15 maio 2007

Poucas e boas sobre o aborto

O argumento basilar dos defensores do aborto é sempre o mesmo: querem nos convencer de que o feto não é gente. As alegações são várias - até X meses, feto não sente dor, feto não tem consciência, não tem alma etc. - , mas o argumento continua igual: se não é gente, matá-lo não é assassinato. Porém, se o feto não é gente, o que ele é? Animal? Zumbi (corpo morto que se mexe)? Por quê? E, nesse caso, como é possível dentro do útero a passagem de um animal ou de um corpo morto a um ser humano? Atenção: não estou perguntando quando (se um, três ou nove meses), mas sim como. Se o defensor do aborto puder responder científica e satisfatoriamente a essas perguntas, podemos começar a conversar.

O ministro petista Temporão disse recentemente na TV que o aborto era "questão de saúde pública". Bom, dizem que o bebê tem a capacidade de sentir se é querido ou não ainda dentro da barriga da mãe. Sendo assim, acredito que, quando era um feto, o ministro não gostaria muito de saber que alguém lá fora estava lutando para que a sociedade o visse como um tumor maligno.

A bandeira do aborto é uma bandeira de morte louvada pela maioria "esclarecida" (luz de trevas), erguida bem alto e muito bem financiada por instituições internacionais milionárias com motivações e objetivos escusos. A bandeira da vida é pobre e ridicularizada como inútil restolho religioso. Nesse quadro, quem exerce pressão sobre quem? E a quem aproveitam tantas crianças a menos no mundo?

64 comentários:

Mauro Meister disse...

Olá Norma,

Recentemente vi uma entrevista-debate sobre o assunto na globo news... os argumentos eram exatemente estes. Achei interessante que, naquele caso, a entrevistadora não estava do 'lado' dos entrevistadores debatedores (os dois pró-aborto). Eu mandei minha opinião no chat do programa e até foi lida no ar!

Eu me lembro de umas produções de Schaeffer e seu argumento: aborto e eutanásia vem da mesma fonte, é tudo morte e quem defende um acaba defendendo o outro. Eu não tenho mais a música, mas era um bebe, intrauterino, cantando para sua mãe a respeito da vida. Continuemos lutando contra a morte.

abs
Mauro

Anderson Gonzaga disse...

Tem uma pesada cortina para ser puxada. Só assim veremos para além das aparências que cercam o assunto.

Deus é o autor da vida.
Vida plena, não rasa.
Uma visão de mundo que exclui Deus abre espaço para aberrações do tipo que define a descartabilidade da vida de um feto em prol da comodidade de quem o fecundou.

Facinho.... já que a vida é um fim em si mesmo, façamos o que der na telha, pois amanhã morreremos. Dessa liberdade gostosa foi gerada uma inconveniente criança que vai me impedir de continuar desfrutando-a toda? Ora que se remova as pedras do caminho....

Não, não, não!
Fomos criados a imagem e semelhança de Deus!
Não podemos nos contentar em ser reduzidos a coisas.
Coisas que vivem sem medir consequências, coisas que não param pra se pensar no mundo, coisas que coisificam seus proprios corpos, coisas que, enfim, são arrancadas do útero materno e jogadas na lata de lixo......

Norma disse...

Oi, Mauro!

Pois é, o problema do pró-aborto, antes de tudo, é com a lógica. Eles juram de pés juntos que a vida do feto passa do puro estado vegetativo (animal ou "zumbi", passível de morte) ao complexo funcionamento do cérebro (ser humano, não mais passível de morte). Mas isso é tão louco quanto dizer que a amendoeira dá jaca. Não se pode tirar nem complexidade nem subjetividade de onde não há. Aliás, os argumentos em favor do aborto são muito parecidos com os argumentos em favor da inexistência de Deus. É a mesma lógica torta: o ser humano veio do nada, do "puramente vegetativo", de algo bem menor que ele - como se o mar com todos os seus seres vivos pudesse ser gerado de um copo d'água. E esse argumento do "ser que vem de algo menor que ele ou nulo" rebaixa o ser humano e o expõe a ser assassinado muito mais facilmente pelos embaixadores da morte.

Anônimo disse...

Em sua entrevista coletiva de ontem, o presidente Lula reafirmou que o aborto é uma questão de saúde pública! É lastimável a forma cruel que esse assunto está sendo tratado... Por que não se passa a considerar como problema de saúde pública a quantidade de filhos que as mulheres querem ter? Então neste aspecto elas não são "donas de seus corpos"? Por que não permitir que uma moça, que aos 25 anos já tem 6 filhos , faça ligadura de trompas num hospital público? Já presenciei dezenas de mulheres muito pobres, com muitos filhos desejando a laqueadura e não conseguindo. " Tudo bem, se elas engravidarem de novo, poderão então fazer um aborto". Não é ridícula uma política dessas? Realmente não consigo entender...
E agora a tv Record enche a boca para dizer que está abrindo os debates sobre o aborto na tv brasileira, mas o que eles estão fazendo, é sim, uma propaganda descarada e revoltante pró aborto. Depois nos perguntamos por que nosso país vai de mal a pior...

Anônimo disse...

Olá Norma,graça e paz!
Bem...espero que a políticagem "consciente"considere em favor da vida.Realmente considerar o feto de um bêbe como algo imanimado,é reforçar a teoria da evolução em um nível escalar no seu mais alto grau.que por sinal com a descoberta do código genético(DNA)colocou a referida teoria no seu devido lugar(lixo herético)
Que os defensores do aborto(assassinato)tenham realmente temor ao Senhor...como diz à Bíblia:"temor ao Senhor e´o principio da sabedoria"e um dos mandamentos é;"não matarás"

um abraço

José luiz

Anônimo disse...

Oi Norma, aqui nos EUA estamos dentro de uma sociedade completamente passiva e conivente com o aborto, eutanásia e homossexualismo, tudo em nome da privacidade, da individualidade.

Ninguém, na vida comum, (na universidade, no escritório, na igreja, no mercado) tem qualquer preocupação com isso. Vivendo cada um a sua própria vida e no que se refere as decisões que fazem não é da conta de ninguém, nem para crítica ou apoio, tendendo para o apoio, quando há alguma manifestação.

Este parece ser o caminho pelo qual o Brasil vai caminhar, o processo de mudança do pensamento da sociedade está acontecendo de maneira simples e convincente, massificando os temas com um debate nacional, onde muitos "especialistas" vão injetando na mente do povo conceitos e mais conceitos, princípios ilógicos que fazem sentido para os não pensantes cidadãos brasileiros.

Pode ser que não haja como barrar o avanço da decadência da humanidade, mas podemos perceber uma brecha onde se pode salvar alguns do sistema, na verdade a brecha está disponível a muito tempo, quando foi dito certa vez: "...façam discipulos...".

Um a um, num processo lento mas efetivo se pode minar as bases em muitos lugares, também é o que acontece por aqui, existem as lutas gerais e aparentes, porque é importante sinalizar que tem alguem pensando o contrário, mas a vitória está no trabalho com os indivíduos.

Se cada um de nós tivesse a responsabilidade de discipular uma pessoa poderíamos em alguns anos criar um cinturão de resistência que faria diferença.

Faço parte de algo assim aqui no Texas e no ano que vem iniciaremos esse movimento na Itália.

As consequências são muitas, ficamos muito mal vistos, mas conseguimos permanecer na convivência com o "inimigo" e buscando um aqui outro lá que ainda não foi convencido.

Um abraço.

Anônimo disse...

Uma Visão Antropológica do Aborto

Anônimo disse...

Oi Norma, fala Hereticus:

e' muito bom que o aborto continue a ser combatido. Dou meus parabens a vc por manter o tema no seu blog, e desejo exito ao Wilson Bento, tanto no Texas como na Italia.
A luta contra o aborto une Evangelicos e Catolicos, como a historia a seguir atesta. O prof. Francis J. Beckwith, presidente da Evangelical Theological Society, que reune 4300 teologos Protestantes, renunciou ao cargo dia 5 de maio, por haver retornado ao Catolicismo da sua infancia, e que ele havia abandonado nos anos 70 do seculo XX. Ele disse que por muitos anos concordou com as criticas de Lutero e outros lideres da Reforma, principalmente os argumentos de que a justificazao resulta da graca de Deus, e nao das boas obras. Mas o seu pensamento comecou a mudar ao ler mais profundamente a teologia Catolica, inclusive as obras do Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI. Apos ler o livro deste, "Verdade e Tolerancia", no ano passado, ele telefonou para um eminente filosofo evangelico, e leu um trecho desse livro, e pediu que o seu interlocutor adivinhasse quem era o autor. Apos ouvir varios nomes de teologos evangelicos, Beckwith acabou revelando que o autor era Ratzinger! "Entao ele e' um dos nossos!",concluiu o seu interlocutor. Beckwith disse tambem ter sido profundamente afetado pela declarazao conjunta de 1999 da Federazao Mundial Luterana e da Igreja Catolica sobre a doutrina da justificacao. "Afinal de contas, a razao para a Reforma foi o debate sobre a justificacao, e se isso nao e' mais um problema, eu tenho que ser Catolico," disse Beckwith. "Parece-me que, se nao ha' uma forte razao para ser Protestante, entao a posicao default pertence `a igreja historica", completou ele. Beckwith disse ainda que a sua decisao reflete quao dramaticamente as divisoes entre Evangelicos e Catolicos diminuiram nas decadas recentes, enquanto eles lutavam ombro a ombro nos combates contra o ABORTO o os casamentos entre "conjuges" do mesmo sexo.

Pastor Geremias Couto disse...

Cara Norma:

Ainda ontem, após a entrevista do Presidente Lula, em meio ao emaranhado de argumentos contraditórios sobre o aborto, cheguei a uma única conclusão: ele é contra, mas a favor do aborto! Interessante, não?

Para justificá-lo como uma necessidade de Estado, usou os surrados discursos estatísticos da prática clandestina do aborto,que, por isso mesmo, teria de ter respaldo legal para que o Estado pudesse financiá-lo e então diminuir os seus efeitos nocivos. Questão de saúde pública!

É como se Lula dissesse: como não tem outro jeito de acabar com o crime, vamos então legalizá-lo. Que absurdo! Sobre isso, a entrevista com o padre Luiz Carlos Lodi, publicada no Mídia Sem Máscara, e extremamente elucidativa e esclarecedora.

Ah... a minha frase "sou 'quase'um calvinista", inserida no comentário que fiz ao seu artigo anterior, provocou reações. Leia no meu blog, nos comentários ao artigo: "Eu respeito o Papa (parte I".

Um abraço

Blogildo disse...

Creio que a porção helênico-romana da cultura ocidental está cada dia mais forte! É bom lembrar que gregos e romanos não davam muita bola para bebês. Principalmente mulheres. Por sinal, a China moderna ainda mata bebês. O cristianismo ainda não pegou por lá. Faz algum sentido.

Dia desses li uma blogueira que disse ter feito um aborto e - segundo ela - foi como 'tirar um dente'. E assim caminha a humanidade...

Fernando disse...

Hereticus, você podia indicar onde eu posso encontrar essa história do Francis J. Beckwith?
http://homepage.mac.com/francis.beckwith/links.html

Eu encontrei o web site dele, mas acho que lá não conta essa história da reconversão ao Catolicismo.

Anônimo disse...

Fernando,

Se vier a calhar, há uma notícia sobre esse fato nesse site:
http://www.religionnewsblog.com/18261/francis-j-beckwith

Um trecho:

But his thinking began to change, he said, as he read more deeply into Catholic theology, including works by Cardinal Joseph Ratzinger, now Pope Benedict XVI. After studying Ratzinger’s book “Truth and Tolerance” last year, he said, he called a prominent evangelical philosopher, read him a passage about whether theology is really knowledge, and asked him to guess the author.

“He reeled off the names of a bunch of evangelical theologians,” Beckwith recalled. “I said, ‘No, it’s Ratzinger!’ And he said, ‘So he’s one of us!’ ” Beckwith said he was also deeply affected by a joint declaration in 1999 by the Lutheran World Federation and the Catholic Church on the doctrine of justification, which he said went a long way toward eliminating this historical source of division.
“I do agree with Protestants that there is no good I can do, no work I can perform, that would justify me,” Beckwith said. “But there are many places in scripture that say there’s an obligation Christians have to take on the character of Christ, and that contributes to their justification. The Catholic solution is: I am required to take on the character of Christ, but it is not my power that does it, but God’s grace.”
Chuckling gently, Beckwith said that in discussions with fellow theologians over the past year, he suddenly found himself making “Catholic-type arguments” about natural law and truth, arguing that everything found in the Bible is true, but not everything that is true is found in the Bible.
“At the end of the day, the reason for the Reformation was the debate over justification. If that is no longer an issue, I have to be Catholic,” Beckwith said. “It seems to me that if there is not a very strong reason to be Protestant, then the default position should be to belong to the historic church.”
On his blog last week, he said he wrestled with whether to inform the Evangelical Theological Society immediately of his intention to return to Catholicism, or to wait until the end of his term in November. He said he and his wife prayed for guidance and received an answer when a 16-year-old nephew asked him to take part in his Catholic confirmation ceremony tomorrow. “I could not do that unless I was in full communion with the church,” Beckwith said.

Anônimo disse...

Veja só o que está circulando na net Norma. O que nos conforta é que eles levarão adiante somente aquilo que está designado nos eternos decretos do Deus Soberano.

"Dia 17 de maio, Dia Internacional Contra a Homofobia

"Exatamente ao meio dia do dia 17 de maio próximo haverá manifestações em 27 capitais brasileiras em favor da aprovação da Lei número 122/2006, que criminaliza a homofobia. Precisamos urgente da aprovação dessa lei e temos todos que participar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Vamos nessa! Procure saber onde será a manifestação na sua cidade, já que a data tem caráter internacional."

Homofobia: Termo criado para expressar o ódio, aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais ou homossexualidade. O termo é um neologismo criado pelo psicólogo George Weinberg, em 1971, numa obra impressa, combinando as palavra grega phobos ("fobia"), com o prefixo homo-, como remissão à palavra "homossexual".

Fonte - Internet

Quando se fala de homofobia as atenções se voltam, negativamente, aos cristãos protestantes (evangélicos).

Somos veementemente acusados de preconceituosos e que nos colocamos contra os homossexuais.

Isso não é verdade. Na minha opinião, poderíamos aceitar, no máximo, que a Igreja Universal ainda não está preparada para lidar com esse assunto. Se conhecemos a Bíblia (a Palavra de Deus) e praticamos os seus mandamento, não podemos nunca ser contra os homossexuais. Batemos sempre nessa tecla, somos sim terminantemente contra a prática da homossexualidade tomando por base os princípios da Bíblia.

Sei que a Igreja de Jesus não precisa ser defendida por homem algum, assim como Deus, ela subsiste por si só.

Mas fico muito incomodado quando vejo a imposição de certos homens e da mídia quando tratam desses dois assuntos: origem da vida e homossexualidade. Eles empurram garganta abaixo das pessoas e impõem que aceitemos e creiamos naquilo que, muitas vezes, eles mesmos não crêem sinceramente, tampouco têm subsídios suficientes para crer.

O caso da origem da vida, se até hoje ainda é uma teoria (conhecimento especulativo, conjectura, hipótese, utopia) que direito as instituições de ensino, o “fantástico”, e outros, têm de usar somente essa teoria, se para eles a criação é uma teoria deveriam usá-la também. E é nesse ponto que acho que deveríamos ter grupos que interpelasse contra a postura hipócrita deles.

O mesmo acontece com o homossexualismo, se a ciência não consegue provar que é uma alteração genética, por que não interpelamos também contra certas declarações que querem que aceitemos que é uma questão genética?

Infelizmente não temos representantes dignos que lutem abertamente contra os absurdos que estão tomando conta da Sociedade e da Igreja (a exceção de poucos púlpitos e representantes políticos).

Mas ainda há esperança, que sujam vozes como a do Dr. Uriel Heckert para acusar tudo isso com sabedoria e poder de Deus (veja abaixo o seu artigo).

Artigo do sr. Uriel Heckert

Doutor em psiquiatria pela Universidade de São Paulo

Professor em psiquiatria na Universidade Federal de Juiz de Fora

Presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos(CPPC)


Um dos mais nítidos traços da modernidade é a valorização da ciência, mesmo sabendo-se que sua palavra não é definitiva e que ela tem sido manipulada com freqüência. A psiquiatria, com seus 200 e poucos anos de reconhecimento, já passou por vicissitudes. Há aqueles que apontam, já no seu nascedouro, uma tendência para o exercício do controle social. Machado de Assis, no seu conhecido conto “O Alienista”, ilustrou com ironia os riscos que lhe são inerentes, ao descrever as peripécias do personagem Dr. Simão Bacamarte, que, num momento, trancafiou quase toda a população e, noutro, se arvorou em avalista da normalidade de inúmeras sandices.1

Vejo que corremos tais riscos ao nos perguntarmos o que a psiquiatria tem a dizer sobre a experiência de pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo. Se a chamada psiquiatria democrática já nos aponta a superação de um período repressor, é de se reconhecer que ela continua ávida por respeitabilidade, esforçando-se por parecer sempre “politicamente correta”. Assim, torna-se interessante entender o que se dá com as suas tão comentadas listas que podem ser usadas, conforme o que se pretende, para incluir ou excluir qualquer um de nós.

A “Classificação Internacional de Doenças”, 10ª edição (CID-10), publicada pela Organização Mundial da Saúde em 1992, excluiu a homossexualidade, como tal, da sua relação de transtornos de comportamento. Ali encontramos listados os transtornos de identidade sexual e os transtornos de preferência sexual, nos moldes da classificação anterior (CID-9). Há, na verdade, um agrupamento dos denominados transtornos psicológicos e de comportamento associados ao desenvolvimento e à orientação sexuais; e ainda um código para aconselhamento relacionado à atitude, comportamento e orientação sexual.2 Faz-se necessário explicar melhor:

— Identidade sexual diz respeito ao senso íntimo que leva alguém se identificar como do sexo masculino ou do feminino, moldando emoções e comportamentos. Os transtornos de identidade sexual dizem respeito a condições em que existe “um desejo de viver e ser aceito como membro do sexo oposto, usualmente acompanhado por uma sensação de desconforto ou impropriedade de seu próprio sexo anatômico”.3 A referência principal são os casos de transexualismo, em que há um desejo profundo de mudança do sexo biológico, levando, nalgumas vezes, às cirurgias para alteração dos genitais. Aqui estariam também certos casos de transvestismo (assim a palavra está grafada no CID-10).

— Transtornos de preferência sexual remetem a condições nas quais os desejos sexuais são dirigidos para substitutos considerados inadequados. Incluem casos de erotização de objetos (fetichismo), de exposição dos genitais (exibicionismo), de focalização erótica da intimidade de outrem (voyeurismo), além de sadomasoquismo, pedofilia e outros.

Nenhuma dessas situações referem-se, em princípio, à homossexualidade, que diz respeito à orientação sexual, isto é, ao direcionamento do desejo e do comportamento sexual para pessoas do mesmo sexo. Em relação a esse caso, encontramos listados o transtorno de maturação sexual e o transtorno de orientação sexual egodistônica, nos quais a identidade sexual não está em dúvida, isto é, a pessoa reconhece-se como sendo do próprio sexo biológico. O possível mal-estar fica no âmbito da orientação sexual que pode ser homossexual, heterossexual ou bissexual; e que, no caso, passa a ser fonte de conflito e determina a busca de sua superação ou ajustamento.

É preciso reconhecer que a mudança efetuada na listagem oferecida pela Organização Mundial da Saúde foi precedida e fortemente influenciada pelo que acontecera anos antes, no âmbito da Associação Psiquiátrica Americana. Essa entidade patrocinou o que denominou Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM), em sucessivas edições, onde foram progressivamente assimiladas as tendências da sociedade liberal e as pressões de grupos organizados. Assim, decidindo sempre por votos majoritários em assembléias, restringiu-se sistematicamente as menções à homossexualidade.

Aqui cabem algumas considerações. A primeira delas é que, no seu estágio atual, a psiquiatria assume uma postura humilde e reconhece as limitações dos conhecimentos sobre a maior parte das condições clínicas, especialmente aquelas relacionadas ao comportamento. Assim, aboliu-se o termo “doença”, pois ele remete a um entendimento causal que, no momento, ainda é impossível. Portanto, não é só sobre a homossexualidade que não se fala de doença; prefere-se sempre a expressão “transtorno”.

Em segundo lugar, o próprio CID-10, na sua apresentação, nos adverte da pequenez de suas pretensões: “Uma classificação não pode nunca ser perfeita e sempre será possível introduzir melhorias e simplificações no futuro, na medida em que aumente o nosso conhecimento”. E ainda: “As descrições e diretrizes não contêm implicações teóricas e não pretendem ser proposições completas acerca do estágio atual do conhecimento dos transtornos. Elas são simplesmente um conjunto de sintomas e comentários sobre os quais houve uma concordância”.4 Assim, o lugar que a homossexualidade ocupa atualmente em tal classificação é circunstancial e pode mudar a qualquer momento.

Vê-se, portanto, que não é seguro tirar nenhuma conclusão de alcance vital a partir de algo tão movediço. Na verdade, tem-se dado valor exagerado a uma lista de situações, que é definida por voto e despida de qualquer atribuição teórica. Os psiquiatras a utilizam para fins práticos e, mesmo assim, são muito acusados por tal uso. Curioso é, portanto, que os seus habituais críticos se apropriem desse instrumento de trabalho para construir pressupostos e baixar resoluções.

Devemos ter presente que o entendimento da homossexualidade é complexo e exige muito mais esforço do que uma simples troca de etiqueta. As teorias sobre o desenvolvimento humano, tais como a psicanálise, por exemplo, têm mais a dizer. Sigmund Freud, como é sobejamente conhecido, postulou a idéia da bissexualidade constitucional do ser humano, a partir da qual cada um estruturaria sua orientação sexual. Fatores ambientais, tendo em relevo a relação entre a criança, sua mãe e pai, poderiam ensejar embaraços no desenvolvimento pessoal, determinando fixação em estágios pré-genitais.

Como melhor se explica: “Freud pensava especialmente na homossexualidade masculina como representação de um fracasso no desenvolvimento sexual normal, uma falha na adequada separação do menino de sua mãe, mantendo um intenso vínculo sexual com ela. Como resultado, o menino já crescido identificar-se-ia com ela e procuraria fazer seu papel na tentativa de provocar o renascimento da relação que existia entre ambos”. Essa incapacidade de se separar da mãe poderia ser resultante de diversos fatores e sempre estimulada pela introjeção da figura paterna como fraca, ausente ou hostil. Quanto à homossexualidade feminina, “estava definida de forma menos clara na mente de Freud, mas ele pensava nela como uma imagem em espelho do processo que destacou na homossexualidade masculina”. É bom lembrar que, mesmo tendo sido formulada há anos, a teoria freudiana não foi contestada. Pelo contrário: “A observação de Freud e de outros analistas de que alguns homossexuais tendem a lembrar seus pais como hostis ou distantes e suas mães como mais próximas que o comum tem tido confirmações recentes”.

5 Outras contribuições convergem na construção de um modelo bio-sócio-cognitivo do desenvolvimento sexual.6 Partindo das pesquisas sobre comportamento animal, verifica-se que, somente quando em cativeiro e em privação de parceiros de outro sexo, ocorrem práticas homossexuais entre mamíferos. Isso leva um destacado autor à seguinte observação: “Devemos tirar sérias considerações da possibilidade de que preferência homossexual exclusiva é um fenômeno unicamente humano”.7

Deve-se enfatizar que não foi possível encontrar evidências conclusivas sobre fatores inatos na determinação do comportamento sexual. Algumas pesquisas entre gêmeos idênticos parecem sugerir um fator genético importante ou, pelo menos, uma predisposição a reagir às influências ambientais de modo semelhante. Entretanto, a coincidência de atração sexual por pessoas do mesmo sexo, em nenhum estudo, ultrapassou a taxa de 50% no caso de homossexualismo masculino e menos ainda em se tratando de mulheres. Isso mostra que outros fatores atuam de forma relevante. É de todo improvável que comportamentos tão complexos como os relacionados à sexualidade possam ser imputados a uma ou outra alteração genética.

Particularidades no sistema nervoso central têm sido buscadas, especialmente em relação ao hipotálamo, uma região do cérebro fortemente envolvida nas vivências afetivas; e também na chamada comissura anterior, uma estrutura que faz conexão entre os dois hemisférios cerebrais. Alguns estudos sugerem semelhanças entre essas regiões no cérebro de homens que experimentam atração por pessoas do mesmo sexo e as encontradas em mulheres. Não se pode afirmar, contudo, se elas estavam presentes no nascimento ou se resultaram do próprio comportamento sexual.

Fatores atuantes durante o desenvolvimento intra-uterino poderiam influenciar no desenvolvimento do cérebro fetal. Além disso, é de se admitir que qualquer interferência neurológica ou hormonal que perturbe o desenvolvimento na infância ou adolescência poderá repercutir nas expressões posteriores da sexualidade. Sabe-se que alterações endócrinas podem repercutir sobre o desenvolvimento físico e psíquico, levando até mesmo a alterações na estrutura e função dos órgãos sexuais e na apresentação dos caracteres sexuais. No entanto, salvo em casos isolados, os achados não são suficientemente consistentes e, mesmo que confirmados em estudos futuros, nunca terão o valor de determinantes sobre o comportamento sexual, mesmo sendo reconhecidos como moduladores das reações emocionais.

Conclusões precipitadas no campo da sexualidade humana podem levar a equívocos e contradições. Na verdade, quando se apega a uma causalidade inata e física da homossexualidade, incorre-se num reducionismo, atribuindo papel definitivo aos aspectos biológicos. De uma opção comportamental, a homossexualidade passa a ser vista como uma imposição biológica, ignorando-se uma característica humana fundamental, que é a capacidade de fazer escolhas, mesmo que dentro de limitações; e o direito de revê-las, quando for o caso. Muitos, imbuídos daquela disposição radical, podem sentir-se totalmente autorizados a assumir tal orientação sexual. Porém, seria bom lembrar que, num futuro próximo, alterações genéticas e constitucionais poderão ser objeto de intervenções, até mesmo por meio da engenharia genética e da medicina fetal.

Vê-se que nada autoriza entendimentos radicais: “É óbvio que o desenvolvimento do gênero é multifatorial, de forma que a etiologia da orientação sexual deve ser também multifatorial”.8 Os componentes inatos, nos casos em que venham a ser identificados, atuariam no máximo como predisponentes ao aprendizado cognitivo, que se desenvolve primariamente no âmbito das relações intrafamiliares. Nos seres humanos não se pode desconhecer que influências ambientais atuam precocemente por meio do relacionamento com os pais e com pessoas significativas. A própria atribuição de gênero, feita ao nascer, pesa na formação da identidade pessoal.

A partir da matriz psíquica que assim se forma, o reforço social passa a exercer o papel de lapidador final. O distanciamento de um grupo de iguais na infância e adolescência parece relevante, pois, quando estimulados por mecanismos grupais os jovens aprendem sobre respostas sexuais específicas, consolidando a identidade própria. Nesse contexto, alguma forma de expressão da sexualidade serve como reforço da auto-estima e conseqüente afirmação comportamental. Por outro lado, insucessos podem ter repercussões negativas. Por fim, a própria atitude da sociedade, quando acentua a dicotomia homo/heterossexual, força uma opção apressada, a partir de então vista como exclusiva, e que é selada pelo preconceito e rotulada como definitiva.

Na verdade, o entendimento da homossexualidade requer uma visão ampla das motivações do comportamento humano, que tem na plasticidade e possibilidade de mudança uma das suas características mais marcantes. Pesquisas têm mostrado que até estruturas do sistema nervoso podem ser alteradas a partir de atitudes pessoais e influências externas, como acontece pela psicoterapia, por exemplo.9 Assim fica melhor resguardada a liberdade, mesmo que relativa, que caracteriza a pessoa que somos, dotados de vontade e responsáveis pelo direcionamento e expressão dos nossos desejos.

Duas conseqüências práticas decorrem desse entendimento alargado. Em primeiro lugar, os pais e educadores têm o direito e o dever de intervir na educação das crianças e adolescentes, oferecendo-lhes condições para o desenvolvimento pleno de suas potencialidades. As dificuldades emocionais e relacionais deverão ser detectadas com presteza e receber atenção precoce, evitando que embaraços e dificuldades se prolonguem e determinem comportamentos embaraçosos.

Em segundo lugar, todas as pessoas têm o direito de ser adequadamente informadas das possibilidades de desenvolvimento da própria sexualidade e estimuladas ao compromisso de assumi-la de forma consciente. Se estiverem insatisfeitas e desejarem mudanças, devem ter a vontade respeitada e o acesso garantido às oportunidades e formas de ajuda disponíveis; estudos têm demonstrado que pessoas com atração por outras do mesmo sexo, quando suficientemente motivadas, podem avançar muito na reorientação da sua vida sexual.10

Acima de tudo, porém, convém destacar que questões pessoais e íntimas, como são as relacionadas à sexualidade, merecem ser vistas com compreensão e atitude respeitosa. Principalmente na prática da ajuda e assistência, quando se abordam casos específicos, deve prevalecer a acolhida calorosa e a solidariedade incondicional. Com freqüência, há muito sofrimento envolvido na história de vida de cada um, pelo que as manifestações da sexualidade devem ser entendidas como “soluções particulares que cada ser humano tem de dar diante do enigma da própria organização pulsional”.11

Notas:
1. ASSIS, M. de. “O alienista”. São Paulo, Ática, 1975.

2. OMS. “Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10”. Trad. Dorgival Caetano. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.

3. Idem. p. 210.

4. Idem. p. IX e 2.

5. KANDEL, E.R. A biologia e o futuro da psicanálise: um novo referencial intelectual. “Rev. Psiquiatr”. RS, 25 (1): jan./abr. 2003, p. 154 e 155.

6. HECKERT, U. Desenvolvimento sexual; modelo bio-sócio-cognitivo. “Inform. Psiq”. 17 (3): 1998, p. 93 a 97.

7. BANCROFT, J. “Human sexuality and its problems”. 2. ed. Edinburgh, Churchill Livingston, 1989. p.177.

8. KANDEL. Op. cit. p. 156.

9. KANDEL. Op. cit. p. 157 e 158.

10. EPSTEIN, R. Editorial. “Psychology Today”, Jan./Feb. 2003, p. 7 e 8; YARHOUSE, M.A.; THROCKMORTON, W. Ethical issues in attempts to ban reorientation therapies. “Psychotherapy”, 39 (1), 2002, p. 66 a 75.

11. CECCARELLI, P.R. Sexualidade e preconceito. “Rev. Lat. Psicopat. Fundam”., 3 (3): p.18 a 37.
"

Сгіѕ†іαηΘ de Сгіѕ†Θ ΑΩ disse...

Talvez não seja a mesma música(o grupo Vida Abundante possui outra)mas aqui vai uma letra do querido Pr. Guilherme Kerr Neto, que foi musicada pelo talentoso João Alexandre Silveira.
Aborto

Vai pra além de dez semanas,
Luz suave sobre a cama,
Juras repetidas ao me conceber...
Nada além de frases roucas,
E mentiras quase loucas,
Vidas repartidas sem ninguém saber...

E hoje em vez de ser promessa,
Sou teu medo,tua pressa,
Peça indesejada,fora do lugar.
E amanhã,despedaçado,
Escondido teu pecado,
Vão jogar-me ao lixo de qualquer lugar...

Bom se houvesse um fim na história,
E apagasse essa memória,
Juras,frases roucas,sem ninguém saber...
Bom se a força da ciência
Aplacasse a consciência,
Louca luz suave ao me conceber...

Mas a história é muito outra:
Culpa presa em frases soltas,
Há de achar um jeito de se arrepender,
Pois se um filho foi ceifado
Custou caro o seu pecado.
Só em Deus a graça pra te socorrer,
Pra se arrepender,e depois viver...

Anônimo disse...

Livre-arbítrio, essa é a única palavra que vem na minha cabeça quando penso em aborto. As pessoas apenas devem se conscientizar que estão prejudicando outro ser. Agora, a pergunta que a ciência parece não saber responder: quando o feto se torna gente? Quando ganha um nome? A partir de quantos meses? De acordo com o Espiritismo, o feto "se torna gente", isto é, o espírito é ligado ao corpo, quando o óvulo é fecundado e começa a se desenvolver.

Agoram eu faço uma pergunta, espero que saibam me responder: espermatozóide tem vida? POis ele "age" sozinho. Será que ele é como uma planta ou como um animal?

Casamento Eduarda e Gutierres disse...

Norm, o seu blog é muito bom, conheci por meio do blog do pastor Geremias do Couto e achei mais uma ferramenta de defesa da fé cristã!

Fernando disse...

Uma coisa estranha que eu tenho observado é o seguinte.

Em todas as manifestações contra o aborto de que eu tive notícia, são sempre os católicos e os espíritas que se sobressaem.

Por que isso? Será que os protestantes não estão tão envolvidos nessa atividade quanto esses dois grupos? Ou será que não há essa união em prol da vida por mero preconceito mútuo?

Anônimo disse...

Kika,

Você pergunta se o espermatozóide tem vida e em seguida se ele é como uma planta ou um animal, vez que ele "age sozinho".

Parece-me que você não percebeu a confusão que faz entre CÉLULA viva e SER vivo.

Os gametas - espermatozóide e óvulo - são células que podem estar vivas ou não, mas elas não têm em si a programação genética que caracteriza o desenvolvimento de uma pessoa. Elas têm uma parte deste programa e algo mais, inserido nas sendas do mistério da ciência.

Somente a sua fusão, gerando o zigoto, dispara esse programa DESDE O INÍCIO, sem solução de continuidade.

Por essa razão muitos embriologistas remetem o início da vida humana à concepção, à data zero. Ninguém, seja do meio cientifico, seja do meio religioso ou jurídico, defende a existência de uma pessoa em um gameta. Perdo-me, mas essa tolice absurda só vi até agora em defensores intransigentes do aborto, numa tentativa de desqualificar as conclusões da vida desde a concepção como parte de um debate infrutífero, sem fim, logo "permita-se o aborto".

Ora, tenha dó, comparar o zigoto a um gameta é de uma indigência (por vezes, desonestidade) intelectual das mais indizíveis. Os pró-aborto sabem do irrefutável argumento de que após a fecundação, inicia-se um processo geneticamente autônomo que já traz todas as informações do novo ser, de sua morfologia à sua fisiologia, num desencadear irrefreável.

Como sustentar que o novo ser só é pessoa em uma ou a partir de uma determinada etapa?

Somente seria pessoa quando incorporasse elementos comportamentais adquiridos em vida social? Ora, um recém-nascido também não os tem!

Ou seria apenas quando dado à luz? Então seria lícito assassinar um "meio" nascido, uma criança ainda não totalmente parida?

Ah! Quando estivesse totalmente desprendido da mãe. Nesse caso, poder-se-ia assassinar o bebê ainda com o cordão umbilical, símbolo da dependência materna que pelas falácias abortistas indicaria ser o feto uma parte do corpo da mulher, que teria direito sobre ele, como sobre o seu apêndice ou um tumor.

E se após todas essas considerações ainda persistir dúvidas de que a vida humana já pode ser considerada desde a sua concepção, aplica-se o bom senso fundado na ética, de optar-se pela alternativa pró-vida. Onde a "ciência parece não saber responder", prevaleça a ética acima de tudo.

Anônimo disse...

Oi Norma,

Como sempre fui daqueles "defensores da vida" que lutam contra o aborto acho que posso dar um conselho.

Independente de sua religião, nunca utilize argumentos de cariz teológico, porque você será desvalorizado pelo que diz. A discussão do aborto ficará para segundo plano e passará a ser discutido o valor do que é dito com a ridicularização de posições que são baseadas em Deus. Perde-se o foco da questão. Isso aconteceu em Portugal e está acontecendo no Brasil.

Isso não implica que se esconda sua confissão religiosa ou que se peça ajuda a Deus para ajuda no "debate".

Digo isso porque está sendo colada na sociedade a idéia de que a objeção ao aborto é "coisa de religião", o que é manifestamente mentira.

Até é muito importante angariar apoio de pessoas que não tem religião, o que até é fácil já há muita gente boa que compreende a gravidade da questão, que não tem religiosidade nenhuma.

Por fim ressalto que a maior parte dos que se posicionam a favor do aborto, o fazem por estarem convecidos de que é a melhor posição a tomar. E isso não os torna necessariamente piores do que os que são a favor. Deve-se respeita-los e esclarecer pontos de vista.

Abs.
Fique com Deus

Cfe

Ps: A Record está tomando posição a favor do aborto, sim senhor!

Anônimo disse...

Debater com abortistas é uma das atividades menos frutíferas que existem. Esses bem-nutridos senhores pouco se importam com a argumentação ou com a lógica, as quais deixam de lado ao primeiro sinal de impugnação; nas suas próprias psicologias está um ódio visceral ao que é verdadeiro e natural. TUDO o que eles afirmam em favor do aborto é refutável formalmente (1); ou é refutado pelos fatos, pela situação concreta (2).

Como exemplos do 1:
- Se o embrião é um potencial de vida humana, não pode ser comparado a um espermatozóide; pois este jamais desenvolverá em um indivíduo.
-Se um embrião for considerado um amontoado de células, não pode ser comparado a unhas cortadas ou tumores extirpados, pelas razões expostas acima.

Como exemplos do 2:
-O número de abortos e de clínicas ilegais AUMENTOU nos países em que foi liberalizado.
-Nos países em que o aborto é permitido, quase 70% das mulheres NÃO o fariam caso este fosse proibido.

Pessoas que apóiam um ato que não permitiria que eles próprios vivessem, se praticado por suas mães, não merecem respeito de pessoas civilizadas. Merecem cadeia, ou mesmo coisa pior. Já está mais do que provado que a militância a favor do aborto NÃO é uma idéia honesta de alguns pensadores com os quais é possível debater, mas uma subversão financiada e incentivada por globalistas. A Planet Parenthood Foundation e a ONU, por exemplo. Agora, tratar alguém que é custeado por essas organizações como um digno e respeitável senhor com 'opiniões diversas', com os quais se pode 'discordar amigavelmente' é demais.

Norma disse...

Cfe, nesse assunto eu tendo a concordar mais com Beppo e com Pedro. Acredito que, se não formos firmes na condenação do aborto como um crime, haverá sempre alguém para diminuir sua malignidade e defender que a posição pró-aborto é "apenas uma opinião entre outras", não o que realmente é: infanticídio intra-uterino, independente dos desvios lógicos e da correção política de quem o defenda.

Quanto à questão da "religião", discordo de novo de você. Deixar a religião de fora é sancionar a balela muito bem em voga hoje em dia, de que o ponto de vista religioso não pode entrar no debate como uma visão válida porque o "Estado é laico". Ora, justamente PORQUE o Estado é laico, TODOS podem participar do debate, com visões as mais diversas. Tirar os religiosos do debate é apenas mais uma estratégia - e das grandes - para a promoção do aborto, do totalitarismo gay e tudo quanto é tipo de arbitrariedade com cara de "politicamente correto".

Quanto a mim, uso todos os tipos de argumentos que tenho, sem fazer distinção entre "argumentos religiosos e argumentos não-religiosos", porque minha mente é de Cristo (cada vez mais, com a graça Dele). Além disso, creio que Deus pode nos ensinar a falar com quem não é religioso com a mesma sabedoria com que Jesus encantou alguns (não todos). Peçamos isso a Ele!

Abraços!

Anônimo disse...

Norma,

Aceito sua opinião, mas falo pelo que vejo: os argumentos utilizados nos blogs/sites do Brasil são os mesmos que foram utilizados no referendo de Portugal, que teve o resultado desastroso que conhecemos.

Utilizando argumentos de cunho religioso nunca consegui convencer ninguem, que não tenha religião, para uma posição pró-vida. É uma questão, pura e simplesmente, de estratégia. A questão do aborto está na pauta do dia, e se utilizarmos argumentos religiosos, primeiramente teremos de converter pessoas, para elas mudarem sua opinião a respeito do aborto o que é manifestamente mais difícil pois há muita gente com ódio ou indiferença à religião. E muitos promotores do aborto utilizam essa irracionalidade para ganhar pontos na questão.

E você sabe, julgo eu, muitos só estão a favor do aborto para minar as religiões, a crença em Deus. Não acho que lhes devamos dar munição, pois o objetivo deles é discutir a existência de Deus e a confiabilidade das religiões, e o nosso, pelo menos o meu, é garantir o direito à vida de seres inocentes.

O converter pessoas deve ser implementado na altura que nós decidirmos faze-lo, e não instados por pessoas que querem decidir a altura em que devamos agir, movidas por interesses pra lá de esquisitos, para não dizer pior.

A posição pró-vida tem argumentos muito fortes de pura lógica para convencer aqueles que não acreditam em Deus, que tambem tem seu direito de opinião, um "sacrossanto" direito inscrito nessa sociedade em que estamos inseridos, e na qual temos de saber viver. Podem não entender o que é "direito à vida" mas o "direito de opinar", pode ter a certeza que sabem o que é.

A conversão à crença em Deus é, na maior parte dos casos, gradual. Poucos são os que tem a graça de acreditar dum momento para o outro. Não sugiro que escondamos nossa confissão religiosa, nossa fé, pois isso é coisa de desonestos. Pelo contrário aconselho a identificar-mo-nos como crentes até por uma questão de coerência com o que acreditamos.
Mas se falamos para alguem que a vida é sagrada e essa pessoa não acredita em nada sacro, ou pior: tiver algum preconceito contra Deus, religião ou crentes estaremos semeando divisão em vez de união.

Tente entender minha posição como a daquele pai que convence o filho com argumentos utilizando sua linguagem, e não a sua própria, para não entrar em choque.

PS: à afirmação que me é feita constantemente de que eu só sou contra o aborto por ser católico/cristão, eu respondo que é o contrário: eu só sou católico/cristão por ser a favor da vida.

Abs.

Fé em Deus

Pastor Geremias Couto disse...

Cara Norma:

O último parágrafo do seu comentário define bem como o cristão deve comportar-se no uso dos argumentos em defesa da vida e de qualquer outra tese cara aos que professam a fé.

É óbvio que os abortistas e tantos outros tentam acuar-nos, dizendo que estamos misturando "religião" com assuntos seculares ou da própria ciência. Mas isso é desonestidade intelectual. Como você bem afirmou, é a "laicidade" do estado que garante a manifestação livre e legítima de todas as linhas religiosas no debate, seja ele qual for.

Por outro lado, ainda coerente com o seu último parágrafo, nossos argumentos podem e devem ir além da religião, pois o que está impregnado em nossa cultura, hoje, é a teoria do pavimento de cima e do pavimento de baixo, que Nancy Pearcey expõe e combate em seu livro "Verdade Absouta". Para os que ainda não estão familiarizados com o conceito, ele expressa a idéia de que os valores ficam na parte de cima, sem qualquer interferência na parte de baixo. Sob esse ponto de vista, os assuntos da religião ficam aprisionados no "gueto" da fé - o pavimento de cima -, enquanto pelo lado de fora - o pavimento de baixo - toca livre, leve e faceira outra música bem diferente: a do relativismo.

Assim, uma boa linha de conduta é descontruir essa teoria dos dois pavimentos (ou do "apartheid", como gosto também de identificar), que muitos cristãos, por sinal, apreciam e aplaudem por lhes ser mais cômoda. Este tem sido o caminho adotado por todos os que, como você, compreendemos a cosmovisão cristã como um modo de vida integral, que abrange todas as áreas da vida, inclusive as "ditas" seculares.

Enfim, nos cabe, sim, usar os "argumentos religiosos e não-religiosos, sem distinção", pois "toda a verdade é a verdade de Deus", sem essa dicotomia inexistente (e que nos tentam impingir) entre o religioso e o profano, entre a fé e a ciência, entre o pavimento de cima e o pavimento de baixo. Quando nosso trabalho apologético segue por aí, e você o faz muito bem, fica fácil provar que não há qualquer incompatibilidade entre o que prega a fé e os argumentos testados pelo rigor filosófico ou da ciência de modo geral. Só não admitem isso as mentes intelectualmente desonestas.

Anônimo disse...

Hereticus escreve:

1)pbr
A noticia sobre Francis J. Beckwith eu li no site do jornal Washington Post, 12 de maio.
site: www.washingtonpost.com

2)pedro
O trecho em ingles que vc transcreveu aparentemente e' o mesmo do Washington Post.

3)O Dr. Jerome Lejeune, que descobriu em 1958 que a Trisomia 21 e' o defeito genetico responsavel pelo Sindrome de Down, dedicou seus ultimos anos `a defesa da vida humana, falando frequentemente contra o aborto na Europa, apesar da hostilidade de muitos colegas medicos. Sua maior tristeza foi constatar que sua descoberta nao levou `a cura do Sindrome de Down, pelo contrario ele viu que mais de 95% dos bebes diagnosticados com a Trisomia 21 serem impiedosamente abortados. Lejeune morreu no domingo de Pascoa de 1994, exatamente 33 dias depois de ser indicado pelo papa Joao Paulo II como primeiro presidente da Academia Pontificia pela Vida, criada em 1994.

4)O direito civil romano ja' dava como inicio da vida humana o momento da concepzao, como atesta o dito "infans conceptus pro nato habetur", garantindo-lhe o direito `a heranza paterna, caso o pai viesse a falecer antes do nascimento do bebe.

5)De Londres veio dia 18 de maio uma noticia muito triste. Sob pressao de cientistas pesquisadores, o governo britanico recuou no plano de proibir a criazao de embrioes hibridos - parte humana, parte animal - para o uso na pesquisa com celulas tronco. A nova versao da lei sobre Tecido Humano e Embrioes vai permitir a criazao de embrioes "citoplasmaticos", combinando material genetico humano com ovulos de outros mamiferos. A ministra da Saude Caroline Flint disse que a nova versao reflete "uma avaliazao de um numero de pontos de vista diferentes". Conclusao: apesar dos esforzos de Winston Churchill, constato que Hitler esta' vivo e ativo.

Anônimo disse...

Por um lado o CFE está certo: o aborto não é uma questão apenas religiosa, mas também moral; e pode-se condená-lo sem recorrer à Bíblia. Tanto é assim que alguns pensadores antigos, de antes de Cristo, o condenavam. Mas é preciso distinguir entre um argumento que não necessariamente se baseia numa doutrina religiosa, e um outro que deliberadamente omite a alusão a essa doutrina. O primeiro não é intrisecamente maligno, mas o segundo é perigosíssimo. Quem argumenta disfarçando sua Fé está entrando, sem perceber, no molde iluminista propugnado pelos laicos: deixar a religião para dentro de casa e trocá-la pelo materialismo ou pela 'ciência' na hora de debater.

Anônimo disse...

Aqui na Paraíba ocorre algo ímpar: um programa capitaneado por um cantor evangélico, um jovem de tez bela, um riquinho bonitinho... traz debates políticos, apresenta artistas da terra, novidades, notícias e que tais. Ocorre que em toda a Paraíba nenhum programa de televisão ousou dar a palavra às lésbicas e pederastas e, por tabela, aos abortistas como o programa desse moço. Mas o problema é que no programa dele, que se diz (com o perdão da palavra) "imparcial"... havia mais representantes das abortistas do que das não-abortistas. Do lado do bem, havia um pastor, uma jornalista, que não defendeu bem a questão e um ridículo radialistas, com a boca cheia de palavrões... sim, senhora, o radialista, um dos mais populares da minha terra responde pelo apelido, pela alcunha, pelo codinome, pelo nome-de-guerra de "Boca Quente"... e tascou palavrões impublicáveis e inaudíveis em plena manhã - este foi um programa para discussão do homossexualismo feminino e masculino. O programa sobre o aberto trouxe as lésbicas, mulheres que "mamam" nos cofres públicos vultosas somas, que financiam suas ONGs pró-mulher, mas as mulheres de verdade não receberam ainda sequer um benefício dessas doutoras assistentes sociais.
Esse cantor evangélico, imparcialmente, deu voz a essas mulheres, que com seu canto de sereia seduziram muitas almas, inclusive evangélicas para o fundo do mar. Parabéns, Alex Filho... você se superou!

Desculpe, não quero falar mal do rapaz, apenas não consigo entender como o pastor dele não o repreendeu pela imparcialidade. Nós, evangélicos, imparciais!
Sou parcial... sim, senhora! E como dizem aqui na Paraíba: "Pense num caba parcial!".

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

P.S.: Se a senhora entender em não publicar meu post, porque citei o nome do irmão, fique à vontade por censurá-lo. Afinal, por dá cá aquela palha, a gente toma um processo, né?
Eu, como parcial que sou, seguro a palavra!

Anônimo disse...

Pessoal,

Argumentos sem base religiosa (aparente) utilizados para defender a vontade de Deus tambem provem Dele.

Mas se temos, ou tentamos ter, discernimento para atentar os argumentos enviesados na defesa duma causa atentória à dignidade humana, porque não não podemos assumir o ver uma diferença na base de nossa própria argumentação?

Assumir essa diferença, primordial em horas cruciais, não é escalonar valores ou desvalorizar certos tipos de argumentos, já que não proponho esconder a condição de cristão. É uma questão de utilizarmos a inteligência, que Deus nos deu e não a esperteza do mundo.

Paulo muitas vezes utilizou sua condição de cidadão Romano em sua defesa.

Abs.
Fé em Deus

Anônimo disse...

Ressalto que eu nunca propus esconder a fé cristã.

Anônimo disse...

CFE,

Eu vou fazer um breve comentário a essa frase sua:

Utilizando argumentos de cunho religioso nunca consegui convencer ninguem, que não tenha religião, para uma posição pró-vida. É uma questão, pura e simplesmente, de estratégia. A questão do aborto está na pauta do dia, e se utilizarmos argumentos religiosos, primeiramente teremos de converter pessoas, para elas mudarem sua opinião a respeito do aborto o que é manifestamente mais difícil pois há muita gente com ódio ou indiferença à religião. E muitos promotores do aborto utilizam essa irracionalidade para ganhar pontos na questão.

Ora, o que você afirma aqui é o seguinte:

1. Ao se argumentar com base religiosa, é preciso que o debatedor não-cristão se converta, antes de que seja provada a validez do argumento;
2. Essa conversão deve ser posterior ao debate sobre o aborto, já que este é muito mais urgente do que aquela;
3. Portanto, a estratégia argumentativa deve ser a de não demonstrar a fé, pelo menos enquanto o debate está correndo.

O primeiro ponto só estaria correto se o fundo da mensagem bíblica fosse inteiramente ilógico e ininteligível, sendo essa mensagem compreendida apenas por uns poucos esotéricos ou iniciados, já 'convertidos'. Mas aí estaríamos passando a quilômetros do Cristianismo e entrando nos pântanos fétidos das seitas heréticas. Não foi essa sua intenção, com certeza; então apenas observo que a primeira parte de sua declaração está errada. Um argumento de base cristã é, POR SI SÓ, perfeitamente inteligível para pessoas normais.

O segundo ponto é discutível; não me parece que os argumentos pró-vida sejam destinados à conversão dos abortistas, mas a mostrar a irracionalidade e a monstruosidade deles. Sendo assim, a questão NÃO é se eles devem se converter ao cristianismo já, ou futuramente, mas se a aberração intríseca das bandeiras que eles levantam vai continuar sem ser exposta.

Quanto ao terceiro ponto: acho que já o comentei. Se a argumentação não é baseada explicitamente na doutrina cristã, ela pode ser razoável mesmo assim. Mas se ela deixa essa doutrina para depois, o perigo de serem aceitos os termos 'laicos' dos abortistas no debate é grande. Vou dar um exemplo: se não é defendido o valor infinito da vida humana desde o momento da concepção, você há de convir que há um enorme perigo desse valor ser tratado como 'questão de fé'. Isso é exatamente o que os abortistas querem.

Anônimo disse...

Hereticus retoma a palavra:

1)A cronica de Ubiratan Jorge Iorio na Midia sem Mascara de hoje (21 de maio) inicia com as palavras: :"Nao e' preciso recorrer a argumentos religiosos para condenar o aborto: os economicos e juridicos bastam! Embora o peso moral da questao seja inquestionavel, a economia e o direito sao suficientes para a condenacao dessa abominavel pratica."
Os argumentos do Iorio sao muito pertinentes, mas repousam sobre um axioma que ele nao especificou: que a pessoa humana tem um inicio bem preciso, a saber o momento da concepcao. E e' precisamente esse axioma que os abortistas negam, para eles e elas o embriao e depois o feto NAO sao pessoas humnas! Logo sao descartaveis, ao belprazer da mae.

2)Como argumentar, sem invocar argumentos religiosos, a favor da humanidade plena do embriao? O prof. Jerome Lejeune (que mencionei em meu post acima) forneceu em uma palestra em Estrasburgo em Junho de 1989, uma brilhante defesa da Humanidade do embriao, baseada exclusivamente na ciencia da Genetica (na epoca ele ensinava genetica fundamental na Faculdade de Medicina de Paris).
Referencia: "L'EMBRYON, UN HOMME : ETHIQUE ET GENETIQUE", no site
www.fondationlejeune.org/Content/Fondation/articles/embryonhomme.asp

De fato tudo repousa sobre esse dado fundamental: ao negar humanidade ao embriao, nega-se qualquer direito humano a ele, e o embriao pode ser ate' mesmo objeto de pesquisa, durante a qual sua vida e' suprimida. Nos campos de concentracao o mesmo ocorria: apos negar humanidade ao prisioneiro
os carrascos procediam imediatamente em joga-lo num crematorio, ou passavam a executar abominaveis experimentos medicos.

6)A mensagem da GENETICA

Citacoes do Prof. Lejeune:

- "Si l'homme ne commence pas a la fecondation il ne commence jamais, car d'ou lui viendrait une nouvelle information? Le bebe eprouvette en serait la demonstration pour les ignorants."

- "La vie a une tres longue histoire mais chacun de nous a un debut tres precis, le moment de la conception."

- "La vie commence au moment ou toute l'information necessaire et suffisante se trouve reunie pour definir l'etre nouveau. Elle commence donc exactement au moment ou toute l'information apportee par le spermatozoide est reunie a celle portee par l'ovule. Des la panetration du spermatozoide se trouve realisee une entite nouvelle."
Vemos pois que a ciencia sabe quando a vida humana principia, quem diz que a ciencia nao sabe ou e' um ignorante, ou um mentiroso.

7) Aos que querem manipular os embrioes e os matam no processo, e aos que querem matar um feto, o Professor Lejeune adverte com uma frase dos Evangelhos:

"Aquilo que fizerdes ao menor dos meus, e' a Mim que o tereis feito."

Qual e' o menor dos homens? E' o embriao humano. E e' um puro sofisma dizer que ele e' um amontoado de celulas. Esse sofisma NAO prevalecera' no dia terrivel do Juizo Final.

Tambem um feto e' um dos menores pertencentes a Jesus, e negar-lhe humanidade como Peter Singer faz, e no rastro dele todos os abortistas o fazem tambem, NAO lhes servira' de defesa naquele mesmo terrivel dia.

Hereticus

Anônimo disse...

Hereticus,

Três coisas:

1. Eu sou seu fã. :-D

2. Há uma biografia de Jerôme Lejune, escrita por sua filha Clara. Acho que é de seu interesse:

Life Is a Blessing: A Biography of Jerome Lejeune-Geneticist, Doctor, Father (Paperback)

3. E aqui, trechos de um texto do Doutor:

"... Para a mais estrita análise biológica, o princípio do ser remonta à fecundação...

... após dois meses funciona já o sistema nervoso? Sim. Se lhe roçarmos o lábio superior com um cabelo, o feto mexe os braços, o corpo e a cabeça com um movimento de fuga...

... Resta ver a qualidade mais especificamente humana, aquela que distingue o homem de todos os animais, a inteligência. Quando aparece? ...

... O cérebro está no seu lugar passados dois meses, mas serão necessários os nove meses completos para que se constituam totalmente os seus dez milhões de células.

Na criança que nasce, está então acabado o cérebro? Não. As inúmeras conexões que unem cada célula... não se estabelecerão totalmente senão aos seis ou sete anos de idade - o que corresponde à idade da razão.

E esta complicada teia de circuitos não poderá desenvolver a sua plena potência senão quando o seu mecanismo químico e eléctrico estiver suficientemente rodado, isto é, aos quinze ou dezasseis anos, idade da plenitude da inteligência abstracta...

E que dizer das inexplicáveis modificações que, em cada dia, o próprio exercício do pensamento necessariamente acarreta? Quantas destas minúsculas rectificações químicas ou anatómicas nesta imensa rede pensante são necessárias para definir finalmente o carácter, a experiência, ou o prémio de consolação que nos outorga o tempo passado? Quanto tempo é necessário para fazer um homem ?

...Através do longo rodeio de uma paciente observação, o médico volta a descobrir uma verdade evidente que a linguagem comum reconheceu sempre: o homem nunca está terminado."

Anônimo disse...

Hereticus dialogando:

Pedro:

1)Sempre e' consolador saber que alguem concorda com a gente. Em troca posso dizer que sou seu fan. (Meus constantes erros de ortografia se devem ao meu teclado so' comportar a lingua inglesa, aliado ao meu escasso conhecimento de informatica.Minha filha, que possui Mestrado em Bio-Informatica,
ficou de me dar umas aulas agora em junho, quando vira' me visitar...)

2)Obrigado pela informacao sobre o livro da Clara Lejeune-Gaymard. De fato, eu ja' sabia da existencia dessa biografia, atravez do site da Fondation Jerome Lejeune, e encomendei no site Amazon.fr a versao original "La vie est un bonheur: Jerome Lejeune, mon pere".

3)Durante uma visita a Paris em 1997 para o Dia Mundial da Juventude o papa Joao Paulo II fez questao de visitar o tumulo de Lejeune, a fim de prestar homenagem ao ilustre cientista francez. Em 2004 o cardeal Fiorenzo Angelini pediu a abertura da causa de beatificazao de Lejeune. O cardeal Angelini fez o seu pedido na abertura dos trabalhos de um congresso de 4 dias da Pontificia Academia para a Vida. Lejeune tinha sido indicado por JP II para Presidente dessa Academia quando foi criada em 1994. (Lejeune morreu em 1994, exatamente 33 dias depois dessa indicazao.) Como Lejeune morreu em Paris, o responsavel pela abertura do processo de beatificazao dele esta' sob a responsabilidade do cardeal Jean-Marie Lustiger. Os amigos catolicos da memoria de Lejeune, entre os quais me incluo, com tristeza constatam que esse cardeal ultra-progressista jamais tomara' essa iniciativa.

Hereticus

PS: nao sei o que houve com o meu post anterior. Os itens 3 ate' 5 sumiram na viagem virtual do meu computador ate' o site da Norma...

Norma disse...

Oi, Hereticus,

Foi de fato como os recebi: sem os itens 3, 4, 5. Poste-os de novo, por favor. O restante está excelente!

Abraços e obrigada pela ótima discussão!

Anônimo disse...

Hereticus,

2)Obrigado pela informacao sobre o livro da Clara Lejeune-Gaymard. De fato, eu ja' sabia da existencia dessa biografia, atravez do site da Fondation Jerome Lejeune, e encomendei no site Amazon.fr a versao original "La vie est un bonheur: Jerome Lejeune, mon pere".

Ora, eu esqueço que estou entre francófonos...:-D Tenho um Inglês muito ruim e não sei se vou entender o livro inteiramente no velho idioma bretão, que dirá em francês! Apesar de não saber patavina, adoro a língua francesa. Sempre me deslumbro com alguns trechos de Bernanos com os quais vez ou outra me deparo... Espero um dia lê-lo no original. E ainda quero ler Mauriac. E Paul Claudel. E Joseph de Maistre. Enfim... Todos esses gigantes que não foram traduzidos em nossa pátria medíocre de intelectualerdas, que ainda abafaram o gênio Corção para coroar sua própria baixeza.

3)Durante uma visita a Paris em 1997 para o Dia Mundial da Juventude o papa Joao Paulo II fez questao de visitar o tumulo de Lejeune, a fim de prestar homenagem ao ilustre cientista francez. Em 2004 o cardeal Fiorenzo Angelini pediu a abertura da causa de beatificazao de Lejeune. O cardeal Angelini fez o seu pedido na abertura dos trabalhos de um congresso de 4 dias da Pontificia Academia para a Vida. Lejeune tinha sido indicado por JP II para Presidente dessa Academia quando foi criada em 1994. (Lejeune morreu em 1994, exatamente 33 dias depois dessa indicazao.) Como Lejeune morreu em Paris, o responsavel pela abertura do processo de beatificazao dele esta' sob a responsabilidade do cardeal Jean-Marie Lustiger. Os amigos catolicos da memoria de Lejeune, entre os quais me incluo, com tristeza constatam que esse cardeal ultra-progressista jamais tomara' essa iniciativa.

É reconfortante saber que AINDA há investigadores realmente dignos, preocupados com a probidade e com senso moral, que não se comprometem com causas e ideologias e não vivem para o dinheiro ou a fama. É reconfortante saber que ainda há muitos médicos que acreditam em milagres, que há estudiosos sérios, e que há mesmo os do porte do Doutor Lejeune. Esse homem é um modelo para quem se dedica à verdadeira Ciência e ao conhecimento. Só consigo ter dó de idiotas como Richard Dawkins, ou criminosos como Peter Singer, ao pensar nele.

Anônimo disse...

Oi Norma,

espero que vc nao pense que esta' havendo uma invasao "papista" do seu blog...

infelizmente, nao sei mais o que constituia os itens 3 ate' 5, pois eu os escrevi sem rascunho. Mas um deles era sobre bio-etica. E' o seguinte. Se vc for ao site da Fondation Jerome Lejeune, o que eu recomendo fortemente, entre no

Accueil>Fondation> Nos publications

Ahi o primeiro link e'

Le Manuel Bioethique des Jeunes

Este e' uma publicazao INDISPENSAVEL para fornecer munizao pro-vida aos jovens que vc conhece (aos adultos tb...). Se eles quiserem enfrentar professores pro-morte, que formam multidao nas escolas de todo o globo, e' bom que estejam armados nao so' com a armadura da Fe', mas tb com a espada da Verdade. Tudo que esta' na Biblia e' verdade, mas nem todas as verdades estao na Biblia. Neste pequeno opusculo (desculpe a redundancia...) encontrarao os argumentos da bio-etica cristan, com todos os fatos biologicos e suas implicacoes eticas. O assalto satanico `as mentes dos jovens e' constante e implacavel, e para se defender elas necesitam de esclarecimento, que os mais velhos tem a obrigazao moral de fornecer. Infelizmente, o texto e' inacessivel para quase todos os jovens brasileiros, por estar escrito em francez. Fica entao um DESAFIO para vc, minha querida amiga: traduza para a lingua portuguesa (com a permissao, e' claro, da Fondation Jerome Lejeune) que eu consigo um editor. Como o texto original e' oferecido gratuitamente, teremos outro desafio: obter financiamento para poder distribuir a traduzao tb gratuitamente. (Se estivessemos tratando de um texto pornografico e/ou esquerdista, isto nao seria problema: estao ahi centenas de ONG's prontas com o $ necessario.)

Que o Senhor Jesus bendiga e proteja vc a todo momento.

Seu servo Hereticus.

Anônimo disse...

Hereticus: EMBRIOES HIBRIDOS

este foi o assunto do item (5) do meu post das 11:41 AM.

O presidente da Pontificia Academia pela Vida observou ontem (dia 21/5) que uma lei do parlamento Europeu proibe a criazao de material genetico hibrido humano-animal. O bispo Sgreccia respondeu assim ao anuncio do governo Britanico, feito sob pressao de pesquisadores, de que desistira de propor a proibizao da criazao de embrioes hibridos - com parte humana e parte animal - para serem usados na pesquisa com celulas tronco de origem embrionaria.

Apesar de toda a gritaria da esquerda, que conseguiu a adesao de muitos inocentes uteis, a pesquisa com clonagem humana e com celulas-tronco embrionarias (que sempre acarreta a morte do embriao) JAMAIS produzira' o que e' alardeado, ou seja a cura de diversas enfermidades: os pacientes acabam morrendo de cancer. Nas unicas curas obtidas com celulas tronco essas celulas foram obtidas a partir do proprio paciente, ou obtidas do cordao umbilical pos-parto.
Celulas tronco removidas de um embriao em estagio inicial tem o "potencial", como sempre nos dizem, de transformar-se em qualquer celula do corpo. Elas sao "pluripotentes". O que e' importante notar e' que isto e' verdade POR DEFINICAO. Um ovulo fertilizado e' "totipotente". A confianza com que os pesquisadores afirmam que as celulas tronco tem o potencial de tornar-se qualquer celula e' a mera expressao de uma tautologia. O que parece ser uma afirmazao empirica baseada em alguma experiencia, nada mais e' que uma necessidade logica! Mas o que aconteceu em todos os ensaios clinicos feitos ate' agora? Contrariamente `as extravagantes noticias de progresso e curas por clonagem terapeutica, o que acontece e' o sistema imunologico do paciente rejeitar e destruir as celulas tronco transplantadas (afinal ela sao corpos estranhos), isto acontece sempre no tratamento do diabete juvenil, pois aqui o sistema imunologico do enfermo e' quem causa a doenca, ao destruir as celulas produtoras de insulina do pancreas. Quando o sistema imunologico nao destroi as celulas-tronco embrionarias transplantadas, o resultado sao teratomas, emaranhados de tecidos de diversos tipos, horriveis de contemplar. O que comezou com o assassinato de um embriao, acaba com uma vinganza da natureza.

Referencia: Tom Bethell, The Politically Incorrect Guide to Science, Regnery Publishing, Inc.,2005. (Ver principalmente o capitulo 9: The Stem Cell Challenge to Bioengineering, pp 131-145)

Anônimo disse...

Norma,

No seu post, você debate justamente a questão da vida humana do embrião: se ele não a teria, quando a alma espiritual lhe seria infundida? O que ele seria antes disso, um vegetal?

Esse argumento não é novo; percebendo você ou não, ele está integrado numa tradição de mais ou menos 1400 anos. Foi no fim do sexto século que São Máximo, o Confessor, tratou do mesmo assunto. Ele é um dos Santos Padres da Igreja Católica, e seguiu, de forma muito parecida, a sua demonstração de que o embrião já é gente. Veja só aqui.

Anônimo disse...

Norma,

Ontem respondi ao Herecticus, acho que minhas palavras não chegaram.

Heréticus,

Você tem razão em tudo que disse. Eu deveria ter utilizado "teriamos" sugerindo a hipótese e não o "teremos" como obrigação. Como ficou dá a idéia de que hierarquizo os assuntos, o que não é meu objetivo.

Eu só defendo manter o foco no assunto: negar o aborto e defender a vida.

Discordo de você quando diz que estariamos aceitando os termos laicos dos abortistas, ao não utilizar termos e razões religiosas, como se concordassemos com suas condições.

Pois eu acho que a real intenção deles é provocar um discurso emocional, de cariz religioso, dirigido ao grande público com o objetivo de ridicularizar a posição pro-vida.

Eu moro em Portugal, onde recentemente aconteceu essa situação. À dada altura, a defesa da vida ganhou ares de doutrina religiosa o que culminou num desastroso resultado. O debate deslocou-se do "direito à vida" e de "decisão da mulher" para o de haver necessidade de progressão das posições arcaicas/religiosas em direção à novas posições progressistas/laicas.

Percebo essa armadilha montada no Brasil, e não queria a concretização da mesma.

Abs.

Fé em Deus

Anônimo disse...

Norma

É totalmente fora do assunto, mas gostaria de ver uma discussão aqui sobre as possiveis causas do aquecimento global. Esta discussão esta totalmente bloqueada na grande mídia, que comprou de olhos fechados as mentiras de Al Gore.

Renato U Souza

Anônimo disse...

A notícia é nojenta mas dá a exata idéia aonde chegamos.

"Se o feto não é um Ser Humano... Por quê não comê-lo? "

post de 16/05/2007
do excelente blog (pró-vida)

http://la3.blogspot.com/

Anônimo disse...

CFE,

Fui eu quem comentou sua frase, e não o Hereticus. Quem me dera eu escrevesse como ele :-P

Agora entendo o que você está dizendo, diante da sua menção à Portugal. Vendo os jornais da terrinha, eu percebi a campanha e a poderosa propaganda dos 'progressistas', e o engajamento assassino de Louçã e do BE. De facto, o debate foi cheio de clamores pelo triunfo da modernidade sobre as tradições obscurantistas católicas.
Mas esse clamor se deve a uma particularidade dos movimentos abortistas quando atuaram lá, e eu não acho que eles repetirão os argumentos no Brasil. Em vários países, as táticas de subversão mudam, conforme o 'caráter' do povo e os subterfúgios para causas fracturantes ( socialmente desagregadoras) que eles acham em cada Nação. Ou seja: no Brasil eles não iriam falar muito de vitória do progresso, mas prefeririam criticar a pobreza e a falta de condições financeiras de nossas mulheres pobres. Os argumentos mudam de país para país.

Eu posso dizer que no caso português, NÃO foi o cunho religioso de alguns argumentos pró-vida que desmoralizou a campanha contra o aborto. Digo isso porque aconteceu exatamente o CONTRÁRIO: foi justamente a falta de empenho e de zelo do clero português que ajudou na liberalização da 'IVG'. Foi justamente a fraqueza e a inermidade de sacerdotes católicos que favoreceu os movimentos abortistas. E para piorar, o debate ainda foi tratado pela mídia de extrema-esquerda como uma mera divergência política, já que o Bloco de Esquerda (maoísta) apoiou a liberalização, e o PNR (de tendências fascistas) foi contrário.

Resumidamente: discordo de você. Foi exatamente a falta de argumentos religiosos, de constância e de entusiasmo dos católicos, que produziu esse resultado mórbido na terra lusitana. Espero que o mesmo não ocorra no Brasil.

Anônimo disse...

Hereticus de volta:

1)cfe:

Vc escreve (post 2:20 PM), dirigindo-se a mim Hereticus, o seguinte:
"Discordo de vc quando diz que estariamos aceitando os termos laicos dos abortistas, ao nao utilizar termos e razoes religiosas, como se concordassemos com suas condizoes."

Vc deve ter me confundido com outro contribuinte do blog, pois eu jamais disse isso ahi. De resto concordo 100% com vc: noss o debate deve ser pelo "direito `a vida" e contra a posizao "pro-choice" das mulheres. Seria mesmo um erro tremendo deixar o debate escorregar para "religiao X estado laico" e "tradicionalismo X progressismo".

2)Renato U Souza

Muito bem lembrado o assunto do "aquecimento global". Tambem aqui a esquerda quer discutir so' quem e' o culpado pelo dito aquecimento global, quando os cientistas ainda discutem se de fato esta' havendo um aquecimento irreversivel, ou se e' apenas um fenomeno ciclico que independe da atividade humana. Espero que a Norma concorde em abrir essa discussao aqui no seu blog. De fato, toda a midia brasileira engoliu a balela do Al Gore, excepto a Midia Sem Mascara, que desde o inicio viu a mentira sem tamanho por traz desse individuo, que se proclama inventor da internet. Ele e' um mentiroso compulsivo, so' comparavel ao Bill Clinton. Ambos perdem apenas para o mestre deles, o Diabo, que sabemos ser o pai da Mentira. Mas a grande midia NAO comprou nada de olhos fechados: ela e' parte da quadrilha e cumplice das suas mentiras.

Anônimo disse...

Norma,

se vc sabe francês, talvez pudesse transmitir com mais fidelidade a escrita de Calvino, não?

Abço

Guilherme

Anônimo disse...

Hereticus

Vc deve ter me confundido com outro contribuinte do blog, pois eu jamais disse isso ahi. De resto concordo 100% com vc: noss o debate deve ser pelo "direito `a vida" e contra a posizao "pro-choice" das mulheres. Seria mesmo um erro tremendo deixar o debate escorregar para "religiao X estado laico" e "tradicionalismo X progressismo".

Seria mesmo. Mas seria um erro ainda pior se católicos e protestantes expulsassem, eles próprios e deliberadamente, os argumentos de base religiosa de defesa da vida humana. Principalmente se o fizessem em alegada 'neutralidade' ou 'restrição ao campo jurídico-econômico'. Poucas coisas me preocupam mais do que condenar o aborto APENAS fundado em economicismos. Não por acaso, cada vez que aparece um libertário pró-vida eu saco meu revólver...:-P
Note que eu não espero REDUZIR o debate em torno do aborto à uma briga entre religião e laicismo; mas é inegável que essa briga é PARTE INTEGRANTE do debate, mesmo que esse mesmo debate não se resuma a ela. É evidente que os poderes pro-choice são diabólicos, materialistas e anti-civilizacionais, e que representam a 'nova revelação' da modernidade auto-deslumbrada. Sabendo que os movimentos abortistas são financiados por organizações sedentas de poder mundial, e apoiados por seitas satânicas, não vejo por que 'encolher' esse debate apenas à sua superfície momentânea.

Não vejo porque esconder ou evadir-se do fato de que há uma profunda raiz espiritual no combate contra esses poderes. Não vejo porque deixar essas raízes para depois ou minimizar a importância delas. Simplesmente não considero este um comabate APENAS pro-choice X direito à vida. Porque não é contra homens de carne e sangue que temos que lutar...

Anônimo disse...

Heréticus,

Fiz confusão, mas achei curioso seu termo "contribuinte", é que dá a idéia de imposto, receita Rsrsrssr. Não seria melhor "colaborador", "leitor" ?

Abs.
Fé em Deus
Pedro,

Como já disse: troquei o nome.

Em relação a participação da Igreja Católica, posso lhe dizer que participou sim, só que não foi ostensiva para não agravar o que já referenciei. Se conhece o Louçã sabe o quanto ele é persistente.

Quanto a sua posição, respeito-a, mas continuo achando que ter essa atitude é cair na armadilha montada pelos abortistas. Você, talvez irrefletidamente, mencionou o termo "IVG"; já reparou o que significa o uso dessas letrinhas? Aborto é aborto, por mais pó-de-arroz que lhe ponham em cima. Até o vocabulário nos querem mudar.

Das várias vezes que Jesus era inquirido, ele não respondia com respostas que pudessem ser compreendidas como provocação porque sabia que essa era a intenção do adversário. E ganhou sempre.

Abs.
Fé em Deus

Anônimo disse...

CFE

Não estou dispensando os argumentos jurídico-econômicos, ou mesmo filosóficos: apenas os considero uma 'emanação' da razão principal de defesa da vida humana, que é a religiosa. E assim, não considero que o 'cunho reliogiso' da argumentação deva ser deixado implícito para evitar uma armadilha dos abortistas. Simplesmente porque eles VÃO xingar e insultar os seus advesários pró-vida. Não há como tornar o debate amigável e gentil.
Veja a lista de caracterizações dadas aos defensores do 'Não' no referendo de Portugal:

"gentalha"
"demagogos"
"chantagistas"
"lambe-fetos"
"barbies recauchutadas"
"pirosos"
"machistas"
"puritanos"
"medievais"
"beatas"
"padrecos"
"gentinha"


Falando em Portugal, eu me referi à 'IVG' entre aspas exatamente para mostrar o quanto esse eufemismo é mentiroso e cínico.
Aí ainda houve críticos atuantes a articulados contra a psicose dos 'pró-choice'. Houve uma campanha importante de informação e esclarecimento dos sufragistas sobre o que é, realmente, a dita IVG. Destaco aqui o blog português A Casa de Sarto, que mostrou, em imagens e vídeos, como é o horrendo 'procedimento' então em pauta na votação.

A propósito, recomendo a leitura do excelente Blogue do Não, que atuou de maneia notável em Portugal à época do Plebiscito:

Blogue do Não

Cabral disse...

Os argumentos não religiosos sobre o aborto são uma prova da prórpia racionalidade da religião. Compreender racionamente o que isso significa é entender a grandeza da revelação. A sabedoria contida no ato de condenar o aborto é, no mínimo, divina.

Wenderson Gasparotto disse...

Bem, sou cristão e como tal contra qualquer agressão contra a vida. Pra mim a vida começa quando Deus sopra em nossas narinas a vida, e creio que isso ocorra já na fecundação. Mas quero aqui levantar uma dúvida: O Estado deve ter os padrões morais cristãos? O Estado deve seguir os orincipios da minha opção religiosa, ou da opção de outro?
Concretamente o aborto ser ilegal o Brasil também condena a morte milhares de mães pobres que tentam toda a sorte de artifícios para realisar o aborto sem qualquer estrutura ou apoio. Imagino se a legalização, porém acompanhada de um programa para que as mães que optem pelo aborto sejam esclarecidas do que estão fazendo e tenham suporte inclusive religioso que a leve a mudar de idéia não seria melhor? Salvo engano na Holanda existe um sistema em que o aborto é permitido, porém a mãe passa por uma série de aconselhamentos e apoio, inclusive financeiro, para não abortar. Talvez não seja esta a solução, já que a simples proibição só faz com que a vitima seja mãe e filho, afinal as milhares de mães que morrem em decorrencia de abortos clandestinos também levam à morte os seus filhos. E estas não tem a chance de pedir perdão pelo pecado que cometeu, tampouco apoio ou suporte para optar pelo certo.

Anônimo disse...

Wenderson,

O Estado deve ter os padrões morais cristãos? O Estado deve seguir os orincipios da minha opção religiosa, ou da opção de outro?

Não é necessário que o Estado seja confessional para que o homicídio seja condenado - e o aborto é homicídio-.

Concretamente o aborto ser ilegal o Brasil também condena a morte milhares de mães pobres que tentam toda a sorte de artifícios para realisar o aborto sem qualquer estrutura ou apoio.

Em primeiro lugar: o Brasil não condena ninguém, porque um país não atua tal como um indivíduo. Um país não pode ser responsabilizado pelo que quer que seja.
Em segundo lugar: você está preocupado mesmo com as mulheres pobres que realiSam abortos... Estou comovido. Concordo com você. Elas precisam de apoio para uma atitude tão nobre e louvável como matar um bebê. Caem lágrimas de meus olhos ao pensar em 'toda sorte de artifícios' que essas miseráveis cidadãs têm de utilizar. 'O Brasil' tem de ajudá-las nesse momento difícil.

Imagino se a legalização, porém acompanhada de um programa para que as mães que optem pelo aborto sejam esclarecidas do que estão fazendo e tenham suporte inclusive religioso que a leve a mudar de idéia não seria melhor?

Ah, claro! Primeiro o Estado legaliza um ato, e depois tenta dissuadir os praticantes desse mesmo ato legalizado a não cometê-lo. Estou comovido com sua genialidade. Especialmente quando o ato em questão é o retalhamento de nasciturnos.

Salvo engano na Holanda existe um sistema em que o aborto é permitido, porém a mãe passa por uma série de aconselhamentos e apoio, inclusive financeiro, para não abortar.

A Holanda é sem dúvida um exemplo para o Brasil. Lá a maconha é liberada, a eutanásia pode ser feita sem o consentimento do paciente a ser assassinado, e há um poderoso partido pedófilo militando no parlamento. Você escolheu o modelo ideal para nosso país.

afinal as milhares de mães que morrem em decorrencia de abortos clandestinos também levam à morte os seus filhos.

Eu tenho uma tremenda compaixão por elas. Afinal, matar um filho é um ato tão corajoso, tão heróico, não é mesmo?

Anônimo disse...

Hereticus pede a palavra:

sempre tenho sido um critico feroz da posizao pro-aborto do governo brasileiro, em particular do nosso Ministerio da Saude.
Mas hoje quero elogiar o MS do Brasil, num tema que e' correlato ao do aborto, a saber terapeutica com celulas-tronco. Por que elogiar? Porque o MS financiou um estudo pioneiro com celulas-tronco ADULTAS.
Ha' uma alianza infame entre os abortistas e os promotores da pesquisa com celulas-tronco embrionarias. Esta pesquisa requer a morte dos embrioes utilizados, e ate' agora so' forneceu resultados catastroficos, com essas celulas produzindo tecido errado, ou formando tumores e teratomas, alem de desencadear a rejeizao pelo sistema imunologico. Ja' a pesquisa com celulas-tronco adultas tem dado resultados significativamente mais positivos.

Em abril, um grupo de cientistas brasileiros mostrou que o tratamento com celulas-tronco adultas pode ajudar pacientes com diabetes TIPO 1 a se livrarem das doses de insulina que precisam tomar, sob pena de poderem ser acometidos com o coma diabetico. Esta pesquisa brasileira foi publicada agora em maio no JAMA (Journal of the American Medical Association)que e' o mais lido dos periodicos de Medicina. A pesquisa mostrou que a terapia com celulas-tronco adultas ajudou 14 dentre 15 pacientes a tornarem-se livres das doses de insulina.
O Dr. Richard Burt, da Escola de Medicina Feinberg da Northwestern University de Chicago, que integrou o time de pesquisadores relata:
"E' a primeira vez na historia do diabetes Tipo 1 em que pacientes,sem a ajuda de qualquer outro tratamento ou medicamento, conseguem niveis normais de azucar no sangue."
O artigo do JAMA lista as fontes de financiamento da pesquisa e dos pesquisadores envolvidos: uma corporacao privada e o Ministerio da Saude do Brasil.
O Dr. Richard Burt, ao ser contactado pela reportagem, lamentou que tanto a ADA (American Diabetes Association) quanto a JDRF (Juvenile Diabetes Research Foundation) nao puseram nenhum dinheiro a disposicao desta pesquisa, mas tem gasto incontaveis somas lobbying o Congresso Americano para que este financie a pesquisa com celulas-tronco embrionarias, que ate' hoje NAO ajudou um unico paciente no mundo inteiro. O Dr. Burt confirmou a nao participacao daquelas duas entidades americanas, informando `a Associated Press, que ao serem contactadas para financiar o estudo a ADA e a JDRF "disseram nao estarem interessadas na pesquisa com celulas-tronco adultas". Quando a ONG LifeNews.com enviou e-mails para a ADA e a JDRF perguntando porque elas nao se envolveram com o estudo brasileiro sobre diabetes,essa ONG americana pro-vida nao recebeu nenhuma resposta...
Por outro lado, o American College of Pediatricians (ACP)recomenda `as autoridades publicas que considerem financiar exclusivamente as pesquisas com celulas-tronco adultas.
A Dra. Michelle Cretella, fellow e porta-voz do ACP, diz que nao so' a pesquisa com embrioes requer a morte dos mesmos, como prolonga desnecessariamente o sofrimento de pacientes, ao atrasar o desenvolvimento das terapias mais promissoras com celulas-tronco adultas.

Anônimo disse...

Hereticus corrige e suplementa:

o artigo cientifico foi publicado em abril e nao em maio como eu escrevi. A referencia exata e':

JAMA.2007; 297:1568-1576

(JAMA, vol 297 No 14, April 11, 2007, pp 1568-1576)

As fontes financiadoras, alem do Ministerio da Saude, foram:
FAEPA-HCRP (Ribeirao Preto),
FUNDHERP (Ribeirao Preto),
FAPESP (Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo),
CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas do Brasil),
Genzyme Corporation,
Johnson & Johnson-LifeScan-Brazil.

Fabio Blanco disse...

Oi Norma.
Descobri seu blog hoje e vou colocar o link no meu: www.discursosdecadeira.blogspot.com. Vou estar sempre entrando aqui e, dentro do possível, comentando seus posts. Fique com Deus.

Wenderson Gasparotto disse...

Caro Pedro ...

Em primeiro lugar: o Brasil não condena ninguém, porque um país não atua tal como um indivíduo. Um país não pode ser responsabilizado pelo que quer que seja.

Então quem é? Quando escrevo Brasil estou me referindo ao Estado, se o Estado não condena, Se o Estado não pode responsabilizar quem pode?

Em segundo lugar: você está preocupado mesmo com as mulheres pobres que realisam abortos... Estou comovido. Concordo com você. Elas precisam de apoio para uma atitude tão nobre e louvável como matar um bebê. Caem lágrimas de meus olhos ao pensar em ‘toda sorte de artifícios’ que essas miseráveis cidadãs têm de utilizar. ‘O Brasil’ tem de ajudá-las nesse momento difícil. Eu tenho uma tremenda compaixão por elas. Afinal, matar um filho é um ato tão corajoso, tão heróico, não é mesmo?

Não são os heróis que precisam de ajuda, não são os santos que precisam de Jesus... Não me preocupo só com as pobres, preocupo-me com todas, ao contrário do senhor não quero subir no palco e fiar apontando o dedo. Sou CRISTÃO e por mandamento, princípio e ação do Espírito Santo, amo o próximo, mesmo que o próximo seja um ou uma pecadora – precisamos lembrar que Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. O mesmo amor que me leva a crer que as mulheres que optam por abortar muitas vezes são vitimas também. O mesmo amor que me leva a defender que estas mulheres precisam de Jesus e não de cadeia ou de alguém gritando em seus ouvidos assassina miserável, leva-me a orar para que o rancor que entorpece eu coração seja apaziguado.

Ah, claro! Primeiro o Estado legaliza um ato, e depois tenta dissuadir os praticantes desse mesmo ato legalizado a não cometê-lo.
Exatamente, assim como o consumo do álcool e de tabaco são permitidos no Brasil, porém o poder público combate através de campanhas e educação. No caso do aborto é necessário um combate muito mais forte e mais “agressivo”, porém o fato de ser “legal” não significa que é correto.

Anônimo disse...

Wend,

"Então quem é? Quando escrevo Brasil estou me referindo ao Estado, se o Estado não condena, Se o Estado não pode responsabilizar quem pode?"

A sua mensagem anterior foi:

"Concretamente o aborto ser ilegal o Brasil também condena a morte milhares de mães pobres que tentam toda a sorte de artifícios para realisar o aborto sem qualquer estrutura ou apoio."

O que posso concluir é que o Estado condena as mulheres à morte através da proibição do aborto, já que segundo você Estado=Nação. Mas isso teria de ser feito judicialmente, pela aplicação da legislação vigente. Eu não sei como nossa República pode condenar alguém à morte por omissão, ou por 'falta de apoio'. Isso só poderia ser afirmado em sentido MUITO indireto, no caso da negligência por parte de um serviço estatal, como a rede de saúde.

"Não são os heróis que precisam de ajuda, não são os santos que precisam de Jesus... Não me preocupo só com as pobres, preocupo-me com todas"

Tudo bem... mas preocupar-se com um criminoso é legalizar o crime dele? Estou cada vez mais comovido.

preocupo-me com todas, ao contrário do senhor não quero subir no palco e fiar apontando o dedo.

Chamar uma assassina de assassina é apontar o dedo? Ora bolas, você queria que eu dissesse o que, 'vítima da injustiça social'?

Sou CRISTÃO e por mandamento, princípio e ação do Espírito Santo, amo o próximo, mesmo que o próximo seja um ou uma pecadora – precisamos lembrar que Deus odeia o pecado, mas ama o pecador.

E amar o próximo significa minimizar a gravidade do pecado que ele cometeu?

O mesmo amor que me leva a crer que as mulheres que optam por abortar muitas vezes são vitimas também.

Vítimas do quê? Da pobreza, da injustiça social? Não é por nada não, mas assim parece que você trabalha no "Viva Rio"...

O mesmo amor que me leva a defender que estas mulheres precisam de Jesus e não de cadeia ou de alguém gritando em seus ouvidos assassina miserável, leva-me a orar para que o rancor que entorpece eu coração seja apaziguado.

Ah, sim... Chamar um aborto de assassinato é apenas uma manifestação de rancor que entorpece o coração... Agora entendi.

No caso do aborto é necessário um combate muito mais forte e mais “agressivo”

Legalizar um ato é parte de um combate mais agressivo? Então, que tal fazermos um combate mais agressivo ao consumo de maconha, ou ao casamento gay? Afinal, eles são 'uma realidade'...
***

Falando sério: seus argumentos são simplesmente a repetição da propaganda abortista, aliados a algumas medidas para reduzir as consquências temíveis dessa prática. Você considera o aborto um pecado gravíssimo, e eu concordo. Mas daí a chamar as mulheres que abortam, explicitamente, de 'vítimas', é demais. Tratá-las como seres sem responsabilidade não demonstra nenhuma piedade ou consideração de sua parte. Por mais que você não seja favorável ao aborto -e não duvido disso-, oq ue você está pedindo é que o Estado, AO MESMO TEMPO, custeie e desestimule esse procedimento. Digo apenas uma coisa: isso é uma palhaçada.

Anônimo disse...

Hereticus comenta:

1)A revista editada pela FAPESP, chamada PESQUISA-FAPESP, de maio 2007, No 135, que esta' nas bancas traz como artigo de capa "Ataque ao diabetes". E' uma analise bastante equilibrada da pesquisa brasileira do grupo de Ribeirao Preto, que comentei em meu post anterior.
Outra pesquisa com celulas tronco adultas, feita na Universidade do Texas, campus de Galveston, utilizou celulas tronco derivadas do sangue do cordao umbilical para produzir insulina. A pesquisa foi publicada no periodico medico "Cell Proliferation" de junho de 2007, e que ja' esta' postado online.

2)Um dos mais lucidos analistas politicos do Brasil e' Percival Puggina, articulista da Midia Sem Mascara. Em seu proprio site, clicando em
"FIQUE SABENDO" > "conheca o projeto de poder do PT"
o leitor pode acessar um documento extremamente importante, a saber a resoluzao do Diretorio Nacional do PT de 20 de maio de 2007. Chamo a atencao para os itens 99-102, com titulo "Em defesa dos direitos da mulher". Para o PT esses direitos parecem se restringir ao acesso irrestrito ao aborto. No item 102, o documento do PT, citando o que diz ser "pesquisas idoneas" (quando esta expressao ocorre num texto petista, o leitor avisado sabe que o que vem a seguir e' uma MENTIRA), afirma que ocorreram no Brasil 1.100.000 abortos clandestinos em 2005. (Como verificar a exatidao do numero desses abortos, se eles sao clandestinos??) Esta tatica de usar numeros inflacionados ao extremo e' corriqueira nos informes da International Planned Parenthood, a maior rede mundial de clinicas de aborto. Voltarei ao assunto em post futuro.

4)A Anistia Internacional decidiu em abril advogar a legalizacao do aborto em todo o mundo.

Como constatamos, a ofensiva pro-aborto esta' muito ativa em escala mundial, nao faltando $$$.

Anônimo disse...

Hereticus comenta:

O projeto de poder do PT

Os itens que nos interessam no debate do aborto sao os 99-102.Os textos do PT, com todos seus erros de gramatica e de logica serao copiados tal como publicados.
Nossos comentarios entre [ ]

99.
Em defesa dos direitos da mulher

[e os direitos do embriao e do feto como ficam?]

100.
A postura muitas vezes histerica dos conservadores e' profundamente contraditoria. Muitos dos que clamam pela pena de morte, por exemplo, participam do debate sobre o aborto falando em "defesa da vida".

[Postura histerica e' a do PT, que em faltando argumentos racionais para defender o seu "ataque `a vida", parte para a acusacao irracional. Senao vejamos: o maior adversario institucional do PT neste debate e' a Igreja Catolica, que tb e' contra a pena de morte.
Alem disso, os defensores da pena de morte nao defendem a aplicacao dessa pena aos INOCENTES, mas apenas para os julgados culpados de crimes hediondos, cometidos sem atenuantes. Isto e' bem diferente de defender a vida das criaturas mais INOCENTES, como sao os fetos e os embrioes.]

101.
Neste debate sobre os direitos da mulher, o PT se orienta por suas posicoes historicas, pelas necessidades da Saude Publica e pela preservacao do carater laico do Estado. Neste sentido, parabeniza a corajosa atitude do ministro da Saude, Jose' Gomes Temporao, de defender o debate publico sobre o tema.

[A liberalizacao do aborto nao responde a nenhuma necessidade da Saude Publica, a menos que defendamos tb que as Autoridades Publicas sejam autorizadas a cometer ou liberar todos os crimes que sao incapazes de coibir.Vamos distribuir gratuitamente drogas para todos os que quiserem, e as consequencias que se danem. Ou seja, a destruicao da sociedade, se executada pelos assim chamados Poderes Publicos,fica permitida, uma vez que o combate `as drogas tem se mostrado inoperante. Desta maneira tb nos livramos das "balas perdidas", pois nao haveria mais disputas por pontos de distribuicao de drogas. E desde quando o ministro Temporao necessita de coragem para defender sua posicao? O fato de o Diretorio Nacional do PT parabeniza-lo, ja' mostra que coragem necessita e' quem quiser combater o tal debate publico. O ministro quer debater o Mandamento que diz "NAO matara's". E como tantos colaboradores deste blog apontaram, a posicao pro-vida nao necessita invocar uma religiao para o Estado. Segundo o PT, o estado e' laico quando os crentes NAO tem liberdade de consciencia, e nao quando eles simplesmente querem exercer sua liberdade de consciencia. O PT fala sempre com a novi-lingua do Big Brother]

102.
Como mostrou a recente experiencia de Portugal, este e' o caminho do convencimento e do dialogo democratico. Segundo pesquisas idoneas, ocorreram no Brasil 1.100.000 de abortos clandestinos em 2005, tornando evidente a irresponsabilidade e a caducidade dos que defendem a atual legislacao, que criminaliza inclusive as mulheres que morrem ou ficam com sequelas resultantes de abortos clandestinos.

[Quando o PT fala em dialogo democratico, o ouvinte ja' sabe que o PT quer esmagar a opiniao contraria. De fato, a recente experiencia de Portugal mostra que as forzas pro-vida tem um arduo combate pela frente.E como os referendos sao feitos sempre nos termos que os governantes querem, esses referendos sao muito perigosos (ou largamente inuteis, como o referendo sobre as armas de fogo demonstrou). E que tal eu escrever o seguinte paragrafo:

"Segundo pesquisas idoneas, ocorreram no Brasil 1.100.000 furtos clandestinos em 2005, tornando evidente a irresponsabilidade e a caducidade dos que defendem a atual legislazao, que criminaliza inclusive os gatunos que morrem ou ficam com sequelas resultantes de furtos clandestinos."
Queremos o furto seguro,para ja'!]

Jos-El disse...

Minha cara. Conhece alguma coisa de embriologia? Sabe que o embrião é um conjunto de células que mal iniciaram sua diferenciação? Você diz que os pro-aborto simplificam a condição do embrião, mas você mesma não sabe diferenciar um embrião de um feto. Sabe que uma boa parte dos embriões viáveis se vão em processos perfeitamente naturais relacionados à implantação no útero? Como se pode explicar cientificamente alguma coisa se o seu raciocínio está permeado da visão religiosa do mundo?
Eu não sou totalmente a favor do aborto. Acho inclusive que o aborto não deveria ser incluído como política de controle de natalidade. Porém visões radicais como a sua em nada ajudam qualquer discussão, em sua intolerância você não é em nada diferente de um militante pró-aborto. Ao invés disso a liberdade individual é que deveria ser discutida. Como se uma mulher quer ter a gestação de um feto sem chances de sobrevivência autônoma, se quer ter o filho de um estuprador e tantos outros casos que todos os que discutem essa questão fazem questão de ignorar.
Sei que em nada mudarei sua visão, porém tenho o "péssimo" hábito de expor minha opinião. E se você tem um blog deve estar aberta a uma opinião contrária a sua.

Norma disse...

Claro que estou aberta, José. Só não precisava ter postado com um tom tão brabo. ;-)

Não creio que a rivalidade seja ciência versus religião, nesse caso específico, mas sim ciência versus filosofia. Se você ler novamente o primeiro argumento desse post, verá que ali não há nenhum tipo de fundo religioso, mas sim de ordem lógica. Você diz que não sei diferenciar embrião de feto, mas você discordaria da idéia de que o feto é o embrião em estágio avançado? Da mesma forma, você poderia me dizer: "Você não sabe diferenciar um bebê de um homem." Sei sim, mas também sei que matar o bebê é matar o homem que ele será. Não podemos fugir disso. Em uma sociedade que já se prepara para defender o infanticídio - a ampla aceitação acadêmica de um Peter Singer é emblemática disso - , o mesmo argumento poderia ser usado: "É uma criança, podemos tirar-lhe a vida, ainda não é adulto formado." Mas o tempo não é um traço distintivo ontológico válido. Aliás, isso é tão importante que vou repeti-lo em maiúsculas (sem gritar, é que detesto usar tags para bold): O TEMPO NÃO É UM TRAÇO DISTINTIVO ONTOLÓGICO VÁLIDO. O problema é que a modernidade quer justamente apagar a continuidade e a própria idéia de distinção ontológica, com sua ênfase obsessiva na diferença. E isso é filosofia, não há nada de religioso nesse argumento.

Da mesma forma, você diz que "boa parte dos embriões se vão em processos naturais"; ora, eu digo também que boa parte das pessoas - crianças, adultos e velhos - morrem de processos naturais. Isso não é assassinato. Mas a intervenção humana para encerrar a vida do embrião, sim.

Jos-El disse...

Não estou brabo não. Mas realmente expus minha idéias de uma forma meio agressiva... ^^
Eu diferencio sim um embrião de um feto. Em um embrião o que existe são células se multiplicando e diferenciando. Em um feto os órgãos estão formados (ou quase) e ele apenas cresce. Porém se você me perguntar EXATAMENTE quando se dá essa transição admito que não posso dar uma resposta embasada em pesquisas. Nunca li qualquer trabalho sério falando sobre o assunto, me arrisco inclusive a dizer que não há consenso científico sobre isso (embora não possa afirmar isso com certeza). Pelas próprias características da biologia do desenvolvimento eu (e isso é uma opinião e, sendo redundante, uma opinião pessoal) diria que não há como definir tal momento.
Porém, acho que seguir por esse caminho de chamar o embrião, em um momento em que ele é apenas um grupo de células se diferenciando, de vida humana deveríamos olhar mais atrás e chamar óvulo e espermatozóide de vida humana também, então imagine quantos possíveis seres humanos são mortos todos os meses pela ovulação. Pior, imagine quantos espermatozóides são mortos pelos adolescentes todos os dias :).
Não tenho tanto embasamento filosófico assim, mas acredito que a vida humana esteja muito relacionada com o intelecto, e o intelecto reside no sistema nervoso, isso é icontestável. Portanto se não há um sistema nervoso funcional não há vida humana. Usei a palavra intelecto na falta de uma melhor, mas acredito que você chamaria de espírito. Mas estou sendo impreciso, admito minha dificuldade em transcrever minhas idéias em palavras.
Aí entra a questão de que é muito dificil separar o discurso religioso da nossa discussão, já que para as religiões cristãs o espírito se instala no momento da concepção.
De qualquer forma acho essa discussão importantíssima pois ela está totalmente em afinidade com a questão do uso de células tronco embrionárias em pesquisa.

Anônimo disse...

Hereticus falando p/ Jose' (e para quem queira ouvir):

vc diz que diferencia um embriao de um feto, mas que nao sabe definir quando isso se da', e que nunca leu qualquer trabalho serio falando sobre o assunto, e ao final do paragrafo emite o que vc mesmo qualifica de opiniao pessoal.
O verdadeiro problema nao e' esse, mas saber se embrioes e/ou fetos sao SERES HUMANOS, e ahi vc conclui que NAO sao, pois nao tem o que vc chama de "sistema nervoso funcional". Me desculpe informa-lo, mas esta e' a teoria dos NAZISTAS de outrora e dos neo-nazistas de hoje (com Peter Singer `a frente). Os trabalhos serios que vc admite nao ter lido existem, e vc devia ler a literatura do assunto, antes de expor suas ideias de maneira agressiva.
A moderna genetica molecular tem a resposta cientifica para seus devaneios a respeito do ovulo e do espermatozoide: sempre se soube que nenhum dos dois por si mesmos podem se desenvolver. O porque disso esta' na falta de informazao: so' o ovulo fecundado tem a informazao genetica completa, e e' pois um SER HUMANO, portador de todos os direitos que advem desse fato. E' um irmao seu, Jose'. Mesmo antes de ter escrito sua tese de doutorado, ou composto suas sinfonias, ou simplesmente opinado num blog. Ou seja muito antes de ter o que vc chama de sistema nervoso funcional. Lembre-se, Jose', o ser humano e' SEMPRE um ser incompleto, e ahi reside sua grandeza. Querer tolher sua pertinencia `a confraria humana so' porque ainda consiste em apenas um conglomerado de celulas e' mais que um crime pessoal, e' um crime contra a humanidade.
Sempre que viajo (e muito tenho viajado como professor universitario), nas cidades que chego sempre visito dois lugares muito instrutivos: o primeiro e' a universidade local, e o segundo e' o jardim zoologico. Nas universidades sempre encontro gente solene, que de cabeza erguida, emite opinioes exatamente iguais `as que vc expos aqui. Mas jamais vi, num jardim zoologico, congressos de chimpanzes reunindo-se para discutir se, tudo bem pesado, um belo dia, seus filhotes nao se tornarao professores universitarios...
Caro Jose', leia, leia muito mais. Depois de ter compartilhado mais de 70 anos com meus irmaos terraqueos, ouso dar-lhe um conselho: em caso de duvida, opte sempre pela hipotese da preservacao da vida, pois se baseia numa evidencia muito simples: "o espirito anima a materia". E isto e' tanto mais verdadeiro quanto o ser atinge sua plena maturidade.

Jos-El disse...

Hereticus. Acho que tenho que ler mais mesmo, porque realmente sua mistureba de idéias e conceitos me confundiu.
Sim, você está certo, óvulo e espermatozóide não tem a informação completa. No caso dos seres com reprodução sexuada cada um dos gametas tem a metade de um genoma completo, só com a união deles há a completa coleção de cromossomos necessários à formação de qualquer célula somática. O espermatozóide contribui apenas com a sua parte no material genético. O óvulo é quem realmente depois se torna a célula ovo, que irá depois se dividir (por isso os primeiros experimentos de clonagem de mamíferos usaram óvulos). Mas sabia que todas as células do seu corpo tem esse tal de genoma completo que você diz que define um ser humano. 46 moléculas de DNA não fazem um ser humano. Um conjunto de 16 células, uma mórula, uma gástrula, uma blástula, um blastocisto não são seres humanos, ainda. Isso eu disse. E isso eu separei bem do que é opinião pessoal.
Não entendi bem seu comentário sobre os chimpanzés, era pra ser uma ironia com acadêmicos? Mas vou lhe dizer uma coisa interessante sobre chimpanzés. Sabia que os macacos machos matam filhotes de um macho rival para que a fêmea entre novamente no cio e ele possa fecunda-la? Um comportamento, aliás, compartilhado por vários animais que vivem em núcleos sociais patriarcais (como os leões, os elefantes marinhos, os ursos). Nos chimpanzés ainda há o fato de muitas vezes eles recorrerem à força para obrigar fêmeas a copular (algo como o estupro sabe?). Diferente, por exemplo, dos bonobos, (uma espécie parecida com o chimpanzé, só que um pouco menor) que vivem em sociedades onde a fêmea mais velha é a lider. Lembrando que, por análises genéticas (de DNA) viu-se que os chimpanzés são mais próximos dos seres humanos que os bonobos. Legal né?

Anônimo disse...

Não deixa de ser curiosa a a alucinante troca de foco dos que tentam argumentar em favor do aborto. Partem de estatísticas fajutas para chegar a reflexões evolucionistas, críticas à sociedade, especulações pseudo-científicas, análises políticas, falácias ad personam, insultos grosseiros e até mesmo -entre os mais chegados-, algumas declarações de terna afeição a Satanás (vide Anticatólicas pelo Direito de Decidir). Tudo isso, comprimido em espaços pequenos mas suficientemente disseminados, tem um tremendo poder de imbecilizar quem se disponha a discutir calmamente com abortistas. Eu não faço isso. Como dizem os americanos, I have no stomach for that . É totalmente inócuo debater com um cidadão que, depois de fazer um discurso antitabagista inflamado e mencionar os riscos abortivos do cigarro, passe no instante seguinte a enaltecer o direito de escolha da mulher. É totalmente inócuo debater com alguém que, depois de babar de admiração por Cuba e o 'presidente' Castro, passe a falar da cultura ocidental repressiva. Nunca vi um revolucionário honesto, pronto a abandonar suas idéias se elas se mostrarem falsas. Eles as abandonam, sim, mas apenas quando se tornam inúteis para destruir o adversário; isso se torna ainda mais gritante quando se trata de aborto.
Francamente: não há nenhuma conclusão científica que comprove a 'desumanidade' do embrião, nenhuma autoridade respeitável que a sustente, nenhum instituto sério que a dê por demonstrado. Tanta presunção racional e iluminada não mostra senão o total despreparo, ignorância e falta de conhecimento científico dos 'pró-choice'.

Anônimo disse...

Hereticus retoma a palavra:

Jose': ja' sei que nao vou poder convencer voce da plena humanidade do humilde embriao que surge apos um espermatozoide humano ter penetrado num ovulo humano. A informacao necessaria e suficiente para constituir um ser humano novo, que vai se desenvolver, ja' se encontra ahi reunida no momento da fecundacao. Ahi, precisamente, inicia sua carreira esse novo ser.
So' por um milagre esse ser nao seria humano. Pela analise cientifica do fato, nao ha' outra conclusao a tirar: um novo ser HUMANO foi chamado `a existencia. Em seu desenvolvimento ele podera' vir a ter um cerebro alojado em sua caixa craniana, mas desde ja' e' impossivel mudar sua identidade genetica sem cometer um crime. Se ele vai se chamar Pedro, Joao ou Jose'; ou Maria, Norma ou Gisele, pouco importa, a nao ser para seus pais.
O ser humano em seu principio, no inicio de sua carreira, se resume pois a uma mensagem fornecida pelo seu codigo genetico. O seu crescimento, depois seu conhecimento, e enfim, a experiencia acumulada em toda a sua vida, sao episodios continuos na vida de um mesmo individuo, de um mesmo SER HUMANO. Como isolar um momento e dizer a partir daqui temos um ser humano, mas antes deste momento nao havia ser humano. Isto seria absolutamente ilogico e anti-cientifico.Como a Norma observou no post das 3:33 PM, dirigido a vc,isso tambem nao e' filosofico: "o tempo nao e' um trazo distintivo ontologico valido."

A fabula da universidade e do jardim zoologico nao tinha intenzao de ironizar os academicos, e sim de chamar a atencao para um fato: a existencia da natureza humana, presente ate' mesmo nos mais bizarros comportamentos academicos, e ausente nos nossos irmaos simios, mesmo nos exemplos citados por vc Jose'.

Anônimo disse...

Querida seu blog é uma das poucas coisas boas que podemos desfrutar.