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| Falarei às mulheres na quinta-feira, dia 1o de maio, na Igreja Presbiteriana de Brotas, do meu amigo Samuel Vitalino. Aproveite que é feriado e venha me ver! :-) |
Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
29 abril 2014
Encontro da Fé Reformada em Salvador!
17 abril 2014
Links
- É preocupante o recrudescimento do antissemitismo em todo o mundo. Veja, por exemplo, essa reportagem sobre a França e essa sobre a Ucrânia. Vale também acompanhar a polêmica da quenelle no Brasil, a ser trazida para os campos de futebol pelo jogador francês Anelka.
- Ainda não vi essa palestra de Valter Graciano sobre Calvino, mas, já que a recomendação veio da minha amiga querida Simone Quaresma, repasso sem medo de errar!
14 abril 2014
A diferença
Há alguns anos, presenciei uma ameaça de suicídio no centro do Rio de Janeiro. Um homem havia subido até o telhado de um prédio e tomava coragem para pular. Na aglomeração que se formou na calçada, o contraste era grande entre alguns que riam e gritavam "pula!", enquanto outros (aos quais me juntei) oravam intensamente pelo rapaz. Ficamos muito felizes quando enfim ele desistiu de pular e foi resgatado por bombeiros.
Essa é a diferença que Cristo faz no coração da gente. A maldade da indiferença e da troça é substituída por um amor que só Deus explica por pessoas que sequer conhecemos.
18 março 2014
"Sem destino"
Uma das músicas mais tristes que já ouvi nos últimos tempos... e com grande potencial de aproveitamento apologético. Do mestre Luiz Tatit. Confira a letra:
Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro por acaso e nada mais
Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se alterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá
Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma certeza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote
Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?
Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém
voz e violão: Luiz Tatit
violão: Jonas Tatit
guitarra ebow, voz, piano, harp, sanfona e juno 1: Marcelo Jeneci
bateria: Sérgio Reze
14 março 2014
O que as escolas estão fazendo com nossas crianças
Como chegamos tão baixo na educação pública? Além de contrariar diretamente símbolos e valores cristãos, esses livros parecem nada ensinar que preste. (Mais sobre isso no Brasil: não deixe de ler a obra de Solano Portela, O que estão ensinando os nossos filhos, com a capa mais criativa e engraçada do mundo.)
Um amigo me mandou uma outra matéria, citada em um blog francês. O ministro da educação Vincent Peillon defende um projeto de lei literalmente revolucionário. Ele declara abertamente que é necessário "matar o catolicismo" para que a França seja um "país de liberdade". (A Reforma não colou muito bem por lá, apesar de Calvino ser francês, como sabem.) E essa destruição se dá na mente das crianças matriculadas na escola pública. A idolatria da educação se revela na ideia de que a escola deve libertar os estudantes "de todos os determinismos: familiar, étnico, social, intelectual", para "permitir a cada aluno emancipar-se", pois "o objetivo da escola republicana sempre foi o de produzir um indivíduo livre". Os inimigos são a família, o passado, as tradições. Já sabemos que os franceses não aprenderam nada com a Revolução Francesa. E agora, seu governo não esconde que deseja uma escola que seja um veículo para uma nova religião anticristã.
Levantando-se contra o cristianismo, está a velha (sim, desde o século XVIII pelo menos) religião da liberdade, descrita por Herman Dooyeweerd na lista dos ground motives, ainda em vigor hoje. Está inserida no dualismo Natureza versus Liberdade, e como tal, precisa se insurgir contra o cientificismo embutido no outro lado. E de fato esse dado aparece nas palavras do ministro (adoro quando isso acontece: momentos de verdade!). Segundo a matéria, diz Peillon em um livro chamado A revolução francesa não terminou (mais emblemático, impossível):
Se seu alvo é eliminar tanto o determinismo religioso quanto o determinismo científico, a síntese republicana se vê obrigada a inventar uma metafísica nova e uma religião nova, em que o próprio homem [...] surge como um infinito que sem cessar 'escapa a si mesmo', nas palavras de J. Lagneau. Essa religião não é a religião do Deus que se faz homem, nem a religião do homem que se faz Deus. Mas é uma religião do homem a ser feito, em um movimento sem repouso. [...] O que falta no socialismo, para firmar-se como o pensamento dos novos tempos, é uma nova religião [....]. A laicidade pode então surgir como a religião da República, que tem sido buscada desde a Revolução. [...] Cabe ao socialismo encarnar a revolução religiosa de que a humanidade necessita, sendo ao mesmo tempo uma revolução moral e uma revolução material, colocando-se a segunda a serviço da primeira.
Algumas notas:
- Ainda que o leitor disponha de citações somente, já dá para perceber que o texto do ministro da educação francês é tão chinfrim quanto o texto de muitos dos nossos intelectuais socialistas.
- Como essas mudanças vão ocorrer na prática? Um novo calendário, uma nova moralidade e muitas cabeças rolando, como nos tempos de Robespierre?
- Claro, a matéria revela que a "identidade de gênero" também é um dos "determinismos" a serem destruídos na cabeça dos alunos. A começar da escola primária!
- Sim, socialismo é isso: uma reedição dos ideais da Revolução Francesa. O Estado se encarrega de criar o Novo Homem desde os anos da infância, dispondo sem freios de todo o poder necessário para tal. Inclui-se nisso a eliminação (termo do ministro; releia a citação grande anterior) de todo pensamento discordante (e quiçá dos próprios pensadores, se não fisicamente, pelo menos simbolicamente). Está tudo ali, claro como água. Sinto muito, intelectuais brasileiros, mas pelo menos na França existe gente que tem coragem para dizer as coisas mais abertamente. O que, é claro, não torna as coisas melhores, mas pelo menos mostra ao povo cristão o que haverá a ser enfrentado.
- Sabem aquela música do Pink Floyd, Another Brick in the Wall part 2? Essas gerações superideologizadas nas escolas vão acabar cantando isto para esses socialistas carolas - assim como os filhos dos hippies tenderam para valores mais sólidos. Afinal, quem gosta de ser considerado uma caixa vazia e inerte onde vão se jogando coisas? Ninguém.
- O pêndulo nunca pára. Isso tem tudo para dar errado, como sempre dão, um dia, todas as idolatrias, graças a Deus.
06 março 2014
05 março 2014
Carta de Campina Grande
Elaborada durante esta 16a Consciência Cristã (Vinacc).
CARTA DE CAMPINA GRANDE
Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 16º Encontro para a Consciência Cristã, celebramos a comunhão que desfrutamos com o povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo.
No início deste século e milênio a igreja evangélica brasileira tem enfrentado imensos desafios e inesperadas oportunidades. O crescimento numérico das denominações evangélicas tem sido notório, levando-nos à plena convicção de que o Deus Todo-Poderoso tem salvado um número incontável de pessoas para a glória do seu Nome. Entretanto, é possível constatar que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo.
Lamentavelmente, um tipo crasso de religiosidade popular tem prevalecido na mídia e na proliferação de templos e denominações, causando escândalo para a fé cristã e distanciando as pessoas que mais necessitam do poder transformador do evangelho. Ao mesmo tempo, muitas igrejas têm se omitido no cumprimento da Grande Comissão, deixando-se influenciar por um avançado processo de secularização. Crescem por oferecer entretenimento e não por fazer discípulos radicalmente comprometidos com Cristo. Pensadores evangélicos antes consagrados à proclamação do evangelho da Salvação Eterna hoje pronunciam-se publicamente rompendo com as convicções que um dia defenderam. Os líderes já não são mais vistos como referências de espiritualidade e integridade, mas como embusteiros, que exploram a credulidade do povo, enriquecendo ilicitamente. Nesse cenário, muitas igrejas conservadoras, ainda que mantendo fidelidade às doutrinas evangélicas fundamentais, mantêm-se apáticas em relação ao desafio missionário e à tarefa de influenciar a sociedade como sal da terra e luz do mundo.
Por outro lado, vemos um país sucumbindo diante da corrupção sistêmica, da violência generalizada, da desagregação familiar, do abandono dos valores cristãos, da desigualdade social e de práticas ocultistas.
Diante dessa realidade, oramos por um avivamento espiritual em terras brasileiras. Não um avivamento de emocionalismo e misticismo, que não produz transformações duradouras, mas um que, como ocorreu em outros lugares e outros tempos, proporcionou a conversão verdadeira de milhares e até milhões de pessoas, chegando a mudar o rumo de nações. Para demonstrar nosso compromisso com o avivamento da igreja brasileira, nós declaramos juntos:
NÓS CREMOS NO EVANGELHO
O evangelho de Jesus Cristo é a boa notícia da salvação graciosa de Deus somente pela fé em Jesus Cristo. Nós não compactuamos com as grandes distorções da mensagem cristã, ensinadas por grupos que, em sua essência, exploram a credulidade do povo e buscam o enriquecimento ilícito em nome do evangelho. De acordo com as Escrituras, esses são lobos vorazes, mercadores da fé, charlatães. Sua existência não nos surpreende, pois, desde o início, Jesus e os apóstolos nos alertaram contra suas práticas.
O evangelho de Cristo exalta Deus que, em sua santidade, justiça e amor, oferece ao ser humano caído salvação através do sacrifício redentor de Cristo, o Messias prometido, o Filho de Deus. Afirmamos que ninguém pode ser justificado por suas obras, pois todos pecaram e distanciaram-se da glória de Deus. Somente pela fé em Cristo como Senhor e Salvador, o ser humano é salvo dos seus pecados e transformado em nova criatura.
NÓS PROCLAMAMOS O EVANGELHO
A missão principal da igreja é glorificar a Deus, proclamando o evangelho e fazendo discípulos de todas as nações.
Reconhecemos que a igreja foi chamada para proclamar o evangelho em sua inteireza, mas nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou agendas de ambições pessoais. Cremos que o evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do evangelho, não nas circunstâncias mutáveis da sociedade. Nós proclamamos o evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Nós proclamamos o evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social. Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o evangelho em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada, que tenham a oportunidade de ser discipuladas e fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do evangelho um estilo de vida.
Nós repudiamos mensagens que substituam o evangelho de Cristo por conteúdos humanistas de autoajuda, que promovam um misticismo desvinculado das Escrituras e transformem Deus em um negociador de bênçãos.
NÓS DEFENDEMOS O EVANGELHO
Desde os seus primórdios, o ensino de Cristo esteve sob o ataque de crenças e filosofias hostis à mensagem da salvação pela graça mediante a fé. Somos chamados a lutar diligentemente por essa fé que nos foi entregue de uma vez por todas, estando preparados para dar razão da esperança que existe em nós e vigiando contra lobos vorazes que não poupam o rebanho. A defesa da fé faz parte essencial da missão da igreja enquanto ela proclama o evangelho de Cristo. Nós rejeitamos o evangelho do relativismo pós-moderno, do ateísmo militante, do secularismo pragmático, do liberalismo teológico, das seitas e cultos, do nominalismo religioso, de todas as ideias e ideologias que se levantam contra ou pretendem substituir o evangelho de Cristo. Nós afirmamos nossa plena convicção na existência de Deus, em sua revelação objetiva e inerrante através das Escrituras, na singularidade de Cristo e na realidade da eternidade. Nós defendemos o evangelho com amor, sabedoria, compaixão e firmeza, sem qualquer contemporização, visando a conversão dos perdidos e a proteção daqueles que crêem, na firme convicção de que o próprio Jesus edificará sua igreja e a portas do inferno não prevalecerão contra ela.
NÓS NOS COMPROMETEMOS A VIVER À LUZ DO EVANGELHO
Mártires, reformadores, avivalistas através da história têm assumido o absoluto compromisso com o evangelho. O maior apelo para a veracidade do evangelho é o testemunho de vidas radicalmente comprometidas com ele. Nós nos comprometemos a viver de forma digna do evangelho de Cristo como indivíduos, discípulos, profissionais e cidadãos, recusando-nos a ceder ao materialismo, ao relativismo e à corrupção, aceitando carregar a cruz de Cristo como prioridade absoluta do testemunho do evangelho de Cristo. Como cidadãos do reino de Deus, assumimos o compromisso de, na dependência da graça de Cristo, viver o poder transformador do evangelho em todas as suas dimensões. Diante da corrupção generalizada e do relativismo moral na sociedade brasileira, nós estamos prontos para assumir as plenas implicações éticas e morais do evangelho, não somente na esfera da igreja, mas também da sociedade: educação, trabalho, política, economia, cultura.
NÓS ORAMOS PELO PROGRESSO DO EVANGELHO
Reconhecemos que, sem a intervenção soberana e sobrenatural de Deus, não veremos o verdadeiro progresso do evangelho. Esforços humanos produzem resultados humanos. Através da história, o evangelho tem impactado nações pelo poder do Espírito Santo. Embora o Brasil nunca tenha experimentado um avivamento espiritual de grandes proporções, nós nos comprometemos diante de Deus a orar por esse avivamento, na expectativa de uma transformação radical no curso de nossa nação através da igreja do Senhor, cheia do Espírito Santo, vivendo a plenitude do evangelho.
NÓS NOS UNIMOS PELO EVANGELHO
Dizemos não a uma união que compromete a essência do evangelho de Cristo. Não cremos que todos os caminhos levam a Deus, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Não cremos que todas as instituições ditas cristãs de fato seguem a Cristo, pois muitas afirmam o nome de Cristo sem conhecê-lo. Mas afirmamos sim nosso compromisso de unidade com todos aqueles que abraçam o evangelho de Cristo, como nos foi transmitido por Jesus e seus apóstolos. Ao mesmo tempo, reconhecemos que as verdades essenciais, comuns a todos os evangélicos herdeiros da Reforma, podem nos unir não institucionalmente, mas como corpo vivo de Cristo, que, na sua diversidade, cumpre a sua missão. Desejamos ser a resposta a oração de Cristo quando ele orou para que fôssemos um. Nós nos unimos pela proclamação do evangelho a todas as nações.
Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.
Subscrevemos,
Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (Coordenador do 16º Encontro para a Consciência Cristã)
Pr. Jorge Noda (ILEST/PB)
Pr. Renato Vargens (ICA/RJ)
Dra. Norma Braga (IPB/RN)
Pr. Paul Washer (Heart Cry/EUA)
Pr. Hernandes Dias Lopes (IPB/ES)
Dr. Russell Shedd (IB/SP)
Pr. Augustus Nicodemus (IPB/SP)
Pr. Ronaldo Lidório (IPB/AM)
Dr. Heber Campos Jr. (IPB/SP)
Pr. Jonas Madureira (IB/SP)
Pb. Solano Portela Neto (IPB/SP)
Prof. Adauto Lourenço (IPB/SP)
Pr. Joide Miranda (MEI/MT)
Pr. José Bernardo (AMME/SP)
Pr. Geremias Couto (AD/RJ)
Prof. Ricardo Marques (IBC/CE)
Pr. Joaquim de Andrade (CREIA/SP)
Miss. Gleydice Bernardes (ACEV/PB)
Miss. Socorro Teles (IPB/PB)
Pr. Robson Tavares (ICNV/PB)
Pb. José Mário (IPB/PB)
Pr. Luiz Vieira (ICNV/PB)
Pr. Valter Vandilson (ICD/PB)
Pr. José Américo (IB/PB)
Pr. José Pontes (IN/PB)
Miss. Joyce Clayton (Inglaterra)
Profª. Janeide Andrade (OBPC/PB)
Miss. Edna Miranda (MEI/MT)
Miss. Rosali Melo (IC/PB)
Dra. Paumarisa Vieira (IPB/PB)
Pr. Weber Alves (ICES/PB)
Jorn. Josué Sylvestre (AD/PR)
28 fevereiro 2014
VINACC - Assista ao vivo!
24 fevereiro 2014
VINACC 2014
II Seminário sobre Literatura, Bíblia e Cristianismo (domingo, às 14h30)
"O romantismo e o triunfo da autonomia humana"
X Encontro de Teologia e Filosofia (segunda, às 14h30)
"O conhecimento de Deus e do homem na tradição reformada"
II Seminário sobre Literatura, Bíblia e Cristianismo (terça, às 14h30)
"Arte e idolatria do conto Como foi salvo Wang-Fô, de Marguerite Yourcenar"
Espero conhecer pessoalmente alguns leitores. Até lá!
14 fevereiro 2014
S.O.S. Venezuela
Rodrigo Constantino
Aluizio Amorim
Estadão
12 fevereiro 2014
"Cidadãos de bem", por que não?
Antes de mais nada, deixo claro que abomino a vingança pelas próprias mãos. A Bíblia o proíbe (Rm 12.9) e, em caso de crime, ordena que o Estado puna os criminosos (Rm 13.3-4), como expliquei aqui. Creio que Sheherazade também pensa assim, embora, em sua indignação, tenha se expressado de modo a dar espaço para as distorções desonestas. (Minhas opiniões sobre sua recente declaração podem ser resumidas nesse artigo de Reinaldo Azevedo.)
Trago um exemplo flagrante dessas distorções, vindo de nossos arraiais evangélicos. Em um artigo na internet, publicado em site mais que suspeito (palanque para teólogos liberais!), Sheherazade é comparada a Hitler e Stálin por adotar um discurso de "legitimação da eliminação do outro" que pretende "legitimar toda ação que escapa às fronteiras da justiça institucional". Para seu autor, "cidadão de bem" é "um construto, um instrumento que serve para para identificar, e principalmente selecionar, quem deverá ficar de fora do arco simbólico da ética". Em seguida, sem maiores explicações, passa a referências ao antissemitismo na Alemanha nazista e às condenações injustas citadas por Alexander Soljenítsin em O arquipélago Gulag.
São alhos com bugalhos! A ideia subentendida é de que Sheherazade adotou o mesmo discurso separatista usado nos regimes totalitários. A pequena diferença é que, no caso do menor, os crimes eram reais (o que não significa apoio ao justiçamento, repito!). O totalitarismo é uma máquina de invenção de crimes, uma realidade paralela que se impõe forjando passado, presente e futuro, para que seja mau aquilo que o governo chamar de mau. A discriminação dos bodes expiatórios, nesses regimes, obedece à lógica dos amigos e dos inimigos dos governantes, não à lógica da lei. E nosso país, depois de doze anos de petistas no poder, tem sido posto sob a primeira lógica - esta sim, totalitária e geradora de violências, sobre a qual o articulista nada fala.
Não me consta que Sheherazade tenha defendido justiçamentos, mas sim apontado para o fato de que eles são uma consequência direta da impunidade no Brasil. E quem pode punir os criminosos? Releia sua Bíblia: o Estado. A população do Rio de Janeiro já não aguenta mais ver a cara dos mesmos ladrões, dia após dia, assaltando as mesmas pessoas nas mesmas ruas em um ciclo de prende-e-solta sem fim. Entre os moradores, eles chegam a ser conhecidos pelo nome! E ninguém faz nada. Menores no Brasil são inimputáveis; os marginais maiores podem usá-los à vontade para o tráfico de drogas e demais crimes. Isso é injusto. O governo brasileiro deveria ter previsto que sua passividade (seria intencional?) um dia explodiria no retorno dos grupos de justiceiros - algo que só temos a lamentar.
Rachel se explicou melhor aqui, mas, para quem já percebeu a cruel ideologização do debate sobre a violência, nem precisava. O problema é que, acostumados com uma cultura de justificação do banditismo, os que sempre associam o criminoso ao "oprimido" acabam se voltando contra a mensageira, não contra a mensagem. Com isso, desviam a atenção dos reais responsáveis e transferem a culpa da violência para questões de linguagem: aqueles malditos conservadores que acreditam nos "cidadãos de bem"!
Alguns - cristãos incluídos - ficaram chocados com a frase da jornalista: "Está com pena? Leva o bandido para casa." Não gosto dessa formulação, de fato; mas, se queremos ser honestos, a fala deve ser entendida no contexto bem brasileiro da glamourização dos criminosos - que raramente recebe críticas indignadas, mas que, em um exame atento, é o corrosivo a esgarçar o tecido social há décadas em nosso país. Eis a razão de tanto ódio contra Sheherazade - seu apontar implacável, em cadeia nacional, para o que Olavo de Carvalho já tinha detectado em um de seus melhores artigos. Veja o que está por trás dessa pudica aversão ao "cidadão de bem":
Humanizar a imagem do delinqüente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo "científico". (...) Por enquanto, se queremos ver o nosso Rio livre do flagelo do banditismo, a primeira coisa a fazer é não dar ouvidos àqueles que, por terem colaborado ativamente para a disseminação desse mal, por mostrarem em seguida uma total incapacidade de arrepender-se de seu erro, e finalmente por terem o descaramento de ainda pretender posar de conselheiros e salvadores, perderam qualquer vestígio de autoridade e puseram à mostra a sua lamentável feiúra moral.
A argumentação do acadêmico e do pastor seduz um bom número de cristãos justamente por causa desse "transbordamento" da esfera teológica para a esfera jurídica - e chego a crer que o apóstolo Paulo, na carta aos romanos, estava justamente tentando prevenir que os primeiros cristãos de Roma confundissem o perdão dos pecados com ausência de punição de crimes. Hoje, quase dois mil anos depois, cristãos contemporâneos - muitas vezes sem se dar conta - se escoram na cultura do politicamente correto, descendente do marxismo, para emitir ideias que desprezam a Bíblia, a tradição cristã e a sensatez. Esses crentes confusos se perguntam: ora, se todos são pecadores, como falar em "cidadãos de bem"? Simples: "cidadãos de bem" são os que não praticam crimes, não os que não cometem pecado. Todo mundo quebra a lei divina, mas nem todo mundo quebra leis humanas. São esferas diferentes, e a Bíblia prevê isso (leia Romanos de novo!). O perdão divino não anula a responsabilidade humana de punição ou reparação. Da mesma forma, o cidadão mais correto do mundo perante as leis humanas continua a ser um pecador abominável perante Deus, caso não se arrependa e não creia em Cristo. Contra todos os pecados, perdão de Deus e perdão entre seus filhos, mútuo; contra todos os crimes, punição estatal diante dos homens.
Anular a distinção entre esfera jurídica e esfera teológica tem sido a armadilha perfeita em que caem alguns cristãos que ainda precisam formar uma cosmovisão adequada. Pecador não deve ser confundido com criminoso. Agora, há um aspecto muito perverso na invenção da armadilha. Os adoradores da religião marxista não querem a divisão do mundo entre criminosos e não-criminosos. Essa divisão não só é vital para o Direito, para a Justiça, para a Lei, limites que todo revolucionário odeia; mas, acima de tudo, compete com outra, aquela pela qual eles juram: opressores e oprimidos. Na religião politicamente correta, essas são as categorias pelas quais se deve compreender o mundo e escolher seu "lado". Eis o quadro:
OPRESSORES são sempre a classe alta, o empresariado, a classe média, o branco, o heterossexual, o homem, a polícia.
OPRIMIDOS são sempre as classes baixas, o pobre, o empregado, o negro, o gay, a mulher, o bandido.
Se algum representante desses grupos está em desavença contra o outro, simples: o vitorioso deve pertencer sempre ao rol dos "oprimidos". Assim fica fácil fazer justiça, não é?
Esquerdistas muitas vezes têm um discurso empolado, cheio de palavras eruditas, mas o invólucro tortuoso apenas oculta esse simplismo imoral que embasa seus posicionamentos. Um simplismo que ativa reações previsíveis de empatia pelos oprimidos e ódio pelos opressores - não importa se, em cada caso em questão, as posições estejam invertidas: se é um negro a despejar preconceitos sobre um branco; se é um funcionário mentindo contra a empresa perante o juiz; se é um grupo de "terroristas sociais" vandalizando nas ruas até causar a morte de um inocente. Todos se erguem vociferosos contra a surra do menor (bandido oprimido), mas se calam diante da morte do jornalista Santiago (mídia opressora). Os valor da vida é medido e avaliado segundo o pertencer a uma "classe". Pessoas se tornam símbolos (explico isso melhor em meu livro A mente de Cristo). O levante dos Black Blocs - antiburguês, antissistema, antitudo enfim - parece desculpar qualquer eventual violência. Quem sente ou pensa assim é cúmplice da morte de Santiago, como bem mostram Reinaldo Azevedo e Solano Portela.
A Bíblia é clara: Romanos 3.23 ("todos pecaram e carecem da glória de Deus") e Romanos 13.3-4 ("os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal") são versículos que não se anulam. No primeiro, pecado é tudo o que atenta contra a lei de Deus; no segundo, "praticar o mal" é cometer crimes que precisam ser punidos pelo Estado. Isso é beabá de teologia. Só quem está contaminado pelo vírus politicamente correto é que não percebe a confusão.
Se você, cristão, não tem bradado por justiça, comece desde já; é seu dever tanto denunciar a interdição do debate quanto promovê-lo - sobre isso, leia esse artigo excelente de Franklin Ferreira, publicado na revista Teologia Brasileira. E atenção: você pode usar a expressão "cidadão de bem" para significar "pessoa que não comete crimes", desde que não atribua a isso uma conotação de pureza espiritual. Por outro lado, não pode confundir a percepção cristã de que todos somos pecadores com a imoralidade ideológica que nivela a todos em relação à lei humana, paralisando o uso da força punitiva e promovendo impunidade. Pregue o Evangelho para o bandido, mas não adote ideias que justifiquem seus crimes - algo que, no final, corromperá a própria pregação do Evangelho.
10 fevereiro 2014
07 fevereiro 2014
Preguiça!
Updates:
A quem precisa de desenho, aqui, pela própria Rachel.
Mais um com preguiça: Felipe Moura Brasil sobre a impunidade.
Um comentário meu no Facebook sobre a virulência dos militantes LGBT contra ex-gays, que reproduzo aqui: "É interessante o seguinte: este é um comportamento de seita. Se alguém resolver deixar minha igreja, não será perseguido nem desprezado por ninguém. Mas nas seitas os ex-membros são hostilizados."
04 fevereiro 2014
O poderoso chefão
Eu e meu marido vimos juntos, há alguns meses, a trilogia do Poderoso Chefão. André escreveu um texto irretocável sobre o filme. Não deixe de ler: Carne mortal.
28 janeiro 2014
O bem cuidado e o visceral
No meu livro A mente de Cristo, falei dos significados que me evoca a letra de The Carpet Crawlers (ou Crawl - a grafia muda), do Genesis, uma das minhas preferidas de todos os tempos. Esta tarde, ao sentir saudade da música, procurei na bagunça do meu iTunes as duas versões que conheço e tenho: a mais antiga, cantada por Peter Gabriel, e a de Phil Collins, que assumiu os vocais da banda em 1975. E, sem querer, achei uma coletânea do Genesis com uma terceira versão, de 1999, com um ritmo mais moderninho que eu odiei, porque feriu a identidade meditativa da original e remeteu às recentes composições de Collins para os desenhos da Disney. (Mas os dois cantando juntos valeram a gravação.) A presença de Follow You, Follow Me nesse disco (pois é, sou do tempo em que se falava "disco" e ainda estou fiel ao vocábulo) me lembrou de minha infância no final dos anos 1970, quando ouvíamos rádio em casa e eu tinha minhas preferências inclinadas aos beatles separados, Billy Joel e outros hits que tocavam. (Ainda gosto muito de Beatles, juntos e separados, e de Billy Joel.) Curiosa, ouvi-a de novo e descobri que gostava muito de Follow You, Follow Me antigamente, mas hoje a acho boba, popzinha demais - bem como o Genesis de Phil Collins, que tem pouca coisa interessante.
E por que estou contando isso? Porque, aos dezesseis anos, final da década de 1980, eu ouvia na Globo FM (era excelente!) The Carpet Crawlers, versão do Phil Collins nos vocais, de 1977. Gostava tanto que tinha conseguido gravá-la em uma fita cassete, já que fazia parte da programação usual da rádio. Mas só conhecia o segundo Genesis, pouco havia ouvido falar de Peter Gabriel. Tive o Foxtrot emprestado em casa uma época, mas desisti à primeira escuta (não sei por que; não era um problema com progressivos, pois desde criança eu curtia The Wall, do Pink Floyd, lançado em 1979 - se bem que eu só ia até Mother, nunca virava de lado nem ouvia o Disco 2). Quando eu tinha uns vinte anos, um amigo me apresentou com muita empolgação a Carpet Crawlers original, do álbum The Lamb Lies Down on Broadway, de 1974. Acostumada com a outra, não me entusiasmei muito por essa, nem procurei ouvir de novo durante anos.
Hoje, porém, a de Gabriel é de longe a minha preferida. Simplesmente não consigo mais deixar de sentir falta da introdução melancólica, da voz mais imperfeita e gritada, do andamento um tico mais rápido e da bateria progressivamente mais forte, com uma virada irresistível no final. Acho a gravação que eu ouvia na adolescência um tanto mauricinha - Collins canta irretocavelmente, mas sem aquela emoção visceral de Gabriel. Além disso, o baixo é pior: na primeira versão, há uma linha minimalista, duas notas marcadas como o bum-bum de um samba-enredo, mas só no comecinho, quando os instrumentos são poucos e a bateria ainda não entrou; na segunda, o minimalismo atravessa o refrão toda vez e, em comparação, acaba cansando quando se conhece a original.
Era isso. Considerações sobre quando o visceral é melhor que o bem cuidado, como nosso gosto musical muda com o tempo ou como as linhas de baixo devem variar (e para mim devem, sempre - veja Watcher of the Skies, 3:10 a 3:23, uma das mais surpreendentes que já ouvi), deixo-as para o leitor.
27 janeiro 2014
17 janeiro 2014
Consonância
Saiu meu artigo na edição de janeiro de Teologia Brasileira! Chama-se A imaturidade nossa de cada dia e traz uma crítica a certo tipo de conservadorismo que tenho visto se levantar no meio protestante brasileiro. Norma Braga criticando posturas conservadoras? Pois é, pois é, pois é! :-)
E, como se tivéssemos combinado, no mesmo número Jonas Madureira afirma a tolerância como "a atitude própria de toda alma robusta" e, em outra publicação, Davi Charles Gomes atesta que firmeza e tranquilidade devem andar de mãos dadas na argumentação, lembrando que, nestes tempos esquisitos de declarações totalitárias em nome do amor, seria bom meditar sobre aquela famosa frase de Voltaire...
A trinca de textos dialoga entre si e se complementa. Sinto-me feliz por recomendá-los juntos aqui. Boa leitura!
14 janeiro 2014
Congresso da ANAJURE sobre Liberdades Civis Fundamentais
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| Dia 12 de março, em Brasília, no auditório do STJ. Que Deus abençoe Uziel Santana e todos os participantes do evento! Inscrições aqui. |
10 janeiro 2014
Que tal programar suas leituras para 2014?
09 janeiro 2014
Dá-lhe, Pondé!
Luiz Felipe Pondé não é cristão, mas tem feito a diferença em uma cultura cujo verdadeiro bode expiatório é o cristianismo, e não as autodeclaradas vítimas de sempre. (Para mais sobre o bode expiatório, leia aqui.)




