Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
08 julho 2008
Dois antídotos
O cristão se reintegra em Jesus, confessando-se pecador e recebendo perdão. O idólatra comunista, socialista e/ou politicamente correto jamais reconhece seu próprio mal, mas se sente reintegrado na doutrina que prega: acabem-se os opressores e o mundo será transformado. O cristão morre e ressuscita em Cristo; o comunista mata ou neutraliza o outro. Não há síntese possível entre esses dois antídotos para as divisões humanas. Se você se sente à vontade como cristão comunista, algo está errado. Das duas, uma: ou seu comunismo se resume a sentimentos legítimos mas mal direcionados de preocupação e solicitude com relação aos menos favorecidos – e você precisa compreender que comunismo não é isso – , ou você está usando as instituições cristãs como uma casca religiosa para embelezar aquilo em que crê de fato. No primeiro caso, alguém o enganou; busque informação. No segundo caso, você é um enganador, e terá de prestar contas a Deus naquele dia.
23 junho 2008
O erro de Girard, ou: a profundidade do mal
Embora seja um gênio no que se refere a encontrar e analisar pontes antropológicas entre o mal humano e a cultura evangélica, René Girard erra redondamente na teologia. É impressionante como a verdade bíblica se revela mais uma vez: sem a convicção de pecado impressa pelo Espírito, ainda que mergulhe no fenômeno do mal e revele seus mecanismos - o desejo mimético e o bode expiatório são fatos reais e perceptíveis universalmente - , nenhum autor entenderá o que Cristo veio fazer se não perceber o quanto foi necessário morrer para nos dar vida. Ou seja: nosso mal é tão profundo que apenas a morte do próprio Deus nos faria reviver.
Mas Girard não vê assim, e é por isso que posso indicar sua leitura, mas não como a de um autor cristão: ainda que reconheça a superioridade do cristianismo sobre as demais religiões, Girard pensa que o sentido dos Evangelhos e o próprio mérito de Cristo repousam sobre o desvelamento do mecanismo do bode expiatório - e que a conversão consiste no abandono desse mecanismo. Para Girard, Deus se opõe a todo mecanismo sacrificial (uma compreensão errônea de Isaías 1:11), inclusive o de Cristo. O acontecimento apenas serviu para evidenciar em plenitude a maldade humana, isto é, o mal que mata um inocente.
Por isso Girard costuma ser um autor preferido entre os teólogos liberais. Se o sacrifício de Cristo não foi algo necessário e deliberado, da parte de Deus, para nos livrar de nossos pecados, mas apenas a exposição máxima do mal humano para que nós mesmos pudéssemos nos despojar dele, isso significa que nosso mal não é tão grande: o processo de conversão se limitaria à transformação advinda da contemplação de nosso próprio mal, uma experiência interior, tal como o maravilhamento diante de uma obra de arte. Isso torna a conversão algo puramente humano: se compreendo meu mal, posso abandoná-lo. E, ao situar a questão do mal tão na superfície, tornando o "novo nascimento" algo mais mental e simbólico que espiritual, Girard erra o alvo (uma das definições da palavra grega para pecado, hamartia): nascer de novo passa a ser um fenômeno gnóstico, abstrato, ligado sobretudo à mente e às impressões, e não um verdadeiro novo nascimento, completo, definitivo. Esse é um entendimento que deixa de lado o aspecto fundamentalmente relacional e transcendente da conversão, que não ocorre em um sistema humano fechado, entre as paredes de uma subjetividade soberana, mas sim na entrega sem restrições de um corpo morto para que renasça em Cristo. Assim, reconheço o tamanho e a profundidade do meu mal na medida em que aceito que, para que eu reviva, um justo precisa morrer em meu lugar, e que, sim, esse justo é o próprio Deus em um sacrifício voluntário. Essa é a gigantesca dimensão do meu mal - e os cristãos verdadeiros não adoçam sua situação; não a negociam jamais.
09 junho 2008
Um sonho de conversão

Sonhei uma vez, há pouco mais de dez anos, que estava com minha família em uma autêntica “farofa” na praia, ou seja, um almoço em frente ao que me pareceu o mar plácido e convidativo de Araruama. Mesas postas, comida pronta, o único elemento destoante sob o sol era uma assustadora carcaça de ônibus levada de lá para cá pelas ondas, ameaçando invadir o local onde estávamos. O que de fato acabou acontecendo: tomado por uma onda mais forte, o ônibus ganhou impulso e esmagou um homem, que corremos para resgatar e levar ao hospital. Lembro-me de ter sido poupada por um triz do esmagamento, porque corri em direção a meu pai que estava em um lugar mais alto na areia. A cena seguinte e última do sonho era a do hospital, onde o homem era internado e nós íamos para casa.
Quando me converti, alguns meses depois, impressionei-me muito com o significado cristalino dos elementos do sonho: a carcaça de ônibus simbolizava os caminhos humanos errantes, que terminavam por nos esmagar, dos quais eu só havia escapado por ter corrido para Deus – “meu pai em um lugar mais alto”.
Impressionou-me mais ainda, porém, descobrir justamente na igreja em que me batizei um canto com semelhanças muito evidentes com o que, no meu sonho, havia sido o hospital. O conjunto não poderia ser mais auto-explicativo. Assim, embora não dê importância demais à grande maioria de meus sonhos, recebi esse em particular como um presente de Deus.
24 abril 2008
Porque Ele é bom II: Livramento
Hoje de manhã, no entanto, não haveria método que me livrasse das ondas que acometeram o catamarã de Charitas no trajeto Niterói - Rio. Apenas Deus poderia conter a força inédita das águas da Baía da Guanabara, que invadiram a embarcação arrebentando duas portas, quebrando cadeiras e derrubando vários passageiros de uma só vez. Era como se pudéssemos capotar no mar; de fato, a sensação era de estar em um carro que, tendo perdido o contato constante com o solo, corcoveasse perigosamente na pista. Era também como estar em uma montanha russa marítima e nada empolgante, sem saber o que aconteceria depois de cada violenta subida e descida. Quanto às informações visuais, não me perguntem como foi: atrás de uma divisória opaca e sólida, fui bastante poupada, ao abrigo não só da traumatizante imagem das ondas chegando, mas sobretudo dos efeitos da água - que apenas molhou meus pés ao fim da viagem, enquanto havia machucado e encharcado as dezenas de pessoas que se sentaram mais à frente. Do cantinho seguro em que eu estava, sem poder me levantar, acompanhei os fatos pelos movimentos, gritos e barulhos das portas quebradas e, quietinha, apenas clamei por Deus.
Quando chegamos, alguns ilesos (como eu) e outros nem tanto, mas todos vivos, tivemos a certeza de que havíamos escapado de morrer. Mas eu tinha uma certeza maior e bem mais plena de positividade: Deus me queria viva. Apesar de ainda tremer com o acidente - sou do tipo inglesa, fico calma nos piores momentos e passo muitas horas nervosa depois - , não posso evitar um pequeno impulso revigorante depois dessa quase-tragédia: Deus me quer viva, e o livramento de hoje é uma das provas de Sua vontade.
Mais sobre o acidente
Depoimentos de quem viu mais que eu
Comandante: "Graças a Deus não aconteceu nada pior"
26 março 2008
Porque Ele é bom
A Ele toda glória! Mesmo quando não compreendemos, sabemos que um dia tudo se tornará claro, por causa das pequenas luzes que já vislumbramos aqui e ali - e que já são, de fato, demais para nossos olhos.
24 fevereiro 2008
Virilidade
The good, the bad and the ugly, Ennio Morricone
Sinto falta da virilidade. (Não minha, lógico. Nos outros – nos homens.) Sinto que a força masculina é a grande qualidade recalcada de nossos tempos. Mirados pelo dedo dos descendentes ideológicos de Marx, os homens estão fugindo como loucos da pecha de opressores. “A culpa é do macho heterossexual”, bradam os totalitaristas encampadores do pensamento na mídia e nas universidades. Como resultado, os homens estão se tornando... menos homens, mais meninos. E sensibilidade sem maturidade é alijamento emocional: algo que, no relacionamento, obriga a mulher a ser mãe acima de qualquer atributo.
Sim: as mulheres têm sido chamadas, na modernidade, a ser fortes, enquanto os homens, sufocados de culpa, precisam se enfraquecer. O resultado é isso que vemos por aí. Que as leitoras do blog sejam sinceras consigo mesmas: Tiveram quantos namorados realmente adultos, decididos e seguros de si? Quantas foram as vezes em que foram mais mães que namoradas?
Outro dia, assistindo à tv daquela forma totalmente descompromissada – mudando de canal o tempo todo – , eu ri de mim mesma ao perceber que havia parado por alguns minutos em uma mesa-redonda futebolística. Não gosto nem de jogos de futebol, quanto menos de discussões sobre jogos de futebol. Mas me chamou a atenção que talvez um dos únicos sinais de virilidade assim tão flagrantemente exercidos, sem peso nem medo, esteja nos esportes. De assustar, essa conclusão.
Cristãos do sexo masculino, não me decepcionem. Sejam machos, para compensar essa excessiva fragilidade em que os homens modernos têm se refugiado. Jesus chorou, sim, mas era forte e viril quando precisava ser. Peçam a Deus esse equilíbrio.
Quanto a mim, não me isento da responsabilidade quanto a minha própria identidade sexual. Tenho orado a Deus para que não me deixe reproduzir a ânsia por reconhecimento masculino acima da valorização de meus atributos femininos. Tenho orado por plenitude de consciência sobre minha presença no mundo como mulher. Creio que Deus deseja essa consciência para os seus. Se não fosse assim, a diferença entre os sexos estaria tão esmaecida na Bíblia como se encontra em nossos dias. Se não está, é porque há algo nessa diferença que ultrapassa a simples idéia de função social. Para descobrir o que é isso exatamente, precisamos desejar ser homens e mulheres plenos em Deus. Essa reflexão não tem fim, e deve continuar pelos próximos posts.
P.S.1 Não deixe de ler um texto ótimo e sem papas na língua sobre o assunto, traduzido por Julio Severo.
P.S.2 Reativei os comentários para dar voz aos homens sufocados pela modernidade. :-)
28 janeiro 2008
O perfume do socialismo
Através dos tempos, campanhas eleitorais têm testemunhado a criação de estratégias políticas no mínimo esquisitas, mas o Partido Socialista Catalão (PSC) inaugurou um novo marco de bizarrice ao lançar seu perfume, que mistura ervas mediterrâneas com bergamota e chá, além de notas orientais de fundo. Diz a propaganda que o aroma promete inspirar "confiança, igualdade, progresso e eficiência". Seu criador, Albert Majós, declarou à imprensa que se tratava da representação aromática dos valores do socialismo.
Estranhamente, o perfume lembra Bom-Ar. Um dos jornalistas que participaram do lançamento disse que o cheiro era tão forte que ele se sentiu sufocado e saiu tonto do ambiente.
Eu ia deixar a reportagem falar por si, mas não resisto. A comparação perfumística é tentadora demais. Então, lá vou eu. Em teoria, o socialismo promete o que veicula a propaganda: confiança, igualdade, progresso e eficiência. Na prática, porém, seus efeitos são os piores possíveis: quando dá de fato as caras, o socialismo é como spray de banheiro, totalmente desprovido de sofisticação, direcionado apenas por ganas de autoritarismo e incremento do poder estatal. Como se não bastasse, as emanações do regime socialista são tão violentas que cortam a respiração (e a fala), obrigando o povo a fugir para não desmaiar - temporária ou permanentemente.
Parabéns a Majós: não há dúvida de que, como “veículo dos valores socialistas”, o perfume é perfeito! Que o digam Fidel Castro, Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Lênin, Stálin...
11 janeiro 2008
A deusa Igualdade
Quando estamos firmados no amor de Cristo, não nos iludimos sobre a natureza humana ("Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", Romanos 3:23). O amor cristão nos faz estar de olhos bem abertos para o pecado, primeiro o próprio ("tira primeiro a trave do teu olho", Mateus 7:5), em seguida o alheio ("Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados", Tiago 5:20). O amor cristão também nos faz cuidar da igreja alertando contra falsos ensinamentos ("Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância", Tito 1:11). Seu ápice se realiza na vinda de Cristo para que "todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).
No entanto, a pregação da religião da igualdade, quando travestida de cristianismo, pede que, por serem todos pecadores, todos os homens sejam considerados igualmente santos; que ninguém seja convertido de erro algum; que os ensinamentos tortos e até de outras religiões sejam expressões de "pluralidade", não desvios do Evangelho; e que a figura de Cristo e o conteúdo da fé sejam suficientemente vagos para que os que não crêem se sintam confortáveis com suas contradições e paralisias argumentativas. A palavra de ordem é: não confrontar, mas acolher, já que, no vocabulário do Novo Amor, confrontar e acolher são noções irreconciliáveis.
Nessa nova religião, que cisma em querer se chamar pelo nome de cristianismo, torna-se impossível fazer como os autores das epístolas do Novo Testamento, que advertiam seus irmãos sobre pecados, buscavam convencê-los de erros doutrinários e alertavam a igreja com relação a falsos mestres. Seus adeptos ancoraram-se dentro dos arraiais evangélicos brasileiros, em púlpitos e espaços virtuais, aproveitando-se da escassez de líderes confrontadores e zelosos da Palavra. Com liberdade suficiente para agir, assumem agradáveis e práticos acordos com o esquerdismo (pregam um Cristo socialista), o multiculturalismo (defendem sincretismos), o relativismo (não ligam para diretrizes morais), desobedecendo aos padrões bíblicos mais básicos. Quem quer que os contradiga em nome do verdadeiro Evangelho é ridicularizado, vilipendiado, acusado de "falta de amor" — e com requintes de crueldade verbal. Afinal, eles tudo amam, menos a verdade.
O maior alvo dessa nova religião é que todos dancem alegres e despreocupados em torno da deusa Igualdade*, em cuja testa se encontra estampado seu único compromisso: anular a cruz de Cristo.* Definição para os afoitos. A igualdade segundo Deus é um atributo que vem das mãos Daquele que "faz chover sobre justos e injustos" (Mt 5:45). Já a igualdade segundo a autonomia humana é um ídolo que coleciona vítimas ao mesmo tempo em que sobrepõe à vontade de Deus as regras de "um outro mundo possível".
03 janeiro 2008
Philip Yancey entre muros
Ao que me consta, é um post natimorto. Meu texto é infeliz para um post inteiro, porque não explica as coisas - por isso, no meu blog, estava em seu devido lugar, em resposta espontânea a um leitor. Já no Pavablog, os comentários ao meu comentário são mais infelizes ainda, uma coletânea de pequenas gracinhas misóginas e pouco adequadas, feitas em sua maioria sob a proteção mui adequada do anonimato. No entanto, o ibope do post é alto: em uma média geral de 0,0000001 comentários (pois a maioria dos posts mostra o contador desalentadoramente zerado), minha singela observação, feita para jamais alcançar os pódios de um assunto principal, angariou até agora 10 manifestações. Convenhamos: para a média do blog, é um número altíssimo!
Agora, depois da diversão, eu me alongo aqui sobre o caso que gerou tamanha avalanche no blog citado: Yancey, afinal. Aos que ainda gostam do cabra, convém mesmo uma explicaçãozinha, porque eu também gostava dele. Li Maravilhosa graça há uns seis anos e me engasguei de tanto chorar. Na mesma época, li Perguntas que precisam de respostas e achei apenas interessante, mas ainda assim presenteei uma amiga com ele. Comecei a ler Decepcionados com Deus logo depois e foi uma experiência esquisitíssima: parecia ter sido escrito por um descrente. Não terminei o livro, não funcionou comigo. Mesmo assim, Yancey ainda era um autor do meu panteão - digamos, em um degrau inferior ao de muitos outros, crentes e não-crentes; afinal, Yancey é um jornalista generalista assumido, e dificilmente se encontrariam nele a mesma profundidade e a mesma erudição de um Calvino, de um C.S. Lewis, de um Jonathan Edwards, de um James Houston ou de qualquer articulista da excelente Fides Reformata.
Mas a minha aversão começou quando, ainda leitora da Ultimato (sim, porque um dia fui esquerdista, meio universalista e meio condescendente com certos pecados - ou você achou, leitor, que até agora no blog eu estava condenando o que não conhecia de bem perto?), prestei atenção no teor de cada cronicazinha de Yancey na última página da revista. Na época, eu já tinha começado a travar contato com escritores conservadores e compreendia algumas diferenças importantes: de um modo geral, enquanto os autores de esquerda costumavam falar de seus próprios assuntos sob uma linguagem peixe ensaboado, mais ocultando que esclarecendo, os textos conservadores traziam uma transparência que, para mim, contou como uma aliviadora honestidade textual. Esse foi o primeiro choque. Para o segundo, contribuiu o autor de Maravilhosa graça: enquanto as críticas conservadoras se concentravam nas idéias e em suas conseqüências, calcadas em fatos e argumentos, os textos de Yancey primavam pelo mesmo tipo de maldade difamatória que funciona como um tijolo no muro do mainstream esquerdista, um muro que procura isolar o ortodoxo e o tradicional das vistas públicas, construído conscienciosamente pelo poderoso lobby moderno de esquerda. Insultos blasés, todos de viés, vinham mesclados a um constante tom enraivecido a cada texto do obcecado articulista de Ultimato e Christianity Today - que, de modo inteligente, achava sempre um jeito de encaixar em qualquer assunto as batidas de seu martelo antifundamentalista. Longe de apontar erros reais, esse procedimento apenas deixava evidente a própria amargura do autor. Aos poucos, Yancey perdeu-me em definitivo como leitora: os "fundamentalistas" americanos que eu conhecia não se encaixavam de modo algum em sua macabra descrição, e essa injustiça me pareceu algo muito impróprio de alguém que se apresenta publicamente como filho de Deus. Isso, para mim, é "viver falando mal da igreja" em vez de amorosamente, como o apóstolo Paulo, oferecer-se para consertá-la.
Não posso aprofundar aqui a crítica textual a Yancey porque não disponho mais daqueles artigos de Ultimato. Estava prometendo a mim mesma que enveredaria por esse assunto, um dia, quando estivesse com mais tempo livre para pesquisar. Do que posso dizer por enquanto, é certo que Philip Yancey dedica-se conscientemente a destruir a imagem da igreja americana conservadora. Tudo indica que, com bastante discrição, também busca promover valores modernosos antibíblicos, tanto nos EUA como no exterior. Afinal, foi Yancey quem trouxe para o Brasil o autor Brennan Manning, que, segundo o autor cristão ex-gay Andy Comiskey, apóia a causa homossexual abertamente, dentro da igreja, negando ser o homossexualismo um pecado. Isso corrobora o suficiente minha aversão: enquanto empareda irmãos comprometidos com verdades bíblicas, Yancey deixa vazar secularismo à vontade do outro lado.
P.S. Preciso apontar algumas correções neste post. A revista que publicava Yancey na última página, pelo que me disseram, não era a Ultimato, mas a Enfoque Gospel. E o Manning não foi recomendação do Yancey, conforme me explicou o pessoal da Mundo Cristão. De qualquer forma, em entrevistas, Yancey parece um tanto confuso com essa questão do homossexualismo desde que seu amigo Mel White se assumiu publicamente e passou a integrar igrejas GLBT. Yancey chega a dizer que encontrou mais fé, fervor e comprometimento em igrejas GLBT do que em muitas outras. Não se pronuncia em favor do homossexualismo, mas parece deixar abertura para isso. Que toda essa ambigüidade seja submetida em definitivo à Palavra, é meu desejo para com ele.
21 dezembro 2007
Feliz Natal, ou...
Traduzido e adaptado livremente por mim de um texto postado no blog do autor conservador Roger Kimball. Pode reproduzir por aí à vontade, mas não se esqueça de pôr a fonte.
Aos meus amigos politicamente corretos:
Recebam meus votos apartidários, inclusivos e totalmente desinteressados de boas festas – não somente boas, mas socialmente responsáveis, ecologicamente conscientes, multiculturais, sem estresse, sem gorduras, sem aditivos artificiais e sem dependência química, comemoradas segundo as melhores tradições do segmento religioso de sua escolha, ou as melhores tradições do segmento secular de sua escolha, com todo o respeito pela escolha de não optar por nenhum tipo de tradição, seja ela religiosa ou secular. Também desejo a vocês um maravilhoso período de doze meses que se convencionou chamar, em nossa cultura, ano de 2008, sem esquecer todas as culturas de calendário diverso que contribuíram igualmente para a formação de nosso continente latino-americano e nosso querido país. Não que os outros países não sejam igualmente queridos e valorizados, é sempre bom deixar claro. Lembrando também que meus votos destinam-se a pessoas de todos os credos, raças, cores, gêneros, preferências sexuais e demais manifestações de pluralidade.
Aos meus amigos conservadores:
Um Feliz Natal e um Próspero Ano-Novo!
14 dezembro 2007
Duas cenas
— Mas que incrível, hein?
Arregalo os olhos. Estaria ela falando de mim?
— É mesmo incrível!
— Está falando comigo? — dirijo-me a ela, reabrindo a porta em vez de me esgueirar para dentro da loja. Meu tom não é arrogante, quero apenas saber qual foi meu erro. Ela esboça algumas palavras sobre falta de educação, mas o homem, preocupado com uma possibilidade de barraco na galeria, puxa-a pelo braço. Restam-me duas frases sinceras e frias: “Desculpe, não vi que ele estava com você” e “Além disso, ele é homem”.
— Para onde você vai? Se você for para o mesmo lado que eu, é até bom, porque a gente pode dividir o táxi e eu economizo — ri ele.
Esperançosa, digo o nome da minha rua.
— Vou para o lado oposto, que pena — responde ele, dando de ombros e sumindo para dentro do veículo.
Em vez de esperar o outro táxi que o motorista poderia chamar — já me aconteceu de esperar em vão — , vou andando em direção a um lugar mais iluminado. Não estou irritada, mas pasma: além de não me ceder a vez, o homem ainda queria dividir a conta comigo! Lembrava que naquele dia, também debaixo de chuva, eu havia pego carona de manhã com uma moradora do meu prédio, alguém que nunca havia me visto. Ofereci-me para pagar metade da corrida, mas ela foi cavalheira o suficiente para negar — como eu mesma teria sido. Que sina: nós, mulheres, temos sido mais gentis umas com as outras que muitos homens!
12 dezembro 2007
Recolhimento
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Eclesiastes 3:1
Preciso me recolher, hibernar, contemplar, sonhar. Gestar tanta coisa que pede materialização. Diante desse computador, tantas são as vezes em que busco a quietude. Os grupos de discussão me chamam para o areópago, recuso. Os comentários me chamam para a briga, suspiro. Estou disposta a dar gargalhadas, orar por dificuldades, compreender disposições de espírito. Argumentar também, mas a passos cadenciados e calmos, sem a necessidade de voltar sempre a pontos pacíficos, tão didaticamente. Ainda há paciência, mas essa paciência - infinita - quer se voltar para outras plagas. Quero seguir adiante.
Por isso, amigos, leitores, concordantes ou discordantes: perdoem-me. Vou fechar o espaço de comentários, pelo menos por enquanto. Preciso. Sei que os que vêm aqui de espírito aberto (há muitos) entenderão o que me move. Sei que outros poderão me acusar de "censura". Pena, mas temos visões diferentes. Para mim, o blog não é arena pública, mas sim a casa do blogueiro, o sofá em que nos sentamos, eu e o leitor, para uma conversa gostosa. Como não perceber isso? O desejo de dizer e o desejo de ouvir suplantam o espírito de caixote no meio da praça.
Por isso, o silêncio em torno. Quero festa lá fora (preciso de festa), mas tranqüilidade para dizer o novo comigo mesma. E o novo não se beneficia de tanto falatório. Simples assim.
Se o silêncio se estender aos posts, sei que também irão me compreender. Mas quem gosta de me ler não ficará na ausência por muito tempo. Deus sabe de todas as coisas.
09 dezembro 2007
Homossexualismo é pecado...
Pois é, nós cristãos somos assim mesmo. Impopulares. Retrógrados. Com nossa postura, atravancamos o progresso de tantas causas que parecem boas e justas aos olhos dos homens. Mas não vamos pedir desculpas ao mundo por isso. Temos uma regra de vida e prática, expressa na Bíblia Sagrada, e não abriremos mão dela.
O que não significa odiar gays, insultar gays, espancar gays, matar gays. Assim como não odiamos, não insultamos, não espancamos nem matamos a grande maioria que faz sexo antes do casamento e se masturba. Apenas nos posicionamos quando pregamos ou alguém nos pergunta sobre o assunto. Nem por isso essa maioria se sente especialmente atingida pelo que cremos. Eles não estão nem aí. E, acreditem, temos grande afeto por muitas pessoas assim e convivemos com elas. Sem feri-las, mesmo quando procuramos partilhar nossa fé. Se elas se sentem atingidas, a gente resolve a coisa como deve ser: de um modo pessoal, na base da conversa.
Os ativistas, porém, do lobby gay, querem institucionalizar a aceitação, engarrafar as boas relações, automatizar o carinho, mecanizar a simpatia. E usam o Direito para isso: a coação, a sanção.
Será isso certo? Pensem bem. É bom esse tipo de aceitação, conquistada na marra, na força da lei? Com o atentado à liberdade de expressão, que é prerrogativa de todos os totalitarismos?
Quanto a nós, queremos ter a liberdade de continuar pregando e dizendo a nossos amigos e conhecidos: homossexualismo é pecado, assim como o sexo antes do casamento e a masturbação. Quem quiser, que nos ouça e se converta. Quem não quiser pode nos dar as costas, sair de nossas igrejas, escrever artigos contra. Não nos importamos. Mas que não queiram calar nossa voz. Não são palavras de violência, mas de amor.
Que Deus abençoe os líderes deste país para um pouco mais de sã racionalidade - e, por que não dizer, da verdadeira democracia. Meu amigo Julio Severo chama a atenção para a Jornada Nacional Evangélica em Defesa da Vida e da Família, lançada no Congresso em 18 de setembro deste ano, com a participação de lideranças evangélicas. O evento discutiu infanticídio, aborto, homossexualismo, pedofilia, além de mencionar os perseguidos - mesmo antes da aprovação do projeto de lei sobre a homofobia! - que desagradam os lobistas: Márcia Suzuki, Olavo de Carvalho, Pr. Ademir Kreutzfeld, Cardeal Dom Eugênio Sales, Dep. Henrique Afonso, Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, Dr. Humberto L. Vieira, Dra. Rozangela Justino, Silas Malafaia e Julio Severo. Imaginem como não será a perseguição aos cristãos quando a lei for aprovada! Precisamos nos mobilizar o quanto antes.
Veja o pecado do homossexualismo conforme a Bíblia:
Gênesis 1:27 – "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou."
Marcos 10:6 – Palavras de Jesus – "...porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher ."
Levítico 18:22 – "Com homem não te deitarás, como se fosse mulher: é abominação."
1 Coríntios 6:9 – "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas... herdarão o reino de Deus."
Romanos 1:18-32 – "...por causa disso os entregou Deus a paixões infames... os homens também, deixando o contato natural da mulher , se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro."
28 novembro 2007
Textos escolhidos
13 novembro 2007
Diálogos (imoralmente) Irrelevantes V
- Eu acho um absurdo essa recente "caça às bruxas" de nossa sociedade ocidental contra o que chamam de "pedofilia".
- Ah é? Por quê?
- Ora, para começar, a nossa história está repleta de exemplos de uniões com êxito entre pessoas de idades diferentes.
- Ah, por favor, que conceito fluido de "pedofilia" é esse? Você não vai comparar "uniões entre pessoas de idades diferentes" com pedofilia, vai?
- Espera aí. Relações entre adultos e crianças não precisam ser traumáticas. Existem casos em que as relações sexuais, até mesmo com certa violência, não deixam marcas físicas e psicológicas nas crianças. Você se lembra da sua infância?
- Minha infância? Cara... Acho que até mesmo o mais leve olhar sexualizado de um adulto deixa marcas. As crianças são muito sensíveis e eu me lembro de cada momento de minha infância. Não se brinca com isso. O fato é que a criança tem mecanismos adaptativos muito fortes, pois ainda não desenvolveu proteções psicológicas adequadas. O adulto pode conseguir os pactos mais esdrúxulos com uma criança, se conseguir ganhar a confiança dela. Se esse pacto for o abuso sexual, ela vai se tornar alguém problemático com relação ao sexo, perpetuando o abuso por sua vez.
- Não é bem assim. Existem muitas crianças que até fantasiam experiências com adultos e que, uma vez perguntadas se foram "abusadas" sexualmente, dizem "sim" com orgulho, de acordo com a expectativa dos que perguntam.
- Não acredito que isso seja tão constante assim. (Aliás, como é que você sabe?) Mesmo assim, é o que eu disse: o fato de a criança ter se adaptado a isso, inventando ou não, não é prova de que a pedofilia pode ser algo "normal". Assim como o fato da existência de uma boa quantidade de assassinos no mundo não prova que a morte provocada seja normal e desejável! Que argumento é esse para um filósofo?
- Mas, no caso do sexo, é diferente. Os relacionamentos são convenções da sociedade, que sempre busca punir quem não se enquadra nos padrões considerados corretos. No final das contas, todo mundo vai querer punir quem não fizer sexo no estilo "papai e mamãe", isto é, de pijama, só depois da novela, com parceiros heterossexuais e de mesma idade.
- Que absurdo você está dizendo. Há muito tempo ninguém pune ninguém por aquilo que é feito no quarto, entre adultos. Mas com criança é outra história. Você está comparando o incomparável. Quer dizer que a proibição à pedofilia é só uma "convenção"? Você acha então a pedofilia normal e aceitável?
- [Absorto no que diz] Isso não é só hipocrisia. Isso não é só cegueira ideológica e, quem sabe, religiosa. Isso é nazismo! É a Inquisição! Aí as pessoas começam a fazer "denúncias anônimas", o que é um perigo. Pegam o telefone para denunciar o comunista de hoje em dia, ou seja, o "pedófilo". Junto com o pai que não paga pensão, com o ladrão de galinha, o pedófilo é agora o inimigo número 1 da nação. Pobre nação! [Segue-se um longo monólogo sobre a excessiva criminalização praticada nas sociedades atuais.]
- Escute, você está mudando de assunto. Além disso, usou o exemplo mais errado possível: as sociedades comunistas são as que mais incentivam a criminalização. E o pior, não por crimes enquadrados no código penal, mas sim por crimes de opinião, como o que os homossexuais querem fazer com a tal lei da homofobia...
- (...)
- Mas ok, responda à minha pergunta, por favor. Você acha a pedofilia normal e aceitável?
- Não! Imagina. Estou longe fazer a defesa de algo como a pedofilia. Mas não concordo que nossa sociedade teça julgamentos sem levar em conta nossa tradição cultural, sem considerar o que de fato consideramos correto no Ocidente, e o que é e o que não é "abuso sexual" com crianças e jovens.
- Mas o que você está querendo dizer exatamente? Existe algum tipo de relação sexual com crianças que não seja abuso? Não percebe que com esse discurso você está indiretamente relativizando a noção de "pedofilia"? E que isso acaba sendo, sim, uma defesa da pedofilia?
- Não. Acredito que nisso tudo há uma falta completa de reflexão filosófica. E quem busca coibir a pedofilia nem sempre está preparado para entender situações que só com mais esclarecimento intelectual e mais vivência podemos entender. Não leva em conta que crescer e se tornar adulto não é uma tarefa fácil. É um processo social e histórico.
- Claro. Mas, antes de tratar o problema de adultos abusadores que continuam com sua sexualidade infantilizada – ou seja lá qual for a motivação de quem sente atração por crianças, não sei, não sou psicólogo – , é preciso tirar esses adultos de circulação, para que seja interrompido o ciclo do abuso sexual. As pesquisas dizem que quem é abusado se torna quase invariavelmente um abusador por sua vez. Primeiro, é um caso de polícia; depois o psicólogo intervém. Mas a coisa tem que parar. É crime. As "reflexões filosóficas", nesse caso, só serviriam para deixar os pedófilos mais livres...
- [Com o olhar suspenso] Você tem razão quanto à imaturidade sexual na idade adulta. Há um filme chamado "Pecados íntimos" em que todos os personagens continuam vivenciando sua infância. São adultos e tentam cumprir, como nós, suas obrigações sociais, mas são um pouco... infantis. Cada um de nós, de algum modo, é um daqueles personagens...
- Opa, peraí. Lá vem você relativizando de novo. Tá certo que a maturidade plena é difícil, mas esse tipo de imaturidade que leva ao abuso infantil, você há de convir, é algo muito mais sério... Podemos até nos identificar com a imaturidade dessas pessoas, mas não podemos, com base nessa identificação, promover um tipo de relativismo "compreensivo" que contibuirá, no final das contas, para a criação de um maldito NAMBLA, uma associação de pedófilos, no Brasil.
- Mas cada caso tem que ser analisado, para entender a diferença entre alguém que precisa de um tratamento por ser pedófilo e alguém que está propondo certas práticas — que no limite não serão malévolas — , práticas possíveis de serem propostas segundo uma série de fatores culturais.
- [Arregalando os olhos] Como assim? Que práticas???
- Tá vendo? Quando se fala de sexo, as pessoas ficam de cabelo em pé, igual você, agora. Os crimes sexuais, mais do que o assassinato, inspiram o fascismo...
- Oh, pare de se desviar do assunto! Responda, que práticas podem ser "pouco malévolas" em se tratando de tentativas sexuais entre um adulto e uma criança?! A criança está evidentemente em posição de inferioridade com relação ao adulto...
- Veja como você ficou nervoso! Isso é sintomático. Esse furor, esse desejo coletivo de castração do criminoso sexual, torna as pessoas tão ou mais perigosas do que os chamados pedófilos. A coletividade castradora é a direita, o fascismo, atacando coletivamente, enquanto o pedófilo, se quer abusar de crianças à força, ataca só individualmente...
- Agora você extrapolou tudo, meu caro. Não tenho visto nenhuma coletividade por aí, de facas na mão, correndo atrás dos pênis dos criminosos sexuais. Por outro lado, a pedofilia é algo que as mesmas sociedades ocidentais que você condena estão doidinhas para legalizar, porque estamos em uma época em que ninguém mais aceita freios para o desejo humano. E tem mais uma coisa: quando menciona "abusar de crianças à força", você parece querer defender que não é pedofilia o assédio adulto "consentido" pela criança. Esse é o mesmo argumento dos pedófilos do NAMBLA. Dizem que, se a criança aceita, por que não fazer...?
- Olha, nós não vamos chegar a bom termo criminalizando várias práticas sociais que até bem pouco tempo havíamos elogiado. O amor entre pessoas de idades diferentes foi e, em alguns lugares ainda é, uma prática incentivada no Brasil. Muitas de nossas avós casaram com homens bem mais velhos, quando ainda eram meninas. Não foram infelizes. Muitas meninas atraem propositalmente homens mais velhos, e isso não é o fim do mundo.
- Você está comparando o casamento das nossas avozinhas com a pedofilia? Você tem idéia do que está dizendo??? O adulto que se interessa sexualmente por uma criança logo abandonará essa mesma criança quando ela estiver com mais idade, porque terá perdido o interesse nela. É tão óbvio que a pedofilia é uma relação que degrada a criança, que é vista apenas como objeto sexual! Você está comparando isso com o relacionamento compromissado que é um casamento feliz? Sua visão está totalmente distorcida. Eu sabia que essa conversa não ia chegar a lugar algum.
- [Fechando a cara.] Regras rígidas e sem uma base de estudo podem nos conduzir a um Brasil como prisão coletiva, uma sociedade infeliz, meu amigo.
- Não me chame de amigo, por favor. É preciso uma prisão coletiva para pessoas como você, que sob a capa de "filósofo" contribuem para que mais e mais crianças sejam empurradas para o abismo sem fim que é a dor do abuso sexual. Você precisa se tratar!
31 outubro 2007
Hoje é dia da Reforma!
Jesus Cristo em Mt 22:29
Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas
a vida eterna, e são elas que de mim testificam.
Jesus Cristo em Jo 5:39
O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam
os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Apóstolo João em Ap 21:14
Quando pensamos nas inúmeras igrejas evangélicas que continuam se formando das mínimas dissidências através das últimas décadas; quando verificamos a falta de consistência bíblica e de preparo intelectual e/ou espiritual de muitos líderes dessas igrejas; quando lembramos as denominações e os pastores que aderem ao aborto e à causa gay... nada disso nos deixa propícios a comemorar o Dia da Reforma.
Porém, os primeiros líderes da igreja primitiva já tinham seus problemas, e eles não eram leves. Gente que mentia ao Espírito Santo, que pervertia a fé dos outros ao anunciar que a ressurreição já havia ocorrido, que se fingia de pregador fiel para tirar dinheiro do povo, que forçava a barra para que os procedimentos judaicos continuassem a ser praticados... e nenhum desses desvios era suficiente para apagar a grande alegria que os cristãos sentiam em ser discípulos de Cristo, depositários de Sua maravilhosa Palavra (que limpa a alma) e do penhor do Espírito (que nos permitirá estar com Deus naquele dia).
Olhamos para trás e a nossa volta, e somos capazes de reconhecer os inúmeros erros da igreja cristã. No entanto, também podemos atestar os imensos cuidados de Deus para que a fé continuasse viva e atuante em todos esses séculos. O princípio da Sola Scriptura, ao contrário do que católicos e ortodoxos afirmam, não é um espécie de idolatria ao Livro; é, ao contrário, mostra do infinito amor de Deus para conosco, não deixando que ficássemos vulneráveis às inconstâncias dos homens através dos tempos. O princípio da Sola Scriptura é a razão de ser da própria Bíblia: balizador de nossa fé, porto seguro para onde nos voltamos quando as falas sobre Deus ao redor nos parecem desconexas demais.
Li hoje no Orkut: "Não existe a noção de Sola Scriptura nos quinze primeiros séculos do cristianismo. O Cristianismo nunca foi uma religião do livro, pois a Palavra de Deus é Cristo encarnado, ressucitado e vivo entre nós. Tinta sobre papel, nesse caso, é secundário. E pode ser letra que mata."
O problema com essas afirmações é que elas não podem ser enunciadas sem que seja introduzido um grande princípio relativista na relação do cristão com a Bíblia. Elas contradizem as palavras e o comportamento do próprio Jesus. Vejamos.
No Novo Testamento, Cristo menciona aqueles que viriam a crer Nele não por um encontro direto com o Deus encarnado, como tinha acontecido com os discípulos, mas sim por Suas palavras. Ora, as palavras de Jesus não podem mais nos ser passadas boca-a-boca - suas testemunhas diretas não mais circulam entre nós - , mas sim pelo Livro (e, ainda indiretamente, por quem lesse o Livro e reproduzisse oralmente o que lá achasse escrito). Nesse sentido, quando as palavras de Jesus não estavam escritas, eram autoridade a partir da boca de Seus discípulos sinceros. Mas, como estão escritas, são autoridade a partir do Livro. Isso parece óbvio, mas não é. O registro detalhado da fé e sua organização em forma de um Livro espantosamente coerente é a prova de que Deus providenciou meios para que o conteúdo do que cremos não fosse facilmente alterado através dos séculos.
Além disso, há outro fator muito importante. Conforme lemos no Novo Testamento, quando Jesus começou a exercer Seu ministério, como é que Ele demonstrou que a religião judaica daquele tempo - que deveria testificar Dele como o Messias - havia se desviado grandemente de seus propósitos originais? Pelo Livro, ainda incompleto, da época: o que chamamos hoje Antigo Testamento. Como é que Ele corrigia os desacertos de seus contemporâneos acerca Daquele que havia de vir? Com a interpretação adequada do Livro.
Quando interpelado por autoridades judaicas, Jesus sempre respondia com palavras do Livro, deixando claro que o erro de seus questionadores era desconhecer as Escrituras. No encontro com a mulher samaritana, Jesus corrige sua cosmovisão dizendo-lhe algo que só o Livro pode atestar: a salvação que Ele representava vem dos judeus. E é com a autoridade desse Livro que Jesus vai à sinagoga, abre-o em Isaías e começa a ler sobre o Messias que viria, anunciando em seguida: "Sou eu este de quem o Livro fala." Se o próprio Jesus tratou o Livro como autoridade, por que deixaríamos de agir como Ele?
Há inúmeros exemplos em todo o Novo Testamento. Depois que Jesus ressuscita, os discípulos não O reconhecem de imediato. Ele então começa a narrar longamente os fatos do Livro - novamente, do Livro - para mostrar como era necessário que o Messias padecesse. Jesus conhecia o Livro e sabia que a reação correta de Seus discípulos a Sua presença depois de ressurreto dependia da correta interpretação das palavras ali registradas. Ele tinha o Livro em proeminência e não admitia que os líderes seus contemporâneos falseassem o que estava nas Escrituras, como demonstrou, por exemplo, no Sermão do Monte. Diante disso, não podemos agir diferente.
Os discípulos de Jesus compreenderam isto. Em Atos, os judeus de Beréia são louvados porque confirmaram as palavras pregadas pelos apóstolos da seguinte maneira: abriam o Livro e verificavam se estava correto o que ouviam. Não há dúvida de que seu louvor nos convida a fazer o mesmo, hoje, mais de dois mil anos depois da vinda do Senhor. Se fosse diferente, os judeus de Beréia não seriam elogiados, mas sim repreendidos, por submeterem as palavras dos próprios discípulos de Cristo ao Antigo Testamento - palavras que se verificaram verdadeiras e coerentes com os primeiros escritos, e que, por esse mesmo exame, foram acrescentadas ao Livro, ganhando o mesmo status que as anteriores. Se o AT era utilizado por Jesus para atestar a veracidade de Suas afirmações, não podemos fugir do fato de que o NT é repleto de recomendações para que os cristãos se ativessem aos conteúdos enunciados pelos apóstolos, colocando-os em evidente proeminência a qualquer outro ensino posterior. Assim, por que o procedimento seria outro, se hoje, no mundo ocidental, temos o privilégio de possuir em mãos o mesmo Livro, acrescido das palavras de Jesus e dos apóstolos comissionados diretamente por Ele para pregar Sua palavra? Por que Jesus exigiria de nós algo diverso do exame que Ele próprio realizou nas Escrituras, as quais conhecia e amava?
24 outubro 2007
Abortem-se os pobres
- Não julguem as pessoas com base em seu meio social! - tenho vontade de gritar.
Agora, valendo-se de uma tese ridícula dos autores de Freakonomics, andam dizendo que uma das medidas urgentes contra a violência é a legalização do aborto. Declarações tão absurdas como essa começam a pulular por aí com a carinha lisa da sonsice. Depois nós, conservadores, é que somos nazistas e fascistas... O determinismo implícito nessa tese “nasceu pobre, vira bandido” é tão ultrajante que nem tenho vontade de comentar.
Apenas imagino a seguinte cena: uma moradora de favela, grávida, encontra um político famoso. Segue-se o diálogo.
- Ih, minha filha, você está grávida, é?
- Estou... - responde ela, olhando para a barriga.
- E agora? Não se precaveu, né.
- É verdade. Mas eu quero ter ele.
- Você vai deixar nascer???
- Vou!
- Não acredito. Minha filha, pensa bem! Você é pobre!
- Sou pobre, mas vou lutar para cuidar do meu filho.
- Não, você não está entendendo. Você é pobre. Pooooooobre! Você mora na faveeeeeeela! Você já olhou em volta? Já percebeu quantas mulheres à sua volta estão tendo filhos sem parar? Esse monte de crianças poooooooobres, depois, vão crescer e descer para assaltar o povo do asfalto, que tem pouco filho – um, dois, no máximo – e não precisa roubar para sobreviver. Está entendendo, minha filha?
- Mas que absurdo! Como é que você tem tanta certeza de que meu filho vai virar bandido?
- (Olha para cima, perdendo a paciência.) Como eu posso ter certeza? Ora, minha filha! O homem é produto do meio! Onde você mora é uma fábrica de produzir marginal!
Ela arregala os olhos, incrédula. Antes de ir embora, o político famoso aponta dramaticamente para a barriga e vocifera:
- Livre-se desse monstro o quanto antes!!!
19 outubro 2007
A arte moderna e o mundo como idéia

Hoje está em voga nas galerias o tipo de exposição que se chama “instalação” – um gênero artístico esquisito, inspirado no famoso urinol assinado por Marcel Duchamp (foto), em que as idéias substituem as obras de arte: objetos cotidianos são arranjados de modo a representar uma determinada idéia do artista, e a idéia se torna a verdadeira vedete do acontecimento. A idéia tem de tal modo substituído a arte que já se viu um pouco de tudo. Listo aqui todas as manifestações sobre as quais já li ou presenciei:
- Artista vendendo as próprias fezes em saquinhos;
- Artista expondo uma reprodução de seu próprio quarto após uma noite de sexo: uma cama desarrumada, louças sujas, camisinhas pelo chão;
- Artista pintando quadros com o próprio vômito, depois de ingerir tinta;
- Artista trazendo cadáveres para exposição ou esculpindo estátuas com matéria-prima de corpos mortos;
- Artista se jogando em cima de uma tela gigantesca para que, de sua morte, nasça sua última “obra”, hoje exposta em um museu de Tóquio.
É no mínimo intrigante perceber um fio comum que une essas manifestações: a insistência na escatologia, um fenômeno complexo que tenho tentado compreender, que me parece caracterizar mais uma manifestação daquilo que René Girard chamou “transcendência desviada”. Nesse caso, desviada para a arte: as instalações tentariam atravessar o tabu da morte, dessacralizá-lo, exorcizá-lo. Aquilo que, sabemos, apenas Jesus pôde fazer – a vitória sobre a morte (At 2:24) – se vê falsamente representado em um grotesco desfile de dejetos do corpo e cadáveres, em nome da tão elástica noção atual de “arte”.
O que pode ser mais tabu que a morte? O artista que o atravessa simbolicamente parece ganhar contornos de semideus. Só isso explica a popularização absurda da instalação, mas sobretudo das instalações “escatológicas”. E só isso explica as justificativas que recebeu um artista costa-riquenho, Guillermo Habacuc Vargas, por expor e deixar morrer de fome na galeria um cão doente recolhido nas ruas de Manágua, com a cruel ironia de um letreiro, acima dele, com a frase “Você é o que você lê” escrita com rodelinhas de ração coladas na parede. Justificativas como essa: “Pessoas morrem todos os dias de fome, drogadas, por xenofobia [sic] ou por estúpidos burgueses que ignoram e não se responsabilizam pela putrefação da vida atual. Bravos pelo prêmio, agora o cão está no céu, e o melhor é que morreu como uma obra de arte e não no silêncio das ruas.”
Morreu como uma obra de arte e não no silêncio das ruas. Sim, mas poderia ter sido recolhido para tratamento e adoção, como fazem tantas queridas amigas minhas, dedicando-se à causa dos animais abandonados. Poderia ter tido anos de vida feliz. Em vez disso, foi sacrificado em público para ser divinizado em nome da religião “arte moderna”, e para que seu sacerdote, esse “artista” Habacuc, seja alçado à categoria de profeta da modernidade.
E por que profeta da modernidade? Porque sua história resume a maior tragédia do nosso tempo: ele estava preocupado com o cão “como idéia”, e não com o cão real, faminto e doente, a seu alcance. É a preocupação com o ser humano genérico que substitui a ação real e eficaz nos regimes comunistas; senão, como explicar que, em nome do amor e de “um mundo melhor”, tenham sido feitas tantas vítimas, na casa dos milhões? Da mesma forma, é a preocupação com a idéia dos oprimidos - pobres, mulheres, negros, gays - que caracteriza a ação dos militantes politicamente corretos hoje; senão, como compreender que sua militância se concentre no Ocidente, e não no Oriente, onde não só mulheres e gays são assassinados e mutilados, mas também milhares de cristãos sofrem e morrem diariamente por causa de sua fé?
No totalitarismo vitimário moderno, desloca-se ou inventa-se uma vítima somente para que, em seu nome, sejam justificados os sacrifícios de incontáveis outras vítimas - essas, tão reais quanto o animal deixado para morrer como “obra de arte” no canto de uma galeria em Manágua. Confrontado sobre sua “arte”, Habacuc explicou que a presença do cão foi uma homenagem a Natividad Canda, morto por um rottweiler. Suas sentenças são reveladoras: “Me reservo o direito de decidir se é certo ou não que o cachorro morra”, desafiou, refletindo a atual inversão que submete até a vida a desígnios íntimos. E completou: “O importante para mim é a hipocrisia das pessoas: um animal assim se converte em foco de atenção quando o coloco em um lugar onde as pessoas vão ver arte, mas não quando está envolvido na morte de um homem, como aconteceu com Canda.” Além de mentirosa - pessoas mortas por animais são sempre assunto de destaque na mídia -, sua desculpa apenas evidencia o caráter expiatório, substitutivo, do sacrifício do cão. Arvorando-se em juiz, Habacuc achou justo que morresse um cachorro para expiar o ato de outro, apresentando essa morte em público, orgulhosamente, como arte, como idéia digna de ser chamada de arte. É sempre o mesmo processo: os sacrifícios arbitrários da modernidade precisam se escorar em uma vítima qualquer para que o sacrificado se torne merecedor da morte que lhe foi destinada. O pobre cãozinho, tão inofensivo que tinha sido capturado por crianças, sem nada compreender do que lhe acontecia, foi oferecido em libação simbólica à ânsia vingativa que parece ter tomado conta da humanidade com força especial nesses últimos dias - ânsia que se absolutiza como Idéia desencarnada, acima do bem e do mal, travestindo-se de justiça e roubando a forma da arte para se positivar.
Na figura de um pobre cachorrinho batizado Natividad, a quem foram negadas comida e água para que, reificado, continuasse servindo como objeto à causa Idéia, cumpriram-se mais uma vez os propósitos macabros de nossa época: a idéia substituiu não só a arte, mas a vida.Veja as fotos da exposição e acompanhe os comentários assustadores que os defensores do artista postaram lá.
Assine a petição para que Habacuc seja confrontado com o justo limite para sua "arte": o limite sagrado da vida. Eu assinei: sou o número 21792.
E não deixe de ler:
Obras de René Girard;
O mundo como idéia, Bruno Tolentino, poemas
Desconstruir Duchamp, Affonso Romano de Sant'Anna, crônicas sobre a arte moderna
11 outubro 2007
Diálogo Filosófico I: Teoria e vida, um falso dualismo
- Quem foi que inventou neste planeta o texto teórico sem conexão com a vida?
- Hummmm... Boa pergunta. Só pode ter sido o próprio diabo. Com o reforço dos seres humanos que têm especial dificuldade com suas emoções.
- E quem foi que inventou que não existe teoria pessoal? Isso parece ser dominante a partir do século XX...
- O mesmo diabo. Para confundir as mentes. Agindo assim, força o ser humano a escolher entre teoria e vida, um falso dualismo. No primeiro caso, o homem se torna um racionalista, refugiando-se na exposição lógica sem conexão com a experiência. Não consegue revelar sentimentos nem se relacionar profundamente com ninguém. Tem medo de viver e se encastela nas tautologias da linguagem, nas complexidades fúteis da filosofia ou nos meandros de um idealismo missionário, como se fosse alguém puro demais para se misturar com os demais homens. No segundo caso, é um cínico, um destruidor em série de toda possibilidade de argumentação objetiva. Não vê quase nada em comum entre os homens. Perde-se nas diversidades da vida e se recusa a elaborar explicações para a variedade de fenômenos a que assiste, tornando-se um experimentador que nada consegue aprender, alheio às incoerências de sua própria cosmovisão...
- Parece-me que os dois extremos se encontram na esterilidade...
- Sim, todo dualismo produz efeitos semelhantes, ainda que pareçam opostos.
- Mas o racionalista não pode ser, ao mesmo tempo, um cínico?
- Sim, principalmente nesses tempos bicudos que o planeta Terra vive! Hoje, o ser humano se acostumou a tal ponto com a setorização mental que consegue, por exemplo, ser um racionalista em seu emprego e um cínico em sua vida pessoal. Ou vice-versa. As combinações são incontáveis... Em todas elas, está presente o mesmo muro que impede a conexão profunda entre ser, crer, pensar, agir.
- E o diabo se aproveita para pulverizar ainda mais a mente dos habitantes do planeta!
- É. A cultura dominante reforça tanto a fragmentação quanto a inconsciência e consegue até confundir os próprios crentes...
- [Arregala os olhos.] Os próprios crentes?!
- Sim, infelizmente. Há muitos crentes que lêem a Bíblia e “sabem” a história da salvação, mas não conhecem Cristo, não são transformados para a santidade. E há muitos crentes que escolhem só o aspecto relacional da fé, o amor cristão, mas negam-lhe o caráter universal, moral e transcendente, justificando a si mesmos para não ser transformados. Nesses casos, só o poder revelador e unificador do Espírito Santo pode intervir para a verdadeira comunhão com Deus.
- [Revoltado] Que cruel estratégia a do diabo!
- Sim. Mas Deus é poderoso para desfazer esse emaranhado e mitigar suas conseqüências.
- Amém!
- Amém!
Os dois seres deixam então a biblioteca e o planeta, concordando silenciosamente em oração sobre o desfecho da conversa.
01 outubro 2007
O Brasil não é o Irã: o projeto anti-homofobia
Em 2005, Arsham Parsi fugiu do Irã para preservar a própria vida. Há quatro anos mantinha uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais por uma rede de e-mails, foi descoberto e começou a ser ameaçado. Quando percebeu que a polícia tinha rastreado seu telefone, decidiu pedir asilo no Ocidente e hoje mora no Canadá, onde se sente livre para continuar seu trabalho. "A vida para um gay iraniano é muito dura, por falta de informação sobre o assunto e falta de segurança também", lamenta. "Ele tem que usar uma máscara 24 horas por dia." Parsi explica que a cultura iraniana pune o homossexualismo com a morte. "Muitos não chegam a ser presos ou perseguidos pela polícia, mas são executados pela própria família. Em geral, a sociedade apóia a perseguição aos gays. No ano passado, por exemplo, soubemos do caso de um pai que ateou fogo e matou o próprio filho, de 18 anos, quando descobriu que ele era gay, para manter a honra da família." Acrescenta que é impossível saber os números de execuções por homossexualismo: "Não são divulgados pelo Ministério da Justiça", afirma. Isso dá um novo significado à frase de Ahmadinejad: no Irã, os homossexuais são os invisíveis da cultura.
Da mesma forma que o Irã, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iêmen decretam pena de morte para o homossexual, enquanto Iraque, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar e Síria o colocam na prisão por um período que pode ir de um a dez anos. Na África, a maioria dos países prevê prisão e multa, e alguns ainda aplicam pena de morte. Na Ásia, países como Afeganistão, Sri Lanka, Bangladesh, Singapura e Malásia aplicam detenção e multa, enquanto a Chechênia prevê pena de morte. A situação muda radicalmente no Ocidente cristianizado. Na Europa inteira não se acha um só país que preveja sanção de qualquer espécie para o homossexualismo. Nas três Américas, apenas a Nicarágua pune com prisão e multa, e a Guiana com prisão perpétua. Nada de pena de morte. São exceções das exceções. E o país mais ocidentalizado do Oriente Médio, Israel, é o único a garantir liberdade e proteção para os gays. Mesmo em países orientais onde não há pena de morte para o homossexual, como Palestina e Jordânia, a população fica impune quando mata um gay, o que ainda é comum. Assim, os gays se refugiam em Israel ou no mundo ocidental, porque sabem que lá estarão seguros. Diante de todos esses dados, é incrível que tantas ideologias continuem culpabilizando o Ocidente cristianizado por boa parte dos males do mundo, enquanto em regiões que não sofreram influência do cristianismo as mulheres, os gays e os dissidentes religiosos são continuamente mortos, mutilados e presos por culturas que não reconhecem a liberdade individual - um dos frutos da graça comum dispensada por Deus com o advento de Cristo.
Quais são, portanto, as semelhanças entre a cultura iraniana e a cultura brasileira? Em relação aos gays, nenhuma. Com a exceção de alguns loucos que assassinam gays assim como o Maníaco do Parque matava e enterrava mulheres indefesas, o Brasil ama o homossexual, que é bem recebido hoje em praticamente todos os ambientes - desde o meio da moda até a sala de aula. Ninguém mais tem de disfarçar seu "jeitinho", a não ser se preferir se manter no armário, por motivos pessoais. A homofobia brasileira não é regra, mas exceção. Pouquíssimos brasileiros, hoje, olharão para um gay na rua com ódio. No máximo, com uma atitude zombeteira. E nossa cultura tem se apressado a condenar cada vez mais o sujeito que manifesta algum desconforto com relação ao gay ou se recusa a ter contato com ele.
Sendo assim, por que o discurso ativista, no Brasil, ainda insiste em se referir a nossa cultura como se fôssemos matadores contumazes e incorrigíveis de homossexuais? Onde estão esses números gigantescos de gays assassinados? Serão eles maiores que os números de mulheres jovens, por exemplo? Serão esses números capazes de nos convencer de que odiamos os gays? Mas olhe em volta: seu professor de literatura é gay, seu poeta preferido é gay, seu cabeleireiro é gay, seu decorador é gay, seu ator preferido é gay. Isso realmente o incomoda? Isso incomoda o brasileiro? Não é preciso muito para reconhecer a verdade: o argumento de que o brasileiro odeia o gay está sendo utilizado como arma política. Impossível não concluir: militância politicamente correta é simples luta de poder. Não tem nada a ver com liberdade. Se tivesse, lobistas gays e feministas concentrariam seus esforços onde realmente se precisa deles. Aqui, os assassinos de gays, assim como espancadores e estupradores de mulheres, devem ser responsabilizados individualmente por seus crimes, algo de que a lei disponível já dá conta. Afirmar que os homossexuais não são livres em uma cultura como a nossa é zombar dos gays enforcados, apedrejados e esfaqueados, com o consentimento das leis e da população, nos países que não têm tradição de liberdade individual.
É um contra-senso, portanto, que o lobby gay queira aprovar um projeto de lei que, por causa de suas imprecisões, poderá ser utilizado justamente contra os cristãos, para impedir até mesmo a mais singela leitura da Bíblia em voz alta, a mais indefesa opinião de que o comportamento gay não é "normal" ou "natural". Como boa cristã ocidental, sou a favor da livre expressão - tanto dos gays quanto dos religiosos. No Brasil, os gays já têm a sua. Não tirem a nossa.
Fontes: Wikipédia e Bonde News