27 fevereiro 2010

Esquerdismo assassino e seus cúmplices

Em artigo para o Boston Globe, o jornalista Matthew Price conta que perguntaram para o propalado historiador Eric Hobsbawn, leitura obrigatória nas universidades brasileiras, se a perda de vinte milhões de pessoas no regime comunista da antiga União Soviética havia sido justificável. Sem hesitar diante das câmeras de TV, Hobsbawn respondeu: “Sim.”

Há quem diga que o comunismo acabou, mas (que curioso!), mesmo morto, continua matando. Dias depois da publicação do artigo de Price, em março de 2003, houve a chamada Primavera Negra em Cuba, uma onda de prisões de dissidentes do regime castrista. Entre 75 outros cubanos, Orlando Zapata Tamayo foi preso. Seus crimes: “desrespeito, desordem pública e resistência”. Sua pena: 36 anos de detenção. No cárcere, vinha sofrendo graves espancamentos, maus-tratos e tortura psicológica. Quase sete anos depois, no dia 3 de dezembro de 2009, Tamayo decidiu que seu martírio não seria em vão: começou uma greve de fome pelo fim da ditadura em Cuba. O chefe da prisão resolveu “dar uma forcinha” para a greve e mandou que negassem água ao preso. Hospitalizado com falência renal, foi posto nu em um quarto com um forte ar-condicionado e contraiu pneumonia. Em seguida, sem tratamento, foi levado de volta para a prisão, largado para morrer. No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 85 dias sem se alimentar, Tamayo falece.

Diante do ocorrido, qual o veredito de Raúl Castro, irmão do ditador? “A culpa é dos Estados Unidos.”

Graças ao Senhor de toda a justiça, a morte de Tamayo está provocando protestos no mundo inteiro. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá exigem a libertação de todos os presos políticos em Cuba (duzentos, segundo os dissidentes). Na República Checa, o parlamento guardou um minuto de silêncio em homenagem a ele. Lech Walesa, líder que trabalhou pelo fim do comunismo na Polônia, está pressionando o governo cubano a favor dos encarcerados, e a Anistia Internacional se pronunciou sobre a repressão violenta do regime. A movimentação chega tarde demais, porém: desde 1957, a Cuba socialista já matou 17 mil diretamente e 83 mil no mar, tentando deixar a ilha.

E o Brasil, o que fez? Lula estava lá e, representando-nos, calou-se diante de tudo isso.

Conta o jornalista que Hobsbawn, cúmplice ideológico do assassinato de milhões de pessoas, alegrou-se muitíssimo com a eleição de Lula para presidente do Brasil. Compreende-se. Diante das mortes simbólicas e reais do mundo socialista, ambos se irmanam em suas justificações. Price também escreve que hoje poucas figuras da envergadura do historiador mantêm a mesma devoção ao comunismo. Isso certamente não é verdade no Brasil. Se fosse, o barulho em torno da morte de Tamayo seria maior. Bem maior. Haveria uma indignação gigantesca contra o silêncio conivente de Lula. ONGs fariam passeatas, ativistas de direitos humanos bradariam de horror. Entre os cristãos, haveria ainda mais protestos. Na igreja protestante brasileiras, pastores iriam a público pedir perdão a seus fiéis por terem apoiado Fidel e seus seguidores — Chávez, Morales, Lula. É isso que espero dos pastores brasileiros. Há muito tempo, na verdade.

E você, cristão esquerdista que apóia Fidel, que gosta de Lula, que anda com a camisa do Che, que louva as maravilhas do socialismo, já se informou? Já pediu suas desculpas em público? Até quando será cúmplice da tirania e do assassinato?

24 fevereiro 2010

Vamos testar a tolerância secular com uma música pop

Um dos maiores sucessos dos Titãs nos anos oitenta foi aquela música Igreja (tem no You Tube), que dizia:

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei

Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém!

Todo mundo adorava! Todo mundo ainda adora os Titãs e o compositor de Igreja, o hoje tão bonzinho, comportadinho e falandinho-de-amor Nando Reis. Mas, pensando bem, o que eles fizeram não é nada de mais. Pelo menos há uns cinquenta anos (pois é, cinquenta anos!), xingar a igreja, falar mal de padre e pastor e enxovalhar o cristianismo é moleza, lugar-comum e não choca ninguém. Assim, lanço aqui uma ideia que todos os cristãos conservadores, protestantes e católicos, poderão aproveitar: testar a tão propalada tolerância do secularismo politicamente correto com uma letra contracultural de verdade, desafiando a religião moderna. Vamos todos então cantar assim:

Eu não gosto de Lênin
Eu não gosto de Stálin
Eu não gosto do Che!

Eu não gosto do Chávez
Não gosto do Morales
Eu não sigo Fidel!

Eu não rezo pra Lula
Eu não voto na Dilma
Eu não sou do PT!
Não! Não!

Eu não gosto de Darwin
Eu não gosto de Dawkins
Nem do tal do big bang

Eu não sou feminista
Não aprovo o aborto
Eu gosto do neném!

Eu não faço parada
Eu não creio nas cotas
Nem festejo Zumbi!

Eu não gosto da esquerda
Eu não entro pra esquerda
Não sou comunistão!
Não!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
Não! Não gosto! Eu não gosto!

15 fevereiro 2010

Um belo texto americano para o Valentine's Day

Traduzido por mim daqui. 
O autor, Ray Ortlund, foi uma indicação do blog do John Piper.

Cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.
Efésios 5.33

Primeiro, Deus criou Adão e o colocou no Jardim com uma tarefa, uma missão a guardar. Sobre o coração de cada homem caído paira essa dúvida: “Sou homem o suficiente para escalar essa montanha para a qual Deus me chamou? Poderei cumprir meu destino?” A esposa sábia compreenderá essa dúvida nas profundezas do coração de seu esposo. E passará toda uma vida comunicando-se com ele em resposta, de várias maneiras: “Querido, eu acredito em seu chamado. Sei que você pode cumprir sua missão, no poder de Deus. Não desista.” Dessa forma, ela estará insuflando vida em seu amado.

Deus criou Eva a partir de Adão, para Adão, com a finalidade de ajudá-lo a cumprir a tarefa. Sobre o coração de cada mulher caída paira essa dúvida: “Você se agrada de mim? Eu sou o que você queria?” O esposo sábio compreenderá essa dúvida nas profundezas do coração de sua esposa. E passará toda uma vida comunicando-se com ela em resposta, de várias maneiras: “Querida, você é perfeita para mim. Eu amo você. Venha cá me dar um abraço.” Dessa forma, ele estará insuflando vida em sua amada.

03 fevereiro 2010

Coisinhas sobre mim

- Sou tão lenta para aprender as coisas que Deus resolveu compensar amorosamente essa característica, fazendo-me parecer dez anos mais nova. Assim, a passagem do tempo se torna um pouco menos evidente enquanto levo anos amargando as mesmas lições.

- Acho muito feio o uso do verbo “colocar” no sentido de “afirmar”.

- O reconhecimento público é algo que me emociona mais do que eu gostaria (por minha causa: medo do orgulho). Mas não me envergonho nem um pouco de me emocionar com aqueles programas de tv em que famílias unidas ganham casas, gente desconhecida canta bem e casais se reencontram (por causa deles mesmos: não preciso me preocupar com meu próprio orgulho).

- Se eu não me dedicasse às letras, seria musicista, talvez cantora lírica ou vocalista de banda folk-rock-celta-progressivo. (Cantando para louvar a Deus, claro! Se não, tudo seria muito sem graça para mim.) A única arte que eu amo mais que a música é a literatura.

- Odeio o vitimismo moderno. O aplicado vitimista (geralmente, de esquerda) é sempre sem noção. Por exemplo: um editor organiza e publica a única enciclopédia existente na atualidade sobre determinado assunto, convidando a si mesmo para escrever os verbetes mais importantes. No entanto, em cada um dos textos dele (e só nos dele), continua a se queixar de uma “univocidade” no meio, como se fosse o último dos excluídos da roda de experts.

19 janeiro 2010

Sobre o Haiti: leituras

Um olhar teológico acurado acerca da tragédia;

Mais considerações teológicas;

Uma análise que eu endosso inteiramente;

Um comovente pedido de ajuda de um pastor;

Amar o vizinho: longe ou perto (em inglês).

Há links para doação nesses sites. Se puder, ajude. E não pense "só posso orar": orar, nesses momentos, é tudo.

16 janeiro 2010

Nova postagem no Tamos lendo!

Inspirada pela introdução de um livro, decidi lançar uma campanha no meu outro blog...

Cristãos esquerdistas, leiam os autores conservadores!

...na esperança de que este blog encontre adversários mais preparados!

Dê uma olhada!

09 janeiro 2010

Interpretações (2)

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa. (João 19.25-27)

No imprescindível “comentário das bolinhas” (da série Cultura Bíblica, Vida Nova) do Evangelho de João, F. F. Bruce cita uma curiosa interpretação desse trecho por Bultmann (em The Gospel of John, p. 673):

“A mãe de Jesus, que se demora junto à cruz, representa o cristianismo judaico que suporta a ofensa da cruz. O discípulo amado representa o cristianismo gentílico, que é encarregado de honrar o outro como mãe de onde veio, assim como o cristianismo judaico é encarregado de ‘sentir-se em casa’ dentro do cristianismo gentílico, sendo todos membros de uma só grande comunidade da Igreja.”

Essa é uma leitura alegórica que pode levar a vários enganos. Não podemos examinar isoladamente João e Maria sem estender tal olhar a todos os personagens da Bíblia. E, se consideramos que todo personagem bíblico remete necessariamente a um arquétipo, corremos o risco certo de perder de vista o sentido básico do texto, não só deixando de considerá-los pessoas como nós, mas fatalmente caindo em subjetivismo. Se há algo que aprendi na Faculdade de Letras, é isso: toda interpretação textual das partes de um texto deve ser sustentada por seu todo. Se o texto inteiro – no caso, a Bíblia – não justifica essa abordagem, melhor deixá-la de lado, por mais bela que possa parecer (e Bultmann me leva a concluir que, mesmo falsa, uma interpretação pode ser extraordinariamente bela!).

É Calvino (Comentários, p. 232, tradução minha do inglês) quem expressa melhor algo que eu sempre intuí da leitura desse trecho:

“É como se Jesus dissesse a João: ‘De agora em diante, não serei mais um habitante desta terra, e tenho o poder de passar para você os deveres de filho; assim, coloco esse homem em meu lugar, para que desempenhe o papel que desempenhei.’ [...] Cristo pretendeu mostrar que, após ter completado o curso da vida humana, abandona a condição em que viveu e entra no Reino celestial, onde exercerá domínio sobre anjos e homens; pois sabemos que Cristo estava habituado a evitar que seus seguidores olhassem para a carne, e isto era especialmente necessário em sua morte.”

Enough said
.

01 janeiro 2010

Interpretações

Quando eu era novinha, cursando a formação de professores da Aliança Francesa, uma das professoras de literatura abordou e distribuiu em sala alguns poemas de Baudelaire (de As flores do mal) para que preparássemos apresentações individuais. A mim coube La chevelure (“A cabeleira”), um poema bastante longo e que, na época, julguei um tanto cansativo e sem propósito. Começa assim:

Ó tosão que até a nuca encrespa-se em cachoeira!
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!

(tradução de Guilherme de Almeida)

Em seguida, o poeta descreve todas as sensações e associações que a cabeleira lhe desperta. Na cabeleira vivem “uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante”, acham-se os cheiros de “óleo de coco, almíscar e alcatrão”, podem-se cultivar “a pérola, a safira e o jade”. Um mundo de exotismo e sensualidade é despertado pelos cabelos da amada. Porém, achando que isso era pouco, e cega para o resto, quis ver mais no poema. E vi: falei em sala, para minha vergonha, da relação entre impérios e colônias, entre opressor e oprimido, aprofundando-me toda à esquerda (nem sonhava então em ser conservadora!).

A professora, de queixo caído, apenas sussurrou um talvez involuntário “Quelle horreur!”, enquanto eu e uma amiga entusiasmada enxergávamos fantasmas progressistas desfilando sem parar pela exaltação baudelairiana da cabeleira. Que horror, de fato!

Mais tarde, eu me "redimi", apresentando o mesmo poema a um examinador do Nancy e, anos depois, a alunos. No entanto, lembro-me desse episódio e penso no quanto as más interpretações textuais, sobretudo as culturalmente orientadas, estão na origem de todo tipo de falácia. Pior, no nosso caso: de todo tipo de heresia. Gostaria de explorar melhor esse fenômeno aqui no blog. Enquanto isso, creio poder afirmar: mesmo sem ser mestres em exegese ou hermenêutica, podemos, com a ajuda do Espírito Santo, chegar a uma compreensão acurada da Palavra de Deus, se soubermos submeter nossas escolhas culturais ao senhorio divino ao mesmo tempo em que chegamos humildes ao texto, não dispensando nem os sentidos mais evidentes, nem orientações e comentários abalizados.

Este é meu desejo para você em 2010: que, despojada de interpretações equivocadas, a verdade bíblica resplandeça mais vívida em sua mente e em seu coração!

13 dezembro 2009

Calvino e a responsabilidade humana

Um dos erros mais comuns de autores católicos sobre o calvinismo — mesmo os mais inteligentes e até brilhantes em outros assuntos — poderia ser resumido na seguinte frase: “Calvino nega a responsabilidade humana.” O que a mente católica não consegue entender é que todo o monumental esforço de Calvino repousa sobre a necessidade de tentar vislumbrar a realidade do ponto de vista divino. E, antes que o leitor anticalvinista acuse essa empreitada de uma tremenda empáfia intelectual (“Colocar-se no lugar de Deus!”, quase o ouço exclamar), digo que (como geralmente acontece) falta-lhe leitura: Calvino jamais vai além do que o próprio Deus nos permite ir em Sua Palavra. É escorado nesses reconfortantes limites que o reformador detecta chaves de compreensão do sistema de Deus para a criação e a salvação. Habitando a própria eternidade, criador do tempo e de tudo que nele está contido, Deus é Senhor da história: para Ele, não há surpresa alguma no desenrolar dos acontecimentos, nem em nosso proceder. No entanto, longe de endossarmos qualquer visão semelhante a um determinismo, afirmamos antes isto: que a soberania de Deus não briga com a responsabilidade humana, mas, para que Deus seja Deus, onisciente e todo-poderoso, é preciso compreender esse aspecto dual (não dualista) apenas aparentemente contraditório; não para diminuir nossa responsabilidade, mas para ter a correta perspectiva da graça e do senhorio divino. Calvino, portanto, terá elaborado uma teologia que alguns chamam de “teo-referente” para tratar daquilo que qualquer cristão pode ler em sua Bíblia: para Deus, tudo é ao mesmo tempo e tudo está debaixo de Suas mãos, sem que deixemos com isso de ser uma vírgula menos responsáveis por nossos atos. Como? Não sei explicar como, mas sim para: para que, sem negar nossa triste condição sem Deus, pudéssemos nos arrepender devidamente de nossos pecados, oferecendo-nos a Ele para a salvação e a santificação, ao mesmo tempo convictos de que é Dele que vem todo impulso bondoso e toda graça restauradora.

07 dezembro 2009

My Way e Comme d'habitude

And now, the end is near, and so I face the final curtain...

Quem não conhece esse que foi um dos maiores sucessos do Frank Sinatra tardio e uma das canções mais regravadas de todos os tempos? No leito de morte, o eu lírico da composição proclama orgulhosamente: I did it my way (em uma tradução desajeitada, "fiz do meu jeito", ou seja, "vivi a vida como me pareceu melhor"). Se a música fosse poesia, como crítica literária eu diria que se trata de um sujeito forte: seus arrependimentos foram muito poucos que valessem a pena mencionar; cada um de seus passos, tais como os do Chapolim, foram friamente calculados; se havia dúvidas, ele "engoliu e cuspiu", encarando tudo e permanecendo de pé; ri das derrotas e falhas; e termina seu relato dizendo que um homem que não tem a si mesmo é um homem que não tem nada. Ele morre sozinho, confiante e satisfeito. Uau!

Mas poucos conhecem essa que foi a matriz francesa para My Way, chamada Comme d'habitude, de 1967. Curiosamente, a letra original nada na contramão de sua irmã americana, ao descrever a vida de um casal cujos gestos cotidianos são desprovidos de significado. O eu lírico, dessa vez, é um marido deprimido e até conformado com o fim iminente de seu casamento. Diz a canção: "Como de costume, todo o dia/ Eu vou fingir/ Nesta cama fria/ Minhas lágrimas, eu as esconderei/ Como de costume." É o exato oposto do sujeito que toma as rédeas de suas decisões: em Comme d'habitude, o relacionamento sem vida é um subtema para demonstrar a impotência do homem.

Poderíamos dizer que ambas as canções ilustram os atuais modos americano e europeu de considerar o ser humano. Um é otimista demais, quase heroico; o outro, pessimista e até niilista. Porém, é mais interessante pensar que são duas cosmovisões contraditórias oferecidas por um mundo que só consegue enxergar o homem sem Deus. Separado do Criador, o homem pode aventurar-se pela vida crendo que é dele que depende seu destino; ou então, pode afundar em um surdo desespero ao perceber sua incapacidade fundamental para gerir seus próprios caminhos. Enquanto o segundo desistiu de tentar, o primeiro se satisfaz com muito pouco, refestelando-se nas próprias imperfeições e no orgulho de sua solidão. São dois extremos e nenhum deles é verdadeiro. Só o cristianismo é exato em sua radical afirmação: sem Deus, nada podemos fazer; com Deus, submetidos a Ele, podemos viver sem ganas de um falso heroísmo, descansados em Sua vontade e desejosos de Sua perfeição, em um amor que é real e plenamente vivido no Paraíso. Não há nada no mundo que possa comparar-se a isso.

21 novembro 2009

Dê uma olhada: Kaspar Hauser

Terminei de ler o romance Kaspar Hauser, de Jacob Wassermann. Minhas impressões sobre o livro acabam de ser publicadas no Tamos Lendo. Boa leitura!

20 novembro 2009

Adendo ao post anterior

Muita gente (que não entende o conservadorismo, diga-se) pode ter estranhado meu último post. “Ela defende o capitalismo e está dizendo que a segurança financeira não tem tanta importância?” Pois é, meus amados leitores. Para mim, não tem mesmo. Defendo, sim, o capitalismo como o melhor sistema inventado pelo homem até hoje, o único que garante a liberdade individual. É o melhor possível em um mundo caído, acredito. Porém, jamais endossarei o espírito materialista que se apropriou do presente século. A diferença fundamental é a seguinte: o pecado, no capitalismo, está circunscrito à escolha individual; no socialismo, todo mundo é forçado a pecar os mesmos pecados. Assim, no capitalismo, o materialismo é opcional; no socialismo, é obrigatório, religião do Estado (logo, de todos). Podemos nos abster da cobiça no capitalismo; no socialismo, ela é o motor de quem faz a revolução. E daí por diante.

16 novembro 2009

Segurança

Alguns anos atrás, sempre que eu lia Mateus 6.25-34, não podia esconder de mim mesma uma certa indignação. Sem ousar confessá-la diretamente, sentia que, contrariada, questionava a Deus: Como deixar de me preocupar com os bens mais básicos, comida e roupa? Como simplesmente dar de ombros em relação à sobrevivência no dia-a-dia?

Quando me mudei do Rio para Niterói (sim, faz tempo que queria sair de lá, e fui saindo aos poucos), lembro-me de ter pedido a Deus por um emprego. Há anos como autônoma, queria sentir o gostinho do salário fixo. Deus me atendeu, certamente com o fim de transmutar meu pedido em um período de grandes lições para mim. Pois, fiada na certeza da soma mensal, os cinco anos que passei no último emprego foram a época em que mais estraguei minha vida financeira, consumindo além do que devia e depois roendo os dedos de terror a cada virada de mês. Finalmente tive de reconhecer que O desobedecia, desrespeitando os limites do que ganhava e revoltando-me com uma situação que eu mesma havia criado ao tomar decisões ruins: morar longe da família, dos amigos e do trabalho, gastar demais no cotidiano e submeter-me, por tudo isso, a constantes preocupações com dinheiro.

Ainda fico espantada ao constatar como Deus me trouxe devagarinho para a segurança Nele.

Hoje, por minha escolha, sou só autônoma. Faço meu tempo, atenta ao fluxo de meus trabalhos. Ainda não consigo guardar uma parte significativa do que ganho, mas – graças a Deus – sobra um pouquinho a cada mês. E, mais importante de tudo, sempre que me ocorrem considerações sobre se poderei ou não ficar tranquila antes na virada do prazo para as contas, é como se Deus logo me mostrasse em letras vermelhas o significado dos versículos que antes me incomodavam tanto, assinalando com força o quanto Ele não quer que eu me preocupe com isso. Obedeço então, abandonando esse sentimento, e Ele tem sido sempre fiel.

Não estou dizendo que todo cristão deveria se abster de um emprego fixo. Longe de mim! Apenas isto: saiba que a real segurança está no Senhor. Saiba de verdade, e não abra mão dessa certeza. Assim, se em nome da segurança que o mundo oferece você está infeliz no trabalho, passa pouco tempo com a família e sente que não está utilizando todo o potencial e os dons recebidos de Deus, coloque todo medo de mudanças nas mãos Daquele que quer um cotidiano bom para seus filhos, feito de liberdade. Às vezes serão necessários alguns sacrifícios – uma vida mais simples, sem grandes luxos, ou uma fase mais “apertada”. Porém, nenhum desse sacrifícios será tão custoso para a alma quanto os que fazemos, muitas vezes sem pensar, no altar de Mamom.

05 novembro 2009

Indicações quentinhas e vale a pena ler de novo

Enquanto estou às voltas com minha tradução e algumas outras tarefas que tomam tempo (mas preparando um post quentinho para ir à mesa semana que vem, não se preocupe), não deixe de conferir o último post do blog do meu namorado, André Venâncio, e o nosso blog Tamos Lendo. Tem muita coisa boa lá!

E aproveite para dar um não bem redondo ao Projeto de Lei 122/2006 da Homofobia (que deveria se chamar Heterofobia), clicando na página do Senado Federal aqui e respondendo à enquete na barra lateral direita. A dica é do precioso Tempora. Se tiver dúvidas sobre esse não, dê uma olhada no que escrevi sobre isso aqui, aqui e aqui. Pois é, o blog já está velho, né? :-)

Ah, imprescindível dizer que nem todo gay aprova esse projeto maluco. Dê uma olhadinha também aqui, onde há informações importantes sobre os países onde realmente os homossexuais são perseguidos, como Irã e, sim, Cuba, o querido paraíso dos esquerdistas brasileiros... Cuidado ao rolar o blog, há fotos um pouco fortes - que aliás dizem o que interessa: aquilo, sim, é perseguição, não essa bobagem light que temos no Brasil.

Prometo que semana que vem volto com a corda toda. Abraços!

22 outubro 2009

Orem pela Venezuela

Se eu não fosse cristã, e se ainda por cima cultivasse o hábito das superstições, certamente veria algum laço nefasto entre a aparição simbólica de Fidel Castro no post anterior e a aterrorizante notícia dada por Graça Salgueiro no blog Notalatina hoje, e que pode ser resumida na seguinte frase: Chávez desfere poderoso golpe na propriedade privada venezuelana.

O jornal El Caraboleño deu a "versão oficial" (leia-se: em novilíngua) da resolução. O resumo da coisa é o seguinte: sob o pretexto de "preservação", Chávez declarou patrimônio cultural um número gigantesco de construções em Caracas. Casas particulares também! Veja a lista:

Autopistas, avenidas, ríos, árboles, sitios arqueológicos, parques, haciendas, edificios públicos y privados, casas, colegios, plazas, museos, iglesias, teatros, estaciones de metro, cementerios, entre otros.
 
E o que significa isto? Significa que o pobre coitado do venezuelano proprietário de qualquer uma dessas construções NÃO PODERÁ vender, doar, herdar ou fazer QUALQUER COISA com seus bens sem uma AUTORIZAÇÃO do Instituto do Patrimônio Cultural.

Que golpe de mestre na propriedade privada! Resta saber o que o povo venezuelano fará para deter essa marcha inexorável para o comunismo.

Leiam toda a matéria no Notalatina, orem pelos venezuelanos e não deixem de lamentar publicamente a postura de alguns líderes evangélicos do Brasil que deram seu apoio ao tirano. Minha indignação se exprimirá aqui por meio de uma sofrida interrogação:  

Até quando grande parte dos cristãos protestantes brasileiros estará do lado da monstruosa e sangrenta utopia comunista, em vez de tomar o partido da liberdade?

18 outubro 2009

O que é bom para Fidel...

Apesar de carioca — ou justamente por isso, hehe — , não fiquei muito comovida com a escolha do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016. Li pela web as opiniões de alguns eternos esperançosos, que vislumbram na decisão uma oportunidade incrível de progressos para a cidade, mas eu vejo o que sempre vi nos meus trinta anos de moradora do Rio: maquiagens sem fim no panorama das favelas maiores, ocupação militar nas ruas para coibir os marginais e quase que só isso. Depois, volta tudo ao “normal”. Claro, uma parcela da população vai investir ou trabalhar no evento, e com isso um certo up no seu rico dinheirinho será inevitável. Mas isso se verificará significativamente bom para a cidade como um todo e por um tempo razoável? Sem que se mexa no principal, a criminalidade envolvida no tráfico de drogas? No creo, no creo... Comemorar o fato me soa, mais ou menos, como alegrar-se pelo novo show de fogos de artifício em um navio que já começou a afundar (do qual me evadi antes que fosse tarde demais).

A notícia de ontem — bandidos derrubam helicóptero da polícia militar, caramba! — parece apenas reforçar que é preciso passar da miopia otimista para um plano de ação efetivo e duradouro.

E, como se não bastasse, li no ótimo blog Traduzindo para o juridiquês mais uma razão para torcer o nariz para o otimismo olímpico (nos dois sentidos) dos cariocas:

Fidel Castro escreveu no Granma - aquele jornal oficial apropriadamente utilizado pelos cubanos como substituto do papel higiênico - que a escolha do Rio para os jogos olímpicos de 2016 significou o "triunfo do Terceiro Mundo".

Definitivamente, o que é bom para Fidel é ruim para o Brasil, não é? Só isso já me tira a vontade de participar da euforia geral por esse duvidoso triunfo do Terceiro Mundo! Porém, não custa sonhar um pouquinho. Quem sabe os frutos dessas Olimpíadas não se limitarão às conhecidas macaquices plásticas em alguns cartões postais do Rio. Se o dinheiro aplicado na cidade puder ajudar para reabilitá-la do crime, maravilha! Mas eu penso mesmo é em outra coisa: apesar do que aconteceu àqueles pobres pugilistas deportados em 2007, desejo do fundo da alma que alguns atletas cubanos consigam escapar para sempre da ilha-cárcere durante os jogos — sem deportação!

15 outubro 2009

Não quero apagar da memória...

Não quero apagar da memória o lugar de onde eu vim. Apesar de saber que Deus já se esqueceu de todos os meus pecados antigos e recentes, quero de vez em quando recordar aquela outra criatura, que não sou mais, apenas para afirmar ainda uma vez que meu novo eu não foi uma escalada, um construto, um desprendimento, um aprendizado, uma sensatez súbita e definitiva – mas sim o débil objeto da misericórdia do Senhor.

12 outubro 2009

Tamos lendo!

Eu e André Venâncio criamos um blog chamado Tamos lendo! - assim mesmo, bem informal - para escrever especialmente sobre nossas leituras. Vai ter de tudo: teologia, conservadorismo, física, romance policial, poesia... enfim, tudo o que tamos lendo! Fique de olho! ;-)

10 outubro 2009

Resposta a um comentário não publicado II

Diante do que foi dito no post anterior, vejamos o que a Bíblia afirma sobre os pecados que você, Deborah, deixou de mencionar em sua mensagem: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia” (Gl 5.19). Outra versão (Almeida Corrigida e Revisada Fiel) divide o primeiro termo grego, porneia, em adultério e prostituição. Consultando mais alguns comentários e o Catecismo Maior de Westminster, descubro que a linguagem da Bíblia (logo, a mentalidade da época de Jesus) não faz diferença entre adultério e prostituição, ou fornicação, segundo demais versões. Enquanto você condena o adultério apenas quando não consentido pelos cônjuges, a Bíblia é muito mais abrangente.

Consultei pelo menos nove bíblias em linguagens diversas, incluindo mais dois idiomas que domino (inglês e francês), e as traduções diferem muito pouco entre si. Os termos são intercambiáveis: o primeiro, porneia, pode ser prostituição, fornicação, adultério, perversão, libertinagem; o segundo, akatharsia, foi traduzido por impureza (definido por John Stott como comportamento sexual anormal); e o terceiro é aselgeia, lascívia, dissolução, desregramento. Em suma, é justo o “sexo solto” que é condenado como obra da carne, portanto, um dos maus frutos do pecado que habita em nós. Seja em atos, em palavras ou em pensamentos.

Quanto à masturbação, torna-se evidente que é um dos aspectos da lascívia. Dificilmente há masturbação sem a ajuda de imagens mentais lascivas; ainda que houvesse, a dissociação entre o prazer e o amor é própria à impureza. Você se refere à manipulação inconsciente do feto ou do bebê, mas entenda que nenhum adulto se masturba assim, não é? Quando recorremos a imagens mentais para nos satisfazer sexualmente, estamos dizendo a nós mesmos que não podemos alcançar essa satisfação sozinhos, mas preferimos companhias imaginárias que simbolizam relações superficiais, apenas para um prazer físico imediato. E esse procedimento cava dentro de nós um abismo sem fim, pois não podemos distanciar nossa alma do hábito de nossos pensamentos. Posso dizer portanto sem medo de errar que a masturbação é uma espécie de preparação da alma para as relações sexuais sem amor.

Compreendo que afirmar isto é loucura em nossa época fragmentada, em que não só perdemos toda noção do quanto pensamentos, palavras e ações são um todo em cada um de nós, mas sobretudo deixamos de enxergar os pecados sexuais como fragmentadores (nisso, o termo “dissolução” fala por si) – algo que alguns séculos atrás, em sociedades profundamente influenciadas pelo cristianismo, era tão óbvio que não demandava explicações copiosas. Calvino, por exemplo, sempre tão prolixo em tudo o que escreve, não dedica mais de poucas linhas descritivas a esses pecados em seu comentário sobre Gálatas, adicionando-lhes porém uma valiosa observação: “São pecados proibidos pelo sétimo mandamento.”

Qual o sétimo mandamento? “Não adulterarás”, justamente! Ao compreender a Bíblia dessa forma, Calvino imita o procedimento do próprio Cristo, que em seu Sermão do Monte mostrou aos discípulos que a Lei de Deus está muito além de preceitos exteriores.

Diante da enumeração desses quatro pecados como “obras da carne” (“carne”, aqui, não em sentido literal, mas em oposição aos “frutos do Espírito”), é impossível deixar de notar que o sexo sem amor é condenado na Bíblia. Mas esse “amor” não é o laço frouxo do “namoro” (algo que sequer existia nos tempos bíblicos), e sim o amor verdadeiro, profundo e indissolúvel, apenas presente no compromisso matrimonial. Deus criou o sexo para, além da procriação, aprofundar o amor conjugal – amor que não abandona (Jesus o proíbe), mas cuida do outro por inteiro, corpo e espírito, até a morte.

Adão reconheceu em Eva “carne de sua carne”, um só corpo. Nessa monstruosidade que o pecado inventou, o “sexo casual”, não há como reconhecer o outro como si mesmo. Não há como reconhecer nada além do próprio prazer físico. Os corpos no sexo casual são desconectados e fragmentados. Longe de serem apenas pura busca de prazer sem maiores consequências, cada um dos pecados sexuais mencionados nas Escrituras aponta para a mesma atitude interior: o afrouxamento dos laços do amor. É por isso que eles são elencados junto com os demais na lista do apóstolo Paulo: “...idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.20-21).

Como você, Deborah, disse em sua mensagem, “o sexo é uma energia muito poderosa”. Concordo: por isso, é destrutivo sem as amarras do amor profundo e responsável. Aprendi tanto na Bíblia quanto na vida (porque me converti aos 24 anos) que sexo entre solteiros é desgosto (ainda que oculto ou inconsciente) pelo amor verdadeiro. Ter sexo com alguém a quem não se ama (e quem ama casa!) é algo que machuca a alma. Entendo hoje que essa “energia poderosa” funciona como um cimento: não dá para “colar e descolar” à vontade, a não ser que consintamos em uma boa dose de desmanche do que somos. Nem a criatura mais romântica do mundo escapa disso, se não passar pela mudança de mente operada pela conversão cristã. No início da vida sexual, os rompimentos de namoros que incluem sexo machucam muito (seja sincera com você mesma e você vai se lembrar), literalmente arrancando partes de nós; mas depois de muito tempo, em nome do prazer sem compromisso fomentado pela cultura, começamos a nos forçar a nos acostumar com o processo. O resultado é que nos tornamos cada vez menos propícios a permanecer em um relacionamento. Casamos já pensando em descasar... porque aprendemos a “colar e descolar” em uma roda sem fim. Hoje é Fulano, amanhã é Sicrano... Todos sabemos que o resultado desse “sexo solto” equivale a divórcios em série (e mágoas, crianças feridas, descrença quanto ao amor...). Culpa da “revolução sexual” dos anos 60? Certamente, mas sobretudo culpa do pecado que jaz em nós.

Que Deus a ajude a compreender e vivenciar o verdadeiro amor conjugal Nele.

Abraços.

04 outubro 2009

Resposta a um comentário não publicado


Cara Deborah,

Precisei deixar de fora a totalidade de seus comentários, pois alguns termos que você usa podem ferir a sensibilidade de meus irmãos leitores. Aliás, eu duvido de que você se dirigisse a mim pessoalmente usando esses termos: o conforto que as barreiras tecnológicas oferecem costuma deixar as pessoas menos pudicas. No entanto, algo nos seus comentários me fez pensar que, sem esse conforto, você é uma mulher bem educada com estranhos. Então vamos lá.

Na sua mensagem, você declara: “Sou a favor do homossexualismo, da masturbação, do sexo antes, durante e fora do casamento, contanto que haja respeito mútuo aos cônjuges, pois abomino traição.” Compreendo o conteúdo da sua integridade quanto ao sexo consentido. Eu mesma, embora nunca tenha partilhado dessa opinião, já tive amigos que pensavam assim. Quando eu não era cristã, concordava com o princípio geral que subjaz a essa ideia, tendendo a crer que tudo era permitido, desde que não ferisse a vontade alheia. Porém, essa é a justiça dos seres humanos: falha e limitada. Jesus apontou para esse fato no conhecido Sermão do Monte:

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20).

Ao longo das Escrituras, entendemos que a justiça dos fariseus (e a justiça humana em geral) é superficial e submetida a subjetividades muitas vezes mesquinhas. Somos pecadores e, mesmo quando queremos acertar, erramos miseravelmente. Acreditar que podemos divorciar ato e pensamento, ato e vontade, ato e emoção etc. é uma das formas desse erro. Assim, é fácil dizer “não pratico o adultério”; mas e quanto ao que ocorre dentro de nós? Jesus sabia que nós pecamos sobretudo interiormente, e que tendemos a nos aprovar se não praticamos aquilo que nos comprazemos em alimentar em secreto. É por isso que, no mesmo Sermão do Monte, Jesus nos lega essa palavra terrível: “Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.28). Ampliando o princípio, não deixamos de ser culpados diante de Deus apenas por nos abstermos da prática de determinado pecado. Conforme nos mostra Jesus em todo o sermão, também sobre “não matar” e “não jurar falso”, somos pecadores por inteiro: não só em atos ou palavras, mas em motivações, desejos e impulsos ocultos. E não há pecado que não cometamos em oculto...


A justiça dos fariseus – e de todos nós – é exterior; nossas boas ações são lixo diante de Deus, pois contaminadas por toda sorte de maldades que ninguém vê. Só Deus pode nos tornar de fato justos em Cristo, para que dependamos Dele e de sua graça contínua, sendo aos poucos transformados profundamente. Deus gera vida a partir do interior; leis e restrições exteriores são úteis, mas apenas servem para nos indicar o que está errado e nos condenar quando transgredimos. É isso que distingue o cristianismo bíblico de todas as demais religiões: nelas, há um antropocentrismo que torna possível a progressão da bondade humana através do cumprimento de certos preceitos morais; em Cristo, que morreu em nosso lugar para que tivéssemos vida, encontramos a morte do nosso ser pecador e o renascimento Nele. Portanto, toda justiça parte de Deus, e não de nós.

Assim, seja sincera consigo: os erros que você condena exteriormente não são os mesmos que você comete interiormente?

(Continua no próximo post)