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( ) "Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou." (Ministra Matilde Ribeiro, Seppir)
( ) "O racismo se caracteriza na medida em que você impede que o outro cresça. Isso só pode ser feito por quem tem o poder. Como nós (negros) não temos o poder, não podemos ser racistas." (Waldemar Pernambuco Moura Lima, presidente do Movimento Quilombista Contemporâneo; Zero Hora, 28/03/2007, p. 31)
( ) "Racismo é a tendência patológica de fazer menções a raça nos assuntos em que isso não é relevante, somente em benefício próprio." (Mike Adams, professor de direito e colunista do Townhall.com)
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Em nome do ressentimento
Como se sabe, a ministra Matilde Ribeiro, titular de um ministério de nome politicamente corretíssimo – Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir) –, afirmou em entrevista que a discriminação dos negros contra os brancos, “muito natural”, não se configurava racismo. Assim, se uma pessoa que se vê negra (não acredito em raças, muito menos no Brasil) se recusar a aceitar a presença de uma pessoa de cor mais clara, poderá manifestar seu desagrado sem medo de sanções penais; mas não o oposto. Chame isso de justiça, mas não conte comigo para chamar também.
E não, o argumento histórico não vale. A escravidão foi praticada tanto pelos brancos europeus que queriam comprar gente para trabalhar aqui quanto pelos africanos que queriam embolsar o dinheiro vendendo povos de tribos inimigas e socialmente inferiores às deles. O pecado veio de ambos os lados e teve uma motivação mais poderosa: cobiça. Na base da escravatura está, portanto, o fator econômico como preponderante, já que o processo dependeu de uma hierarquia entre povos de raça igualmente negra, subordinação típica de sociedades tribais. Se a Sra. Ministra crê como desculpável o desagrado do negro em relação ao branco em função do passado histórico, convém lembrar-lhe portanto que o açoite não foi praticado somente por mãos brancas. O racismo é uma condição secundária desse processo, e há pelo menos um sociólogo brasileiro, Demétrio Magnoli, que confirma o que digo em artigo no Estado de São Paulo: “O que existe é uma exclusão social e econômica dos pobres — entre os quais os de pele escura e também os de pele clara. É falso definir como problema racial o que é na verdade um problema social e econômico.”
Hoje, embora a progressiva miscigenação tenha diminuído bastante a chance de sentimentos racistas por parte do brasileiro – e ser racista no Brasil não é só burrice, mas perda de tempo –, não escapamos ao fato de que todas as épocas contam com um certo número de idiotas segregacionistas, com suas desculpas absurdas para atribuir uma inferioridade intrínseca não só ao negro, mas também ao pobre, ao nordestino, à mulher, ao gay. (NÃO É o que se faz na religião: o gay não é condenado como pessoa, mas a prática homo, sim. Assim como eu posso amar um filho mas deplorar nele o hábito de contar mentiras.) Com raras exceções, o racista brasileiro não costuma encontrar respaldo social para maltratar os outros. Porém, a depender de dona Matilde Ribeiro, a partir de agora encontrará: só o racista negro.
Isso, em nome de quê? Do ressentimento politicamente correto, resposta emocional bastante admirada e estimulada pela esquerda que domina o país. “Vinguem-se com o endosso do Estado”, parecem dizer os adeptos do pensamento PC. “Mas atenção”, frisam eles, “isso só vale se o negro quiser se vingar do branco, o homossexual do heterossexual, a mulher do homem, o pobre do rico.” Como se o pecado escolhesse raça, classe, sexo. Como se negros, homossexuais, mulheres e pobres não pudessem também cometer crimes de preconceito e atentado contra a honra.
Se não houvesse tantas cabeças pensando à moda de Marx, poderíamos deixar que a lei se encarregue de simplesmente punir injúria, calúnia e difamação, não importa de quem venha. Porém, escritas sob o calor do ressentimento, as novas leis – cotas em universidades, projeto de lei contra a homofobia – não são leis: são vingança. De que forma? Ora, as cotas punem o branco estudioso e esforçado, enquanto a lei da homofobia ressuscita o famigerado delito de opinião ao criminalizar o religioso que crê na Bíblia. Nos dois casos, negros e gays são tutelados como se fossem intrinsecamente mais frágeis que os demais seres humanos. (O caso de mulheres e crianças é diferente, pois precisam mesmo de proteção especial.) Acho que todos os negros e gays deveriam se insurgir contra esse evidente erro de julgamento. Os que o fazem têm o meu respeito.
Ainda que houvesse justiça nisso, uma sociedade construída sob o signo da vingança não irá muito longe.Uma história de racismo
Eu já fui discriminada por ser branca. Deixe-me contar como foi.
Eu tinha uns treze anos à época e tinha ido ao Mc Donald's com minha prima. Enquanto ela esperava atendimento na fila para comprar o lanche, eu guardava lugar para nós duas em um sofazinho. O lugar estava lotado e as filas, enormes.
Apareceu então uma senhora negra obesa, muito gorda mesmo, acompanhada de umas duas crianças também gordinhas. Ela me pediu licença para se instalar com a turma no sofazinho. “Deve achar que estou sozinha aqui”, pensei, olhando para aquele volume humano todo e calculando que minha prima, quando voltasse, não caberia no espaço: só a mulher ocuparia quase metade do assento! Na minha inocência, muito sem jeito (como me expressar sem chamar a mulher de gorda?), tentei explicar que logo viria minha prima para se sentar ali, e que nós todos não caberíamos no sofá.
Para meu horror, ela arregalou os olhos e começou a gritar impropérios, dizendo que eu não queria que eles se sentassem ali porque eram negros. Aquilo durou alguns minutos, até que ela se cansou e foi embora. Quando minha prima chegou, encontrou-me chorando desconsoladamente. Aos treze anos, eu tinha sido maltratada em público porque não tinha a mesma cor da pele daquela senhora! O julgamento dela me marcou para sempre.
Fico imaginando a mesma situação hoje: será que aquela senhora me processaria, ou a meus pais? Será que eu seria xingada por mais gente na lanchonete? Quem pode dizer até onde iremos com essas leis esquisitas, cujo único objetivo parece ser dividir e desagregar a sociedade em dicotomias que se odeiam? Pessoas não são mais pessoas, mas brancos contra negros, homens contra mulheres, heterossexuais contra homossexuais, classe dominante contra classe oprimida. É isso que os grupos politicamente corretos não entendem, vítimas daquele a quem a Bíblia atribui o epíteto de “deus deste século” (2Co 4:4), cuja finalidade é “matar e destruir”: a pessoalidade não pode ceder ao rótulo social sem que desçamos alguns degraus de nossa condição humana. Quando a preocupação jurídica com os processos for considerada a única forma de “amor ao próximo”, estaremos bem perto do fim do mundo. A quem acha que estou sendo dura demais, explico: a moralidade do politicamente correto não pode substituir o amor de Deus. Quando tentam fazê-lo, as pessoas que professam essa nova moralidade acabam compactuando com o demônio na destruição do verdadeiro amor. Simples assim.Fifty-fifty
Meu dentista fez uma radiografia de perfil do meu maxilar. Eu me surpreendi com o resultado: parecia a radiografia do Milton Nascimento! “Esse 'bico' é normal em descendentes de portugueses, por causa da mistura com os mouros”, explicou ele.
Reparei então que, no meu rosto, não dá para ver um “bico” como no rosto do Milton; mas, prestando-se bastante atenção, há uma protuberância na área da boca. Um restinho de bico, digamos. Adorei saber disso! O tipo de africano que eu mais amo é o tipo com “bico” – como a Nina Simone, que eu acho lindíssima.
Pois então: diante dessa mistureba toda, é ainda possível falar-se em “raças”? Com base em quê, a quantidade de melanina na pele? Não faz sentido.
É preciso reconhecer que muitas vezes a “luta pela igualdade racial” assume um teor contraditório: seus militantes alegam que “somos todos iguais”, mas na prática um bom número de ações afirmativas se caracteriza por atribuir à pele negra um valor intrínseco que muitas vezes parece superior ao da pele branca. Duvidam? Pois prestem atenção nos dizeres de uma camiseta já famosa que diz “100% negro” e pensem no seu correlato, “100% branco”. Esse correlato é ofensivo? É, muito. Na mentalidade contemporânea, “100% branco” é ofensivo porque parece significar “não tenho sangue negro no meu sangue”: uma conotação racista. Já “100% negro” não ofende, mas afirma o valor da raça negra, por causa das teorizações da ação afirmativa que formataram as consciências. Porém, o raciocínio que imbui os dois dizeres não é o mesmo? Não para os militantes, que alegam motivos históricos para alguém querer ser 100% negro e não 100% branco no Brasil. Para eles, as pessoas mais claras deveriam se penitenciar até hoje por seus antepassados racistas, enquanto as que têm mais melanina na pele podem se sentir orgulhosas da cor. Que esquisito. E racista, evidentemente: um racismo ao contrário. Se vejo um negro com uma camiseta “100% negro”, fico imediatamente triste porque, por causa da minha cor clara, sei que ele me vê como uma inimiga ou pelo menos uma descendente do inimigo. Entendeu como funciona? É o fator desagregador-demoníaco de que falei aqui.
Odeio a idéia do 100% branco ou 100% negro – a não ser, como falei em outro post, por motivos estéticos, e isto com relação a todas as raças. A maioria dos brasileiros de pele clara ou morena-clara tem negros na família e fica absolutamente transtornada com declarações e decisões de dona Matilde Ribeiro e demais membros do governo petista. “Temos que tomar partido?”, parecem perguntar. “É a cor que vale? A melanina? Mas eu tenho 'bico', minha pele escurece ao sol, meu bisavô era negro. Não posso ser a favor dos dois? Fifty-fifty? Por favor...”