Inspirado na quase-discussão do blog do Paulo Brabo. Os trechos entre aspas são de autoria dele.
- Por isso eu sempre digo: “A verdade cristã pode ser inquestionavelmente abraçada, jamais explicada ou entendida.”
- Ué, mas então a pessoa se converte como?
- É inexplicável.
- Não é possível; tem que haver alguma explicação.
- Não, não tem.
(outro intervém)
- Bom, é verdade que um aspecto da conversão é relacional, ou seja, o homem é impactado pela presença de Deus e cai a Seus pés, às vezes sem entender direito o que está acontecendo. Já presenciei isso várias vezes. Por outro lado, o apóstolo Paulo diz que precisamos sempre estar prontos para dar ao mundo a razão da nossa fé. A fé não é vazia, ela tem conteúdo racional, que é adquirido e fortalecido com a leitura bíblica e também no confronto com as idéias seculares. Nenhuma fé se sustenta na base das experiências, somente. Há uma história a ser conhecida, uma determinada cosmovisão, uma lógica bíblica...
- Ih... Lá vem você falar de “lógica”! (vários narizes torcidos)
- Mas qual o problema em falar de lógica? A fé tem um conteúdo racional, não tem? Gostaria que os senhores se pronunciassem a respeito.
O primeiro toma a palavra:
- “O efeito dessa nossa obsessão em precisar o conteúdo intelectual da verdadeira fé está em que enquanto fazemos isso conseguimos manter Jesus irrelevante para o restante e vasta maioria do mundo. A impressão que passamos é que a coisa mais útil e importante que o cristão pode fazer é definir intelectualmente e sem arestas a forma como Deus funciona e em seguida defender a todo custo o seu ponto de vista.”
(aplausos dos antilógicos; o outro responde, estupefato:)
- Não acho que “precisar o conteúdo da verdadeira fé” seja “manter Jesus irrelevante para o mundo” nem “a coisa mais importante que um cristão pode fazer”. Acho, simplesmente, que todo cristão acaba fazendo isso em certa medida, seja sozinho, seja com a ajuda de outros – irmãos da igreja, amigos, autores novos ou antigos. E isso é sumamente necessário, pois a fé cristã não é oposta à razão! Ela requer um conteúdo específico – um conteúdo, aliás, belíssimo, que começa com a criação do mundo, passa pela queda da humanidade (que recusa Deus) e culmina na salvação de Jesus e, por fim, na redenção do Planeta. O cristão que quer tornar sua fé conhecida precisa passar por esses pontos todos, e isso inclui a razão também. Esses pontos definem o cristianismo, e uma das preocupações do apóstolo Paulo foi justamente precisar o que cremos para tomar cuidado com outras doutrinas, com um outro cristianismo...
(narizes mais torcidos ainda e comentários gerais)
- Nossa, que coisa mais chata...
- Pior que chata: ele está falando de “cristianismo verdadeiro” e “cristianismo falso”, que empáfia!
- Absurdo mesmo. Todo cheio de si, ele e suas “razões”...
- Vou mandar um beijo para ele, quem sabe assim ele pára de falar desse jeito!
(Todos riem e se afastam, deixando-o sozinho com seus pensamentos. Sem sequer perceber, ele começa a orar:)
- Senhor, eu sei, só eu sei, o quanto pequei na minha vida justamente nos momentos em que quase me afastava da Tua doutrina. Eu sei por minhas experiências, amargas experiências, que todas as vezes em que ameacei questionar a integridade da Tua Palavra, ou a singularidade da Tua mensagem, eu me vi abrindo portas em minha mente para ser tentado naquilo que não conseguia evitar. Caí muitas vezes e quase caí tantas outras, correndo o risco de morte espiritual, sentindo-a bem de perto. Hoje sei que a ortodoxia é uma bênção, e a mente fraca é cria deste século, receptáculo de tudo que é contrário aos Teus desejos de santidade. Firma minha mente em Teus limites e não me deixa jamais cair no engodo do relativismo moderno. Que a Tua verdade seja minha em pensamentos, palavras e atos. Glórias sejam dadas a Ti, Senhor. Amém.