28 junho 2012

Da série "O que Deus fez por você através da cultura" II

Continuando a série com base em Como o cristianismo mudou o mundo (How christianity changed the world), do PhD luterano Alvin J. Schmidt, apresento uma impressionante citação do poeta polonês Czeslaw Milosz (1911-2004). Em Mente cativa, com as análises vívidas de uma sensibilidade poética que não perdeu o contato com a realidade, Milosz denuncia os horrores nazistas e comunistas que submergiram a Polônia em destruição e desumanização. Em dado momento do livro, recorrendo ao discurso indireto livre, o narrador se coloca na pele de um nazista que se revolta com os obstáculos representados pelo cristianismo à "salvação da Alemanha" e à "reconstrução do mundo". Esse personagem exclama:
Nesse único momento - um momento que acontece a cada mil anos -, esses crentes melindrosos daquele Jesus ousavam mencionar seus insignificantes escrúpulos morais! Quão difícil era lutar por uma nova e melhor ordem - se entre seu próprio povo ainda era possível encontrar tamanho preconceito! (p. 137)

É inegável que, nesse trecho, o poeta (que retornou ao catolicismo de sua infância apenas no fim da vida) demonstra saber algo que, infelizmente, muitos cristãos de nossa era não sabem: o cristianismo é um grande obstáculo - como cristã, eu diria: o único eficaz - à ganância de controle absoluto, concretizada de modo máximo nos regimes totalitários. O cristianismo é o único fator a impedir a submissão total (portanto, a idolatria) de quem é submetido. Leia 1984 sob essa ótica e você perceberá, leitor: Winston sucumbiu ao Grande Irmão porque, como não era convertido, não pôde deixar de desejar que sua amada estivesse em seu lugar no momento crucial da tortura. O verdadeiro cristão, imbuído da graça de Deus, saberia, a exemplo do Mestre, sacrificar-se por ela ali, mesmo diante de seu maior pesadelo. Ainda hoje, os verdadeiros cristãos espalhados pelo mundo, perseguidos por ditaduras muçulmanas e comunistas, continuam sacrificando-se por seu Amor Maior, recusando-se a negar a fé.

Schmidt conta que, em Roma, o indivíduo só valia alguma coisa se fosse parte do tecido social e pudesse oferecer alguma contribuição para seus usos, como se seu fim maior fosse engrandecer o Estado. Com a vinda de Cristo, isso começou a mudar, pois Deus abençoou as nações através da graça comum. Passamos a gozar de relativa paz após a conversão do imperador Constantino, no ano de 312, e a penetração do cristianismo na cultura promoveu sua "abertura" (cf. o filósofo reformado Dooyeweerd), o que culminou em conceitos até então inéditos e libertadores baseados nos ensinamentos de Cristo, tais como a unicidade do indivíduo em sua relação com Deus e a inviolabilidade da consciência individual.

Hoje, tem sido empreendido o movimento inverso, de descristianização da cultura, e os mais sensíveis, como Milosz, conseguem perceber que o cristianismo é um freio para a máxima opressão do homem pelo homem. São os poderosos que, impulsionados pelo mesmo descontentamento do personagem nazista, empreendem esse movimento, os que abominam todo limite interior e exterior para o mal que perpetuam. O apologeta Francis Schaeffer afirmou que Deus deixou claro o que ocorre quando as nações o rejeitam: são vencidas e destruídas pelo poder humano. Essa é uma das lições que as guerras do século passado nos deixaram. Nesses tempos difíceis, em que o ressurgimento do nazismo e a sobrevida do comunismo parecem provar que os horrores do século XX já foram esquecidos, precisamos mais que nunca salgar a terra, de todos os modos possíveis - agindo, falando e raciocinando na contracultura saudável, bíblica -, com dois objetivos em mente: que não venha julgamento severo sobre nosso povo e que alguns possam receber com alegria e liberdade a Palavra da salvação.

21 junho 2012

A ceia acridoce (2): os fatos


Recebi no Facebook críticas de participantes da Consulta da Fraternidade Teológica Latino-Americana (dias 7 a 9 de junho em BH). São críticas superficiais e tolas como essas: eu não estava lá, eu não vi o ritual todo, eu não ouvi as palavras que foram proferidas, eu não conheço a Fraternidade etc. São alegações que desqualificariam qualquer pessoa a dizer qualquer coisa sobre eventos nos quais não esteve presente, pois ignoram a função descritiva e narrativa da testemunha. Sim, eu me baseei no relato de uma só testemunha, conforme afirmei na postagem anterior. No entanto, à medida que recolho mais informação de mais testemunhas ou de quem conversou diretamente com testemunhas, não encontro nenhum motivo para modificar meu texto original, pelo contrário. Querem ver?

O primeiro relato: Na consulta da FTL, em um culto, o pastor distribuiu limões e doces atribuindo outro significado a eles logo antes da ceia do Senhor. Consta que o pastor teria dito: “Não vou consagrar esses elementos (os limões e os doces) porque alguns podem não entender.”

O relato mais completo: Durante a consulta da FTL, percebendo que as pessoas estavam muito tristes pela morte recente de Robinson Cavalcanti, o Pr. Carlos Queiroz pensou em fazer uma “dinâmica” durante o culto. Na mesa da comunhão, colocou bandejas com fatias de limão e doces de leite (ou, segundo uma testemunha, doces de amendoim). Nessa “dinâmica”, ele fez alusão às ervas amargas e ao mel do Pessach judeu, explicando que o limão representava o amargo da vida, e o docinho, o doce da vida. Mencionou que não iria “consagrá-los” porque muitos poderiam não entender. E, por fim, distribuiu-os, todos comeram e a “dinâmica” acabou. Em seguida, da mesma mesa, foi ministrada a ceia normalmente.

Todos os aspectos de minha postagem anterior estão presentes no relato expandido. Na verdade, o relato expandido confirma alguns aspectos percebidos no relato menor. Vejamos. Como ministrante, logo antes da ceia, o pastor apresentou à igreja reunida elementos novos e significados inventados por ele mesmo, utilizando como referência para tal um evento do Antigo Testamento que prefigura a ceia (e que, como a ceia, também foi uma ordenança de Deus, não de homens). Com isso, o pastor “mimetizou” a cena da ceia antes da ceia original para comunicar um ensinamento que não coincide com o ensinamento da ceia. Além disso, ao afirmar que só não consagraria os elementos porque "alguns poderiam não entender", deixou clara a analogia com a ceia (somente pão e vinho são "consagrados"), já que o impedimento era apenas por evitação do escândalo.

Esse mimetismo é idólatra por modificar o significado original da comunhão. Na ceia de Cristo, somos irmãos em torno do partilhar do corpo e do sangue de Cristo, que apontam para seu sacrifício redentor. Na “ceia” do Pr. Carlos Queiroz, houve o partilhar dos “acontecimentos doces e amargos da vida”. Simbolicamente, o resultado é desastroso: os presentes foram levados a comer e beber juntos os “acontecimentos da vida” do mesmo modo com que comem e bebem o sangue de Cristo. O consolo pretendido pelo pastor consistiu em aproveitar o formato da ceia para comunicar algo como “nós estamos juntos para o que der e vier e nos alimentamos desse sentimento” e não “nós estamos unidos por Cristo e nos alimentamos de Cristo”. A equiparação, produzida durante o culto e logo antes da ceia, gerou o equivalente a um outro evangelho.

Diante disso, pouco importa se “a dinâmica foi uma parte separada da ceia”, como também me disseram alguns. As semelhanças dessa “dinâmica” com a ceia são muito mais numerosas que as diferenças: as palavras e os elementos foram inseridos em contexto de culto; os elementos foram colocados juntos na mesma mesa; os elementos seriam consagrados caso não houvesse possibilidade de escândalo; o procedimento consistiu em comer e beber ritualmente como expressão de comunhão e amor fraterno. Além disso, muitas pessoas de fato interpretaram a “dinâmica” como algo que fez parte da ceia, o que aponta, no mínimo, para uma confusão teológica “dos diabos”. Tudo isso se configura um atentado ao sentido da ceia, que tirou Cristo do centro no espírito dos presentes.

Se o pastor estava consciente de tudo isso? Não tenho a menor ideia, e até acredito que não estava. O diabo certamente estava e se divertiu muito com o episódio.

Meu marido André Venâncio analisou com muita pertinência as críticas recebidas por mim no Facebook aqui.  

Adendo: Como já percebeu certamente o leitor atento, o problema que descrevi vai muito além de uma mera troca de elementos, razoável e necessária no contexto missionário, em regiões onde simplesmente não há nem uva, nem trigo.

14 junho 2012

A ceia acridoce

O jejum de postagens que me impus por ora devido à tendinite e à enxaqueca precisou ser quebrado quando vi no meu Facebook uma notícia sobre evento da Fraternidade Teológica Latino-Americana, em Belo Horizonte. Era sobre a ceia, com fotos estranhas: em vez do pão, duas bandejas, uma com limão fatiado e outra com quadradinhos marrons. Dizia a legenda: "Compartilhamos o amargo e o doce da vida simbolizados pelo limão e pelo doce de leite."

Não sei se algum dos participantes conseguiu perceber ou intuir isto, mas a mudança inserção de outros elementos à ceia, aos quais foi atribuído outro simbolismo, perverteu tudo. A ceia é o sacramento instituído pelo próprio Jesus Cristo para lembrarmos que só estamos vivos porque nos alimentamos dele, ou seja, do corpo e do sangue que ele entregou em sacrifício vicário por nós. Nesse memorial solene, não lembramos os acontecimentos bons ou ruins que nos sobrevêm (ênfase no “eu”), mas sim o acontecimento único e irrepetível do sacrifício de Cristo, que “matou a nossa morte” na cruz.

Dividida entre o riso da presença inusitada (limões e doces!) e a tristeza pelos profundos rasgos no significado do sacramento, acabei me decidindo por admirar a mente por trás disso. Afinal, não é realização pequena desvirtuar todo o sentido da ceia de Nosso Senhor apenas com uma troca um acréscimo de alimentos. Tremi ao pensar que, reunidos ali, em vez de contemplarem a Cristo e sua obra, os que tomaram parte nesse ritual torcido foram inevitavelmente, em primeiro lugar, levados a emocionar-se a partir de uma pura autocontemplação. A cruz ficou em segundo plano. E admirei o feito como quem se depara com um espetacular e horrível monumento idolátrico: os limões e os doces de leite foram servidos antes do pão e do vinho, mas no mesmo ritual, e foram comidos com o mesmo espírito de união. O alcance simbólico disso é claro: o doce e o amargo da vida nos alimentam, unem e vivificam tanto quanto Cristo. Ora, isto é outro evangelho!

Ao mesmo tempo, não pude deixar de pensar que talvez, no caso da Fraternidade Teológica Latino-Americana, o simbolismo seja exato: quando se acomoda no cerne das ênfases cristãs, o esquerdismo dá as mãos ao velho liberalismo e adquire a mesma função idolátrica, transformando algo único e celestial, doador de vida, em uma estéril e autolaudatória amenidade humanista.

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Atualização importante: O texto foi modificado depois que Alex Fajardo explicou no Facebook, e aqui nos comentários, que não ocorreu uma substituição dos elementos, mas sim um acréscimo.

No entanto, o acréscimo não muda em nada a substância do que escrevi: houve uma modificação fundamental no sacramento instituído por Cristo, uma modificação que tirou o foco da obra de Cristo na cruz e enfatizou "o doce e o amargo da vida", ou seja, o ser humano e suas vicissitudes. Conta-se que o celebrante, pr. Carlos Queiroz, passou dez minutos explicando o significado que ele atribuía ao limão e ao doce, e ainda observou que "não iria consagrar os elementos, pois alguns poderiam não concordar com ato que ele iria realizar". Isso significa que ele estava ciente de que aquilo poderia chocar alguns. Como expliquei ao Alex, em primeiro lugar, ceia não é momento para se arriscar a ferir ou escandalizar algum irmão. Ao escolher o momento da ceia para trazer uma novidade dessas, o celebrante não pensou que a ceia é um sacramento de COMUNHÃO e esse tipo de proposta diferente subverte esse propósito. Em segundo lugar, a primeira nota do Alex, que apenas mencionou a novidade (e realmente deu a entender a substituição), demonstra que o que mais marcou os participantes dessa ceia foi o acréscimo, e não o que se faz usualmente. Claro: é da natureza humana que nos lembremos especialmente do novo. E esse "novo", no caso, tirou do ritual a centralidade de Cristo. Em terceiro lugar, e supremamente importante: QUEM deu autoridade aos ministrantes da ceia para ACRESCENTAR outros elementos ao pão (corpo) e ao vinho (sangue)? Isso é muito sério. Nenhum pastor ou líder religioso tem autoridade para modificar o que Jesus instituiu como sacramento e memorial. Somos irmãos e estamos vivos espiritualmente não por causa das "vicissitudes da vida", mas pelo corpo e pelo sangue de Cristo, UNICAMENTE. Além disso, qualquer acréscimo arbitrário à simbologia da comunhão sugere que não estamos mais no espírito bíblico, mas sim no de seita.

02 maio 2012

O terceiro gato

Mais de uma vez ensaiei um texto contando a história de meu terceiro gato, o Chocolate. Não sei por que motivo, nunca consegui terminá-lo. Ontem, depois de um segundo período de doença mais devastador que o primeiro, nós o perdemos. André escreveu sobre ele aqui - um texto que é uma verdadeira ação de graças por nosso gatinho. Há os que falam para aliviar e há os que se recolhem. Eu me recolhi, mas, além de mostrar o texto do André, decidi publicar uma foto recente (janeiro deste ano) para registrar no blog um pouco da doçura desse bichinho tão querido.


11 abril 2012

Leia um trecho do meu livro!


Surpresa! A editora Vida Nova disponibilizou em seu site um trecho grande de meu livro, A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, a sair no final de abril (tá pertinho!). A capa está bonita, não está? Assim que eu tiver a confirmação das datas e dos locais do lançamento, aviso aqui!

Boa leitura!

31 março 2012

48 anos depois: notas sobre a ditadura militar

Hoje faz 48 anos que foi deflagrada a ditadura militar. E a polarização geral em torno do tema tem me desagradado profundamente.

Neste blog, e em meu livro a sair no final de abril pela editora Vida Nova - A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã -, discuto a impossibilidade de enxergar nuances, típica do pensamento de esquerda. Ora, muitas vezes os próprios conservadores não se isentam desse mal.  No Brasil, o espírito da cordialidade convive paradoxalmente com uma adesão festiva ou raivosa (ou ambos!) a extremos. Análises comedidas, não; endossos apaixonados a qualquer tema, não importa sua complexidade. A politização do pensamento, a que espero, contraculturalmente, aderir cada vez menos, pede que a humanidade se divida em dois partidos opostos sobre tudo, sempre.

Tendo dito isto, vamos ao que penso. A ditadura militar foi um mal menor? Sim. O país estava prestes a se tornar uma sucursal da antiga União Soviética. Terroristas treinados agiram para implantar o comunismo no Brasil. Plantaram bombas, assaltaram bancos, mataram gente. Diante dessa situação, os militares usaram técnicas de guerra, com o apoio popular. Seria possível reagir de outra maneira? Creio que não, infelizmente.

Agora, devemos "comemorar" o acontecimento? Sim e não. O golpe, que impediu o mal maior, sim. O regime, com todos os seus desmandos e excessos, certamente não. Um mal menor deve ser encarado como o que é: um mal. Sim, o totalitarismo de esquerda é o inferno na terra em grau elevado. Mas uma ditadura deixa marcas difíceis de serem curadas e esquecidas. Por todos os que sofreram de verdade naquele contexto (não incluo nisto quem se exilou em Paris e hoje vive de indecorosas indenizações), prefiro não comemorar. 

O que fica mais patente, porém, é que aqueles jovenzinhos vociferantes - com seus mestres e tutores partidarizados - que se levantaram contra o evento sobre a ditadura no centro do Rio, desprezando e cuspindo nos militares que dali saíram, precisam urgentemente se despir da sua capa de falso moralismo, de inocência fingida, e compreender que, no mesmo instante em que condenam a ditadura, defendem e promovem um sistema maldito que, em nome do amorrrrrr, matou cem milhões de pessoas em todo o mundo. Os militares cometeram erros, mas buscavam coibir terroristas, assassinos e assaltantes de bancos; os comunistas são muito mais democráticos em seus alvos e exterminam "classes" inteiras, levas e levas de pessoas, sem olhar a quem. Vamos deixar de hipocrisia e acabar de uma vez por todas com esse mimimi em relação a 1964: esquerdista, o que você quis para o Brasil naquele tempo (e ainda quer hoje!) é pior, muito pior, do que qualquer coisa que os militares possam ter feito. Quantitativa e qualitativamente.

Termino assim este texto: com todo o respeito pela dor das vítimas involuntárias da ditadura e com a mais profunda compaixão por aqueles que de fato confundiram o comunismo com o sonho por um mundo melhor; mas muito pouco respeito, muito pouco mesmo, pelos novos totalitários, comunistas de ontem e de hoje, que acusam os militares ao mesmo tempo em que ainda exaltam, depois de toda aquela matança comprovada, os demônios Lênin, Stálin, Pol Pot, Mao e Fidel Castro.

25 março 2012

Bate-papo com Allen no Facebook

O pastor Allen Porto, de São Luís do Maranhão, postou no Facebook trechos do livro Reflexões sobre a indiferença, de Gilles Lipovetsky, pedindo a interação dos amigos a cada pedaço. Achei-os tão interessantes que comentei todos, o que gerou um papo muito agradável. Se você quer ver como é meu texto quando escrevo espontaneamente, sem muita preocupação didática nem muito burilamento, pode conferir a postagem no blog do Allen, aqui. Aproveite e dê uma olhada nos demais artigos do blog, que são muito bons!

Também vale conferir o trabalho da fotógrafa Micheli Lopes, que me clicou no Congresso Vida Nova (mais fotos aqui) e transformou uma postura minha toda torta (que é como fico quando estou esperando alguma coisa) em algo belo:

09 março 2012

8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova

Semana que vem, estarei no 8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova (13 a 16 de março), em Águas de Lindoia, SP, prestigiando preletores como William Craig, Augustus Nicodemus Lopes, Davi Charles Gomes, Jonas Madureira e Guilherme de Carvalho. Além disso, dr. Russell Shedd fará as devocionais e Stênio Marcius, o louvor. Estive com Augustus Nicodemus, dr. Shedd e Stênio na Vinacc e fui muito abençoada por eles! Ainda preciso escrever um pouquinho sobre a pregação do Augustus no encerramento da Vinacc, que foi uma das melhores que eu e André já ouvimos na vida, se não a melhor.

No congresso, darei uma palavrinha rápida sobre meu livro A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã, junto com Augustus Nicodemus, que me honrou muito ao assinar a apresentação. Mas calma: não é o lançamento, ainda, apenas um hors d'oeuvre. :-) O livro vai sair no final de abril e eu prometo que posto todas as datas e locais!

29 fevereiro 2012

Um seminário para não perder!

Franklin Ferreira, Jonas Madureira, Tiago Santos... Irmãos de minha inteira confiança, amigos leais, com um excelente currículo e um coração verdadeiramente convertido, constituem uma equipe para formar pastores e líderes no Brasil. Você vai perder essa? A turma ainda tem vagas para este ano!

26 fevereiro 2012

Da série "O que Deus fez por você através da cultura" I

Estou lendo um livro fantástico chamado Como o cristianismo mudou o mundo (How christianity changed the world), escrito por Alvin J. Schmidt, autor luterano, PhD da Universidade de Nebraska e professor de sociologia, hoje aposentado. Minha versão é eletrônica, em inglês, para Kindle. Esse livro busca corrigir os muitos desvios históricos e as incrivelmente enviesadas criminalizações de que é vítima o cristianismo, em uma sociedade que não reconhece o quanto é devedora dos ensinamentos de Cristo que se incorporaram à cultura.

É claro que Schmidt não ignora o mal que, em nome do cristianismo, muitos perpetraram ao longo da história. Afirma ele em entrevista: "Alguns aprovaram a escravidão; alguns diminuíram o valor da mulher; outros, os cruzados, tentaram converter à espada; outros, ainda, praticaram corrupção, dentro e fora da igreja." O que é importante notar é a estreita correspondência entre os ensinamentos de Cristo e os inúmeros bens de que gozamos na civilização judaico-cristã, além de seu corolário: o quanto perdemos quando nos afastamos bruscamente desses valores! Por exemplo, a cultura "andou para trás" em todos os países em que governantes totalitários buscaram destruir à força o substrato cristão, remodelando o homem e o mundo à própria imagem. Hitler, que odiava o cristianismo e subjugou a igreja, adotou o infanticídio na Alemanha durante seu governo.

É do infanticídio que vou tratar no primeiro post dessa série, comentando as riquíssimas informações que tenho encontrado no livro de Schmidt.

O fim do infanticídio: uma conquista cristã

Você, leitor, deplora o assassinato de crianças, não? Espero que você não seja um seguidor de Peter Singer, nem de certas antropologias modernas que negam à criança indígena o status de pessoa... Bom, para a sensibilidade contemporânea, em todo o Ocidente o infanticídio é um crime abominável. Trememos de horror e ira apenas quando alguém encontra um bebê vivo dentro de uma lata de lixo - quanto mais se pai ou mãe matam os próprios filhos, como ainda ocorre no mundo muçulmano. Prática comum e incontestada em várias civilizações antigas - não só a greco-romana, mas também a de países como China, Japão, Índia, entre os índios do Brasil e entre os esquimós - , o infanticídio só começou a ser afrontado consistentemente a partir do século I, pelos adeptos daquela seita judaica do Nazareno. Nem mesmo os melhores homens do mundo antigo ocidental, como Cícero e Sêneca, se opunham a esse costume maldito. De fato, compreende-se por quê: somente o cristianismo bíblico podia, como cultura, conferir ao neonato ou à criança o status de um ser digno da vida. A idolatria romana à "cidade" apenas deixava os mais frágeis à mercê de um sistema cruel que dispunha como queria das pessoas consideradas improdutivas ou indesejáveis. Foi somente por influência do bispo Basílio de Cesareia que o infanticídio foi abolido no Império Romano pelo imperador Valentiniano, em 374d.C. Da mesma forma, os pais da igreja Clemente de Alexandria, Tertuliano e Lactâncio denunciaram com vigor tanto o infanticídio quanto o abandono de crianças, e muitos outros cristãos se tornaram conhecidos por adotarem as crianças rejeitadas.

O homem ocidental comum não mata nem abandona mais os filhos? E os que o fazem são acertadamente condenados e punidos? Agradeça ao cristianismo!

23 fevereiro 2012

Ore em nome de Jesus

Contei em minha segunda palestra na VINACC que, quando era nova convertida - ainda com a mente de Cristo pouco desenvolvida e uma cosmovisão que precisava de mais leitura bíblica e anadurecimento -, acreditei estar fazendo uma grande coisa por minha amiga esotérica ao aconselhá-la assim: "Sempre que você orar, termine a sua oração com 'em nome de Jesus'." Que vergonha! Eu ainda não havia confrontado devidamente a minha antiga crença no poder de palavras mágicas, típica do esoterismo. Essa história é narrada por mim, junto com uma advertência a cristãos que oram e agem com base na crença em palavras mágicas, no livro que lançarei ainda este ano, A mente de Cristo, pela editora Vida Nova.

Pois bem, mas o que seria "orar em nome de Jesus"? Pois o próprio Jesus nos estimula a orar em nome Dele. Encontrei um texto maravilhoso que fala sobre isso no blog de meu amigo Alan Rennê, aqui, e nos faz pensar muito no quanto nossas orações são feitas na perspectiva correta. Espero que goste. Boa leitura!

14 fevereiro 2012

Aos defensores da vida – urgente!

Citei em meu livro (a sair em março pela editora Vida Nova) a matéria do Estado de São Paulo que noticiava o compromisso assumido pela presidente Dilma conosco, evangélicos, no dia 15 de outubro de 2010, nos seguintes termos:

“Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.”

Acrescentei que preferia não entrar no mérito da eficácia desse tipo de documento, já que “os líderes politicamente corretos são hábeis o suficiente para modificar as leis de um modo mais sutil”. Pois bem: mal começou o ano, já estamos às voltas com a quebra desse compromisso por parte do governo (não vale o argumento lulista “eu não sabia”: Dilma é o governo). E também estamos às voltas com pesadíssimas manifestações de perseguição religiosa anticristã em vários níveis. Não se trata somente da nomeação da ministra Eleonora Menicucci, abortista (e até aborteira, conforme ela mesma conta em entrevista!) com muito orgulho. O secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, que segundo o jornalista Reinaldo Azevedo é “o homem mais importante do PT depois de Lula”, declarou no Fórum Social de Porto Alegre deste ano que o governo pretende criar uma mídia estatal para disputar ideologicamente com os líderes evangélicos pelos setores emergentes. É uma verdadeira declaração de guerra pela mente do povo evangélico – e quem está do outro lado é o governo de Dilma, o governo petista! Vejam o que escreve Azevedo sobre o ideal petista:

“[Eles querem a] completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de ‘educação’ o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. […] Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.”

Essa é a perfeita descrição do totalitarismo: poder total, pensamento único, tudo debaixo do Estado. No nazismo e no comunismo, em toda parte e todas as épocas, o cristianismo sempre foi o maior inimigo de um Estado opressor e tirano, pois tal Estado exige idolatria e nós nos opomos a isso por adorarmos o Deus único e todo-poderoso, o Deus da Bíblia, Pai de Jesus Cristo, criador do universo e redentor de nossas almas.

Outro caso escabroso contra cristãos é o da psicóloga Marisa Lobo, perseguida por “fiscais” de sua área por afirmar sua crença no Deus da Bíblia. Ela foi intimada a tirar de toda a sua mídia social (Facebook, Orkut etc.) as menções a Deus, sob pena de perder o registro no Conselho. Vejam como estamos caminhando: antes, não podíamos ser crentes no espaço profissional para não perder a credibilidade; agora, não podemos ser crentes em lugar nenhum caso quisermos manter nossa profissão. O “agente secreto da fé” está se tornando um objetivo estatal para a igreja! É o imenso armário que estão preparando para nós.

A última é gravíssima e precisa de nossa atenção máxima: querem legalizar o aborto eugênico a qualquer tempo e o aborto por motivos “psicológicos” até 12 semanas. Marcaram uma audiência pública às portas do Carnaval, quando está todo mundo distraído, planejando viagens e lazeres. É como sempre fazem quando querem realizar mudanças impopulares nas leis. Posto na íntegra o conteúdo do post de um blog excelente sobre aborto, escrito por Eleonora Chaya (pseudônimo), com muita informação importante. Se você estiver em São Paulo e houver tempo, não deixe de comparecer!

Defensores da vida, ATENÇÃO!

No dia 24/02/2012 haverá uma audiência pública para que se façam alterações no capítulo “Crimes contra a vida”, do anteprojeto do novo Código Penal.

Entre as alterações, que abarcam também a eutánasia e o suicídio assistido, querem nos fazer engolir a contra-gosto as seguintes mudanças com relação ao ABORTO:

Como é:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art.   124.   Provocar   aborto   em   si   mesma   ou   consentir   que   outrem   lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.

Alteração:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art.   125.   Provocar   aborto   em   si   mesma   ou   consentir   que   outrem   lhe provoque.
Pena – Detenção, de seis meses a dois anos.

Como é:
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Alteração:
Exclusão do crime
Art. 128. Não há crime se:
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II – a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV – por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.

Aqui vocês podem baixar o texto com todas as alterações propostas.

Clamo a todos que, quem puder, compareça à audiência!

Façamos número, sejamos ouvidos! Não podemos nos calar diante da legalização de um assassinato!

É PRECISO SE INSCREVER: clique aqui para acessar o formulário de inscrição.

Audiência pública discussão das propostas do capítulo “Crimes Contra a Vida” do anteprojeto do novo Código Penal
Quando: 24 de fevereiro às 14h Local: Palácio da Justiça, “Salão dos Passos Perdidos”. Endereço: Praça da Sé, s/nº. Mais informações: www.prr3.mpf.gov.br, crimescontraavida@prr3.mpf.gov.br ou (11) 2192-8873.

11 fevereiro 2012

Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira

Queridos leitores,

Peço sua atenção a essa Carta Aberta da Vinacc à Igreja Brasileira, escrita por Euder Faber, presidente da Vinacc. Precisamos do apoio de todos os irmãos que apoiam as realizações da Vinacc!

E continuem orando pelo fim da minha tendinite. ;-)

Abraços!

Norma Braga

02 fevereiro 2012

Novidades editoriais!

Capa_Apostasia O pessoal da VINACC é ninja mesmo e merece nossa admiração: não é fácil organizar um evento daquelas proporções (60 mil participantes!) e ao mesmo tempo abrir uma editora e lançar livros! A Visão Cristocêntrica Publicações é inaugurada com quatro obras inéditas, dentre as quais Apostasia, Nova Ordem Mundial e Governança Global. O título pode assustar alguns, mas o tratamento do assunto é bastante sóbrio biblicamente e envolve muita informação imprescindível para a compreensão de nossos dias atribulados. O livro é organizado pelo fera em direito Uziel Santana e seus autores são Norman Geisler, Augustus Nicodemus, Russell Shedd, Robson Fernandes e esta escriba que vos fala. Será lançado durante o evento da VINACC, no carnaval, mas já pode ser reservado pelo site.

E você, vai à VINACC? Estarei lá!

Outra novidade de peso é a editora de meu amigo Sandro Wagner, Interferência, que já conta até com loja virtual. Está com um monte de livros de Charles Spurgeon à venda, oba!

Essas novidades vêm em boa hora, pois meu bloguinho anda tristemente parado. Estou morrendo de saudade de escrever aqui – e tem tanta coisa acontecendo! Queria comentar a obsessão banheirística (e autoritária) do Laerte, o vídeo promocional da Planned Parenthood, o livro da Nancy Pearcey que estou lendo e muito mais. Na verdade, tenho comentado, mas muito esparsamente (e concisamente) no meu Facebook. Não posso escrever muito: a tendinite ainda está me rondando (continuem orando por mim!). Mas logo sairá meu livro pela Vida Nova, em março, e eu prometo postar as datas de todos os lançamentos e eventos em que estarei presente!

02 janeiro 2012

2011, uma retrospectiva

Logo no início de 2011, vivemos uma tragédia pessoal, em janeiro: a morte de nosso primeiro filho antes de nascer, com quase cinco meses. Deus sabe o quanto isso pode ser especialmente doloroso para quem, como nós, não acredita na balela de que, no ventre, os bebês são apenas um punhado de células. Nós nos relacionávamos com ele, do lado de fora, considerando-o de fato o que ele era: um bebezinho em formação. Eu especialmente me divertia quando, à noite, meio de bruços, eu mudava de posição e sentia o corpinho ainda minúsculo se deslocando para o lado inverso. Achava a coisa mais linda que aquela coisica já tivesse seus desconfortos e vontades. Nosso bebê agora está com Deus, e ainda pensamos nele com tristeza e saudade. Depois do parto (pois seria perigoso e muito pior tirá-lo por cesariana), enquanto voltávamos calados para casa, ouvi no rádio uma música muito triste de Caetano Veloso, cujo refrão era: “Que é que eu vou fazer pra te esquecer?” E respondia interiormente: nunca farei nada pra te esquecer. Não quero evitar essa dor (que será permanente, até a morte), não só porque é a evidência do amor que tivemos por ele, mas principalmente porque Deus estabeleceu seus limites, aqui e na eternidade: aqui, temos um consolo que neste mundo não se encontra; lá, teremos o reencontro tão ansiado. Até esse dia, sustentada pela maravilhosa graça, nossa lembrança continuará a ser “mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus vai apagar”.

Em fevereiro, durante os dias do Carnaval, tivemos o Encontro da VINACC (Visão Nacional da Consciência Cristã), um evento inesquecível em Campina Grande, Paraíba. Falei a uma plateia bastante entusiasmada (mérito das pessoas que ali estavam, pois não sou uma grande oradora) sobre os perigos de uma cosmovisão que confunde o amor cristão com o amor marxista politicamente correto. No mesmo dia, ouvimos Don Richardson, autor de um dos livros mais importantes em minha formação cristã, O fator melquisedeque. Não perdi a oportunidade de dizer-lhe que aquele livro, lido por mim poucos meses depois da conversão, ampliou incrivelmente minha percepção de quão grande Deus é, pois, embora tenha escolhido fazer-se conhecido através de um Livro, Ele não se furtou a deixar pequenas marcas de Si mesmo em outras culturas desprovidas do texto bíblico. Com uma cativante modéstia, Richardson respondeu como se a obra não fosse dele, mas como quem, esquecido dos próprios esforços, ainda se maravilha com a descoberta: “Não é mesmo incrível?” Desnecessário contar que eu e André fizemos um rombo imenso em nossos bolsos, comprando muitos livros e alguns vídeos e cds. Ao longo do evento, todas as palestras a que assistimos, sem exceção, trouxeram ideias edificantes. Agradeço a Deus pelos irmãos que conheci (Tiago, Uziel, Ana, Euder, Paulo, Ricardo, Adauto, Ciro, Zé Mário) e que reencontrei (Augustus, Minka, Franklin, Marilene, Renato, Edson, Rozângela, Antônio). Tivemos a oportunidade de bater papos divertidos e instrutivos. Estaremos lá novamente este ano!

[Continua, na medida em que a tendinite deixar] ;-)