Estamos no mundo mas não somos do mundo. Somos o sal da terra, a luz do mundo. São palavras de Jesus sobre nós. Os cristãos são chamados por Ele para ser contracultura. “Eles não são do mundo, como eu também não sou” (Jo 17.14). Isto significa que lutamos pela pureza: dentro de nós, no caminho tão pessoal e bonito da santificação, pela graça de Deus; e também fora de nós, denunciando a crueldade do pecado e convidando a outros para que sigam o mesmo caminho, escorados de igual modo na graça de Deus. Quando o fazemos fora de nós, confrontamos não só os incrédulos, para que se convertam, mas também os próprios crentes, para que deixem determinados pecados e se santifiquem, desatando os laços com outros (falsos) doadores de identidade – bens materiais, aparência, ideologias, saberes, profissões, condição social etc. Nossa identidade realmente última deve ser Cristo em todas as esferas da vida.
Um esforço, com a graça de Deus, de recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições e contornar o status quo das idéias hegemônicas deste mundo.
09 dezembro 2012
Onde está a contracultura?
Estamos no mundo mas não somos do mundo. Somos o sal da terra, a luz do mundo. São palavras de Jesus sobre nós. Os cristãos são chamados por Ele para ser contracultura. “Eles não são do mundo, como eu também não sou” (Jo 17.14). Isto significa que lutamos pela pureza: dentro de nós, no caminho tão pessoal e bonito da santificação, pela graça de Deus; e também fora de nós, denunciando a crueldade do pecado e convidando a outros para que sigam o mesmo caminho, escorados de igual modo na graça de Deus. Quando o fazemos fora de nós, confrontamos não só os incrédulos, para que se convertam, mas também os próprios crentes, para que deixem determinados pecados e se santifiquem, desatando os laços com outros (falsos) doadores de identidade – bens materiais, aparência, ideologias, saberes, profissões, condição social etc. Nossa identidade realmente última deve ser Cristo em todas as esferas da vida.
13 novembro 2012
05 novembro 2012
22 outubro 2012
21 setembro 2012
Fala, Schaeffer!
"Acredito que, quando a Bíblia diz que Deus é o Deus da verdade, essa afirmação é muito mais profunda do que geralmente alcançamos. Está dito ali que Deus é a verdade no sentido de que é o Deus da realidade - que há apenas um Deus e uma realidade. E quem não conhece Deus nem a realidade que advém desse conhecimento (inclusive o mundo tal como Ele fez e tal como é agora debaixo do pecado) não tem Deus e vive em um universo que de fato não existe, um universo não verdadeiro no sentido profundo de não real. Creio que foi isso o que levou a filosofias como o existencialismo e o positivismo lógico. E mais, acredito que esse universo de 'não Deus' e de irrealidade é um produto da 'grande mentira' do pai da mentira, o Diabo: uma completa perversão."
Letters of Francis A. Schaeffer
18 setembro 2012
Atenção leitores de Curitiba!
Mais informações aqui.
05 setembro 2012
Trinta conselhos
Um conselho fundamental para nossa cultura:
2. Valorize seu relacionamento com Cristo, com sua família e com a igreja mais do que a sua carreira. Você influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As deficiências em sua vida acabarão negando a influência de suas ideias, mesmo as ideias que são verdadeiras.
Um conselho ao qual preciso especialmente prestar atenção, sobretudo nos debates por escrito:
11. Numa controvérsia, nunca se posicione, precipitadamente, de um lado do debate. Faça um trabalho analítico de ambas as partes. Considere estas possibilidades: a) os dois lados podem estar olhando para o mesmo assunto de perspectivas diferentes, mas não pensando de maneira diferente; b) ambos os labos podem estar despercebidamente desprezando um ponto que poderia fazê-los pensar em harmonia; c) eles estão tendo dificuldade de se comunicar um com o outro porque estão usando termos que têm sentidos múltiplos; d) pode haver uma terceira alternativa melhor do que as duas posições que estão sendo defendidas; e) ambas as opiniões na controvérsia, mesmo que genuínas, devem ser toleradas na igreja, assim como as diferenças entre vegetarianos e não vegetarianos em Rm 14.
Um conselho sempre presente em meus textos:
23. Tenha sempre um pé atrás com todas as “tendências” em teologia. Quando você vir todo mundo entrando no mesmo vagão, seja feminismo, liturgia, pós-modernismo, ou qualquer outro “ismo”, este é o momento para você abrir os olhos e usar sua capacidade crítica. Não embarque em qualquer uma destas tendências antes de fazer a sua sondagem.
Um conselho que tenho verbalizado com frequência quando converso com amigos de outras denominações, e com o qual ainda tenho a aprender:
14. Esteja preparado para avaliar criticamente a sua própria tradição. É uma ilusão pensar que uma tradição religiosa tem todas as verdades ou está sempre certa. Não seja um daqueles teólogos conhecidos por tentar fazer arminianos se transformarem em calvinistas (ou vice-versa).
Um conselho que me divertiu:
28. Teólogos iniciantes geralmente se veem como o próximo Lutero. Olhe, é muito provável que Deus não o tenha escolhido para ser o líder de uma nova reforma, como nos dias de Lutero. Mesmo se este for o caso, nunca se intitule como "o reformador"; deixe que os outros decidam se isso é realmente o que você é.
Uma frase que me fará pensar para o resto da vida:
Nada é mais importante em teologia do que o senso de proporção.
30 agosto 2012
Five Hundred Miles, The Brothers Four
Em meio ao milhão de tarefas - e com mais uma mudança interestadual à frente - , tem sido difícil escrever regularmente para o blog. Mas há outro fator importante em jogo: esta blogueira que virou escritora precisa
Five Hundred Miles (Quinhentas milhas) é um clássico do folk americano. É a primeira música em inglês que aprendi na vida, quando criança, e nunca mais esqueci dela. E eu estava na classe de alfabetização! Apaixonei-me por folk e ainda sou apaixonada. Se eu tivesse nascido nos EUA, o apelo para virar cantora folk teria sido grande!
Ouvindo hoje os Brothers Four, não pude deixar de exclamar: COMO eu queria que eles fossem crentes! Imagino Deus sendo louvado com essas vozes e tenho vontade de chorar.
A letra é o lamento de alguém que saiu de casa, perdeu tudo o que tinha e está muito envergonhado para voltar:
Sim, é ele mesmo: se o Filho Pródigo tivesse um violão e talento musical, talvez tivesse composto algo bem parecido. No vídeo, as pessoas ouvem emocionadas e cantam junto, como se participassem dos sentimentos desamparados do rapaz. E a gente, pensando em Lucas 15.11, tem vontade de responder: pode voltar sim, não importa como você está, sempre pode voltar para os braços do Pai.Not a shirt on my back, not a penny to my name Lord, I can't go back home this a way
29 julho 2012
Os livros das palestras, enfim!
Prometi aos jovens do GAP e de Jaguaretama que iria postar no blog a lista dos livros que usei para as palestras. Aqui vai, com comentários:
Calvinismo, Abraham Kuyper
Predestinação e eleição? Nada disso: esse livro vai impactar qualquer cristão, mesmo o não-calvinista, pois seu foco é outro. Afirmando que "não há um centímetro desta vida que não pertença a Cristo", o autor explora as características de uma cosmovisão genuinamente orientada pela Bíblia e pelo senhorio de Cristo em cada aspecto: cultura, política etc. Imperdível e já mudou a vida de muitos cristãos. Foi o livro que me abriu as portas para a teologia reformada, que, como vim a descobrir depois com Dooyeweerd e Van Til, trabalha de um modo ímpar com a questão das relações entre a fé cristã e tudo o mais, ajudando-nos a olhar para tudo no mundo de uma forma teorreferente (termo do professor Davi Charles Gomes), ou seja, tendo o Deus da Bíblia como referência principal. Tenho percebido que a teologia reformada é a que mais nos orienta para que não vivamos nossa fé debaixo de uma redoma, pois devemos obedecer a Cristo quanto a amar a Deus com TODO o nosso entendimento, além de nosso coração e nossa força.
A morte da razão, O Deus que intervém, O Deus que se revela, O grande desastre evangélico etc., de Francis Schaeffer
Recomendo todos os livros de Schaeffer. De modo especial, os três primeiros analisam com exemplos da cultura contemporânea o grande problema que o pecado nos legou: a fragmentação de nossa cosmovisão. Esses livros também têm o grande potencial de mudar vidas. Li A morte da razão quando nova convertida e desde então tenho visto o quanto as pessoas assumem as divisões artificiais que caracterizam a mente caída: entre natureza e graça, razão e fé, religião e ciência etc. O grande desastre evangélico trata da invasão do liberalismo teológico nas igrejas americanas e das duas formas erradas com que a igreja encara tanto o liberalismo quanto a cultura em geral: ou acatando sem reservas (mundanismo) ou se fechando sem confrontação (redoma).
Ídolos do coração e feira das vaidades, David Powlison
Outro livro que muda vidas! Esse só vende pela internet, no site da editora Refúgio. Demonstrando um conhecimento impressionante das várias vertentes em psicologia e psicanálise, Powlison descreve os mecanismos da idolatria em suas implicações sociopsicológicas. Orienta-nos a identificar em primeiro lugar os ídolos do coração, de acordo com a ênfase bíblica de que, depois da queda, estamos sujeitos à idolatria. Será especialmente útil para quem estuda psicologia ou se interessa por aconselhamento bíblico - mas recomendo a todos, pois a questão da idolatria é central para a cosmovisão cristã.
Criação restaurada, Albert Wolters
Sobre cosmovisão cristã e suas implicações. Didático e bíblico, traz muito material para se pensar a vida toda.
Verdade absoluta, Nancy Pearcey
Outro livro imperdível sobre cosmovisão, também didático e com muitos exemplos da contemporaneidade. Pearcey foi aluna de Francis Schaeffer. Também recomendo A alma da ciência, mais específico, sobre as relações entre ciência e cristianismo.
A busca pela justiça cósmica, Thomas Sowell
Sowell descreve as consequências de uma justiça que, em vez de aplicar as leis, transforma os juízes em heróis do politicamente correto. Uma boa análise da contemporaneidade em suas obsessões políticas muitas vezes autoritárias. Essencial para quem está estudando Direito.
A infelicidade do século, Alain Besançon
O historiador Besançon explica por que, para ele, comunismo e nazismo são, nas palavras de Pierre Chaunu, "gêmeos heterozigotos". Excelente introdução ao tema do totalitarismo e vacina fundamental para nós que, no Brasil, vivemos num "mar" de propaganda comunista. Recomendo cuidado, pois a tradução é de Emir Sader e contém alguns erros que dizem o contrário do que Besançon queria dizer. O melhor seria encontrar uma edição em inglês (o original é em francês). Para aprofundar o assunto, O livro negro do comunismo, de Stéphane Courtois, e o bem mais denso Origens do totalitarismo, da filósofa Hannah Arendt.
Tempos modernos, Paul Johnson
Paul Johnson é um historiador católico conservador que está em franco contraste com o bem mais famoso (no Brasil) Eric Hobsbawn. Enquanto Hobsbawn subscreve todos os massacres da ex-União Soviética (em meu livro, faço menção a isto), Johnson descreve de modo vívido os principais acontecimentos do século XX. A parte sobre a ex-União Soviética me fez chorar algumas vezes.
Onde é que Cristo está ainda a ser perseguido?, Richard Wumbrandt; O homem do céu, Irmão Yun; Torturado por sua fé, Haralan Popov Nada mais instrutivo que conhecer o que os regimes comunistas podem fazer à igreja cristã. Relatos tocantes de irmãos que sofreram muito sob perseguição estatal na Romênia, na China e na Bulgária.
Cuba, a tragédia da utopia, Percival Puggina Conservador católico, Puggina esteve em Cuba e desmente todas as maravilhas que a propaganda castrista divulga sobre o regime.
E, claro, não poderia deixar de recomendar meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, que não deixa de ser uma introdução a todos esses temas, muitas vezes de um modo bastante pessoal. Ontem estive com Yago Martins, que me disse que o livro era como "a cosmovisão cristã em prática". Adorei a descrição e acho que de fato caracteriza muito bem o que tentei fazer.
Podem ler e comentar aqui, que eu respondo! :-)
10 julho 2012
Um só livro
Em primeiro lugar, eles demonstram com isso uma tremenda falta de confiança nos irmãos que tanto trabalharam, antes deles, durante séculos, nas mais variadas áreas, para reconhecer e confirmar a autenticidade de todos os 66 livros das Escrituras. Exibem-se assim não só como pretensos "descobridores da pólvora" - e Deus sabe o quanto a tentação do ineditismo, em nossos dias, é avassaladora - , mas sobretudo como desdenhosos (e, não duvido, ignorantes) de todo o generoso encaminhamento investigativo que Deus permitiu para que tivéssemos esse impressionante Livro, coeso, em nossas mãos.
Em segundo lugar, fazem com a Bíblia algo que jamais fariam com seu autor literário predileto: ignoram pedaços inteiros como "corpos estranhos" para dar coerência a uma ideia previamente estabelecida por eles, imputando-a ao todo como uma camisa-de-força. Agem assim como verdadeiros Jacks Estripadores do livro que sustenta todo o cristianismo. Fico imaginando um crítico literário que, diante de um romance de Albert Camus como A peste, tentasse provar intenções espúrias do personagem principal, doutor Rieux, argumentando que todas as páginas que descrevem seus esforços contra a praga "não foram, na verdade, escritas por Camus e não pertencem ao livro". Será que daríamos tanta atenção a esse crítico quanto damos aos teólogos universalistas, por exemplo - que, contra toda palavra do próprio Cristo sobre o inferno, preferem "pular" os trechos que os tiram de sua zona de conforto ou, pior, preferem interpretá-los esotericamente? Por que levaríamos as Escrituras menos a sério, em sua inteireza, do que consideramos uma obra de literatura? Posso entender essa leitura afrouxada por parte de um descrente, mas não de um crente em Cristo, sobretudo quando pensamos o quanto Cristo conhecia, estudava e amava a Palavra que tinha em suas mãos: o Antigo Testamento.
Diante de qualquer texto, requer-se do leitor que não projete seus próprios anseios e preconceitos por sobre a leitura. Caso proceda assim, será um mau leitor e não conseguirá formar uma ideia adequada do que está lendo, seja uma narração, uma descrição ou uma peça argumentativa. A Bíblia precisa de leitores que a abordem, no mínimo, como a um texto coerente, não um amontoado de frases ou livros sem conexão entre si. Mas, sobretudo, precisa de leitores que se aproximem dela como se aproximariam do próprio Cristo: com "ouvidos para ouvir", ou seja, humildade para aprender e coração fértil para as mudanças que Deus quer operar em nós, para a Sua glória. Só para esse leitor humilde a Bíblia será, como foi para Timóteo, "as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2Tm 3.15).
Saiba mais: Augustus Nicodemus trata da autoridade das Escrituras; A Palavra, não a tradição.
02 julho 2012
Textos no Teologia Brasileira!
“Missão” é primordialmente oferecer-se a Deus, todos os dias, para ser santificado. Também é guiar espiritualmente a família e os mais próximos, em um trabalho lento, cotidiano e interior. Quando as “missões” são consideradas apenas em uma dimensão exterior, em que não se contempla a interior, somos como pobres legalistas pragmáticos, orientados somente para o fazer, imprestáveis para adorar a Deus e pôr em prática o amor ao próximo, algo só possível com paciência e olhos atentos. Porém, quando privilegiamos o alvo correto, não somos tão ativistas, mas vivemos a missão primordialmente onde deve ser vivida: dentro de nós, em nossos corações, onde está o trono de Deus; e, dali, espraiando-se para fora. É nesse reino da interioridade, habitação do Espírito Santo, que serão esmagados, pela graça de Deus, todos os pecados graves que nos impedem de ter a disposição para amar. É ali que tudo começa; se não começar ali, não terá começado de modo algum (e precisa recomeçar a cada dia!).Aproveitem para ler também o artigo importantíssimo de Franklin Ferreira, Uma resposta ao artigo de Jung Mo Sung, muito bem documentado e argumentado. Uma das impressões mais vívidas que o artigo me deixou é que o teólogo coreano entende bem pouco de Bíblia. Boa leitura!
28 junho 2012
Da série "O que Deus fez por você através da cultura" II
Nesse único momento - um momento que acontece a cada mil anos -, esses crentes melindrosos daquele Jesus ousavam mencionar seus insignificantes escrúpulos morais! Quão difícil era lutar por uma nova e melhor ordem - se entre seu próprio povo ainda era possível encontrar tamanho preconceito! (p. 137)
É inegável que, nesse trecho, o poeta (que retornou ao catolicismo de sua infância apenas no fim da vida) demonstra saber algo que, infelizmente, muitos cristãos de nossa era não sabem: o cristianismo é um grande obstáculo - como cristã, eu diria: o único eficaz - à ganância de controle absoluto, concretizada de modo máximo nos regimes totalitários. O cristianismo é o único fator a impedir a submissão total (portanto, a idolatria) de quem é submetido. Leia 1984 sob essa ótica e você perceberá, leitor: Winston sucumbiu ao Grande Irmão porque, como não era convertido, não pôde deixar de desejar que sua amada estivesse em seu lugar no momento crucial da tortura. O verdadeiro cristão, imbuído da graça de Deus, saberia, a exemplo do Mestre, sacrificar-se por ela ali, mesmo diante de seu maior pesadelo. Ainda hoje, os verdadeiros cristãos espalhados pelo mundo, perseguidos por ditaduras muçulmanas e comunistas, continuam sacrificando-se por seu Amor Maior, recusando-se a negar a fé.
Schmidt conta que, em Roma, o indivíduo só valia alguma coisa se fosse parte do tecido social e pudesse oferecer alguma contribuição para seus usos, como se seu fim maior fosse engrandecer o Estado. Com a vinda de Cristo, isso começou a mudar, pois Deus abençoou as nações através da graça comum. Passamos a gozar de relativa paz após a conversão do imperador Constantino, no ano de 312, e a penetração do cristianismo na cultura promoveu sua "abertura" (cf. o filósofo reformado Dooyeweerd), o que culminou em conceitos até então inéditos e libertadores baseados nos ensinamentos de Cristo, tais como a unicidade do indivíduo em sua relação com Deus e a inviolabilidade da consciência individual.
Hoje, tem sido empreendido o movimento inverso, de descristianização da cultura, e os mais sensíveis, como Milosz, conseguem perceber que o cristianismo é um freio para a máxima opressão do homem pelo homem. São os poderosos que, impulsionados pelo mesmo descontentamento do personagem nazista, empreendem esse movimento, os que abominam todo limite interior e exterior para o mal que perpetuam. O apologeta Francis Schaeffer afirmou que Deus deixou claro o que ocorre quando as nações o rejeitam: são vencidas e destruídas pelo poder humano. Essa é uma das lições que as guerras do século passado nos deixaram. Nesses tempos difíceis, em que o ressurgimento do nazismo e a sobrevida do comunismo parecem provar que os horrores do século XX já foram esquecidos, precisamos mais que nunca salgar a terra, de todos os modos possíveis - agindo, falando e raciocinando na contracultura saudável, bíblica -, com dois objetivos em mente: que não venha julgamento severo sobre nosso povo e que alguns possam receber com alegria e liberdade a Palavra da salvação.
21 junho 2012
A ceia acridoce (2): os fatos
Adendo: Como já percebeu certamente o leitor atento, o problema que descrevi vai muito além de uma mera troca de elementos, razoável e necessária no contexto missionário, em regiões onde simplesmente não há nem uva, nem trigo.
14 junho 2012
A ceia acridoce
Não sei se algum dos participantes conseguiu perceber ou intuir isto, mas a
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Atualização importante: O texto foi modificado depois que Alex Fajardo explicou no Facebook, e aqui nos comentários, que não ocorreu uma substituição dos elementos, mas sim um acréscimo.
No entanto, o acréscimo não muda em nada a substância do que escrevi: houve uma modificação fundamental no sacramento instituído por Cristo, uma modificação que tirou o foco da obra de Cristo na cruz e enfatizou "o doce e o amargo da vida", ou seja, o ser humano e suas vicissitudes. Conta-se que o celebrante, pr. Carlos Queiroz, passou dez minutos explicando o significado que ele atribuía ao limão e ao doce, e ainda observou que "não iria consagrar os elementos, pois alguns poderiam não concordar com ato que ele iria realizar". Isso significa que ele estava ciente de que aquilo poderia chocar alguns. Como expliquei ao Alex, em primeiro lugar, ceia não é momento para se arriscar a ferir ou escandalizar algum irmão. Ao escolher o momento da ceia para trazer uma novidade dessas, o celebrante não pensou que a ceia é um sacramento de COMUNHÃO e esse tipo de proposta diferente subverte esse propósito. Em segundo lugar, a primeira nota do Alex, que apenas mencionou a novidade (e realmente deu a entender a substituição), demonstra que o que mais marcou os participantes dessa ceia foi o acréscimo, e não o que se faz usualmente. Claro: é da natureza humana que nos lembremos especialmente do novo. E esse "novo", no caso, tirou do ritual a centralidade de Cristo. Em terceiro lugar, e supremamente importante: QUEM deu autoridade aos ministrantes da ceia para ACRESCENTAR outros elementos ao pão (corpo) e ao vinho (sangue)? Isso é muito sério. Nenhum pastor ou líder religioso tem autoridade para modificar o que Jesus instituiu como sacramento e memorial. Somos irmãos e estamos vivos espiritualmente não por causa das "vicissitudes da vida", mas pelo corpo e pelo sangue de Cristo, UNICAMENTE. Além disso, qualquer acréscimo arbitrário à simbologia da comunhão sugere que não estamos mais no espírito bíblico, mas sim no de seita.
09 maio 2012
02 maio 2012
O terceiro gato
30 abril 2012
26 abril 2012
20 abril 2012
11 abril 2012
Leia um trecho do meu livro!
Surpresa! A editora Vida Nova disponibilizou em seu site um trecho grande de meu livro, A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, a sair no final de abril (tá pertinho!). A capa está bonita, não está? Assim que eu tiver a confirmação das datas e dos locais do lançamento, aviso aqui!
Boa leitura!
31 março 2012
48 anos depois: notas sobre a ditadura militar
Neste blog, e em meu livro a sair no final de abril pela editora Vida Nova - A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã -, discuto a impossibilidade de enxergar nuances, típica do pensamento de esquerda. Ora, muitas vezes os próprios conservadores não se isentam desse mal. No Brasil, o espírito da cordialidade convive paradoxalmente com uma adesão festiva ou raivosa (ou ambos!) a extremos. Análises comedidas, não; endossos apaixonados a qualquer tema, não importa sua complexidade. A politização do pensamento, a que espero, contraculturalmente, aderir cada vez menos, pede que a humanidade se divida em dois partidos opostos sobre tudo, sempre.
Tendo dito isto, vamos ao que penso. A ditadura militar foi um mal menor? Sim. O país estava prestes a se tornar uma sucursal da antiga União Soviética. Terroristas treinados agiram para implantar o comunismo no Brasil. Plantaram bombas, assaltaram bancos, mataram gente. Diante dessa situação, os militares usaram técnicas de guerra, com o apoio popular. Seria possível reagir de outra maneira? Creio que não, infelizmente.
Agora, devemos "comemorar" o acontecimento? Sim e não. O golpe, que impediu o mal maior, sim. O regime, com todos os seus desmandos e excessos, certamente não. Um mal menor deve ser encarado como o que é: um mal. Sim, o totalitarismo de esquerda é o inferno na terra em grau elevado. Mas uma ditadura deixa marcas difíceis de serem curadas e esquecidas. Por todos os que sofreram de verdade naquele contexto (não incluo nisto quem se exilou em Paris e hoje vive de indecorosas indenizações), prefiro não comemorar.
O que fica mais patente, porém, é que aqueles jovenzinhos vociferantes - com seus mestres e tutores partidarizados - que se levantaram contra o evento sobre a ditadura no centro do Rio, desprezando e cuspindo nos militares que dali saíram, precisam urgentemente se despir da sua capa de falso moralismo, de inocência fingida, e compreender que, no mesmo instante em que condenam a ditadura, defendem e promovem um sistema maldito que, em nome do amorrrrrr, matou cem milhões de pessoas em todo o mundo. Os militares cometeram erros, mas buscavam coibir terroristas, assassinos e assaltantes de bancos; os comunistas são muito mais democráticos em seus alvos e exterminam "classes" inteiras, levas e levas de pessoas, sem olhar a quem. Vamos deixar de hipocrisia e acabar de uma vez por todas com esse mimimi em relação a 1964: esquerdista, o que você quis para o Brasil naquele tempo (e ainda quer hoje!) é pior, muito pior, do que qualquer coisa que os militares possam ter feito. Quantitativa e qualitativamente.
Termino assim este texto: com todo o respeito pela dor das vítimas involuntárias da ditadura e com a mais profunda compaixão por aqueles que de fato confundiram o comunismo com o sonho por um mundo melhor; mas muito pouco respeito, muito pouco mesmo, pelos novos totalitários, comunistas de ontem e de hoje, que acusam os militares ao mesmo tempo em que ainda exaltam, depois de toda aquela matança comprovada, os demônios Lênin, Stálin, Pol Pot, Mao e Fidel Castro.
25 março 2012
Bate-papo com Allen no Facebook
Também vale conferir o trabalho da fotógrafa Micheli Lopes, que me clicou no Congresso Vida Nova (mais fotos aqui) e transformou uma postura minha toda torta (que é como fico quando estou esperando alguma coisa) em algo belo:
09 março 2012
8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova
No congresso, darei uma palavrinha rápida sobre meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, junto com Augustus Nicodemus, que me honrou muito ao assinar a apresentação. Mas calma: não é o lançamento, ainda, apenas um hors d'oeuvre. :-) O livro vai sair no final de abril e eu prometo que posto todas as datas e locais!
29 fevereiro 2012
Um seminário para não perder!
27 fevereiro 2012
26 fevereiro 2012
Da série "O que Deus fez por você através da cultura" I
É claro que Schmidt não ignora o mal que, em nome do cristianismo, muitos perpetraram ao longo da história. Afirma ele em entrevista: "Alguns aprovaram a escravidão; alguns diminuíram o valor da mulher; outros, os cruzados, tentaram converter à espada; outros, ainda, praticaram corrupção, dentro e fora da igreja." O que é importante notar é a estreita correspondência entre os ensinamentos de Cristo e os inúmeros bens de que gozamos na civilização judaico-cristã, além de seu corolário: o quanto perdemos quando nos afastamos bruscamente desses valores! Por exemplo, a cultura "andou para trás" em todos os países em que governantes totalitários buscaram destruir à força o substrato cristão, remodelando o homem e o mundo à própria imagem. Hitler, que odiava o cristianismo e subjugou a igreja, adotou o infanticídio na Alemanha durante seu governo.
É do infanticídio que vou tratar no primeiro post dessa série, comentando as riquíssimas informações que tenho encontrado no livro de Schmidt.
O fim do infanticídio: uma conquista cristã
Você, leitor, deplora o assassinato de crianças, não? Espero que você não seja um seguidor de Peter Singer, nem de certas antropologias modernas que negam à criança indígena o status de pessoa... Bom, para a sensibilidade contemporânea, em todo o Ocidente o infanticídio é um crime abominável. Trememos de horror e ira apenas quando alguém encontra um bebê vivo dentro de uma lata de lixo - quanto mais se pai ou mãe matam os próprios filhos, como ainda ocorre no mundo muçulmano. Prática comum e incontestada em várias civilizações antigas - não só a greco-romana, mas também a de países como China, Japão, Índia, entre os índios do Brasil e entre os esquimós - , o infanticídio só começou a ser afrontado consistentemente a partir do século I, pelos adeptos daquela seita judaica do Nazareno. Nem mesmo os melhores homens do mundo antigo ocidental, como Cícero e Sêneca, se opunham a esse costume maldito. De fato, compreende-se por quê: somente o cristianismo bíblico podia, como cultura, conferir ao neonato ou à criança o status de um ser digno da vida. A idolatria romana à "cidade" apenas deixava os mais frágeis à mercê de um sistema cruel que dispunha como queria das pessoas consideradas improdutivas ou indesejáveis. Foi somente por influência do bispo Basílio de Cesareia que o infanticídio foi abolido no Império Romano pelo imperador Valentiniano, em 374d.C. Da mesma forma, os pais da igreja Clemente de Alexandria, Tertuliano e Lactâncio denunciaram com vigor tanto o infanticídio quanto o abandono de crianças, e muitos outros cristãos se tornaram conhecidos por adotarem as crianças rejeitadas.
O homem ocidental comum não mata nem abandona mais os filhos? E os que o fazem são acertadamente condenados e punidos? Agradeça ao cristianismo!
23 fevereiro 2012
Ore em nome de Jesus
Pois bem, mas o que seria "orar em nome de Jesus"? Pois o próprio Jesus nos estimula a orar em nome Dele. Encontrei um texto maravilhoso que fala sobre isso no blog de meu amigo Alan Rennê, aqui, e nos faz pensar muito no quanto nossas orações são feitas na perspectiva correta. Espero que goste. Boa leitura!
14 fevereiro 2012
Aos defensores da vida – urgente!
Citei em meu livro (a sair em março pela editora Vida Nova) a matéria do Estado de São Paulo que noticiava o compromisso assumido pela presidente Dilma conosco, evangélicos, no dia 15 de outubro de 2010, nos seguintes termos:
“Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.”
Acrescentei que preferia não entrar no mérito da eficácia desse tipo de documento, já que “os líderes politicamente corretos são hábeis o suficiente para modificar as leis de um modo mais sutil”. Pois bem: mal começou o ano, já estamos às voltas com a quebra desse compromisso por parte do governo (não vale o argumento lulista “eu não sabia”: Dilma é o governo). E também estamos às voltas com pesadíssimas manifestações de perseguição religiosa anticristã em vários níveis. Não se trata somente da nomeação da ministra Eleonora Menicucci, abortista (e até aborteira, conforme ela mesma conta em entrevista!) com muito orgulho. O secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, que segundo o jornalista Reinaldo Azevedo é “o homem mais importante do PT depois de Lula”, declarou no Fórum Social de Porto Alegre deste ano que o governo pretende criar uma mídia estatal para disputar ideologicamente com os líderes evangélicos pelos setores emergentes. É uma verdadeira declaração de guerra pela mente do povo evangélico – e quem está do outro lado é o governo de Dilma, o governo petista! Vejam o que escreve Azevedo sobre o ideal petista:
“[Eles querem a] completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de ‘educação’ o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. […] Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.”
Essa é a perfeita descrição do totalitarismo: poder total, pensamento único, tudo debaixo do Estado. No nazismo e no comunismo, em toda parte e todas as épocas, o cristianismo sempre foi o maior inimigo de um Estado opressor e tirano, pois tal Estado exige idolatria e nós nos opomos a isso por adorarmos o Deus único e todo-poderoso, o Deus da Bíblia, Pai de Jesus Cristo, criador do universo e redentor de nossas almas.
Outro caso escabroso contra cristãos é o da psicóloga Marisa Lobo, perseguida por “fiscais” de sua área por afirmar sua crença no Deus da Bíblia. Ela foi intimada a tirar de toda a sua mídia social (Facebook, Orkut etc.) as menções a Deus, sob pena de perder o registro no Conselho. Vejam como estamos caminhando: antes, não podíamos ser crentes no espaço profissional para não perder a credibilidade; agora, não podemos ser crentes em lugar nenhum caso quisermos manter nossa profissão. O “agente secreto da fé” está se tornando um objetivo estatal para a igreja! É o imenso armário que estão preparando para nós.
A última é gravíssima e precisa de nossa atenção máxima: querem legalizar o aborto eugênico a qualquer tempo e o aborto por motivos “psicológicos” até 12 semanas. Marcaram uma audiência pública às portas do Carnaval, quando está todo mundo distraído, planejando viagens e lazeres. É como sempre fazem quando querem realizar mudanças impopulares nas leis. Posto na íntegra o conteúdo do post de um blog excelente sobre aborto, escrito por Eleonora Chaya (pseudônimo), com muita informação importante. Se você estiver em São Paulo e houver tempo, não deixe de comparecer!
Defensores da vida, ATENÇÃO!
No dia 24/02/2012 haverá uma audiência pública para que se façam alterações no capítulo “Crimes contra a vida”, do anteprojeto do novo Código Penal.
Entre as alterações, que abarcam também a eutánasia e o suicídio assistido, querem nos fazer engolir a contra-gosto as seguintes mudanças com relação ao ABORTO:
Como é:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.Alteração:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 125. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque.
Pena – Detenção, de seis meses a dois anos.Como é:
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.Alteração:
Exclusão do crime
Art. 128. Não há crime se:
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II – a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV – por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.Aqui vocês podem baixar o texto com todas as alterações propostas.
Clamo a todos que, quem puder, compareça à audiência!
Façamos número, sejamos ouvidos! Não podemos nos calar diante da legalização de um assassinato!
É PRECISO SE INSCREVER: clique aqui para acessar o formulário de inscrição.
Audiência pública discussão das propostas do capítulo “Crimes Contra a Vida” do anteprojeto do novo Código Penal
Quando: 24 de fevereiro às 14h Local: Palácio da Justiça, “Salão dos Passos Perdidos”. Endereço: Praça da Sé, s/nº. Mais informações: www.prr3.mpf.gov.br, crimescontraavida@prr3.mpf.gov.br ou (11) 2192-8873.
11 fevereiro 2012
Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira
Peço sua atenção a essa Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira, escrita por Euder Faber, presidente da Vinacc. Precisamos do apoio de todos os irmãos que apoiam as realizações da Vinacc!
E continuem orando pelo fim da minha tendinite. ;-)
Abraços!
Norma Braga
02 fevereiro 2012
Novidades editoriais!
O pessoal da VINACC é ninja mesmo e merece nossa admiração: não é fácil organizar um evento daquelas proporções (60 mil participantes!) e ao mesmo tempo abrir uma editora e lançar livros! A Visão Cristocêntrica Publicações é inaugurada com quatro obras inéditas, dentre as quais Apostasia, Nova Ordem Mundial e Governança Global. O título pode assustar alguns, mas o tratamento do assunto é bastante sóbrio biblicamente e envolve muita informação imprescindível para a compreensão de nossos dias atribulados. O livro é organizado pelo fera em direito Uziel Santana e seus autores são Norman Geisler, Augustus Nicodemus, Russell Shedd, Robson Fernandes e esta escriba que vos fala. Será lançado durante o evento da VINACC, no carnaval, mas já pode ser reservado pelo site.
E você, vai à VINACC? Estarei lá!
Outra novidade de peso é a editora de meu amigo Sandro Wagner, Interferência, que já conta até com loja virtual. Está com um monte de livros de Charles Spurgeon à venda, oba!
Essas novidades vêm em boa hora, pois meu bloguinho anda tristemente parado. Estou morrendo de saudade de escrever aqui – e tem tanta coisa acontecendo! Queria comentar a obsessão banheirística (e autoritária) do Laerte, o vídeo promocional da Planned Parenthood, o livro da Nancy Pearcey que estou lendo e muito mais. Na verdade, tenho comentado, mas muito esparsamente (e concisamente) no meu Facebook. Não posso escrever muito: a tendinite ainda está me rondando (continuem orando por mim!). Mas logo sairá meu livro pela Vida Nova, em março, e eu prometo postar as datas de todos os lançamentos e eventos em que estarei presente!
02 janeiro 2012
2011, uma retrospectiva
Logo no início de 2011, vivemos uma tragédia pessoal, em janeiro: a morte de nosso primeiro filho antes de nascer, com quase cinco meses. Deus sabe o quanto isso pode ser especialmente doloroso para quem, como nós, não acredita na balela de que, no ventre, os bebês são apenas um punhado de células. Nós nos relacionávamos com ele, do lado de fora, considerando-o de fato o que ele era: um bebezinho em formação. Eu especialmente me divertia quando, à noite, meio de bruços, eu mudava de posição e sentia o corpinho ainda minúsculo se deslocando para o lado inverso. Achava a coisa mais linda que aquela coisica já tivesse seus desconfortos e vontades. Nosso bebê agora está com Deus, e ainda pensamos nele com tristeza e saudade. Depois do parto (pois seria perigoso e muito pior tirá-lo por cesariana), enquanto voltávamos calados para casa, ouvi no rádio uma música muito triste de Caetano Veloso, cujo refrão era: “Que é que eu vou fazer pra te esquecer?” E respondia interiormente: nunca farei nada pra te esquecer. Não quero evitar essa dor (que será permanente, até a morte), não só porque é a evidência do amor que tivemos por ele, mas principalmente porque Deus estabeleceu seus limites, aqui e na eternidade: aqui, temos um consolo que neste mundo não se encontra; lá, teremos o reencontro tão ansiado. Até esse dia, sustentada pela maravilhosa graça, nossa lembrança continuará a ser “mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus vai apagar”.
Em fevereiro, durante os dias do Carnaval, tivemos o Encontro da VINACC (Visão Nacional da Consciência Cristã), um evento inesquecível em Campina Grande, Paraíba. Falei a uma plateia bastante entusiasmada (mérito das pessoas que ali estavam, pois não sou uma grande oradora) sobre os perigos de uma cosmovisão que confunde o amor cristão com o amor marxista politicamente correto. No mesmo dia, ouvimos Don Richardson, autor de um dos livros mais importantes em minha formação cristã, O fator melquisedeque. Não perdi a oportunidade de dizer-lhe que aquele livro, lido por mim poucos meses depois da conversão, ampliou incrivelmente minha percepção de quão grande Deus é, pois, embora tenha escolhido fazer-se conhecido através de um Livro, Ele não se furtou a deixar pequenas marcas de Si mesmo em outras culturas desprovidas do texto bíblico. Com uma cativante modéstia, Richardson respondeu como se a obra não fosse dele, mas como quem, esquecido dos próprios esforços, ainda se maravilha com a descoberta: “Não é mesmo incrível?” Desnecessário contar que eu e André fizemos um rombo imenso em nossos bolsos, comprando muitos livros e alguns vídeos e cds. Ao longo do evento, todas as palestras a que assistimos, sem exceção, trouxeram ideias edificantes. Agradeço a Deus pelos irmãos que conheci (Tiago, Uziel, Ana, Euder, Paulo, Ricardo, Adauto, Ciro, Zé Mário) e que reencontrei (Augustus, Minka, Franklin, Marilene, Renato, Edson, Rozângela, Antônio). Tivemos a oportunidade de bater papos divertidos e instrutivos. Estaremos lá novamente este ano!
[Continua, na medida em que a tendinite deixar] ;-)
20 dezembro 2011
Comunismo coreano: idolatria e opressão
Há alguns anos, quando eu ainda trabalhava como professora de francês, caiu-me nas mãos uma revista feminina francesa que veiculava fotos de multidões de crianças chorando, rostos em desespero, com a simples visão pública do ditador coreano. A reportagem mostrava de que forma elas tinham sido treinadas para reagir assim, em uma calculada histeria coletiva. Aquelas imagens nunca mais saíram de minha mente, como um retrato emblemático da deformação da alma infantil. Não tenho mais a revista, mas qualquer pessoa pode pesquisar e, o inglês ajudando, compreender a crueldade de um regime que obriga as pessoas a adorarem seus líderes e as pune severamente quando se recusam a isso.
Pois morreu o ditador da Coreia do Norte, Kim-Jong il, deixando o mesmo legado comunista que conhecemos: fome generalizada, opressão, tirania, campos de concentração, idolatria (nesse caso, rasgada) e perda da liberdade, além de um punhado de armas nucleares que preocupam o mundo. No Brasil, que é governado por um partido comprometido ideologicamente, a mídia raramente ousa tratar das sistemáticas violações aos Direitos Humanos naquele país. Em uma rápida olhada pela internet, é impossível deixar de reconhecer que as notícias sobre essa morte são pouco informativas e, em geral, vergonhosas, enfatizando as lamentações (em grande número, forçadas!) e usando eufemismos como “mão de ferro” para o ditador cruel que queria a adoração como um deus. O comunismo brasileiro também mostrou de que lado está: a Folha de São Paulo veiculou a rasgada exaltação do PC do B ao regime. Não há desculpas para a falta de informação: até no You Tube há documentários que mostram a real face do totalitarismo comunista coreano.
A Coreia do Norte, hoje, é o primeiro país no ranking da perseguição religiosa, de acordo com o site Portas Abertas. Você, cristão, vai continuar a defender o comunismo? Busque informação e se posicione: você não pode ficar calado diante da perseguição, seja religiosa, seja política. Salgar o mundo, nesse caso, é abrir a boca pelos verdadeiros oprimidos dos sistemas comunistas em vigor, bem como denunciar a opressão em marcha nos países que ainda se consideram “democráticos” – uma opressão que tem sido praticada em nome do amorrrr politicamente correto, e que se revela na aprovação de leis mesquinhas que dão ao Estado o controle da consciência (lei contra a homofobia, lei da palmada, leis que buscam coibir a imprensa etc.), e isto em todo o mundo ocidental.
08 dezembro 2011
Maquiagem e teologia
Ainda não estou com o braço cem por cento, mas já me arrisco a escrever um pouquinho, aqui e ali. Uma amiga virtual, Renata, tem um excelente blog sobre maquiagem, do qual sou leitora assídua, chamado Conversa de beleza. No post de hoje, ela propôs que as leitoras escrevessem livremente suas opiniões sobre a seguinte citação, que ela retirou de um programa de tv e traduziu:
Mary (narração): Sempre me espantei com os objetivos da maquiagem: anti-sinais, firmadora, regeneradora, micro-escultora; pagar um absurdo em garrafinhas de 100mL. Fico estupefata. Honestamente, parece um safári. Quero dizer, até entendo. Em um nível, você quer mudar, se esconder, sentir-se como qualquer outro que não você – nem que seja por uma noite. Mas no final do dia, é o que seu reflexo exaurido lhe dirá todas as vezes, a maquiagem sai e tudo o que lhe resta é exatamente quem você é.
Eis meu comentário, que partilho com vocês:
Querida Renata,
Eu não resisto a filosofar e teologizar aqui um pouquinho, comunicando uma cosmovisão que está enraizada na minha escolha religiosa: o cristianismo bíblico. Eu não deixo a religião no “armário” das opiniões pessoais e subjetivas, sabe; para mim, a cosmovisão cristã é minha verdade. E fico feliz por você ter pedido a opinião das leitoras. :-)
Então, quando leio uma declaração dessas, a primeira coisa em que penso é: “Mas quem somos exatamente?” Acredito no pecado original, ou seja, acredito que os homens se separaram de Deus por escolha própria. Isso significa que nada no mundo é “normal”, nada é o que deveria ser. Assim, não somos perfeitos, ninguém é perfeito, e a perfeição só será alcançada no céu. Então, “ser o que você é” é “ser pecador”, com todos os efeitos do pecado, efeitos que não são somente morais, mas também têm a ver com a mortalidade – ou seja, com o fato de que nossos corpos são vulneráveis e tendem à destruição. Nesse contexto, “ser o que sou” não deve ser um lema, uma bandeira (a não ser que signifique “ser espontâneo e autêntico”, no sentido da sinceridade), porque meu “ser natural” inclui todas as minhas imperfeições, e todo mundo quer se aperfeiçoar, ser melhor do que é. No âmbito moral, não há “maquiagem” que resolva: nossos “podres” precisam ser identificados, perdoados e depositados aos pés da cruz de Cristo; no âmbito estético, a maquiagem é muito bem-vinda e devemos lançar mão dela incondicionalmente. Mas, mesmo no âmbito estético, em Cristo nós temos a promessa de um céu onde, certamente, ninguém precisará de maquiagem. ;-)
A segunda coisa em que penso é menos teológica e mais estética mesmo. De novo, pergunto: “Mas quem somos exatamente?” Tudo modifica nossa aparência: a luz, as cores do ambiente, o clima, as emoções, os adornos, as roupas que vestimos. Ninguém tem controle total sobre a própria aparência, seria impossível. Mas temos algum controle, e é justamente isso que a maquiagem, os cosméticos e a moda nos possibilitam: usar a luz, as cores, as texturas, os formatos, os adereços a nosso favor. A autora da citação, para ser coerente, teria que andar pelada e deixar de usar até desodorante. O que ela afirma contradiz a própria civilização.
Para resumir, o texto dela é uma amostra da filosofia do “bom selvagem” aplicada ao mundo do make up. Não posso concordar com o naturalismo que ela advoga. E também é uma confusão entre esferas: ela está expressando uma preocupação existencial através de algo que é estético. Isso é exigir demais da maquiagem ou da não-maquiagem. No final do dia, quando olho no espelho, o que resta é simplesmente uma Norma com o rosto lavado! :-D
Grande beijo e obrigada por pedir respostas espontâneas!







