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21 março 2007

Escândalo na universidade pública

O blog de Reinaldo Azevedo traz este mês um post sobre um teste de acesso ao curso de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco para quem já tem um diploma. Só esse fato já é esquisito, porque para cursar uma segunda faculdade basta pedir o que chamam "reingresso", e não me consta que haja prova além desse pedido. O teste, porém, além de conter erros absurdos de português e conteúdo, parece querer medir não o preparo do estudante para o curso de filosofia, mas sim seu grau de ideologização. As questões que o compõem são aterradoras e oferecem ao leitor a dimensão do tipo de "profissional" que invadiu o ensino deste país. Como professora e estudante de pós-graduação, estou muito chocada e indignada. Precisamos apenas saber como protestar de modo eficaz para que a educação pública não só cresça em qualidade e pertinência, mas se desvencilhe de vez da ideologia - pois, quanto mais política fizer, menos interessada estará no verdadeiro conhecimento.

Não deixem de ler: Uma prova da Universidade Federal de Pernambuco e a revolução cultural do ministro Haddad

Comentário que deixei ao post:

Reinaldo,

"Ela" é a ecologia. A pessoa que elaborou a questão quis que o aluno fizesse uma associação entre o enunciado e as opções de resposta, assim: cristianismo e a primeira sentença, a Ecologia e a segunda (que começa com "Ela"), ética ambiental e a terceira. Nada muito didático, nem muito bonito, nem muito harmonioso. E ainda há os erros terríveis que você apontou: erro de conteúdo, de ortografia, a redação ruim e a politicagem despudorada que demoniza alguns autores para santificar outros.

Porém, o que me salta aos olhos com horror - e que você não mencionou - é também o endosso indireto que essa universidade dá a Peter Singer, um cientista que defende o infanticídio! Como pode um infanticida ser leitura obrigatória para uma prova de acesso à universidade?

A julgar por essa prova, será que chegaremos um dia a ter de reconhecer que a universidade brasileira é predominantemente politiqueira e anti-ética, além de oferecer um ensino de má qualidade? Será que esse dia está perto? Será que já chegou? Eu temo, temo muito.

Observação: Na prova toda (veja aqui), de 25 questões, CINCO se referem diretamente a Peter Singer. Se isso não é um endosso indireto, não sei o que é. E ainda pretendem poder discernir "homens éticos" depois de recomendar um infanticida como um grande filósofo. Isso é que é "filosofia engajada"... no que não presta, definitivamente.