem aplicar essa lei e sim a lei da outra face.

Confrontando os dois textos, a princípio, fico propenso a dar mais peso ao que é ensinado no sermão do monte que me parece mais extensivo e substancioso, sendo que o próprio Jesus de Nazaré encarnou esses 2 princípios em Sua vida entre os humanos. De toda forma um estudo mais aprofundado é muito bem vindo, podendo lançar mais luz sobre esse assunto.

Acho que no outro texto Jesus está alertando Pedro para um principio geral, uma variação da regra de ouro que Ele já tinha enunciado no sermão da montanha (Portanto tudo que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles). Algo como: "O que você fizer aos outros certamente acontecerá com você". A meu ver isso vale para os revolucionários de esquerda que querem pegar em armas para mudar o status "quo", para os reacionários de direita que querem pegar em armas para manter o status "quo", para os assassinos sem ideologia e para o cidadão "comum" que encurralado pela escalada de violência na nossa sociedade decide também pegar em armas.

Um forte abraço e que Deus continue abeçoando vocês 2 ;) Até logo...

André disse...

Caro Gustavo, vamos lá, mais uma vez.

1. Eu citei o mandamento hipotético "a qualquer que estuprar tua mulher, oferece também tua filha" pensando que a situação seria ridícula o suficiente para que você percebesse os absurdos a que sua posição leva. Como não funcionou, serei mais claro. Se você chega em casa do trabalho e encontra um larápio qualquer em cima de sua esposa, a ponto de estuprá-la, tem apenas duas opções. A primeira é defendê-la, seja com um revólver, uma faca de cozinha, um cabo de vassoura ou os próprios punhos. Nesse caso, sem dúvida, você não estará tratando o criminoso como gostaria de ser tratado. A outra opção é você, preocupado com o pobrezinho, ir dar uma volta para deixá-lo à vontade com sua mulher. Nesse caso, você não estará tratando sua esposa como gostaria de ser tratado. Em qualquer caso, seguindo a sua linha de raciocínio, você estaria violando o mandamento de Cristo. Resta apenas saber a quem você deve dar prioridade: à esposa que Deus te deu com a recomendação de que você a proteja, ou ao bandido que invadiu sua casa. Para mim, a resposta é mais que óbvia.

Note duas coisas. Primeiro, que seu argumento já não tem a ver com a questão da posse de armas somente, mas de toda forma de autodefesa, mesmo as que não matam (ou não ferem gravemente) o agressor. E segundo, não há nada parecido com isso no Novo Testamento ou nos casos que você mencionou. Cristo e os apóstolos morreram porque despertaram o ódio dos ímpios ao pregar as verdades de Deus, e não porque alguém tentou assaltá-los ou coisa do tipo. E nada é dito em parte alguma sobre as atitudes deles em relação a suas famílias. Quanto a isso, o que você disse é apenas uma especulação. E sim, Jesus mandou dar a outra face: mas a sua, não a das pessoas que você deve proteger. Pensar qualquer outra coisa é como achar que é lícito fazer caridade com o dinheiro dos outros. O problema todo é que você parece achar que não estaria prejudicando ninguém ao deixar que bandidos façam o que quiserem com pessoas que você poderia proteger.

2. Sua posição quanto a um possível novo referendo ficou bem clara. Eu apenas disse o que disse para esclarecer que não acho o principal problema seja a ocorrência passada recente de outro referendo. Acredito que Deus não deu autoridade a Estado algum para impedir a autodefesa dos cidadãos. Sendo assim, o referendo de 2005 não devia sequer ter existido.

Abraços!

Gustavo Gama disse...

Salve Andrezão !!!

Você se fez muito claro com o "a todo que estuprar sua mulher oferece também sua filha" veja numa das minhas frases, como concordei contigo.
"Só não estou muito certo se mesmo me sendo lícito defender minha família com uma arma de fogo eu seguiria esse caminho". O que eu esqueci de escrever e depois fique até um pouco incomodado por não ter escrito é que estou disposto a defender minha vida e dos meus próximos, porque mesmo sabendo que devo oferecer a outra face,
existe nessas situações extremas que você citou, os princípios da defesa da vida e da justiça. Que nesse caso sobrepujam o principio da "outra face". Resumindo então,
se eu estiver na posição de evitar uma injustiça devo estar pronto a agir para tal. Sem esse esclarecimento fica absurdo mesmo o que eu estava falando e fica aquela
impressão de que não entendi o que você disse.

Minha única ressalva é de que não vou me armar para me preparar contra a possibilidade de uma desgraça como essa. Porque na minha opnião, isso não contribui para
uma sociedade mais segura e não ajuda a contruir no meu caratér a lei da outra face. Pois como disse num dos comentários que fiz num dos textos citados pela Norma, quando eu me armo estou me predispondo a mandar ver um "olho por olho e dente por dente". Essa é a interpretação que faço de alguém que pega em armas antes de uma situação de violência,
me corrija se eu estiver errado.

Depois disso falei da interpretação que faço do novo testamento, ai nesse ponto acho que me embananei e tornei minha argumentação confusa. Peço licença aqui para
tentar esclarecê-la. Primeiro, você tem razao nos seguintes pontos:

- Jesus e seus primeiros discipulos não moreram em virtude de assalto ou algum outro motivo "pouco nobre", morreram por causa de perseguição religiosa
- Minha afirmação a respeito da atitude dos discipulos em relação às famílias é pura especulação

O que quis transmitir é que mesmo Jesus e seus discípulos estando em contante estado de perseguição e ameaça as suas vidas e provavelmente de seus queridos (nisso
reside a especulação) eles não pegaram em armas (ou se pegaram não está relatado na Escritura e portanto é razoável supor que não faz parte das coisas que Deus quer nos ensinar),
e quando um deles resolveu pegar em armas para fazer justiça com as próprias mãos Jesus o advertiu.

Então, dando uma resumida, a violência em sociedade é inevitável, inclusive violência é usada para restabelecer a justiça. Na minha opnião um bom caminho a se seguir
como cristão é aplicar a lei da outra face e do amor ao inimigo nos casos não extremos em que ninguem corra o risco de morrer ou sofrer um dano severo e não me prover
de armas para lidar com os casos extremos de violência que eventualmente possam me assolar. Casos esses que estavam na iminência de ocorrer com os primeiros discipulos
e nem por isso há relatos deles se armando (exceto o texto citado pela Norma em que os discipulos, orientados por Jesus, compram 2 espadas).

Só uma observação: Vi alguns comentários dizendo que os discípulos de Jesus andavam armados. Se essa afirmação se baseia exclusivamente no texto da compra das espadas
acredito que essa afirmação deva sofrer uma dissecação. Alguns pontos:

- a compra dessas espadas ocorreu no final do ministério de Jesus e antes dessa compra os discipulos se expuseram a diversos perigos. O maior perigo na minha opnião é
a missão que Jesus deu a cada um deles de percorrer as cidades comunicando a boa notícia. Certamente uma missão de alto risco sem referência a nenhuma espécie de
armamento
- o texto não fala o que foi feito com as espadas, a gente pode especular que uma delas foi a usada por Pedro, que em seguida foi repreendido

Quanto ao segundo ponto, compreendido meu amigo!!!


Um forte abraço !!

Tiago Cesar disse...

Uau! Quanto mais os irmãos se aprofundam no debate da questão, mais percebo como nossa cosmovisão cristã é ampliada e extensiva.

Acredito no quão é importante essa discussão para compreendermos como Deus nos edifica e ao mesmo tempo aje em nossas vidas de forma especial e instruidora. À cada comentário os horizontes bíblicos sobre a questão aumentam e nos fazem pensar mais e melhor sobre o tema, sob uma perspectiva cristã.

Que Deus abençoe a vida de todos vocês e lhes dê cada vez mais o espírito de entendimento e de humildade diante da grandiosidade de sua Palavra! :)

Fiquem com Deus!

Aprendiz disse...

O texto em que Jesus diz aos discípulos que eles levarão alforjes e espadas, diferentemente do que fizeram no passado, deveria ser de interpretação fácil, mas parece estranho a nós por causa da situação peculiar de nossa época.

Quando lhes ordenou que nada levassem, nem mesmo provisões, dinheiro, que se carregava nos cintos, e mudas de roupa, Jesus lhes enviava as aldeias e cidades de Israel, isto, e, tudo dentro de casa, percursos bem curtos entre povoações próximas. A hospitalidade comum de judeus para judeus era o que devia ser esperado, e é que eles encontraram. E, dentro das cidades e aldeias, era incomum a violência.

Quando Jesus diz a eles que levem dinheiro, provisões e armas, esta falando de viagens longas que eles fariam no futuro, dispersos. Apontava primeiro que o ambiente na Judéia e Galiléia já não seria tão hospitaleiro. Apontava também, que o próprio país deixaria de existir e eles, judeus e crentes no Messiah, estariam sem uma base fixa, sem lugar certo, enfrentando a maldade do mundo hostil. Assim tem sido por dois milênios, tanto os judeus quanto os crentes em Jesus, e mais ainda os judeus que são crentes em Jesus, tem sido odiados neste mundo. Pois os judeus e o cristão são prova da veracidade da Palavra do Eterno, que o mundo quer rejeitar.
Para nos hoje pode parecer estranho, mas em tempos antigos, ninguém viajava desarmado por lugares ermos. Aqui mesmo no Brasil, a século e meio, qualquer pessoa que fizesse viagem longa pelo sertão não deixaria de levar uma arma de cano longo, própria para se defender de animais selvagens, mas também útil para afugentar ou enfrentar eventuais bandidos. Da mesma forma, na antiguidade, a segurança dos viajantes era função deles mesmos preferiam viajar em grandes grupos, os homens sendo responsáveis pela segurança de mulheres, crianças e idosos. Isso só pode parecer estranho a nos, que nos acostumamos a delegar o trabalho de nos proteger a outros.
Mas Jesus estava falando TAMBEM daquela situação especifica que estava para acontecer, quando ele seria preso como se fosse malfeitor. Os discípulos se manifestam dizendo que havia duas espadas a disposição, o que era normal, mas ninguém sentia necessidade de carregar armas na cidade, lugar considera seguro, em oposição às estradas e desertos e lugares fora das jurisdições das cidades, que eram o lugar de assaltantes e assassinos. Mas eles levam as espadas, mesmo indo apenas ate o jardim das oliveiras, nos arredores da cidade, onde nenhum cidadão pacifico, normalmente, julgaria necessário ir armado, para que estivessem como que parecidos com malfeitores, que sempre andariam armados, temendo ter de enfrentar a perseguição de guardas ou soldados se alguém os reconhecessem. Com sabemos, a intenção do Messiah não era resistir a prisão, mas cumprir a profecia.

Embora eu seja um literalista, e não esteja negando o significado primário do texto, interpreto, num sentido mais profundo, a referencia a vender a capa para comprar uma espada, como abandonar o conforto pessoal para se engajar na guerra espiritual, armado com o conhecimento da Palavra de Deus.

irmão Alex disse...

Salve Norma,

Quem me passou teu blog e essa discussão sobre "desarmamento" foi o Gustavo Gama. Gostaria de contribuir para a discussão com essa pequena parte de um artigo maior que escrevi quando Bush ainda era o presidente dos EUA. Mas as verdade apresentadas continuam válidas e meu desejo é apenas incentivar a discussão do tema;


Grande Abraço,

Alex do Blog http://ograndedialogo.blogspot.com/

DEVE O CRISTÃO PEGAR EM ARMAS?

Seria lícito a um crente, sob qualquer hipótese, tomar uma arma em suas mãos para com ela tirar a vida de outro ser humano?

Alguns escritores cristãos a partir do terceiro séculos deixaram registros deveras interessantes a este respeito como podemos notar pelas seguintes citações:

• “Seria lícito a qualquer cristão fazer do uso de uma espada sua profissão quando o próprio Senhor nos adverte que todos aqueles que lançam mão da espada à espada morrerão” - Tertuliano (155/160 – 220) citando Mateus 26:52

• “Pois nós não mais tomamos da espada para combater outra nação nem nos inclinamos mais na direção da guerra, pois nos tornamos filhos da paz, por amor a Jesus que é o nosso líder” - Orígenes (185 – 254)

O Senhor Jesus foi bem categórico a este respeito durante o assim chamado Sermão do Monte. Em Mateus capítulos 5 a 7 e outras passagens nós encontramos Jesus ensinando que:

• Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus – Mateus 5:9.

• Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas – Mateus 5:39 – 41.

• Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos – Mateus 5:44 – 45.

• Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas – Mateus 7:12.

• Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui - João 18:36.

O apóstolo Paulo também deixa claro que as armas da nossa milícia não são carnais (2 Coríntios 10:4), e que a verdadeira espada de cada cristão é a do Espírito Santo, i.e. a Palavra de Deus (Efésios 6:17). Talvez a contribuição mais significativa do apóstolo Paulo a toda esta questão tenha sido mostrar o que Jesus queria dizer ao ensinar “amai vossos inimigos”, conforme registrado em Mateus 5:44

. O comentário de Paulo acerca do que significa amar está registrado em 1 Coríntios 13: 4 – 8a onde lemos:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.

A pergunta que não quer calar é: Fazer guerra e promover a matança desenfreada de seres humanos é compatível com a descrição que Paulo fez acima do que implica o mandamento do próprio Senhor Jesus de que devemos amar nossos inimigos? Não me canso de me chocar vendo reportagens televisivas em que as mesmas pessoas que gritam o mais alto possível contra o aborto dos inocentes sejam os mesmos que gritam a favor da pena de morte e de se manter um poderio militar acima de qualquer outra coisa. É uma contradição típica da cristandade se dizer pró vida ao mesmo tempo em que apóia a matança generalizada em campos de guerra.

É tempo de tomarmos uma decisão baseada exclusivamente na ética ensinada no Novo Testamento. E a ética de Jesus é em suas próprias palavras a seguinte: o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las – Lucas 9:56.