Mostrando postagens com marcador pobreza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pobreza. Mostrar todas as postagens

24 outubro 2007

Abortem-se os pobres

Uma falácia leva a outra. Primeiro, começaram a dizer que a maior causa da violência é a pobreza. Ou seja, colocaram todos os pobres no mesmo saco, honesto com bandido, e insultaram os honestos. (Isso é coisa de quem não anda com moradores de favela. Quem tem amigos na favela sabe o quanto Deus é democrático em distribuir beleza, coração generoso, dons e talentos em todos os meios sociais.)

- Não julguem as pessoas com base em seu meio social! - tenho vontade de gritar.

Agora, valendo-se de uma tese ridícula dos autores de Freakonomics, andam dizendo que uma das medidas urgentes contra a violência é a legalização do aborto. Declarações tão absurdas como essa começam a pulular por aí com a carinha lisa da sonsice. Depois nós, conservadores, é que somos nazistas e fascistas... O determinismo implícito nessa tese “nasceu pobre, vira bandido” é tão ultrajante que nem tenho vontade de comentar.

Apenas imagino a seguinte cena: uma moradora de favela, grávida, encontra um político famoso. Segue-se o diálogo.

- Ih, minha filha, você está grávida, é?

- Estou... - responde ela, olhando para a barriga.

- E agora? Não se precaveu, né.

- É verdade. Mas eu quero ter ele.

- Você vai deixar nascer???

- Vou!

- Não acredito. Minha filha, pensa bem! Você é pobre!

- Sou pobre, mas vou lutar para cuidar do meu filho.

- Não, você não está entendendo. Você é pobre. Pooooooobre! Você mora na faveeeeeeela! Você já olhou em volta? Já percebeu quantas mulheres à sua volta estão tendo filhos sem parar? Esse monte de crianças poooooooobres, depois, vão crescer e descer para assaltar o povo do asfalto, que tem pouco filho – um, dois, no máximo – e não precisa roubar para sobreviver. Está entendendo, minha filha?

- Mas que absurdo! Como é que você tem tanta certeza de que meu filho vai virar bandido?

- (Olha para cima, perdendo a paciência.) Como eu posso ter certeza? Ora, minha filha! O homem é produto do meio! Onde você mora é uma fábrica de produzir marginal!

Ela arregala os olhos, incrédula. Antes de ir embora, o político famoso aponta dramaticamente para a barriga e vocifera:

- Livre-se desse monstro o quanto antes!!!