21 março 2016

DECLARAÇÃO SOBRE A ATUAL CONJUNTURA SOCIOPOLÍTICA DA NAÇÃO



Por ocasião do 10º Congresso de Teologia Vida Nova, nos dias 15 a 18 de março de 2016, em Águas de Lindoia, São Paulo, pastores, teólogos e líderes evangélicos de todo o Brasil se reuniram para refletir e discutir o papel e a contribuição da teologia evangélica para a sociedade e a cultura como um todo. Diante dos acontecimentos que têm agitado o país nos últimos meses, produzimos a seguinte declaração, conclamando os cristãos à confissão de pecados, ao repúdio da injustiça e à participação ativa neste momento crítico em nossa história nacional. 
Afirmamos que o Deus todo-poderoso, o único Soberano, Pai, Filho e Espírito Santo, que reina sobre todas as coisas e governa tanto a criação quanto as nações, levanta e destitui os poderosos, fazendo com que tudo, invariavelmente, atenda à sua vontade.  

Afirmamos a importância e a necessidade do envolvimento de cada cristão na sociedade, contribuindo para que a paz e a justiça do reino de Deus se estabeleçam em todas as áreas da vida pública. 

Afirmamos que a Igreja cristã, quando permanece fiel à sua missão — que consiste na pregação das Escrituras, na administração correta do Batismo e da Ceia — capacita cristãos a servirem a viúva, o órfão, o estrangeiro, o pobre e o que sofre violência (Jr 22.3; Zc 7.10). 

Como pastores e líderes, confessamos que não temos nos quebrantado diante da Palavra de Deus nem pregado as Escrituras como deveríamos. Confessamos também que não temos refletido o caráter de Cristo Jesus na esfera pública, deixando de tomar posições bíblicas claras e esquecendo o papel profético do púlpito. 

Como povo de Deus, confessamos que não temos exercido com toda a dedicação nossa vocação de ser sal e luz da terra (Mt 5.13-16) e que temos nos amoldado a uma mentalidade mundana. Confessamos nossa falta de amor pela Palavra e nossa negligência na oração em favor de nossos pastores, de nossas autoridades e da nação. Confessamos nosso desinteresse em influenciar positivamente os governantes e governados à luz da mensagem evangélica. 

Como cidadãos brasileiros, confessamos nossa adesão a ideologias estranhas à fé cristã, a indiferença diante da corrupção, a relativização da ética e do decoro, a busca pela realização de interesses próprios que têm gerado o desprezo pelas justas leis e pelos retos princípios da Constituição Federal. 

Repudiamos, sob o temor do Senhor, toda forma de idolatria ao Estado, iniquidade, conivência, omissão e dissimulação da impiedade. 

Repudiamos toda tentativa de silenciar e marginalizar a voz da Igreja cristã e da mensagem evangélica na esfera pública. 

Repudiamos o silêncio eloquente daqueles que, em nome de uma agenda ideológica iníqua, se eximem de fazer crítica profética a partir das Escrituras e, com isso, contribuem para a corrosão do estado democrático de direito. 

Repudiamos sobretudo a corrupção que desvia os recursos públicos e aumenta a pobreza e a desigualdade social. 

Repudiamos toda forma de relativização da Constituição Federal com o objetivo de atender a fins ideológicos espúrios, contrários ao bem da população como um todo. 

Repudiamos a desarmonização das esferas executiva, legislativa e judiciária e a usurpação de sua autonomia. 

Convocamos a assembleia dos santos a exercer sua cidadania terrena à luz de sua cidadania celestial, com engajamento e valorização da paz, da ordem e da justiça. A todos os que protestam pelas ruas do país, convocamos que o façam dentro dos parâmetros do respeito e da moderação, como pacificadores (Mt 5.9), entendendo que este é um momento oportuno de expressão do compromisso com a fé cristã. 

Por fim, convocamos a Igreja a que busque o Senhor em quebrantamento, orando pela nação e suplicando, especialmente, por um avivamento que procede do Espírito Santo. 

Em tudo isso, não esqueçamos a mensagem de nosso Senhor Jesus Cristo: 

“Não temas, eu sou o primeiro e o último.” (Ap 1.17) 

“No mundo tereis tribulações; mas não vos desanimeis! Eu venci o mundo.” (Jo 16.33)

 Águas de Lindoia, 17 de março de 2016 

Pastores, professores, missionários e líderes que desejam integrar a lista de signatários, por favor envie seu nome completo, função e instituição para o e-mail teologiabrasileira@vidanova.com.br




SIGNATÁRIOS:
Abelardo Nunes de Sousa Junior, presbítero da Igreja Apostólica Tessalônica.
Adilson Ferreira, pastor da Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão.
Adilton Cruz Coelho, diretor do Seminário Teológico Adonai.
Alcimar Laurentino dos Santos, pastor da Igreja do Nazareno-Zona Sul, Natal-RN.
Alessandra Vicente Pires de Carvalho, pastora da Igreja Videira do Vale Feliz.
Alex Gonçalves da Silva, pastor da Igreja Presbiteriana de Águas de Lindoia.
Ana Lúcia Alexandre Barbosa, diaconisa da Igreja Batista Nacional, João Pessoa-PB.
Ana Lucia Barbosa, seminarista do Seminário Teológico Adonai.
André Carvalho de Oliveira, diretor regional do Ministério Pregue a Palavra.
Angelino do Carmo Felizberto, pastor da Igreja Batista Central em Jardim Metrópolis, São João de Meriti-RJ.
Antonio Alberto de Melo Souza, pastor batista.
Antonio Carlos Corrêa da Silva, pastor da Igreja Batista Regular Filadélfia.
Antônio Coine, pastor presbiteriano da Igreja Presbiteriana Monte Sião de Botucatu-SP.
Arthur Wesley Dück, professor da Faculdade Fidelis.
Augustus Nicodemus Lopes, professor, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-Go.
Áurea Bustorff, seminarista do Seminário Kadoshi, Igreja Batista Nacional Miramar, João Pessoa-PB.
Beatriz Rodrigues de Lima, musicista, Primeira Igreja Batista de Bauru-SP.
Benedito Sérgio Lourenço, pastor da Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão.
Cesário de Paula Conserva Junior, pastor da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil.
Christian da Paixão França, pastor da Igreja Adventista da Promessa-SE.
Claudio de Souza Ferreira, pastor da Igreja Batista Monte Moriah, Brasília-DF.
Clemilton Lima da Silva, pastor da Igreja Congregacional Ide, Angra dos Reis-RJ.
Cristiane da Silva Alexandre, seminarista do Seminário Kadoshi, João Pessoa-PB.
Cristiane Siqueira de Carvalho, pastora da Comunidade Batista Bíblica.
Cristiano Camilo Lopes, pastor da Igreja Batista Fonte de Sicar, São Paulo.
Daniel Henrique Pereira Ribeiro, obreiro do Ministério Luz para os Povos.
Daniel Raimundo da Silva, presbítero da Igreja O Brasil para Cristo.
Danora Bachmann, teóloga, tesoureira, Ministério Avant.
Dante Pesqueira Andrada, professor e diácono da Igreja Batista Missionária de Pirapora.
Davi Charles Gomes, chanceler  da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP.
Davi de Campos Munhoz, pastor da Igreja Batista Betel de Bauru-SP.
David Bachmann, pastor da Igreja Batista Antioquia Goianápolis-GO.
Dennis Callegari, pastor, presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil.
Dilean Baptista de Melo Souza, reitor do Seminário Teológico Batista do Litoral Paulista.
Edilson Meirelles, pastor da Igreja Evangélica Videira.
Edmilson Bizerra, pastor, Igreja Batista Jardim Consórcio-SP.
Edson da Silva Santos, pastor da Igreja Congregacional, São Gonçalo-RJ.
Edson Luís Vieira, professor da Igreja de Cristo.
Edson Moises Costa, pastor da Igreja Hagnos, São José do Rio Preto-SP.
Eduardo Pyrrho De Oliveira, seminário Betel Brasileiro.
Edvaldo de Souza Pereira, pastor da Igreja Batista Central d Bairro da Luz, Nova Iguaçu-RJ.
Elaine Cristina Soares,   diretora do Seminário Betel Brasileiro de Santo André-SP.
Eli Roberto Teixeira, pastor da Igreja Batista Memorial em Interlagos-SP.
Elizabeth Alves Pinto, professora e coordenadora do Seminário Abba Centro de Estudos Avançados e Cristo para as Nações.
Elzangela Waleska Sales Lordão, coordenadora pedagógica do Seminário JUVEP, João Pessoa-PB.
Erisvaldo Veríssimo da Silva, pastor da Igreja Assembleia de Deus em Guarulhos-SP.
Edward Gusmão de Mello e Silva, pastor da Igreja Batista Betel, Bauru-SP.
Eucleme Lopes de Paula, pastor da Primeira Igreja Batista de Bebedouro-SP.
Eucleme Lopes de Paula Junior, pastor da Primeira Igreja Batista em Bebedouro-SP.
Euder Faber Guedes Ferreira, pastor, presidente da VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã).
Evandro Batista Buzzo, pastor da Igreja Batista Jardim Progresso-SP.
Ezenildo Moura, pastor da Assembleia de Deus, Araruama-RJ.
F. Solano Portela Neto, presbítero, conferencista da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Fábio Bispo Da Silva, pastor da Igreja Adventista da Promessa.
Fares Camurça Furtado, pastor da Igreja Batista Sião.
Felipe Abreu, pastor da Igreja Presbiteriana da Colônia Santa Isabel, Betim-MG.
Flávio de Jesus Marques, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Brasília-DF.
Francisco Genciano Junior, pastor da Igreja em Santo André.
Francisco José da Silva Junior, pastor auxiliar da Igreja Batista Memorial em Interlagos-SP.
Franklin Ferreira, pastor batista, diretor geral do Seminário Martin Bucer.
Gerson Januário, pastor da Igreja Batista Central em Barra Mansa-RJ.
Gislania Aparecida Neves Andrada, secretária da Igreja Batista Missionária de Pirapora.
Gustavo Castro De Souza, pastor da Comunidade Batista Bíblica.
Heber Aleixo, pastor da Primeira Igreja Batista de Brazlândia-DF.
Hélder Cardin, professor do Seminário Bíblico Palavra da Vida, Atibaia-SP.
Herberte Henrique Barbosa, pastor do Seminário Betel Brasileiro, Brasília-DF.
Indalécio Gomes Cordeiro, pastor da Igreja Batista do Centenário em Conumbande.
Isaque Sicsú, pastor batista.
Ivan De Oliveira Santos, pastor da Igreja Batista em Nova Iguaçu-RJ.
Ivanei Carlos Martins da Silveira, pastor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil.
Jacileide Lopes Conserva, líder de missões da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, João Pessoa-PB.
João Parreira de Carvalho, pastor da Comunidade Batista Bíblica.
Joelma Pereira Santiago Coelho, coordenadora pedagógica do Seminário Batista Getsemâni.
Jonas Madureira, pastor da Igreja Batista Nações Unidas-SP.
Jonathan Silveira, produção editorial e marketing de Edições Vida Nova.
José A. Pereira de Almeida, diretor do Seminário Betel Brasileiro, Brasília-DF.
José Carlos Souza, pastor da Igreja Batista em Vila Rosali, São João de Meriti-RJ.
José Celio de Souza, pastor da Igreja Batista Central do Bairro da Luz, Nova Iguaçu-RJ.
Josicleide Conserva da Silva Paiva, membro da Missão Evangélica Pentecostal Do Brasil, João Pessoa-PB.
Josivan Gomes Alfredo, pastor da Igreja Batista Nacional, João Pessoa-PB.
Karina Passos Marinho Barboza, professora do Seminário Batista do Norte de Minas.
Kenneth Lee Davis, diretor-executivo de Edições Vida Nova.
Laís Macena Marques de Oliveira, bacharel em Teologia, Igreja Batista Nacional, João Pessoa-PB.
Leila Parmeggiani Frank, missionária da World Team.
Lucio Ribeiro, pastor da Igreja Batista Betel de Ribeirão Preto-SP.
Lucitânia Verotti, musicista, Igreja Batista Nações Unidas.
Luís Cláudio Bernardes da Silva, seminarista, Igreja Evangélica Congregacional Nova Aliança - São Gonçalo.
Luís do Nascimento, pastor da Igreja Batista Independente.
Luiz André Barbosa, pastor-professor da Igreja Cristã Evangélica / Seminário Betel Brasileiro.
Luiz Antonio Batista Vieira, pastor da Igreja de Deus no Brasil.
Madson Gonçalves da Silva, teólogo - Historiador da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém - ES.
Manoel Severo, pastor da Igreja Ação Evangélica - ACEV.
Manuel Barbosa de Sousa, pastor da Igreja Presbiteriana Renovada do Gama.
Marcelo Dias, professor e pastor do Seminário Bíblico Palavra da Vida, Atibaia-SP.
Marcos Antônio de Andrade, pastor da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, Natal-RN.
Marcos Tarcísio Lopes, pastor da Igreja Batista Betesda, Itaguaí-RJ.
Maria Edinalva Alves Tavares, diretora acadêmica do Betel Brasileiro do Rio de Janeiro.
Maria José Pessoas de Queiroz, missionária do Seminário Betel Brasileiro, João Pessoa-PB.
Maria Leonor Carvalho Toledo, líder de Ministério de ensino e professora de EBD da Primeira Igreja Batista de Bauru.
Marilene do Amaral S. Ferreira, diretora acadêmica do Seminário Martin Bucer.
Marize Teles Cavalcante, missionária da Igreja Assembleia de Deus, Ministério São Paulo.
Mauro Fernando Meister, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana da Barra Funda-SP.
Midian Conserva de Sousa, presbítera da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil - PB.
Miguel Arcanjo Soares Neto, pastor da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, Natal-RN.
Miguel Lucas Cartaxo Soares, membro da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil, Natal-RN.
Misael Lins Da Silva, pastor da Igreja Batista Filadélfia, Natal - RN.
Nancy Batista Sousa, seminarista, Primeira Igreja Batista Cruz Das Almas - BA
Ney Vagner Silva Rodrigues, pastor da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil - Fortaleza-CE.
Norma Cristina Braga Venâncio, escritora, Igreja Presbiteriana do Pirangi, Natal-RN.
Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor  da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa-RJ.
Otiniel Mendes Lauriano, evangelista da Igreja de Deus no Brasil.
Patrícia Shedd, esposa de pastor.  
Patrício de Brito Vasconcelos, pastor da Igreja Batista Nacional, João Pessoa - PB.
Paulo Márcio de Moraes Cirelli, pastor da IBEC - Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão.
Paulo Pereira de Andrade, pastor da Igreja Batista da Granja Viana - SP.
Pedro  Baccarat, pastor da Primeira Igreja Batista Jd. das Imbuias.
Péricles Lopes de Melo, pastor da Igreja Betel Brasileira, Fortaleza-CE.
Priscila Antunes dos Anjos, seminarista, Instituto Presbiteriano Mackenzie.
Rafael Fcachenco Filho, pastor da Igreja Batista Betel de Bauru-SP.
Renan Guedes Hart, ministro de música da Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF.
Renato Vargens, pastor    da Igreja Cristã da Aliança de Niterói-RJ.
Ricardo Aparecido dos Reis, pastor da Igreja Batista Cristo Redentor.
Roberto do Amaral Silva, pastor  e professor da Segunda Igreja Batista de Goiânia.
Roberto Soares Filho, seminarista, Igreja Batista Nova Jerusalém em Campinas-SP.
Rodrigo Bibo de Aquino, membro da Igreja do Evangelho Eterno-SC.
Ronaldo Almeida Lidório, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Rosangela dos Santos Barreto Gonçalves, professora de Teologia do Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro.
Rosivania Lúcia Silva Tosta, pastora, diretora do Seminário Batista Getsemâni.
Russell Shedd, pastor.   
Ruth Helena Lima, coordenadora de grupo de mulheres do Projeto Água da Vida.
Samuel Alves Silva, bispo da Igreja de Deus no Brasil - Aparecida de Goiânia.
Sandra Ferreira, diretora acadêmica do Seminário Betel Brasileiro Volta Redonda.
Sandra Luzia da França, seminarista, Primeira Igreja Batista Cruz das Almas-BA.
Sandra Roger, missionária do Projeto Amar - Manaus-AM.
Sandro Ricardo Baggio, pastor do Projeto 242, São Paulo.
Selma Pereira Lopes, membro da Igreja Betel Brasileira, Fortaleza-CE.
Sérgio Siqueira Moura, gerente de Produção Editorial de Edições Vida Nova.
Sinara de Cassia Vieira, pastora da Igreja Presbiteriana Independente de Bocaina.
Suzete Machado Cirelli, membro da IBEC - Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão.
Tania Roberta Carrijo Teles, secretária e tesoureira da Igreja de Deus no Brasil - Jardim Buriti Sereno.
Tiago Alexandre da Silva, professor do Ministério Pregue a Palavra.
Tiago José dos Santos Filho, pastor batista, diretor pastoral do seminário Martin Bucer - Editora Fiel.
Valdeci Paulino de Moraes, pastor da Casa de oração para todas as nações-MG.
Valdejane do Nascimento, pastor da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil-PB.
Valdemar Kroker, editor de Edições Vida Nova.
Vanessa Cristina de Oliveira Vieira, professora da Igreja de Cristo.
Vania Carvalho, supervisora de Marketing de Edições Vida Nova.
Vinícius Musselman Pimentel, fundador do blog Voltemos ao Evangelho, Igreja Batista.
Wallacce Oliveira Correa, pastor do Projeto Água da Vida.
Walter Mcalister, bispo-primaz da Igreja Cristã de Nova Vida.
Wilma Feitosa Coelho, missionária da IBN Restaurando Vidas.
Wilson Melo Ribeiro, pastor da Assembleia De Deus Pioneira - Amapá.
Wilson Porte Jr., professor e pastor na Igreja Batista Liberdade, Araraquara-SP.

17 março 2016

Basta dessa esquerda autoritária!

Em um dos grampos registrados pela Polícia Federal, Alberto Carlos Almeida, tentando convencer um Lula reticente a aceitar o ministério da Casa Civil, disse duas coisas que vale a pena analisar:

Primeira, ACA chama Lula de “presidente” (como muitos dos interlocutores nas gravações, incluindo a própria Dilma) e afirma:

“Você e Dilma, um depende do outro.”

Isso reforça o que já ouvimos em outras conversas gravadas: Lula nunca deixou de ser presidente. Ele continuou a ser o principal articulador do poder (a expressão “articulador” também é usada no diálogo).

Segunda, e mais grave:

“A justiça brasileira é a última peça de autoritarismo da sociedade brasileira.”

Trata-se de uma das obsessões desse tipo de esquerda latino-americana que chega ao poder usando o discurso vitimista. A lei é a palmatória do fora-da-lei. A boa notícia é que isso não cola mais para a sociedade como um todo. O Brasil acorda e percebe que ELES são os autoritários, ELES querem desmoralizar a lei para instaurar sua própria lei ao sabor de suas vontades soberanas.

O ímpeto de desmoralizar o judiciário para ganhar poder total - sempre em nome dos oprimidos, claro - é grave, mas não é novo entre os governantes do Brasil. A fala de ACA ecoa o que Fernando Henrique Cardoso declarou em uma entrevista a Cristóvam Buarque para o jornal O Globo, em 07/11/2004 (disponível aqui e mencionada por mim em meu livro A mente de Cristo). Ambos passam um tempinho discorrendo alegremente sobre as virtudes de Gramsci. E então FHC conta que, quando lhe perguntaram o que ele achava mais difícil de “mexer” no Brasil, ele respondeu: 

A Justiça. [...] Quer dizer, as classes dirigentes, dominantes, e mais do que as classes, as mentalidades dominantes e as culturas tradicionais, elas estão encasteladas na Justiça. Porque na sociedade de massa a dinâmica maior se dá na relação direta da opinião pública com o presidente que elege. Depois a frustração imediata é com o presidente eleito, que não pode fazer muito porque tem o Congresso. De qualquer maneira, o Congresso tem uma certa abertura pra sociedade, para impressionar. Quando as idéias dominantes perdem na presidência, depois o Congresso avança e elas perdem lá também, então o pessoal mais tradicional vai pra Justiça e segura lá. A Justiça é o bastião maior dos interesses definidos.

Ou seja: se não fosse a Justiça, o presidente eleito poderia mandar e desmandar. E hoje esse presidente poderia ser Dilma. Ou Lula. Imaginem um Brasil sem Moro na situação atual. Como estaríamos? Em uma ditadura petista, evidentemente. Em nome do... “povo”.

A desmoralização do judiciário é o passe-livre para a bandidagem. E isso é comum a todas - arrisco-me a dizer: to-das - as correntes políticas de esquerda no Brasil. 

Basta dessa esquerda autoritária!

A horrível vida dos paus mandados

Você consegue conceber uma vida assim, de pau mandado? Estar debaixo de autoridade é uma coisa; ceder a mente é outra. Em todo esse imbróglio de corrupção do governo, topamos estupefatos com gente que trocou sua liberdade e sua consciência por um sonho... ou por grana. Ou os dois. Neste exato momento, paus mandados do PT esperam novas orientações do partido para saber como argumentar - ou melhor, como construir algo minimamente inteligível dentro da novilíngua - contra a lei e contra a justiça, fazendo de conta de que são vítimas de ilegalidade e perseguição. Essas expressões que você ouve em uníssono na boca deles - "democracia", "estado de direito", "estado policial" - não representam mais a realidade, mas são construções de mentes como a de Lula dizendo a Mino Carta o que e como escrever. O PT atua como um corpo coeso vociferando as mesmas palavras e reverberando as mesmas emoções diante de um ídolo. Para tal, é necessário abdicar de ser pessoa. Como deve ser isso? Não consigo conceber nem por um segundo.

Mas o corpo de Jesus, que é a igreja, não é massa amorfa. Somos preservados como seres singulares. Só Ele pode ocupar um lugar tão alto sem anular a individualidade e a pessoalidade. Esse é um lindo aspecto da Boa Nova que precisamos anunciar com força nestes tempos difíceis.

O oposto do pau mandado? Muitas vezes, será isto aqui (explicações aqui): um contra a massa na festa dos horrores que foi a posse de Lula à Casa Civil, sob gritos de "não vai ter golpe" em pleno golpe, hostilizado, agredido e xingado de "fascista". Se não fosse a polícia, seria linchado. Parabéns, Deputado Major Olímpio! Precisamos de mais pessoas com a sua coragem!

14 março 2016

Contra a idolatria do Estado

Desde que lancei meu livro A mente de Cristo e passei a dar palestras Brasil afora, leitores me pedem uma indicação de obra em português sobre política e cristianismo, algo que contivesse fundamentos bíblicos para pensar o governo, o tamanho do Estado, a relação com o poder etc. Agora poderei responder com muita alegria e sem reservas: essa obra imprescindível é Contra a idolatria do Estado, de Franklin Ferreira, mui orgulhosamente endossada por mim e aprovada pelo André. Parabéns, Franklin! Finalmente esse buraco em nossa bibliografia foi preenchido, e muito bem preenchido!



Veja meu endosso completo:

Na situação difícil em que estamos hoje - em um país "onde o mal tem sido premiado, onde cerca de 40 mil brasileiros morrem por ano por arma de fogo e onde somos extorquidos por uma carga brutal de impostos sem nenhum retorno" - só posso saudar essa publicação como a obra que faltava no panorama teológico brasileiro. Com um zelo todo especial, Franklin Ferreira expõe a resposta perfeitamente equilibrada das Escrituras para as questões políticas, apresentando como complementares e não opostos o necessário respeito às autoridades, de um lado, e, de outro, a relativização do poder humanamente constituído. Afinal, se a sociedade não se sustenta sem hierarquias, também nenhuma autoridade terrena pode rivalizar com o senhorio absoluto de Jesus Cristo e prometer algum tipo de salvação intramundana - viesse ela do antigo Império Romano, que exigia adoração explícita, ou venha de ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo -, sem a destruição que sempre acompanha as idolatrias coletivas. Com segurança, Franklin transita por análises bíblicas e considerações histórico-culturais firmemente ancorado em uma visão bíblica da política, a única visão capaz de assegurar a ordem e ao mesmo tempo prevenir e enfrentar toda possibilidade de tirania.

27 janeiro 2016

Livro novo!

Entre leituras e trabalhos do Jumper, revisões, dores de cabeça e arritmias, ainda deu tempo de juntar um material de palestras e compor um livrinho para a Vinacc. É coisa pequena e simples, mas valiosa. Obrigada, Senhor!
Aqui vai o texto da contracapa. A foto foi feita pela querida Nathalia Chalegre na nossa igreja, Presbiteriana do Pirangi.
Este livro ajudará o leitor a perceber como a fé cristã oferece direção para todas as esferas da vida, inclusive a cultura, e como é possível ao cristão relacionar sua fé com este mundo de modo que possa transformar a cultura de seu lugar e seu tempo. 
Escrito de modo cativante e claro, a autora demonstra os benefícios que a fé cristã legou à cultura, alerta para os recente e perigoso movimento de secularização e oferece ao leitor uma proposta de posicionamento para que “nos tornemos menos parecidos com o mundo e sejamos mais parecidos com Cristo”. 
Norma Braga Venâncio é doutora em Literatura Francesa pela UFRJ e mestranda em Teologia Filosófica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Universidade Mackenzie). Publicou A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã pela editora Vida Nova. É casada com André Venâncio e mora em Natal, RN.



21 janeiro 2016

Música que é a cara do Brasil - 1929




Refrão:
Quando nos saímos do norte
Foi pra no mundo mostrar
Como cantar aqui nesta terra
Um bando de tangarás

Uma madama pra fazer economia
comprou as perfumarias num tutu que ela encontrou
Saiu pra rua perfumada em todo canto
o perfume fedeu tanto que a madama desmaiou, ai…

Meu tangará, meu curió meu terra-a-terra
E o meu canário da terra que é danado pra cantar
Eu tambem canto uma semana um mês inteiro
E quando eu canto no terreiro inté a lua quer sambar, ai…

Eu fui fazer minha compra na feira
Eu vi tanta roubalheira de se encabular
Tava um sujeito de roubar com uma tal febre
Vendendo gato por lebre, ratazana por gambá, ai…

Na sepultura que eu fiz pra minha famia
Tinha um freguês por dia para se enterrar
Na minha vez quando eu cheguei ao pé da cova
Apesar de ela ser nova jé não tinha mais lugar, ai…

E lá no norte quando é boa a brincadeira
Lá tem bala e tem madeira, tem tabefe tem punhá
Mas eu não temo nem cacete e nem garrucha
Levei dez tiros na fuça e depois disso eu fui sambar, ai…

Dei um emprego ao filho do Zacaria
Só das onze ao meio dia que tinha que trabaiá
Mas o malandro pegar peso não podia
E além disso inda queria hora e meia pra almoçar, ai…

19 janeiro 2016

Nota Pública sobre debates entre calvinistas e arminianos

Diante da recorrência de discussões e ataques pessoais realizados no âmbito eclesiástico, na internet e nas redes sociais, especialmente entre calvinistas e arminianos para a defesa de posições teológicas, NÓS, abaixo subscritos, vimos a público emitir a presente nota:
Reconhecemos a importância e a historicidade do debate teológico dentro da tradição cristã como meio de defesa e salvaguarda da verdade e, consequentemente, da ortodoxia bíblica. 
Apoiamos a produção e a reflexão teológica realizada no ambiente da internet, em virtude de seu caráter democrático e do livre curso de ideias, como corolário da Reforma Protestante.
Repudiamos, todavia, que para a defesa de posições teológicas haja discussões e ataques pessoais realizados em nome da fé, que promovem dissensões, inimizades e escândalo ao nome de Cristo. Rejeitamos, assim, todo e qualquer conteúdo difamatório, ofensivo e jocoso, ainda que a pretexto do humor, produzido contra irmão de vertente religiosa diversa, que atente contra sua honra e imagem.
Entendemos incompatíveis com os preceitos que devem reger a conduta dos discípulos do Mestre posturas antiéticas que estimulam a zombaria, o desrespeito e o escárnio, baseado em dolo, distorções e mentiras. 
Discordamos das publicações anônimas, especialmente quando realizadas com o objetivo de provocar animosidade e discórdia entre os cristãos. Além de ser proibido constitucionalmente (Art. 5o, IV), o anonimato atenta contra os princípios bíblicos da transparência (2Co 3.18), sinceridade (Tt 2.7) e honestidade (1Tm 2.2).
Relembramos que a calúnia, a injúria e a difamação são crimes contra a honra, de acordo com o Código Penal Brasileiro, os quais não se coadunam com o caráter do verdadeiro cristão, que deve expressar o fruto do Espírito (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança), conforme Gálatas 5.22.
Aconselhamos os cristãos piedosos a não dar audiência a páginas e grupos que promovam tais ofensas.
Defendemos e incentivamos a exposição de convicções cristãs, bem como o debate teológico na internet e nas redes sociais, de modo irênico, ou seja, de espírito pacífico (Rm 12.18), com cordialidade e respeito. A discordância e a confrontação das ideias alheias, quando for o caso, devem ser conduzidas com ética, honestidade intelectual e de maneira objetiva, sem denegrir e atacar o oponente.
Asseveramos que a produção teológica é, sobretudo, um ato de glorificação a Deus. Discussões, pois, que se desenvolvem com o único propósito de vencer desavenças intelectuais, baseadas em disputas do ego, estão longe de honrar o nome de Cristo. A determinação bíblica de “falar o que convém à sã doutrina” (Tt 2.1) exige coragem, mas também responsabilidade, para os cristãos em geral e os pastores em particular, os quais devem ser, dentre outras coisas, “irrepreensíveis, honestos, moderados, aptos a ensinar, não contenciosos...” (1 Tm 3.2,3).
Citamos, a propósito, as palavras de J.I. Packer: “Se a nossa teologia não nos reaviva a consciência nem amolece o coração, na verdade endurece a ambos; se não encoraja o compromisso da fé, reforça o desinteresse que é próprio da incredulidade; se deixa de promover a humildade, inevitavelmente nutre o orgulho. Assim, aquele que expõe teologia em público, seja formalmente, no púlpito ou pela imprensa, ou informalmente, em sua poltrona, deve pensar muito sobre o efeito que seus pensamentos terão sobre o povo de Deus e outras pessoas".
Recomendamos, assim, a importância da constante elevação bíblica e espiritual do nível dos debates teológicos. E caso nos deparemos com um irmão em Cristo com postura inadequada e não condizente com a ética e pratica cristãs, que ele seja repreendido, mas que em tal ato não falte educação e principalmente amor.
Reconhecemos as diferenças marcantes historicamente existentes entre as tradições calvinistas e arminianas, notadamente em referência à doutrina da salvação. Todavia, tais divergências teológicas não suplantam a comunhão cristã que deve haver entre os irmãos dessas duas vertentes da cristandade. Em uníssono, à luz das Escrituras Sagradas, enfatizamos que a salvação somente se alcança em Cristo somente, mediante a graça somente, pela fé somente (Rm 3.24; Ef 2.8; Tt 2.11).
Finalizamos com a menção ao episódio em que o calvinista George Whitefield foi perguntado se esperava ver o arminiano John Wesley nos céus. Sua resposta foi: “Não. John Wesley estará tão perto do Trono da Glória, e eu tão longe, que dificilmente conseguirei dar uma olhadela nele”. Assim se tratam verdadeiros cristãos que discordam em questões de soteriologia, mas que não fazem nada por contenda ou vanglória, e consideram os outros superiores a si mesmos (Fp 2.3). E, sobretudo, estes sabem o preço custoso com que foram comprados por Cristo Jesus.
18 de janeiro de 2016.
Augustus Nicodemus Lopes, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO.
Altair Germano, pastor da Assembleia de Deus - Itália, escritor.
Carlos Kleber Maia, pastor da Assembleia de Deus - RN, escritor de obra arminiana.
César Moisés de Carvalho, pastor da Assembleia de Deus, teólogo, escritor.
Ciro Sanches Zibordi, pastor da Assembleia de Deus na Ilha da Conceição em Niterói - RJ, escritor e articulista.
Clóvis José Gonçalves, membro da igreja O Brasil para Cristo e editor do blog Cinco Solas.
Davi Charles Gomes, Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP.
Euder Faber Guedes Ferreirapastor, presidente da VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã).
F. Solano Portela Neto, presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, conferencista e autor reformado.
Franklin Ferreira, pastor batista, diretor geral do Seminário Martin Bucer-SP.
Geremias do Couto, pastor da Assembleia de Deus, escritor.
Glauco Barreira Magalhães Filho, pastor batista – CE, professor universitário, escritor.
Gutierres Fernandes Siqueira, membro da Assembleia de Deus – SP, editor do blog Teologia Pentecostal.
Helder Cardin, pastor batista, reitor do Seminário Palavra da Vida-SP.
Jamierson Oliveira, pastor batista, teólogo, escritor.
Jonas Madureira, pastor batista, editor de Edições Vida Nova e professor do Seminário Martin Bucer.
José Gonçalves, pastor da Assembleia de Deus - PI, teólogo, escritor.
Magno Paganelli, pastor da Assembleia de Deus – SP, teólogo, escritor.
Marcos Antônio Moreira Guimarães, professor de teologia, obreiro da Assembleia de Deus - MT.
Mauro Fernando Meister, diretor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper-SP.
Norma Cristina Braga Venâncio, escritora, membro da Igreja Presbiteriana do Pirangi, Natal-RN.
Paulo Romeiro, pastor, teólogo, escritor.
Renato Vargens, pastor da Igreja Cristã da Aliança de Niterói-RJ.
Solon Diniz Cavalcanti, pastor, teólogo, presidente do CEAB Transcultural.
Thiago Titillo, pastor batista, professor, escritor.
Tiago José dos Santos Filhopastor batista, editor-chefe da Editora Fiel, diretor pastoral do Seminário Martin Bucer-SP.
Uziel Santana, presidente da Anajure (Associação Nacional de Juristas Evangélicos).
Valdeci do Carmo, obreiro da Assembleia de Deus, teólogo, coordenador do curso de Teologia das Faculdades Feics, Cuiabá/MT.
Valmir Nascimento Milomem Santos, teólogo da Assembleia de Deus, professor universitário, editor da revista Enfoque Teológico.
Wallace Sousa, evangelista da Assembleia de Deus, DF, escritor, pós-graduado em teologia, coordenador da União de Blogueiros Evangélicos.
Wellington Mariano, pastor da Assembleia de Deus, escritor e tradutor de obras arminianas.
Wilson Porte Junior, pastor batista e professor do Seminário Martin Bucer.
Zwinglio Rodrigues, pastor batista, escritor de obra arminiana.

11 janeiro 2016

Palestras em Natal


Morre David Bowie




Antes de me tornar cristã, eu depositava minha confiança em uma divindade que oscilava entre o Deus cristão e o “deus interior” (ou força impessoal), um híbrido mal-ajambrado que sintetizava em minha mente as influências do meio em que eu circulava (espírita e esotérico) — alguém a quem eu orava vez ou outra enquanto conservava a certeza de que eu mesma era meu próprio Deus.

Isso começou a ser quebrado através de uma música de David Bowie chamada Quicksand (“areia movediça”). O refrão era anunciado pelas palavras “Não tenho mais o poder”, para arrematar: “Não acredite em si mesmo”. A cada vez em que ouvia essa música belíssima (e um tanto depressiva), sentia um tiro no coração que espatifava o tal deus interior. Mostrei-a para minha melhor amiga na época — que partilhava resolutamente de meus híbridos conceitos religiosos — e observei: “Mas não é um orgulho imenso esse negócio de acreditar em si mesmo?” Era o prenúncio de que em breve eu conheceria o verdadeiro Deus.

(Trecho de meu livro A mente de Cristo, publicado pela Vida Nova)

08 janeiro 2016

O filme cristão Quarto de Guerra



Semana passada, eu e André fomos ver um "filme cristão" - categoria que vem ganhando os espaços do cinema. Eis aqui minhas impressões. War Room (em português, Quarto de Guerra) não é um mau filme. Não é uma obra-prima artística, mas também não é perda de tempo. De forma geral, o Evangelho está presente, bem como a centralidade em Jesus. A história é interessante, os atores não fazem feio, as tiradas de humor - peculiarmente focadas em maus cheiros corporais - são eficazes e se integram bem ao todo. Há algumas pentequices, mas, como não sou uma reformada antipenteca, isso não me incomodou. No entanto, saí do cinema um tanto fustigada, como se a experiência tivesse sido negativa em algum nível que não consegui imediatamente compreender.

Esse artigo (em inglês) me ajudou a entender um pouco o porquê. Richard Brody aplica ao filme o termo "sanitizado" para referir-se à ausência total de balizas culturais na história. É algo que sempre me chateou, por exemplo, na série Friends, em que os personagens vivem em um vácuo inexplicável de leituras e arte. O mesmo ocorre em Quarto de Guerra. No contexto protestante, essa falta adquire um tom mais macabro, por causa do fenômeno descrito por Francis Schaeffer em O grande desastre evangélico e que eu costumo chamar, em minhas palestras, de "alienação": o cristianismo que se pensa ortodoxo (em contraposição ao sintético) meteu-se em um gueto cultural autodefensivo cuja crítica está apenas esboçada. No Brasil, muitas denominações ainda mantêm seus membros afastados de músicas, filmes, livros etc. considerados "do mundo". Quarto de Guerra não defende essa postura, mas também não desafia as fronteiras do gueto - e uma das consequências desse alheamento é apontada pelo autor do artigo muito acertadamente: a descrição pobre do mal, com seus atrativos e suas profundidades. Sim, Jesus salva - mas do quê? No que consiste a luta cristã? Quarto de Guerra faz parecer tudo muito simples e rápido, e a isso reagi mal emocionalmente, pois nada foi simples e rápido na minha vida cristã; muito pelo contrário. Assim, saí da sala sentindo o desconforto de um filme que representa pouco minha vivência e a de incontáveis outros cristãos.

Daí minha ênfase na descrição mais acurada do mal - no caso, da idolatria - que foi todo o objeto de minha dissertação de mestrado em Teologia Filosófica no Andrew Jumper.

05 janeiro 2016

Alegria e aceitação

Nunca entendi por que Should Have Known Better, de Surfjan Stevens, provoca em mim uma alegria inexplicável, misturada a uma espécie de sentimento de aceitação. O texto que descobri hoje me explica um pouquinho por quê.

Mais longe na periferia cultural: MEC consolida desenvolvimentismo na educação

Saiu hoje no Globo uma denúncia aterradora do historiador Marco Antonio Villa. Afirma ele que mudanças propostas pelo Ministério da Educação - a serem aprovadas até junho deste ano - equivalem a "culto à ignorância" e "crime de lesa-pátria". As novas diretrizes levam às últimas consequências os postulados do politicamente correto: "histórias ameríndias, africanas e afro-brasileiras" são o foco atual. A ênfase na raça e na geografia não é nova, mas sim um prolongamento lógico de uma tradição já descrita e criticada por Mario Vieira de Mello em Desenvolvimento e cultura, o desenvolvimentismo. Ao consolidar-se nesse currículo, tal tradição, que buscou em Marx as bases para uma identidade nacional, aprofunda agora o problema antigo para o qual apontou Mello: o abandono de considerações das ideias europeias. Agora, com a Europa devidamente apagada dos estudos históricos, efetua-se por canetadas o triunfo final de toda uma linha de pensamento cuja única preocupação é marcar uma orgulhosa diferença, racial e geográfica, em relação ao Velho Continente. Ou seja, um antieuropeísmo que nos situa em uma periferia mais distante ainda da cultura ocidental, ao lado de um brasileirismo que quer triunfar na marra, não por seus próprios méritos, mas por decretos ressentidos.
Homeschoolers serão ainda mais necessários, caso isso se torne realidade. E nós, educadores e críticos sociais, precisaremos mais que nunca de Vieira de Mello e seus continuadores para compreender os rumos do país, alertando e ensinando direito as novas gerações.